O que vem primeiro: fé ou arrependimento? Por John Murray
O que vem primeiro: o arrependimento ou a fé? Essa é uma pergunta desnecessária; e fútil, a insistência de que um é anterior ao outro. Não há qualquer anterioridade. A fé para a salvação é uma fé de arrependimento; e o arrependimento para a salvação é um arrependimento de fé… A interdependência entre a fé e o arrependimento pode ser vista quando lembramos que a fé é a fé em Cristo para a salvação do pecado. Mas, se a fé é direcionada à salvação do pecado, tem de haver ódio do pecado e desejo de ser salvo do pecado. Esse ódio do pecado envolve arrependimento, que consiste essencialmente em converter-se do pecado para Deus. Ora, se lembramos que o arrependimento é o volver-se do pecado para Deus, esse volver-se para Deus implica fé na sua misericórdia revelada em Cristo. É impossível separar a fé do arrependimento. A fé salvadora é permeada de arrependimento, e este é permeada de fé. A regeneração se torna expressiva em nossa mente por meio do exercício da fé e do arrependimento.
O arrependimento consiste essencialmente em mudança de coração, mente e vontade. Essa mudança de coração, mente e vontade diz respeito, em especial, a quatro coisas: é uma mudança que diz respeito a Deus, a nós mesmos, ao pecado e à justiça. Sem a regeneração, os nossos pensamentos sobre Deus, nós mesmos, o pecado e a justiça são drasticamente pervertidos. A regeneração muda a mente e o coração. Ela os renova por completo. Há uma mudança radical em nossa maneira de pensar e sentir. As coisas velhas passaram, e todas as coisas se tornaram novas. É importante observar que a fé para a salvação é a fé acompanhada por mudança de pensamento e atitude. Com muita freqüência, nos círculos evangélicos e, em particular, no evangelismo popular, a relevância da mudança que a fé sinaliza não é entendida nem apreciada. Há dois erros. Um destes é excluir a fé do contexto que lhe dá significado. O outro é pensar na fé em termos de decisão e, com isso, baratear a decisão. Esses erros estão relacionados e condicionam um ao outro. Enfatizar o arrependimento e a mudança profunda de sentimento e de pensamento envolvida no arrependimento é o elemento necessário para corrigir esse conceito distorcido da fé, o qual destrói a alma. A natureza do arrependimento serve para acentuar a urgência dos assuntos que estão em jogo nas exigências do evangelho, enfatizar a separação do pecado incluída na aceitação do evangelho e ressaltar a perspectiva totalmente nova que a fé no evangelho transmite.
Não devemos pensar no arrependimento como que constituído meramente de uma mudança genérica da mente. O arrependimento é bem especifico e concreto. E, visto que é uma mudança da mente em referência ao pecado, é uma mudança da mente em referência a pecados específicos, pecados em toda a particularidade e individualidade peculiares dos nossos pecados. É muito fácil falarmos sobre o pecado, sermos denunciatórios em relação ao pecado e aos pecados específicos de outras pessoas e não nos mostrarmos arrependidos quanto aos nossos próprios pecados. A prova do arrependimento é a genuinidade e a resolução de nosso arrependimento em referência aos nossos próprios pecados, pecados caracterizados pelos agravamentos peculiares a nós mesmos. O arrependimento, no caso dos tessalonicenses, manifestou-se em que eles se converteram dos ídolos para servirem o Deus vivo. A idolatria dos tessalonicenses evidenciava, de modo específico, a sua alienação de Deus; e foi o arrependimento dessa idolatria que provou a genuinidade da fé e da esperança deles (1 Ts 1.9-10).
O evangelho é não somente a mensagem de que pela graça somos salvos, mas também a mensagem de arrependimento. Quando Jesus, após a ressurreição, abriu o entendimento dos discípulos, para que entendessem as Escrituras, Ele lhes disse: “Assim está escrito que o Cristo havia de padecer e ressuscitar dentre os mortos no terceiro dia e que em seu nome se pregasse arrependimento para remissão de pecados a todas as nações, começando de Jerusalém” (Lc 24.46-47). Quando Pedro pregou à multidão, no Dia de Pentecostes, os ouvintes foram constrangidos a perguntar: “Que faremos, irmãos?” Pedro respondeu: “Arrependei-vos, e cada um de vós seja batizado em nome de Jesus Cristo para remissão dos vossos pecados” (At 2.37-38). Posteriormente, Pedro interpretou a exaltação de Cristo como uma exaltação à função de “Príncipe e Salvador, a fim de conceder a Israel o arrependimento e a remissão de pecados” (At 5.31). Alguma outra coisa poderia assegurar mais claramente que o evangelho é o evangelho do arrependimento do que o fato de que o ministério celestial de Jesus como Salvador é um ministério de outorgar arrependimento para o perdão dos pecados?
Quando Paulo apresentou aos presbíteros de Éfeso um relato de seu próprio ministério, ele disse que testificara “tanto a judeus como a gregos o arrependimento para com Deus e a fé em nosso Senhor Jesus [Cristo]” (At 20.21). O autor da Epístola aos Hebreus indicou que “o arrependimento de obras mortas” é um dos princípios elementares da doutrina de Cristo (Hb 6.1). Não poderia ser diferente. A nova vida em Cristo Jesus implica que os laços que nos prendiam ao domínio do pecado foram destruídos. O crente está morto para o pecado por meio do sangue de Cristo. O velho homem foi crucificado para que o corpo do pecado seja desfeito e o crente não sirva mais o pecado (Rm 6.2, 6). Esse rompimento com o passado se registra na consciência por meio do converter-se do pecado para Deus, “com pleno propósito e empenho por uma nova obediência”…
O arrependimento é aquilo que descreve a resposta de converter-se do pecado para Deus. Este é o caráter específico do arrependimento, assim como o caráter específico da fé é receber a Cristo e confiar somente nEle para a salvação. O arrependimento nos recorda que, se a fé que professamos é uma fé que nos permite andar nos caminhos deste mundo mau, na concupiscência da carne, na concupiscência dos olhos, na soberba da vida e na comunhão das obras das trevas, a nossa fé é apenas zombaria e engano. A verdadeira fé é permeada de arrependimento. Assim como a fé é um ato momentâneo e uma atitude permanente de confiança e descanso direcionada ao Salvador, assim também o arrependimento resulta em contrição constante. O espírito contrito e o coração quebrantado são marcas permanentes da alma que crê… O sangue de Cristo é o instrumento da purificação inicial, mas é também a fonte à qual o crente pode recorrer continuamente. É na cruz de Cristo que o arrependimento começa; é ali que ele tem de continuar derramando seu coração, em lágrimas de confissão e contrição.
Tradução: Pr. Wellington Ferreira © Editora FIEL 2009.
Extraído de Redemption: Accomplished and Applied, publicado por Wm. B. Eerdmans Publishing Company.
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terça-feira, 6 de março de 2012
domingo, 4 de março de 2012
A Grande Batalha - por J. C. Ryle
Todos os homens devem amar a paz. A guerra é um mal imenso, embora seja um mal necessário às vezes. As batalhas são acontecimentos sangrentos e angustiantes, apesar de que, às vezes, as nações não podem manter os seus direitos sem as mesmas. Mas todos os homens devem amar a paz. Todos devemos orar por uma vida tranquila.
Tudo isso é verdade, e ainda há uma guerra que vale a pena lutar; há uma batalha que deveríamos estar sempre lutando. A batalha da qual falo é a batalha contra o mundo, a carne e o diabo. Com estes inimigos nunca devemos estar em paz; desta guerra homem nenhum deve procurar estar desencarregado, enquanto ele estiver vivo.
Leitor, dê-me sua atenção por alguns minutos, e eu vou lhe contar algo sobre a Grande Batalha.
Todo cristão é soldado de Cristo. Ele é chamado, através de seu batismo, a lutar na batalha de Cristo contra o pecado, o mundo e o diabo. O homem que não faz isso, quebra sua promessa: ele é inadimplente espiritualmente; não cumpre o compromisso feito por ele próprio. O homem que não faz isso está praticamente renunciando ao Cristianismo. O fato de que ele pertence a uma Igreja, frequenta um lugar de adoração e chama a si mesmo de cristão, é uma declaração pública de que ele deseja ser reconhecido como um soldado de Jesus Cristo.
A armadura é fornecida para o cristão, somente se ele for usá-la. “Portanto, tomai toda a armadura de Deus", diz Paulo aos Efésios, “estejam, pois, firmes, tendo cingidos os vossos lombos com a verdade, e vestida a couraça da justiça e calçados os pés na preparação do evangelho da paz; tomando sobretudo o escudo da fé, com o qual podereis apagar todos os dardos inflamados do maligno. Tomai também o capacete da salvação, e a espada do Espírito, que é a palavra de Deus.” (Efésios 6:13-17). E não menos importante, o cristão tem o melhor dos líderes, Jesus - o Capitão da salvação, através do qual podemos ser mais que vencedores e podemos ter o melhor das provisões, o pão e a água da vida, e o melhor pagamento prometido a nós - um eterno peso de glória.
Tudo isso é remoto. Eu não quero me deter em explicá-las agora. O ponto em que eu quero chegar é esse: que, se você quer ser salvo, você não deve ser apenas um soldado, mas um soldado vitorioso. Você deve não apenas confessar lutar ao lado de Cristo contra o pecado, o mundo e o diabo, mas você deve, de fato, lutar e vencer.
Esta é a grande marca que distingue os verdadeiros cristãos. Alguns homens, talvez gostariam de se alistar no exército de Cristo; outros são preguiçosos e fracos na busca pela coroa da vida; mas só o verdadeiro cristão é quem faz o trabalho de um soldado. Somente ele conhece bem os inimigos de sua alma, verdadeiramente luta contra eles, e nessa batalha, os supera.
Leitor, uma grande lição que eu espero que você aprenda hoje é que, se você é nascido de novo e vai para o Céu, você será um soldado vitorioso de Cristo. Se você souber que não tem nenhum direito às promessas preciosas de Cristo, combaterá o bom combate pela causa de Cristo, e nessa luta, então você vencerá.
A vitória é a única evidência suficiente de que você tem uma religião salvadora. Você gosta de bons sermões, talvez; você respeita a Bíblia e até a leia ocasionalmente; você faz orações, noite e dia; você faz orações em família, e faz doações. E eu agradeço a Deus por isto; de fato, tudo isso é muito bom. Mas como vai a batalha? Como está o grande conflito em todo esse tempo? Você está superando o amor ao mundo e o medo do homem? Você está superando as paixões, o temperamento e as concupiscências do seu próprio coração? Você está resistindo ao diabo, e fazendo-o fugir de você? Como você está nessa questão? Meu querido irmão ou irmã, você deve se controlar, ou servir ao pecado e ao diabo e ao mundo. Não há meio termo. Ou você vence ou está perdido.
Eu sei bem que é uma dura batalha que você deve lutar, e eu quero que você saiba isso também. Você deve lutar o bom combate da fé, e suportar dificuldades, se quiser ter a vida eterna; você deve preparar a sua mente para uma luta diária, se quiser chegar ao Céu. Pode haver estradas curtas para o Céu inventadas pelo homem, mas o Cristianismo antigo, a velha e boa maneira, é o caminho da cruz: o caminho do conflito. O pecado, o mundo e o diabo devem estar realmente mortificados, resistidos, e superados.
Este é o caminho que os santos de antigamente pisaram, e deixaram seu registro nas alturas. Quando Moisés recusou os prazeres do pecado no Egito, e escolheu a aflição com o povo de Deus, isto foi superação: ele superou o amor ao prazer. Quando Miquéias se recusou a profetizar coisas agradáveis ao rei Acabe, apesar de que ele sabia que seria perseguido se ele falasse a verdade - isto foi superação: ele superou o amor à vontade. Quando Daniel se recusou a desistir de orar, mesmo sabendo que a cova dos leões estava preparada para ele, isto foi superação: ele superou o medo da morte. Quando Mateus desprendeu-se do recebimento de impostos, por amor ao nosso Senhor, ele deixou tudo e O seguiu, isto foi superação: ele superou o amor ao dinheiro. Quando Pedro e João se levantaram corajosamente perante o Conselho e disseram: "Nós não podemos deixar de falar das coisas que temos visto e ouvido" (Atos 4:20), isto foi superação: eles superaram o medo do homem. Quando Saulo, o fariseu, desistiu de todas as suas perspectivas de honra entre os Judeus, e pregou sobre aquele Jesus, a quem ele mesmo, havia perseguido, isso foi superação: ele superou o amor ao louvor dos homens.
Leitor, o mesmo tipo de coisa que estes homens fizeram você também deve fazer, se você quer ser salvo. Eles eram homens com as mesmas paixões que vocês, e ainda assim eles as superaram; eles tinham tantas provações quantas qualquer um de vocês pode ter, e mesmo assim eles venceram. Eles lutaram, combateram, se esforçaram muito; você deve fazer o mesmo.
Qual foi o segredo da vitória deles? Sua fé. Eles acreditaram em Jesus, e acreditando, eles foram fortalecidos. Eles acreditaram em Jesus, e acreditando, foram levantados. Em todas as suas batalhas eles mantiveram seus olhos em Jesus, e Ele nunca os deixou ou abandonou. Eles venceram pelo sangue do Cordeiro, e pela palavra de Seu testemunho, e assim você também pode vencer.
Leitor, eu coloco essas verdades diante de você: peço-lhe para deixá-las ir ao coração. Decida, pela graça de Deus, ser um cristão melhor. Eu temo por muitos cristãos professos: Eu não vejo neles nenhum sinal de luta, muito menos de vitória; pois eles nunca venceram uma batalha ao lado de Cristo. Eles estão em paz com seus inimigos: eles não têm nenhuma briga com o pecado. Leitor, eu advirto-lhe, isso não é cristianismo: este não é o caminho para o céu.
Homens e mulheres que ouvem o Evangelho regularmente, eu geralmente temo muito por vocês. Temo que vocês se tornem tão familiarizados com as doutrinas do evangelho, que insensivelmente vocês se tornem mortos para o poder dele. Temo que a sua religião afunde em uma conversa vaga sobre sua própria fraqueza e corrupção, e algumas expressões sentimentais a respeito de Cristo, enquanto a prática real de lutar ao lado de Cristo seja completamente negligenciada. Oh, cuidado com este estado de espírito! "Sede cumpridores da Palavra, e não somente ouvintes" (Tiago 1:22). Sem vitória – sem coroa! Lutar e vencer!
Jovens, homens e mulheres, e especialmente aqueles que foram educados em famílias religiosas, temo muito por vocês. Temo que vocês tenham o hábito de dar lugar a toda tentação. Temo que vocês tenham medo de dizer "Não!" ao mundo e ao diabo, - e quando os pecadores te quiserem seduzir, vocês achem que é menos problema consentir. Cuidado, eu imploro a vocês, não dêem lugar. Cada concessão vai fazer vocês mais fracos. Vão pelo mundo decididos a lutar na batalha de Cristo, e lutem nesse caminho.
Crentes no Senhor Jesus, de cada Igreja e classe de vida, eu sinto muito por vocês. Eu sei que o curso de vocês é difícil: eu sei que é uma batalha árdua que vocês têm que lutar; eu sei que vocês muitas vezes são tentados a dizer: "É inútil”, e abaixar suas armas completamente.
Animem-se, queridos irmãos e irmãs: confortem-se, peço-lhes; olhem para o lado bom de sua posição. Sejam encorajados a lutar: o tempo é curto, o Senhor está bem perto, a noite já foi gasta. Milhões, tão fracos quanto vocês, lutaram a mesma luta, nem um sequer, de todos aqueles milhões, foram levados cativos por Satanás. Poderosos são os seus inimigos, mas o Capitão de sua salvação é mais forte ainda: Seu braço, Sua graça e Seu Espírito devem segurá-los. Animem-se: não sejam derrubados.
E se vocês perderem uma batalha ou duas? Vocês não devem perder todas. E se vocês enfraquecerem algumas vezes? Vocês não devem ficar abatidos. E se vocês cairem sete vezes? Vocês não devem ser destruídos. Vigiem contra o pecado, e o pecado não terá domínio sobre vocês. Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós. Saiam corajosamente do mundo e o mundo será obrigado a deixá-los ir. No final, vocês devem encontrar-se mais do que vencedores: vocês devem superar.
Leitor, deixe-me tirar de todo o assunto algumas palavras de aplicação, e então eu terei terminado.
Por um lado, deixe-me avisar a todos os legalistas e hipócritas que tomem cuidado para que não sejam enganados. Vocês gostam de achar que vão para o céu porque vocês vão regularmente à igreja; vocês têm uma expectativa de vida eterna, porque vocês estão sempre à mesa do Senhor, e nunca faltam em seus bancos na igreja. Mas onde está o seu arrependimento? Onde está a fé de vocês? Onde estão suas evidências de um novo coração? Onde está a obra do Espírito? Onde estão as provas de que vocês estão lutando a grande batalha? Oh, cristãos formais, considerem estas questões! Tremam: tremam, e se arrependam.
Por outro lado, deixe-me avisar todos os membros descuidados das Igrejas para tomar cuidado para que não desperdicem suas almas no inferno. Vocês vivem ano após ano como se não houvesse nenhuma batalha a ser travada contra o pecado, o mundo e o diabo; vocês passam pela vida sorrindo, gargalhando, como cavalheiros ou damas, e se comportam como se não houvesse diabo, céu ou inferno. Oh, “homem da igreja” descuidado, ou dissidente descuidado, Episcopal descuidado, Presbiteriano descuidado, Independente descuidado, Batista descuidado, despertem e vejam as realidades eternas na sua verdadeira luz! Acordem, e vistam a armadura de Deus! Acordem, e lutem duro pela vida! Tremam: tremam, e se arrependam
sábado, 3 de março de 2012
Marido Ingrato não Enxerga a Virtuosidade de Sua Mulher - Por Pr. Miranda
Mulher virtuosa quem a achará? O seu valor muito excede ao de rubis. (Provérbios 31:10)
Amado(a), bem antes de se pensar em dedicar um dia em homenagem à mulher, a Bíblia já homenageava essa criatura, feita para ser a auxiliadora do homem. Adornadora do lar. A coroa do seu marido. Este é um dos vários versículos que falam sobre o valor da mulher. Embora muitos julguem ser a Bíblia machista, a verdade é que a mulher é louvada e bendita na Palavra de Deus. A ela são atribuídos valores e importância que não vemos nos dias atuais. O sábio Salomão afirma em Provérbios 11:16 que “A mulher graciosa guarda a honra como os violentos guardam as riquezas”. Mas, infelizmente, muitos homens não têm valorizado a mulher que guarda a sua honra e que honra o seu companheiro, preferindo exaltar aquelas que sequer se valoriza. O sábio também afirma em Provérbios 14:1 que “Toda mulher sábia edifica a sua casa; mas a tola a derruba com as próprias mãos”, para que tanto homens, quanto mulheres pautem seus comportamentos e relacionamentos sabendo que a base de um lar está no caráter da mulher e na sensatez do homem ao escolher sua companheira. O sábio também ensina que “Enganosa é a beleza e vã a formosura, mas a mulher que teme ao SENHOR, essa sim será louvada”. (Provérbios 31:30) e que “A mulher virtuosa é a coroa do seu marido, mas a que o envergonha é como podridão nos seus ossos”. (Provérbios 12:4).
Por isso a Bíblia ressalta a importância da mulher na edificação do lar, no sucesso do casamento, na educação dos filhos e na construção de uma família nos moldes cristãos. Quem quer ser próspero em todos os sentidos, deve saber escolher e valorizar a mulher que Deus colocou como auxiliadora, e deve reconhecer quem é ela, não com os olhos do mundo, mas com a sabedoria da palavra de Deus.
Amado, se você encontrou essa mulher louvada em Provérbios 31, agradeça a Deus e faça de tudo para preservá-la. Se ainda não a encontrou, peça ao Senhor para colocá-la em seu caminho, pedindo também sabedoria para conquistá-la todos os dias. Marido olhe para sua amada e agradeça ao Senhor por ter essa perola ao teu lado para te dar brilho.
Tempo de calar... (Eclesiastes 3:7)
A vida nos oferece muitas situações onde simplesmente as palavras nos faltam. Às vezes não sabemos o que dizer e nem como dizer. Não possuímos as respostas para todas as perguntas. Muitas vezes não sabemos o que dizer nem para nós mesmos e isso dificulta qualquer possibilidade de autocompreensão.
Reconhecemos também que não há ninguém da natureza humana que consiga nos decifrar e escutar quando nossa alma silencia. Nesses momentos podemos entender o que significa estar sozinhos dentro de nós.
O silêncio é simplesmente perturbador. O ser humano em geral tem dificuldades em lidar com a falta de palavras que por vezes surpreendem. É verdade que fomos acostumados a falar demais, a escutar pouco, a sermos cercados de sons, palavras, músicas e gargalhadas. Por isso, não somos muito habilidosos para decifrar os silêncios que surgem, e quando isso acontece, logo procuramos meios de nos ocupar e nos distrair de todo e qualquer incômodo. Nos alimentamos de muitos barulhos que não permitem um encontro a sós com o nosso interior.
Confesso que já me surpreendi em silêncio com Deus, sem saber o que falar para Ele. Evitando orações automáticas de frases feitas, nesses momentos decidi simplesmente não falar nada. Creio ser este o aspecto mais complicado do silêncio, pois religiosamente somos levados a pensar que orar é falar desesperadamente, e quanto mais horas passamos falando com Deus chegamos a um nível maior de espiritualidade. É claro que existe o tempo de falar, e também precisamos muito dele.
Mas a questão é: e quando o silêncio atinge nosso relacionamento com Deus?
Percebi que momentos de silêncio fazem parte de todo e qualquer relacionamento humano. Tenho como exemplo meu relacionamento com minha melhor amiga: às vezes conversamos muito e falamos sem parar, mas de vez em quando, o assunto simplesmente acaba e o silêncio se faz presente. Logo uma de nós se manifesta e pergunta: o que você está pensando?
Penso que isso não é diferente quando se trata do nosso relacionamento com Deus. Ele é o maior interessado em saber o porquê de nossos silêncios. Deus não está interessado em palavras superficiais que não dizem nada sobre nós mesmos. Ele quer ouvir o mais profundo do nosso coração.
E tenho aprendido que não preciso me preocupar quando não sei ou não tenho o que dizer pra Deus, pois Ele ouve o silêncio da nossa alma. Como disse Davi: ainda que as palavras não nos cheguem à boca, Ele já conhece todas elas.
Entendi que o meu silêncio também é minha oração, pois através dele posso dizer muito mais que palavras. Com o silêncio digo pra Deus que não tenho a compreensão que eu preciso, não tenho as respostas para tudo, estou sem forças, cheguei até onde meu limite poderia permitir. Enfim, reconheço que sou totalmente dependente Dele e não há nada que eu possa fazer.
E o mais lindo de tudo isso é que Deus respeita nosso silêncio, Ele nos dá tempo, Ele compreende o momento que estamos passando.
Nos últimos dias tenho refletido bastante a respeito do silêncio e tenho reconhecido que nele há algo bastante valioso. Salomão em toda a sua sabedoria afirma que há um tempo para todas as coisas, inclusive há o tempo de se calar. Creio que há grande importância de vivermos vez por outra esse tempo.
O silêncio é uma oportunidade de ouvir o que se passa do lado de dentro, compreendermos, ouvir-nos, saber quem somos. E mais importante, o silêncio permite um encontro a sós com Deus, e possibilita que Ele nos fale sem nenhuma interferência.
Portanto, que possamos aprender a desfrutar do tempo de calar. Que o silêncio seja lição para a vida quando nada mais for suficiente e seja a oportunidade de encontrar a presença de Deus.
Que aprendamos a cada dia a discernir os tempos e as estações que a vida nos oferece.
Deus nos abençoe!
Cristo morreu sob a ira de Deus -por Paul Washer
Cristo morreu sob a ira de Deus
Para obter a salvação de Seu povo, Cristo não somente sofreu o terrível desamparo de Deus, mas Ele bebeu o amargo cálice da ira de Deus e morreu uma morte sangrenta em lugar de seu povo. Somente assim a justiça divina pode ser satisfeita, a ira de Deus apaziguada, e a reconciliação possível.
No jardim, Cristo orou três vezes para que “o cálice” fosse removido d’Ele, mas todas as vezes a Sua vontade entregava-se a vontade do Pai. Devemos nos perguntar: o que continha nesse cálice para que fizesse com que Ele rogasse tão fervorosamente? O que continha no cálice para causar tal angústia que Seu suor se mesclasse com sangue? Frequentemente é dito que o cálice representava a cruel Cruz romana e a tortura física que lhe esperava – É dito que Cristo previu a ‘cauda de gato’ sendo usada em suas costas, as coroas de espinhas penetrando sua fronte, e os cravos atravessando Suas mãos e Seus pés. Ainda assim, aqueles que enxergam essas coisas como a fonte de Suas angústias não entendem a Cruz, nem o que ocorreu lá. Ainda que as torturas o cobrissem, pelas mãos humanas, elas faziam parte do plano redentor de Deus; Havia algo muito mais sinistro que evocou o clamor do Messias.
Nos primeiros séculos da igreja primitiva, milhares de cristãos morreram em cruzes. É dito que Nero os crucificava ao contrário, ele os cobria de alcatrão, e lhes ateava fogo para usar como luzeiros nas cidades de Roma. Através das épocas, desde então, um sem número de cristão foram levados às mais inquietantes torturas e, mesmo assim, é o testemunho de amigos e inimigos que muitos deles foram para a morte com grande coragem e ousadia. Será que devemos crer que os seguidores do Messias enfrentaram uma morte tão cruel com alegria, enquanto que o Capitão de sua Salvação se acovardou no jardim, com medo da mesma tortura? Acaso o Cristo de Deus temeu os chicotes e espinhos, cruzes e lanças, ou será que o cálice representava um terror infinitamente maior que a crueldade humana?
Para entender o conteúdo sinistro desse cálice, devemos nos dirigir às Escrituras. Existem duas passagens em particular que devemos considerar – uma nos salmos e a outra em Jeremias:
“Porque na mão do SENHOR há um cálice cujo vinho é tinto; está cheio de mistura; e dá a beber dele; mas as escórias dele todos os ímpios da terra as sorverão e beberão.” (Salmos 75:8).
“Porque assim me disse o SENHOR Deus de Israel: Toma da minha mão este copo do vinho do furor, e darás a beber dele a todas as nações, às quais eu te enviarei. Para que bebam e tremam, e enlouqueçam, por causa da espada, que eu enviarei entre eles.” (Jeremias 25:15-16).
Como resultado da incessante rebeldia dos ímpios, a justiça de Deus havia decretado um juízo contra eles. Deus, justamente, derramaria sua indignação sobre as nações. Ele colocaria o cálice de vinho da Sua ira em suas bocas e forçaria-lhes a tomar até o fim. O simples pensamento de que tal destino espera o mundo é absolutamente terrível, e ainda assim esse teria sido o destino de todos, exceto que a misericórdia de Deus buscou a salvação do povo, e a sabedoria de Deus elaborou um plano de redenção ainda desde antes da fundação do mundo.
O Filho de Deus se faria homem e caminharia sobre a terra em perfeita obediência à Lei de Deus. Ele seria como nós em todos os sentidos, e tentado em todas as maneiras como nós, mas sem pecado. Ele viveria uma vida perfeitamente justa para glória de Deus e em lugar de Seu povo. Então, no tempo designado, Ele seria crucificado pelas mãos de homens ímpios, e naquela cruz, Ele levaria a culpa de Seu povo, e sofreria a ira de Deus contra eles. O perfeito Filho de Deus e verdadeiro Filho de Adão juntos em uma gloriosa pessoa tomaria o amargo cálice da mão do próprio Deus e o beberia até o fim. Ele o tomaria até que fora “consumado”, e a justiça de Deus fora completamente satisfeita. A ira divina que devia ter sido nossa seria exaurida sobre o Filho, e por Ele, seria extinta.
Imagine uma represa que está cheia até a borda e está sendo pressionada pelo o peso da água. De uma vez só o muro protetor é removido e o poder destrutivo é liberado. Com a certeira destruição indo diretamente até um vilarejo, localizado em um vale próximo, de repente a terra se abre e traga a água que causaria tamanho arrasado. Da mesma forma, o justo juízo de Deus corria em direção a cada homem. Não se podia achar escape na montanha mais alta nem no abismo mais profundo. Os pés mais velozes não poderiam escapar, nem o melhor nadador suportar sua maré. A represa foi rachada e nada poderia conserta seu dano. Porém, quando toda esperança humana foi esgotada, no tempo oportuno, o Filho de Deus se interpôs. Ele se colocou entre a justiça divina e a Sua gente. Ele tomou a ira que seu povo tinham provocado e o castigo que eles mereciam. Quando Ele morreu nem uma gota de ira restou. Ele a bebeu toda!
Imaginem duas pedras de moinho, uma girando sobre da outra. Imaginem que entre as pedras existe um grão de trigo que é esmagado pelo grande peso. Primeiro, é moído até ser irreconhecível, e depois suas partes internas são espalhadas e moídas até se tornarem pó. Não há qualquer esperança de reconstruí-lo. Tudo está perdido além de qualquer esperança. Assim, de igual maneira, “ao SENHOR agradou moê-lo” (Isaías 53:10), a Seu próprio Filho, e colocá-lo em indescritível angústia. Portanto, agradou ao Filho submeter-se a tal sofrimento a fim que Deus fosse glorificado e o povo redimido. Não é que Deus se tenha sentido prazer no sofrimento de Seu amado Filho, mas através de sua morte, a vontade de Deus se cumpriu. Nenhum outro meio tinha poder de remover o pecado, satisfazer a justiça, e apaziguar a ira de Deus contra nós. A menos que esse divino grão de trigo tivesse caído ao chão e morrido, haveria permanecido sozinho sem um povo ou uma noiva. O prazer não estava no sofrimento, mas em tudo o que o sofrimento conseguiria: Deus seria revelado em uma glória ainda desconhecida aos homens e anjos, e um povo seria trazido a uma relação sem obstáculo com o seu Deus.
Em uma das histórias mais épicas do Antigo Testamento, o patriarca Abraão recebe a ordem de levar seu filho, Isaque, ao monte Moriá e ali o oferecesse como sacrifício a Deus.
“Toma agora o teu filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas, e vai-te à terra de Moriá, e oferece-o ali em holocausto sobre uma das montanhas, que eu te direi.” (Gênesis 22:2).
Que carga foi posta sobre Abraão! Não podemos nem imaginar a tristeza que encheu o coração do velho homem e a tortura que cada passo da viagem trouxe. As Escrituras são cuidadosas em nos contar que ele foi ordenado a oferecer seu “filho, o teu único filho, Isaque, a quem amas”. A especificação parece planejada para chamar nossa atenção e nos fazer pensar que há um significado oculto nessas palavras, além do que podemos enxergar.
No terceiro dia os dois chegaram ao lugar indicado, e o pai atou a seu amado filho, com suas próprias mãos. Finalmente, em submissão ao que deveria fazer, pôs sua mão sobre seu filho, “e tomou o cutelo para imolar o seu filho”. Nesse momento, a misericórdia e a graça de Deus se interpuseram, e a mão do ancião foi detida. Deus o chamou desde o céu e disse:
“Abraão, Abraão!... Não estendas a tua mão sobre o moço, e não lhe faças nada; porquanto agora sei que temes a Deus, e não me negaste o teu filho, o teu único filho.” (Gênesis 22:12).
À voz do Senhor, Abraão levantou os olhos e viu a um carneiro enroscado pelos chifres. Tomou o carneiro e o ofereceu em lugar de seu filho. E logo nomeou o lugar de YHWE-Jireh, ou “O SENHOR PROVERA”. É um dito fiel que permanece até o dia de hoje, “No monte do SENHOR se proverá” (Gn 22:14). Ao ver o encerramento desse momento épico na história, não somente Abraão, mas também todos os que já leram esse acontecimento dão um suspiro de alívio, que o jovem tenha sido poupado. Pensamos nós “que final lindo”, mas esse não era o fim, era simplesmente um intervalo.
Dois mil anos mais tarde, as cortinas voltam a se abrir. O fundo é escuro e sinistro. No centro do cenário está o Filho de Deus no monte, chamado Lugar da Caveira. Ele está atado pela obediência à vontade de seu Pai. Ele está pendurado levando o pecado de Seu povo. Ele é maldito – traído por sua criação e desamparado por Deus. Então, o silêncio é rasgado com o horrível estrondo da ira de Deus. O pai toma o cutelo, levanta o braço, e sacrifica a “teu filho, único filho, a quem amas” e as palavras do profeta Isaías são cumpridas:
“Verdadeiramente ele tomou sobre si as nossas enfermidades, e as nossas dores levou sobre si; e nós o reputávamos por aflito, ferido de Deus, e oprimido. Mas ele foi ferido por causa das nossas transgressões, e moído por causa das nossas iniquidades; o castigo que nos traz a paz estava sobre ele, e pelas suas pisaduras fomos sarados... Todavia, ao SENHOR agradou moê-lo, fazendo-o enfermar; quando a sua alma se puser por expiação do pecado, verá a sua posteridade, prolongará os seus dias; e o bom prazer do SENHOR prosperará na sua mão” (Isaías 53:4,5,10).
É uma injustiça ao Calvário que a verdadeira dor da cruz frequentemente é floreada por uma visão romântica e menos poderosa. Frequentemente se pensa e se prega que o Pai olhou desde o céu e testemunhou o sofrimento que era acumulado sobre Seu Filho por mãos humanas, e que Ele contou tal aflição como pagamento pelos nossos pecados. Isso é heresia da pior classe. Cristo satisfez a justiça divina não somente suportando a aflição dos homens, mas suportando e morrendo sob a ira de Deus. É necessário mais que cruzes, coroas de espinhos, cravos e lanças, para pagar pelo pecado. O crente é salvo não só pelo que os homens fizeram a Cristo na cruz, mas pelo que Deus fez a Ele – Ele o moeu sob toda a força de Sua ira contra nós. Raramente essa verdade se faz suficientemente clara em nossa pregação do evangelho!
A cortina se fecha com um Filho sacrificado e um Messias crucificado. Diferente de Isaque, não havia carneiro que morresse em Seu lugar. Ele era o cordeiro que morreria pelos pecados do mundo. Ele é a provisão de Deus para a redenção de Seu povo. Ele é o cumprimento daquilo que o carneiro e Isaque eram somente sombras. Nele o monte do Calvário é renomeado YHWE-Jireh, ou “O SENHOR PROVERA”. É uma palavra fiel até o dia de hoje que “No monte do Senhor se proverá”. O Calvário era o monte e a salvação foi providenciada. Assim, o crente discernente clama “Deus, Deus, sei que me amas já que não recusaste nem a teu filho, teu único filho”