quinta-feira, 10 de maio de 2012

O Espírito e a Pregação -Por Dr. Sinclair Ferguson




Nas listas que o Novo Testamento apresenta, é dado um lugar central aos dons para o ensino e a pregação da palavra de Deus. Isso já era verdadeiro nos dias apostólicos, como deixa transparecer claramente o ministério dos apóstolos.

O ministério de Paulo em Éfeso exibe este enfoque com grande clareza. Ele chegou a ser caracterizado pelos sinais confirmativos do ministério apostólico até mesmo além do normal: “Deus fazia milagres extraordinários ...” (At 19.11). Todavia, a peça central da obra de Paulo foi a preleção na escola de Tirano, onde por dois anos ele ensinou diariamente aos discípulos. O seu  comentário pessoal sobre aquele período de sua vida é iluminador: ensinou aos efésios; pregou o reino e proclamou todo o conselho de Deus (At 20.20; 25; 27). De fato, uma tradição textual sugere que ele fez isso até durante o período da sesta (= descanso) diária, por várias horas, talvez por cinco horas a fio, a cada dia.



À luz disto, as instruções de Paulo a Timóteo, que ultimamente estava ministrando em Éfeso, adquire uma significação especial. O foco de sua atenção é posto no papel central do ensino e pregação bíblicos no período pós-apostólico. Timóteo devia dar atenção não só à leitura (1 Tm 4.13), mas devotar-se ao manejo da palavra de Deus com eficácia (2 Tm 2.15). Deveria pregar de tal maneira que ficasse bem claro como a Escritura é “útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça”. Enquanto assim pregasse a palavra, ele deveria “corrigir, repreender e encorajar – com grande paciência e criteriosa instrução” (3.16–4.2; a divisão normal de capítulo não é muito feliz aqui).


Nesta conexão, Paulo considera a palavra de Deus como “a espada do Espírito” (Ef 6.17), pela qual ele tem em mente não só que ela foi forjada pelo Espírito (inspiração), mas também que ela é empregada pelo Espírito com poderoso efeito (cf. Hb 4.12-13). Através dela o Espírito honra a Cristo e produz convicção de pecado (Jo 16.8/11), como ele fez através da pregação de Pedro no Dia de Pentecostes. Embora a proclamação feita pelas línguas tenha impressionado alguns dos que a ouviram, foi a pregação que Pedro fez com base nas Escrituras que efetuou a conversão de três mil pessoas.

Em outra parte Paulo indica o que está no coração de comunhão tão eficaz. Ela não provém de nenhuma retórica, sabedoria ou oratória humanas, mas do poder – a marca registrada do Espírito (cf. At 1.8). Sua pregação aos coríntios foi “não com sabedoria e palavras persuasivas, mas com a demonstração do poder do Espírito” (1Co 2.4). Sua pregação aos tessalonicenses foi de um caráter semelhante: “nosso evangelho veio a vós não simplesmente com palavras, mas também com poder, com o Espírito Santo e com profunda convicção... recebestes a mensagem com alegria produzida pelo Espírito Santo” (1Ts 1.5-6).

Várias coisas caracterizavam tal pregação. A primeira era o evidente enfoque de Paulo centrado na pessoa e obra de Cristo (1Co 1.23; 2.2) e, particularmente, no Cristo crucificado como o poder e sabedoria de Deus. A segunda era a maneira como ela se adequava na grade da função das Escrituras dadas pelo Espírito (ensino, repreensão, correção e cura, e treinamento na justiça, cf. 2 Tm 3.16–4.2). A terceira era o contexto no qual ela era posta na vida do pregador. Aqui se torna relevante nossa discussão anterior sobre a união com Cristo, pois a poderosa pregação de Paulo parece ter sido com freqüência um correlato de sua experiência de provações e angústias. Ele vivia em Corinto “em fraqueza e temor, e... muito tremor” (1Co 2.3). Foi na incitação do sofrimento e insulto em Filipos que ele pregou em Tessalônica de forma muito frutífera (1 Ts 2.2). Em Cristo ele era fraco, ainda que vivesse com Cristo para servir em seu ministério (2 Co 13.5).

A marca registrada da pregação que o Espírito efetua é a “ousadia” (parrhesia = pan +rhesis, At 4.13, 29, 31; Fp 1.20; cf. 2 Co 7.2). Como no Antigo Testamento, quando o Espírito enche o servo de Deus, ele “se veste” com essa pessoa, e os aspectos da autoridade do Espírito são ilustrados na corajosa declaração da palavra de Deus. Essa ousadia parece envolver exatamente o que ela denota: há liberdade de expressão. Obtemos vislumbres ocasionais disto em Atos dos Apóstolos. O que foi dito do antigo pregador da Nova Inglaterra, Thomas Hooker, se torna uma visível realidade: quando ele pregava, os que o ouviam sentiam como se ele tivesse pegado um rei e posto em seu bolso! Há um senso de harmonia entre a mensagem que está sendo proclamada e o modo como o Espírito se veste com o mensageiro. Aqui as cortantes palavras de Gordon Fee certamente acertam o alvo:

A oratória polida às vezes ouvida dos púlpitos, onde o próprio sermão parece ser o alvo do que se diz, causa admiração se o texto for ouvido. O próprio ponto de Paulo requer uma nova audição. O perigo está sempre em deixar a forma e o conteúdo substituir aquilo que deve ser a única preocupação: o evangelho proclamado através da fragilidade humana, mas acompanhado pela poderosa obra do Espírito, de tal sorte que as vidas são transformadas pelo encontro do divino-humano. Isso é difícil de se ensinar num curso de homilética, mas ainda permanece como a verdadeira necessidade na pregação genuinamente cristã.([1])

A pregação da palavra de Deus é o dom central do Espírito, dado por Cristo à igreja. Por meio dela a igreja é edificada em Cristo (Ef 4.7-16). Provar-se-á ser um dos enigmas da vida eclesiástica contemporânea, quando visualizada à luz de alguma era futura, que a abdicação da qualidade e da confiança na exposição da Escritura e a fascinação com a imediação das línguas, interpretações, profecia e milagres eram coincidências?

A vida eclesiástica contemporânea, quando visualizada à luz de alguma era futura, não nos provará que um dos seus enigmas, qual seja a abdicação da qualidade e da confiança na exposição da Escritura e a fascinação com a imediação das línguas, interpretações, profecia e milagres, eram coincidência?

Fonte: “Dons Para o Ministério” – Dr. Sinclair Ferguson – Editora os Puritanos, pp. 54-58

quarta-feira, 9 de maio de 2012

Depressão espiritual – John Stott (1921-2011)



 Por que você está assim tão triste, ó minha alma? Ponha a sua esperança em Deus!
SALMO 42.5

A depressão parece ser uma condição bastante comum entre os cristãos. Não me refiro à depressão clínica, que pode necessitar de psicoterapia especializada, mas à depressão espiritual, com a qual deveríamos ser capazes de lidar por nós mesmos.

O autor dos salmos 42 e 43 (que evidentemente formam um único salmo) é claro acerca de sua depressão. Para começar, ele está com sede de Deus (tão sedento quanto a corça pelas águas), porque está separado dele, passando por algum tipo de exílio forçado. Ele lembra das grandes celebrações do passado, quando "entrava para apresentar-se a Deus" (42.2), e anseia por retornar "ao altar de Deus", fonte de sua plena alegria (43.4).

Sua depressão se deve, no entanto, não somente à ausência de Deus, mas também à presença dos inimigos. Eles o provocam perguntando: "Onde está o seu Deus?" (42.3, 10). Eles fizeram essa pergunta em parte porque eram idolatras — seus deuses podiam ser vistos e tocados, enquanto o "Deus vivo" (42.2) é invisível e intangível — e em parte porque Deus aparentemente não era capaz de defender seu povo.

Cada estrofe termina com o mesmo refrão (42.5,11; 43.5), no qual o salmista fala com sua própria alma. As pessoas costumam dizer que falar sozinho é o primeiro sinal de loucura. Ao contrário, trata-se de um sinal de maturi¬dade — embora dependa daquilo que estamos conversando conosco mesmos! No texto o salmista se recusa a resignar-se à sua condição ou ao seu estado de espírito. Ele toma as rédeas de sua vida.

Primeiramente, ele se questiona: "Por que você está assim tão triste, ó minha alma?" Sua pergunta inclui uma repreensão implícita. Em seguida, ele exorta a si mesmo: "Ponha a sua esperança em Deus!". Somente Deus é digno de nossa confiança. Por fim, ele diz a si mesmo: "Pois ainda o louvarei; ele é o meu Salvador e o meu Deus". O uso duplo do pronome possessivo, "meu Salvador e meu Deus", é muito significativo. O salmista está reafirmando sua relação de aliança com Deus, e nenhuma variação de humor pode destruir isso.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Não o Glorificaram como Deus - João Calvino (1509-1564)




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Porquanto, tendo conhecido a Deus, não o glorificaram como Deus, nem lhe deram graças, antes em seus discursos se desvaneceram, e o seu coração insensato se obscureceu.
Romanos 1:21



Tendo conhecimento de Deus. Ele claramente afirma, aqui, que Deus pôs o conhecimento de si mesmo nas mentes de todos os homens. Em outras palavras, Deus tem assim demonstrado sua existência por meio de suas obras a fim de levar os homens a verem o que não buscam conhecer de sua livre vontade, ou seja, que existe Deus. O mundo não existe por meios fortuitos nem procedeu de si mesmo. Mas é preciso notar sempre qual o grau de conhecimento em que permaneceram, como veremos a seguir.


Não o glorificaram como Deus. Nenhuma concepção de Deus é possível ser formulada sem que se inclua eternidade, poder, sabedoria, bondade, verdade, justiça e misericórdia. Sua eternidade é evidenciada pelo fato de que ele mantém todas as coisas em suas mãos e faz que todas as coisas estejam em harmonia com ele. Sua sabedoria é percebida no fato de que ele dispôs todas as coisas em perfeita ordem. Sua bondade consiste em que não há nenhuma outra causa para que ele criasse todas as coisas nem existe alguma outra razão que o induza a preservá-las, senão sua bondade. Sua justiça se evidencia no modo como ele governa o mundo, visto que pune os culpados e defende os inocentes. Sua misericórdia consiste em que ele suporta a perversidade dos homens com inusitada paciência. E sua verdade consiste no fato de que ele é imutável. Aqueles, pois, que pretendem formular alguma concepção de Deus, devem dar-lhe o devido louvor por sua eternidade, sabedoria, bondade, justiça, misericórdia e verdade.


Visto que os homens têm deixado de reconhecer estes atributos em Deus, ao contrário o têm retratado imaginariamente como se fosse um fantasma insubstancial, tem-se dito, com justiça, que eles o têm impiamente despido de sua glória. Não é sem razão que Paulo adicione que nem lhe deram graças, pois não há ninguém que não esteja individado para com a infinita munificência divina, e somente por esta razão ele nos põe na condição de eternos inadimplentes diante de sua condescendência em revelar-se a nós. Mas seus pensamentos tornaram-se rateis, e seus corações insensatos se obscureceram, ou seja: renunciaram a verdade de Deus e se voltaram para a vaidade de seus próprios raciocínios, os quais são completamente indistinguíveis e impermanentes. Seu coração insensível, sendo assim entenebrecido, não pode entender nada corretamente, senão que se acha precipitado em erro e falsidade. Esta é a injustiça [da raça humana], ou seja: que a semente do genuíno conhecimento foi imediatamente sufocada por sua impiedade antes que pudesse medrar e amadurecer.

Apresse-se lentamente – Matyn Lloyd-jones (1899-1981)



Eis aqui um homem (Salmo 73) repentinamente tentado, tentado a dizer algo, ou. . .a fazer algo. É tão grande a força da tentação que por pouco ele não perde o equilíbrio. Ele está a ponto de cair na tentação, e nos conta o que foi que o salvou. Aqui vai: «Se eu pensara em falar tais palavras» — ele estivera a ponto de dizer alguma coisa — «já aí teria traído a geração de teus filhos». Como age ele? Qual o seu método?

A primeira coisa que ele faz é segurar-se. . . Ele se conteve de dizer o que lhe estava na ponta da língua. Estava ali, mas ele não o disse. Pois bem, isso é tremendamente importante. O salmista percebeu a importância de nunca falar precipitadamente, de nunca falar cedendo a um impulso. . . Seria excelente regra prática para qualquer um adotar, independentemente de ser crente. . . com relação a esta disciplina espiritual, temos que fazer coisas que, à primeira vista, não parecem ser especificamente cristãs. Mas se elas servem para contê-lo, use-as.

Há muita gente ansiosa para estar sempre no pico culminante, espiritualmente falando, gente que por essa mesma razão vive rolando morro abaixo, até o vale. É que não levam em consideração os métodos comuns. Não evitam fazer aquilo que o autor do Salmo 116 fizera. . . Ele faz uma confissão repassada de sinceridade.,Diz ele: «Eu disse em minha precipitação: Todo homem é mentiroso». Disse isso apressadamente, e esse foi o seu erro. Este homem do Salmo 73 havia descoberto, justo quando estava a ponto de cair, a importância de nada dizer precipitadamente. Para o crente é um erro grave falar ou fazer precipitadamente qualquer coisa. (vide Tiago 1.18))...  não é óbvio que se ao menos puséssemos em prática este princípio específico, a vida seria muito mais harmoniosa? . . . Que montão de cutiladas e provocações, de rixas e calúnias e desgraças poderiam evitar-se em todas as esferas da vida, se tão somente déssemos atenção a essa ordem! . . .Pare e pense. Se você não pode fazer nada mais, pare!

domingo, 6 de maio de 2012

Culto Simples - Presb. Manoel Canuto


Temos hoje uma verdadeira batalha em torno da defesa da liberdade religiosa. Muitas entidades, até mesmo não religio­sa, buscam a defesa da livre prática das muitas crenças. E toda esta batalha gira essencialmente em torno do modo como se presta culto à sua divindade. O mundo tem defendido, com poucas exceções, que cada pessoa adore livremente ao seu deus. Alguns, e não poucos, manifestam a opinião de que não se deve condenar nenhuma religião, sob pena de incorrer em condenável crime do preconceito contra a cidadania. Todos dizem que qualquer pessoa tem o “direito” de adorar ao deus que deseja e da forma que imagina. I. G. Vos afirma que se esta palavra “direito” não for bem entendi­da teremos muita confusão e mal entendido. Na verdade há uma diferença entre direito civil e direito moral. O direito civil tem sua validade no âmbito da sociedade humana, mas o direito moral tem validade no âmbito da Lei moral de Deus. Ninguém pode impedir que um homem de muitas posses gaste seu dinheiro em orgias e em práticas mundanas se esse é seu desejo. O que o governo pode e deve fazer é cobrar deste homem, que ele pague seus impostos e não proceda de forma a afrontar ou prejudicar qualquer cidadão. No entanto, quando este homem está diante de Deus, usando des­tas práticas carnais, ele tem de abandoná-las e pensar naquilo que Deus determinou que não deve ser feito, sob pena de ser condenado ao prestar contas no dia do juízo. Assim, podemos entender que a lei civil garante a qualquer pessoa cultuar seu deus como desejar ou até mesmo nunca cultuar, desde que alguma coisa escandalosa não seja praticada, ou não coloque em risco a vida de alguém ou não degrade a sociedade civil.
Mas muitos crentes imaginam que esta lei civil de liberdade reli­giosa deve ser aplicada nas igrejas de hoje. Esquecem que diante da Lei moral de Deus ninguém tem o direito de adorá-lo da forma como deseja. O homem tem uma natureza corrompida e esta corrupção o leva sempre a buscar uma forma impura de cultuar a Deus, mes­mo que suas intenções sejam sinceras. Desde cedo o homem teve de aprender a cultuar ao Criador. Foi-lhe necessário adorar com fé, para que Deus aceitasse sua adoração ─ fé em alguma verdade. O homem tem de adorar crendo na vontade de Deus revelada. Vemos em toda a Escritura que Deus sempre estabeleceu o modo correto do homem adorá-lo. Deus sempre colocou diante do homem princípios para a pureza da adoração. Deus não pode ser cultuado segundo as imaginações e invenções humanas, nem através de qualquer repre­sentação visível. A ênfase é que Deus não pode ser cultuado através de nenhum outro modo que não seja prescrito ou ordenado nas Escrituras. Por isso o crente não pode pensar como o mundo pensa. Sua liberdade religiosa não deve ser vista como uma liberdade para fazer o que deseja, mas como uma libertação das ciladas e amarras de Satanás que o incita a adorar da maneira que ele pensa; o Cristão é liberto de seus pensamentos carnais para fazer a vontade de Deus revelada na Bíblia.
Segundo as Escrituras, o culto não deve ser prestado a anjos, nem a santos, nem a qualquer outra criatura, mas somente a Deus Pai, Filho e Espírito Santo. Deve ser um culto simples através da oração com ações de graça, da leitura das Escrituras, da sã pregação da Palavra, do cântico dos salmos, pela administração correta dos sacramentos e, em ocasiões especiais, com ações de graça, jejum, votos e juramentos. Assim dizem os teólogos de Westminster.

Somos gratos aos reformadores por redescobrirem o culto simples praticado no período apostólico. Dr. Pipa de Greenville ilustra aos seus alunos a simplicidade do culto reformado, dizendo:
Outra maneira de pensar sobre a simplicidade do culto é o que chamo de portabilidade (de portátil) de culto. Portabilidade significa que nós podemos realizar nossa adoração em qualquer lugar. Essa é a sim­plicidade da adoração, nós apenas precisamos de um púlpito, uma mesa para a comunhão, um livro de louvor, um pequeno frasco de água, um pouco de vinho e um pão ─ isso é o suficiente.
Quão diferente dos dias de hoje! Não preciso mencionar as distorções cúlticas praticadas hoje quando este princípio da simplicidade é esquecido.
Deus adverte no 2° mandamento: "porque eu sou o SENHOR, teu Deus, Deus zeloso, que visito a iniqüidade dos pais nos filhos até à terceira e quarta geração daqueles que me aborrecem e faço miseri­córdia até mil gerações daqueles que me amam e guardam os meus mandamentos" (Êx 20.5-6).

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Sobre o autor:
 Manoel Canuto é presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil. É editor e membro do Conselho Editorial da Revista Os Puritanos, publicação trimestral do Centro de Literatura Reformada (CLIRE).

Fonte: Revista Os Puritanos, ano XVII, nº 04, 2009.


Extraído do site: http://www.eleitosdedeus.org/adoracao/culto-simples-presb-manoel-canuto.html#ixzz1u6jQrqAL
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