sábado, 16 de fevereiro de 2013

A Nossa Busca



A Nossa Busca –   Por Pr. J Miranda
Buscamos naturalmente o que deseja o nosso coração
O desejo de ser como o mundo é suicida. O coração que arde por prazeres, por ganancia não está buscando a Deus. Tal coração é a raiz de todos os males. A Bíblia diz que devemos seguir “a justiça, a piedade, a fé, o amor”. Jesus disse: “Buscai, pois, em primeiro lugar, o seu reino” (Mt 6.33). Nossa busca na vida não é a de ficarmos ricos em matérias e sim espiritual. Nossa paixão na vida é sermos puros, santos, amáveis e consagrados à obra de Cristo. Se estamos em correria desenfreada por coisas matérias, por coisas que roubam-nos do Senhor, não temos “fome e sede de justiça” (Mt 5.6). É norteado por um amor ao mundo; e é mortal porque o mundo e tudo o que nele há passarão queridos (I Jo 2.17).
Acautele-se:
Onde está o teu tesouro, aí estará também o teu coração. Mateus 6.21. O desejo das coisas matérias estão acima do princípio de Deus para nós. A Igreja não pode caminhar para satisfazer os desejos carnais. A Bíblia nos adverte que esse caminho é caminho escorregadio. Lembremo-nos que essas advertências vem dos profetas: Não entres no caminho dos ímpios, nem Andes pelo caminho dos maus. Evita-o, não passes por ele; desvia-te dele e passa de largo”. Provérbios 4.14,15.
Amados, somos chamados pelo Senhor para sermos Seus seguidores (“Porque nenhum de nós vive para si mesmo,” Rm 14.7), propriedade exclusiva do Pai (“Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus.”1Pe 2:9) e esta condição de vida não nos permite dar lugar aos costumes comuns àqueles que desconhecem os princípios e não obedecem aos preceitos do Senhor (“Porque as pessoas que vivem de acordo com a natureza humana têm a sua mente controlada por essa mesma natureza.” Rm 8.5a). Onde está a sua busca?

sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Irreverentemente Patriarcal - por: Steve M. Schlissel



        Totalmente patriarcal, do princípio ao fim. Como o amor e o casamento, a Bíblia e o patriarcalismo andam juntos. Qualquer tentativa de abandonar o governo dos homens precisa começar com a renúncia do governo de Deus, isto é, a Santa Bíblia.
As Escrituras são especialmente direcionadas aos homens. Todo cristão atencioso – homem, mulher e criança – sabe muito bem que ao se dirigir aos homens, Deus está se dirigindo a todos. Pois o homem é a cabeça nas diversas esferas pactuais e ao se dirigir aos homens, Deus deixa claro o que ele pensa sobre “linguagem inclusiva”.
Por exemplo, nos Dez Mandamentos, Deus ordena: “Não cobiçarás a mulher do teu próximo”. Ele não precisa repetir este mandamento de forma adaptada para as mulheres. Não que as mulheres sejam imunes da possibilidade de cair nesta tentação, mas porque, tendo falado com o homem, o mandamento se aplica a todos conforme sua posição.
Segundo Deuteronômio 16.16, os homens tinham a obrigação de comparecer três vezes por ano diante do Senhor (apesar das mulheres terem permissão de ir e frequentemente iam: 1Sm 1; Lc 2.39). Em Deuteronômio 29, o pacto é estabelecido especialmente com os homens israelitas: “Vós todos estais hoje perante o Senhor vosso Deus: os vossos cabeças, as vossas tribos, os vossos anciãos e os vossos oficiais, a saber, todos os homens de Israel, os vossos pequeninos, as vossas mulheres” (Dt 29.10-11).
No Novo Testamento, Mateus 14.21 registra que 5.000 homens foram alimentados (o que deveria ser em torno de 20.000 no total) e novamente restringe a contagem aos homens em Mateus 15.38 quando fala dos 4.000 que foram alimentados.
No Dia de Pentecostes, em Atos 2, Pedro é bem explicito (como o grego revela) ao falar dos “homensreligiosos”(v. 5), “homens judeus” (v. 14), “homens irmãos” (vs. 29,37). Estevão direcionou seu discurso aos “homens, irmãos, e pais” (7.2) e Paulo fez o mesmo (22.1). Em Romanos 11.4, Paulo significativamente acrescenta a palavra “homens” em sua citação de 1Reis 19.18: “Reservei para mim sete mil homens, que não dobraram os joelhos a Baal”. E quando o apóstolo João escreveu para as igrejas, ele especifica jovens homens e pais como seus destinatários. Novamente, essa é a linguagem inclusiva da Bíblia.
Sim, as feministas estão certas quando reconhecem que a Bíblia é irremediavelmente patriarcal, pois nela encontramos que os homens são nomeados presbíteros (sem exceção), juízes (com uma exceção interessante), profetas (com poucas exceções), sacerdotes e apóstolos (sem exceções). Além disso, tentar encontrar uma anja se manifestando de forma feminina é procurar em vão.
Evidentemente, isso tudo é extremamente incômodo para aqueles que acham que Deus e sua Palavra estão fora de sintonia com os próprios desejos. A resposta de professores que gostam de ser chamados de “feministas evangélicos” é encontrar uma maneira hermenêutica ou exegética de negar aquilo que é obvio.
Alguns, por exemplo, têm defendido o que chamam de “hermenêutica escatológica” em oposição a “hermenêutica protológica”. Basicamente, essa invenção vã defende que o Gênesis não estabelece a norma ética para a igreja e sim o céu, pois lá está nossa cidadania. Sendo assim, ainda que seja possívelque Eva tivesse algum papel de subordinação depois da queda (fazer com que feministas reconhecem pelo menos isso já é algo incrível!), nossa ética não flui do passado, mas do futuro. Como no céu não haverá macho ou fêmea (não pergunte sobre os 24 anciões ao redor do trono; simplesmente divirta os inovadores por um momento), devemos estar desenvolvendo as implicações desta verdade agora, na igreja e em todas as esferas, apagando distinções de papeis baseadas em sexo. Aparentemente, não passou pela cabeça desses espertalhões que para ser consistentes, eles devem, entre outras coisas, pedir que a igreja promova o fim completo do casamento neste mundo juntamente com o sexo!
Como Bavinck, Dabney e outros já disseram, somente os radicais permaneceram para a briga final, pois todas as tentativas de meio-termo fracassam por fraqueza. Sendo assim, devemos reconhecer que só existem realmente duas posições dignas de serem seriamente consideradas por um aprendiz: o feminismo consistente e o pactualismo bíblico consistente. E os dois lados reconhecem completamente que não é possível fazer com que a Bíblia ensine o que “feministas evangélicos” gostariam que ensinasse.
Já fazem mais de cem anos que Elizabeth Cady Stanton produziu “A Bíblia da Mulher”, na qual argumentou que o Judaísmo e o Cristianismo ortodoxo precisavam ser eliminados para que os ideais feministas (como seria chamado depois) pudessem triunfar. Sua intenção não era fazer com que a Bíblia parecesse menos “sexista”. Na opinião dela, isso seria impossível. Em vez disso, ela lutou para abolir a autoridade bíblica completamente, enfatizando o que julgava ser absurdo e contraditório.
A feminista contemporânea Naomi Goldenberg apresentou as premissas de Stanton à uma nova geração em seu livro, “A Troca dos Deuses”. “Muitas feministas de hoje não estão dispostas a rejeitar a tradição Judaico-Cristã de maneira tão completa. Então eles se voltam para a exegese com o objetivo de preservar os sistemas religiosos do Judaísmo e do Cristianismo. Preferem revisão à revolução”. Ela avisa às irmãs de batalha que isso é um empreendimento ilusório. “Jesus Cristo não pode simbolizar a libertação da mulher. Uma cultura que imagina sua divindade mais sublime como um homem, não é capaz de deixar que as mulheres se vejam como iguais aos homens”. Ela insiste que feministas precisam deixar Cristo e a Bíblia para trás.
A filósofa feminista Mary Daley usa uma linguagem mais violenta e fala sobre o Deus castrador. “Eu já sugeri que se Deus é homem então o homem é Deus. O patriarca divino castrará as mulheres enquanto ele tiver permissão para viver no imaginário coletivo”.
Theodore Letis (que já escreveu poderosamente sobre a raiz anticristã do feminismo) apropriadamente acusa comprometedores evangélicos e reformados: “É óbvio que todas as tentativas bem-intencionadas de evangélicos de ofuscar a ideia masculina da Divindade para apaziguar os feministas, longe de convencê-los, faz com que se tornem conspiradores nesta castração cósmica”. A luta por uma linguagem litúrgica “sexualmente neutra” provocou uma revisão em lecionários, saltérios (a Christian Reformed Church alterou o Salmo 1, “Bem-aventurado o homem…”, para “Bem-aventuras são…”), hinários e até traduções bíblicas foram revisadas.
Deus criou os homens para serem cabeças pactuais. A rejeição do patriarcalismo exige a rejeição da Bíblia e do Deus da Bíblia. Aceitar a Bíblia requer aceitar o patriarcalismo. Não é possível interpretar de qualquer outra maneira.
A má notícia é que o feminismo igualitário ficará pior e isso significa que as coisas irão piorar para mulheres e crianças, pois o patriarcalismo bíblico é a defesa mais segura das mulheres e crianças. A boa notícia é que o feminismo fracassará completamente, pois está fora de sintonia com a Palavra e o mundo de Deus. Você pode correr da verdade, mas não pode se esconder. E quando o juízo vier, montanhas caindo não serão suficientes para escondê-lo.
Uma das manifestações cômicas do anti-patriarcalismo é a tendência das mulheres de eliminar o sobrenome do casamento. “Nenhum homem vai me definir!” Mas, ao continuar com o sobrenome original, são simplesmente lembradas de que este foi o nome que a mãe recebeu do pai. E caso alguma feminista consiga fugir disso ao adotar o nome de solteira da mãe, só estarão retrocedendo uma geração, até a avó materna. Se continuarem irritadas, terão que retroceder até Eva para conseguir um nome que não veio de um papai. Mas, ainda assim, Eva recebeu seu nome de Adão (Gn 3.20).
Não há escapatória. Revolução não é fácil, não é mesmo? Mas, se submeter a Jeová é vida e paz. Graças a Deus: o Pai, o Filho e o Espírito Santo. Amém.

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

A Pena Capital e a Lei de Deus - Escrito por Solano Portela




"O que absolve o ímpio, e o que condena o justo, são ambos abomináveis ao Senhor". Provérbios 17.15
Introdução
A pena capital, ou pena de morte, é um assunto atual.  A sua validade tem sido discutida em todos os setores da sociedade.  À medida em que aumenta a incidência dos crimes violentos observamos muitos movimentando-se para que a pena capital seja instaurada em nosso sistema judiciário. [1]   As revistas semanais têm trazido reportagens constantes sobre a violência, relatando uma pressão cada vez maior das pessoas para a aplicação de punições mais severas. Uma dessas reportagens fala sobre a insegurança assustadora e relata: "Assassinatos brutais, estupradores frios e estatísticas assombrosas transformam a violência no maior temor do brasileiro". Indicando que o número de assassinatos ocorrentes em nossa sociedade "são de uma guerra civil", a reportagem mostra que o crescimento nos últimos 7 anos (97%) é espantoso. Atualmente, mais de 50.000 pessoas são assassinadas por ano em nosso país. "É uma estatística demoníaca", diz a revista. [2] Outra publicação, relata a reinstalação da pena de morte nos Estados Unidos, em 1976, indicando as discussões e estatísticas conflitantes existentes em relação à questão. [3] Já um ensaio publicado na revista Veja, faz troça com os que oram e lêem as Escrituras todos os dias e têm "Jesus sempre no coração", mas favorecem a pena de morte. [4]
Os evangélicos estão perplexos e divididos. Sabem que a violência tem raízes no pecado. Reconhecem a necessidade de que algo deve ser feito. Observam a lentidão e falta de resposta adequada da justiça e o seu afastamento dos princípios bíblicos. Por outro lado, verificam que muitos sentimentos dos que são a favor da pena de morte, na sociedade secular, são incompatíveis com a postura do cristão. Avaliam que não existe verdadeira "sede de justiça", mas um desejo baixo de vingança, ou de causar um mal maior ao criminoso do que o que foi feito à vítima. Outros, estão conscientes de suas obrigações na pregação do evangelho da vida, mas não separam as extensas responsabilidades do governo, perante Deus, das nossas obrigações individuais. Confundem a missão pessoal dos cristãos (de ir e pregar) com as atividades do governo (reconhecer os que praticam o bem e punir os que praticam o mal " Rm 13). Passam, portanto, a defender, para as instituições, determinações bíblicas que foram prescritas para as pessoas, para o indivíduo, não para os governos e governantes. Via de regra, extraem desse dilema um entendimento que não é coerente com os princípios de justiça estabelecidos por Deus para as nações, nem com o apreço e seriedade que as Escrituras dão à vida humana. Assim fazendo, alinham-se, em sua grande maioria, com os oponentes da pena capital.
A Posição de muitos Evangélicos "Alicerçada na Palavra"?
Um documento da Associação Evangélica Brasileira, de 1993, exemplifica a posição sobre a pena de morte que normalmente encontramos no meio evangélico. A AEvB emitiu e distribuiu à nação e aos cristãos esse "manifesto", contra um projeto que, na época, tramitava na Câmara dos Deputados visando a instituição da pena de morte no país. O "manifesto", escrito em linguagem persuasiva, mas sem conter uma única citação das Escrituras, se propunha a indicar a visão cristã do assunto, colocando-se frontalmente contra a pena de morte. Conclamava, ele, o povo, os deputados [5] e a nação "à pena de Vida", para que a "sociedade brasileira não precisasse cogitar executar os seus filhos".
Algumas das reproduções desse documento trazem a citação de João 10.10 "Eu vim para que tenham vida e a tenham em abundância", [6] mas o manifesto em si, é silente com relação a qualquer fundamentação de seus argumentos na Palavra de Deus. As razões do "manifesto" contra a pena de morte, são: (1) A pena já existiu e foi abolida no Brasil, em 1855, em função de erros judiciários; (2) A pena de morte não resolve a causa da violência; (3)  Existem muitas desigualdades sociais no Brasil e muitos privilégios que promovem injustiça; (4) Nossa sociedade tem muitos males próprios; (5) Os evangélicos devem insistir na esperança, no perdão, na restauração da vida; (6) Uma visão positiva da sociedade, sem injustiça e desigualdades sociais e com um sistema penitenciário reformulado fará com que ela não tenha que "executar seus filhos". No final do "manifesto", aqueles que forem a favor da pena capital são rotulados de "os que decidem sobre a morte", enquanto que os que são contrários, como a AEvB, são os que "se mobilizam pela vida".
Se a persuasão ética e teológica do povo de Deus fosse formada através da dialética e síntese de posições contraditórias; se ela fosse um mero reflexo da posição da maioria " ou de organizações de peso, como a OAB [7] " ; ou se fosse meramente baseada em trocadilhos inteligentes; [8] não precisaríamos dar mais um passo. A questão já estaria resolvida com o "manifesto" " deveríamos todos fazer oposição fechada contra a pena capital. Ocorre que os cristãos necessitam alicerçar suas convicções na Palavra de Deus. Não pode ser a "voz corrente da sociedade" que vem ditar o nosso testemunho, nem o fazer coro com uma visão humanista da vida que determina o que devemos ou não acreditar.
Em 1996, após realizar algumas palestras sobre a pena capital, fui procurado por uma jornalista da Revista Vinde, que iria publicar um artigo sobre o tema. Durante a entrevista, pela condução das perguntas, ficou clara a sua persuasão contra a pena de morte. Insensível aos argumentos bíblicos que eu apresentava, ela retrucava: "...a maioria dos países está deixando a aplicação da pena de morte..". Por mais veraz que seja a constatação ela não é suficiente para estabelecer novos padrões de justiça, nem para firmar uma posição evangélica sobre a questão. Certamente a maioria dos países não abandona a pena de morte por estar abraçando a "lei maior do amor", no sentido bíblico. Constatamos, também que a maioria dos países abriga a pornografia, aceita cada vez mais o divórcio e a dissolução familiar como normal, o casamento entre homossexuais, e por aí vai. Nada disso significa que estas coisas sejam certas em si-elas foram erradas e continuam erradas. Os evangélicos não podem firmar suas posições éticas com base nessas argumentações.
A reportagem realmente refletiu as pressuposições da repórter e da linha editorial da revista. Sob o título "A pena de morte no Banco dos Réus", trazia o subtítulo: Discussão sobre a adoção da sentença capital divide opiniões até entre os crentes. [9] Ela traz exemplos de criminosos convertidos e declarações e argumentos não bíblicos, ou falaciosos, de várias personalidades, tais como: Antônio Carlos Berenhauser, presidente da Comissão dos Direitos Humanos do Rio de Janeiro ("... a pena de morte seria um retrocesso... ela não faz justiça); do pastor Martinho Monteiro, da Assembléia de Deus ("... o criminoso deve pagar sendo útil à sociedade " doando órgãos... a pena de morte é uma maneira muito rápida de se resolver um problema"); da pastora Regina Célia, da Comunidade evangélica Agápe ("... só Deus é o Senhor da vida e da morte..".); do deputado federal, líder da bancada evangélica, Salatiel Carvalho ("... a vida pertence a Deus e só ele pode tomá-la... a sentença capital não ajudaria a diminuir os índices de criminalidade e nos países onde ela existe, não ocorreu a redução esperada"); do diretor da Anistia Internacional no Brasil, Carlos Idoeta ("... o homicídio estatal... desvaloriza a vida"). São citadas apenas duas vozes a favor da pena de morte, no campo evangélico, e o comentário, com relação às citações à favor: "... há quem discorde deles". Estatísticas que pretendem demonstrar que a maioria dos países rejeita a pena de morte, e alguns números, meio duvidosos, relatando uma enormidade de execuções de "inocentes", nos Estados Unidos, completam o quadro apresentado pela reportagem, refletindo o posicionamento evangélico, contrário à pena capital.
Não obstante um eventual consenso da maioria, muito mais importante do que o que a voz corrente do povo está propagando, é irmos até a Palavra e verificarmos quais os padrões de Deus que nos são ensinados e como aplicá-los aos nossos dias. Não podemos superar a sabedoria e determinações de Deus. O que é requerido de nós é que nos acheguemos aos seus preceitos, com contrição, humildade e predisposição de aceitá-los, mesmo que estejam contra nossas convicções anteriores. Ele sabe o que é melhor para nós e, em seu tempo determinado, nos dará toda paz de espírito e confiança em seus caminhos.
A grande pergunta é, portanto, o que diz a Bíblia sobre este tema?  Qual deve ser a posição do servo de Deus, perante este assunto? Gostaríamos de que o leitor caminhasse conosco, em oração, nessa estrada do exame desapaixonado de pontos essenciais contidos na palavra de Deus, sobre assu

quarta-feira, 13 de fevereiro de 2013

Para Quem Pensa Estar em Pé (II) - Postado por Augustus Nicodemus Lopes




Embora eu tenha sido criado num lar presbiteriano e numa igreja presbiteriana onde as doutrinas características do presbiterianismo reformado eram pregadas com certa regularidade, revoltei-me contra essas doutrinas quando retornei ao Evangelho em 1977, depois de vários anos afastado de Deus e da Igreja. Influenciado pela leitura das obras de Charles Finney e João Wesley, combati a ferro e fogo, com zelo de novo convertido, não somente os cinco, mas todos os pontos do calvinismo.
Foi um batista reformado, Charles Spurgeon, com sua exposição bíblica da doutrina da eleição, quem abriu meus olhos para que eu passasse a aceitar com regozijo a fé reformada. Faminto, passei a devorar a literatura reformada disponível. Mais tarde, fazendo meu mestrado na África do Sul, conheci a obra de Martyn Lloyd-Jones e dela para a literatura puritana, foi um breve salto.
Amo a literatura produzida pelos antigos puritanos. Sólida, bíblica, profunda, muito pastoral e prática. A santidade defendida e pregada pelos puritanos aqueceu meu coração e se tornou o ideal que eu decidi perseguir até hoje. Um breve resumo do pensamento puritano sobre a santidade está na Confissão de Fé de Westminster, no capítulo SANTIFICAÇÃO:
I. Os que são eficazmente chamados e regenerados, tendo criado em si um novo coração e um novo espírito, são além disso santificados real e pessoalmente, pela virtude da morte e ressurreição de Cristo, pela sua palavra e pelo seu Espírito, que neles habita; o domínio do corpo do pecado é neles todo destruído, as suas várias concupiscências são mais é mais enfraquecidas e mortificadas, e eles são mais e mais vivificados e fortalecidos em todas as graças salvadores, para a prática da verdadeira santidade, sem a qual ninguém verá a Deus.
II. Esta santificação é no homem todo, porém imperfeita nesta vida; ainda persistem em todas as partes dele restos da corrupção, e daí nasce uma guerra contínua e irreconciliável - a carne lutando contra o espírito e o espírito contra a carne.
III. Nesta guerra, embora prevaleçam por algum tempo as corrupções que ficam, contudo, pelo contínuo socorro da eficácia do santificador Espírito de Cristo, a parte regenerada do homem novo vence, e assim os santos crescem em graça, aperfeiçoando a santidade no temor de Deus.
Era esse conceito de santificação que eu gostaria de ver difundido como sendo o conceito reformado. Contudo, recentes influências dentro do campo reformado, algumas delas chamadas de “neopuritanismo”, têm criado alguma confusão sobre o assunto.
Conforme escrevi num post anterior, o termo “neopuritanos” tem sido usado para designar os adeptos de um movimento recente no Brasil que inicialmente visava apenas resgatar a literatura dos puritanos e difundir seus ensinamentos em nosso país. Com o tempo, o movimento passou a usar determinadas doutrinas e práticas como identificadoras dos verdadeiros reformados, tais quais o cântico exclusivo de salmos sem instrumentos musicais no culto, o silêncio total das mulheres no culto, a interpretação de “o perfeito” em 1Coríntios 13.8 como se referindo ao cânon do Novo Testamento (posição contrária à de Calvino), uma aplicação rigorosa e inflexível do princípio regulador do culto e outros distintivos semelhantes. Há o grande risco de que se caia na tentação de associar a santidade com esses pontos. Sinto que os seguintes comentários poderiam ajudar a esclarecer o assunto.
1. A santidade deve ser buscada ardorosamente sem, contudo, perder-se de vista que a salvação é pela fé, e não pela santidade – Muitos seguidores modernos dos puritanos tendem à introspecção e a buscar a certeza da salvação dentro de si próprios, analisando as evidências da obra da graça em si para certificar-se que são eleitos. Não estou dizendo que isso está errado. A salvação é pela fé e, no meu entendimento, a certeza dela está ligada ao processo de santificação. Contudo, puritanos de todas as épocas correm o risco de confundir as duas coisas. Se a busca contínua pela santidade não for feita à luz da doutrina da justificação pela graça, mediante a fé, levará ao desespero, às trevas e à confusão. Quanto mais olhamos para dentro de nós, mais confusos ficaremos. “Enganoso é o coração, mais que todas as coisas; e desesperadamente corrupto, quem o conhecerá?” (Jeremias 17.9) Não estou descartando o exame próprio e a análise interior de nossos motivos. Apenas estou insistindo que devemos fazer isso olhando para Cristo crucificado e morto pelos nossos pecados. Somente conscientes da graça de Deus é que podemos prosseguir na santificação, reconhecendo que esse processo é evidência da salvação.
2. A santidade não se expressa sempre da mesma forma; ela tem elementos culturais, temporais e regionais – Sei que não é fácil distinguir entre a forma e a essência da santidade. Para mim, adultério é pecado aqui e na China, independentemente da visão cultural que os chineses tenham da infidelidade conjugal. Contudo, coisas como o uso do véu pelas mulheres me parecem claramente culturais. Quero insistir nesse ponto. A santidade pode se expressar de maneira contemporânea e cultural, não está presa a uma época ou a um local – Sei que muitos modernos puritanos negarão que desejam recuperar o estilo dos antigos puritanos da Inglaterra, Escócia, Holanda e Estados Unidos. Contudo, pontos como a insistência no uso do véu, no silêncio absoluto das mulheres no culto, no cântico de salmos à capela, na extrema seriedade dos cultos e do comportamento, a aversão ao humor, me parecem muito mais traços de uma época já passada do que essenciais teológicos. Especialmente quando a argumentação exegética para defendê-los carece de melhor fundamentação.
3. A santidade pessoal pode existir mesmo em um ambiente não totalmente puro – Eu acredito que chega um momento em que devemos nos separar daqueles que se professam irmãos, mas que vivem na prática da iniqüidade (1Coríntios 5). Não creio que devamos sacrificar a verdade no altar da pretensa unidade da Igreja. Se queremos a santidade, devemos estar prontos para arrancar de nós o olho, a mão e o pé que nos fazem tropeçar. Contudo, creio que há um caminho a ser percorrido antes de empregarmos a separação como meio de preservar a santidade bíblica. Sei que os santos são chamados a se separar de todo mal, inclusive dos pecadores (Salmo 1). Mas a separação bíblica é bem diferente daquela defendida por alguns puritanos modernos, que têm dificuldade de conviver inclusive com outros reformados dos quais discordam em questões que considero absolutamente secundárias. Podemos ser santos dentro de uma denominação ou de uma igreja local que não sejam, de acordo com as marcas da Igreja, uma igreja completamente pura. Sei que não é fácil, mas teoricamente posso ser santo dentro de Sodoma e Gomorra. Posso ser santo na minha denominação, mesmo que ela abrigue gente de pensamento divergente do meu. Os cristãos que compõem os grupos conservadores dentro da PCUSA, da Igreja Presbiteriana da Escócia podem ser santos, mesmo que muitos da sua própria denominação achem que a santidade do casamento inclui casamento gay. Não preciso necessariamente me separar como indivíduo para poder ser santo, especialmente se as alternativas de associação forem raras ou inexistentes.
4. A santidade pode ocorrer mesmo onde não haja plena ortodoxia – Sei que esse ponto é difícil para alguns puritanos modernos. Por incrível que pareça, a tolerância e a misericórdia marcaram os puritanos ingleses do século XVII. Foi somente a fase posterior do puritanismo que lhe deu a fama de intolerância. John Owen, o famoso puritano, pregou em 1648 um extenso sermão no Parlamento Britânico, na Câmara dos Comuns, intitulado “Sobre Intolerância”, no qual defendeu, mais uma vez, a demonstração do amor cristão e a não-intervenção dos poderes governamentais nas diferenças de opiniões eclesiásticas (Works, VIII, 163-206). O neo-puritanismo tende a ver com desconfiança a genuinidade da experiência cristã de arminianos e pentecostais. Para mim, a graça de Deus é muito maior do que imaginamos e o Senhor tem eleitos onde menos pensamos. Assim, creio que exista santidade genuína além do arraial puritano. Não estou negando a relação entre doutrina correta e santidade. O Cristianismo bíblico enfatiza as duas coisas como necessárias e existe uma relação entre elas. Contudo, por causa da incoerência que nos aflige a todos, é possível vivermos mais santamente do que a lógica das nossas convicções teológicas permitiria. Cito Owen mais uma vez:
A consciência de nossos próprios males, falhas, incompreensões, escuridão e o nosso conhecimento parcial, deveria operar em nós uma opinião caridosa para com as pobres criaturas que, encontrando-se em erro, assim estão com os corações sinceros e retos, com postura semelhante aos que estão com a verdade (Works, VIII, 61).
Acredito que a teologia reformada é a que tem melhores condições de oferecer suporte doutrinário para a espiritualidade, a santidade e o andar com Deus. Os reformados brasileiros são responsáveis por mostrar que a teologia reformada é prática, plena de bom senso, brasileira e cheia de misericórdia.

terça-feira, 12 de fevereiro de 2013

Para ser pastor... sobre a matéria da VEJA SÃO PAULO - por Mauro Meister




Veja São Paulo publicou neste final de semana a edição 2304, de 16 de Jan de 2013, a matéria de capa "Profissão Pastor". A chamada da matéria diz:
Acompanhamos um curso de formação de mão de obra evangélica
Em troca de dedicação integral, quem segue carreira pode ganhar um salário de até R$ 22.000 por mês


Que impressão se tem ao ler uma chamada como esta? Que ser pastor, não importa onde, é um negócio, e até bom, afinal, são poucos os ganham salários dessa monta. Veja mostra mais uma vez parcialidade ao trazer a informação ao público, selecionando de forma maliciosa o que diz e dando um quadro falso a respeito da verdade como um todo. Não que o conteúdo da matéria em si seja mentiroso. Aliás, não tenho nem como avaliar, mas posso imaginar que seja fato. O que traz o arrepio a respeito, além do erro logo no começo, ao citar uma das pessoas com quem teve contato (“Que Deus abra o caminho contra as sílabas do maligno” - certamente deveria ser "ciladas") é que a reportagem não passa de uma generalização. Ou seja, além das igrejas mencionadas, existem muitas outras, sérias e comprometidas com a formação acadêmica e pastoral dos seus ministros e que não fizeram e nem fazem do pastorado uma profissão. Que se fizesse ao menos uma ressalva... mas, nada é dito. Que existem aqueles que fizeram de igrejas comércio, é fato. Que tornaram seus pastores comerciantes, não é o meu ponto aqui. Minha indignação é que o leitor, depois de ler a VEJA SP, olhe para todos os pastores da maneira como descrito pela revista. Pois bem, para que se saiba, e isto já escrevi como carta para a revista, veja como é que se forma um pastor na Igreja Presbiteriana do Brasil:

1. precisa ser membro de uma igreja local há no mínimo 3 anos.

2. precisa se apresentar diante do conselho da igreja e ser reconhecido por este como 

alguém vocacionado.

3. o conselho da igreja local deve testar este que aspira ao ministério pastoral. É costume da minha igreja local enviar este jovem para um instituto bíblico antes de enviar ao seminário (1 a 2 anos).

4. se aprovado, é enviado ao presbitério, que o examina teologicamente e exige exames e atestados físicos e psicológicos. Chega como aspirante e, caso aprovado, torna-se candidato ao ministério.

5. o presbitério deve enviá-lo a um seminário da denominação para um curso teológico que
dura entre 4 e 5 anos (matutino ou noturno) no qual deve aprender, entre dezenas de disciplinas, as línguas hebraica e grega (as línguas originais em que o Antigo e Novo Testamentos foram majoritariamente escritos). A entrada é feita por uma espécie de vestibular que testa a capacidade intelectual e o conhecimento geral do candidato.

6. durante o período de candidatura é designado um tutor ao candidato que deve se assegurar dos aspectos diversos da vida espiritual, emocional e os estudos do candidato, vendo para que mantenha um padrão digno do Evangelho de Cristo.

7. depois do curso teológico o candidato apresenta-se ao presbitério com seu diploma de Bacharel em Teologia e deve fazer uma série de exames diante do presbitério (orais e escritos).

8. se aprovado o presbitério pode licenciar este candidato para a obra pastoral, ainda em um período de experiência que pode durar de um a dois anos.

9. o licenciado, depois deste período é novamente examinado pelo presbitério e então pode ser ordenado pastor.
Este processo todo tem como finalidade testar se aquele que se apresenta como candidato ao ministério pastoral preenche os requisitos bíblicos para ser pastor, como os descritos em 2 Timóteo 3.
Em um comentário a respeito desses passos alguém chegou a dizer: "assim, nem Jesus poderia ser pastor nesta igreja". Ora, a questão é que não estamos examinando Jesus, mas homens que precisam, antes de mais nada, mostrar idoneidade ao transmitir a Palavra de Deus e trabalhar com a vida das ovelhas de Cristo.