domingo, 19 de agosto de 2012

Nazaré, onde Jesus fora criado

Nazaré, onde Jesus fora criadoNazaré, cujo nome significa “Cidade do Ramo”, era uma cidade na Baixa Galiléia, onde Jesus passou a maior parte de sua vida terrestre, junto com seus meios-irmãos e meias-irmãs. (Luc. 2:51, 52; Mat. 13:54-56) Tanto José como Maria eram habitantes de Nazaré quando Gabriel anunciou o vindouro nascimento de Jesus. (Luc. 1:26, 27; 2:4, 39) Mais tarde, após o seu retorno do Egito, passaram a morar novamente em Nazaré. — Mat. 2:19-23; Luc. 2:39.


Localização

A evidência favorece a identificação de Nazaré com o lugar na moderna En-Nasira, na Galiléia. Se este conceito for correto, Nazaré ficava nas montanhas baixas pouco ao norte do Vale de Jezreel, aproximadamente a meio caminho entre a ponta meridional do Mar da Galiléia e o litoral do Mediterrâneo. Ficava numa bacia nas montanhas, com os morros elevando-se de 122 a 152 metros acima dela. A região era bem povoada, com várias cidades e povoações perto de Nazaré. Calcula-se também que se podia andar de Nazaré a Ptolemaida, no litoral do Mediterrâneo, em sete horas, a Tiberíades, no Mar da Galiléia, em cinco horas, e a Jerusalém, em três dias.

Em certa ocasião, o povo de Nazaré tentou lançar Jesus da “beirada do monte em que se situava a sua cidade”. (Luc. 4:29) Isto não quer dizer que Nazaré ficava logo junto à borda ou beirada, mas que estava situada num morro com uma beirada escarpada da qual queriam lançar Jesus. Esta tem sido muitas vezes identificada com uma escarpa rochosa de uns 12 metros de altura ao sudoeste da cidade.

O destaque de Nazaré

É difícil dizer com certeza que destaque Nazaré tinha no primeiro século. O conceito mais comum dos comentaristas é que Nazaré era mais uma aldeia retirada, insignificante. A principal declaração bíblica para apoiar este conceito é o que Natanael disse quando soube que Jesus vinha de lá: “Pode sair algo bom de Nazaré?” (João 1:46) Isto tem sido tomado como significando que Nazaré era menosprezada até mesmo pelo povo da Galiléia. (João 21:2) Além disso, alguns afirmam que Nazaré não se encontrava diretamente nas rotas comerciais daquela região. Não foi mencionada por Josefo, embora ele mencionasse a vizinha Jafia como a maior aldeia fortificada da Galiléia, dando a idéia de que Nazaré fora eclipsada pela sua vizinha.

Por outro lado, Natanael talvez só expressasse surpresa diante da afirmação de Filipe de que um homem da cidade vizinha de Nazaré, na Galiléia, fosse o prometido Messias, porque as Escrituras predisseram que ele viria de Belém, em Judá. (Miq. 5:2) Josefo não mencionou muitos dos povoados da Galiléia, de modo que não mencionar ele Nazaré talvez não tenha significado especial. É digno de nota que a Bíblia não chama Nazaré de aldeia, mas sempre de “cidade”. (Luc. 1:26; 2:4, 39) Além disso, a vizinha Séforis era uma importante cidade fortificada, com um tribunal distrital do Sinédrio. Os eruditos discordam sobre se uma rota principal de comércio passava por Séforis ou, mais abaixo, por Nazaré. Não obstante, sem consideração do tamanho ou do destaque de Nazaré, ela era convenientemente localizada para as importantes rotas comerciais e as cidades principais, de modo que seus habitantes devem ter tido pronto acesso às informações sobre as atividades sociais, religiosas e políticas daquele tempo. — Veja Lucas 4:23.

A atitude do povo

Ao passo que Jesus crescia, ele progredia “no favor de Deus e dos homens”. (Luc. 2:52) Ele e seus meios-irmãos e meias-irmãs eram conhecidos pelo povo de Nazaré, e era seu “costume” freqüentar cada semana a sinagoga local. (Mat. 13:55, 56; Luc. 4:16) Quando tinha cerca de trinta anos de idade, Jesus partiu de Nazaré e foi batizado por João. (Mar. 1:9; Luc. 3:23) Alguns meses mais tarde, perto do começo do seu ministério galileu, Jesus voltou a Nazaré e leu na sinagoga, em voz alta, o texto de Isaías 61:1, 2, aplicando-o a si mesmo. Entretanto, o povo mostrou falta de fé e tentou matá-lo, “mas ele passou pelo seu meio e seguiu caminho”, passando a morar em Cafarnaum. — Luc. 4:16-30; Mat. 4:13

Uma igreja sem santidade - C. H. Spurgeon






Livrando-vos da corrupção das paixões que há no mundo. 2 Pedro 1.4


Rejeite para sempre todos os pensamentos de satisfazer a carne, se você deseja viver no poder de seu Senhor ressuscitado. Habitar na corrupção do pecado é trágico para um homem que está vivo em Cristo. "Por que buscais entre os mortos ao que vive?" (Lucas 24.5.)


Os vivos devem viver em um sepulcro? A vida divina dever ser sepultada no túmulo da concupiscência carnal? Como podemos participar do cálice do Senhor e, ao mesmo tempo, beber o cálice de Satanás? Certamente, você foi liberto de concupiscências e pecados visíveis. Você também escapou das armadilhas ocultas e ilusórias de Satanás?


Você já escapou da indolência? Já está livre da segurança carnal? Está procurando, dia após dia, viver acima do mundanismo, da avareza e da soberba da vida? Lembre-se de que foi por esse motivo que você foi enriquecido com todas os tesouros de Deus. Não permita que todo o abundante tesouro da graça seja desperdiçado por você mesmo.


Siga a santidade; ela é a coroa e a glória do crente. Uma igreja sem santidade é inútil para o mundo e não recebe apreciação da parte dos homens; é uma abominação, uma alegria para o inferno e um aborrecimento para o céu.


Os piores males que foram trazidos ao mundo surgiram por intermédio de uma igreja sem santidade. Você é um sacerdote de Deus — viva de acordo com essa posição. Você é um eleito de Deus — não se associe com o pecado. O céu é a sua herança. Viva como um ser celestial e você comprovará que possui a fé verdadeira em Jesus. Não pode haver fé no coração, a menos que exista santidade no viver.

sábado, 18 de agosto de 2012

O Que é Fé? – J. I. Packer





- A Natureza da Fé -

Em primeiro lugar, o que é fé? Vamos aclarar a questão. A idéia popular a respeito é que se trata de um certo otimismo obstinado: a esperança tenazmente assegurada, face à adversidade, de que o universo é fundamentalmente amigável e de que as coisas podem melhorar. Diz a Sra. A. à Sra. B.: "Você precisa ter fé". Mas, tudo quanto ela quer dizer é: "Coragem, não desanime se as coisas vão mal". Isso, porém, é apenas a forma da fé, sem seu conteúdo vital. Uma atitude confiante que seja divorciada de um objeto que corresponda a essa confiança não é a fé no sentido bíblico.

Em contraste, a noção histórica da Igreja Católica Romana acerca da fé tem sido de mera confiança e docilidade. Para Roma, a fé é apenas a crença naquilo que a Igreja Romana ensina. De fato, Roma distingue entre fé "explícita" (a crença em algo que foi compreendido) e fé "implícita" (o assentimento incompreensível de qualquer coisa, seja o que for que a Igreja Romana assevere). A Igreja Romana diz que somente esse último tipo de fé, que na realidade é apenas um voto de confiança no ensino da igreja e que pode manifestar-se lado a lado com a total ignorância da doutrina cristã, é requerido dos leigos para a sua salvação! É evidente que a fé, na concepção da Igreja Romana, quando muito, é apenas o conteúdo da fé, sem sua forma apropriada; pois conhecimento, pouco ou muito, divorciado de qualquer correspondente exercício de confiança, não é a fé, no total sentido bíblico. O exercício da confiança é precisamente o que se faz ausente na análise da Igreja Romana. Segundo Roma, fé consiste em confiar nos ensinos da igreja. Mas, de acordo com a Bíblia, fé significa confiar em Cristo como Salvador, e isso é algo totalmente diferente.

Na Bíblia, ter fé ou crer (no grego, o substantivo épistis; o verbo épisteuõ envolve tanto confiança como entrega da vida. De várias maneiras o objeto da fé é descrito como sendo Deus (Rm 4.24; 1 Pe 1.21), Cristo (Rm 3.22, 26), as promessas de Deus (Rm 4.20), o caráter de Jesus como Messias e Salvador (1 Jo 5.1), a realidade da ressurreição (Rm 10.9), o evangelho (Mc 1.15) e o testemunho dos apóstolos (2 Ts 1.10).

A natureza da fé, porém, é invariável. É uma apreensão responsiva de Deus e de sua verdade salvadora; é um reconhecimento da resposta dada por Deus à necessidade humana, que doutro modo jamais seria atendida; é a compreensão de que o evangelho é a mensagem pessoal de Deus, bem como o convite pessoal de Cristo ao seu ouvinte; é o mover-se confiante da alma em direção ao Deus vivo e ao seu Filho.

Isso se torna claro através da mais comum das construções gramaticais no Novo Testamento grego — o verbo pisteuo com a preposição eis, ou, ocasionalmente, com a preposição epi, com o objeto direto no acusativo — cujo significado é "confiar para dentro de" ou "confiar sobre". Esta construção jamais aparece no grego clássico e raramente na Septuaginta. Trata-se de uma nova expressão idiomática, desenvolvida no Novo Testamento, para expressar a idéia de um movimento de confiança que se dirige ao objeto da confiança e que descansa no mesmo.

Esse é o conceito bíblico e cristão de fé. Os reformadores frisaram esse conceito, afirmando que a fé não é apenas fides (crença), mas também fiducia (confiança). Nas palavras do bispo Ryle:

A fé que salva é a mão da alma. O pecador é como um homem que está se afogando, prestes a afundar de vez. Ele vê o Senhor Jesus Cristo oferecendo-lhe ajuda. Ele a aceita e é salvo. Isso é fé (Hb6.18).

A fé que salva é o olho da alma. O pecador é como um israelita picado por uma serpente venenosa no deserto e que está à morte. O Senhor Jesus lhe é oferecido como a serpente de bronze, levantado para sua cura. O pecador olha para Ele e é curado. Isso é fé (Jo3.14, 15).

A fé que salva é a boca da alma. O pecador está definhando por falta de comida e sofrendo de uma doença dolorosa. O Senhor Jesus lhe é apresentado como o pão da vida e o remédio universal. Ele O recebe e fica bem de saúde e forte. Isso é fé (Jo. 6.35).

A fé que salva é o pé da alma. O pecador é perseguido por um inimigo mortal e teme ser vencido. O Senhor Jesus lhe é apre¬sentado como uma torre forte, um refúgio e um esconderijo. O pecador corre para Ele e fica em segurança. Isso é fé (Pv 18.10)".(Old Paths — Caminhos Antigos — pp. 228 e 229).

Por todo o Novo Testamento, de fato, esse é o conceito normal de fé. As únicas exceções são as seguintes:

1.         Algumas vezes, "fé" exprime o conjunto das verdades em que cremos (Jd 3 e 1 Tm 4.1, 6, etc).

2.         Algumas vezes, "fé" significa um mais estrito exercício de confiança, que opera milagres (Mt 17.20, 21; 1 Co 13.2). Mesmo nos dias do Novo Testamento, porém, a fé salvadora nem sempre era acom¬panhada pela "fé que opera milagres" (cf. 1 Co 12.9) e vice-versa (cf. Mt 7.22, 23).

Em Tiago 2.14-26, "fé" e "crer" denotam mero assentimento intelectual à verdade, sem a correspondente resposta de uma vida de obediência confiante. Mas, parece que Tiago estava simplesmente imitando o uso da palavra "fé" daqueles a quem procurava corrigir (cf. v. 14), e não precisamos supor que ele normalmente a usasse em um sentido tão limitado (por exemplo, a sua alusão à fé, no verso 5, cla¬ramente envolve um sentido muito mais amplo).

quinta-feira, 16 de agosto de 2012

Se Alguém Não Nascer de Novo - Ligon Duncan



Devemos crer para nascer de novo ou, nascer de novo para crer? Em termos teológicos: a fé precede a regeneração ou a regeneração precede a fé? Pelo menos por três razões este é um ponto importante que deve ser compreendido biblicamente pelos cristãos fiéis.

Por que discutir sobre isto?

Para começar isto envolve o cerne das Boas Novas e da Graça de Deus. A maneira de se responder a esta questão afeta a compreensão de toda a mensagem do Evangelho. Se se disser que a fé deve preceder o novo nascimento, então deve-se dizer também (1) que todos os homens, antes da regeneração, não estão de fato espiritualmente mortos {contra Ef. 2:1; Rm. 3:10-12); (2) que a fé salvadora não é uma dádiva de Deus {contra ICo. 12:3; Fp. 1:29; Ef. 2:8); {3) que o homem natural pode aceitar as coisas do Espírito {contra ICo. 2:14); (4) que um incrédulo pode crer, quando quiser, por sua própria capacidade e à parte da regeneração concedida por Deus {contra Jo. 3:3,5; 8:53,47); (5) e que os homens podem vir a Cristo, sem que o Pai os conduza a Ele {contra Jo. 6:65). Isto é, no mínimo, séria controvérsia.

Duas das grandes ênfases que nos foram legadas pelos Reformadores (tanto Luteranos como Calvinistas) são a incapacidade do homem e a soberana graça de Deus na salvação. Teimar que a fé antecede a regeneração compromete estas doutrinas bíblicas. Não obstante, é isto que tem sido pregado na maioria dos púlpitos evangélicos hoje.

Qual é a questão?

Muitos evangélicos bem-intencionados asseveram irredutíveis que a fé deve preceder a regeneração. Certo teólogo recentemente insistia que "Deus poderia - e mesmo - não iria regenerar um coração que não O reconheça". Isto é dito mais freqüentemente de maneira positiva: "Qualquer pessoa desejosa de aceitar a Jesus Cristo como seu Salvador e Senhor pode receber agora o novo nascimento".

Estas opiniões alicerçam-se em três pressupostos. Primeiro, que o homem natural não está espiritualmente tão morto em pecados que não possa crer em Deus para a salvação. Segundo, que a regeneração é uma dádiva de Deus em resposta à fé do homem (mas a fé em si mesma não é um dom). Deus nada faz (e nada pode fazer) para nos conduzir à fé nEle. Ele nos ama porque nós O amamos primeiro. Terceiro, Deus não seria justo se exigisse fé daqueles que são incapazes de crer.

Conquanto possam parecer piedosas ou bem-intencionadas, tais posições são perigosas para a vida espiritual do crente. Elas ignoram, distorcem, e contradizem claros ensinamentos bíblicos. Além do mais a posição "fé-antes-da-regeração" inevitavelmente rouba a glória de Deus, alimenta nossa arrogância espiritual, e priva o crente da segurança da salvação.

Que diz a Bíblia?

Qualquer que seja o ponto de vista popular em voga, a Palavra de Deus ensina claramente que a regeneração precede a fé — não é que o novo nascimento ocorre desassociado da fé inicial em Cristo. Não, regeneração e fé sempre ocorrem juntamente. A fé sempre acompanha a regeneração, que é produzida antes da fé. O pecador crê em Cristo porque Deus o regenerou, não ao contrário.

As razões para isso são simples e bíblicas. Primeiro, a Bíblia ensina que todos os homens estão espiritualmente monos e portanto incapazes de crer. Todos estão "debaixo do pecado" e ninguém tem o "temor de Deus" (Rm. 3:9,18). "Não há quem busque a Deus" (Rm. 3:11). Romanos 8:7-8 deixa claras as condições do homem antes da regeneração: aqueles que "estão na carne" estão em "inimizade contra Deus", "não podem agradar a Deus" nem "estão sujeitos à Lei de Deus". Jesus afirmava incisivamente que os homens estão escravizados ao pecado (Jo. 8:34). Além disso, tanto Paulo como Jesus nos afirma que o homem natural não pode 'Ver" nem "entender" as coisas espirituais {Jo. 3:3; ICo. 2:14). Por isso Paulo descreve o não-regenerado como morto "em delitos e pecados" (Ef. 2:1), não apenas debaixo da condenação do pecado, mas desprovido de vontade e incapaz de mudar (cf. Jr. 3:23). Tais pessoas não estão em condições de exercitar a fé salvadora.

Segundo, a Bíblia ensina que a regeneração é a obra de Deus em mudar os nossos corações e libertar-nos da servidão espiritual. Mesmo no Antigo Testamento os profetas enfatizam o papel de Deus em conceder vida espiritual (vide Ez. 36:26-27; Jr.31:33). Entretanto o Evangelho de João mostra mais claramente que a regeneração é obra de Deus. "O Filho vivifica aqueles a quem quer" (Jo.5:21b). "O que é nascido do Espírito, é espírito" (Jo. 3:6). Jesus disse a Nicodemus: "Importa-vos nascer de novo" (Jo. 3:7), mas João já havia nos dito que os salvos "não nasceram do sangue, nem da vontade da carne, nem da vontade do homem, mas de Deus" (Jo. 1:13). Não se deseja nascer de novo, tanto quanto um feto não pode desejar nascer. Só Deus é quem pode fazer esta grande obra espiritual. John Blanchard diz: "tornar-se um cristão não é dar um novo início na vida, mas receber uma nova vida para dar início".

Terceiro, a Bíblia nos ensina que só Deus é quem pode nos capacitar para crer. Paulo diz aos Filipenses: "Porque vos foi concedida a graça [...] de crerdes nEle" (Fp. 1:29). Noutras palavras, Deus os capacitou para terem fé em Cristo. Efésios 2:8 chama toda nossa salvação, e inclusive a fé, de "dom de Deus". A fé é chamada de fruto da obra do Espírito no crente (GL5:22). A Escritura afirma incontestavelmente que a fé salvadora resulta de um coração regenerado. Por exemplo, João diz que "todo aquele que crer que Jesus é o Cristo é nascido de Deus" (ljo. 5:1a). A fé é o resultado e a evidência da regeneração. Paulo expõe isso com mais veemência: "ninguém que fala pelo Espírito de Deus afirma: Anátema Jesus!" (ICo. 12:3b). Isto é, ninguém pode crer sem a capacitação do Espírito. É assim que Lucas descreve a experiência inicial de fé de Lídia: "o Senhor lhe abriu o coração para atender às cousas que Paulo dizia" (At. 16:14). A fé é, em si mesma, o fruto da regeneração, não a sua causa. Para poder crer, é necessário que, antes, você esteja vivo.

É aqui que muitos cristão tropeçam, pois suas mentes não podem deslindar o "Paradoxo do Evangelho": o homem precisa crer em Cristo para ser salvo, e ele não poderá crer sem que Deus o regenere. Não é que a Bíblia seja obscura sobre o tema, mas que esta doutrina é difícil de ser engolida por homens inchados de orgulho.

Por um lado nosso Senhor Jesus Cristo mesmo diz: "Vinde a mim todos [...]" (Mt. 11:28), e por outro: "Ninguém pode vir a mim se o Pai [...] não o trouxer" (Jo. 6:44). Jesus está se contradizendo? Não. Está sendo insincero em seu convite? Não. Seu ensinamento enfatiza tanto a responsabilidade de crer como a necessidade de Deus nos conceder graciosamente nova vida espiritual, antes de podermos colocar nEle a nossa confiança.

Que importância tem?

Bênçãos espirituais importantes fluem quando os crentes se agarram a este ensino. Piimeiro, a segurança da sua salvação é fortalecida. Compreende que Deus o amou primeiro, que o regenerou, e que esta fé em Deus é o fruto da graciosa iniciativa de Deus.

Segundo, o orgulho é banido porque reconhecemos que mesmo a nossa fé — pela qual recebemos todos os benefícios da obra redentiva de Cristo é uma dádiva de Deus.

E finalmente, toda a glória é dada ao Deus que nos salvou. Porque ao crermos que a nossa salvação é, do começo ao fim, fruto da graça de Deus, poderemos cantar e louvar ao Senhor com o autor do hino:

Contemplei o Senhor, e depois compreendi,
Que, buscando-me, moveu-me a buscá-lo;
Não fui eu, ó vero Salvador, que te achei;
Mas, por Ti, fui encontrado.

terça-feira, 14 de agosto de 2012

Maturidade Espiritual - por H.D Lopes

Rev. Hernandes Dias Lopes
Maturidade espiritual é o alvo do discipulado. A grande ênfase de Jesus na grande comissão é “fazer discípulos”. Nosso compromisso, portanto, vai além da evangelização. O Senhor quer mais do que crentes ou novos membros em sua igreja, ele quer discípulos. O discipulado é efetivado através da integração na igreja local, pelo batismo, e através do ensino contínuo. O ensino que Jesus estabeleceu vai além da comunicação verbal da verdade. O princípio estabelecido por Jesus é, “ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado.” O verdadeiro ensino desemboca na obediência. Não se trata apenas de aprender um acervo teológico e doutrinário, mas esse acervo deve ser convertido em vida transformada, ou seja, em maturidade espiritual.
O discípulo é um seguidor e imitador de Cristo. Seu alvo é aprender com Cristo e de Cristo. Sua vida deve refletir a vida de Cristo. Ele deve andar assim como Cristo andou. Sem obediência a Deus, não há cristianismo autêntico. Sem santidade, não há evidência de maturidade espiritual. Sem maturidade espiritual, não podemos viver de modo digno de Deus.
O grande alvo do ministério de Paulo era conduzir os crentes à maturidade espiritual (Colossences 1:28). O conteúdo de suas orações em favor da igreja sempre foi por maturidade espiritual. A Bíblia nos foi dada para que pudéssemos chegar à maturidade espiritual (2 Timóteo 3:15-17). Os dons espirituais nos foram concedidos para que experimentássemos maturidade espiritual ( Efésios 4:11-16). Sem maturidade a igreja fica vulnerável aos ventos de doutrinas (Efésios 4:14). Sem maturidade espiritual a igreja corre o risco de fazer dos dons esprituais uma matéria de conflito e desarmonia em vez de canal para edificção do corpo (1 Coríntios 12:12-31).
A maturidade espiritual é medida pelo conhecimento e pelo amor. É impossível chegarmos à maturidade sem o conhecimento das Escrituras. O profeta Oséias denunciou que o povo de Deus perece por falta de conhecimento (Oséias 4:6). Quando a igreja despreza ou subestima o ensino sólido e fiel das Escrituras, ela sucumbe diante das muitas novidades, forâneas à verdade, que aparecem no mercado religioso. Precisamos ser zelosos da doutrina para podermos reconhecer o que é falso ensino e assim rechaçá-lo. Mas, maturidade espiritual é medida também pelo amor. O mundo vai nos conhecer como discípulos de Cristo através do amor (João 13:34,35). A igreja de Éfeso, embora fiel à doutrina e vigilante às heresias, falhou por abandonar o seu primeiro amor (Apocalipse 2:4). Sem amor nossa prática cristã torna-se farisaica.
À luz das Escrituras, você é um crente maduro? Você tem estudado a Bíblia diariamente? Tem adorado a Deus em espírito e em verdade? Tem obedecido os princípios absolutosde Deus, contidos em sua Palavra, com alegria? Tem procurado honrar, agradar e glorificar a Deus em suas atitudes, palavras e ações dentro do lar, no seu trabalho e nos seus relacionamentos? Tem partilhado com outras pessoas o Evangelho da Graça? Tem amado os seus irmãos e até mesmo os seus inimigos? As pessoas que convivem com você podem atestar, que de fato, você vive de modo digno do Evangelho? O seu prazer e o seu maior alvo de vida é realizar a vontade de Deus?
Maturidade espiritual não é apenas para uma minoria privilegiada, mas o propósito de Deus para todos os seus filhos. Ela é imperativa para mim e para você