sábado, 24 de novembro de 2012

Os Humanos são corpo e alma em dos Gêneros - J. I. Packer



 "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em suas narinas o fôlego da vida; e o homem foi feito alma vivente."Gn 2.7

"... homem e mulher os criou."Gn 1.27

Cada ser humano neste mundo consiste de um corpo material animado por um eu distinto e imaterial. A  Escrituras dá a este eu o nome de "alma" ou "espírito". "Alma" enfatiza a distinção da individualidade consciente de uma pessoa como tal; "espírito" contém as nuanças do eu derivado de Deus, dependência dele e distinção do corpo tal.

O uso bíblico levá-nos a dizer que temos e somos tanto almas com espíritos, mas é um equívoco pensar que alma e espírito são duas coisas diferentes; uma visão "tricotômica" do homem como sendo corpo, alma e espírito é incorreta. A idéia comum de que a alma é apenas um órgão da consciência temporal e  que o espírito é um órgão distinto de comunhão com Deus trazida à vida na regeneração cria um descompasso entre o ensino bíblico e o uso da palavra. Além disso, ela conduz a um anti-intelectualismo deformado, segundo o qual o discernimento espiritual e o pensamento teológico são separados para  empobrecimento de ambos, sendo a teologia tida como "pró-alma" e não espiritual, enquanto a percepção espiritual se imagina desvinculada do ensino e aprendizado da verdade revelada de Deus.

A corporificação da alma é inerente ao designo de Deus para o gênero humano. Por intermédio do corpo, como foi dito antes, devemos experimentar nosso ambiente, desfrutar e  controlar as coisas à nossa volta, e relacionar-nos com outras pessoas. Nada havia de mau ou corruptível no corpo feito inicialmente por Deus, e não tivesse o pecado surgido, a  doença, envelhecimento e deterioração física que levam à  morte, como a conhecemos, não fariam parte da vida humana (Gn 2.17; 3.19,22; Rm 5.12). Agora, porém, os seres humanos são corruptos do começo ao fim em seu ser psicofísico, como comprovam claramente seus desejos desordenados, tanto físico como mentais, os quais guerreiam entre si e também contra os princípios da sabedoria e da retidão.

Na morte a alma deixa o corpo inanimado para trás, porém esta não é a feliz libertação que os filósofos gregos e alguns cultivistas imaginaram. A esperança cristã não é redenção por  libertar-se do corpo, mas redenção do próprio corpo. Antevemos nossa participação na ressurreição de Cristo na ou por meio da ressurreição de nossos próprios corpos. Embora a exata composição de nossos futuros corpos glorificado seja atualmente desconhecida, sabemos  que será alguma espécie de continuidade de nossos corpos terrenos (1 Co 15.35-49; Fp 3.20,21; Cl 3.4).

Os dois gêneros, macho e fêmea, pertencem ao modelo da Criação. Homem e mulheres são igualmente portadores da imagem de Deus (Gn 1.27), e sua dignidade é, conseqüentemente, igual. A natureza complementar dos gêneros é  vista como conducente a uma cooperação enriquecida (ver Gn 2.18-23), uma  vez que seus papéis são desempenhados não apenas no casamento, procriação e vida familiar, mas também em atividades mais amplas da vida. A percepção da insondável diferença entre pessoas de gêneros distintos converte-se em  uma escola para o aprendizado da prática e alegria da  apreciação, abertura, honra, serviço e fidelidade, todas as quais pertencem à cortesia que a realidade misteriosa do outro gênero requer. A ideologia do "unissexe"; que deprecia a significação dos dois gêneros, perverte assim a ordem de Deus, enquanto o estribilho francês sobre a distinção dos gêneros, "vive la différence!", expressa o ponto de vista bíblico.

Autor: J. I. Packer
Fonte: Teologia Concisa, pg. 69, Ed. Cultura Crista. 

sexta-feira, 23 de novembro de 2012

Atitude ao Estudar a Escrituras -por Rev. Paulo Anglada



                   Ao nos propormos a estuda o ser e obra de Deus, devemos fazê-lo com a máxima reverência e humildade. Não podemos perder de vista a sua santidade e a nossa pecaminosidade. Também não podemos deixar de reconhecer as nossas limitações, como criaturas finitas, diante da suprema excelência do ser Divino eterno e ilimitado que buscamos conhecer. Mas do que nunca, é preciso tirar as sandálias dos pés, porque a terra é santa! Só ousamos ter Deus como “objeto” de estudo, porque aprouve a ele mesmo revelar-se dos céus, e porque fomos alcançados por sua graça restauradora.
Nossa ousadia em estudar o ser e a obra de Deus é, portanto, divinamente estimulada. Afinal, foi ele mesmo quem determinou revelar-se a nós. O próprio Senhor Jesus afirmou; “A vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste” (Jo 17.3).
Que o Senhor Deus mesmo, pelo seu Espírito, nos assista no propósito de conhecer mais precisamente o seu sublime ser e sua magnífica obra. Que este conhecimento, com a graça de Deus, seja de tal modo aplicado ao nosso coração pelo seu santo Espírito, que venhamos a amá-lo mais profundamente, cultuá-lo de modo mais verdadeiro, obedecê-lo com mais prontidão e servi-lo com determinação e alegria.



Autor: Rev. Paulo Anglada,  Livro Soli Deo Gloria, pág 15. Editora Knox. 

QUEM É O ESPÍRITO SANTO? por THOMAS ARNOLD

 “Aquele que não conhece Deus o Espírito Santo não pode conhecer Deus de modo algum”.

Nos dias de hoje, o ensino sobre o Espírito Santo é pouquíssimo, e quando tem, na sua maioria é equivocado. Isso é uma tristeza muito grande, pois a terceira pessoa da trindade, ou seja, o Espírito Santo, é essencial e tão importante na vida do cristão quanto o Pai e o Filho. Não basta termos apenas um pequeno conhecimento sobre o Espírito Santo, precisamos nos dedicar a conhecê-lo mais e também procurar buscar na vida prática viver uma vida cheia do Espírito.

É diferente apenas sabermos “quem é o Espírito Santo” de “o que é o Espírito Santo”, sabemos realmente “o que é o Espírito Santo” quando Ele nos faz sentir Sua presença, quando Ele opera em nossa vida.

Em 1 Coríntios 2.9-14, Paulo nos deixa bem entendido que na vida do homem precisa haver discernimento, ele está falando de uma certa espécie de discernimento espiritual que não é natural para nós. Ou seja, em nosso estado humano decaído nos falta a habilidade de acolher as realidades de Deus, pois Paulo enfatiza “não pode entendê-las”.

É impossível que uma pessoa não-espiritual tenha esse discernimento das coisas espirituais, pois não somos de natureza espiritual. A pessoa só pode discernir as coisas espirituais quando ela é vivificada pelo Espírito, isso é chamado de obra regeneradora do Espírito, ou então renascimento espiritual, que nos capacita a ter discernimento espiritual. O Espírito Santo nos dá uma consciência de Sua presença pessoal em nossas vidas.

A Bíblia nos revela o Espírito Santo como um ser pessoal, não como uma força abstrata, uma coisa ou um poder. Ele é uma pessoa, é real. O Espírito tem personalidade, pois personalidade inclui inteligência, vontade e individualidade e ela pode agir por intenção.

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

Teologia da Prosperidade - Uma Corrida para a Ruína.



           Por que como um câncer a “teologia da prosperidade” foi se alastrando numa metástase diabólica no seio da igreja protestante? O que vemos hoje (Se olharmos com olhos espirituais e bíblicos), é uma terra arrasada, escombros e ruínas (Como Jeremias viu Jerusalém ) daquilo que devia ter sua existência (igreja) com o único propósito de proclamar a glória de Deus.
Não é difícil resistir algo inicialmente, mas a medida que o tempo passa, a cobiça domina, nossos olhos se tornam a única porta de “verdade” para a “igreja”. Esquecemos a Palavra. A igreja hoje é o retrato fiel dos seus líderes. Um retrato do coração e ambição mundana. “Mas eles foram a causa da sua ruína e da ruína de todo o Israel” (2Cr 28.23).
Acaz voltou de Jeová para servir aos deuses de Damasco. Como hoje. E por quê? Porque a Síria estava gozando de prosperidade. Ao ver o que Acaz viu, a igreja começou a imitar o mundo, e igrejas ao olharem as outras foram imitando a imitação do mundo – Resultado? Metástase que parece irreversível.
O que Acaz fez? “Ele ofereceu sacrifícios aos deuses de Damasco que o haviam derrotado, pois pensava: ‘Já que os deuses da Síria os têm ajudado, oferecerei sacrifícios a eles para que me ajudem também’. Mas eles foram a causa de sua ruína, e da ruína de todo o Israel”.
Não há outro resultado possível. O pragmatismo não pode dirigir quem quer ser guiado por Deus – mas sim uma confiança absoluta em Sua Palavra. O que valia para Israel vale para a igreja no século XXI – A conseqüente introdução de falsos deuses e a profanação do culto a Deus ( e como esse culto tem sido profanado hoje no altar de Mamom ) tornou-se a ruína de Acaz e seu reino.
Esta é a ruína da igreja, a mesma de Acaz e Israel. E ela acontece pelos mesmos motivos. Os ídolos modernos tomaram completamente o lugar da Palavra de Deus e sua glória. Os ídolos estão navamente estabelecidos e adorados alegremente em nossos dias.
Nada mais trágico do que ver o próprio homem ( e igreja ) se arruinando: “...eles foram a causa da sua ruína e de todo o Israel” (2Cr 28.23). Acaz claramente é o tipo de muitos e muitas igrejas destruidoras de si. “A tua ruína, ó Israel, vem de ti” (Os 13.9) – Como seria bom se houvessem vários Oséias proclamando hoje, mas na verdade são tão poucos. Acaz quis ser seu próprio mestre – Esqueceu Deus, esqueceu Sua Palavra – Só conseguia ver a “prosperidade” da Síria. Ficou fascinada e paralisado como uma presa diante da serpente. Isso sempre arruína – arruinou o filho pródigo – arruinou Acaz – arruinou Israel, e arruinará milhões e milhões de outros.
É a arrogância que faz pastor imitar pastor, igreja imitar igreja – todos indo em direção a ruína da “Teologia da Prosperidade”. A arrogância e a arbitrariedade ao pecar: “Andou nos caminhos dos reis de Israel” (2 Rs 16.3,4). Essa é uma corrida morro abaixo. Cada vez mais a velocidade aumenta e o abismo se aproxima – Esta é uma corrida para a ruína.
Um dia a idéia mundana de “prosperidade” custará muito caro. Acaz esbanjou tesouro em sua cópia da adoração dos deuses da Síria invejando a sua prosperidade. Mas é bom que se diga aos iludidos, Acaz gastou muito e ganhou pouco. Isto vale para a igreja e para as pessoas individuais.
Desperdício! O trágico é que nossa vida aqui não é um recurso inesgotável e logo nosso tempo se encerrará. Que legado trágico deixaremos as próximas gerações. Nossas existências só se justificam se forem para a glória de Deus – o mesmo vale para a igreja em geral. Desperdício e muitos outros caminhos errados são caros e ruins.
Quando estamos obstinados, como os dias em que vivemos hoje na igreja, nós somos capazes da loucura de desafiar Deus. Acaz desafiou a punição: “Mesmo nessa época em que passou por tantas dificuldades, o rei Acaz tornou-se ainda mais infiel ao Senhor” ( 1Co 28.22) – Ele estava focado na “prosperidade” dos deuses da Síria. Esta rebeldia ao claro ensino de Deus e contra toda a correção sempre leva à ruína certa.
Nossa geração se acha esperta em seu pragmatismo. Diz “Rico sou e de nada tenho falta” – nós sabemos a resposta que Deus deu a igreja que afirmou isso. Acaz era muito sagaz, e bajulava os grandes. Aos nossos olhos isso parece uma tática perfeita – está funcionando, eles são grandes, por que não nos ajuntarmos a eles? Acaz fez uma cópia do altar dos deuses da Síria e levou para sua casa. Quem é que perece mais rapidamente? Os espertos demais para serem simples e simplesmente seguirem o seu Deus.
Vamos ser justos, Acaz era um homem de “bom gosto” – sabia admirar coisas que fascinam os nossos corações. Ele admirava as antigüidades e o estético na religião. Ah! O estético na religião nunca foi tão admirado como agora.
Se um homem ( Líder ) começasse se enamorar da prosperidade e dos deuses da Síria que supostamente era sua origem – e que levou Acaz a se prostituir com ele – e a grande maioria do povo e dos líderes bradassem contra – Deus ainda estaria sendo honrado em nossos púlpitos e não Mamom. Mas existem loucuras que são coletivas – como isso é real hoje no meio da “igreja”. Veja que quem era para trazer Acaz a razão estava tão fascinado quanto ele: “O sacerdote Urias construiu um altar conforme as instruções que o rei Acaz tinha mandado” (2Rs 16.11). Entre todas as coisas destruidoras na igreja hoje, nós podemos afirmar sem medo de erra – Maus ministros são terríveis destruidores.
Qual é o modelo para a igreja hoje? Quem são seus heróis? Paulo falou “sede meus imitadores como eu sou de Cristo” – Quem dera fosse esse o modelo atual. Acaz imitou pecadores prósperos. O rei da Assíria tornou-se seu tipo, seu paradigma... Isso é conduta ruinosa e destruidora. Ele abandonou todo o culto a Deus. Podemos estar dentro de edifícios adorando e já termos abandonado todo o verdadeiro culto a Deus. Acaz “trancou as portas da casa do Senhor” (2Cr 28.24). Este é o clímax de sua rebelião – não havia lugar para o verdadeiro Deus e os deuses da Assíra que davam “prosperidade”. É verdade, Cristo disse que você não pode servir a Deus e ao dinheiro, a Deus e a Mamom ao mesmo tempo. Isso não pode ser feito nem nos dias de Acaz, nem nos dias de Jesus – e não se engane, nem pela igreja dos nossos dias.
No final de tudo – e o final das escolhas atuais não podem ser diferentes, os deuses falsos foram a ruína de Acaz.
Uma ruína sugere muitas reflexões. Mas a corrida morro abaixo aos deuses da prosperidade é tão desenfreada que não há tempo para reflexões. O que foi? O que poderia ter sido? O que é? O que será? Um dia sentaremos entre as ruínas como Jeremias se sentou entre as ruínas de Jerusalém e choraremos e lamentaremos como ele. Meditações entre ruínas podem ser úteis, apesar de tardias, àqueles que se inclinam a repetir como nossa geração, a experiência de Acaz.
Muitos serão arruinados: “Foram a ruína dele e de todo o Israel” – pelo ensino não estamos enchendo a igreja de verdadeiros israelitas, mas de sírios. Pelo exemplo e pelo ensino estamos fazendo pagãos e não filhos de Deus. A sedução da “prosperidade” é tão grande – que pela sedução a virtude está sendo arruinada. Muitas vezes líderes (como Acaz) pela sua próprio presença destroem tudo o que é bom nos seus liderados. Muitas vezes alguém está tão contaminado, que mesmo no momento que não tem a intenção espalham o contágio, como a Peste Negra se espalhou por toda Europa. O contágio do pecado, da ambição, do amor ao dinheiro... A conduta dos Acazes de Hoje, sua religião perversa e deturpada arruína jovens, influencia os inseguros, sua linguagem e ensino influenciam e atraem os maus.
Lembremos a mensagem de Deus que se repete para nós hoje: “Mas eles foram a causa da sua ruína e da ruína de todo o Israel” (2Cr 28.23). Mas a igreja não poderá culpar só seus líderes, os Acazes de hoje – Deus diz “A tua ruína, ó Israel, vem de ti” (Os 13.9). 

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

POR QUE A CRENÇA NO INFERNO É FUNDAMENTAL-JOHN PIPER



 Hoje é o de dia de comunicações rápidas. Amanhã é o dia dos negócios. A eternidade é o dia da verdade. Se você vive somente para este mundo, se importará pouco com a verdade. “Comamos e bebamos, que amanhã morreremos”. Se isso é tudo que existe, podemos muito bem chaPmar de “verdade” as idéias que protegem nossos apetites. Mas, se você vive para a eternidade, rejeitará as modas populares e efêmeras, para se tornar eternamente relevante.

Temos de valorizar a verdade acima do sucesso temporário. Onde a verdade é minimizada e as pessoas não estão nela arraigadas e fundamentadas, o sucesso é superficial, e a árvore cresce oca, embora floresça no sol da prosperidade. Que Deus nos dê um amor humilde e submisso pela verdade da Palavra de Deus, na profundeza e plenitude dela.

Ouçam a advertência de Paulo a respeito de nossos dias: “Haverá tempo em que não suportarão a sã doutrina; pelo contrário, cercar-se-ão de mestres segundo as suas próprias cobiças, como que sentindo coceira nos ouvidos” (2 Tm 4.3). “[Eles] perecem, porque não acolheram o amor da verdade para serem salvos” (2 Ts 2.10).

Considere uma verdade que não é popular e tem sido abandonada por muitos que têm sobre a sua tenda a bandeira de “evangélico” — a verdade a respeito do inferno. Oh! que grande diferença existe quando uma pessoa crê no inferno — com tremor e lágrimas! Existe uma seriedade permeando toda a vida, uma urgência em todos os esforços, um condimento de profunda seriedade que tempera tudo e faz com que o pecado sinta-se mais pecaminoso, e a santidade mais santa, a vida mais preciosa, os relacionamentos mais profundos e Deus muito mais importante.

Entretanto, como em toda geração, existem novos abandonos da verdade. Clark Pinnock, um teólogo canadense que insiste em se chamar evangélico, escreveu:

A princípio fui levado a questionar a crença tradicional no tormento eterno e consciente, porque me era moralmente repugnante e por considerações teológicas mais amplas, e não por consideração de textos bíblicos. Não é lógico dizermos que um Deus de amor afligirá pessoas para sempre, por causa de pecados cometidos no contexto de uma vida finita... É tempo de os evangélicos se levantarem e afirmarem que o ensino bíblico moralmente apropriado sobre o inferno é a aniquilação, e não o tormento eterno.


Dorothy Sayers, que faleceu em 1957, expressou um antídoto necessário para este tipo de abandono da verdade:

Parece existir um tipo de conspiração, especialmente entre os escritores de meia idade que possuem uma tendência vagamente liberal, para esquecer ou anular de onde procede a doutrina sobre o inferno. Encontramos freqüentes referências à “cruel e abominável doutrina medieval do inferno” ou “a grotesca e ingênua imagem medieval de vermes e fogo”.

O caso, porém, é exatamente o contrário. Encaremos os fatos. A doutrina do inferno não é “medieval”; é uma doutrina ensinada por Cristo. Não é um artifício do “clero medieval” para atemorizar o povo e fazê-lo dar dinheiro à igreja. O inferno é o julgamento deliberado de Cristo sobre o pecado. A imagem de vermes que não morrem e de fogo inextinguível deriva-se não da “superstição medieval”, e sim do profeta Isaías; e foi Cristo quem a usou enfaticamente... Ela nos confronta no mais antigo e menos “editado” dos evangelhos; está explícita em muitas das parábolas mais familiares e implícita em muitas outras. Esta figura tem, nos ensinos de Cristo, uma dimensão maior do que alguém possa perceber, até que comece a ler todos os evangelhos, em vez de selecionar e ler somente as passagens mais consoladoras. Ninguém pode se livrar desta doutrina, sem despedaçar o Novo Testamento. Não podemos repudiar o inferno, sem repudiarmos a Cristo.

Eu acrescentaria: existem muitas outras coisas que, abandonadas, também equivalerão ao eventual repúdio de Cristo. Não é por causa de uma lealdade ultrapassada que amamos as verdades da Escritura — nem mesmo as mais severas. É por causa do amor a Cristo — e por causa do amor para com o seu povo —povo esse que somente o Cristo da verdade pode salvar.