segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Os Remido de Cristo e Sua Gloriosa Tarefa – por Pr. Miranda

O apóstolo Paulo escreve que o evangelho é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê (Romanos 1:16).  A Igreja tem a tarefa gloriosa de proclamar este evangelho poderoso para um mundo perdido e sem rumo. Sabemos que esse mundo jamais será liberto do império da trevas sem a proclamação do evangelho. O apóstolo Paulo exortou a igreja de Corintios, dizendo: “O deus deste século cegou o entendimento dos incrédulos” (II Co.4.4). Mas o evangelho é poderoso para abrir os olhos deste mundo incrédulo! Não pare de falar. A obra é DIVINA.

domingo, 2 de outubro de 2011

Por que Deus ama a Igreja? - John Owen (1616-1683)



“Àquele que nos ama, e em seu sangue nos lavou dos nossos pecados... a ele a glória e poder para todo o sempre” (Ap 1.5-6). A Porção mais brilhante da glória de Cristo é o Seu amor. Não há nenhum terror nele, mas é atraente e nos traz refrigério.
A razão principal de Cristo tornar-Se mediador foi por causa do amor do Pai. O qual escolheu salvar um número incontável de pessoas mediante o derramamento do sangue de Cristo. E eles são santificados pelo Espírito (2Ts 2.13; Ef 1.4-9). Desde que Deus é amor, qualquer comunicação que se estabeleça entre Ele e Seu povo há de ser em amor. (1Jo 4.8,9,16). Certamente não havia nada neles para que Deus os amasse. Qualquer coisa boa que haja em alguém é o efeito do amor de Deus nele (E 1.4). O amor de Deus é a eterna fonte da qual a Igreja recebe a sua vida através de Cristo.

A Missão da Igreja - John Newton - Julho de 1725 - Dezembro de 1807



A missão da igreja não é reformar o mundo, nem erradicar as suas práticas más. Nosso único propósito é pregar o evangelho de Cristo. Se homens e mulheres chegarem a amar o Salvador, não há dúvida de que a conduta exterior deles será transformada. As seguintes palavras foram ditas por John Newton em uma conferência de pastores, em janeiro de 1778. Ele estava falando sobre como a igreja pode realizar transformações morais no mundo. Seus comentários se mostram tão apropriados hoje como o foram na sua época.

“O evangelho de Cristo, o glorioso evangelho do Deus bendito, é o único instrumento eficaz para transformar a humanidade. O homem que possui e sabe como utilizar esta grande e maravilhosa ferramenta, se posso fazer esta comparação, conseguirá facilmente aquilo que, de outro modo, seria impossível. O evangelho remove as dificuldades intransponíveis à capacidade humana: faz o cego ver e o surdo ouvir; amolece o coração de pedra; ressuscita aquele que estava morto em ofensas e pecados para um vida de retidão.

Nenhuma outra força, exceto a do evangelho, é suficiente para remover os imensos fardos de culpa de uma consciência despertada; para aquietar o ardor de paixões incontroláveis; para levantar uma alma mundana atolada no lamaçal da sensualidade e da avareza, para uma vida divina e espiritual, uma vida de comunhão com Deus.

Nenhum sistema, exceto o evangelho, é capaz de transmitir motivos, encorajamentos e perspectivas suficientes para resistir e frustrar todas as armadilhas e tentações com as quais o espírito deste mundo, com suas carrancas ou com seus sorrisos, se esforça para intimidar e afastar-nos do caminho do dever. Mas o evangelho, entendido corretamente e recebido com alegria, trará vigor ao desanimado e coragem ao temeroso. Tornará generoso o mesquinho, moldará a lamúria em bondade, amansará a fúria de nosso íntimo.
Em resumo, o evangelho dilata o coração egoísta, enchendo-o com um espírito de amor para com Deus, de obediência alegre e irrestrita para com a vontade dEle, bem como de benevolência para com os homens.”

Jesus Cristo — o Fato! – Martyn Lloyd-Jones (1899-1981)




Deus... revelou-Se mediante a natureza, e o apóstolo Paulo argumenta em Romanos (1.19 s.) que ficamos indesculpáveis se não O vemos ali.

Deus também revelou-se na história. Ademais, Deus revelou-Se aos patriarcas do Velho-Testamento de várias maneiras. Mas, como cristãos evangélicos, partimos do grande e central fato do Senhor Jesus Cristo. A Bíblia inteira gira realmente em torno dEle. O Velho Testamento fala dEle com antecedência. Fala-nos de Alguém que vem. A promessa parece vaga, nebulosa e indefinida em alguns pontos, mais clara e mais específica noutros. Mas está ali. Deus está para fazer algo, e Alguém há de vir.

Finalmente, a Voz será ouvida. Uma Autoridade irá falar. A atitude do Velho Testamento é a de alguém que está esperando com intensa expectativa, por assim dizer. Depois, é claro, assim que chegamos ao Novo Testamento, vemo-lo repleto de Cristo. . .

Quando o apóstolo Paulo (nosso grande exemplo nessa questão de pregar, ensinar e evangelizar) foi a Corinto. . . decidiu solenemente. . . «nada saber entre eles, senão a Jesus Cristo, e este crucificado» . . . Paulo resolveu que não ia perder tempo em discutir pressuposições com eles. Não iria começar com uma argumentação filosófica preliminar, para depois conduzi-los gradativamente à verdade. Não!

Ele começa proclamando com autoridade o Senhor Jesus Cristo. . . devemos voltar a agir assim. . . Temos que fazer-nos estultos por amor a Cristo, diz Paulo. .  . (1 Coríntios 3.18). Nós O afirmamos, nós O proclamamos, nós principiamos com Ele, porque Ele é a Autoridade última e final. . .

Ele ocupa, real-mente, a parte central de toda a nossa posição, e toda a nossa causa repousa sobre Ele. . . a reivindicação verdadeiramente grandiosa, feita pela mensagem global do Novo Testamento, ê a da suprema autoridade do Senhor Jesus Cristo

Cria em mim, ó Deus, um Puro Coração!! – João Calvino (1509-1564)



Na início  do Salmo ( 51 ), Davi orou por perdão. Ele agora (v. 10) solicita que a graça do Espírito, a qual havia perdido, ou merecera haver perdido, fosse restaurada nele. As duas solicitações são completamente distintas, ainda que às vezes confundidas mesmo pelos homens de erudição.


Ele passa do tema da remissão gratuita do pecado para o da santificação. E para isso ele naturalmente foi impulsionado por ardente ansiedade, ante a consciência de haver merecido a perda de todos os dons do Espírito, e de os haver ele realmente, em grande medida, perdido.

Ao empregar o termo, cria, ele expressa sua persuasão de que nada menos que um milagre poderia efetuar sua restauração, e enfaticamente declara que o arrependimento é um dom de Deus. os sofistas admitem a necessidade dos auxílios do Espírito, e concordam que a graça assistente deve tanto vir antes quanto vir depois; mas ao designar um lugar central para o livre-arbítrio humano, roubam a Deus grande parte de sua glória. Davi, pelo termo que aqui usa, descreve a obra de Deus em renovar o coração de uma maneira própria à sua extraordinária natureza, representando-o como a formação de uma nova criatura.

Como ele já havia sido revestido com o Espírito, agora ora, na última parte do versículo, para que Deus renovasse dentro dele um espírito reto. Pelo termo cria, porém, o qual previamente empregou, ele reconhece que somos totalmente devedores à graça de Deus, tanto por nossa primeira regeneração quanto, no ato de nossa queda, pela subsequente restauração.

Ele não assevera simplesmente que seu coração e espírito eram débeis, demandando a assistência divina, mas que permaneceriam destituídos de toda pureza e retidão até que estas fossem comunicadas do alto. Com isso se evidencia que nossa natureza é inteiramente corrupta; pois possuísse a mesma alguma retidão ou pureza, Davi não teria, como o fez neste versículo, chamado a um, um dom do Espírito, e ao outro, uma criação.

No versículo que se segue, ele apresenta a mesma petição, em linguagem que implica a conexão de perdão com o desfruto da orientação do Espírito Santo. Se Deus nos reconcilia consigo gratuitamente, segue-se que ele nos guiará pelo Espírito de adoção. Somente na forma como ele nos ama e nos considerou no número de seus próprios filhos é que pode nos abençoar com a participação de seu Espírito; e Davi mostra que estava consciente desse fato quando ora pela continuação da graça da adoção como indispensável à posse contínua do Espírito.

As palavras deste versículo implicam que o Espírito não havia se retirado dele completamente, por mais que seus dons houvessem sido temporariamente obscurecido. Aliás, é evidente que ele não podia ser totalmente privado de suas excelências anteriores, pois parece que ele se desincumbira de seus deveres como um rei que desfrutava de crédito, que havia observado conscientemente as ordenanças da religião e que havia regulado sua conduta conforme a divina lei. Até certo ponto, ele caíra em profunda e terrível letargia, mas não "se entregou a uma mentalidade réproba"; e é dificilmente concebível que a repreensão de Nata, o profeta, tivesse operado tão fácil e subitamente seu despertamento, não estivesse nos recessos de sua alma alguma fagulha latente de piedade.

É verdade que ele ora para que seu espírito fosse renovado, mas isso não deve ser entendido com limitação. A verdade sobre a qual ora estamos insistindo é tão importante que muitos eruditos têm inconsistentemente defendido a opinião de que os eleitos, ao caírem em pecado mortal, perdem o Espírito completamente e ficam alienados de Deus. O oposto é claramente afirmado por Pedro, o qual nos diz que a palavra por meio da qual renascemos é uma semente incorruptível [IPe 1.23]; e João é igualmente explícito em nos informar que os eleitos são preservados de apostasia consumada [1Jo 3.9]. Por mais que por algum tempo pareçam excluídos por Deus, mais tarde se vê que a graça esteve viva em seu peito, mesmo durante aquele intervalo durante o qual ela parecia extinta. Tampouco há algum valor na objeção de que Davi fala como se temesse ser privado do Espírito. É natural que os santos, ao caírem em pecado e, portanto, ao praticarem aquilo que poderia levá-los a serem excluído da graça de Deus, se sintam ansiosos quanto a esse estado [de alma]; mas é seu dever manter firme a verdade de que a graça é a incorruptível semente divina, a qual jamais perecerá em qualquer coração onde previamente foi depositada. Esse é o espírito exibido por Davi. Ponderando sobre sua ofensa, ele é agitado com temores, e contudo repousa na certeza de que, sendo um filho de Deus, não seria finalmente privado daquilo que, de fato e com justiça, perdera.