sábado, 26 de fevereiro de 2011

Honrando a Pureza de Deus – J. I. Packer

Primeiro, somente por meio do arrependimento constante e profundo nós, pecadores, podemos honrar a pureza de Deus.
O Deus, a quem declaramos amar e servir, tem prazer na justiça e odeia o pecado. A Bíblia é muito clara a esse respeito.
Pois tu não és Deus que se agrade com a iniqüidade, e contigo não subsiste o mal. (SI 5.4)
Tu és tão puro de olhos, que não podes ver o mal e a opressão não podes contemplar. (He 1.13)
Abomináveis para o Senhor são os perversos de coração, mas os que andam em integridade são o seu prazer. Os lábios mentirosos são abomináveis ao Senhor, mas os que obram fielmente são o seu prazer. (Pv 11.20; 12.22)
Seis coisas o Senhor aborrece (...) olhos altivos, língua mentirosa, mãos que derramam sangue inocente, coração que trama projetos iníquos, pés que se apressam a correr para o mal, testemunha falsa que profere mentiras e o que semeia contendas entre irmãos. (Pv 6.16-19)
A pureza de Deus é apenas outra matreira de expressar o que foi dito acima. Devemos entender que, ao nos chamar à pureza (SI 24.4; Mt 5.8; lTm 1.5; 5.22; IJo 3.3), Deus está nos exigindo que cultivemos a mesma repulsa no nosso coração.
Portanto a Palavra de Deus para todo o seu povo é: "Aborrecei o mal, e amai o bem" (Am 5.15). "Detestai o mal, apegando-vos ao bem" (Rm 12.9). E a nossa resposta correta é: "Tomara sejam firmes os meus passos, para que eu observe os teus preceitos. (...) detesto todo caminho da falsidade. Jurei e confirmei o juramento de guardar os teus retos juízos. Apartai-vos de mim, malfeitores; quero guardar os mandamentos do meu Deus" (SI 119.5,104,cf. 128,106,115).
Mas como devemos lidar com o fato de que nossa obediência sempre prova ser imperfeita?
Aqueles que negligenciam a disciplina do total arrependimento por seus erros, além do auto-exame regular com o propósito de discernir esses erros, estão agindo como se Deus simplesmente fechasse os olhos para as nossas falhas morais para amigos em Cristo o que é, na verdade, um insulto a ele, uma vez que essa indiferença seria, por si só, uma falha moral. Mas Deus não é moralmente indiferente, e não devemos tratá-lo como se fosse. A verdade é que a única maneira de mostrar verdadeiro respeito pela real pureza de Deus é firmando-nos de fato contra o pecado. Isto não significa apenas um propósito sincero de agradar a Deus pelo zelo de guardar a sua lei, mas também significa arrependimento. E o arrependimento não significa mera rotina de palavras de arrependimento, como as daquele que pede perdão sem envolver o coração, mas uma confissão deliberada, uma auto-humilhação explícita e uma sensação de vergonha na presença de Deus uma vez que se contempla as próprias falhas. Pois a pureza de Deus, como vimos, leva-o a odiar o mal. Sua exigência para que sejamos como ele, requer que também aborreçamos o mal, começando com o mal que achamos dentro de nós mesmos.
Observar um texto bíblico clássico que traça o perfil do arrependimento que vem de dentro nos será útil aqui. No Salmo 51, de acordo com a tradição, Davi publicamente poetiza a penitência que expressou a Deus depois de ter-se convencido do seu pecado na questão de Bate-Seba e Urias. Ele quebrou o décimo mandamento ao desejar a mulher do seu próximo; o oitavo, ao roubá-la; o sétimo, ao adulterar com ela; o nono, indiretamente, ao tentar enganar Urias para que cuidasse da criança que estava por nascer como se fosse sua; e o sexto, diretamente, matando Urias à longa distância. Então, como observamos anteriormente, Davi passou um ano indiferente ao que havia feito até que o profeta Nata, falando em nome de Deus, mostrou-lhe o descontentamento divino pela situação (2Sm 11-12). Mas, no Salmo 51, encontramos um Davi consciente, e que agora expressa total arrependimento em seis etapas distintas:

1. Os versículos 1 e 2 são uma súplica por misericórdia e perdão. Revelam uma verdadeira compreensão da aliança divina. Davi apela ao "inesgotável amor" ("benignidade" e "bondade" em outras traduções) de Deus, ou seja, à fidelidade da aliança divina com quem ele mesmo se comprometeu. A aliança pela qual Deus e os seres humanos se comprometem em pertencer um ao outro para sempre é a base de toda a religião baseada na Bíblia.
Quando os servos de Deus tropeçam e caem, a fidelidade de Deus à aliança para com a qual seus servos foram infiéis é sua única esperança. O relacionamento nesta aliança é, enfaticamente, um dom da graça de Deus.
E ele quem inicia e sustenta essa aliança, suportando todas as loucuras e vícios de seus parceiros que a constituem. Pois os santos de Deus foram, são e continuarão sendo criaturas loucas e pecadoras, que só podem che-gar à sua presença por meio do constante perdão de seus constantes pecados. No entanto, o arrependimento é o único caminho que leva ao perdão.

2. Os versículos 3 a 6 são um reconhecimento da culpa e a punição que merecemos por nossos pecados. Mostram a compreensão do pecado como a perversidade inata do nosso coração que encontra sua expressão nos pecados, atos específicos de maldade e erro aos olhos de Deus. As profundas verdades encontradas aqui são: primeiro, não somos pecadores porque pecamos, mas, pelo contrário, pecamos porque somos pecadores (v. 5,6); segundo, todos os nossos pecados, nossas crueldades e nossas idolatrias são pecados contra Deus (v. 4).

3. Os versículos 7 a 9 são um pranto vindo do coração para a purificação do pecado e anulação da culpa. Mostram a compreensão da salvação como uma obra de Deus que restaura a alegria da comunhão com ele mesmo por meio da convicção de perdão dos pecados. Os "ossos" de Davi (sua própria consciência, quem ele sabe que é) são "esmagados" (incapazes de funcionar propriamente) como conseqüência de sua consciência acusadora. Ele pede que seus "ossos" literalmente "dancem" ("exultem", como encontramos em diversas traduções)por causa desta garantia (v. 8) - uma metáfora vivida para a revitalização da vida interior de uma pessoa que a compreensão de seu pecado produz.

4. Os versículos 10 a 12 são uma petição para a vivificação e renovação em Deus. Mostram uma compreensão da vida espiritual como, em essência, a resposta firme e positiva do espírito do Homem para Deus - uma resposta que é produzida e mantida pelo ministério regenerativo do próprio Espírito de Deus que habita em nós. E a maneira que Deus usa para remover nosso demérito, nossa corrupção e nossos desvios. Ele não nos salva em nossos pecados, mas dos nossos pecados. Aquele a quem ele justifica, também santifica. Onde não existe vestígio algum de um coração puro (um coração que abomina o pecado e que reflete a pureza de Deus) ou de um espírito "voluntário" (uma disposição para honrar e obedecer a Deus, e resistir as tentações do pecado), podemos duvidar se a pessoa está realmente em um estado de graça de qualquer modo. Certamente, buscar uma renovação em justiça e afastar-se do pecado é, daqui em diante, a essência do arrependimento. Sem isto, a pessoa não manifestará contrição, e não é, de modo nenhum, penitente.

5. Os versículos 13 a 17 são uma promessa de proclamar a misericórdia perdoadora de Deus por meio do testemunho e da adoração. Mostram uma compreensão de ministério para Deus e para o nosso próximo: para o santo Deus, por meio do louvor que expressa gratidão; e para os pecadores, pela declaração da graça que salva. Observemos que os santos são salvos para servir - celebrar e compartilhar o que Deus lhes tem dado. Uma dedicação renovada para fazê-lo, além de todas as outras boas obras, é uma prova da realidade do arrependimento.

6. Os versículos 18 e 19 são uma oração que pede a bênção da igreja, a Jerusalém de Deus, o povo na terra que leva o seu nome. Os versículos mostram uma compreensão do que mais agrada a Deus - pecadores salvos, penitentes que agora estão perdoados e prosperam espiritualmente, que são movidos pela gratidão e alegria a oferecer "sacrifícios de justiça" (v. 19). (A idéia aqui é de oferecer presentes a Deus com amor, embora talvez os sacrifícios de novilhos, sobre os quais Davi fala, não sugiram isto para o leitor moderno). A intercessão de Davi por todo o povo de Deus não indica, na verdade, uma mudança do tema da penitência que ele estava expressando anteriormente. A intercessão brota naturalmente das experiências do amor perdoador de Deus que o arrependimento desencadeia. Uma pessoa que sabe que é amada mostrará amor pelos outros, e esse amor irá levá-la a orar por eles.
Davi honrou a pureza de Deus pelo modo como se arrependeu de seus vergonhosos atos. Ao se humilhar, ele reconheceu o desafio que havia lançado, procurou libertação do poder e da culpa de seus pecados e ofereceu-se novamente para realizar a obra de Deus e progredir em seu louvor. Este foi um ato de verdadeiro arrependimento, e, como tal, serve como modelo para nós.
Os cristãos, em seus sonhos e desejos, ainda que não mostrem isto em suas atitudes exteriores, também têm suas falhas no que se refere à cobiça, lascívia, avareza, malícia e engano. Os cristãos, como outros, são tentados a ser indulgentes consigo mesmos, abusar e explorar o seu próximo, usar sua autoridade como um direito no campo dos relacionamentos e, de vez em quando, desejar a morte de outros. Se Deus, em sua providência, nos impede ou não de realizar esses "sonhos" não é a questão. O ponto é que existem os desejos desordenados e quando o nosso coração se envolve com eles, ele está no caminho errado. Este é o motivo pelo qual precisamos nos arrepender.

Algumas formas do assim chamado ensino da santidade nos encorajam a ser insensíveis ou despreocupados com os pensamentos e motivos impuros que estão ocultos dentro de nós, mas um indício da santidade verdadeira é uma consciência crescente desses pensamentos e motivos, um aborrecimento crescente em relação a eles e um profundo arrependimento por eles quando nos vemos fomentando-os no nosso coração. Vimos este santo aborrecimento na vida de John Bradford, e Deus quer vê-lo em nós todos, pois sua pureza não pode ser honrada de outra forma

sexta-feira, 25 de fevereiro de 2011

Não me, Siga Estou Perdido!

“Se você é sábio, deixe o mundo passar, para não passar com o mundo”. – Agostinho. Esse é um tipo de sabedoria perdida na igreja dos nossos dias. A sociedade humana, sua cultura, o mundo e o poder por trás dele, nunca nos indicará o caminho que nos leva a Deus e a santidade. O grande Puritano Thomas Brooks dizia: “Seria mais fácil fazer os dois pólos se encontrarem do que unir o amor a Cristo e o amor ao mundo”. Ah! Mas como nós temos tentando, como temos tentado! O mundo nunca será parceiro da verdadeira igreja. Está em luta contra ela pois está em luta contra Deus. Isso porque santidade é exatamente o oposto da direção que esse mundo se lança com avidez.
Nosso mundo não é pior do que o dos dias dos apóstolos, Reformadores, Puritanos... Isso sempre foi assim e continuará sendo quando tivermos partido daqui para casa.
Muitas vezes ouvimos na igreja que o homem está buscando Deus em sua busca por prazeres, que busca Deus na transformasção do sexo em um deus, nos bares, boates... MENTIRA! Isso é papo de uma igreja que vê o homem de maneira oposta ao que a Bíblia descreve.
A Bíblia diz: “Não há quem entenda, não há quem busque a Deus” (Rm 3.22).
As culturas tentaram interpretar a busca do homem – sendo mundo, são interpretações patéticas; mas não menos patéticas do que aquela proclamada pelo evangelho moderno e ‘relevante’
A Grécia disse... seja sábio, conheça-se.
Roma disse... seja forte, discipline-se.
O epicurismo diz... seja sensual, goste-se.
A educação diz... seja habilidoso, gaste-se.
A Psicologia diz... seja confiante, realiza-se.
O materialismo diz... seja gastador, agrade-se.
O orgulho diz... seja superior, promova-se.
O ascetismo diz... seja inferior, reprima-se.
A diplomacia diz... seja razoável, controle-se.
O comunismo diz... seja coletivo, regule-se.
O humanismo diz... seja competente, confie em si mesmo.
A filantropia diz... seja altruísta, doe-se
Poderíamos continuar e continuar... Mas onde está Deus nisso tudo? Em que filosofia humana Deus é buscado e reverenciado? Você pode experimentar qualquer prato do pensamento e sabedoria (que os homens acham o máximo ) humana, e descobrirá que Deus jamais esteve no pensamento humano. Se farte no banquete da filosofia humana e terminará com uma indigestão inimaginável.
Com tudo isso, com todas essas tentativas, o que podemos dizer do mundo e de sua filosofia, o Apóstolo Paulo já disse. Apesar de que visão do mundo que a ‘igreja’ acredita hoje, nada tem a ver com a de Paulo. Será ele um pessimista? Vejamos:
“Mas os homens maus e enganadores irão de mal para pior, enganando e sendo enganados. (2 Timóteo 3:13)
A sua descrição da sociedade é: Porque também nós éramos noutro tempo insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros. (Tito 3:3).

A comida servida no banquete da filosofia do mundo pode até cheirar bem e satisfazer seu retórico paladar durante o tempo em que você estiver entre os insensatos, desobedientes, extraviados, servindo a várias concupiscências e deleites, vivendo em malícia e inveja, odiosos, odiando-nos uns aos outros... mas depois deixará você no mesmo lugar que estava antes...

Em que essas filosofias podem ajudar na proclamação do Reino do amor e da santidade de Deus? Esqueça, nenhum homem O está buscando. O homem desde o princípio não BUSCA Deus, ele FOGE de Deus desde o Paraíso.
A igreja faz hoje uma salada de todas essas buscas e finge estar proclamando o Evangelho.
A reação da igreja ao mundo devia ser a mesma que Daniel teve na Babilônia: “Resolveu Daniel, firmemente, não se contaminar com as finas iguarias do rei” (Dn 1.8) – Ele não apenas rejeitou as iguarias grosseiras da Babilônia, recusou as finas iguarias também– Como os que se dizem protestantes hoje adoram as finas iguarias – buscam a Deus para obtê-las. Poder, diversão, dinheiro entretenimento, sexo... A busca da igreja hoje e a busca do mundo é a mesma, não admire eles terem dado as mãos.
Você não tira nenhum proveito de qualquer entrevista com qualquer pop evangélico – Pastor, cantor,...
Mas imagine Daniel sendo entrevistado na babilônia – viaje no tempo:
Resolveu Daniel, firmemente, não contaminar-se com as finas iguarias do rei. Daniel 1:8
- Bem-vindos ao Babilônia Hoje, o jornal de notícias, cultura e entretenimento do império babilônico! - Uma jornalista loira senta-se em frente a um cenário de pôr-do-sol, sorrindo atrás de uma camada de maquiagem. - Nosso primeiro convidado de hoje - diz a mulher - é o criador da popular "Dieta de Daniel", uma nova onda de saúde que está conquistando o império. - Ela vira na cadeira e a câmera focaliza um jovem rapaz, vestido com roupas finas, sentado ao lado dela. - Conte para nós - ela diz - como surgiu esta dieta.
Ele encolhe os ombros e quase não consegue abrir os olhos com a claridade das luzes. - Eu, bem, não foi minha intenção começar esta onda - ele diz. - Eu estava treinando para o serviço do rei...
- Do nosso rei Nabucodonosor - longa vida ao rei! - diz a mulher sorrindo para a câmera.
- Ah! é - responde Daniel. - Bom, quando estávamos treinando, eles nos deram refeições muito fartas de carne, gordura e vinho. Mas, veja bem, eu sou um judeu, e um judeu tem fortes restrições alimentares. Para encurtar a história, eu pedi ao homem encarregado de nosso treinamento permissão para comer coisas saudáveis.

- Você recusou a comida do rei? - a mulher perguntou. - Você não teve medo?
Daniel concorda com a cabeça. - Acho que sim. Mas eu já tinha me decidido a não me contaminar. - Ele vira e encara a câmera. - E muito mais fácil fazer a coisa certa quando você se decide com antecedência. Eu decidi, quando fui trazido a este país, que eu não esqueceria o meu Deus e os mandamentos que Ele deu. Quando eu comecei o treinamento para o serviço do rei, eu sabia que a comida seria um problema. Então eu decidi o que fazer antes que viesse a tentação. Isto facilitou evitar a comida do rei e só comer produtos vegetais e água.
- Você - você mandou a comida de volta para a cozinha do rei? - perguntou a mulher encarando Daniel como se ele tivesse duas cabeças. Ela limpou a garganta e sorriu um pouco nervosa. - Ahn! mui-muito obrigada por ter contado esta história... Ãhn, nós voltaremos após o intervalo.
Como aqueles que são nutridos pelo mundanismo pregado nos cultos hoje agiriam se fossem, como gostam de dizer – “honrados” com as iguarias finas de Nabucodonosor? Diriam que comeriam, e participariam plenamente daquela cultura para tornar Deus e a Verdade dele ‘relevante’ na Babilônia.
Desculpas! Desculpas para sermos simplesmente mundanos. Se alguém mostrou a santidade e a verdade de Deus a sua geração, esse foi Daniel.
Nosso mundo é agitado em excesso, mas como diz Rollo May sobre a busca dos homens hoje: “É irônico o hábito dos seres humanos correr rapidamente quando estão perdidos”.
O que acontece todos os dias? Olhe no escritório onde você trabalha... você verá sem dúvida um exemplo vivo de alguém correndo e buscando – NÃO A DEUS – mas satisfação interior. Ao sair de casa, olhe para os lados... rugido de automóveis... olhe as casas ao redor... Topa essa agitação e busca – Deus não faz parte dela.
Todo esse barulho mostra pessoas que de tragédia em tragédia, filosofia em filosofia, não sabem mais onde estão. Podem se esforçar, mas quanto mais aumentam a velocidade mas cegas, entediadas e confusas elas são. Tudo que você pensar está sendo tentado... menos a verdadeira busca de Deus – “não há quem o busque” –
“A massa humana leva uma vida de desespero silencioso” – diz Henry Thoreau.
E qual mensagem a igreja do evangelho relevante, ou gospel, do entretenimento, da cobiça, do amor ao dinheiro... está proclamando hoje? Caminho que o homem mesmo em sua depravação total pode buscar sem ajuda divina. Estar perdida no mesmo ponto que o mundo faz a igreja está mais perdida que o mundo.
Se houvesse o mínimo de sinceridade no evangelho moderno e relevante ( e muitos tentam esconder a cobiça mundana dizendo que as pessoas que a propagam são sinceras apesar do erro) – a igreja moderna e relevante escreveria nas suas portas os dizeres que vi num carro – NÃO ME SIGA... ESTOU PERDIDO!
Assim a igreja moderna e relevante ajudaria mais o mundo, pois pelo menos não os faria perder suas almas chancelando suas cobiças com clichês gospel.
NÃO ME SIGA... ESTOU PERDIDO! Que bela frase para descrever o evangelicalismo moderno.
Pilatos, famoso governador da Judéia, ficou cara a cara com Jesus de Nazaré – o Deus encarnado. No meio de todo aquele processo ouviu Jesus dizer: “todos aqueles que são da verdade...” – Pilatos interrompeu: “O que é a verdade?” – Essa pergunta pesada está pendurada no fino cabo da razão nos pensamentos de muitos nesse instante. Pilatos nunca esperou por uma resposta – o mundo hoje e a igreja moderna também não.
Era só retórica vazia de um homem que já estava decidido agradar a multidão, manter seu poder, pompa, riqueza...
Ninguém com essa propósito esperará a resposta – não é isso que está buscando. Mesmo que tivessem, como Pilatos, a oportunidade de estar cara a cara com o Deus encarnado – que dirá ouvindo algumas vozes clamando no deserto.

Spurgeon disse com razão: “Os adeptos da Teologia Moderna dizem: "As maravilhas nunca cessarão"; mas tais maravilhas nunca começaram”.
Devemos lembrar o que o mundanismo por mais fino (finas iguarias) que seja representam: Ao escolhermos a miséria, por mais belamente disfarçada que se mostre, escarnecemos do Deus que dá vida.- John Piper


Josemar Bessa

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Sem Desculpas! - John Flavel - (1628-1691)

Desde o momento em que Deus interrogou Adão e Eva sobre o primeiro pecado, os homens e mulheres têm apresentado desculpas pelo seu comportamento. Aqui estão algumas dessas desculpas que apresentam quando resmungam.
"Não estou me queixando, apenas estou expondo os fatos". É ótimo que os cristãos olhem para sua situação de forma realística; todavia, eles não deveriam resmungar. Pelo contrário, estar conscientes dos fatos é estar ciente do quanto Deus é grande em Sua misericórdia para com eles. Se pensam mais sobre seus problemas do que sobre as misericórdias de Deus, então eles têm uma visão distorcida dos fatos. Estar ciente dos fatos não impede o cristão de servir a Deus como ele deve servi-Lo, mas o resmungar sim, isso impede. Sejamos realistas, encaremos os fatos, mas isso deveria tornar-nos gratos a Deus, não apenas pelo que Ele nos tem feito, mas também por aquilo que Ele tem feito para outras pessoas. Se nós as invejarmos, isso mostra que estamos pensando demais sobre nossos problemas e não suficientemente sobre a bondade de Deus.
"Eu não estou reclamando: somente estou consciente do peca do". É fácil dizer isso, porém se a causa do pecado for tirada, o suposto senso de transgressão desaparece, e isso simplesmente mostra que não houve nenhuma convicção real de pecado. Cristãos que de fato estão preocupados sobre o pecado não desejarão acrescentar nada à sua culpa por resmungar; pelo contrário, eles se sentirão felizes submetendo-se à disciplina de Deus.
"Sou infeliz porque sinto que Deus não está comigo". Mas só porque estamos sofrendo, não significa que Deus nos abandonou. Um pai não se vira contra o filho porque ele teve de discipliná-lo. Deus prometeu estar com Seu povo, especialmente em tempos de tribulações. "Quando passares pelas águas, estarei contigo; quando passares pelos rios, eles não te submergirão" (Isaías 43:2). Portanto Deus está junto na situação, porém pode ser que às vezes os cristãos não o sintam porque seu espírito de murmuração afastou deles o senso da presença de Deus. Se quiserem senti-10 perto, devem ficar quietos e obedientes e ter o zelo de ser o tipo de pessoa que Ele deseja que Seus filhos sejam.
"Não é o sofrimento, e sim a atitude de outras pessoas que não consigo suportar". Até mesmo a atitude das outras pessoas está sob o controle de Deus; inclusive os perversos podem ser usados para Seus propósitos, embora os cristãos devessem lembrar de que os ímpios estão sob o julgamento de Deus, e deveriam ser motivo de suas orações. Não importa quão severo seja o tratamento recebido de outras pessoas, os cristãos deveriam sempre lembrar que Deus jamais deixa de ser bom para com Seus filhos. Eles deveriam louvá-lO: não há desculpas para a murmuração
"Jamais esperava isso". Os cristãos devem esperar problemas nesta vida e precisam estar preparados para os momentos de dificuldades, para que quando vierem eles possam estar prontos para enfrentá-los. E quantas vezes eles são capazes de dizer: "Jamais esperava isso", quando Deus tem sido especialmente bom para com eles!
"Meu problema é pior do que os dos outros". Como você sabe disso, meu amigo? Talvez sua murmuração o tenha levado a exagerar. Mas supondo que seja o caso, isso indica que Deus lhe deu uma oportunidade de glorificá-lO ainda maior do que a que deu aos outros. Quando os incrédulos virem como você enfrenta um grande problema, eles louvarão a Deus e talvez sejam auxiliados com problemas menores.
"Meu problema não me deixa servir a Deus". Às vezes ocorre que os cristãos não conseguem servir a Deus como gostariam devido às circunstâncias que enfrentam. É bom querermos servir a Deus, e é natural ficarmos tristes quando não conseguimos isso. Mas isso não é desculpa para murmuração. Somos membros do corpo de Cristo. É melhor ser um membro inexpressivo do corpo de Cristo do que ser uma pessoa importante, a qual não é membro desse corpo. Todos os cristãos têm um chamado espiritual para cumprir, não importa quão insignificantes eles pensem que sejam. Deus Se alegra mais com os atos mais simples de um cristão humilde do que com todas as obras mais famosas da história. O que Ele exige não é fama ou realizações brilhantes, e sim fidelidade e paciência. Os que demonstram tais qualidades serão recompensados no céu. Quando cristãos humildes vêem isso, percebem que não têm razões para resmungar.
"Não agüento minhas circunstâncias, porque elas sempre são instáveis". Se as nossas circunstâncias são incertas talvez a razão seja para nos ensinar a confiar em Deus em cada passo do caminho. De qualquer forma nosso estado espiritual é seguro, e nossa vida eterna assegurada. Enquanto isso, Cristo nos concede muitas bênçãos, "pois todos nós temos recebido da sua plenitude, e graça sobre graça" (João 1:16).

"Eu era rico mas agora sou pobre". Isso não é desculpa para murmuração. Você não consegue ser grato pelo fato de ter sido rico e ter tido a oportunidade de se preparar para esse tempo de pobreza? Ou que você uma vez desfrutou de boa saúde e teve a oportunidade de se preparar para esse período de enfermidade? Ou que esteve em liberdade e teve a oportunidade de se preparar para esse tempo de perseguição? Um navegador experiente utiliza os dias de calmaria para preparar seu barco para enfrentar a tempestade. Deus não tem obrigação de dar coisa alguma aos cristãos, por isso deveriam ser gratos pelas bênçãos imerecidas que receberam, tanto no passado quanto no presente. Seria justo murmurar por causa de umas peque nas adversidades ocorridas numa jornada que doutra forma, teria sido satisfatória? Mas talvez o que realmente esta desculpa signifique seja: "Suportei terríveis dores para conquistar isso e não é justo que eu o perca". No entanto, antes que os cristãos se preocupem com qualquer coisa, deveriam certificar-se que têm a atitude correta para com ela. Eles devem estar dispostos a abrir mão daquilo que ambicionam se outra coisa que honre mais a Deus for o que realmente seja melhor para eles.

A Justificação leva a Santificação - Richard Sibbes (1577 - 1635)

             Quão desencaminhados estão aqueles que fazem Cristo ser-nos somente justiça e não santificação, exceto por imputação, já que é uma grande parte de nossa felicidade estar sob um tal Senhor, que não somente nos nasceu, e foi para nós dado, mas tem, da mesma forma, o governo sobre seus ombros (Is 9.6,7, ARA). Ele é nosso Santificador tanto quanto nosso Salvador, nosso Salvador também pelo poder eficaz de seu Espírito sobre o poder do pecado, também pelo mérito da morte dele sobre a culpa disso; conquanto que estas coisas sejam lembradas:
1. O primeiro e principal fundamento de nosso conforto é que Cristo, como sacerdote, ofereceu-se como sacrifício a seu Pai por nós. A alma culpada foge primeiramente para Cristo crucificado, feito maldição por nós. Por isso é que Cristo tem direito de nos governar; por isso é que ele nos dá seu Espírito como nosso guia para nos conduzir ao lar.
2. No curso de nossa vida, após estarmos em um estado de graça, se somos surpreendidos em qualquer pecado, devemos lembrar de recorrer primeiro à misericórdia de Cristo para nos perdoar e, então, à promessa de seu Espírito para nos governar.
3. E, quando nos sentirmos frios na afeição e no dever, a melhor maneira é nos aquecermos nesse fogo de seu amor e misericórdia, ao dar a si mesmo por nós.
4. Outra vez, lembre-se disto, que Cristo nos rege por um espírito de amor, de um sentido de seu amor, pelo qual seus mandamentos nos são fáceis. Ele nos conduz por seu livre Espírito, um Espírito de liberdade. Seus súditos são voluntários. A coação que ele põe sobre eles é a de amor. Ele nos atrai docemente com as cordas de amor. Todavia, lembre-se também que ele nos atrai fortemente por um Espírito de poder, pois não é bastante que tenhamos motivos e encorajamentos para amar e obedecer a Cristo daquele seu amor, pelo qual ele se deu por nós para nos justificar; porém, o Espírito de Cristo precisa, igualmente, submeter nossos corações, e santificá-los para amá-lo, sem o que todos os motivos seriam ineficazes.
Nossa disposição deve ser transformada. Devemos ser novas criaturas. Buscam pelo céu no inferno aqueles que procuram amor espiritual em um coração não mudado. Quando uma criança obedece a seu pai é por motivo da persuasão dele e, igualmente, de uma natureza infantil que corrobora aquela. É natural para um filho de Deus amar Cristo visto ser ele regenerado, não apenas por persuasão da razão para assim amar, mas, igualmente, por um princípio e obra da graça interiores, de onde tais causas têm sua força principal. Primeiro, somos feito participantes da natureza divina, e depois somos facilmente induzidos e guiados pelo Espírito de Cristo às obrigações espirituais.



Fonte: josemarbessa.com

Implicações da Eternidade de Deus – Thomas Watson (1620-1686)

                Aqui está um trovão e um relâmpago para o ímpio. Deus é eterno, portanto os tormentos do ímpio são eternos. Deus vive para sempre e pelo tempo que viver punirá o condenado. A conseqüência deve ser como a da escrita na parede: "as juntas dos seus lombos se relaxaram, e os seus joelhos batiam um no outro" (Dn 5.6). O pecador peca com liberdade, quebra a lei de Deus como uma fera selvagem que estoura a cerca e entra em pasto proibido. O pecador peca insaciavelmente, o mais rápido que pode (Ef 4.19). Mas lembre-se, um dos nomes de Deus é Eterno e, conquanto seja eterno, tem tempo suficiente para tratar de todos os seus inimigos. Para fazer os pecadores tremerem. Que pensem nestas três coisas: os tormentos do condenado são ininterruptos, são puros e são eternos.
              Os tormentos dos condenados são ininterruptos. Suas dores devem ser agudas e pungentes, sem alívio. O fogo não deverá se apaziguar ou cessar. "E não têm descanso algum, nem de dia nem de noite" (Ap 14.11). É como alguém colocado numa máquina de esticar, que estica continuamente, que não tem descanso. A ira de Deus é comparada a um ribeiro de enxofre (Is 30.33). Por que um ribeiro? Porque um ribeiro corre sem cessar, a ira de Deus flui assim como um ribeiro que manda água sem cessar. Nas dores desta vida há abatimento e alívio. A febre passa, uma convulsão vem, mas passa e o paciente fica tranqüilo. Contudo, as dores do inferno são na mais alta intensidade e na pior violência. A alma condenada nunca dirá que está mais tranqüila que antes.
Os tormentos dos condenados são sem misturas. O inferno é um lugar de pura justiça. Nesta vida, Deus, quando irado, lembra-se da misericórdia e mistura compaixão com sofrimento, à semelhança da tribo de Aser, cujos sapatos eram de ferro, porém, imersos no azeite (Dt 33.25). A aflição é o sapato de ferro, mas a misericórdia está misturada com a aflição. Mas, os tormentos do condenado não têm mistura alguma. "Esse beberá do vinho da cólera de Deus, preparado sem mistura, do cálice da sua ira" (Ap 14.10). Nenhuma mistura de misericórdia. Contudo, o cálice da ira também está cheio de mistura. "Porque na mão do SENHOR há um cálice cujo vinho espuma, cheio de mistura, dele dá a beber; servem-no, até às escórias, todos os ímpios da terra" (SI 75.8). O livro de Apocalipse diz que é sem mistura e no salmo diz que não. O cálice é cheio de mistura no que se refere aos ingredientes que o fazem amargo. O bicho, o fogo, a maldição de Deus são ingredientes hostis. O cálice é misturado e, ao mesmo tempo. puro. Não haverá nada que possa produzir consolo, nenhuma mistura de misericórdia, por isso é sem mistura. Na oferta de ciúmes (Nm 5.15), nenhum azeite era adicionado, da mesma maneira nos tormentos do condenado, não há azeite de misericórdia para fazer cessar seus sofrimentos.
Os tormentos dos condenados são eternos. Os prazeres do pecado só duram um período, mas os tormentos do ímpio são para sempre. Pecadores têm uma alegria passageira, mas uma longa retribuição. Orígenes4" erroneamente pensou que após mil anos o condenado deveria ser liberto de suas misérias, porém o verme, o fogo e a prisão são eternos. "A fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos" (Ap 14.11). Próspero48 (da Aquitânia) disse assim: "Os tormentos do inferno punem continuamente, nunca terminam".
A eternidade é um mar sem fundo e sem praias. Depois de milhões de anos, não há sequer um minuto desperdiçado na eternidade. O condenado deve ser queimado para sempre, mas nunca consumido, sempre morrendo, mas nunca morto. "Os homens buscarão a morte e não a acharão" (Ap 9.6). O fogo do inferno é um fogo que multidões de lágrimas não o saciarão, uma grande quantidade de tempo não o findará. O frasco da ira de Deus sempre gotejará sobre o pecador. Conquanto Deus seja eterno, vive para se vingar do ímpio.
Oh! eternidade! Eternidade, quem pode medi-la? Os marinheiros têm suas sondas para medir as profundezas do mar, mas que linha ou que sonda usaremos para medir a profundeza da eternidade? O sopro do Senhor alimenta o lago infernal (Is 30.33). Onde encontraremos bombas d'água ou baldes para apagar tal fogo? Oh! eternidade! Se toda a massa da terra e do mar fosse transformada em areia, e todo o ar até o céu estrelado fosse areia, e um pequeno pássaro viesse a cada mil anos e apanhasse com o bico a décima parte de um grão de toda essa imensidão de areia, seriam necessários inúmeros anos até que a imensidão de areia fosse toda transportada. Porém, se ao final de todo esse tempo, o pecador pudesse sair do inferno, haveria alguma esperança, mas a palavra "sempre" quebra o coração. "A fumaça de seu tormento sobe pelos séculos dos séculos." Que terror é isso para o ímpio, o suficiente para fazê-lo suar frio e pensar. Conquanto Deus seja eterno, vive para se vingar do ímpio.
Aqui pode ser feita uma pergunta: Por que um pecado que é cometido por pouco tempo deve ser punido eternamente? Devemos entender como Agostinho que "os julgamentos de Deus sobre o ímpio podem ser secretos, mas nunca injustos". A razão pela qual um pecado cometido em um curto espaço de tempo é eternamente punido é que cada pecado é cometido contra a infinita essência, e nada menos que a punição eterna pode satisfazê-lo. Se a traição contra a pessoa de um rei, que é sagrada, é punida com o confisco e a morte, muito mais contra a coroa e a dignidade de Deus, que é de uma natureza infinita e cheia de ira contra o pecado. Não pode ser satisfeita com menos que a punição eterna.