sábado, 3 de março de 2012

Tempo de calar... (Eclesiastes 3:7)

A vida nos oferece muitas situações onde simplesmente as palavras nos faltam. Às vezes não sabemos o que dizer e nem como dizer. Não possuímos as respostas para todas as perguntas. Muitas vezes não sabemos o que dizer nem para nós mesmos e isso dificulta qualquer possibilidade de autocompreensão. Reconhecemos também que não há ninguém da natureza humana que consiga nos decifrar e escutar quando nossa alma silencia. Nesses momentos podemos entender o que significa estar sozinhos dentro de nós. O silêncio é simplesmente perturbador. O ser humano em geral tem dificuldades em lidar com a falta de palavras que por vezes surpreendem. É verdade que fomos acostumados a falar demais, a escutar pouco, a sermos cercados de sons, palavras, músicas e gargalhadas. Por isso, não somos muito habilidosos para decifrar os silêncios que surgem, e quando isso acontece, logo procuramos meios de nos ocupar e nos distrair de todo e qualquer incômodo. Nos alimentamos de muitos barulhos que não permitem um encontro a sós com o nosso interior. Confesso que já me surpreendi em silêncio com Deus, sem saber o que falar para Ele. Evitando orações automáticas de frases feitas, nesses momentos decidi simplesmente não falar nada. Creio ser este o aspecto mais complicado do silêncio, pois religiosamente somos levados a pensar que orar é falar desesperadamente, e quanto mais horas passamos falando com Deus chegamos a um nível maior de espiritualidade. É claro que existe o tempo de falar, e também precisamos muito dele. Mas a questão é: e quando o silêncio atinge nosso relacionamento com Deus? Percebi que momentos de silêncio fazem parte de todo e qualquer relacionamento humano. Tenho como exemplo meu relacionamento com minha melhor amiga: às vezes conversamos muito e falamos sem parar, mas de vez em quando, o assunto simplesmente acaba e o silêncio se faz presente. Logo uma de nós se manifesta e pergunta: o que você está pensando? Penso que isso não é diferente quando se trata do nosso relacionamento com Deus. Ele é o maior interessado em saber o porquê de nossos silêncios. Deus não está interessado em palavras superficiais que não dizem nada sobre nós mesmos. Ele quer ouvir o mais profundo do nosso coração. E tenho aprendido que não preciso me preocupar quando não sei ou não tenho o que dizer pra Deus, pois Ele ouve o silêncio da nossa alma. Como disse Davi: ainda que as palavras não nos cheguem à boca, Ele já conhece todas elas. Entendi que o meu silêncio também é minha oração, pois através dele posso dizer muito mais que palavras. Com o silêncio digo pra Deus que não tenho a compreensão que eu preciso, não tenho as respostas para tudo, estou sem forças, cheguei até onde meu limite poderia permitir. Enfim, reconheço que sou totalmente dependente Dele e não há nada que eu possa fazer. E o mais lindo de tudo isso é que Deus respeita nosso silêncio, Ele nos dá tempo, Ele compreende o momento que estamos passando. Nos últimos dias tenho refletido bastante a respeito do silêncio e tenho reconhecido que nele há algo bastante valioso. Salomão em toda a sua sabedoria afirma que há um tempo para todas as coisas, inclusive há o tempo de se calar. Creio que há grande importância de vivermos vez por outra esse tempo. O silêncio é uma oportunidade de ouvir o que se passa do lado de dentro, compreendermos, ouvir-nos, saber quem somos. E mais importante, o silêncio permite um encontro a sós com Deus, e possibilita que Ele nos fale sem nenhuma interferência. Portanto, que possamos aprender a desfrutar do tempo de calar. Que o silêncio seja lição para a vida quando nada mais for suficiente e seja a oportunidade de encontrar a presença de Deus. Que aprendamos a cada dia a discernir os tempos e as estações que a vida nos oferece. Deus nos abençoe!

Cristo morreu sob a ira de Deus -por Paul Washer

Cristo morreu sob a ira de Deus Para obter a salvação de Seu povo, Cristo não somente sofreu o terrível desamparo de Deus, mas Ele bebeu o amargo cálice da ira de Deus e morreu uma morte sangrenta em lugar de seu povo. Somente assim a justiça divina pode ser satisfeita, a ira de Deus apaziguada, e a reconciliação possível. No jardim, Cristo orou três vezes para que “o cálice” fosse removido d’Ele, mas todas as vezes a Sua vontade entregava-se a vontade do Pai. Devemos nos perguntar: o que continha nesse cálice para que fizesse com que Ele rogasse tão fervorosamente? O que continha no cálice para causar tal angústia que Seu suor se mesclasse com sangue? Frequentemente é dito que o cálice representava a cruel Cruz romana e a tortura física que lhe esperava – É dito que Cristo previu a ‘cauda de gato’ sendo usada em suas costas, as coroas de espinhas penetrando sua fronte, e os cravos atravessando Suas mãos e Seus pés. Ainda assim, aqueles que enxergam essas coisas como a fonte de Suas angústias não entendem a Cruz, nem o que ocorreu lá. Ainda que as torturas o cobrissem, pelas mãos humanas, elas faziam parte do plano redentor de Deus; Havia algo muito mais sinistro que evocou o clamor do Messias. Nos primeiros séculos da igreja primitiva, milhares de cristãos morreram em cruzes. É dito que Nero os crucificava ao contrário, ele os cobria de alcatrão, e lhes ateava fogo para usar como luzeiros nas cidades de Roma. Através das épocas, desde então, um sem número de cristão foram levados às mais inquietantes torturas e, mesmo assim, é o testemunho de amigos e inimigos que muitos deles foram para a morte com grande coragem e ousadia. Será que devemos crer que os seguidores do Messias enfrentaram uma morte tão cruel com alegria, enquanto que o Capitão de sua Salvação se acovardou no jardim, com medo da mesma tortura? Acaso o Cristo de Deus temeu os chicotes e espinhos, cruzes e lanças, ou será que o cálice representava um terror infinitamente maior que a crueldade humana? Para entender o conteúdo sinistro desse cálice, devemos nos dirigir às Escrituras. Existem duas passagens em particular que devemos considerar – uma nos salmos e a outra em Jeremias: “Porque na mão do SENHOR há um cálice cujo vinho é tinto; está cheio de mistura; e dá a beber dele; mas as escórias dele todos os ímpios da terra as sorverão e beberão.” (Salmos 75:8). “Porque assim me disse o SENHOR Deus de Israel: Toma da minha mão este copo do vinho do furor, e darás a beber dele a todas as nações, às quais eu te enviarei. Para que bebam e tremam, e enlouqueçam, por causa da espada, que eu enviarei entre eles.” (Jeremias 25:15-16). Como resultado da incessante rebeldia dos ímpios, a justiça de Deus havia decretado um juízo contra eles. Deus, justamente, derramaria sua indignação sobre as nações. Ele colocaria o cálice de vinho da Sua ira em suas bocas e forçaria-lhes a tomar até o fim. O simples pensamento de que tal destino espera o mundo é absolutamente terrível, e ainda assim esse teria sido o destino de todos, exceto que a misericórdia de Deus buscou a salvação do povo, e a sabedoria de Deus elaborou um plano de redenção ainda desde antes da fundação do mundo. O Filho de Deus se faria homem e caminharia sobre a terra em perfeita obediência à Lei de Deus. Ele seria como nós em todos os sentidos, e tentado em todas as maneiras como nós, mas sem pecado. Ele viveria uma vida perfeitamente justa para glória de Deus e em lugar de Seu povo. Então, no tempo designado, Ele seria crucificado pelas mãos de homens ímpios, e naquela cruz, Ele levaria a culpa de Seu povo, e sofreria a ira de Deus contra eles. O perfeito Filho de Deus e verdadeiro Filho de Adão juntos em uma gloriosa pessoa tomaria o amargo cálice da mão do próprio Deus e o beberia até o fim. Ele o tomaria até que fora “consumado”, e a justiça de Deus fora completamente satisfeita. A ira divina que devia ter sido nossa seria exaurida sobre o Filho, e por Ele, seria extinta. Imagine uma represa que está cheia até a borda e está sendo pressionada pelo o peso da água. De uma vez só o muro protetor é removido e o poder destrutivo é liberado. Com a certeira destruição indo diretamente até um vilarejo, localizado em um vale próximo, de repente a terra se abre e traga a água que causaria tamanho arrasado. Da mesma forma, o justo juízo de Deus corria em direção a cada homem. Não se podia achar escape na montanha mais alta nem no abismo mais profundo. Os pés mais velozes não poderiam escapar, nem o melhor nadador suportar sua maré. A represa foi rachada e nada poderia conserta seu dano. Porém, quando toda esperança humana foi esgotada, no tempo oportuno, o Filho de Deus se interpôs. Ele se colocou entre a justiça divina e a Sua gente. Ele tomou a ira que seu povo tinham provocado e o castigo que eles mereciam. Quando Ele morreu nem uma gota de ira restou. Ele a bebeu toda! Imaginem duas pedras de moinho, uma girando sobre da outra. Imaginem que entre as pedras existe um grão de trigo que é esmagado pelo grande peso. Primeiro, é moído até ser irreconhecível, e depois suas partes internas são espalhadas e moídas até se tornarem pó. Não há qualquer esperança de reconstruí-lo. Tudo está perdido além de qualquer esperança. Assim, de igual maneira, “ao SENHOR agradou moê-lo” (Isaías 53:10), a Seu próprio Filho, e colocá-lo em indescritível angústia. Portanto, agradou ao Filho submeter-se a tal sofrimento a fim que Deus fosse glorificado e o povo redimido. Não é que Deus se tenha sentido prazer no sofrimento de Seu amado Filho, mas através de sua morte, a vontade de Deus se cumpriu. Nenhum outro meio tinha poder de remover o pecado, satisfazer a justiça, e apaziguar a ira de Deus contra nós. A menos que esse divino grão de trigo tivesse caído ao chão e morrido, haveria permanecido sozinho sem um povo ou uma noiva. O prazer não estava no sofrimento, mas em tudo o que o sofrimento conseguiria: Deus seria revelado em uma glória ainda desconhecida aos homens e anjos, e um povo seria trazido a uma relação sem obstáculo com o seu Deus. Em uma das histórias mais épicas do Antigo Testamento, o patriarca Abraão recebe a ordem de levar seu filho, Isaque, ao monte Moriá e ali o oferecesse como sacrifício a Deus. “Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.” (Gênesis 22:2). Que carga foi posta sobre Abraão! Não podemos nem imaginar a tristeza que encheu o coração do velho homem e a tortura que cada passo da viagem trouxe. As Escrituras são cuidadosas em nos contar que ele foi ordenado a oferecer seu “filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas”. A especificação parece planejada para chamar nossa atenção e nos fazer pensar que há um significado oculto nessas palavras, além do que podemos enxergar. No terceiro dia os dois chegaram ao lugar indicado, e o pai atou a seu amado filho, com suas próprias mãos. Finalmente, em submissão ao que deveria fazer, pôs sua mão sobre seu filho, “e tomou o cutelo para imolar o seu filho”. Nesse momento, a misericórdia e a graça de Deus se interpuseram, e a mão do ancião foi detida. Deus o chamou desde o céu e disse: “Abraão, Abraão!... Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho.” (Gênesis 22:12). À voz do Senhor, Abraão levantou os olhos e viu a um carneiro enroscado pelos chifres. Tomou o carneiro e o ofereceu em lugar de seu filho. E logo nomeou o lugar de YHWE-Jireh, ou “O SENHOR PROVERA”. É um dito fiel que permanece até o dia de hoje, “No monte do SENHOR se proverá” (Gn 22:14). Ao ver o encerramento desse momento épico na história, não somente Abraão, mas também todos os que já leram esse acontecimento dão um suspiro de alívio, que o jovem tenha sido poupado. Pensamos nós “que final lindo”, mas esse não era o fim, era simplesmente um intervalo. Dois mil anos mais tarde, as cortinas voltam a se abrir. O fundo é escuro e sinistro. No centro do cenário está o Filho de Deus no monte, chamado Lugar da Caveira. Ele está atado pela obediência à vontade de seu Pai. Ele está pendurado levando o pecado de Seu povo. Ele é maldito – traído por sua criação e desamparado por Deus. Então, o silêncio é rasgado com o horrível estrondo da ira de Deus. O pai toma o cutelo, levanta o braço, e sacrifica a “teu filho, único filho, a quem amas” e as palavras do profeta Isaías são cumpridas: “Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados... Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão” (Isaías 53:4,5,10). É uma injustiça ao Calvário que a verdadeira dor da cruz frequentemente é floreada por uma visão romântica e menos poderosa. Frequentemente se pensa e se prega que o Pai olhou desde o céu e testemunhou o sofrimento que era acumulado sobre Seu Filho por mãos humanas, e que Ele contou tal aflição como pagamento pelos nossos pecados. Isso é heresia da pior classe. Cristo satisfez a justiça divina não somente suportando a aflição dos homens, mas suportando e morrendo sob a ira de Deus. É necessário mais que cruzes, coroas de espinhos, cravos e lanças, para pagar pelo pecado. O crente é salvo não só pelo que os homens fizeram a Cristo na cruz, mas pelo que Deus fez a Ele – Ele o moeu sob toda a força de Sua ira contra nós. Raramente essa verdade se faz suficientemente clara em nossa pregação do evangelho! A cortina se fecha com um Filho sacrificado e um Messias crucificado. Diferente de Isaque, não havia carneiro que morresse em Seu lugar. Ele era o cordeiro que morreria pelos pecados do mundo. Ele é a provisão de Deus para a redenção de Seu povo. Ele é o cumprimento daquilo que o carneiro e Isaque eram somente sombras. Nele o monte do Calvário é renomeado YHWE-Jireh, ou “O SENHOR PROVERA”. É uma palavra fiel até o dia de hoje que “No monte do Senhor se proverá”. O Calvário era o monte e a salvação foi providenciada. Assim, o crente discernente clama “Deus, Deus, sei que me amas já que não recusaste nem a teu filho, teu único filho”

sexta-feira, 2 de março de 2012

A Importância do Silêncio Por: Mark Dever

Um dos aspectos mais frequentemente comentados no culto matinal do Dia do Senhor aqui na Capitol Hill Baptist Church é nada do que fazemos. Ou melhor, é O nada que fazemos. São os nossos momentos de silêncio. Eclesiastes 3:7 nos diz que existe o tempo de falar e o tempo de calar, mas nós parecemos ter esquecido hoje que existe um tempo para o silêncio. Deus chama seu povo diante Dele em silêncio: “Mas o SENHOR está no seu santo templo; cale-se diante dele toda a terra.” (Hab. 2:20). Certamente como cristãos, nós temos muito para nos regozijar em voz alta, alegremente e cheios de expectativa! Mas não é parte das nossas assembleias regulares refletir o peso da nossa pecaminosidade diante de um Deus Santo - o silêncio da convicção - até mesmo de tristeza? Além disso, não faz parte das nossas assembleias regulares refletir o deslumbrante peso do nosso perdão em Cristo - o silêncio da maravilha - e até mesmo da humildade de algumas incompreensões? Nós nos silenciamos exatamente porque Deus não tem mantido silêncio. Nós nos silenciamos a fim de que nós possamos ouvir a Deus falar em Sua Palavra (“Falou mais Moisés, juntamente com os sacerdotes levitas, a todo o Israel, dizendo: Guarda silêncio e ouve, ó Israel! Hoje vieste a ser povo do SENHOR teu Deus” Dt 27:9). Nós nos silenciamos para mostrar o nosso assentimento às acusações contra nós. (“Emudeci; não abro a minha boca, porquanto tu o fizeste.” Salmos 39:9). Nós nos silenciamos para mostrar respeito, obediência, humildade e retenção (“Cala-te diante do SENHOR Deus, porque o Dia do SENHOR está perto, pois o SENHOR preparou o sacrifício e santificou os seus convidados.” Sf 1:7; “conservem-se as mulheres caladas nas igrejas, porque não lhes é permitido falar; mas estejam submissas como também a lei o determina.” ICr 14:34; “E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio.” I Tm 2:12). Nós nos silenciamos para procurar nossos corações (“Irai-vos e não pequeis; consultai no travesseiro o coração e sossegai.” Salmos 4:4). Nós nos silenciamos em nosso próprio tempo de oração, lendo e meditando na Palavra de Deus. Nós deveríamos também nos silenciar em nossos períodos de culto. Fazendo silêncio juntos edifica e unifica a igreja, testemunhamos para a majestade de Deus e implicitamente proclamamos Sua Graça para todos que escutam.

A Bíblia é o árbitro de tudo! - João Calvino

OS FANÁTICOS QUE, POSTA DE PARTE A ESCRITURA, ULTRAPASSAM A REVELAÇÃO E UBVERTEM A TODOS OS PRINCÍPIOS DA PIEDADE - NÃO HÁ NOVAS REVELAÇÕES - Ademais, aqueles que, repudiada a Escritura, imaginam não sei que via de acesso a Deus, devem ser considerados não só possuídos pelo erro, mas também exacerbados pela loucura. Ora, surgiram em tempos recentes certos desvairados que, arrogando-se, com extremada presunção, o magistério do Espírito, fazem pouco caso de toda leitura da Bíblia e se riem da simplicidade daqueles que ainda seguem, como eles próprios a chamam, a letra morta e que mata. Eu, porém, gostaria de saber deles que Espírito é esse de cuja inspiração se transportam a alturas tão sublimadas que ousem desprezar como pueril e rasteiro o ensino da Escritura? Ora, se respondem que é o Espírito de Cristo, tal certeza é absurdamente ridícula, se na realidade concedem, segundo penso, que os apóstolos de Cristo, e os demais fiéis na Igreja primitiva, foram iluminados não por outro Espírito. O fato é que nenhum deles daí aprendeu o menosprezo pela Palavra de Deus; ao contrário, cada um foi antes imbuído de maior reverência, como seus escritos o atestam mui luminosamente. E, na verdade, assim fora predito pela boca de Isaías. Pois o povo antigo não cinge ao ensino externo como se lhe fosse uma cartilha de rudimentos, onde diz: “Meu Espírito que está em ti, e as palavras que te pus na boca, de tua boca não se apartarão, nem da boca de tua descendência, para sempre” [Is 59.21], senão que ensina, antes, haver de ter a nova Igreja, sob o reino de Cristo, esta verdadeira e plena felicidade: que seria regida pela voz de Deus, não menos que pelo Espírito. Do quê concluímos que, em nefando sacrilégio, estes dois elementos que o Profeta uniu por um vínculo inviolável são separados por esses biltres. A isto acresce que Paulo, arrebatado que foi até ao terceiro céu [2Co 12.2], entretanto não deixou de aprofundar-se no ensino da lei e dos profetas, assim como também exorta a Timóteo, mestre de singular proeminência, a que se devotasse a sua leitura [1Tm 4.13]. E digno de ser lembrado é esse elogio com que adorna a Escritura: “é útil para ensinar, admoestar, redargüir, a fim de que os servos de Deus se tornem perfeitos” [2Tm 3.16]. De quão diabólica loucura é imaginar como se fosse transitório ou temporário o uso da Escritura que conduz os filhos de Deus até a meta final! Em seguida, desejaria que também me respondessem isto: porventura beberam de outro Espírito além daquele que o Senhor prometia a seus discípulos? Ainda que se achem possuídos de extrema insânia, contudo não os julgo arrebatados de tão frenético desvario que ousem gabar-se disso. Mas, ao prometê-lo, de que natureza declarava haver de ser esse Espírito? Na verdade, um Espírito que não falaria por si próprio; ao contrário, que lhes sugeriria à mente, e nela instilaria o que ele próprio havia transmitido por meio da Palavra [Jo 16.13]. Logo, não é função do Espírito que nos foi prometido configurar novas e inauditas revelações ou forjar um novo gênero de doutrina, mediante a qual sejamos afastados do ensino do evangelho já recebido; ao contrário, sua função é selar-nos na mente aquela mesma doutrina que é recomendada através do evangelho. A BÍBLIA É O ÁRBITRO DO ESPÍRITO Do quê facilmente entendemos isto: se ansiamos por receber algum uso e fruto da parte do Espírito de Deus, imperioso nos é aplicar-nos diligentemente a ler tanto quanto a ouvir a Escritura. Assim é que Pedro até louva [2Pe 1.19] o zelo daqueles que estão atentos ao ensino profético, ensino que, todavia, após resplandecida a luz do evangelho, poderia parecer ter sido cancelado. Muito pelo contrário, se algum espírito, preterida a sabedoria da Palavra de Deus, nos impingir outra doutrina, com justa razão deve o mesmo ser suspeito de fatuidade e mentira [Gl 1.6-9]. E então? Uma vez que Satanás se transfigura em anjo de luz [2Co 11.14], que autoridade terá o Espírito entre nós, a não ser que seja discernido através de sinal de absoluta certeza? E de forma intensamente clara, ele nos tem sido apontado pela voz do Senhor, não fora que, por sua própria vontade, estes infelizes porfiassem por extraviar-se para sua própria ruína, enquanto buscam o Espírito por si próprios e não por ele mesmo. Alegam, com efeito, que é afrontoso que o Espírito de Deus, a quem todas as coisas devem estar sujeitas, seja subordinado à Escritura. Como se, na verdade, isto fosse ignominioso ao Espírito Santo: ser ele por toda parte igual e conforme a si mesmo; permanecer consistente consigo em todas as coisas; em nada variar! De fato, se fosse necessário julgar em conformidade com qualquer norma humana, angélica, ou estranha, então deveria considerar-se que o Espírito estaria reduzido a subordinação; aliás, se agradar mais, até mesmo a servidão. Quando, porém, se compara consigo próprio, quando em si mesmo se considera, quem dirá com isso que ele é impingido com ofensa? Com efeito, confesso que, desta forma, o Espírito é submetido a um exame, contudo um exame através do qual ele quis que sua majestade fosse estabelecida entre nós. Ele deve ser plenamente manifesto assim que nos adentra o coração. Entretanto, para que o espírito de Satanás não se insinue sob o nome do Espírito, ele quer ser por nós reconhecido em sua imagem que imprimiu nas Escrituras. Ele é o autor das Escrituras: não pode padecer variação e inconsistência para consigo mesmo. Portanto, como ali uma vez se manifestou, assim tem ele de permanecer para sempre. Isto não lhe é derrogatório, a não ser, talvez, quando julgamos dever ele abdicar e degenerar sua dignidade.

quinta-feira, 1 de março de 2012

A lepra e a Carruagem do Orgulho - Por Servos Livres

A História Naamã esta registrada em II Reis 5:1-14. Naamã, no entanto, em sua própria casa, para os que o conheciam na intimidade, sabiam que por baixo daquela roupagem de aparências, havia uma deficiência grave – lepra e um grande orgulho. Era um herói lá fora, mas para os íntimos um leproso, um prepotente. Para os de fora um homem conceituado, para os seus, um homem derrotado na intimidade. Ostentam uma aparência de espirituais, mas interiormente estão imundos. São heróis por fora, mas interiormente deficientes, e por isso derrotados. A lepra aqui simboliza o pecado, e orgulho. Quando chegou na casa de Eliseu, pensava o comandante que seria saudado com pompa, todavia o profeta apenas mandou um recado dizendo a ele que se banhasse sete vezes no rio Jordão. O tratamento recebido feriu o orgulho do velho comandante que se negava a descer humildemente de sua carruagem e obedecer a direção dada pelo homem de Deus. Naamã era um homem que possuía um cargo elevado na Síria, era capitão do exército, mas ao mesmo tempo era exposto a todos sua enfermidade, pois era leproso. Sabemos que o maior desejo de alguém doente é a cura e com Naamã não foi diferente. Assim que soube alguém em Israel que pudesse curá-lo, dirigiu-se para lá. Ao chegar à casa do profeta Eliseu, recebe a mensagem de banhar-se no rio Jordão. Naamã, após o convencimento de seus servos, resolve obedecer, banhando-se 7 vezes naquele rio e assim fica curado. O que essa história nos ministra? - Que os pensamentos de Deus não são como os nossos: muitas vezes achamos que a forma como Deus irá operar será a que imaginamos, mas vemos pela história de Naamã que não foi assim. Possivelmente Naamã achava que receberia uma oração do profeta e sairia curado, no entanto, ele nem ao menos foi recebido pelo profeta. - Que a obediência tem que estar acima de nossas sugestões: quando Naamã descobre que deve ir ao Jordão, sugere outros rios mais limpos do que aquele para banhar-se. Não sabia Naamã que estava mais sujo que o rio Jordão. O rio Jordão não era o que Naamã poderia visualizar como fonte de cura, no entanto, o Senhor queria ministrar a este homem que a obediência está acima de tudo. Lavar-se no Jordão era sinônimo de se humilhar, de descer do pedestal, jogar fora a capa do orgulho. Naamã precisou expor sua nudez, sua lepra diante daqueles que estavam sob sua autoridade e tudo isso num rio considerado sujo. Conclusão: Naamã Desceu de sua carruagem de orgulho, despiu-se da roupagem da falsa aparência. È na realidade o que podemos compreender dessa HISTÓRIA. Fonte Personagens Bíblicos