terça-feira, 8 de abril de 2014

“A Vida Cristã Deve se Conformar com a Cultura?



Os apoiadores de Calvino de hoje se queixam “Nenhum líder Cristão jamais tem sido, com tanta freqüência, condenado por tantos. E o fundamento usual para a condenação é a execução de Servetus e a doutrina da predestinação”.[76]De fato, Servetus foi apenas uma de muitas vitimas do calvinismo levado às suas conclusões lógicas. Os defensores geralmente pleiteiam que o que Calvino fez era uma prática comum e que ele deveria ser julgado conforme o padrão de ser tempo. Ser “Novas criaturas em Cristo” para não ir além do que as convenções de suas culturas e de seus momentos na história? Certamente não!A soberania de Deus em controlar e causar todas as coisas que ocorrem é o coração do calvinismo. O calvinista fiel C. Gregg Singer declara que “a grandiosidade secreta da teologia de Calvino está nas garras do ensino bíblico da soberania de Deus”.[77]Calvino verdadeiramente poderia ter acreditado que ele era o instrumento escolhido de Deus desde a eternidade passada para coagir, torturar e matar a fim de forçar os cidadãos de Genebra ao comportamento que Deus predestinou e causaria? Calvino tem sido aclamado como um exemplo piedoso que baseou seu exemplo e teologia unicamente na Escritura. Mas, muito do que ele fez não era bíblico e era extremo, embora consistente com sua teologia. Esse fato não é uma razão suficiente para examinar o calvinismo cuidadosamente a partir das Escrituras? Que o Papa e Lutero se juntaram em uma aliança profana com o governo civil para aprisionar, açoitar, torturar e matar dissidentes em nome de Cristo não justifica Calvino. Não é possível que algo da teologia de Calvino eraantibíblico como os princípios que guiaram sua conduta? William Jones declara:E com respeito a Calvino, é manifesto que …a mais odiosa característica em todo o multiforme caráter do papado aderiu nele por toda a vida – eu quero dizer o espírito de perseguição.[78]Não é somente Cristo o padrão de seus seguidores? E Ele não é sempre o mesmo, imutável pelo tempo ou cultura? Como os papas podem ser condenados (e certamente são) pelo mal que eles fizeram sob a bandeira da cruz, enquanto Calvino é dispensado por fazer o mesmo, embora em uma escala menor? As seguintes são somente duas passagens, entre muitas que condenam Calvino:• Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. (Tiago 3:17)• Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele [Cristo] andou. (1 João 2:6)Eu me pergunto como tantos líderes Cristãos de hoje podem continuar a elogiar um homem cujo comportamento foi muitas vezes tão distante dos exemplos bíblicos refletidos acima.”
Respostas: (a) O motivo para a execução de Servet não foi a predestinação, mas a negação da doutrina da Trindade. (b) Com relação a questão cultural, até os arminianos se utilizam dela para negarem doutrinas bíblicas. Por exemplo, muitos deles afirmam que a proibição de Paulo com relação as mulheres exercerem função eclesiástica (1 Co 14:34,35; 1 Tm 2:11,12) era baseada em questões culturais de sua época ou em sua própria opinião. (c)Quando os anabatistas e os arminianos jesuítas perseguiram, confiscaram, amaldiçoaram, roubavam e assassinavam seus oponentes, suas práticas estavam ligadas diretamente à sua questão soteriológica e eclesiológica? Eu só queria que o Dave Hunt e os seus simpatizantes respondessem esta pergunta!(d) A despeito do desprezo de Dave Hunt e de seus simpatizantes a Calvino, o fato é que nem mesmo isso vai poder ofuscar o brilho da obra e da vida de Calvino na Europa e no mundo todo, conforme testemunho de outros arminianos. Por exemplo, o Pr. Claudionor Correa de Andrade (ministro das Assembleias de Deus):
"Conhecido como o grande sistematizador dos postulados cristãos, Calvino ostentava como texto-áureo de seu labor teológico esta oração latina 'Sola Scriptura'. Tendo em vista este princípio (Somente a Escritura), Calvino pode ser considerado um teólogo essencialmente bíblico" (Dicionário Teológico, edição de 1996, p.65).
Rev. David S Schaff (metodista arminiano):
"Os comentários de Calvino são um monumento de exposição crítica dos livros bíblicos" (Nossa Crença e de Nossos Pais, p.56).
Nelws Lawrence Olson (arminiano), diz de Calvino:
“Este grande reformador viveu entre os anos 1509 e 1564 e foi grandemente usado por Deus para trazer novamente a luz do evangelho ao mundo, após tantos séculos de obscurantismo. Suas opiniões teológicas são estudadas até hoje por todos que exercem liderança espiritual” (O Batismo Bíblico e a Trindade, [CPAD], p.71)
E até o próprio James Arminio (1560-1609), pai dos arminianos, dizia de Calvino:
"Depois da leitura das Escrituras..., e mais do que qualquer outra coisa,... eu recomendo a leitura dos Comentários de Calvino ... Pois afirmo que na interpretação das Escrituras Calvino é incomparável, e que seus comentários são mais valiosos do que qualquer coisa que nos tenha sido legada nos escritos dos pais — tanto assim que atribuo a ele um certo espírito de profecia no qual se encontra em uma posição distinta acima dos outros, acima da maioria, na verdade, acima de todos" (Carta escrita a Sebastian Egbertsz, publicada em P. van Limborch e C. Hartsoeker, Praestantium ac Eruditorum Virorum Epistolae Ecclesiasticae et Theologicae [Amsterdam, 1704], nº 101).
Fonte: Grupo Projetos Novos Reformadores, no facebook.
Os apoiadores de Calvino de hoje se queixam “Nenhum líder Cristão jamais tem sido, com tanta freqüência, condenado por tantos. E o fundamento usual para a condenação é a execução de Servetus e a doutrina da predestinação”.[76]De fato, Servetus foi apenas uma de muitas vitimas do calvinismo levado às suas conclusões lógicas. Os defensores geralmente pleiteiam que o que Calvino fez era uma prática comum e que ele deveria ser julgado conforme o padrão de ser tempo. Ser “Novas criaturas em Cristo” para não ir além do que as convenções de suas culturas e de seus momentos na história? Certamente não!
A soberania de Deus em controlar e causar todas as coisas que ocorrem é o coração do calvinismo. O calvinista fiel C. Gregg Singer declara que “a grandiosidade secreta da teologia de Calvino está nas garras do ensino bíblico da soberania de Deus”.[77]Calvino verdadeiramente poderia ter acreditado que ele era o instrumento escolhido de Deus desde a eternidade passada para coagir, torturar e matar a fim de forçar os cidadãos de Genebra ao comportamento que Deus predestinou e causaria? Calvino tem sido aclamado como um exemplo piedoso que baseou seu exemplo e teologia unicamente na Escritura. Mas, muito do que ele fez não era bíblico e era extremo, embora consistente com sua teologia. Esse fato não é uma razão suficiente para examinar o calvinismo cuidadosamente a partir das Escrituras? Que o Papa e Lutero se juntaram em uma aliança profana com o governo civil para aprisionar, açoitar, torturar e matar dissidentes em nome de Cristo não justifica Calvino. Não é possível que algo da teologia de Calvino eraantibíblico como os princípios que guiaram sua conduta? William Jones declara:
E com respeito a Calvino, é manifesto que …a mais odiosa característica em todo o multiforme caráter do papado aderiu nele por toda a vida – eu quero dizer o espírito de perseguição.[78]
Não é somente Cristo o padrão de seus seguidores? E Ele não é sempre o mesmo, imutável pelo tempo ou cultura? Como os papas podem ser condenados (e certamente são) pelo mal que eles fizeram sob a bandeira da cruz, enquanto Calvino é dispensado por fazer o mesmo, embora em uma escala menor? As seguintes são somente duas passagens, entre muitas que condenam Calvino:
• Mas a sabedoria que do alto vem é, primeiramente pura, depois pacífica, moderada, tratável, cheia de misericórdia e de bons frutos, sem parcialidade, e sem hipocrisia. (Tiago 3:17)
• Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele [Cristo] andou. (1 João 2:6)
Eu me pergunto como tantos líderes Cristãos de hoje podem continuar a elogiar um homem cujo comportamento foi muitas vezes tão distante dos exemplos bíblicos refletidos acima.”
Respostas: (a) O motivo para a execução de Servet não foi a predestinação, mas a negação da doutrina da Trindade. (b) Com relação a questão cultural, até os arminianos se utilizam dela para negarem doutrinas bíblicas. Por exemplo, muitos deles afirmam que a proibição de Paulo com relação as mulheres exercerem função eclesiástica (1 Co 14:34,35; 1 Tm 2:11,12) era baseada em questões culturais de sua época ou em sua própria opinião. (c)Quando os anabatistas e os arminianos jesuítas perseguiram, confiscaram, amaldiçoaram, roubavam e assassinavam seus oponentes, suas práticas estavam ligadas diretamente à sua questão soteriológica e eclesiológica? Eu só queria que o Dave Hunt e os seus simpatizantes respondessem esta pergunta!(d) A despeito do desprezo de Dave Hunt e de seus simpatizantes a Calvino, o fato é que nem mesmo isso vai poder ofuscar o brilho da obra e da vida de Calvino na Europa e no mundo todo, conforme testemunho de outros arminianos. Por exemplo, o Pr. Claudionor Correa de Andrade (ministro das Assembleias de Deus):
"Conhecido como o grande sistematizador dos postulados cristãos, Calvino ostentava como texto-áureo de seu labor teológico esta oração latina 'Sola Scriptura'. Tendo em vista este princípio (Somente a Escritura), Calvino pode ser considerado um teólogo essencialmente bíblico" (Dicionário Teológico, edição de 1996, p.65).
Rev. David S Schaff (metodista arminiano):
"Os comentários de Calvino são um monumento de exposição crítica dos livros bíblicos" (Nossa Crença e de Nossos Pais, p.56).
Nelws Lawrence Olson (arminiano), diz de Calvino:
“Este grande reformador viveu entre os anos 1509 e 1564 e foi grandemente usado por Deus para trazer novamente a luz do evangelho ao mundo, após tantos séculos de obscurantismo. Suas opiniões teológicas são estudadas até hoje por todos que exercem liderança espiritual” (O Batismo Bíblico e a Trindade, [CPAD], p.71)
E até o próprio James Arminio (1560-1609), pai dos arminianos, dizia de Calvino:
"Depois da leitura das Escrituras..., e mais do que qualquer outra coisa,... eu recomendo a leitura dos Comentários de Calvino ... Pois afirmo que na interpretação das Escrituras Calvino é incomparável, e que seus comentários são mais valiosos do que qualquer coisa que nos tenha sido legada nos escritos dos pais — tanto assim que atribuo a ele um certo espírito de profecia no qual se encontra em uma posição distinta acima dos outros, acima da maioria, na verdade, acima de todos" (Carta escrita a Sebastian Egbertsz, publicada em P. van Limborch e C. Hartsoeker, Praestantium ac Eruditorum Virorum Epistolae Ecclesiasticae et Theologicae [Amsterdam, 1704], nº 101).
Fonte: Grupo Projetos Novos Reformadores, no facebook.

segunda-feira, 7 de abril de 2014

Responsabilidade Bíblica - Por: R. K. McGregor Wright


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Talvez uma explicação calvinista do significado de responsabilidade ajude a clarear o problema. Devemos começar com uma definição: responsabilidade é simplesmente um sinônimo de “prestar contas”, e significa que devemos responder diante de Deus, o juiz, por nossas ações. Isso quer dizer que, se Deus nos chama para tratar de uma de nossas ações, ficamos moralmente obrigados a responder por ela diante de Deus. Somos “responsáveis” diante de Deus. Embora a Escritura não use o termo abstrato responsabilidade, o fato de que seremos finalmente chamados à juízo é frequentemente encontrado em toda a Escritura. A Bíblia baseia a responsabilidade em quatro coisas.
Primeira, somos responsáveis diante de Deus porque ele é o Criador e nós somos criaturas. Deus tem liberdade de chamar qualquer elemento de sua criação para responder diante dele a qualquer hora — é simplesmente sua prerrogativa como Senhor Soberano. O barro está sujeito ao Oleiro simplesmente porque ele é o Oleiro. Em outras palavras, nossa responsabilidade está baseada em nossa ontologia, ou em nosso ser, como criaturas. Esta é a mensagem de Jó, quando Deus lhe responde do meio do redemoinho (Jó 3 8.1 -4), e de Isaías, que contém uma longa polêmica contra aqueles que se esquecem do Criador a fim de adorar a criatura (40-57). Paulo sumariza os resultados dessa irresponsabilidade moral em Romanos 1. Ele empresta de Isaías (29.16; 45.9; 64.8), de Jeremias (18.1 -6) a imagem do Oleiro e do barro que ele usa em Romanos 9.21. No final, todos nós compareceremos perante o tribunal de Deus (Rm 14.10). No final, “todo joelho se dobrará” (Is 45.23).
Segunda, somos responsáveis diante de Deus porque ele é o ponto de referência moral para o que é certo e errado, e não nós próprios. Isso é o que é vinculado ao nosso reconhecimento de Deus como santo. Nossa responsabilidade diante de Deus é uma necessidade ética, por causa de nossa necessidade de um padrão fora de nós mesmos. Jó percebeu que como Deus é soberano sobre sua criação, ele também é justo permanecendo contra a pecaminosidade de Jó (40.1 -5; 42.1-6). Na verdade, Jó não havia feito nada para merecer o tratamento que recebeu de Deus. Ele havia sido mais reto do que seus amigos “confortadores”, e seu entendimento da situação foi mais teologicamente correto do que as explicações especulativas que eles ofereceram para os sofrimentos de Jó (1.22; 42.7). Mas o próprio Deus é o padrão moral tanto para ele próprio como para nós, como Eliú mostrou no capítulo 34. Portanto, Jó tinha de submeter-se inteiramente ao que Deus fez, tenha ele entendido a razão de tudo ou não. Nem o próprio Jó descobre o que o leitor do livro sabe — que Jó é realmente peça de um jogo bem maior, na grande disputa entre Deus e Satanás (1.6-12; 2.1-7). Deus não está obrigado a dizer-nos todas as coisas. Antes, o pequeno conhecimento que temos é um ato de misericórdia.
Terceira, somos responsáveis diante de Deus pelo conhecimento que temos. Todos os pecadores pecam (mais ou menos) contra a luz e a verdade. Ninguém é destituído totalmente da luz da consciência, e seremos julgados de acordo com a luz que temos (Rm 2.12-16). Aqueles que têm menos conhecimento serão julgados menos severamente do que aqueles que pecam com mais luz. Daniel adverte o rei Belsazar de que ele conhecia mais coisas a respeito dos tratos anteriores com Deus do que seu pai Nabucodonosor: “Tu, Belsazar, que és seu filho, não humilhaste o teu coração, ainda que sabias tudo isto” (Dn 5.22). Em Lucas, o servo ignorante que desobedeceu é punido menos severamente do que o servo que conhecia a vontade de seu senhor e, ainda assim, não fez a sua vontade (Lc 12.42-48). Assim, há graus de responsabilidade neste sentido. Podemos chamar isso de nossa responsabilidade epistemológica. Somos responsáveis pelo que conhecemos — poderia ser dito que há uma mordomia da verdade pela qual deveremos responder finalmente diante de Deus.
Quarto, somos responsáveis porque o propósito da criação é a glória de Deus (Is 43.7; Cl 1.16; Ap 4.11), e somos responsáveis como mordomos das bênçãos de Deus para cumprir o fim ou o propósito de Deus em criar-nos no mundo. Deus ama sua criação e finalmente “destruirá aqueles que destroem a terra” (Ap 11.18). Podemos nos referir a esta responsabilidade como sendo a responsabilidade teleológica, porque ela diz respeito à nossa tarefa como servos no desígnio da criação, que é a de trazer glória a Deus.
Parece, então, que longe de basear a responsabilidade humana em alguma teoria do livre-arbítrio inato no ser humano, a Bíblia baseia-a nas implicações da distinção entre o Criador e a criatura, e as relaciona com as quatro áreas clássicas da ontologia, ética, epistemologia e teleologia. Em outras palavras, por toda a Escritura, a responsabilidade é um reflexo de nossa relação com Deus como Criador, como a origem do significado moral, como nosso ponto de referência para a verdade revelada e como aquele que dá propósito e direção últimos à sua criação. E se Deus é, de fato, o ponto de referência máximo para o significado nas quatro áreas do ser, do conhecer, da ética e do propósito, onde poderia a criatura permanecer para elaborar uma crítica racional de qualquer coisa que Deus possa fazer? Esse é o ponto filosófico em que se baseia o desafio de Paulo em Romanos 9.20: “Quem és tu, ó homem, para discutires com Deus?” Não há simplesmente nenhum ponto de partida disponível para um ser finito num universo finito. Para uma criatura, todos os pontos são relativos. Somente por ouvir primeiro a revelação de Deus pode um ser finito ter qualquer ponto de referência fixo. Este tópico será levantado novamente no capítulo 11, onde trataremos da questão da localização da referência suprema.
Fonte: A Soberania Banida, Editora Cultura Cristã, págs. 61-63.
Extraído de: [ Monergismo ]

sexta-feira, 4 de abril de 2014

Evangélicos: da reserva moral à vanguarda inescrupulosa





Exemplos indignos de igreja gananciosa, mais respeitados que Estevão – cristão esquecido, mártir da fé resistente à religião retributivista, na compaixão, na misericórdia, no cuidado com os demais – Simão, Ananias e Safira fascinam evangélicos recentes tais como mágicos vigaristas e trapaceiros no viaduto Santa Efigênia. Políticos, segundo as últimas notícias que envolvem senadores e deputados federais do Congresso, envolvidos em mensalão, operação sanguessuga, propinodutos permanentes, representando milhões de evangélicos. São eleitos como “homens de fé evangélica” mesmo respondendo a acusações e processos por fraude, roubo e corrupção. Compõem a nova linguagem política nos púlpitos e nos templos transformados em palanques da nova forma cultural de “ser evangélico”. Leem a Bíblia fundamentalista, adestrando os fiéis para o uso da urna; defendem com unhas e garras o senador eleito com auxílio do crime organizado; promovem para nova eleição o deputado que renunciou para escapar à cassação do mandato evitando a inelegibilidade... Com a palavra os pastores parlamentares.


Algo que é muito embaraçoso nos tempos atuais é a verdade sobre a compreensão “evangélica” que torna a visão de Deus, do homem, da sociedade e do mundo extremamente preocupante, fazendo corar os que ainda têm vergonha. Ganância, sacrifício financeiro em favor de dirigentes religiosos, hoje são virtudes evangélicas e não pecados veniais. Promessas de prosperidade, politicagem rasteira, tal qual incômodas apostasias e heresias dos primeiros séculos da Igreja. Esse conhecimento nos traz uma culpabilidade relativa, uma vez que aceitamos e nos impregnamos do pragmatismo propositista do fundamentalismo que se ensina nas igrejas e que procuramos assimilar a qualquer custo. São absurdos, descalabros, no caminho e na transmissão da fé consolidada nos 150 anos de protestantismo no Brasil, com a Bíblia a tiracolo.

É o fim do conceito da transparência. Fomos sempre conhecidos como reserva moral da sociedade. Passamos à vanguarda imoral. Agora pertencemos ao lixo que faz feder o nome “evangélico”. Roubar, fraudar, usar de falsidade ideológica, enganar eleitores, não é mais pecado imperdoável. Escrevendo a Melanchton, Lutero disse em bom latim: “Esto peccator et pecca fortiter” (Sê pecador e peca forte). Só que esses evangélicos que não seguem o pensamento do grande reformador protestante fazem questão do acréscimo apócrifo: ...“e crede mais fortemente na impunidade”. Eis o complemento do evangelho pelo avesso, na ganância de nossos parlamentares, evangelicais ferrenhos em suas campanhas. Igrejas/palanques dominam, controlam e influenciam a inveja das igrejas menores, enquanto pastores do baixo clero e cabos eleitorais da corrupção alimentam campanhas eleitorais sem pudor cristão.

Dietrich Bonhoeffer, mártir do cristianismo moderno, dizia que é preciso estar atento ao fato de que Deus entrou na história e na carne da humanidade por meio de Jesus Cristo.

Nossa herança difere da herança de outros povos e outras culturas quanto à revelação do Evangelho encarnado, quando prenunciava a pós-modernidade religiosa (carismática), a secularização evangélica (êxtase e ganância), vendo religiosos agindo como se Deus não existisse. Arrogando-se de serem donos do destino histórico de cada um e da sociedade humana em seu todo.

Agrade-nos, ou não, “nossos antepassados bíblicos são testemunhas do ingresso de Deus na história humana” (Thomas Merton). Deus, não o movimento carismático, retributivista, sem escrúpulos, faz nossa história. Quer admitamos ou não, sendo protestantes, evangélicos, católicos, a revelação aponta para Jesus, que veio para o “mundo” e o mundo não o conheceu (Jo 1.10). Jesus não utilizou sua imagem para impor a hegemonia evangelical triunfalista que adotamos. Ao menos no período apostólico da Igreja, os cristãos respeitavam o ethos bíblico. Por que nossos concílios eclesiásticos não acordam enquanto se recolhem em solidariedade implícita à desonestidade reinante? É um sofrimento ler a Bíblia e a história do protestantismo nesse cenário de omissão.


• Derval Dasilio é pastor da Igreja Presbiteriana Unida do Brasil. 
Fonte: [ Ultimato ]

quarta-feira, 2 de abril de 2014

Crente Também Tem Depressão – Dr. David Murray


 Crente também tem depressãoMuitos cristãos equivocadamente acreditam que crente de verdade não entra em depressão, e esse falso entendimento põe ainda mais dor e culpa sobre cristãos que estão sofrendo de angústia mental e emocional. David P. Murray sai em defesa dos cristãos deprimidos, afirmando que, sim, crente pode cair em depressão! Ele explica por que e como os cristãos devem estudar a depressão, o que ela é, qual deve ser a abordagem dos cuidadores, pastores, e como a igreja pode auxiliar aqueles que estão sofrendo com depressão. Com claro e sábio discernimento bíblico, Dr. Murray oferece ajuda e esperança àqueles que sofrem de depressão, aos membros da família e amigos envolvidos no processo, e aos pastores que ministram a estes membros feridos do rebanho.
“Recomendo enfaticamente este novo e prático livro sobre depressão e enfermidades psiquiátricas. Ele é o resultado condensado de muita leitura e sabedoria pastoral, digeridas em alguns capítulos de linguagem acessível. Este livro é cheio de amor cristão por aqueles que sofrem deste modo e por quem mais precisa de nossa compaixão e sensibilidade. Gostaria de ter conhecido o conteúdo destas páginas quando eu era ainda um ministro bem jovem”.
— Maurice Roberts, ministro da congregação de Inverness da Free Church of Scotland (Continuing).
“Se eu cair em depressão, este livro será o primeiro a quem recorrerei. Se eu tiver um parente ou membro da igreja lutando com a depressão, este será o primeiro livro que irei lhe repassar. Este claro, conciso, e compassivo livro do meu estimado colega Dr. David Murray é supreendentemente simples e eminentemente prático. Nestas páginas você encontrará um mundo de saudável conselho bíblico e sabedoria para lidar com uma variedade de casos de depressão”.
—   Joel Beeke, presidente do Puritan Reformed Theological Seminary, Grand Rapids

terça-feira, 1 de abril de 2014

Carta ao Meu Filho Por Pr. Josafá Vasconcelos



Esta carta foi por mim escrita e dirigida ao meu filho Samuel, que anos atrás se envolveu emocionalmente com uma jovem descrente. Na época minha esposa e eu ficamos muito preocupados e iniciamos uma batalha pela salvação de sua alma. Graças ao Senhor ele considerou a Palavra de Deus, e, por Sua misericórdia, libertou o meu amado filho de cair na “linsonja da mulher estranha”. Hoje ele está casado com Helen, uma serva de Deus, com quem tem uma mimosa filhinha da aliança, Sara.

O propósito de publicar esta carta é advertir aos jovens que estão no mesmo envolvimento emocional, sendo seduzidos por Belial até que a “flecha lhe atravesse o coração; como a ave que se apressa para o laço, sem saber que isto poderá lhe custar a vida”. Meu desejo também é de encorajá-los a ouvirem a voz da Sabedoria ― o Senhor Jesus.  
____________
Meu querido filho Samuel, meu primogênito, consagrado ao Senhor. Sua mãe e eu o amamos muito e nutrimos grande esperança de vê-lo feliz e abençoado, principalmente sendo útil na causa do Mestre. Temos orado incessantemente por você, principalmente agora que você está passando por essa provação. Como seu pai e também como seu pastor, quero, com muito amor, mas também firmeza, lhe trazer, em nome do Senhor, uma exortação bíblica, que espero possa lhe ajudar a tomar a decisão certa neste caso.


Meu filho, Deus propôs, desde a eternidade, escolher um povo para si, resgatá-lo e separá-lo dos demais povos, para que fosse exclusivamente seu. Estabeleceu com ele uma aliança para se relacionar e lhe pôs um selo específico (uma marca) para distingui-lo e proibiu terminantemente o relacionamento mais íntimo de qualquer dos seus filhos com os demais pecadores. Desejo lhe mostrar na Escritura, desde o Éden, este propósito da parte do Senhor. Deus prometeu um salvador a Adão e a Eva, bem como a toda sua descendência (Gn. 3:15). Caim matou Abel, e não foi contado como pertencente à Aliança. Por isso a descendência chamada santa, ou dos filhos de Deus, começou no capitulo 5 com Sete: “Viveu Adão cento e trinta anos e gerou um filho à sua semelhança e conforme a sua imagem e chamou-lhe Sete” (Gn. 5:3). Caim não foi considerado e Abel já estava com Senhor.


No capitulo 6, encontramos a primeira ameaça, que trouxe desgraça e destruição: “Como se foram multiplicando os homens na terra, e lhes nasceram filhas, vendo os filhos de Deus, que as filhas dos homens eram formosas, tomaram para si, mulheres...” (Gn. 6:1-2). Essa contaminação provocou a ira de Deus que chegou a se arrepender de ter feito o homem e destruiu a maioria deles no dilúvio. O casamento misto, reduziu o número dos participantes da aliança a 8 pessoas! De Noé, Deus escolheu Sem e assim retomou a linhagem santa até o Abraão, quando, de um modo mais claro, revelou sua vontade de manter um povo distinto na terra, para o louvor de sua glória, chamando Abraão e estabelecendo uma aliança com ele. Quando Isaque, seu filho, alcançou a idade adulta, Abraão mandou seu servo buscar, junto aos seus parentes, linhagem de Sem, mulher para ser esposa do seu filho. Abraão foi tão enfático em insistir que só poderia ser uma jovem de sua parentela que fez o servo jurar solenemente colocando a mão debaixo de sua coxa (Gn. 24:1-9). Por quê? Porque Abraão conhecia os propósitos do Senhor e os terríveis prejuízos que viriam caso a linhagem santa fosse contaminada.


O mesmo sucedeu quando Jacó e Esaú estavam na idade de se casarem. Rebeca e certamente seu pai Isaque, estavam tristes e preocupados com a possibilidade de seus filhos contaminarem a aliança com o casamento misto, veja: (Gn. 27:46 e 28:1-9). Jacó obedeceu, mas Esaú não, e foi deixado de fora. Outra ameaça surge no cap.34, do mesmo livro, com o estupro de Diná. Foi proposta uma ”conversão” forjada, que seria de grave conseqüência para o povo todo, e Deus usou o ódio dos irmãos de Diná, para destruir aqueles homens de Siquém “circuncidados”.


 Muitos anos se passaram até que Satanás voltasse a ameaçar a pureza da Aliança e o povo de Deus com o pecado do relacionamento misto. Agora o povo de Deus estava atravessando o deserto. Balaque, rei dos moabitas, temendo a Israel, contratou Balaão para maldiçoar o povo, mas Balaão embora no íntimo quisesse, não conseguiu. Foi então que, inspirado por Satanás, ensinou a Balaque uma fórmula maligna e infalível: o relacionamento misto (Nm 31:15-16). Isso resultou num grande juízo da parte de Deus contra o povo e morreram 24.000 pessoas vitimadas por uma terrível praga, que só cessou quando Finéias transpassou com sua lança um israelita que chorava agarrado à sua namorada estrangeira (Nm 24 — leia todo). Temos mais tarde o caso de Sansão. Deus se utilizou das loucuras de Sansão para livrar Israel, mas isto não o isenta da culpa de ter se casado e depois se relacionado com mulheres que não eram da aliança.


Quando quis se casar com uma filistéia, seus pais o recriminaram, (Juízes 14:1-3) porque sabiam que esta desobediência cheirava ruína e morte. Agora a Escritura expõem a triste experiência de Salomão, um jovem rei, que contou com o apoio de seu pai que o aconselhou (I Reis 2 :1-4) e o instruiu (Prov. 4). Tinha a melhor das intenções, pediu sabedoria e recebeu, mas arruinou-se por causa do pecado do casamento misto. O capitulo 11 de I Reis diz: “Ora, além da filha de Faraó, amou Salomão muitas mulheres estrangeiras: moabitas, amonitas, edomitas, sidônita e hetéias, mulheres das nações de que havia o Senhor dito a Israel: não caseis com elas, nem casem elas convosco, pois vos perverteriam o coração, para seguirdes os seus deuses. A estas se apegou Salomão pelo amor”.


Após o exílio, depois de grande sofrimento, em fim o povo retorna para sua terra, por mercê de Deus. Mas Esdras descobre que algo estava errado e a ameaça estava de novo rondando o povo, era o pecado do casamento misto. Sob a liderança de Esdras o sacerdote, o povo foi exortado fortemente e uma grande consternação e arrependimento tomou conta dos que haviam voltado a Sião por terem se envolvido em casamento misto. No capitulo 10 de Esdras, vemos a descrição desse fato e do drama que se instalou na difícil tarefa de ter que despedir as mulheres estrangeiras e seus filhos.


Neemias, servo do Senhor, na mesma ocasião, como governador, usando de sua autoridade, tratou com severidade os envolvidos. “Contendi com eles e os amaldiçoei e espanquei alguns deles e lhes arranquei os cabelos...” e os admoestou relembrando-lhes o que acontecera com Salomão, cujas mulheres estrangeiras o fizeram cair em pecado. (Ne. 13:21-27) No Novo Testamento, nada mudou a este respeito, a aliança é a mesma e os seus termos também. Em Cristo fomos chamados para debaixo da aliança, para dentro da comunidade de Israel (Ef 2:12-13). Somos agora o povo santo de Deus (I Pe. 2:9-10), seus filhos e, o mesmo que Ele requereu deles no Velho Testamento, requer agora de nós: “Não vos ponhais em jugo desigual com os incrédulo...que harmonia, entre Cristo e o Maligno? Ou que união do crente com o incrédulo?” (II Co. 6:14-18). Casamento, somente “no Senhor” (I Co. 7:39). Por isso, meu filho, não podemos sequer admitir um envolvimento, ainda que seja apenas sentimental, de um filho da aliança, com uma moça ímpia, filha de Belial. Lembre-se que para o Senhor Jesus, não é pecado somente aquilo que é externo, mas o que já existe no coração (Mt. 5: 27-28).


Meu filho, por quem tenho derramado lágrimas, intercedendo e suplicando todos os dias diante do trono da graça. Sei que esse sentimento é involuntário, e você não é responsável por ele, mas o ter facilitado para que ele surgisse, e visse a nutri-lo e protegido. Isso é pecado e entristecesse a Deus. É preciso ser mais duro contra o pecado, não acaricie aquilo que corre como câncer no seu coração e que no fim lhe leva à morte. Rogue a Deus e implore para que Ele extirpe do seu coração este sentimento.
Tome providências severas contra ele. Corte todos os meios para que ele seja nutrido. Faça exatamente o que diz o texto: “retirai-vos do meio deles, separai-vos, diz o Senhor” (II Co. 6:17,18). Eu sei que dói, mas o Senhor sofreu muito mais por você. Sei que você tem tentado resistir, mas... “Ora na vossa luta contra o pecado ainda não resististe até o sangue” (Hb 12:4). Estamos orando por você, sua mãe e eu, “na expectativa que Deus lhe conceda, não só o arrependimento... mas também o retorno à sensatez, livrando-o dos laços do diabo...” (II Tim. 2:26).