sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Você não precisa de religião para saber o que é certo e errado!

Muitas vezes quando evangelizamos, ouvimos a famosa frase: “Eu não preciso de religião para saber do que é certo e do que é errado”. O cético, ateu ou irreligioso nem imagina que a nossa resposta vai ser: "Exatamente!". Qualquer pessoa que crê na Bíblia pode verificar facilmente que Paulo, no capítulo 2 do livro de Romanos, vai falar que até mesmo os descrentes possuem uma lei moral escrita nos seus corações. Ele capacitou todos a conhecerem o que é certo e o que é errado. Ser um filantropo é correto; torturar bebês por diversão é errado. Preservar o meio ambiente é correto; estuprar uma mulher é sempre errado. A pergunta certa, então, seria: “De onde vem essa coisa chamada ‘moral objetiva’? Qual a base, o alicerce para essa moral? Qual a melhor explicação para a origem e a existência dela?”. 
Deus é a única explicação para os padrões morais objetivos. Para que existam enunciados morais universais conhecidos por todos os homens em todas as culturas, em todas as épocas, a única explicação plausível é a de que um Legislador universal tem imposto tais valores, do contrário, o estupro só seria errado se o próprio estuprador achasse que era errado. Ou então ele poderia apenas repetir a outra velha frase que a gente sempre ouve: “É errado para você, mas não é errado para mim”. O cristão, portanto, não é moral por medo ou por fraqueza. Apenas reconhecemos, em sóbrio diagnóstico, que o homem não é a medida de todas as coisas.


quarta-feira, 21 de janeiro de 2015

A Lei e o espelho - Por Denis Monteiro


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Todas as vezes que olhamos para um espelho vemos coisas que não gostaríamos de ver, como por exemplo, que a velhice se aproxima, que estamos um pouco mais gordo, magro demais ou que estamos cheios de espinhas. Ou seja, na maioria das vezes o espelho revela quem somos realmente. Mas há espelhos que refletem mentiras. Existem aquelas casas de espelhos, as quais existiam em parques de diversões que, quando entravamos nessas casas nós não nos víamos de forma verdadeira, mostrando-nos mais altos ou mais baixos do que somos, mais gordos ou mais magros do que somos, ou seja, sempre mentindo. Sendo assim, o estado que o homem vive dentro dessa casa é de engano. 
O domingo -  Dia do Senhor, no Catecismo de Heidelberg, nos mostra que há uma coisa que reflete quem somos verdadeiramente: A Lei de Deus. 
O 2º Dia do Senhor nos mostra:
P.3. Como é que você sabe dos seus pecados e miséria?R. Pela lei de Deus.P.4. O que a lei de Deus exige de nós?R. É isso o que Cristo nos ensina resumidamente em Mateus 22.37-40: “Amarás o Senhor, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os Profetas”. P.5. Você consegue guardar tudo isso perfeitamente?R. Não. Sou, por natureza, inclinado a odiar a Deus e ao meu próximo.
Da mesma forma que nos aproximamos de um espelho para nos ver a cada dia, também deve ser a nossa aproximação diante da Lei de Deus para nos analisar todos os dias. O problema é que o espelho não consegue arrumar aquilo que ele revela. Assim também é a Lei, ela mostra o diagnóstico, mas ela, por si mesma, não consegue expiar a nossa culpa. 
É interessante que quando falamos da Lei de Deus, algumas pessoas  falam do amor. Temos que pensar mais no amor e amar mais as pessoas, mas será que nós conseguimos? Veja o que Jesus disse:
Jesus disse-lhe: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. Este é o primeiro e grande mandamento. E o segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem toda a lei e os profetas.” (Mt 22.37-41)
E, respondendo ele, disse: Amarás ao Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todas as tuas forças, e de todo o teu entendimento, e ao teu próximo como a ti mesmo. E disse-lhe: Respondeste bem; faze isso, e viverás.” (Lc 10.26-27). 
Quando a Bíblia mostra que devemos amar a Deus e ao nosso próximo como a nós mesmos, isso nos mostra que somos derrotados e miseráveis e que não amamos a nós mesmos. Pois, quem aqui ama a Deus sobre todas as coisas? Quem nunca disse para alguém, em um tom de exclusividade humanística “você é o amor da minha vida”; “você era aquilo que me faltava”; “você completou o vazio que havia dentro de mim”? Se estas palavras não forem uma declaração sincera para Deus, mas para uma pessoa, de forma que alguém venha a tomar o lugar de adoração exclusiva” dentro do nosso coração, isso é idolatria e já quebramos os primeiros quatro mandamentos. E, consequentemente, não conseguiremos cumprir todo o resto, porque se tropeçarmos em um só ponto, nos tornaremos culpados de todos (Tg 2.10). 
Por isso, como diz o Catecismo, baseado na Palavra de Deus, nós não conseguimos cumprir a Lei de Deus perfeitamente. Então, se queremos desfrutar desse conforto, como diz o primeiro Dia do Senhor, em saber que não pertencemos a nós mesmos, como diz o próprio Catecismo, devemos conhecer como são grandes os nossos pecados (DS 1, PR 2). Mas, da mesma forma que a Lei aponta o nosso pecado, ela aponta para Cristo e nos leva até Ele, porque Ele conseguiu cumprir toda a Lei perfeitamente. 
Que nós possamos a cada dia nos aproximar mais de Cristo e depositar a nossa confiança nele, entendendo que é pela graça de Deus que estamos aqui, e por isso adoremos a Deus. Amém. 
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Fonte: Bereianos

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

Palavras: a vida e a morte na ponta da língua - Por Leonardo Dâmaso







Texto base: Provérbios 18.21
INTRODUÇÃO
A palavra provérbio significa “ser como”. Basicamente, um provérbio é uma sentença em poucas palavras que expressa grandes verdades. Os provérbios são declarações (ou ilustrações) morais simples que ressaltam e ensinam a realidade da vida.
Todavia, o livro de Provérbios retrata em forma de comparações a vida cotidiana com suas verdades mais profundas. Os provérbios são diretrizes práticas, ou seja, princípios básicos de Deus para que o homem os observe. Em outras palavras, são “ditos práticos” criados para levar os homens a refletir sobre o temor de Deus e viver a vida estabelecida pelo padrão da sabedoria divina.
Não obstante, duas características comuns no livro de Provérbios é o emprego da linguagem figurada e o uso extensivo de paralelismos. Os assuntos incutidos em provérbios não costumam seguir uma ordem sequencial em seções como é usualmente no Novo Testamento. Por vezes, um mesmo assunto não é trado apenas em um capítulo ou trecho, mas em outros capítulos em diversos trechos. Por isso, 5 cuidados devem ser tomados ao interpretar o livro de Provérbios:
1) Traçar o paralelismo, ou seja, encontrar o assunto tratado em outros capítulos do livro. 2) Identificar as figuras de linguagem e parafrasear o pensamento ali contido sem as figuras para que haja o entendimento correto. 3) Resumir a lição transmitida pelo provérbio em poucas palavras. 4) Descrever a orientação ensinada. 5) Encontrar outros exemplos do provérbio em voga em outras partes da Escritura.
De forma breve, senão vejamos algumas informações necessárias sobre o livro de provérbios que devem ser ressaltadas.          1. O autor do livro de Provérbios
O título de provérbios na bíblia hebraica e na septuaginta [versão grega do Antigo Testamento] é “Provérbios de Salomão”. Esta expressão não afirma absolutamente a autoria, mas define especificamente o título do livro.
Todavia, Salomão foi um dos reis de Israel. Ele sucedeu o seu pai Davi no trono, após sua morte. Salomão governou Israel de 971 a 931 a.C.. É mencionado na Escritura que ele recebeu grande sabedoria de Deus (veja 1Rs 4.29-34), sendo o homem mais sábio que já existiu em toda a história.
Uma vez que Salomão é indubitavelmente o autor da seção didática que abrange os capítulos 1–22.16, por outro lado, é bem provável que ele seja apenas o compilador “das orientações dos sábios”, que abarca os capítulos 22.17–24.34, que pertencem a uma data incerta anterior ao reinado de Salomão.
A compilação dos capítulos 25–29 foi escrita por Salomão (25.1), porém copiada e incluída mais tarde pelos homens de Ezequias, o rei de Judá (715-686 a.C.). Os provérbios de Salomão foram escritos antes dele se afastar de Deus (1Rs 11.1-11), e reunidos em sua forma final na época do rei Ezequias ou pouco depois, os quais foram preservados pelo ensinamento oral. 
2. A data em que o livro de Provérbios foi escrito
A maior parte do livro de provérbios reporta ao século 10 a.C., no período da monarquia em Israel. A paz e a prosperidade que caracterizaram o período eram bem adequadas para o desenvolvimento da sabedoria reflexiva e para a produção de obras literárias. De acordo com vários estudiosos, os ditados dos sábios, em 22.17–24.22, têm semelhanças com as 30 seções da Sabedoria de Amenemope, obra sapiencial egípcia mais ou menos da mesma época de Salomão.
De igual forma, a personificação da sabedoria, tão realçada nos capítulos 1–9, pode ser comparada com a personificação de ideias abstratas contidas na literatura da Mesopotânia e do Egito no segundo milênio a.C.. Tais obras eram bastante conhecidas pelo povo de Israel. Assim, várias seções de provérbios foram compiladas e editadas entre 715 e 686 a.C.            3. O público do livro de Provérbios
Conforme é dito no prólogo 1.1-5, o livro de provérbios não foi escrito e designado somente aos simples, aos jovens da corte do rei e aos sábios. Antes, o livro de Provérbios foi endereçado a todos os crentes de todas as épocas.  
4. O propósito do livro de Provérbios
A razão do livro de provérbios é ensinar a prudência aos simples, transmitir conhecimento e bom senso aos jovens inexperientes e aperfeiçoar o conhecimento dos sábios. Tudo isso através de inúmeras orientações positivas e negativas que devem ser praticadas no dia a dia (veja, como exemplo, 1.8,10; 2.1; 3.1,5; 4.1; 5.1).  
5. O tema do livro de Provérbios
Vários temas importantes são destacados em provérbios. Estes temas são apresentados aleatoriamente e tratados em diferentes tópicos. Assim, vemos no livro de provérbios assuntos que envolvem:
    a) O nosso relacionamento com Deus, o qual é caracterizado pela nossa confiança (22.19); pela nossa humildade (3.34); pelo temor a Deus (1.7); pelo nosso pecado pessoal (28.13); pelas provações que passamos (17.3), etc.
     b) O nosso relacionamento individual, o qual é marcado pelo nosso caráter (20.11); por nossas palavras (18.21); pelo nosso autocontrole (6.9-11); pelo nosso orgulho (27.1); pela nossa ira (29.11); pela nossa preguiça (13.4), etc.
      c) O nosso relacionamento com os outros, o qual é demonstrado pelas nossas amizades (17.17); pelos nossos inimigos (16.7); pela nossa honestidade (23.23); como pai que somos (20.7; 31.2-9); como mãe que as mulheres são (31.10-31); como filho que somos (3.1-3); na educação de nossos filhos (4.1-4); na disciplina deles (22.16), etc.
6. O reflexo do livro de provérbios no Novo Testamento 
Há evidências de que o Senhor Jesus, Pedro e Paulo fizeram alusões e extraíram citações de provérbios para seus ensinos práticos.
     a) A influência do livro de provérbios nos ensinos de Jesus
As palavras de Jesus censurando os fariseus e escribas que desejavam por vaidade os primeiros lugares nos banquetes e nas sinagogas, em Mateus 23.6-7 e Lucas 20.46-47 estão intimamente relacionadas com Provérbios 25-6-7.            A parábola do rico insensato, descrita em Lucas 12.15-20, está retratada em Provérbios 27.1. A parábola dos dois construtores, em Mateus 7.24-27, têm como base Provérbios 14.11. É importante salientar que toda a sabedoria contida no livro de Provérbios está personificada e escondida no Senhor Jesus (1Co 1.30; Cl 2.3); ou seja, Jesus é a própria sabedoria divina! 
     b) A influência do livro de provérbios nas cartas de Pedro
Ao que parece, Pedro foi o escritor do Novo Testamento que mais fez alusões ao livro de provérbios em suas cartas. Podemos notar isso comparando 1 Pedro 2.17 com Provérbios 24.21; 1 Pedro 3.13 com Provérbios 16.17; 1 Pedro 4.8 com Provérbios 10.12; 2 Pedro 2.22 com Provérbios 26.11.
     c) A influência do livro de Provérbios nas cartas de Paulo
Paulo também fez uso de Provérbios, citando o capítulo 25.21-22 em sua carta aos Romanos 12.20, e provérbios 8 em 1 Coríntios 1.24. 

Explanação
1. As palavras são um dom inefável de Deus
As palavras, além de ser um meio de comunicação, é, sobretudo, um dom de Deus. A linguagem não é um produto da cultura que as pessoas adquirem da mesma forma que distinguem as demais coisas no mundo, como entender a política, o método de se administrar uma empresa, como é feita a pintura de um carro, dentre outras coisas.
Antes, as palavras ou a capacidade da fala é uma parte distinta da constituição biológica do cérebro criada por Deus para os homens e mulheres fazerem uso de modo apropriado. Portanto, as figuras aplicadas às palavras no livro de provérbios demonstram o valor desse dom divino que não apenas deixamos de utilizá-lo como é devido, como também desperdiçamos e abusamos dele constantemente.
2. O poder das palavras
Aquilo que dizemos às pessoas ao nosso redor pode causar efeitos positivos e negativos. O conteúdo de nossas palavras pode fazer bem ou mau àqueles que nos ouvem. Acerca disso, Provérbios 18.21 ressalta: A morte e a vida estão no poder da língua; o que bem a utiliza come do seu fruto.
Segundo os adeptos da confissão positiva triunfalista ou do ato de profetizar e determinar bênçãos, isto é, os pentecostais e neopentecostais, este texto faz alusão ao poder que existe na palavra, na declaração verbal. Se alguém profere palavras negativas para si mesmo e para os outros, ambos irão obter efeitos negativos na vida.
Da mesma forma, se alguém profere palavras positivas para si mesmo e para os outros, ambos irão obter efeitos positivos na vida. Contudo, esta não é a interpretação adequada. Este segundo provérbio do bloco maior (18.12-21) que, além de fazer par com o primeiro (18.20), o complementa. Os dois provérbios acentuam a cautela no falar e os efeitos saudáveis e prejudiciais de cada palavra proferida. O discurso benéfico produz resultados que favorecem quem fala; o discurso nocivo produz resultados que prejudicam quem fala.           Nessa mesma linha de pensamento, Antônio Pereira da Costa Junior escreve:
Este versículo explica que devemos ter o cuidado de que nossas palavras não venham a nos trazer situações embaraçosas. Temos que saber como dizer as coisas, pois certamente colheremos situações que são causadas por nós mesmos. No entanto, este versículo não dá margem para dizer que são as palavras em si que nos dá o controle das circunstâncias da nossa vida. São situações específicas e não o destino do ser humano que é traçado pela verbalização dos nossos desejos interiores. 
Senão vejamos dois conceitos de vital importância acerca do poder que as palavras possuem no livro de Provérbios.           a) As palavras têm o poder de expressar o mal
     i. As más palavras divulgam a mentira
A mentira é a transgressão do nono mandamento descrito em Êxodo 20.16. Provérbios 12.22 declara: Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor. Mas o que agem fielmente são o seu prazer. De modo mais claro – O Senhor Deus detesta os mentirosos, porém ama os que dizem a verdade. (NTLH)
Portanto, Salomão, aqui, censura à mentira. Quando não se pode mais confiar nas palavras por causa da mentira, a sociedade começa a se desintegrar. Os contratos são inúteis, as promessas são vazias, o sistema judiciário se torna uma farsa e todos os relacionamentos pessoais são suspeitos (Ef 4.25). 
     ii. As más palavras são promotoras de fofocas
Em Levítico 19.16, Deus ordena ao seu povo para que não ande com mexeriqueiros, isto é, pessoas que propagam fofocas. O termo mexeriqueiro (popularmente fofoqueiro) é uma tradução da palavra hebraica que significa andar por toda parte, provavelmente derivada de uma palavra que traz a ideia de um “comerciante” ou “mascate”.
O mexeriqueiro refere-se a alguém que divulga escândalos, que profere palavras com a deliberada intenção de ferir ou magoar, e não apenas como quem fala sem pensar. Assim, não é bom que tenhamos laços de amizade com pessoas ardilosas (Pv 20.19).  
Todavia, o “fofoqueiro” é uma pessoa maliciosa que anda por toda parte propagando intrigas. Provérbios 11.13 diz: O mexeriqueiro descobre o segredo, mas o fiel de espírito o encobre.
O “fofoqueiro” é alguém que fala demais! Por isso, ele acaba descobrindo segredos alheios. Pessoas ingênuas costumam confiar demais nas pessoas. Não é bom confiar em uma pessoa sem que ela tenha demonstrado que seja alguém de confiança. A pessoa de bom senso (ou discreta) evita revelar seus segredos e planos para qualquer um. Desse modo, devemos ter cuidado com os “fofoqueiros”, pois são pessoas que podem fazer grandes estragos com suas intrigas.  
     iii As más palavras despertam a ira
Provérbios 29.22 – O iracundo levanta contendas, e o furioso multiplica as transgressões.” Ou seja, o homem irado provoca brigas, e o de gênio violento comete muitos pecados. (NBV)
Ao invés de tentar resolver de maneira pacífica uma situação prestes a gerar uma briga, a pessoa colérica, isto é, irada, coloca lenha na fogueira para que aconteça a briga, quer seja de natureza verbal ou corporal (Pv 26.21; 29.22; 15.1). Muita gente tem o coração eivado pela raiva, mas exteriormente finge estar em paz com as pessoas ao redor encobrindo sua raiva com palavras hipócritas (Pv 26.23).
Se interiormente estamos com raiva de alguém, todas as nossas manifestações e declarações copiosas de amizade e amor não passam de um “verniz fino sobre barro comum”. Em outras palavras, estamos encobrindo o que há de pútrido dentro de nós com o veludo mais fino (tecido de seda, algodão ou lã macio).           iiii. As más palavras destroem vidas
Se as palavras são usadas de modo negativo, a consequência será negativa. As palavras, não usadas adequadamente para a glória de Deus, podem arruinar vidas ao nosso redor (veja Tg 3.5-12).
Tiago apresenta algumas analogias para descrever a natureza da língua. Primeiro, ele utiliza a analogia do fogo para enfatizar o poder destrutivo da língua (vs.5-8); segundo, ele compara a língua como um veneno de uma cobra peçonhenta que pode “matar” quem for atacado por ela (vs.8). No trecho composto pelos versículos 9-12, Tiago mostra a incongruência no uso da língua através de três ilustrações da natureza (um rio de água doce, árvores e o mar).
A pessoa que utiliza as palavras de forma indevida amaldiçoando ou praguejando o seu próximo peca contra Deus infringindo os preceitos das Escrituras. Embora seja um órgão pequeno, a língua tem o poder de controlar toda a vida da pessoa e influenciar todas as esferas da vida (Pv 11.9a).
b) As palavras têm o poder de expressar o bem
      i. As boas palavras promovem a paz
Provérbios 15.1a salienta que a resposta branda desvia o furor. Em outras palavras, a resposta delicada acalma o furor, mas a resposta dura aumenta a raiva.” (NTLH)
O versículo 1 dá prosseguimento ao que foi dito anteriormente no capítulo 14.35. Salomão instrui o servo a afastar a ira do rei através de uma resposta flexível e adverte o rei a não empregar palavras pungentes, ou seja, palavras permeadas de agressividade contra a incompetência do servo negligente, para que a ira que provoca infortúnios seja evitada. A resposta suave não distorce a verdade (vs.2); antes, embeleza a verdade ainda mais. A resposta dura, por sua vez, tende a divulgar a estupidez ao invés do conhecimento (vs.2). 
      ii. As boas palavras propagam a sabedoria de Deus
Provérbios 15.7 – A língua dos sábios derrama o conhecimento, mas o coração dos insensatos não procede assim.
Provérbios 16.21 – O sábio de coração é chamado prudente, e a doçura no falar aumenta o saber.
Apesar de haver muitas coisas boas e proveitosas para aprender na vida, a mais importante de todas é a sabedoria de Deus encontrada em sua Palavra (Pv 8.6-8). O principio da sabedoria é: Adquire a sabedoria; sim, com tudo o que possuis, adquire o entendimento” (Pv 4.7).
Depois de adquirirmos sabedoria, devemos compartilha-la com outros, pois - Nos lábios do prudente, se acha sabedoria” (Pv 10.13). Quer sejam pais ensinando seus filhos (Dt 6.1-13), mulheres mais velhas ensinando as mais jovens (Tt 2.3-5), ou os mestres da igreja ensinando os cristãos e a próxima geração que irá substituí-los (2Tm 2.2), a instrução correta é primordial (Pv 10.31a; 15.7a; 16.21).
Warren Wiersbe acentua com propriedade que varias pessoas que se dizem cristas são espiritualmente analfabetas quando se trata dos fundamentos da vida crista. Precisamos encarecidamente de homens que obedeçam a 2 Timóteo 2.2 e de mulheres que obedeçam a Tito 2.3-5; do contrario, teremos uma igreja ignorante.
      iii. As boas palavras colaboram para a restauração daqueles que pecaram
Provérbios 25.12 afirma: Como pendentes e joias de ouro puro, assim é o sábio repreensor para o ouvido atento.” Não é uma tarefa fácil exortar negativamente alguém que está equivocado. Devemos admoestar tal pessoa com mansidão e amor (Cl 6.1), e não com aspereza.
Adular os que estão sendo negligentes com suas responsabilidades na igreja e os que estão desobedecendo a Palavra de Deus vivendo na prática deliberada do pecado corrobora ainda mais o pecado e ainda nos torna cúmplices dos transgressores.
Provérbios 28.23 assevera: O que repreende ao homem achará, depois, mais favor do que aquele que lisonjeia com a língua. Conforme traduziu a NVB: Quem repreende o próximo acabará ganhando um amigo, mas quem faz elogios mentirosos será desprezado. 
Em Mateus 18.15-20, Jesus explica o procedimento para ajudar a restaurar um irmão ou irmã que pecou. Em primeiro lugar, devemos ter uma conversa confidencial com o transgressor, confiando que Deus pode mudar o coração da pessoa. Se isso falhar, devemos tentar novamente, dessa vez, acompanhados de testemunhas.
Caso isso também falhe, aquilo que era confidencial deve se tornar público, e a igreja deve ser informada acerca da situação. Se o transgressor se recusar a dar ouvidos a igreja, deve ser excluído como se não fosse cristão. É evidente que, ao longo desse processo, devemos estar sempre em oração fervorosa, buscando o auxilio de Deus para nós e também para aqueles que estão tentando ajudar alguém na restauração. 
Provérbios 10.17 ratifica: O caminho para a vida é de quem guarda o ensino, mas o que abandona a repreensão anda errado. 
      iiii. As boas palavras ditas no momento oportuno podem solucionar inúmeros problemas
Quando proferimos palavras de consolo e ânimo no momento apropriado para quem está sofrendo, tais palavras produzem força e motivação para o fraco, abatido e desanimado.
Provérbios 12.25 – A ansiedade no coração do homem o abate, mas a boa palavra o alegra. 
Provérbios 25.11 – Como maçãs de ouro em salvas de prata, assim é a palavra dita a seu tempo.  
Contudo, se dissermos aquilo que não deveria ser dito, por não ser o momento para tais palavras, serão apenas meras palavras de quem fala demais e não têm discernimento de quando deve falar!
Provérbios 15.23 – O homem se alegra em dar resposta adequada, e a palavra, a seu tempo, quão boa é!

Conclusão
Visto sobre o poder que as palavras possuem e que elas podem expressar bondade e maldade, e causar edificação e perturbação, como saber utilizar as palavras? Como fazemos o bom uso das palavras? Senão vejamos:
1) Pense antes de falar 
Analise primeiro o conteúdo de suas palavras antes de proferi-las. Não é bom falar tudo o que vem à mente. Fazendo isso, poderemos cometer muitos erros e causar muitos infortúnios a nós mesmos e ao nosso próximo.
Provérbios 15.28 – O coração do justo medita o que há de responder, mas a boca dos perversos transborda maldade. 
2) Evite o excesso de palavras
O tagarela afasta as pessoas ao seu redor. Geralmente as pessoas não gostam de relacionar-se socialmente com pessoas que falam muito. Não é bom falarmos muito. Devemos ser moderados no falar. Quanto menos falamos, menos risco de pecar com as palavras. Há tempo de estar calado e tempo de falar (Ec 3.7), e os sábios percebem quando devem ficar quietos (Pv 17.28).
Provérbios 10.19 – No muito falar não falta transgressão, mas o que modera os lábios é prudente.
Provérbios 13.3 – O que guarda a boca conserva a sua alma, mas o que muito abre os lábios a si mesmo se arruína.
Salmo 141.3 – Põe guarda, Senhor, a minha boca; vigia a porta dos meus lábios.  
3) Evite as palavras impetuosas
As palavras precipitadas não apenas fazem mal a outros como também podem prejudicar aqueles que as proferem.
Provérbios 12.18 – Alguém há cuja tagarelice é como pontas de espada, mas a língua dos sábios é medicina.
Provérbios 29.20 – Tens visto um homem precipitado nas suas palavras? Maior esperança ha para o insensato do que para ele.
4) Fale com honestidade
Devemos falar palavras que promovem o que realmente somos por dentro. Jesus, censurando a hipocrisia dos líderes religiosos de seu tempo no falar coisas más, disse em Mateus 12.34 que a boca fala do que o coração está cheio. Assim como os líderes religiosos da época de Jesus, podemos falar algo de nós mesmos, o que somos e fazemos externamente, mas que interiormente não somos nada do que falamos.  
Através da sabedoria das Escrituras, saberemos utilizar as palavras certas e saberemos o momento propício para falarmos para a glória de Deus e para a promoção da bondade e da edificação do nosso próximo nos relacionamentos interpessoais.
***Fonte: Bereianos

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Lições Fundamentais dos Puritanos - Por – Joel Beeke


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Conjuro-te, perante Deus e Cristo Jesus, que há de julgar vivos e mortos, pela sua manifestação e pelo seu reino: prega a palavra, insta, quer seja oportuno, quer não, corrige, repreende, exorta com toda a longanimidade e doutrina. Pois haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos; e se recusarão a dar ouvidos à verdade, entregando-se às fábulas. Tu, porém, sê sóbrio em todas as coisas, suporta as aflições, faze o trabalho de um evangelista, cumpre cabalmente o teu ministério. (2Tm 4:1-5)
O que você pode aprender dos Puritanos para seu ministério e sua vida pessoal? Quero delinear rapidamente sete lições fundamentais para nossas próprias vidas e mais sete para os ministros da Palavra.
Mas antes, quem foram os Puritanos? Na história da Igreja, quando temos um avivamento em uma geração, há sempre o perigo de a próxima geração ignorar as verdades pregadas, não dando o devido valor. Os Puritanos foram uma reação a esta geração que veio depois da geração dos reformadores, sendo um movimento que se deu no fim do século XVI até o começo do século XVIII.
Os Puritanos construíram em cima da teologia dos reformadores, buscando aplicá-la a todos os aspectos da vida e, assim, purificar a família e a igreja. Eles enfatizaram (1) a necessidade da restauração da pregação, (2) a necessidade de piedade pessoal e bíblia que acompanha a pregação e (3) a necessidade de restauração da pureza do culto público.
Por causa da profundidade dos livros escritos, nos últimos 50 anos têm surgido um novo interesse pelos livros e pela a teologia dos Puritanos.
  • Sete Lições Fundamentais dos Puritanos para nossa Vida Pessoal

Leitura Bíblia
Eles chamavam a Bíblia de o Livro Vivo, a Biblioteca do Espírito Santo. Eles acreditavam que Deus os transformava através da Bíblia. Eles ensinavam seus filhos a ler a fim de lerem a Bíblia e o alfabeto através de exemplos bíblicos. Eles guiavam tudo em suas vidas pelas Escrituras.
Você tem vivido a sua vida moldada pela Bíblia ou você decide o que você irá crer e obedecer das Escrituras? Você deixa de lado aquilo que você discorda na Palavra ou a coloca como regra para a vida?
Oração
Os Puritanos oravam em suas devocionais diárias, mas também buscavam orar sem cessar, tornando as ações corriqueiras da vida em oração. Por exemplo: quando se vestiam, oravam sobre serem cobertos pela justiça de Cristo.
Os puritanos entendiam que a oração era algo trinitariana. Expressaram isso através de uma corrente: a verdadeira oração nasce na eternidade no coração do Pai, recebe seu mérito através da morte de Cristo, é orada pelo cristão através do Espírito, que a leva até Cristo, o qual a retorna para o Pai.
Os puritanos não se contentavam com orações rasas. Que isso nos incentive a orar.
Meditação
Um sermão meditado é melhor que mil sermões engolidos sem meditação.
Provações
Os puritanos falaram muito sobre provações. A atitude que eles tinham era bem diferente das que temos atualmente. Eles não desejavam um feliz ano novo, no sentido de alguém não ter problemas, mas um ano novo abençoado, desejando que eles pudessem passar por toda e qualquer prova que Deus trouxesse de forma submissa.
Jonh Bunyan disse: “O povo de Deus é como sinos; quanto mais forte lhes baterem, melhor será o som”.
Repreender o Orgulho
Os puritanos tinham um ódio especial pelo orgulho, pois sabiam que Deus odiava de forma especial o orgulho. O orgulho é um ataque contra Deus que eleva nosso coração acima de Deus e busca se entronizar. Jonathan Edwards dizia que o orgulho é como uma cebola – quando pensamos que tiramos uma camada, encontramos outra.
John Bunyan disse a uma mulher que elogiou seu sermão: “você é a segunda pessoa que disse isso; o primeiro foi o diabo”.
Depender do Espírito Santo
Os Puritanos nos ensinam a como depender do Espírito Santo. Thomas Watson afirmou que o pregador pode bater na porta, mas é o Espírito que a abre, mostrando que o ministro sempre deve se lembrar que é o Espírito que converte pecadores através da pregação da Palavra. Eles diziam que em toda pregação havia dois ministros: o pregador é o ministro externo e o Espírito Santo o interno.
Como viver em dois mundos
Os puritanos diziam que nós temos dois olhos: um deve estar na eternidade e um no tempo.
  • Sete Lições Fundamentais dos Puritanos para nossa Vida Ministerial

Pregação
Os puritanos nos ensinam a acreditar na pregação. Eles acreditavam que Deus usava cada sermão.
Doutrina com Prática
Eles acreditavam na união da doutrina com a prática. Nos sermões eles buscavam alcançar as mentes com clareza (expondo as Escrituras de forma simples e metódica – Eles acreditavam que o cristianismo sem mente criaria um cristianismo sem coluna), a consciência com firmeza (muitos hoje pregam sem a intenção) e o coração com paixão (eles mostravam Cristo como desejável e atraiam o pecador a Cristo). Pela mente, através da consciência eles chegavam ao coração e levavam o pecado a Jesus Cristo, pela benção do espirito Santo.
Piedade Prática
Os puritanos enchiam suas pregações de aplicações para vários tipos de públicos: crente, não crente, desviados, novos crentes, etc. Eles faziam um aconselhamento espiritual do púlpito.
Pregar experiencialmente
Os puritanos nos ensinam a pregar de forma que as doutrinas fossem experimentadas na alma.
Era como se estivessem iluminando cada verso da Bíblia procurando Jesus para exaltá-lo. “Pregue um Cristo, por Cristo, para o louvor de Cristo”, assim termina um livro de homilética dos puritanos.
Equilíbrio Bíblico
Manter o equilíbrio entre o evangelho objetivo e a experiência subjetiva, a soberania de Deus e a responsabilidade do homem.
Catequese
Os puritanos nos ensinam a importância de catequisar a igreja e as crianças. Comumente eles iam às casas dos crentes para ensinar como se faz um culto doméstico e ensinar os pais a educarem os filhos.
O que aprendemos dos Puritanos acima de tudo é essa espiritualidade abrangente. Eles não foram perfeitos, mas, hoje, nos apontam para uma vida piedosa, tendo nossos olhos na eternidade. Temos muitos para aprender com eles e muito para segui-los no que eles seguiram a Cristo, aplicando seus ensinos à nossa geração, para a glória de Deus e pelo bem de cada alma, através de Cristo.
Fonte: Voltemos ao Evangelho

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

Dando a Deus as nossas primícias - Por Pr. José Miranda


A história relata que os homens que mais fizeram para Deus neste mundo dobravam cedo seus joe­lhos. Aquele que joga fora o início da manhã, sua oportunidade e frescor, perseguindo outras coisas ao invés de buscar a Deus fará pobre progresso no sentido de buscá-lo o resto do dia. Se Deus não é o primeiro em nossos pensamentos e esforços pela manhã, ele estará em último lugar no resto do dia.
Por trás do levantar cedo e cedo orar está o desejo ardente que nos preme no pro­pósito de buscar a Deus. O sono profundo pela manhã é indício de um coração em sono profundo. Diziam os puritanos do séc. XIV; O coração que é tardo em buscar a Deus pela manhã perdeu seu prazer por Deus. O coração de Davi ardia por buscar a Deus. Ele tinha fome e sede de Deus, e por isso ele buscou a Deus cedo, antes da luz do dia. A cama e o sono não puderam encar­cerar sua alma em sua ânsia por Deus. Cristo almejou comunhão com o Pai; e por isso levantava-se muito antes que fosse dia, e ia ao monte orar. Os discípulos, quando com­pletamente despertos e envergonhados de sua indolência, sabiam onde encontrá-lo. Nós poderíamos seguir a lista dos homens que impactaram poderosamente o mundo para Deus, e iríamos encontrá-los buscando-o logo cedo: “De manhã, Senhor, ouves a minha voz; de manhã te apresento a minha oração e fico esperando” – Sl 5.3

Queridos irmãos, um desejo por Deus que não quebra as cadeias do sono é algo fraco e fará muito pouco por Ele depois que tiver satisfeito completamente a si mesmo. O desejo por Deus que mantém a distância tanto o diabo quanto o mundo no início do dia nunca será es­cravizado.