segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

A excelência do corpo de Cristo - Por Pr. João A. de Souza Filho




“Para que, pela igreja, a multiforme sabedoria de Deus se torne conhecida, agora, dos principados e potestades nos lugares celestiais, segundo o eterno propósito que estabeleceu em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Ef 3.10).

Vez que outra é preciso voltar ao tema da Igreja. E Igreja com letra maiúscula, porque sempre que escrevo a respeito da Igreja em sua universalidade e totalidade faço-o com I maiúsculo e quando me refiro a igreja como corpo da localidade ou instituição escrevo-a com i minúsculo. É questão de estética, apenas.

E meus leitores entendem esta didática.

Venho pensando nesses últimos dias sobre a excelência da Igreja, o corpo de Cristo. E veja bem. Não se consegue ver a Igreja olhando-se para o que se imagina ser igreja em nossa nação. Quando tentamos olhar para a igreja, o que vemos? Instituições, denominações, associações, comunidades, igrejas locais, igrejas extra-local, etc. Olhando-se para a materialidade da igreja – quer dizer, tentando vê-la em seu aspecto exterior – o que se vê é um corpo alquebrado, fraco e doentio, destinado ao fracasso, mas, quando nossos olhos espirituais passam além do que é material, conseguimos enxergar a excelência do corpo de Cristo. É um organismo vivo, ativo. Santo.

Essa era a visão de Paulo. Ele conseguia ver a Igreja como agente e comunicadora da “multiforme sabedoria de Deus”. E conseguia vê-la levando a sabedoria de Deus aos governos do mundo espiritual – quer sejam dominações espirituais de Deus ou as dominações satânicas.

Neste sentido não há com o que se preocupar. Até os anjos anelam perscrutar o evangelho que a igreja tem para oferecer ao mundo (1 Pe 1.12), o que indica que os anjos estão atentos à mensagem da Igreja. – Quem sabe decepcionados com o que estão ouvindo dos púlpitos. Por outro lado, ao ouvirem a essência do Evangelho não conseguem entender como uma raça caída é restaurada novamente à imagem e glória do Criador.

Paulo tentou explicar o que é a Igreja e, para tanto usou de várias ilustrações: Lavoura, sacerdócio, nação, edifício, templo, corpo, e, no entanto, não conseguiu – inda que usando essas figuras – explicar a transcendentalidade da Igreja. Somos corpo, mas somos lavoura. Somos templo e somos sacerdócio. Só que não somos de Roma, nem de Salt Lake City, de Istambul, da Grécia, de Londres, de Örebro na Suécia, de Belém, no Brasil, de Madureira, da Convenção do Sul, ou do Norte, de Springfield ou de Nova Iorque, da Congregação ou dos Congregacionais. Não importa se o governo é de presbíteros, de bispos, de apóstolos, pastores ou de patriarcas: As sedes das igrejas instituições e os títulos dizem nada.

Porque não se consegue ver a Igreja através dos vitrais coloridos, das vestes ornamentais, da coreografia, da liturgia, dos nomes, nem mesmo através da simplicidade de galpões, barracões ou de qualquer local que abrigue os cristãos. Costumamos dizer que ali está a igreja, mas nossa mente finita sempre a vê como um grupo particular, sob direção de alguém. Limitada ao tempo e ao espaço.

Quem sabe é preciso meditar no que escreveu Inácio de Antioquia para a igreja de Esmirna: “Onde Jesus está aí está a verdadeira Igreja Católica”.1 Não essa igreja católica de Roma, mas a Igreja Católica, ou Igreja Universal. E não confunda Católica com Roma, nem Universal com a igreja cujo bispo-primaz é Edir Macedo. Entenda: A palavra católica quer dizer, universal.

Exteriormente, quando prego entre os luteranos os irmãos de lá me perguntam a que Sínodo pertenço. Se prego entre os presbiterianos, perguntam de que presbitério faço parte. Quando estou entre os Batistas me perguntam a que convenção pertenço; se na Assembléia de Deus, de que ministério sou. Entre os Metodistas querem saber minha Região e nas Comunidades querem saber quem é minha “cobertura”, porque todos enxergam a igreja pela capa da instituição, pela referência doutrinária dos métodos de batismo, de ceia, da liturgia dos cultos, ou da pretensa “autoridade espiritual”.

E no entanto eu não os vejo pela cor da instituição. Eu os vejo além da estrutura de governo. Pela pequena fresta espiritual de minha limitação humana, consigo enxergar o corpo de Cristo, majestoso, autêntico, perfeito, santo, que ora se manifesta como noiva adornada, ore se apresenta como lavoura viçosa, como templo magnífico, e como edifício imponente; que se manifesta como corpo, e é possível vê-la bela, imponente, a menina dos olhos de Deus!

É essa visão plena que me leva a trabalhar entre meus irmãos da Assembléia de Deus – como fiz nos últimos anos, e como me criticaram por isso – ou no outro extremo com os anglicanos e episcopais. É a partir dessa visão que podemos enxergar os santos em toda parte. E posso lhe assegurar: O corpo é majestoso e perfeito. Basta olhá-lo com olhos diferentes.

As picuinhas, o mau cheiro, a politicagem, a soberba, a vaidade do nome e da tradição não representam a cara da Igreja. Representam, isso sim, a cara da igreja com i pequeno, a igreja pequena, humana e institucional, ainda que com milhões de adeptos, porque a Igreja corpo de Cristo é magnificente e misteriosa. Inigualável, incomparável e indescritível.

É para essa Igreja que trabalho. Porque o Chefe espiritual dela é Jesus, o Filho de Deus.

domingo, 2 de dezembro de 2012

Os Nobres Bereanos - Por: Vincent Cheung


ATOS 17:11
“Ora, os bereanos eram de caráter mais nobre do que os de Tessalônica, pois peceberam a mensagem com grande avidez, e examinavam todos os dias as Escrituras, para ver se o que Paulo dizia era verdade.
Quando ministros e crentes mencionam os bereanos, eles geralmente têm em mente um grupo de indivíduos que tinham discernimento, e que não eram facilmente enganados por qualquer nova mensagem que aparecesse, pois eles eram cuidadosos em checar tudo o que um pregador dizia com a Escritura. Esse não era um povo crédulo, e eles não aceitavam qualquer coisa que alguém ensinasse, a menos que viesse diretamente das Escrituras. E visto que a Escritura chama esse povo de “nobre”, é apropriado imitar o seu exemplo.
Este em si mesmo é um ensino bíblico sadio, e outras partes da Escritura também o confirmam. Por exemplo, 1 Tessalonicenses 5:21 diz: “Mas ponham à prova todas as coisas e fiquem com o que é bom”, e 1 João 4:1 adverte: “Amados, não creiam em qualquer espírito, mas examinem os espíritos para ver se eles procedem de Deus, porque muitos falsos profetas têm saído pelo mundo”.
Contudo, ao dirigir a maior parte da sua atenção para a última porção de Atos 17:11, que diz que os bereanos “examinavam todos os dias as Escrituras, para ver se o que Paulo dizia era verdade”, muitas pessoas têm falhando em reconhecer o ponto principal do versículo, e um dos pontos principais da primeira metade de Atos 17.
A virtude real dos bereanos é afirmada pela ênfase principal do versículo, e não na explicação ou qualificação da ênfase principal do versículo. Visto que os bereanos são freqüentemente apresentados como modelos dignos de nossa imitação, uma visão distorcida ou parcial de sua virtude resultará numa imitação distorcida ou parcial, e assim, um caráter defeituoso precisamente na área na qual desejamos aprender deles.
A ênfase principal do versículo 11 é facilmente captada se simplesmente lermos o versículo inteiro, e então o versículo no contexto da primeira metade de Atos 17.
A palavra traduzida como “nobre” pode se referir à nascimento nobre ou caráter nobre. Ela é claramente usada no último sentido em nosso versículo. Quanto à de que forma os bereanos eram nobres, o versículo aplica a palavra a eles em contraste com o caráter dos “de Tessalônica”. Portanto, para entender o caráter nobre dos bereanos, devemos primeiramente retornar ao começo de Atos 17 e ler sobre os tessalonicenses:
"Tendo passado por Anfípolis e Apolônia, chegaram a Tessalônica, onde havia uma sinagoga judaica. Segundo o seu costume, Paulo foi à sinagoga e por três sábados arrazoou com eles a partir das Escrituras, explicando e provando que o Cristo deveria sofrer e ressuscitar dentre os mortos. E dizia: Este Jesus que lhes proclamo é o Cristo. Alguns dos judeus foram persuadidos e se uniram a Paulo e Silas, bem como muitos gregos tementes a Deus, e não poucas mulheres de alta posição."(Atos 17:1-4)
Sempre que Paulo chegava numa nova localidade em suas jornadas missionárias, era o seu costume visitar primeiro as sinagogas locais, de forma que ele pudesse pregar aos judeus (veja v. 10, 17).[1] Os judeus professavam a fé na Escritura, e deveria ser natural para eles abraçar avidamente uma mensagem que declarasse o perfeito cumprimento das promessas da Escritura. Assim, Paulo “discutiu com eles a partir das Escrituras”, e era sobre a base da Escritura que ele pregava o evangelho, e isso significava “explicar e provar que o Cristo deveria sofrer e ressuscitar dentre os mortos”.
Como resultado, vários do povo (tanto judeus como gregos) creram e foram salvos. Mas estes não eram os de “Tessalônica”, dos quais o versículo 11 está falando. Antes, os problemas parecem começar a partir do versículo 5:
"Mas os judeus ficaram com inveja. Reuniram alguns homens perversos dentre os desocupados e, com a multidão, iniciaram um tumulto na cidade. Invadiram a casa de Jasom, em busca de Paulo e Silas, a fim de trazê-los para o meio da multidão. Contudo, não os achando, arrastaram Jasom e alguns outros irmãos para diante dos oficiais da cidade, gritando: Esses homens, que têm causado alvoroço por todo o mundo, agora chegaram aqui, e Jasom os recebeu em sua casa. Todos eles estão agindo contra os decretos de César, dizendo que existe um outro rei, chamado Jesus. Ouvindo isso, a multidão e os oficiais da cidade ficaram agitados. Então receberam de Jasom e dos outros a fiança estipulada e os soltaram." (Atos 17:5-9)
Como resultado de uma resistência zelosa à mensagem do evangelho, esses judeus (Atos 17:5-9) incitaram um tumulto na cidade contra os apóstolos. Eles manipularam a situação contra esses pregadores do evangelho fazendo acusações enganosas contra eles.
O versículo 10 mostra como os cristãos ajudaram Paulo e Silas a escaparem para Beréia. Política religiosa é um mal horrível, e ela é abundante em nossos dias. Até mesmos nos melhores círculos cristãos, os conflitos religiosos são freqüentemente realizados, não pelo discurso racional, mas incitando também a multidão, e apelando à pressão social e política. Um lado do assunto é freqüentemente preferido pela multidão e pelas instituições, e assim os argumentos bíblicos e os apelos racionais são freqüentemente suprimidos e ignorados.
Algumas vezes uma aparência de refutação pode aparecer, mas mesmo então, freqüentemente a posição antibíblica e irracional ainda é apoiada mais por sua popularidade com as pessoas e as instituições do que pela revelação bíblica. Mas aqueles que permanecem firmes sobre a Escritura e a Razão[2] não precisam temer, isto é, exceto pelas próprias almas daqueles que os perseguem.
Em todo o caso, é no contraste com esses tessalonicenses que o versículo 11 louva o caráter nobre dos bereanos. Conseqüentemente, devemos esperar que a virtude dos bereanos seja o oposto do vício dos tessalonicenses. Imediatamente percebemos que essa virtude não pode ser aquela deles checarem a pregação dos apóstolos; de outra forma, isso implicaria que o vício dos tessalonicenses era o de que eles criam muito rápido no evangelho, mas os versículos 5-9 nos diz o oposto.
A virtude dos bereanos era o oposto do vício dos tessalonicenses em que os bereanos “receberam a mensagem com grande avidez”. Diferentemente dos judeus em Tessalônica, os bereanos não duvidaram ou resistiram à mensagem do evangelho, e eles não perseguiram os pregadores ou lhes deram tempos difíceis. Essa é a ênfase principal no versículo 11, e quando procurando imitar os bereanos, essa é a característica que devemos primeiro reconhecer e considerar.
Muitos comentários falham em reconhecer essa ênfase primária ou lhe dar o lugar devido em suas exposições, e nesse momento eu não me lembro de ter ouvido nem sequer um ministro que tenha feito desse o ponto principal em seu sermão, quando ele pregou sobre o versículo 11. Eu não duvido que alguns ministros tenham reconhecido o ponto primário do versículo e tenham pregado de acordo com ele, mas esses exemplos parecem ser pouquíssimos. Pelo contrário, o versículo é mui freqüentemente usado para ensinar o discernimento, e duma forma que obscurece a característica positiva da aceitação ávida da palavra de Deus.
Juntamente com muitos outros, Matthew Henry é uma notável exceção nessa negligência. Para um comentário que tinha que cobrir tantos assuntos, ele, apesar disso, devota uma seção significante sobre como os bereanos eram ávidos em receber o evangelho. A seção que imediatamente segue, sobre discernimento, é apenas levemente longa. Ele escreve:
Eles nem prejulgaram a causa, nem foram embora com inveja dos administradores dela, como os judeus em Tessalônica o fizeram, mas muito generosamente deram tanto a ela como a eles uma justa audiência... Eles não fizerem querelas com a palavra, nem encontraram defeito, nem procuraram ocasião contra os pregadores dela; mas deram-lhe boas vindas, e colocaram uma construção cândida sobre tudo o que foi dito. Nisso eles eram mais nobres do que os judeus em Tessalônica...[3]
É somente com isso em mente que podemos entender apropriadamente o versículo 11, e entender com que atitude os bereanos “examinaram as Escrituras”. Os bereanos eram nobres em caráter, não porque eles eram duvidosos ou difíceis de convencer, mas porque eles eram ensináveis e receptivos ao evangelho. Por essa razão, algumas traduções e comentários sugerem traduzir “nobres” como “liberais”, “generosos”, “despreconceituosos” ou “mente-aberta”.[4]
Contudo, essa “mente-aberta” é ao mesmo tempo específica e restrita. É nesse ponto que deveríamos proceder para a parte final do versículo, que nos diz que, embora os bereranos fossem ávidos para ouvir a palavra de Deus, eles não eram de forma alguma pessoas tolas ou crédulas. E porque já temos considerado o ponto principal do versículo, que é dizer que eles eram ensináveis e receptivos ao evangelho, estamos prontos agora para considerar como essa abertura é qualificada.
Eles não eram como o povo de Atenas, que “não se preocupavam com outra coisa senão falar ou ouvir as últimas novidades” (v. 21). Eles não eram ávidos para ouvir os apóstolos por causa de uma mera curiosidade ou para estímulo ou entretenimento intelectual, e eles não estavam simplesmente abertos para qualquer nova teoria ou doutrina que pedisse sua atenção. Antes, eles estavam interessados em aprender a verdade, e, verificar se “aquelas coisas eram assim” (KJV), e não simplesmente em ouvir algo que soasse interessante ou incomum. E para determinar se “aquelas coisas eram assim”, ou seja, as que Paulo pregava, eles “examinavam as Escrituras”.
Assim, eles mostraram que eles tinham “mente-aberta”, não no sentido de que eles eram tolos ou crédulos, e ainda menos relativistas ou pluralistas. Eles não estavam abertos para qualquer coisa ou qualquer um. Mas, aspirando a verdade, eles mostraram que sua abertura era racional, e por examinar as Escrituras, eles mostraram que sua abertura era bíblica, de forma que todas as teorias e doutrinas não-bíblicas eram excluídas logo no início. Isso também é parte de seu caráter nobre, e é também o que os crentes hoje devem imitar.
Além do mais, visto que é dessa maneira e sobre essa base que “muitos deles creram”, isso mostra também que a sua resposta “não era uma mera resposta emocional ao evangelho, mas uma baseada na convicção intelectual”.[5] A fé deles era uma fé genuína, uma convicção intelectual sobre a verdade revelada, e uma vida espiritual fundamentada nessa convicção bíblica e racional pode sobreviver aos testes de perseguição e tentação.
Assim como devemos seguir seu exemplo como ouvintes, não deveríamos ficar satisfeitos com nada menor da nossa audiência como pregadores. E isso significa que os ministros cristãos devem se esforçar para serem o mesmo tipo de pregadores que os bereanos ouviam, de forma que, como Paulo, devemos pregar e arrazoar “a partir das Escrituras, explicando e provando” Cristo aos nossos ouvintes.
Ainda, por causa da forma desequilibrada com que muitas pessoas têm aplicado nosso versículo, devemos novamente relembrar a nós mesmos de seu ponto principal, e a razão principal pela qual os bereanos foram chamados nobres. Eles não foram elogiados porque eram suspeitos e hostis, mas porque eram ávidos em ouvir o evangelho.
A atitude deles era: “Você tem nos trazido uma boa mensagem de Deus, vejamo-la também a partir das Escrituras”, e não, “Não nos faça de estúpidos e crédulos. Não vamos deixar você partir impune, e não queremos crer em nada que você diga, a menos que a prove para nós a partir das Escrituras”. Ora, a primeira atitude não reflete qualquer credulidade também, mas é caracterizada por um caráter nobre, uma abertura à revelação de Deus.
Deus não é agradado quando o discernimento se torna resistência e dureza de coração disfarçado. Como a Escritura diz: “Hoje, se ouvirem a sua voz, não endureçam o coração” (Hebreus 4:7). Cristãos de caráter “nobre” não são maliciosamente suspeitos, mas são inteligentemente ensináveis. Eles respeitam os mensageiros de Deus; são ávidos em ouvir a Palavra de Deus; e rápidos para crer e obedecer.
Assim, se vamos imitar os nobres bereanos, então recebamos prontamente a palavra de Deus de ministros fiéis, e seremos tão ávidos em afirmar e praticar a verdade que eles proclamam que examinaremos a Escritura“todos os dias” (v. 11), de forma que construiremos nossa fé e adoração correta sobre a firme rocha da revelação também.
Continuemos a ensinar os crentes a “testar todas as coisas”, mas quando falarmos sobre os bereanos, relatemos também acuradamente a natureza de seu caráter nobre, que eles eram ávidos em ouvir e receber a palavra de Deus. E nós não devemos perder essa devoção simples à palavra de Deus, mesmo que pensemos já ter adquirido muito conhecimento e discernimento; antes, permaneçamos humildes, ensináveis – e nobres.

Acusações contra a igreja moderna - Por Paul Washer



Acusação: Uma Ignorância com relação à natureza da Igreja..

Deus tem apenas uma instituição religiosa. É a Igreja. E o nosso objetivo e resultado final do avivamento será o plantio de Igrejas bíblicas. Eu tenho um grande medo de que a Igreja local hoje seja desprezada. Diga a alguém que você é um pregador itinerante, que você tem um ministério mundial e todos se curvarão. Diga a alguém que você é um pastor de grupo de 30 e farão com que você se sente no fundo durante a conferência.

Ele não é o príncipe dos pregadores itinerantes, ele é o príncipe dos pastores.

Muitos anos atrás, Bill Clinton tinha um slogan durante a eleição. "É a economia, estúpido". Meu pastor, Jeff Noblett, um dos presbíteros em nossa Igreja, o principal pastor e pregador, me disse um dia: "Você sabe, eu gostaria de ter um monte de camisetas feitas".

"O que elas diriam, irmão Jeff?"

"É a Igreja, estúpido".

Jesus deu Sua vida pela Igreja, uma linda virgem, a igreja primitiva. Se você quer dar sua vida por algo no ministério, dê à Igreja, a uma Igreja, a um corpo de crentes, a uma congregação local. Isto é a Igreja.

Agora deixe me dizer algo sobre a Igreja. Quero que vocês ouçam bem. Não existe um remanescente de crentes na Igreja. Todos nós sabemos sobre a Teologia Remanescente, você sabe que através de todo o curso de Israel, havia Israel, o povo de Deus e um remanescente de verdadeiros crentes. Este não é o caso da Igreja. Não há um remanescente de crentes ou um pequeno grupo de crentes dentro de um grande grupo chamado Igreja. A igreja é o remanescente.

E eu quero dizer isso: Se pastores chegaram próximos de blasfemar, é com relação a isso. Eu ouço teólogos, professores itinerantes, pastores, uns e outros dizendo esse tipo de coisa: "Há tanto pecado dentro da Igreja quanto fora dela. Há tanto divórcio na Igreja quanto fora dela. Há tanta imoralidade e pornografia na Igreja quanto fora dela." E então pregadores dizem: "Sim, a Igreja está agindo como uma prostituta".

Eu quero que você saiba disso: Você deve ter muito cuidado ao chamar a noiva de Jesus Cristo de prostituta.

Eu vou lhe dizer qual é o problema. Pastores e pregadores não sabem o que é a Igreja. Eu quero que você saiba que a Igreja de Jesus Cristo na América hoje é linda. Ela é frágil, às vezes . Ela é fraca. Ela é esbofeteada. Ela não é perfeita, mas eu quero que você saiba que ela é quebrantada. Ela está andando humildemente com seu Deus. O seu problema é que você não sabe o que é a Igreja.

Hoje por causa da falta pregação bíblica a tão chamada Igreja está cheia de pessoas carnais e ímpias que se identificam com o Cristianismo. E então por causa dos bodes no meio das ovelhas, as ovelhas estão sendo acusadas de todas as coisas que os bodes estão fazendo e o nome de Deus está sendo blasfemado entre os Gentios por causa de nós (Romanos 2:24).


Vocês já leram... Vamos apenas... Eu sei que já estamos passando do horário, mas apenas vá rapidamente comigo, rapidamente. Eu quero te mostrar algo. Vá até Jeremias 31, obrigado. Verso 31 de Jeremias 31.

“Eis que dias vêm, diz o SENHOR, em que farei uma aliança nova com a casa de Israel e com a casa de Judá.

Agora eu não quero tirar nada do povo chamado Israel, mas este texto é também aplicado a Igreja. Entenda isto. Eu não quero entrar em batalhas na escatologia, mas na Bíblia, no Novo Testamento, o livro de Hebreus é aplicado ao povo de Deus.

“Não conforme a aliança que fiz com seus pais, no dia em que os tomei pela mão, para os tirar da terra do Egito.”

Eu ouço pregadores dizendo todo o tempo: "Bem, quando você olha para trás e vê Israel, você vê um monte de ímpios e idólatras. E no meio deles havia um pequeno remanescente de verdadeiros crentes." Isso é verdade, mas não aplique isso à Igreja do Novo Testamento por que Ele diz: “Eu irei fazer algo diferente, não como a aliança que Eu fiz com os pais deles no dia em que Eu os tirei com minha mão para trazê-los da terra do Egito, Minha aliança que eles quebraram, embora Eu tenha sido um marido para eles, declara o Senhor. Mas esta é a aliança que farei com a casa de Israel depois destes dias”, declara o Senhor, “Eu colocarei Minha Lei dentro deles.”

Ele não apenas lhe deu, se você é convertido, Ele não apenas lhe deu a Lei numa tábua de pedra. Ele tem sobrenaturalmente, através da doutrina da regeneração, escrito estas Leis no seu coração. E porque Ele fez isso, “Eu serei seu Deus, e eles serão Meu povo".

E veja o que diz: “Não ensinarás cada um a seu próximo, nem cada um seu irmão, dizendo: ‘Conhece ao Senhor’. Porque todos me conhecerão, desde o menor até ao maior deles, diz o Senhor. Pois perdoarei as suas iniqüidades e dos seus pecados jamais me lembrarei”. [Jr 31:34]

Novamente, a doutrina da regeneração, Deus está fazendo algo novo nestes últimos 2000 anos. Nós não temos muitas igrejas na América. Temos um monte de prédios de tijolos realmente bonitos com gramados finamente podados.

Só porque alguns dizem que são da igreja ou que são cristãos, isso não quer dizer que realmente sejam. Veja o que diz. Eles não terão que ensinar um ao outro.

Isso não quer dizer que não haverá pastores e mestres, mas haverá um proeminente conhecimento de Deus entre eles, particularmente com relação aos seus pecados terem sido perdoados.

Veja rapidamente o capítulo 32 verso 38. “Eles serão Meu povo e eu serei seu Deus.” Ele não diz: “Eu espero que sim, talvez, se eu der sorte, ah, se eu conseguir evangelistas suficientes para trabalhar para mim, talvez isso tudo dê certo.”

Ele diz: “Eu vou trazer um povo a mim, um povo pelo qual entregarei meu Filho.”

E ele diz: “Eles serão Meu povo e eu serei seu Deus”.

Veja isso: "Eu lhes darei um coração e só caminho".

Agora, não fique bravo comigo, mais do que você já está pelo menos. Mas me ouça. Nos anos 70 e 80 e todas as marchas para Jesus, todos lamentando e chorando: “A igreja está tão dividida. A igreja não é uma.”

Meu querido amigo. Deixe-me lhe dizer algo. Se a igreja não é uma, então há uma oração que Deus o Pai não respondeu para seu Filho. E essa promessa da Nova Aliança falhou.

Então eu quero redirecionar você um pouco. Eu quero lhe submeter que a Igreja é uma. Ela sempre foi uma.

Você já se sentou num avião ou talvez encontrou alguém que você não conhecia num supermercado e você sendo Batista ou Menonita, ou qualquer coisa, mas verdadeiramente evangélico, verdadeiramente cristão, você fala com ele não mais que poucos minutos e você descobre: “Ele é um crente. E um que está vivo.”

E naquele momento você daria sua vida por ele. Você daria sua vida por ele.

Eu me lembro uma vez nós estávamos no Departamento Amazonas no Peru e foi no tempo do Sandero Luminoso e estava acontecendo uma guerra civil lá. Nós viajamos 22 horas num caminhão que carregava grãos sob uma lona preta e mais ou menos meia-noite nós tiramos a lona, o caminhão parou e nós pulamos na selva. Nós passamos a noite bem na margem da selva e fizemos caminho para certo lugar. Na metade do caminho nós nos perdemos na escuridão no dia seguinte, então nós estávamos orando, eu meu querido amigo Paco, estávamos orando: “Ó, Deus, nos dê alguma direção. Estamos perdidos. Se formos encontrados aqui os terroristas dominam este lugar. Nem os militares entrariam aqui.” Nós clamamos: “Ó, Deus, nos dê uma direção. Ajude-nos.”

Nós ouvimos um sino. E então ouvimos alguém falando. No começo achamos que era uma conversa estranha. Então percebemos que era um garotinho vindo do campo com seu burro e ele estava falando com seu burro. Então ficamos atrás dele e o seguimos. Então ficamos na extremidade da cidade, num pequeno vilarejo, cabanas, casas de tijolos e eu disse: “Paco, você sabe que se os terroristas forem os donos disso, nós estamos mortos.”

“Sim, mas nós chegamos a algum lugar”.

Então nós descemos, fomos até um homem que estava bêbado no escuro e dissemos: ”Há irmãos aqui?” Porque todo mundo sabe o que isso significa nas montanhas. Significa um cristão verdadeiro.

Então ele disse: “Aquela senhora bem ali.”

Então eu fui até lá. Era uma velha mulher Nazarena e eu bati na porta. Eu disse: “Sou um pastor evangélico. Por favor, me ajude.”

Aquela senhora saiu com uma lanterna. Ela me agarrou. Puxou-me para dentro. Ela agarrou Paco e nos levou para baixo. Sua casa ficava em um tipo de precipício no meio da lama, e nos levou para o porão onde havia algum feno e galinhas e outras coisas, e ela nos fez sentar lá e ela acendeu uma lâmpada e então um garotinho veio, ela o chamou e disse: “Vá chamar os outros irmãos”. Ele começaram a trazer galinhas, e yucca e tudo mais, arriscando suas vidas. Por quê? Porque somos um.

Pare de dizer todas estas tolices que você está dizendo, que o corpo de Cristo está dividido e que é uma bagunça e está cheio de pecado. Eu não falaria da noiva de Cristo dessa maneira se eu fosse você.

O que você tem é um monte de bodes e joio no meio das ovelhas. E porque muito pouca disciplina bíblica e compassiva é praticada na Igreja, eles vivem entre as ovelhas, eles se alimentam dessas ovelhas e as destroem, e aqueles dentre vocês que são líderes na Igreja vão pagar um alto preço quando você estiver diante Daquele que as ama, porque você não teve coragem suficiente para se levantar e confrontar o ímpio.

A propósito, me escute. O cenário médio na América do Norte no que diz respeito às igrejas em geral, as igrejas são democracias. E eu não quero entrar nos prós e contras disso. Mas eis o que acontece: Por a pregação do evangelho ser tão baixa, a igreja é, basicamente a maioria, carnal, cheia de pessoas perdidas. E por ser uma democracia, eles em geral, são os que governam a direção da igreja. E por o pastor não querer perder o grande número de pessoas e por ele ter idéias erradas quanto evangelismo e verdadeira conversão, ele atende aos ímpios em sua igreja e seu pequeno grupo de verdadeiras ovelhas que pertencem a Jesus Cristo está sentado no meio de todo o teatro, no meio de todo o mundanismo, no meio todo o entretenimento que está acontecendo, “Nós queremos apenas adorar Jesus e queremos apenas que alguém nos ensine a Bíblia”. E pastores vão pagar por isso.

Isto é verdade. Isto é verdade.

Você está dizendo: “Ah, você está apenas nervoso.”

Meus queridos amigos, você sabem o quanto me custa dizer isso? Isto é verdade. Tentando manter juntos um bando de ímpios enquanto um pequeno rebanho no meio deles está morrendo de fome e fazendo com que eles vão na direção que eles não querem ir com a maioria dos carnais.

Escute-me. Se a minha esposa estivesse no Walmart tarde da noite e você estivesse passando por lá, e você tivesse visto dois homens que estavam abusando dela, três, quatro, cinco, os homens estivessem abusando dela e machucando-a e você abaixasse a cabeça em nome da auto-preservação e você passasse de lado, eu quero te dizer algo, meu amigo. Eu não vou apenas atrás daqueles 10 homens, eu vou atrás de você também.

É a noiva de Cristo e ela é preciosa para Ele. Vai custar-lhe servir Jesus. Poderá custar-lhe sua igreja, sua reputação e sua denominação, absolutamente tudo. Mas a noiva de Jesus Cristo é digna disso.

Veja o que diz. Eu amo isso. Veja, 39: “E lhes darei um mesmo coração, e um só caminho.” (Jeremias 32:39). E o que é esse caminho? É Cristo e é santidade.

Todo verdadeiro crente que eu já encontrei falou muito de Cristo e tinha um desejo de ser mais santos do que já eram, mais conformados a Cristo. E veja: “E lhes darei um mesmo coração, e um só caminho, para que me temam todos os dias, para seu bem, e o bem de seus filhos, depois deles.” (Jr 32:39)

Ah, que grande texto é esse. Mas vamos apenas continuar rapidamente: “E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem.“ (Jr 32:40)

Agora, nós apenas lemos isso e muitas pessoas que são ímpias, que estão perdidas, apenas vão à igreja no domingo. Eles ouvem este verso e dizem: “Sim, Deus fez uma aliança eterna comigo. Ele nunca se apartará de mim, nunca, nunca. Eu estou seguro por causa da graça de Deus”. Mas eles falham em ler a segunda parte.

E veja o que diz: ”E farei com eles uma aliança eterna de não me desviar de fazer-lhes o bem; e porei o meu temor nos seus corações, para que nunca se apartem de mim.” (Jr 32:40)

A evidência de que Deus fez uma aliança eterna com você, senhor, é que Ele colocou o temor de Deus em você para que você não se aparte Dele e se você se apartar Dele e Ele não te disciplinar e você continuar se apartando Dele, essa é a evidência que Ele não colocou Seu temor em você, você não foi regenerado e você não tem uma aliança com Deus de forma alguma.

Ah, isto é verdade.

sábado, 1 de dezembro de 2012

A Receita do Pastor com Sucesso . Por Paul Tripp . Estou convencido de que muitos dos problemas no ambiente pastoral resultam de uma definição nada bíblica dos ingredientes essenciais do sucesso para o ministério. É claro que muitos futuros candidatos esperam uma "vibrante caminhada com o Senhor", mas essas palavras ficam geralmente desfiguradas através de um processo que faz poucas perguntas nesta área e espera grandes respostas. Estamos realmente interessados em conhecimento (teologia correta), capacidade (boa pregação), filosofia ministerial (edificação da igreja), e experiência (é o seu primeiro pastorado?). Já ouvi de líderes da igreja, em momentos de crise pastoral, dizer muitas vezes: "Não conhecemos o homem que contratamos." O que significa conhecer o homem? Significa saber qual é a verdadeira condição do seu coração - até onde seja possível. Do que ele realmente gosta, e o que despreza? Quais são suas esperanças, sonhos, temores? Quais são os desejos profundos que o entusiasmam ou o paralisam? O que ele pensa de si mesmo? Até que ponto está aberto à confrontação, a critica e ao encorajamento? Até que ponto está comprometido com a santificação? Ate que ponto está aberto às tentações, fraquezas e fracassos? Até que ponto está preparado para ouvir e condescender com a sabedoria dos outros? Ele considera o ministério pastoral um projeto comunitário? Tem um coração manso, submisso? É simpático e hospitaleiro, é um pastor e está disposto para com aqueles que estão sofrendo? Que qualidades de caráter sua esposa e filhos costumam usar para descrevê-lo? Ele aplica a si mesmo as suas pregações? Seu coração se comove e sua consciência costuma se entristecer quando olha ara si mesmo no espelho da Palavra? Até que ponto sua vida devocional é robusta, consistente, alegre e vibrante? O seu ministério flui com a emoção de sua comunhão devocional com o Senhor? Ele se atém a padrões elevados, ou se acostuma com a mediocridade? É sensível à experiência e às necessidades das pessoas que o ajudam no ministério? Personifica o amor e a graça do Redentor? Ignora pequenas ofensas? Está pronto a perdoar? É crítico e costuma julgar os outros? Que diferença ele apresenta entre o pastor na igreja e o marido e pai em casa? Ele cuida do seu físico? Intoxica-se com a mídia ou a televisão? Como ele completaria esta sentença: "Se ao menos eu tivesse..........."? Que sucesso tem no pastoreio da congregação que consiste da sua família? A Verdadeira Condição do Coração do Pastor O ministério do pastor nunca é apenas formado por sua experiência, conhecimentos e capacidade. Sempre se trata da verdadeira condição do seu coração. Na verdade, se o seu coração não estiver bem colocado, o conhecimento e a capacidade o tornam perigoso. Os pastores geralmente lutam para encontrar uma comunhão viva, humilde, dependente, celebratória, adoradora, meditativa com Cristo. É como se Jesus tivesse abandonado o edifício. Há todo tipo de conhecimento e capacidade de ministério, mas parece divorciado de uma comunhão viva com o Cristo vivo e sempre presente. Toda esta atividade, conhecimentos e capacidade parecem receber combustível de outro lugar. O ministério se torna chocantemente impessoal. Contém conteúdo teológico, capacidade exegética, compromissos eclesiásticos e avanços institucionais. É uma preparação para o próximo sermão, atender o próximo item da agenda, e cumprir os requisitos de abertura da liderança. Trata-se de orçamentos, planos estratégicos e parcerias de ministério. Nenhuma dessas coisas é errada em si mesma. Muitas delas são essenciais. Mas nunca devem constituir fins em si mesmos. Nunca deveriam ser a máquina que impele o veículo. Devem todas expressar alguma coisa mais profunda no coração do pastor. O pastor deve estar interessado, deslumbrado, apaixonado pelo seu Redentor de maneira que tudo o que pensa, deseja, escolhe, decide, diz e faz é impelido pelo amor a Cristo e a segurança do repouso no amor de Cristo. Ele deve se expor regularmente, humilhar-se, assegurar-se e repousar na graça do Redentor. Seu coração deve amolecer dia a dia pela comunhão com Cristo de maneira que se torne um servo-líder amoroso, paciente, perdoador, encorajador e doador. Suas meditações sobre Cristo, sua presença, suas promessas e suas provisões não devem ser sobrepujadas por suas meditações sobre como fazer o seu ministério funcionar. Proteção Contra Todos os Outros Amores Apenas o amor a Cristo pode defender o coração do pastor contra todos os outros amores que têm o potencial de seqüestrar o seu ministério. Apenas a adoração a Cristo tem o poder de protegê-lo de todos os ídolos sedutores do ministério que sussurram aos seus ouvidos. Apenas a glória do Cristo ressuscitado vai guardá-lo da glória pessoal que tenta e destrói o ministério de tantos. Apenas Cristo pode transformar um seminarista graduado, arrogante, materialista em um doador humilde e paciente da graça. Apenas gratidão profunda por um Salvador sofredor pode transformar um homem em servo sofredor no ministério. Apenas um quebrantamento diante do seu próprio pecado pode desenvolver graça para com indivíduos rebeldes entre os quais Deus o chamou para ministrar. Apenas quando sua identidade estiver firmemente enraizada em Cristo você poderá descobrir a liberdade de buscar a identidade no seu ministério. Devemos ter o cuidado de definir capacidade ministerial e maturidade espiritual. Há o perigo de se pensar que os seminaristas formados que foram bem treinados e bem instruídos estão preparados para o ministério, ou achar que conhecimento, atividade e capacidade para o ministério é maturidade espiritual pessoal. A maturidade é uma coisa vertical que se expressa horizontalmente numa variedade extensa. A maturidade se refere ao relacionamento com Deus que resulta em uma vida sábia e humilde. A maturidade do amor a Cristo expressa-se no amor ao próximo. A gratidão pela graça de Cristo se expressa na graça para com os outros. A gratidão pela paciência e o perdão de Cristo capacita-nos a sermos pacientes e perdoadores. A experiência diária da salvação do evangelho dá-nos paixão pelas pessoas que estão experimentando a mesma salvação. É a terra em que o verdadeiro sucesso ministerial se desenvolve. Traduzido por: Yolanda Krievin Editor: Tiago Santos Copyright © Paul Tripp Copyright © Editora FIEL 2012. Fonte: [ Editora Fiel ] .



Estou convencido de que muitos dos problemas no ambiente pastoral resultam de uma definição nada bíblica dos ingredientes essenciais do sucesso para o ministério. É claro que muitos futuros candidatos esperam uma "vibrante caminhada com o Senhor", mas essas palavras ficam geralmente desfiguradas através de um processo que faz poucas perguntas nesta área e espera grandes respostas. Estamos realmente interessados em conhecimento (teologia correta), capacidade (boa pregação), filosofia ministerial (edificação da igreja), e experiência (é o seu primeiro pastorado?). Já ouvi de líderes da igreja, em momentos de crise pastoral, dizer muitas vezes: "Não conhecemos o homem que contratamos."

O que significa conhecer o homem? Significa saber qual é a verdadeira condição do seu coração - até onde seja possível. Do que ele realmente gosta, e o que despreza? Quais são suas esperanças, sonhos, temores? Quais são os desejos profundos que o entusiasmam ou o paralisam? O que ele pensa de si mesmo? Até que ponto está aberto à confrontação, a critica e ao encorajamento? Até que ponto está comprometido com a santificação?

Ate que ponto está aberto às tentações, fraquezas e fracassos? Até que ponto está preparado para ouvir e condescender com a sabedoria dos outros? Ele considera o ministério pastoral um projeto comunitário? Tem um coração manso, submisso? É simpático e hospitaleiro, é um pastor e está disposto para com aqueles que estão sofrendo? Que qualidades de caráter sua esposa e filhos costumam usar para descrevê-lo? Ele aplica a si mesmo as suas pregações? Seu coração se comove e sua consciência costuma se entristecer quando olha ara si mesmo no espelho da Palavra? Até que ponto sua vida devocional é robusta, consistente, alegre e vibrante?

O seu ministério flui com a emoção de sua comunhão devocional com o Senhor? Ele se atém a padrões elevados, ou se acostuma com a mediocridade? É sensível à experiência e às necessidades das pessoas que o ajudam no ministério? Personifica o amor e a graça do Redentor? Ignora pequenas ofensas? Está pronto a perdoar?  É crítico e costuma julgar os outros? Que diferença ele apresenta entre o pastor na igreja e o marido e pai em casa? Ele cuida do seu físico? Intoxica-se com a mídia ou a televisão? Como ele completaria esta sentença: "Se ao menos eu tivesse..........."?  Que sucesso tem no pastoreio da congregação que consiste da sua família?

A Verdadeira Condição do Coração do Pastor

O ministério do pastor nunca é apenas formado por sua experiência, conhecimentos e capacidade. Sempre se trata da verdadeira condição do seu coração. Na verdade, se o seu coração não estiver bem colocado, o conhecimento e a capacidade o tornam perigoso.

Os pastores geralmente lutam para encontrar uma comunhão viva, humilde, dependente, celebratória, adoradora, meditativa com Cristo. É como se Jesus tivesse abandonado o edifício. Há todo tipo de conhecimento e capacidade de ministério, mas parece divorciado de uma comunhão viva com o Cristo vivo e sempre presente. Toda esta atividade, conhecimentos e capacidade parecem receber combustível de outro lugar. O ministério se torna chocantemente impessoal. Contém conteúdo teológico, capacidade exegética, compromissos eclesiásticos e avanços institucionais. É uma preparação para o próximo sermão, atender o próximo item da agenda, e cumprir os requisitos de abertura da liderança. Trata-se de orçamentos, planos estratégicos e parcerias de ministério.

Nenhuma dessas coisas é errada em si mesma. Muitas delas são essenciais. Mas nunca devem constituir fins em si mesmos. Nunca deveriam ser a máquina que impele o veículo. Devem todas expressar alguma coisa mais profunda no coração do pastor.

O pastor deve estar interessado, deslumbrado, apaixonado pelo seu Redentor de maneira que tudo o que pensa, deseja, escolhe, decide, diz e faz é impelido pelo amor a Cristo e a segurança do repouso no amor de Cristo. Ele deve se expor regularmente, humilhar-se, assegurar-se e repousar na graça do Redentor. Seu coração deve amolecer dia a dia pela comunhão com Cristo de maneira que se torne um servo-líder amoroso, paciente, perdoador, encorajador e doador. Suas meditações sobre Cristo, sua presença, suas promessas e suas provisões não devem ser sobrepujadas por suas meditações sobre como fazer o seu ministério funcionar.

Proteção Contra Todos os Outros Amores

Apenas o amor a Cristo pode defender o coração do pastor contra todos os outros amores que têm o potencial de seqüestrar o seu ministério. Apenas a adoração a Cristo tem o poder de protegê-lo de todos os ídolos sedutores do ministério que sussurram aos seus ouvidos. Apenas a glória do Cristo ressuscitado vai guardá-lo da glória pessoal que tenta e destrói o ministério de tantos.

Apenas Cristo pode transformar um seminarista graduado, arrogante, materialista em um doador humilde e paciente da graça. Apenas gratidão profunda por um Salvador sofredor pode transformar um homem em servo sofredor no ministério. Apenas um quebrantamento diante do seu próprio pecado pode desenvolver graça para com indivíduos rebeldes entre os quais Deus o chamou para ministrar. Apenas quando sua identidade estiver firmemente enraizada em Cristo você poderá descobrir a liberdade de buscar a identidade no seu ministério.

Devemos ter o cuidado de definir capacidade ministerial e maturidade espiritual. Há o perigo de se pensar que os seminaristas formados que foram bem treinados e bem instruídos estão preparados para o ministério, ou achar que conhecimento, atividade e capacidade para o ministério é maturidade espiritual pessoal. A maturidade é uma coisa vertical que se expressa horizontalmente numa variedade extensa. A maturidade se refere ao relacionamento com Deus que resulta em uma vida sábia e humilde. A maturidade do amor a Cristo expressa-se no amor ao próximo.

A gratidão pela graça de Cristo se expressa na graça para com os outros. A gratidão pela paciência e o perdão de Cristo capacita-nos a sermos pacientes e perdoadores. A experiência diária da salvação do evangelho dá-nos paixão pelas pessoas que estão experimentando a mesma salvação. É a terra em que o verdadeiro sucesso ministerial se desenvolve.

Traduzido por: Yolanda Krievin
Editor: Tiago Santos
Copyright © Paul Tripp
Copyright © Editora FIEL 2012.

Fonte: [ Editora Fiel ]
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Nossa definição de pecado está muito aquém da definição bíblica! por J Bessa



                 O apóstolo Paulo diz que o mundo pagão desonrava e desonra  profundamente a Deus: “Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu”. (Rm 1.21) – Esse povo vivia na escuridão – Como diz Francis Scheaffer, é o povo sem a Palavra, sem Bíblia – Resultado?Desonra a Deus! – “...não glorificaram a Deus”.

Mas e o povo com a Palavra? Com acesso a Palavra, os Judeus? (Que podem ser comparados a nós que temos a Bíblia) – “Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei?” (Rm 2.23) – O povo com a Bíblia, segundoFrancis Scheaffer – Desonraram a Deus também. – Devemos manter os olhos fixos naquilo que é o grande mal nos homens – Eles desonram Deus – Pagãos (Rm 1.21) e Judeus ( Rm 2.23).

O que é o mal então? É o sentimento arraigado no coração, é o modo e esquema de todos os pensamentos, é a ação diária que trata o Deus infinito como infinitamente menos valioso e gratificante. Devemos estar atentos então, pois nossa definição de pecado está muito aquém da definição bíblica; da definição que nos leva a uma vida de verdadeira santidade. Paulo nos dá a definição perfeita daquilo que é o pecado: “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus” (Rm 3.23) – A essência do pecado pode estar grandemente presente nos que não tem e nos que tem a Bíblia – Pois a essência do pecado é não tratar a glória de Deus como aquilo que ela realmente é; como aquilo que Deus realmente é digno- a realidade e o Ser mais valioso e que traz mais satisfação e prazer do que qualquer tesouro no-universo.

É por isso – e por nenhum motivo centrado em nós mesmos (seres humanos) que precisamos ser salvos. É tão somente por isso que precisamos do dom da justiça que só Deus pode dar. É por isso que precisamos de um justiça que não é nossa. Todos nós temos ficado muito aquém da glória de Deus – da glória devida ao Seu Nome Eterno. Como Paulo diz do mundo sem a Palavra: “...não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças” (Rm 1.21) – E diz também do povo que teve a revelação: “Tu, que te glorias na lei, desonras a Deus pela transgressão da lei?” (Rm 2.23)
Esse ponto deve ser enfatizado grandemente hoje pois pensamos em pecado como aquilo que destrói e atrapalha o homem – Mesmo quando pensamos em como o pecado deve ser vencido, o fazemos de modo antropocêntrico. Falamos em pecado pensando no homem e não em Deus. Vemos o mal como algo que fere o homem e não como algo que desonra a Deus – é este pensamento que o apóstolo Paulo denuncia e mostra claramente na sua declaração contra a humanidade.

O mal, no visão atual, é o que me faz sofrer, e não o que desonra Deus. O mal é quando as circunstâncias e situações me ameaçam e não quando desonram Deus.Precisamos ouvir o testemunho incansável e inspirado pelo Espírito do apóstolo Paulo para termos uma verdadeira percepção do pecado e da justiça de Deus, que em nossos dias foi completamente perdida.

Sem isso, receber a dom da justiça que o evangelho traz não faz nenhum sentido. Se sequer conseguimos entender o problema, não podemos receber a dádiva da solução divina trazida em Cristo. As multidões nos ‘igrejas” não podem compreender e receber o Evangelho da Graça – sem uma percepção verdadeira quando a essência do pecado e da justiça de Deus.