quarta-feira, 17 de junho de 2015

Sobre Festas Juninas - Por Augustus Nicodemus Lopes


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A festa celebra o nascimento de João Batista, que virou um dos santos católicos. É realizada no dia 24 de junho com base no fato que João Batista havia nascido seis meses antes de Jesus (Lc 1:26,36). Se o nascimento de Jesus (Natal) é celebrado em 25 de dezembro, então o de João Batista é celebrado seis meses antes, em 24 de junho. É claro que estas datas são convenções, apenas, pois não sabemos ao certo a data do nascimento do Senhor.

A origem das fogueiras nas celebrações deste dia é obscura. Parece que vem do costume pagão de adorar seus deuses com fogueiras. Os druidas britânicos, segundo consta, adoravam Baal com fogos de artifício. Depois a Igreja Católica inventou a história que Isabel acendeu uma fogueira para avisar Maria que João tinha nascido. Outra lenda é que na comemoração deste dia, fogueiras espontâneas surgiram no alto dos montes.

Já a quadrilha tem origem francesa, sendo uma dança da elite daquele país, que só prosperou no Brasil rural. Daí a ligação com as roupas caipiras. Por motivos obscuros acabou fazendo parte das festividades de São João.

Fazem parte ainda das celebrações no Brasil (é bom lembrar que estas festas também são celebradas em alguns países da Europa) as comidas de milho – provavelmente associadas com a quadrilha que vem do interior – as famosas balas de “Cosme e Damião.” São realizadas missas e procissões, muitas rezas e pedidos feitos a São João. As comidas são oferecidas a ele.

Se estas festividades tivessem somente um caráter religioso e fossem celebradas dentro das igrejas como se fossem parte das atividades dos católicos, não haveria qualquer dúvida quanto à pergunta, “pode um evangélico participar?” Acontece que as festas juninas foram absorvidas em grande parte pela cultura brasileira de maneira que em muitos lugares já perdeu o caráter de festa religiosa. Para muitos, é apenas uma festa onde acendem-se fogueiras, come-se milho preparado de diferentes maneiras e soltam-se fogos de artifício, sem menção do santo, e sem orações ou rezas feitas a ele.

Paulo enfrentou um caso semelhante na igreja de Corinto. Havia festivais pagãos oferecidos aos deuses nos templos da cidade. Eram os crentes livres para participar e comer carne que havia sido oferecida aos ídolos? A resposta de Paulo foi tríplice:

  • O crente não deveria ir ao templo pagão para estas festas e ali comer carne, pois isto configuraria culto e portanto, idolatria (1Cor 10:19-23). Na mesma linha, eu creio que os crentes não devem ir às igrejas católicas ou a qualquer outro lugar onde haverá oração, rezas, missas e invocação do São João, pois isto implicaria em culto idólatra e falso. Lembremo-nos que a festa de são joão faz parte dos festejos idólatras.

terça-feira, 16 de junho de 2015

DECISÃO DO STF - DIREITO DE PECAR? Rev. Josafá Vasconcelos



Estive lendo alguns blogs, de colegas, bem como manifestações de entidades religiosas de cunho evangélico, que apóiam a decisão do STF, sobre a união estável dos homossexuais, como sendo um direito legítimo de uma classe minoritária. Alegam que discordam do homossexualismo, mas que, os que escolheram essa opção devem usufruir da liberdade de existir como qualquer outro seguimento da sociedade. Confesso que até eu, a princípio, ponderei que fosse razoável pensar assim; contudo examinando as Escrituras, lendo esses pronunciamentos, acompanhando os debates e orando, vi que esse modo de pensar está totalmente errado e completamente contrário ao bom senso e ao que ensina a Palavra de Deus, pelas seguintes razões:

1. Por causa da Glória de Deus.
O pecado avilta a glória de um Deus santo. Deus é santo, e nada irá diminuir a Sua santidade. Nossos pecados não diminuem nem um milímetro da Sua glória, mas o propósito do diabo é o descontentamento de Deus por ver criaturas suas, tão preciosas, criadas à Sua Imagem, profanando Seu Nome diante da Sua face. Como podemos aceitar isso? Não podemos proibir homens e mulheres de serem homossexuais, prostitutas, viciados, alcoólatras, etc. e de afrontarem a Deus com sua práticas, mas podemos lutar para que não tenham as facilidades da lei para fazê-lo. Temos que lutar para impedir que a podridão avance; não é isso que o sal faz? Eles precisam saber que é porque amamos a Deus, acima de tudo, que não podemos concordar que continuem a blasfemar do Seu santo nome, do contrário, não poderíamos orar de sã consciência a oração do Pai Nosso, “Santificado seja o Teu Nome”. Cristo amou os pecadores, mas jamais negociou seu objetivo maior que era glorificar o Pai. A decisão do STF, avilta, insulta, afronta e depõe contra a glória de Deus.

2. Porque ninguém tem o direito de pecar.
Não existe tal direito. O pecado é uma ofensa ao Deus o Criador, é um insulto aos céus. O homem foi criado para a glória de Deus e para obedecer seus mandamentos, não havia outra opção no Éden e nem há agora, a única é obedecer, fora disso, morte! Não há tolerância da parte de Deus para os que rejeitam seus mandamentos. Os sofrimentos de Cristo, o cálice da Ira que Ele teve de beber, a agonia e o pavor da morte que sentiu no Getsêmani, mostram como Deus trata o pecado. Portanto, Ele não dá aos homens o direito de pecar, ao contrário, por causa do pecado, constitui-se inimigo do pecador, e não lhes dará sossego, serão atormentados o tempo todo pela, “norma da lei escrita em seus corações testemunhando-lhes a consciência e os seus pensamentos, mutuamente acusando-os…” , pelo Espírito Santo, que contende com o espírito do homem (Gn 6:3), pelos flagelos, que são conseqüência do próprio pecado, e até pelo Diabo, que acaba sendo um instrumento nas mãos de Deus, “peneirando-os” para ver se alguns deles, através do sofrimento, encontram arrependimento e sejam salvos no dia do juízo (1 Co 5:5); tudo Deus faz para atormentá-los, sem lhes dar trégua, a fim de saberem que ninguém têm o direito de viver na face da terra em rebeldia contra Ele. Essa aflição contínua, ainda é uma oportunidade misericordiosa da parte de Deus, na expectativa que se voltem para Ele, pois já há muito deveriam ser destruídos, como diz as Escrituras: “As misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos…” (Lm 3:22). Por essa razão, não podemos apoiar nada que possa favorecê-los em seus pecados. Aprendemos muito com o Senhor Jesus sobre como devemos nos compadecer de pecadores, mas não encontramos nada na Bíblia que nos ensine a apoiar a institucionalização da prática do pecado. Ele disse a mulher pecadora, eu te perdôo, mas imediatamente disse. “VAI E NÃO PEQUES MAIS”.

3. Porque os amamos.
Se os amamos, aí é que devemos cooperar para o seu desconforto. A melhor forma de demonstrar nosso amor, é odiar e condenar aquilo que os subjuga e os destrói. Eu percebo que esses irmãos dos blogs, estão preocupados em não serem injustos com essas minorias, “descriminadas e desfavorecidas”, mas, seria o caso de favorecer para que pequem mais confortavelmente, com direitos garantidos? E seria essa a forma, de exercer piedade para com eles? Certamente que não. Ao contrario, os “amigos” que apóiam essa união infame, estão sendo cruéis e desalmados. Se você sabe que existe um inferno e crê que ele é um lugar de “trevas e ranger de dentes, onde seu bicho não morre e o fogo nunca se apaga…”, se você sabe que as escolhas que esses queridos fizeram os leva a passos largos para a perdição eterna num “lago que arde com fogo e enxofre” e, mesmo assim, deixa de advertí-los, e pior, apóia e favorece o que lhes aumentará o juízo: Sinto muito, mas você não os ama! Não seria melhor ser honesto e dizer a eles: “Eu amo vocês, estou pronto a ajudar e apoiar qualquer coisa que possa livrá-los dessa situação, mas de sã consciência, pelo que creio ser verdade absoluta, não posso cooperar com o seu pecado. O conforto desta união estável, e a solução que isso possa trazer para resolver todos os problemas temporais, lhes resultará em mais juízo e maior tormento na eternidade, dessa forma, sinto, eu os amo: não posso apoiar”?
4. Porque o Estado é Ministro de Deus.
Estão dizendo: “mas o Estado tem que regular o mal que já existe, não tem jeito”. Até citam textos, para justificar, como o de Salomão aceitando a condição das prostitutas ao julgar o caso do bebê de uma delas (formando doutrina de um fato descritivo) e o de José que teria sustentado os Sacerdotes de Osíris, (como se não fosse o segundo no reino, porque se fosse o primeiro os teria imediatamente expulsado) ou Daniel, que governou admitindo todos os problemas de um reino pagão, contudo, seja qual for a interpretação, não poderá contradizer o que está claro sobre qual é a vontade de Deus para o Estado.

Os Ministros do Supremo Tribunal, a Presidente e todas as autoridades constituídas em poder, deveriam saber, e se não sabem, temos profeticamente de ensiná-los, que eles são Ministros de Deus, por Ele instituídos para o bem da sociedade. Para promover o bem e reprimir o mal (Rm 13:1-7). É dever dos magistrados, exercer em nome de Deus toda autoridade contra tudo que ameaça a sociedade e não favorecer. Serão responsabilizados pela aprovação de leis como: Divórcio por qualquer motivo, legalização do aborto em caso de estupro, da maconha, etc.
Ora, a história é testemunha, de que grandes civilizações foram aniquiladas e desapareceram do mapa por causa da degradação moral, tendo o homossexualismo como o componente mais importante e fator predominante para a destruição daquelas sociedades. São tão inteligentes, tão cultos, e não aprenderam isso? Nós, no entanto, sabemos pela história e pelo relato bíblico o fim que tiveram Sodoma e Gomorra. Dessa forma, somos indesculpáveis e estaremos pecando se concordarmos com o Estado quando aprova, contra Deus, o direito de pecar, porque toda vez que isso acontece o Estado se torna em nome de Deus, ministro do pecado, e nós seus cúmplices.

Conclusão
Como Igreja, não podemos agir de modo contrário à vontade de Cristo o cabeça do corpo, cujo propósito maior, que lhe consumia a alma era fazer a vontade do Pai, “Ele, porém, lhes disse: Uma comida tenho para comer, que vós não conheceis”; “… disse-lhes: A minha comida é fazer a vontade daquele que me enviou e realizar a sua obra”, “glorifiquei-te na terra, tendo consumado a obra que me deste a fazer”. Por isso não podemos negociar, por nada desse mundo, a Glória de Deus! É isso que deveria nos consumir também, afinal esse é o fim principal do homem, segundo o nosso Símbolo de Fé. Qualquer coisa que venha a ameaçar essa glória, mesmo que possa ferir ou magoar alguém muito querido, não pode extinguir o zelo em nosso coração pela glória de Deus.

segunda-feira, 15 de junho de 2015

A cultura “cult”, o relativismo e a igreja


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No texto anterior falei sobre o crente insensível ao pecado que habita em abundância nossas igrejas. Agora, no segundo texto da série, desejo falar sobre o o crente “cult” à luz de Ap. 2.1-7. 

Antes de tudo, creio ser importante deixar claro o que quero dizer por crente “cult”. Uso esse termo para definir aquela pessoa que, para “ficar bem com todo mundo”, relativiza a verdade. O meu objetivo é mostrar que a origem desse pensamento está no coração do homem, mostrar o quanto o relativismo é destrutivo para a igreja e sociedade e apresentar uma sugestão de como podemos combate-lo. 

Contexto histórico

O texto que veremos hoje é uma carta de Cristo à igreja em Éfeso. Considero relevante apresentar um pouco do contexto histórico da cidade e igreja para que tenhamos uma melhor compreensão da passagem. 

Segundo o Rev. Hernandes Dias Lopes¹ a cidade de Éfeso era a maior, mais rica e importante cidade da Ásia Menor. Lá havia um teatro com capacidade para mais de 24 mil pessoas, o mais importante porto turístico da região e o templo da deusa Diana (ou Ártemis), que era uma das sete maravilhas do mundo antigo. Éfeso era, portanto, uma cidade grande e muito importante. Porém, o Rev. Hernandes também acrescenta que ela era uma cidade imoral, mística, cheia de superstição e idolatria.

A igreja de Éfeso, por sua vez, era diferente. Os crentes se mantiveram puros na doutrina apostólica, não cedendo às diversas falsas mensagens que surgiam na época, em especial o ensino herético dos Nicolaítas.

Até mesmo por conta da discrepância entre a cultura da cidade, extremamente idólatra, e a cultura da igreja, essencialmente cristã, os crentes sofriam perseguição. Todavia, como o próprio Cristo ressalta, a igreja se mantinha fiel à doutrina e, por consequência, mantinha uma moral cristã.

Análise bíblica

Ao anjo da igreja em Éfeso escreva: Estas são as palavras daquele que tem as sete estrelas em sua mão direita e anda entre os sete candelabros de ouro. Conheço as suas obras, o seu trabalho árduo e a sua perseverança. Sei que você não pode tolerar homens maus, que pôs à prova os que dizem ser apóstolos mas não são, e descobriu que eles eram impostores. Você tem perseverado e suportado sofrimentos por causa do meu nome, e não tem desfalecido. Contra você, porém, tenho isto: você abandonou o seu primeiro amor. Lembre-se de onde caiu! Arrependa-se e pratique as obras que praticava no princípio. Se não se arrepender, virei a você e tirarei o seu candelabro do seu lugar. Mas há uma coisa a seu favor: você odeia as práticas dos nicolaítas, como eu também as odeio. Aquele que tem ouvidos ouça o que o Espírito diz às igrejas. Ao vencedor darei o direito de comer da árvore da vida, que está no paraíso de Deus.” Apocalipse 2:1-7 (NVI).

Agora que já vimos um pouco do contexto histórico podemos entender o texto com maior facilidade. Como em todas as demais cartas, Cristo se apresenta e afirma que Ele conhece as obras da igreja. Todavia, diferentemente do que acontece na carta à Laodicéia, Cristo faz alguns elogios. Ele elogia a perseverança, as obras e o trabalho árduo da igreja que, como mencionei acima, sofria diversos ataques no campo doutrinário e moral, mas se mantinha firme. 

O elogio à firmeza doutrinária e ao trabalho árduo me leva a um paralelo entre a igreja de Éfeso e as igrejas históricas brasileiras. Em primeiro lugar, a doutrina histórica é mantida, mesmo sob constantes ataques. É verdade que já evidenciamos uma considerável perda nesse quesito, mas, no geral, o escopo doutrinário ainda resiste. Além disso, o trabalho assistencial da igreja é mantido, muito por conta de sua organização que permite o sustento de asilos, orfanatos, hospitais, escolas e etc. Assim, ela consegue ser relevante no campo moral e social da sociedade, papel que exerce há anos. 

Porém, se tem observado nos últimos anos um déficit no conhecimento bíblico dos crentes dessas igrejas. Aos poucos a Bíblia foi sendo largada de lado para dar lugar a “estratégias” de gestão que visavam solucionar o problema da falta de crescimento delas. Programações “atrativas” precisaram ser pensadas para as diferentes faixas etárias, a pregação bíblica histórica foi sendo levemente substituída pelo mundo paralelo da teologia carismática e a escola bíblica dominical, que para mim deve ser uma prioridade em qualquer igreja, foi constantemente reduzida e, em alguns casos, até mesmo eliminada. Isso tudo resultou na atração de pessoas que estavam mais interessadas nas coisas que podem obter de Deus do que no próprio Deus em si. Elas iam à igreja porque a programação era “legal”, porque a pregação não era “muito pesada” e porque muitas vezes era pregado somente o que o povo queria ouvir e não aquilo que ele tinha de ouvir.

Retornando a Éfeso vemos que apesar dos elogios, Cristo deixa uma crítica. Segundo ele a igreja abandonara “o seu primeiro amor” e, por conta disso, precisaria se arrepender e se converter. Há quem diga que essa expressão se refira ao amor sacrificial entre os santos e quem defenda que ela se refira à relação entre a igreja e Cristo. Seja como for, identifico aqui um problema no coração da igreja, i.e., um problema no mais íntimo recanto do homem, no seu interior. É como se o desejo de agradar a Deus com suas ações, dedicar suas vidas a Ele, o buscar em oração e se deleitar na sua palavra estivesse aos poucos perdendo espaço no coração dos crentes de Éfeso.

Essa crítica é relevante para nós hoje porque eu acredito que a igreja brasileira tem vivenciado o mesmo problema e a evidência disso é a busca de soluções humanas, como citei acima, para corrigir um problema espiritual, a falta de crescimento. Ao invés de se arrepender e voltar ao “ponto de onde parou”, ela abraçou a ideia de que o evangelho por si só não era mais suficiente e, por isso, estratégias de marketing deveriam tomar o seu lugar. Abandonou-se a concepção de que o verdadeiro mover do Espírito de Deus se dá por meio da pregação do Cristo crucificado, do ensino da palavra e da transformação real de vidas. Aparentemente, pregar a respeito do Cristo e da verdade da cruz perdeu o seu efeito e Deus precisou de um “empurrãozinho” humano, uma adaptação da verdade para os dias de hoje para que as igrejas voltassem a ficar cheias. Mas, se estava pensando em igrejas cheias de gente e não cheias do Espírito; se estava idolatrando um crescimento numérico ao invés de haver preocupação com o crescimento espiritual. Como consequência tivemos um crescimento numérico inicial acompanhado de uma devastação no campo espiritual, doutrinário e moral. 

Vemos, portanto, que a relativização da verdade bíblica visando o enchimento numérico das igrejas é um sintoma do problema no coração da igreja. Na verdade, o abandono do “primeiro amor” e o abandono da doutrina bíblica geralmente caminham lado a lado. E quando se entra por esse caminho, a menos que Deus intervenha, um futuro sombrio é aguardado.

Ao olhar para a carta de Éfeso vejo Cristo preocupado com o futuro da igreja porque ele enxergava o problema em seu coração, que, eventualmente, levaria a problemas maiores. É como se esse fosse o aviso: “vocês ainda conservam a doutrina e resistem a cultura idólatra que bate incessantemente as suas portas. Todavia o seu coração está afetado, vocês abandonaram o seu primeiro amor. E isso pode os levar a uma relativização doutrinaria e, por fim, a uma relativização moral de maneira que tanto a virtude de se conservar fiel à doutrina apostólica quanto a virtude de resistir à cultura idólatra se perderão”. 

Vimos, então, como o problema no coração afeta a igreja, mas qual é a relação disso com a sociedade? Bom, é importante lembrar que há uma relação entre o coração do homem, o conhecimento bíblico e a sua cultura, i.e., a forma como o homem interage com o mundo secular. Há quem diga que o cristão deva viver completamente isolado da sociedade ou que exista uma separação entre o lado cristão e o lado cidadão do indivíduo. Eu, entretanto, tenho imensa dificuldade em separar a santidade cristã das demais esferas da vida. Para mim o cristão que ora, lê a Bíblia e é transformado pelo Espírito Santo diariamente influenciará todos ao seu redor, não somente a sua igreja. Para mim não é possível que alguém busque a santidade e não evidencie igualmente os frutos na igreja, no trabalho, no casamento e nas atividades sociais. Não acho possível separar um indivíduo em dois: um que seja santo para os assuntos relacionados à religião e outro que seja carnal para os assuntos seculares. O indivíduo é um só e, se ele é santo, ele é santo nas duas esferas. Henry Van Til defende que na visão calvinista o homem não pode distanciar o seu chamado para ser santo (1 Pe 1.14-16) do seu chamado para governar a terra (Gn 1.27-30).² A famosa frase de A. Kuyper apresenta esse conceito de forma brilhante: “Não há nem um centímetro em toda a área da existência humana da qual Cristo, o soberano de tudo, não proclame: ‘Isso é meu’”. Em outras palavras, a nossa santidade nos influencia como um todo e, por isso, naturalmente deve influenciar a maneira que nos relacionamos com o mundo secular, a nossa cultura.

Então, quando olhamos para a cultura brasileira, recheada de imoralidade, chegamos a conclusão de que a maioria de seus constituintes não pode ser cristã. O paradoxo é que as “igrejas evangélicas” se multiplicam país a fora e já vi duas ou três pesquisas afirmando que em pouco tempo a nação brasileira terá maioria cristã. Como assim “maioria cristã”? Há algo de errado nisso e, a meu ver, o que resolve essa equação são os crentes “cult”, frutos do problema no coração da igreja. 

A presença deles em nosso meio é para mim um sinal de que a igreja nacional está num estágio mais avançado do que a igreja de Éfeso, no que se refere a “abandonar o seu primeiro amor”. É compreensível que os indivíduos carnais apresentem o tal problema no coração, mas quando isso chega dentro da igreja é um sinal de que estamos em maus lençóis. Por exemplo, temos no meio cristão pessoas que defendem o sexo livre, o aborto, o comunismo, o uso de drogas, a completa destituição da autoridade paternal, a destruição da família e o relacionamento homossexual. Todas essas pautas são claramente anti-bíblicas e, por lógica simples, não faz sentido um cristão defende-las, a menos que haja algum problema no coração e/ou no ensino doutrinário da igreja (como vimos esses dois caminham lado a lado).

Para compreendermos melhor esse problema, precisamos olhar para a forma como vemos o mundo, a nossa cosmovisão. A cultura ocidental hoje não tem mais uma cosmovisão cristã. Pelo contrário, ela enxerga o mundo sob a ótica da completa inexistência de uma verdade objetiva no universo, o que John Piper define como Relativismo. Segundo ele a essência do pensamento relativista é que nenhum padrão de verdadeiro e falso, certo e errado, bom e mau, ou belo e feio pode ser válido para todos.³ E isso, obviamente, afasta completamente a ideia de que Deus é a verdade objetiva do universo, que podemos conhecer sua vontade santa através de sua palavra e que sua vontade deve ser o padrão de nossas vidas, inclusive na moral. É por isso que nos dias de hoje ideias como “cada um tem a sua verdade” são tão fortes a ponto de fazer alguém que defenda que “a tua Palavra é a verdade” (Jo 17.17) ser visto como totalitário, fundamentalista religioso ou fascista.

Eu sei que fui bem longe nesse texto, então, me permita resumir o que disse até aqui. Minha afirmação é que nós enfrentamos tantos problemas morais no Brasil porque há um problema no coração, i.e., no cerne, na raiz da sociedade e da igreja. Esse problema afeta a nossa cultura, i.e., a maneira como interagimos com o mundo secular. Agora vem o agravante: buscamos abraçar o máximo possível o relativismo para fugirmos do confronto e das acusações. Com medo de afirmar que a palavra de Deus é a verdade, que nos guiamos por ela e que ela se opõe às demandas mundanas nós nos tornamos “cult” e relativizamos a Palavra. Preferimos agradar a todos ao invés de agradar a Deus.

Por isso, concluo essa análise dizendo que o pensamento do crente “cult”, que deseja ser bem-visto por todos e para isso negocia fácil e abertamente a verdade, é um mal, fruto de um problema no coração da igreja, que precisa ser combatido com urgência. Precisamos abandonar o relativismo e novamente reconhecer que somos santificados pela palavra de Deus que é A verdade (Jo 17.17). Mas para isso é preciso que voltemos ao primeiro amor, que nos lembremos de onde caímos, nos arrependamos e voltemos a praticar as primeiras obras.

Aplicação e Conclusão

Mas como podemos fazer isso? Em primeiro lugar é preciso ter em mente que essa ação não é nossa, mas do Espírito de Deus. É ele quem nos convence do nosso pecado e quem nos guia no processo de santificação. Entretanto, isso não significa que não possamos fazer alguma coisa. A nossa parte é criar uma disciplina de oração e leitura bíblica. Se assim fizermos podemos confiar que Deus cumprirá a promessa de nos dar um só coração e um só caminho para que o temamos (Jr 32.39). 

Entrando, em termos práticos, deixo algumas sugestões para te ajudar a fazer isso: em primeiro lugar, tenha sempre um lápis e um caderno de anotações com você quando for estudar a Bíblia. Faça a interpretação do texto, escrevendo o que você entendeu da passagem e, ao final, escrevendo como ela se aplica a sua vida. Em segundo lugar, não foque na leitura de somente um dos testamentos. O que para mim funciona melhor é alternar as leituras entre o novo e o antigo testamentos. Em terceiro lugar, adquira materiais de apoio como Bíblias de estudo, por exemplo a Bíblia de Genebra; livros devocionais, por exemplo a série lançado pelo Rev. John Stott nos anos 90; e comentários sobre livros específicos da Bíblia, como os famosos comentários de João Calvino. Em quarto lugar, priorize a qualidade ao invés da quantidade. Evite aqueles programinhas de ler a Bíblia inteira em 3 ou 6 meses, pois é muito melhor que você leve 2 anos, mas absorva o conteúdo e seja transformado por ele do que ler a Bíblia rápido e não entender nada. Em quinto lugar, tenha uma vida de oração regular e peça a Deus para te ajudar a combater o relativismo.

Por fim, há mais uma coisa que você pode fazer para deixar de ser um crente “cult”. E é bem simples: não tenha medo de defender os valores cristãos; não se preocupe em agradar as pessoas ao seu redor, mas se preocupe em agradar tão somente a Deus. Ainda, se você se deparar com um crente “cult” não permita que o relativismo dele seja ouvido sozinho. Apresente a verdade objetiva da Bíblia e faça a sua parte. Precisamos voltar ao evangelho e pedir a Deus que solucione o problema de nossos corações, mas precisamos também fazer o nosso papel e batalhar contra o relativismo que tenta se apossar da igreja.

Que Deus nos abençoe! 

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Referências

1. Hernandes Dias Lopes. Ouça o que o Espírito diz às igrejas, 2010. Editora Hagnos.
2. Henry R. Van Til. O conceito calvinista de cultura, 2010. Editora Cultura Cristã.
3. John Piper. Think. The life of the mind and the love of God, 2010. Editora Inter-varsity press.

sábado, 13 de junho de 2015

O que significa contaminar-se em Daniel 1?





Em Daniel 1.8 diz que Daniel e seus amigos resolveram não contaminar-se das finas iguarias do rei. Isso levanta algumas dúvidas e diferentes interpretações. O que significa “contaminar” neste versículo? Como aquele alimento poderia trazer contaminação? Este artigo visa responder esta questão dentro de uma breve análise do texto dentro do seu contexto. 

Há pelo menos três posições geralmente defendidas por comentaristas. A primeira posição é que as finas iguarias do rei possuíam alimentos proibidos pela Lei, como porco. Na Lei de Moisés, realmente havia algumas proibições de comer certos alimentos. Em Levítico 11 há uma lista de animais que eram proibidos de comer. No entanto, o texto diz que ele recusa toda a comida do rei e não somente aquilo que era proibido pela Lei. E ainda, esta posição não explica o porquê eles recusaram também o vinho.

A segunda posição é que a comida era oferecida aos ídolos. E de fato isso ocorria naquele período. Se este fosse o caso eles estariam também corretos em tomar esta decisão. Mas novamente, não há no texto qualquer indício de que este tenha sido o motivo. E se o problema fosse os ídolos em si, por que eles não recusaram os seus novos nomes? Portanto, esta também não é uma interpretação tão clara para o texto.

Uma terceira posição parece ser mais coerente com o contexto, e se refere ao perigo da acomodação. A maneira como o texto fala da comida do rei parece ser atrativa aos quatro amigos e, de fato, era para ser assim. Parece ser algo bem incomum um rei dar da sua própria comida para cativos, mesmo que pertencessem à linhagem dos nobres. Uma olhada um pouco melhor para a Babilônia percebemos que a intensão deles era sempre de transformar seus cativos em “novos caldeus”. Diferentemente da Pérsia que incentivava a cultura e a religião das nações subordinadas, a Babilônia queria transformá-los. 

Por isso Nabucodonosor muda os nomes daqueles jovens e ordena que aprendessem a língua e a cultura dos caldeus. Por serem nobres, eles se tornariam os responsáveis por propagar a cultura para a sua nação e transformar o restante dos exilados. Eles realmente tentavam fazer com que eles se esquecessem quem eram, de onde vieram e quem adoravam. 

O salmo 137 diz que eles provocavam o povo a cantar músicas alegres com o propósito de se esquecer de Jerusalém. No entanto, o salmista revela que ele não cairia no pecado de se esquecer de Sião, que era a sua terra e seu lar verdadeiro.

A versão Revista e Atualizada omite a palavra “coração” do texto hebraico. Isso é muito significativo para uma melhor interpretação, porque mostra que a decisão tomada por Daniel era uma questão mais interna do que externa. Jesus, certa feita, ensinou aos seus discípulos que o que contamina o homem não é o que entra, mas o que sai do coração: “Então, lhes disse Assim vós também não entendeis? Não compreendeis que tudo o que de fora entra no homem não o pode contaminar, porque não lhe entra no coração, mas no ventre, e sai para lugar escuso? E, assim, considerou ele puros todos os alimentos. E dizia O que sai do homem, isso é o que o contamina. Porque de dentro, do coração dos homens, é que procedem os maus desígnios, a prostituição, os furtos, os homicídios, os adultérios, a avareza, as malícias, o dolo, a lascívia, a inveja, a blasfêmia, a soberba, a loucura. Ora, todos estes males vêm de dentro e contaminam o homem” (Mc 7.18-23). Este não era um ensino novo, afinal, há vários textos no antigo Testamento que trazem este ensino. Provérbios 23.3, por exemplo; fala para tomar cuidado com delicados manjares e comidas enganadoras. Da mesma forma os salmos falam da necessidade de cuidar do coração para não pecar contra Deus. E é Jeremias quem vai dizer do perigo do coração corrupto e enganoso.

Assim, o grande perigo do alimento era a sedução da Babilônia. Daniel e seus amigos não podiam cair na armadilha de Nabucodonosor e se acomodar àquele país se esquecendo de Sião. Não é sem motivo que em Apocalipse a Babilônia vai ser o nome dado ao presente século, um mundo cheio de atrativos para seduzir a igreja e fazê-la esquecer do seu lar celestial.

E nós?

Assim como Daniel e seus amigos, nós vivemos num mundo repleto de tentações para nos fazer esquecer da nossa pátria celestial. O mundo, bem como seu príncipe maligno, quer que esqueçamos quem somos e quem adoramos. O grande perigo é que muitas vezes não percebemos suas armadilhas e nos acomodamos à este presente século por causa de seus atrativos passageiros. 

O nosso alerta é para sermos como Daniel e seus amigos, ou seja, sermos firmes em nossos corações para permanecermos fiéis ao Senhor. É necessário, para isso, pensarmos mais nas coisas lá do alto, onde Cristo vive e não nas coisas daqui da terra (Cl 3.1-3). Entendermos que somos forasteiros e peregrinos rumo a Nova Jerusalém. E enquanto vivemos na Babilônia, aguardemos o dia da nossa restauração completa.

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Divulgação: Bereianos
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sexta-feira, 12 de junho de 2015

Crente pode ter um(a) namorado(a) zumbi? Por Denis Monteiro


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Hoje, dia 12 de Junho, comemora-se nacionalmente o Dia dos Namorados e em todo lugar podemos ver os corações, frases e comerciais de TV que fazem referência a data com um apelo estritamente comercial. Apesar de tudo isso, ainda temos os filmes românticos, ou comédia romântica. Um em especial, lançado em 2013 que faz sucesso entre os adolescentes até hoje é o filme "Meu namorado é um zumbi". 

O filme se passa em um cenário pós-apocalíptico, tendo a cidade dividida entre os vivos e os mortos que não estão totalmente mortos (zumbis). Em certa altura do filme, um grupo de amigos vivos tiveram a "brilhante" ideia de ir até o outro lado do muro, onde estão os zumbis, a fim de coletar comida e medicamentos de lojas e casas que ficaram do lado zumbi. Em certo local onde estão os amigos vivos, os zumbis, que estão atrás de comida (cérebro humano), percebem a movimentação de humanos e vão até o local a fim de comer eles.

Dado a cena de ação onde os zumbis entram em confronto com o grupo de amigos, um zumbi chamado "R" não tem o desejo de comer o cérebro da garota Julie. No entanto, "R" defende Julie dos outros zumbis, não permitindo que ela seja devorada pelos zumbis famintos. E, sendo assim, de todo o grupo somente ela permanece viva, só que agora ela deve se fingir de morta (e se esconder) para que os outros zumbis não a devorem. E assim um começa se aproximar do outro com outras intenções.

Só que Julie terá um empecilho, o seu pai, que é o general que comanda as tropas contra os zumbis. Como já é de se pensar, é óbvio que ele vai contra a decisão de sua filha e tenta matar o zumbi. Ao fazer isto, eles percebem que "R", ao ser atingido pelo tiro, teve uma reação diferente dos outros que já foram mortos (definitivamente), pois conta Julie que, quando um zumbi é atingido por um tiro ele não sangra, só que "R" está sangrando dentro da água. 

Após a cara de dúvida do General, a sua filha Julie diz que o que curou "R" foi o verdadeiro amor e que todos os outros zumbis precisam de amor para que possam viver uma vida (quase) normal ao ponto de se recuperarem. 

A história é bonita e engraçada, mas o que podemos aprender com isso? 

Namoro não é evangelismo! 

Se Julie deu o seu amor ao "R" (o zumbi) e esse amor fez com que um morto voltasse a vida, tenha certeza que não é o seu amor que irá fazer com que seu namorado ou namorada venha à Cristo para ser salvo(a). Este filme não é um modelo a ser seguido e aplicado à nossa vida cristã achando que no final o descrente se converterá. 

Há dois trechos no filme que me chamou a atenção:

• Como mostrei acima, após a cena onde "R" leva Julie consigo para outro local, ela teve que se esconder (no avião) e até se comportar como uma morta, para que os outros zumbis não descobrissem que ela estava viva e fosse devorada. A cena é bem cômica quando Julie começa a fazer barulhos estranhos com a garganta, no entanto, você já parou para refletir que as pessoas que namoram descrentes elas nunca agem como crentes e sim como descrentes, pois elas não querem ser tachadas de caretas e, assim, não sofrerá nenhuma represaria por isso. 

Desde o momento que o General, pai de Julie, descobre que sua filha se uniu aos zumbis, ele foi contra. No entanto, no final, após a cena do tiro seu pai aceita o fato e percebe que houve uma mudança em "R". Essa cena parece que irá descer lagrimas do olhos e ascende a chama no coração. Mas já parou para imaginar que mesmo que pela infinita misericórdia de Deus, o seu (ou sua) namorado(a) venha a se converter você ficou todo esse tempo debaixo da desobediência de Deus? 

Mas o que a Bíblia tem a dizer sobre isso? 

Na Lei

Deuteronômio 7.1-4: "Quando o SENHOR, teu Deus, te introduzir na terra a qual passas a possuir, e tiver lançado muitas nações de diante de ti, os heteus, e os girgaseus, e os amorreus, e os cananeus, e os ferezeus, e os heveus, e os jebuseus, sete nações mais numerosas e mais poderosas do que tu; e o SENHOR, teu Deus, as tiver dado diante de ti, para as ferir, totalmente as destruirás; não farás com elas aliança, nem terás piedade delas; nem contrairás matrimônio com os filhos dessas nações; não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filhos; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses; e a ira do SENHOR se acenderia contra vós outros e depressa vos destruiria."

Nos livros históricos

Esdras 9.1-4: "Acabadas, pois, estas coisas, vieram ter comigo os príncipes, dizendo: O povo de Israel, e os sacerdotes, e os levitas não se separaram dos povos de outras terras com as suas abominações, isto é, dos cananeus, dos heteus, dos ferezeus, dos jebuseus, dos amonitas, dos moabitas, dos egípcios e dos amorreus, pois tomaram das suas filhas para si e para seus filhos, e, assim, se misturou a linhagem santa com os povos dessas terras, e até os príncipes e magistrados foram os primeiros nesta transgressão. Ouvindo eu tal coisa, rasguei as minhas vestes e o meu manto, e arranquei os cabelos da cabeça e da barba, e me assentei atônito. Então, se ajuntaram a mim todos os que tremiam das palavras do Deus de Israel, por causa da transgressão dos do cativeiro."

Neemias 13.23-27: "Vi também, naqueles dias, que judeus haviam casado com mulheres asdoditas, amonitas e moabitas. Seus filhos falavam meio asdodita e não sabiam falar judaico, mas a língua de seu respectivo povo. Contendi com eles, e os amaldiçoei, e espanquei alguns deles, e lhes arranquei os cabelos, e os conjurei por Deus, dizendo: Não dareis mais vossas filhas a seus filhos e não tomareis mais suas filhas, nem para vossos filhos nem para vós mesmos. Não pecou nisto Salomão, rei de Israel? Todavia, entre muitas nações não havia rei semelhante a ele, e ele era amado do seu Deus, e Deus o constituiu rei sobre todo o Israel. Não obstante isso, as mulheres estrangeiras o fizeram cair no pecado. Dar-vos-íamos nós ouvidos, para fazermos todo este grande mal, prevaricando contra o nosso Deus, casando com mulheres estrangeiras?" 

Nos profetas

Malaquias 2.10-12: "Não temos nós todos um mesmo Pai? Não nos criou um mesmo Deus? Por que agimos aleivosamente cada um contra seu irmão, profanando a aliança de nossos pais? Judá tem sido desleal, e abominação se cometeu em Israel e em Jerusalém; porque Judá profanou o santuário do Senhor, o qual ele ama, e se casou com a filha de deus estranho. O Senhor destruirá das tendas de Jacó o homem que fizer isto, o que vela, e o que responde, e o que apresenta uma oferta ao Senhor dos Exércitos."

No Novo Testamento

2 Coríntios 6.14-18: "Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulos; porquanto que sociedade pode haver entre a justiça e a iniquidade? Ou que comunhão, da luz com as trevas? 15 Que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união, do crente com o incrédulo? 16 Que ligação há entre o santuário de Deus e os ídolos? Porque nós somos santuário do Deus vivente, como ele próprio disse: Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo. 17 Por isso, retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor; não toqueis em coisas impuras; e eu vos receberei, 18 serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas, diz o Senhor Todo-Poderoso."

2 Coríntios 7.1: "Tendo, pois, ó amados, tais promessas, purifiquemo-nos de toda impureza, tanto da carne como do espírito, aperfeiçoando a nossa santidade no temor de Deus."

Veja que em todas as passagens que proíbe a união mista tem em vista a Lei de Deus e a nossa aliança com Ele. Perceba que o argumento "se eu namorar com um descrente eu posso trazer ele para a igreja" é falho, porque diz a Lei: "não darás tuas filhas a seus filhos, nem tomarás suas filhas para teus filho; pois elas fariam desviar teus filhos de mim, para que servissem a outros deuses" (Dt 7.3,4). Ou seja, Deus alerta o Seu povo de que, quem na verdade é evangelizado é o crente e não o descrente. É mais fácil o crente se desviar da aliança e servir outros deuses do que o descrente servir a Deus. Mesmo que você conheça casos que deram certos de pessoas descrentes que casaram com crentes e depois de um tempo vieram à Cristo, saiba que não foi o seu amor por ela(e) que fez isso, mas a eleição de Deus e Sua misericórdia. No entanto, você se arriscaria a estar em desobediência com Deus por causa deste amor? Obedecer é melhor do que sacrificar. 

Não somente isso, mas as consequências futuras existem. Por exemplo, se uma crente casar-se com um descrente a quem os filhos, que nascerão deste matrimônio, seguirão? Ou seja, como cumprir com o mandamento dado aos pais de instruírem os seus filhos na Lei do Senhor? 

Se você tem um namorado ou namorada não cristã, termine esse relacionamento - mesmo que seja uma decisão difícil -, pois a vontade de quem devemos cumprir é a vontade de Deus. Continue amigo desta pessoa e, ai sim, evangelize-a (sem namorar) e, se Deus converte-la verdadeiramente e o seu amor por ela continuar, casem-se e tenham uma família debaixo da aliança de Deus, fazendo a vontade do Senhor e um santificando o outro.

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Fonte: Bereianos
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