terça-feira, 16 de novembro de 2010

Buscando a Deus

Pr. J Miranda - “Bem aventurados os que guardam seus testemunhos, e que os buscam de todo o coração” (Sl 119.2) –


Buscar a Deus significa o ardente desejo de ter comunhão com ele de maneira mais íntima, segui-lo mais plenamente, manter a mais perfeita união com sua mente e vontade, promover sua glória e compreender plenamente tudo o que ele é para os corações san¬tos. O homem abençoado já possui a Deus, e por esse motivo ele o busca. Isso pode parecer contraditório; mas é apenas um paradoxo.
Deus não é buscado genuinamente pelas frias ponderações do cérebro; é preciso que o busquemos com o coração. O amor se manifesta amando; Deus manifesta seu coração no coração de seu povo. E vão esforçarmo-nos em compreendê-lo através da razão; é preciso compreendê-lo através da afeição. O coração, porém, não deve ser dividido entre muitos objetos, se porventura o Se¬nhor é buscado por nós. Deus é um só, e não o conheceremos até que nosso coração seja um com o dele. Um coração quebrantado não necessita de ser dominado pela angústia, porque nenhum co¬ração é tão íntegro em sua busca por Deus como o coração que¬brantado, do qual cada fragmento suspira e clama pelo rosto do grande Pai. E o coração dividido que a doutrina do texto censura, e, por estranho que pareça, na fraseologia bíblica um coração pode estar dividido sem estar quebrantado, e pode estar quebrantado, porém não dividido; e no entanto pode ser quebrantado e estar curado, e nunca pode estar curado antes de ser quebrantado. Quan¬do nosso coração inteiro busca o Deus santo em Cristo Jesus, en¬tão ele se chega para aquele de quem está escrito: "Tantos quantos o tocavam, ficavam perfeitamente curados”.

O que o salmista admira neste versículo ele reivindica no déci¬mo, onde diz: "De todo meu coração te busquei” Fica tudo bem quando a admiração de uma virtude leva à obtenção da mesma. Os que não crêem na bem-aventurança de buscar o Senhor provavelmente não terão seus corações estimulados para a desejarem; mas aquele que acena para outro bem-aventurado por cau¬sa da graça que nele vê, está no caminho de granjear para si a mesma graça.

Se os que buscam o Senhor são bem-aventurados, o que di¬zer daqueles que realmente habitam com ele e sabem que ele lhes pertence?
Os que seguem a Palavra de Deus não amam a iniqüidade; a regra é perfeita, e se ela for constantemente seguida não haverá erro. Ávida, para o obser¬vador do lado de fora, consiste em atos; e aquele que, em suas atividades, nunca se desvia da eqüidade, quer em relação a Deus, quer em relação aos homens, realmente tomou o caminho da per-feição, e estejamos certos de que seu coração é íntegro nele. Então notamos que um coração íntegro se desvia do mal, porquanto o salmista diz: "Que o buscam de todo o coração. Também não pra¬ticam iniqüidade." Receamos que ninguém tenha como alegar ser absolutamente destituído de pecado; todavia nutrimos confiança de que existam muitos que podem alegar que intencional, voluntá¬ria, consciente e continuamente fogem de fazer o que é perverso, ímpio ou injusto. A graça conserva a vida íntegra, mesmo quando o cristão se põe a deplorar as transgressões do coração. Conside¬rados como seres humanos, julgados por seus semelhantes de acor¬do com as normas que os homens impõem aos homens, o genuíno povo de Deus não pratica iniqüidade: são honestos, íntegros e cas¬tos e, no que tange à justiça e moralidade, são inculpáveis. Portan¬to são bem-aventurados. C . H. Spurgeon.
Andam em seus caminhos. Inclinam-se não só para os gran¬des princípios da lei, mas também para os mínimos detalhes de preceitos específicos. Uma vez que fogem de perpetrar qualquer pecado de comissão, assim também esforçam-se por se ver livres de todo pecado de omissão. Não lhes basta ser inculpáveis, também desejam ser ativamente justos. É possível que um ermitão fuja para a solidão a fim de não praticar a iniqüidade; um santo, toda¬via, vive em sociedade a fim de servir a seu Deus andando em seus caminhos. Precisamos ser justos tanto positiva quanto negativa¬mente: jamais teremos a posse do segundo, a menos que tomemos posse do primeiro; pois os homens terão que percorrer um cami¬nho ou outro, pois se não seguirem a vereda da lei de Deus, logo estarão praticando a iniqüidade. A mais segura maneira de abster-se do mal é vivendo totalmente ocupados na prática do bem. Este versículo descreve os cristãos como existem entre nós: embora se¬jam falhos e frágeis, todavia odeiam o mal e não se permitirão viver nele; amam as veredas da verdade, da justiça e da genuína piedade, e habitualmente andarão nelas. Não alegam ser absoluta¬mente perfeitos, exceto em seus anseios, nos quais são de fato puros; pois anseiam ser guardados de todo pecado e de ser guia¬dos a toda a santidade. Gostariam de andar sempre segundo o anseio de seus corações renovados, de seguir o Senhor Jesus em cada pensamento, palavra e ação; sim, gostariam que todo seu ser fosse a encarnação da santidade.

Fugindo do Pecado

Ele, porém, deixando as vestes nas mãos dela, saiu, fugindo para fora.Gênesis 39.12


A o lutarmos contra determinados pecados, não existe ou¬tra maneira de obtermos a vitória, exceto a fuga. Os antigos naturalistas escreveram muito sobre basiliscos, cujos olhos fas¬cinavam suas vítimas e tornavam-nas vítimas fáceis; semelhan¬temente, o mero contemplar a perversidade nos coloca em solene perigo. Aquele que deseja estar protegido contra atos de peca¬do tem de fugir de ocasiões propícias a tais atos. Temos de fa¬zer uma aliança com nossos olhos, a fim de que nem mesmo contemplemos aquilo que nos causa tentações, pois tais pecados necessitam somente de uma faísca para acendê-los e logo se tor¬nam um fogo enorme.
Quem deseja entrar no leprosário e dor¬mir em meio à horrível deterioração ali existente? Somente aquele que deseja se tornar leproso cortejaria, desse modo, a contami¬nação. Se o marinheiro soubesse como evitar a tempestade, ele faria tudo para não correr o risco de passar por ela.
Marinhei¬ros cuidadosos não têm desejo de ver quão perto da areia mo¬vediça podem navegar, nem de ver com que freqüência podem tocar uma rocha sem que a água entre no barco. Seu alvo é se manter tão distante do perigo quanto for possível e nevegar no meio de um canal seguro. Hoje, talvez eu esteja exposto a gran¬des perigos. Preciso ter sabedoria de uma serpente para man¬ter-me distante deles e evitá-los. É verdade que eu posso ser um aparente perdedor ao rejeitar más companhias., porém, é melhor deixar a capa do que perder o caráter (ver Gênesis 39.12).

Não é necessário que eu seja rico, mas é imperativo que eu seja puro. Nenhum laço de amizade ou correntes que me prendem ao engano da beleza, nenhum momento de talento carnal me afastará da sábia resolução de fugir do pecado. Tenho de resis¬tir ao diabo; assim, ele fugirá de mim (ver Tiago 4.7). E tenho de fugir das concupiscências da carne, pois, do contrário, elas me vencerão. Ó Deus da santidade, preserve seus Josés a fim de que não sejam enfeitiçados por sugestões vis. Que a terrível trin¬dade do mundo, da carne e do diabo nunca nos domine.

Charles Haddon Spurgeon

Espera pelo SENHOR.

Parece ser fácil esperar, mas às vezes, muitos anos têm de se passar, antes de aprendermos a esperar. É mais fácil avançar¬mos gradual e constantemente do que permanecermos quietos. Existem horas de perplexidade, em que o espírito mais dispos¬to, que deseja com ansiedade servir ao Senhor, não sabe que direção tomar. Então, o que fazer? Se atormentará pelo deses¬pero? Retornará por covardia, correrá para a direita, em temor, ou avançará apressadamente, em presunção? Não, deve sim¬plesmente esperar.

Espere em oração. Invoque a Deus, apresentando o seu caso diante dEle. Conte-Lhe sua dificuldade e clame pelo cumpri¬mento da promessa de ajuda. Estando em dilema entre um dever e outro, é mais agradável ser humilde como uma criança, espe-rando no Senhor com simplicidade de alma. Com certeza, as coisas sucedem bem para nós quando sentimos e conhecemos nossa própria loucura e quando estamos sinceramente dispos¬tos a ser guiados pela vontade de Deus. Espere em fé. Expresse ao Senhor a sua inabalável confiança nEle. Esperar sem fé e con¬fiança é um insulto ao Senhor. Creia que, mesmo se Ele lhe mantiver esperando por longo tempo, virá no tempo certo.

A visão se cumprirá e não tardará. Espere em calma paciente, não se rebelando por estar passando por aflição; antes, bendizendo a Deus pela aflição. Jamais murmure como o fizeram os filhos de Israel contra Moisés. Nunca deseje voltar ao mundo, mas aceite a situação como ela é, colocando-a, de todo o seu coração, sem qualquer vontade pessoal, nas mãos de seu Deus da alian¬ça, confessando-Lhe: "Senhor, faça-se a tua vontade e não a minha. Eu não sei o que fazer. Cheguei ao extremo. Mas, espe¬rarei até que Tu dividas o mar ou faças retroceder os meus inimigos. Aguardarei mesmo que me mantenhas esperando por muitos dias, porque o meu coração está firmado tão-somente em Ti, O Deus. Meu espírito espera em Ti, na plena convicção de que serás minha alegria e salvação, meu refúgio e torre forte”.

Charles Haddon Spurgeon

sábado, 6 de novembro de 2010

Você é de fato um Cristão?

Você é cristão? Essa é a pergunta que estou fazendo e solicitando que pense a respeito. Quero que você pergunte a si mesmo como pode ter certeza que Jesus Cristo é seu Salvador, e que a misericórdia de Deus já lhe alcançou. Nos capítulos anteriores eu disse que podemos saber estas coisas - e examinamos as diferentes formas em que Deus age para trazer as pessoas a Si.
Agora quero apresentar alguns sinais ainda mais evidentes que mostram que uma pessoa é cristã autêntica. A fé é um desses sinais, pois a fé é necessária para que sejamos salvos do pecado. Como Paulo e Silas disseram ao carcereiro em Filipos, "Crê no Senhor Jesus Cristo, e serás salvo" (Atos 16:31).
Apesar disso, às vezes as pessoas pensam que a fé é misteriosa - tão estranha e misteriosa que jamais a podem atingir. Para elas eu diria: a fé não é tão difícil como muitos pensam. Sim - a fé é dádiva de Deus, e não podemos produzi da. Mas, "Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo" (Rom. 10:9). Leia a passagem inteira em Romanos, capítulo 10, versículos 5 a 13, e verá que Paulo está dizendo que a fé não é coisa difícil. De fato é uma questão da vontade e do coração. Significa chegar-se a Jesus Cristo, descansar e confiar nEle, apoiar-se nEle e achar nosso tesouro nEle. Fé é questão de querer a Jesus Cristo, e procurá-1o para salvação do pecado. Significa receber a Jesus desse modo. João diz: "a todos quantos o receberam, deu lhes o poder de serem feitos filhos de Deus" (João 1:12). Fé significa vir a Cristo, buscando-O com anseio. "Tudo o que o Pai me dá virá a mim", diz Jesus, e o que vem a mim de maneira nenhuma o lançarei fora" (João 6:37). Fé significa buscar a Jesus e querer a Sua salvação -"Olhai para mim, e sereis salvos, vós todos os termos da terra" (Is. 45:22).
Assim a fé, do modo que estou falando no momento, não é algo difícil; não significa ter o entendimento de coisas difíceis sobre Deus. Inicialmente, fé não implica em crer que Deus me escolheu, ou que Deus me ama, ou que Cristo morreu por mim. Essas coisas são, de fato, difíceis. Mas a fé que traz a todos nós para as bênçãos de Deus não é assim; a fé que nos traz à salvação é questão de querer a Cristo, ser levado a Ele, apoiar-se e ter confiança nEle.
Mesmo assim, para alguns, essa fé salvadora é reivindicação excessiva. Dizem-nos que é excesso de confiança dizer que foram levados a Jesus Cristo. Entretanto, se devemos ser salvos, temos que ter aquela fé que nos conduz a Jesus Cristo e não nos deixa afastar dEle. Sem essa fé confiante, nada mais será suficiente. A não ser que creiamos, ainda estamos condenados por Deus. "Quem não crê já está condenado; porquanto não crê no nome do unigênito Filho de Deus" (João 3:18). Assim, ter fé salvadora não e nada demais para reivindicar. Se não podemos reivindicá-la, não temos esperança nenhuma.
Ainda assim, as pessoas dizem que não podemos ter certeza de possuirmos fé. O apóstolo João, no entanto, nos diz em sua Primeira Epístola que aquele que crê tem um testemunho em si mesmo (1 João 5:10). Noutras palavras,podemos saber que estamos confiando em Cristo. Como podemos saber disso? Bem, no último capítulo expliquei que muitas vezes descobrimos que Deus nos predispôs para a fé. Ficamos convencidos de que estamos perdidos; percebemos que não podemos nos salvar do pecado, e que somente Cristo é capaz de nos salvar completamente. Sabemos que essa é a única coisa boa que podemos fazer. Esse tipo de predisposição ocorre muitas vezes antes da vinda da fé verdadeira.
Outras coisas vêm com essa fé verdadeira. Se estamos confiando em Cristo, vamos querer que Ele controle as nossas vidas; aprenderemos do Seu ensino; vamos querer nos entregar completamente e sem reserva a Ele. Todas estas coisas, e outras mais, acompanham a fé autêntica; mas embora sejam evidências para nós, devo dizer ainda que, à parte delas, podemos saber em nós mesmos, pela ajuda costumeira do Espírito Santo, se realmente temos fé no Senhor Jesus Cristo -ou se não a temos.
Talvez ajude se eu disser um pouco mais sobre a natureza desta fé. A Bíblia a descreve de vários modos -pois a fé é uma experiência diferente para pessoas diferentes. Às vezes é descrita como querer se unir a Deus e à Sua paz. Isaías chama isso de "olhar para Deus": "Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os termos da terra" (Is. 45:22). Olhar pode parecer um ato de fé muito fraco, pois podemos olhar àquilo que não devemos aproximar nem tocar; podemos olhar a alguém a quem não temos coragem de falar. Contudo, Deus prometeu que aqueles que olharem para Ele com fé serão salvos do pecado. Isso é simplesmente evidenciado como olhar para Deus, querer ser unido a Deus. É dessa fé que a Bíblia fala ao se referir como "querer": "Quem quiser, tome de graça da água de vida" (Apoc. 22:17). Essa fé que olha para Deus também é descrita como ter "fome e sede de justiça" (Mat. 5:6).
Às vezes a fé é descrita com "dependendo do Senhor", ou "descansando" em Jesus Cristo. É colocada também como "confiando em Deus". Isaías nos diz que Deus conservará em paz perfeita aqueles cujas mentes estão fixas nEle, porque confiam nEle (Is. 26:3).
A fé também é descrita como "esperando por Deus". Deus prometeu: "os que confiam em mim não serão confundidos" (Is. 49:23). De fato, a Bíblia nos mostra claramente que Cristo pode fazer o bem aos pecadores segundo a necessidade deles. A fé nos leva a Cristo nos modos como Ele é descrito: quando ouvimos sobre Cristo como o pão da vida, a fé tem fome dEle; quando ouvimos sobre Cristo levantado da morte, a fé crê que Deus O levantou. A fé crê no nome de Jesus, conforme todos os modos em que Jesus é descrito.
Deixem-me repetir, entretanto, que nem todos experimentam a fé do mesmo modo ou com o mesmo ímpeto. No Novo Testamento Jesus fala de certas pessoas que tinham uma grande fé. Um caso desses é o centurião (Mat. 8:10). Dessas falas de Jesus podemos perceber que enquanto outros tinham a fé autêntica, nem todos tinham uma grande fé. Assim, não imaginem que a fé tenha que se mostrarem todas as formas que descrevi, a fim de ser real.
Lembrem-se também, que a fé varia em vigor, até na mesma pessoa. As vezes a fé de alguém está forte e pode ser facilmente percebida; depois pode se tornar fraca e a incredulidade se torna mais forte.
Então, a fé se evidencia de muitos modos; mas o que está no âmago da fé verdadeira é o seguinte: estar contente e satisfeito com o plano da salvação de Deus, através de Jesus Cristo. Quando alguém está agradecido pela morte de Cristo no lugar dos pecadores (o que significa que Deus pode, em justiça, perdoar pecadores), então aquela pessoa tem a fé que salva pecadores. A fé salvadora significa desistir totalmente de pensar em conseguir o favor de Deus por meio das obras, e em lugar disso, descansar no que Cristo fez para tomar sobre Si o castigo devido ao pecador. Essa fé está em todos os que nasceram de novo - em todo o verdadeiro cristão -mesmo que não seja evidenciada por todas as maneiras sobre as quais falei.
Assim, o que devemos perguntar a nós mesmos é simplesmente o seguinte: estou satisfeito com o Senhor Jesus Cristo? Ele é aquele a quem dou mais valor do que a qualquer outra coisa? É precioso para mim, por ser o único caminho para Deus? Estar satisfeito com Jesus Cristo como aquele que carregou os nossos pecados e é o nosso único Salvador, é fé autêntica. Isso é crer com o coração. É estar satisfeito com o caminho de Deus para a salvação de pecadores através de Cristo; é concordar com o caminho de Deus para a salvação, e recebê-lo com alegria, através de Jesus Cristo. Deixem-me repetir, podemos saber se temos fé assim, pois não podemos ter dúvidas sobre isso se estamos descansando inteiramente em Jesus Cristo para nos levar a Deus, e se valorizamos o Senhor Jesus Cristo acima de todos e de tudo o mais. Aquele que crê desse modo não perecerá, mas terá "a vida eterna" (João 3:16).
Todavia, seria possível existir uma fé falsa que seja como a verdadeira e tão parecida que não podemos perceber a diferença? Ora, muitos admiram Jesus hoje, assim como muitos creram nEle quando viram os milagres que fez. Como poderemos distinguir essa falsa fé, fé simulada, da fé genuína, verdadeira?
Primeiro, a fé falsa nunca desiste totalmente da idéia de que podemos ajudar, ao menos um pouco, em nossa própria salvação do pecado. Fé falsa faz com que as pessoas perguntem, como o homem em Lucas 10:25: "que farei para herdar a vida eterna?" A falsa fé também quer apegar-se a outras coisas além de Cristo. Assim, a falsa fé nunca confia completamente em Cristo, e somente em Cristo.
Em segundo lugar, pessoas com falsa fé não querem que Cristo as dirija, ou faça a paz entre elas e Deus em todos os tempos, ou ensine-as e as guie. A falsa fé de fato não recebe a Cristo como rei, sacerdote e profeta.
Em terceiro lugar, a falsa fé não está pronta a seguir a Cristo pelas agruras, perdas e sofrimentos. A fé verdadeira quer somente a Cristo, não importa o que custe.
Explicarei depois outras diferenças entre a fé autêntica e a falsa. Por exemplo, somente a fé autêntica tem o efeito de purificar a vida interna da pessoa (Atos 15:9). Onde houver fé autêntica, sempre haverá também todas as virtudes espirituais (Gal. 5:22-23).
Autor – William Guthrie

Você é Consagrado?

O cristão vivo é o consagrado. É nossa distância do céu que nos torna tão insípidos: é o fim que vivifica todos os meios, e mais vigoroso será nosso movimento, se observamos esse fim com freqüência e de forma clara. Como os homens trabalham de forma incansável e se aventuram sem medo, quando pensam em um prêmio proveitoso! Como o soldado arrisca sua vida, e o marinheiro enfrenta tormentas e ondas; como eles, cheios de alegria, circundam a terra e o mar, e nenhuma dificuldade os intimida, quando pensam em um tesouro incerto e perecível! Quanta vida seria acrescentada nos esforços do cristão se ele antecipasse com freqüência esse tesouro eterno! Corremos devagar, e esforçamo-nos de forma indolente, porque nos importamos muito pouco com o prêmio! Quando o cristão saboreia constantemente o maná velado, e bebe dos rios do Paraíso de Deus, como esse manjar e néctar divinos acrescentam vida a ele!


Como, em suas orações, seu espírito será fervoroso, quando ele considerar que ora por nada menos que o céu! Observe o homem que passa muito tempo no céu e verá que ele não é como os outros cristãos. Algo do que ele viu lá em cima aparece em suas responsabilidades e em sua conversa; ainda mais, pegue esse mesmo homem logo após retornar dessas visões bem-aventuradas e perceberá facilmente que ele se sobrepuja a si mesmo, e como seus sermões são divinos. Se ele for um cristão comum, ele terá uma conversa divina, orações divinas e atitudes divinas! Quando Moisés esteve com Deus no monte, ele recebeu tanta glória de Deus que seu rosto resplandecia a ponto de as pessoas não conseguirem olhar para ele.

Amados amigos, se você apenas se dedicar a isso, essa glória também estará com você. Os homens, quando conversassem com você, veriam sua face resplandecer e diriam: "Certamente, ele esteve com Deus". Se você tivesse luz e calor, então por que não passaria mais tempo debaixo da luz do sol? Se você tivesse mais dessa graça que flui de Cristo, por que não passaria mais tempo com Cristo para ter ainda mais? Sua força está no céu, e sua vida também está no céu, e ali você deve buscá-las todos os dias, se quiser tê-las. Por falta desse recurso do céu, sua alma é como uma vela apagada, e seu serviço como um sacrifício sem fogo. Para sua oferta queimar, é preciso que busque carvão nesse altar. Para sua vela brilhar, é preciso acendê-la nessa chama e alimentá-la todos os dias com o óleo proveniente dali; fique próximo desse fogo renovador e veja como seus sentimentos ficarão revigorados e fervorosos. Como os olhos alimentam os sentimentos sensuais por meio do olhar fixo nos objetos fascinantes, também os olhos de nossa fé, por meio da meditação, inflamam nossos sentimentos em relação ao Senhor, ao mirar com freqüência essa mais sublime beleza.



Você pode exercitar suas funções de muitas outras formas, mas essa é a forma de exercitar suas bênçãos. Todas elas provêm de Deus, a fonte, e levam a Deus, o fim último, e são exercitadas em Deus, o objeto principal delas, de forma que Deus é tudo em todos. Elas vêm do céu, e a natureza delas é divina, e elas o direcionarão para o céu e o levarão para lá. E como o exercício abre o apetite e dá força e vida ao corpo, o mesmo também acontece com a alma. Pois como a lua é mais gloriosa e fica mais cheia quando fica mais diretamente face a face com o sol, também sua alma ficará mais cheia de dons e de bênçãos quando vir a face de Deus mais de perto. Seu zelo compartilhará da natureza dessas coisas que o impulsionam: portanto, o zelo que é inflamado por suas meditações sobre o céu, provavelmente, será um zelo mais divino, e a vida do espírito que você busca na face de Deus deve resultar em uma vida mais sincera e consagrada.

Se você apenas pudesse ter o espírito de Elias, e na carruagem da contemplação pudesse elevar-se nas alturas até que se aproximasse da vivificação do Espírito, sua alma e seu sacrifício arderiam gloriosamente, apesar de a carne e o mundo lançar sobre eles a água de toda sua inimizade antagônica. Pois a fé tem asas, e a meditação é a carruagem; sua responsabilidade é tornar presente as coisas ausentes. Você não vê que um pequeno pedaço de vidro, quando direcionado para o sol, condensará de tal forma seus raios e calor a ponto de queimar aquilo que está atrás dele, mas que, sem ele, esse objeto teria recebido apenas pouco calor? Oras, sua fé é o vidro que faz queimar seu sacrifício, e a meditação o posiciona diante do sol; apenas não o afaste logo, mas segure-o ali por um pouco de tempo, e sua alma sentirá o venturoso efeito.

Certamente, se conseguirmos entrar no Santo dos Santos, trazendo de lá a imagem e o nome de Deus, guardando-os em nosso coração, bem pertinho de nós, isso possibilitará que façamos maravilhas: toda responsabilidade que realizarmos será uma maravilha, e aqueles que a presenciarem prontamente dirão: "Ninguém jamais falou da maneira como esse homem fala" (Jo 7.46). O Espírito nos dominará, como aquelas línguas de fogo, e far-nos-á falar a todos sobre as obras maravilhosas do Senhor.

Autor – Richard Baxter