quinta-feira, 21 de maio de 2015

Pecados favoritos! Por J Bessa




James Hamilton (1814-1867) – olhando para  casas cobertas de neve no inverno, nos mostra algo essencial para a vida espiritual. Ele diz: “Em uma manhã de inverno, eu tenho notado uma fileira de casas de campo com uma grande camada de neve em seus telhados... mas com o passar do dia, grandes fragmentos de neve começam a cair a partir do beiral mais e mais a medida que a manhã avança. Até que, como uma avalanche, todo o monte de neve do telhado deslizou sobre as calçadas... e antes do pôr do sol, eu podia ver cada telhado tão limpo e seco como se fosse véspera do verão.Mas eu pude observar, que aqui e ali, havia casas com seu manto de neve ainda sobre seus telhados com um colar de gelo duro em torno dele que o impedia de cair.
O que fez a diferença? A diferença era o que se encontrava dentro!
Algumas dessas casas estavam vazias, ou o solitário morador delas se encolheu quieto por não haver lenha para sua lareira, enquanto o lar povoado, com fogo na lareira, agitação, atividade... criou tal calor interior, que o inverno externo e sombrio não pode sustentar o gelo, perdeu seu controle e a massa de gelo não pode continuar presa a casa. O gelo caiu e foi pisado nas calçadas.
É possível, por um processo externo, empurrar grande parte do volume de neve do telhado gelado com esforço, parte por parte. Mas ele vai se formar de novo. Ele precisa de um calor interior para criar um degelo total.”
Assim, por processos diversos, um homem pode se livrar da conduta ( todo o peso ) dos pecados visíveis, mas ele precisa de um calor interno e escondido, um calor vital dentro, para produzir uma tal separação entre a alma e as suas iniquidade que o afligem. Esse calor é o amor de Deus derramado em abundância – o brilho (como as lareiras acesas e a atividade naquelas casas) gentil que o Consolador difunde na alma da qual Ele faz Sua casa. Sua habitação derrete a alma e os seus pecados favoritos em pedaços, que despencam como a neve naqueles telhados, e faz com que a indolência, outo-indulgência, racionalizações... caiam dissolvidos pelo calor interno gerado por Ele, caiam   de um coração se dissolvendo em amor na contemplação da beleza da Sua santidade... esse é o fogo que tudo derrete... que pecados favoritos poderiam permanecer?
A santidade não é algo opcional. Acreditar na verdade bíblica da Soberania de Deus, na Graça soberana... aponta para o imperativo da santificação. O mundanismo em quem fala sobre a graça é sempre fruto da separação impossível da graça e da verdade, como se fossem coisas antagônicas. A manifestação da glória de Deus em sua perfeição em Cristo e em toda a Palavra mantém sempre estas duas coisas juntas: “E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória, como a glória do unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade.” João 1:14
A nossa santidade foi planejada por Deus na eternidade: “Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens, Ensinando-nos que, renunciando à impiedade e às concupiscências mundanas, vivamos neste presente século sóbria, e justa, e piamente” - Tito 2:11-12 – É assim que a graça se manifesta. A graça de Deus se manifestou e isso sempre produz santidade. A “graça de Deus se manifestou” aponta, é uma referência a Cristo. Ele já veio e esse plano eterno mostra que a nossa santidade é fruto de planejamento eterno.
A linguagem junto com a eleição sempre é esta – aponta para a santidade, “Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade” - Colossenses 3:12 – e qualquer ensino das Doutrinas da Graça que não apontem para isso, mas como uma liberdade para ser e viver como o homem natural, caracterizado pela sociedade que nos cerca, é uma grosseira falsificação da Verdade, o que não tem sido incomum nestes dias.
A santidade está enraizada no conselho eterno de Deus: “Porque os que dantes conheceu também os predestinou para serem conformes à imagem de seu Filho” - Romanos 8:29 – O propósito divino é mostrados na nossa conformidade a Cristo. Isto nada mais é que Santidade. A semelhança com Cristo é a santidade, e é de suma importância isso ficar claro para nós. Podemos ter inúmeras habilidade, conhecimento teológico, capacidade intelectual, habilidades na comunicação, mas se não há semelhança com Ele, não há santidade.
Como podemos saber que fomos eleitos, pergunta John Owen – A resposta sempre vem – Deus destinou que você seja santo? Ainda temos um combate com o pecado mesmo sendo homens regenerados, e sem a Graça nós falharíamos completamente neste combate, mas o plano eterno de Deus é o impulso e poder necessário e suficiente para o crescimento em santidade.
A imagem de Deus foi quebrada no homem quando este pecou – a obra eterna de Deus visa exatamente nos livrar de tudo que não é Cristo em nós, santificação! O propósito de Deus é que sejamos à imagem de Seu Filho, e a isto fomos eleitos e predestinados. Em Romanos, Paulo continua dizendo que NADA vai frustrar esse plano – Satanás?... Quem pode ficar no caminho de Deus? Quem pode destruir Seu propósito? Em seu poder Onipotente e Soberano Deus em seu plano restaura o universo para que ele reflita Cristo. Ele “desconstrói” os eleitos e reconstrói nosso caráter, vida... para sermos semelhantes a Cristo. Deus está determinado que você (se de fato é igreja de Cristo) vai ser transformado na mesma imagem de Cristo. Santidade nos eleitos de Deus não é uma ameaça, mas um motivo de alegria, adoração, humildade... porque a santidade foi comprada pela obra perfeita de Cristo para todos aqueles que Deus chamou eficazmente.
Precisamos ver que o papel de Cristo na santificação se estende para muito além da compra somente, a santidade foi adquirida por Cristo – não como um trabalho adicional, Justificação e Santificação estão ligadas entre si e inseparáveis. Minha santificação é tão comprada como qualquer outro aspecto da salvação. Podemos ficar tão focados no sangue de Cristo que perdoa, que perdemos de vista que ele também compra a nossa santificação e santidade. Não há nenhuma benção no Evangelho que vem de algo além de Cristo e este crucificado. Nós não recebemos nada ( e nem poderíamos ) que Ele não tenha comprado por sua obediência e expiação: “E, visto como os filhos participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas, para que pela morte aniquilasse o que tinha o império da morte, isto é, o diabo; E livrasse todos os que, com medo da morte, estavam por toda a vida sujeitos à servidão. Porque, na verdade, ele não tomou os anjos, mas tomou a descendência de Abraão. Por isso convinha que em tudo fosse semelhante aos irmãos, para ser misericordioso e fiel sumo sacerdote naquilo que é de Deus, para expiar os pecados do povo.” - Hebreus 2:14-17
A morte de Cristo é uma realidade multifacetada, e isto é assim porque o pecado não é uma massa única e independente em nossos corações, mas o pecado é tecido multidimensionalmente em nossas vidas. A salvação no Sangue derramado na Cruz é uma perfeita expiação que corresponde a esse pecado. Estamos indo para sermos um dia totalmente santificados – o que significa que não haverá nenhum vestígio de pecado em nós – e esse processo poderoso e infalível em todos os que Deus elegeu, começa imediatamente no momento que o homem é regenerado: “que se entregou a si mesmo por nossos pecados a fim de nos resgatar desta presente era perversa, segundo a vontade de nosso Deus e Pai” Gálatas 1:4
Muitas vezes o entendimento das pessoas sobre a cruz é completamente superficial – temos que enxergar as múltiplas dimensões do pecado e entendermos claramente as múltiplas dimensões da obra feita na cruz: “Porque Deus nos escolheu nele antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença.” - Efésios 1:4
“Revesti-vos, pois, como eleitos de Deus, santos e amados, de entranhas de misericórdia, de benignidade, humildade, mansidão, longanimidade” - Colossenses 3:12
Voltando a James Hamilton (1814-1867,
Há um habitante na casa?Ele está agindo?A lareira está acesa?Há calor interno?Como o gelo poderia permanecer no telhado?
Todo pecado entra em colapso!!!

quarta-feira, 20 de maio de 2015

Que plano maravilhoso Deus teria para tua vida? Por Josemar Bessa



O  evangelho é sobre morte e não sobre fazer grandes coisas. O evangelho é sobre fazer a única coisa que vale a pena, viver para a glória de Deus. Cristo não te salva de modo que daí em diante você possa fazer grandes coisas.Cristo morreu para que você ficasse livre de viver para você mesmo e vivesse para Ele: “Ele morreu... para os que vivem não vivam mais para si mesmos, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou”  2 Co 5.15.
O objetivo da morte de Cristo é a exaltação de Cristo. A essência do pecado é que a vida do homem não glorifica a Deus – “Porque todos pecaram e destituídos estão da glória de Deus;” Romanos 3:23.
Quando dizemos ao mundo que Deus tem um plano maravilhoso para sua vida e quer que ele faça grandes coisas, o que o mundo ouve é: “Deus quer que eu seja incrível e maravilhoso! Eu gosto disso, porque eu quero se incrível e maravilhoso... realmente este é um grande plano, pensam, um casamento maravilhoso, filhos inteligentes e maravilhosos, saúde maravilhosa, emprego, empresa, dinheiro... tudo maravilhoso... eu fazendo coisas grandes...”
O Evangelho é sobre morte. Nós morremos com Cristo  e fomos ressuscitados para uma nova vida, uma vida que não tem mais seus interesses nos velhos afetos e concupiscências da velha vida, coisas que na verdade se tornaram esterco perto do desfrute daquilo que realmente fomos criados para desfrutar: “E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como esterco, para que possa ganhar a Cristo,” -  Filipenses 3:8
Isso é Evangelho! Quando você pode ter Cristo, todo o resto é esterco, mas hoje temos um “evangelho” que joga fora Cristo e oferece pilhas de esterco do e ao mundo como resposta para os seus anseios.
Como eu disse antes, o evangelho é sobre fazer a única coisa que vale a pena, viver para a glória de Deus. Mas isso não parece grande coisa para o mundo.
“Ele morreu... para os que vivem não vivam mais para si mesmos...” 2 Coríntios 5.15
Esse é o plano maravilhoso do evangelho. É uma coisa tremenda perceber que quando você morreu em Cristo, você ressuscitou com Ele para viver uma vida santa. Nós já não vivemos para nós mesmos. É por isso que Paulo disse em Atos 20, “não importa o que acontece comigo, isso realmente não importa. Eu não conto nenhuma dessas coisas como preocupação, porque eu não considero a minha vida preciosa para mim mesmo. Minha vida não importa. Tudo o que importa é que eu viva o que Deus comprometeu-me a fazer. Tudo o que importa é que Cristo viva em mim. E então ele diz: "Para mim o viver é Cristo". Isso é tudo,  é tudo o que importa. Sua vontade, seu propósito, seus objetivos, sua glória, sua honra, a sua verdade... nada mais, nada mais. Saulo de Tarso realmente se foi, está morto, enterrado e Paulo, é uma nova criação com uma nova direção.
Assim, viver para o ego, o “eu”,  foi perdido para sempre e o mundo todo precisava saber disso e Deus nisso ser glorificado. Ele não estava nisso para conseguir o sucesso em alguma realização que sonhara antes de ser chamado por Cristo, prestígio, dinheiro, reconhecimento, relacionamentos...
Agora era Cristo, Cristo, Cristo... "Para mim o viver é Cristo".
Agora, isso não é verdade só sobre a “Teologia da prosperidade” a afins. Isso toca também naqueles que parecem estar mais distantes das heresias mais óbvias de nossos dias também. A Verdade bíblica precisa ser mais do que um conjunto de crenças que assumimos. Ela deve ser a lente através da qual olhamos para nós mesmos e o mundo.
Há muitos cristãos e igrejas que não negam qualquer doutrina fundamental da fé cristã (muitos infelizmente negam), mas eles ainda não tem um núcleo teológico. Eles têm, em vez disso, uma declaração de fé mofada que mal entendem e acreditam e não ousam pregar com paixão.
Eles são animados e motivados pela política, crescimento da igreja, preocupações relacionais, sociais e similares, mas o evangelho é apenas assumido. "Sim, sim, claro que acreditamos..." Suas grandes motivações podem ser compartilhadas por homens que nunca nasceram de novo, porque elas são apenas ecos deste mundo. A motivação não é a mesma de Paulo, porque a motivação de Paulo não podia ser compartilhada com o mundo, pois o mundo jamais bradaria com prazer: "Para mim o viver é Cristo e o resto é esterco”.
 Um espelho não pode ser um guia! "Uma literatura que espelha a sociedade é um guia inútil para ela" ( Flannery O'Connor (1925-1964) - Um espelho não pode ser um guia - Um "evangelho" que espelha a sociedade, a cultura, seus valores... é completamente inútil e não relevante como muitos acham. O brado de Paulo não é um espelho do mundo, mas um mapa para a vida para a qual o homem foi criado: 
“Mas o que para mim era ganho reputei-o perda por Cristo. E, na verdade, tenho também por perda todas as coisas, pela excelência do conhecimento de Cristo Jesus, meu Senhor; pelo qual sofri a perda de todas estas coisas, e as considero como escória, para que possa ganhar a Cristo, E seja achado nele, não tendo a minha justiça que vem da lei, mas a que vem pela fé em Cristo, a saber, a justiça que vem de Deus pela fé; Para conhecê-lo, e à virtude da sua ressurreição, e à comunicação de suas aflições, sendo feito conforme à sua morte” - Filipenses 3:7-10

terça-feira, 19 de maio de 2015

C. S. Lewis, Pilatos e um “evangelho” de tolos!




Pilatos era um homem pragmático. Ele se tornou peça importante no desenrolar do drama da redenção exatamente por se parecer com nossa sociedade, nossa cultura, com as perguntas que nossa geração tem feito, com seus objetivos... e infelizmente, com a motivação da pregação de nossos dias e com a motivação dos ouvintes de nossos dias.

Pilatos estava diante da Verdade encarnada... mas tudo que ele queria saber era... “como essa situação poderá ser vantajosa para mim? Que tipo de benefício pessoal eu posso tirar disso tudo?” A Verdade será útil para mim?

Num ensaio famoso, C. S. Lewis diz que foi convidado a escrever sobre um tema a ele proposto. O tema era: “Você não pode ter uma vida boa sem crer no cristianismo?”

Esse tipo de tema desnuda toda a mentalidade de nossa geração, seu interesse, seu propósito, seu objetivo na vida. C. S. Lewis diz que antes de começar a escrever a respeito tinha um comentário mais importante e imediato a fazer sobre a pergunta. Ele diz que esse tipo de pergunta, que é tão comum em nossa geração, e feito por pessoas que antes de perguntar disseram a si mesmas: “Eu não me importo se o cristianismo é de fato verdade ou não. Eu não estou interessado em saber se o Deus revelado na Bíblia é como ela diz que é... tudo que me interessa é levar uma boa vida.Eu quero escolher uma crença, não porque ela seja a verdade ou não, mas se ela vai ser útil para minha vida...”

Que tipo de simpatia, diz C. S. Lewis, podemos ter com este estado de espírito... uma das coisas que difere o homem dos animais é que ele pode saber coisas... descobrir o que é a realidade, simplesmente – se não tiver motivo mais nobre – por uma questão de saber. Quando este desejo é completamente extinguido, o homem se tornou menos humano.

C. S. Lewis faz o link dessa abordagem do tipo: “Isso será útil para mim?” – com a pregação do evangelho que na verdade é mera pregação do pragmatismo. Ele diz que essa pergunta é feita constantemente a cristãos por causa de pregadores tolos que sempre pregam a verdade bíblica nos termos de como o cristianismo vai ajudar você e como ele é bom para a sociedade, as desigualdades... o que levou todos esquecerem que o cristianismo não é um mero medicamento patenteado. O cristianismo afirma fatos relacionados a vida agora e a vida para sempre. Então, se o cristianismo não é verdadeiro, crer nele será perda total de tempo, ainda que você achasse alguma utilidade em tal crença. Agora, se ele é a Verdade, então não crer nele será fatal, ainda que neste instante você não encontre utilidade... A questão da utilidade surge na mente que vê as coisas apenas como uma ferramenta para deixar a vida mais confortável ou não. Essa é a tolice da mente pragmática ao olhar a Verdade, e essa é a tolice ainda maior dos pregadores que nisso baseiam sua pregação. Ela é, no ponto de partida, uma falsificação total do que é a verdadeira pregação.

Voltemos a Pilatos... Ele era um homem de sabedoria mundana pragmática – toda questão era de como as coisas lhe seriam úteis. Não é a abordagem da maioria das pregações e essa não é a busca da maioria das pessoas que chegam ao evangelho? Pilatos, como a maioria das pessoas, se veem como realistas... mas a ironia disso tudo é que quando você está completamente errado, você está completamente fora da realidade.

Pilatos via Jesus como um peão no jogo da vida. Um peão que podia ser usado em seu benefício, algo útil... Não é essa a motivação da pregação contemporânea. “Olhe o que o evangelho pode fazer por você!” Não se trata mais de : “Olhem, isso é a verdade!” Pilatos era pragmático e só podia ver assim, ele estava num jogo de xadrez político. Ele usaria Jesus da maneira mais útil possível. Esse é o grande erro da maioria das pessoas que se dizem cristãs em nossa geração... como isso é útil para mim? Como é útil para a sociedade? Que tipos de benefícios sociais isso trará?... e por aí vai no caminho do pragmatismo que vê o Cristo, o cristianismo..., como dissemos, como mero remédio patenteado e não como a Verdade absoluta sobre Deus e o homem. Uns abraçados a “teologia da prosperidade”, outros ao evangelho social... mas todos com a pergunta: “A Verdade será útil para mim? Será útil para a sociedade?...”

O que Pilatos não percebia era que Jesus não era um peão no “jogo de utilidade” que ele estava jogando... Pilatos sim, era um peão descartável, Jesus não era um peão, era o Rei. Quando Jesus disse: “...Meu reino não é deste mundo... para isto vim ao mundo, a fim de dar testemunho da verdade. Todo aquele que é da verdade ouve a minha voz” – João 18.38 – Numa mente pragmática como a de Pilatos, um reino que não é deste mundo não pode ser útil... e a verdade não lhe interessa, porque o interesse de Pilatos é o interesse de nossa cultura e de muitos que estão na igreja pregando e ouvindo: “Como isso pode ser útil a mim? Como pode ser útil a sociedade?...”

A pergunta de Pilatos revela o desinteresse pela verdade num coração pragmático. Ele pergunta: “Que é a verdade? E, dizendo isto, tornou a ir com os judeus...” – Bem pós-moderno! “O que é a verdade?” – E como um bom pós-moderno, ele nem esperou a resposta, não conseguia ver nada de útil para sua carreira na resposta que Jesus poderia dar.

A abordagem do tipo: “como essa situação poderá ser vantajosa para mim? Que tipo de benefício pessoal eu posso tirar disso tudo?” “A Verdade será útil para mim? Útil para os problemas sociais? Útil...” – Mostra que a abordagem do mundo, de nossa geração e cultura, dos pregadores e da maioria dos que se dizem cristãos é exatamente a de Pilatos, a questão não é de forma alguma a verdade... mas o evangelho não é um remédio patenteado e útil tendo como centro o que o homem acha ser necessário, útil e relevante para a sua vida... é a Verdade de Deus

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Estou andando segundo a carne?




“Para que a justiça da lei se cumprisse em nós, que não andamos segundo a carne, mas segundo o Espírito. Porque os que são segundo a carne inclinam-se para as coisas da carne; mas os que são segundo o Espírito para as coisas do Espírito”. - Romanos 8:4-5

Andar é a linguagem bíblica que fala sobre seguir algo com profundo desejo e fazer isso habitualmente... como direção constante da vida. Por exemplo Judas diz: “...escarnecedores, andando segundo as suas concupiscências ímpias” ( Jd 18) – ou andando “segundo os mandamentos do Senhor” ( 2 João 6) – a Bíblia está assim expressando a conduta do homem irregenerado e do regenerado.

Andar no Espírito é estar completamente ligado a Ele como consequência da regeneração, homens os quais Ele guia, dirige, ensina... A carne é a força motriz para o homem irregenerado, o Espírito é o poder que opera todo tempo naqueles que de fato estão em Cristo. Olhemos isso mais especificamente e de maneira mais completa:

1. Andar no Espírito é andar não somente no conhecimento bíblico, mas no domínio todo abrangente de Cristo no coração que gera o que Paulo chama de “esperança da glória!” – A obra do Espírito é revelar Cristo, glorifica-lo e fazê-lo precioso para o coração regenerado. É aplicar o seu sangue nas suas consciências, revelar Sua justiça e derramar o seu amor no coração. Andar no Espírito é seguir diariamente em descobertas, ou seja, nas revelações graciosas que o Espírito faz de Cristo no coração, e então a luz disso, viver uma experiência diária de doçura e bem-aventurança no caminho da santidade.

2. O Espírito conduz então em toda a Verdade. Esta foi a promessa feita por Cristo aos seus discípulos, “mas quando vier o Espírito da verdade, ele vos guiará a toda a verdade” – João 16.13. É impossível conhecer a verdade por investigação meramente humana – É impossível para nós conhecer a verdade salvadora e santificadora experimentalmente, exceto os homens “bem-aventurados” que o Espírito dirige e ensina. Até isso acontecer, toda a beleza da Verdade, sua bem-aventurança, seu poder libertador, sua influência santificadora são completamente obscuras e escondidas da vista humana. Mas se sou guiado pelo Espírito em toda a verdade, se Ele condescendentemente conduz para a verdade como ela está em Cristo, e se capacita o caminhar na verdade como ela leva nos passos de Cristo, então eu posso dizer que ando segundo o Espírito.

3. O Espírito age no homem regenerado como Intercessor, Ele ensinando a orar e pelo que orar. Mas Ele próprio  é representado como  quem “intercede por nós sobremaneira, com gemidos inexprimíveis” – Então, se eu oro no Espírito, eu ando segundo o Espírito, pois ele guia nesse caminho de oração e súplica, no qual Ele tem todo o prazer em nos conduzir. Ele prometeu ajudar em todas as fraquezas do homem regenerado, e, portanto, se eu encontro nas fraquezas ajuda toda poderosa da graça e supero todas elas por seu poder, possa saber que estou andando segundo o Espírito.

4. O Espírito é também o autor da fé, esperança e amor, pois estes são frutos e graças que brotam de Seu trabalho sobre o coração que Ele regenerou. Se, então, eu creio em Cristo nos termos bíblicos, com fé espiritual, se espero nele com esperança espiritual, e amo com amor sobrenatural que sobrepõe todos os empecilhos naturais... então ando segundo o Espírito, porque o Espírito me move tanto no querer como no fazer essas coisas na medida que Ele me guia.

5. O Espírito é também um espírito de arrependimento, de quebrantamento, de humildade, de tristeza segundo Deus pelo pecado e confissão honesta e contrária a toda auto-justificação, racionalização... Se, então, estou sempre abençoado com humildade, contrição, arrependimento e tristeza segundo Deus, não sobre alguns pecados específicos, mas sobre todo pecado, eu ando segundo o Espírito.

6. O Espírito Santo é também o Consolador do povo de Deus, do homem regenerado... pois esse nome lhe é dado pelo próprio Senhor  que lhe deu. Assim, Ele conforta o coração de maneira espiritual e toda-poderosa, e o homem regenerado anda após esse conforto, desejando diariamente beber mais dele, e seguindo em todos os seus atos o que pode promovê-lo – porque Ele consolo dirigindo os passos.

7. Se andarmos segundo o Espírito, viveremos no espírito, vivos para uma realidade que o homem irregenerado sequer pode imaginar. Todos nossos afetos serão fixos nas realidades celestes onde Cristo está sentado a direita de Deus, pois tudo isso é o Seu trabalho especial, e nada senão Seu poder e influência constante pode produzir isto. Se, então, sou favorecido na vida, todo dia... com esta espiritualidade na mente e esses afetos celestiais, é uma prova de que estou andando no Espírito.

8. Mas, e quando a pressão do mundo, carne e satanás... fraqueza da carne... o homem regenerado cai em estado de frieza e descuido com as coisas de Deus? No homem regenerado o Espírito sempre revive todas as graças imortais implantadas no novo coração, levando a contrição, conduzindo a fonte purificadora de toda impureza, o sangue do Cordeiro, renovando a mente, a esperança, fortalecendo a fé e comunicando mais e mais afetos profundos pela “beleza da santidade”, deleite em Cristo... Esses avivamentos graciosos são graças constantes que jamais deixam-nos por muito tempo em estado de frieza, pecado...? Não só dando perdão, mais vitória sobre o poder do pecado num coração que não ama o pecado ou o mundo? Então andamos segundo o Espírito.

9. O Espírito também conduz os filhos de Deus para “fora” do mundo. Os separa de suas máximas, prazeres e atividades... chama e conduz seus corações em união com o Filho de Deus, pisa antes deles a terra sob seus pés e lhes dá graça para mortificar todo corpo do pecado e morte. Se somos ativados por Seu infinito poder para fazer essas coisas, então andamos segundo o Espírito.
Essas realidades não são obras especiais sobre alguns homens regenerados, estas são as características de TODO homem regenerado.

Neste caminho segundo o Espírito se encontra tudo, todo poder da vida que honra a Deus. No homem regenerado não existe felicidade ou conforto sem Ele. Em qualquer momento que eles não veem as evidências desse andar, não podem ver os sinais desse andar... todo gozo se vai.. e são levados sempre a visão de que se “mortificardes os feitos do corpo, viveremos” – e assim andam na direção da condução do Espírito. Homens regenerados nunca mais podem pecar em paz, como o mundo o faz em sua escravidão...

Devemos lembrar que um homem pode ser tão iludidos pelo pecado e Satanás,  podendo dizer “eu estou em Cristo Jesus, não há nenhuma condenação para mim”  - por isso temos que olhar nossa caminhada, este é o teste. Como você está andando? Você pode estar andando segundo a carne? Esse é o poder e influência que o dirige e guia. Enterrado nos negócios do mundo, afundando na ganância... está teu coração se erguendo em orgulho pelo seu caminho com os valores do mundo e da cultura, diariamente andando no caminho oposto e escolhendo coisa contrárias a vida santa? Teu cristianismo é vão no tocante a realidade da vida, uma confiança vazia? Você está declarando estar em Cristo e ser um com Cristo, mas sua caminhada contradiz isto? Você ainda está na carne, e, portanto, não pode em nada agradar a Deus.

Se você diz, “embora eu escorregue todo o tempo e tropece sobre todas essas coisas, me movimento segundo a influência de uma mente carnal e me movimento como os homens naturais... isso em nada diminui a minha confiança, estou em Cristo, sempre em Cristo, esse é o meu lema”. Eu respondo – amigo, você já entrou no que a Bíblia chama de vã confiança. Se tua consciência não estivesse na escuridão, você estaria vendo quão perigoso é o terrenos que estás pisando.

Uma vez que, em Cristo, sempre em Cristo, é o meu lema. " O, meu amigo, você já entrou em uma vã confiança.

Bem-aventurados são os que estão em Cristo Jesus, mais bem-aventurados, eu ousaria dizer, são os que tem essa doce confiança. Mas só podemos desfrutar dessa confiança se andamos segundo o Espírito.

domingo, 17 de maio de 2015

A Carne não tem reivindicações válidas sobre o homem regenerado!





Muitas vezes, de maneira obscura, muitos falam da fraqueza humana como auto-justificativa para a escravidão que permanece. Sempre que falarmos da fraqueza humana, o discurso deve ser acompanhado por vigorosa declaração sobre o poder do Evangelho. Estamos em Cristo? Então a palavra para nós é:“De maneira que, irmãos, somos devedores, não à carne para viver segundo a carne.” Romanos 8:12


Que em torno de um assunto essencial como este não coloquemos de forma obscura coisas para camuflar o que caracteriza a vida irregenerada. Para que isso não aconteça, o apóstolo de forma clara e distinta, enfaticamente afirma que a carne não tem QUALQUER reivindicação válida sobre o cristão verdadeiro. E que portanto, como é óbvio, ele NÃO ESTÁ sob nenhuma OBRIGAÇÃO de produzir suas exigências que fluem das concupiscências do engano.

Somos devedores? Sem dúvida... mas jamais a carne é o nosso credor. Não devemos NADA  a carne – portanto, não temos que cumprir suas demandas – essa é a liberdade dos filhos de Deus. O que significa isso? Não devemos nada ao pecado, pai de todas as desgraças, o que de forma alguma é visto pela cultura a nosso redor – que vê o pecado como amável e só chora por suas consequências amargas – o que faz o mundo almejar um “Paraíso” com o pecado, numa insana luta de tentar extirpar a morte, tragédias nossos relacionamentos humanos... as consequências do pecado, enquanto o acaricia. Existe descrição melhor de nossa cultura?

Em Cristo estamos num lugar completamente diferente de nossa cultura. Não somos “devedores a carne para vivermos segundo ela” – e se alguém afirmar que é – esta é a declaração de quem jamais nasceu de novo. Não precisamos cumprir suas demandas – O que quer dizer que não devemos nada ao pecado. Nada! Nada a Satanás, que conspirou na queda humana e tem o mundo, a cultura humana em escravidão - "Sabemos que somos de Deus, e que todo o mundo está no maligno." - 1 João 5:19. - Nada! Não devemos nada ao mundo de armadilhas, enganador e ruinoso. Nada! Pois todos eles são auxiliares da carne... a qual não devemos nada... a ela devemos apenas o mais profundo ódio e a oposição mais determinada de novos corações.


Mas certamente somos devedores. Não a carne, mas a quem? Ao Pai, por Seu infinito amor eletivo – “Como também nos elegeu nele antes da fundação do mundo, para que fôssemos santos e irrepreensíveis diante dele em amor” Efésios 1:4 – Por ter nos abençoado com TODAS as bênçãos espirituais – Ah! Somos devedores: “Bendito o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o qual nos abençoou com todas as bênçãos espirituais nos lugares celestiais em Cristo” - Efésios 1:3 – Enquanto um “falso evangelho” – tão popular - é um mero linguajar para justificar a vida que continua devedora da carne – Nós imperfeitamente estimamos a dívida de amar, gratidão, santo viver e serviço que devemos a Ele cuja mente o Filho Eterno veio revelar, cuja vontade Ele veio fazer e cujo coração Ele veio revelar e revelou perfeitamente. Foi o Pai que enviou o Filho. Nele está a origem do maravilhoso expediente da Redenção que libertou o homem de estar em dívida com a carne, livre para viver para a glória de Deus. Foi o Pai que colocou todos os nossos pecados sobre Cristo. Foi a Sua espada de Justiça que feriu o Pastor, para que Sua justa Ira fosse satisfeita, enquanto a mão de amor e proteção fosse colocada sobre homens dignos da perdição eterna.

A Expiação em Cristo não foi concebida para inspirar a misericórdia – ela propicia a justiça de Deus – não ela não desperta em seu coração um amor que não existia anteriormente. Portanto, não podemos por um minuto sequer esquecer a fonte de onde se originou a salvação e perder de vista a verdade que a mediação de Cristo não foi a causa, mas sim o efeito, do amor eletivo de Deus – “Nisto consiste o amor – não em que nós tenhamos amado a Deus, mas que Ele nos amou e deu o Seu Filho por propiciação pelos nossos pecados” – Que o Espírito nos leve a entender mais profundamente, e pela graça nos fazer sentir e então nosso amor ser amplificado – e fique mas evidente nossa profunda obrigação a Deus por seu amor eterno que nos deu o Seu Filho. Somos devedores, sem dúvida – mas “não à carne para viver segundo a carne.” Romanos 8:12

Somos devedores! Somos devedores ao Filho. Ele foi agente ativo na nossa redenção. Foi ele quem assumiu e cumpriu tudo o que a nossa salvação requeria. Ele não deixou nenhum palmo do caminho não trilhado. Nem uma maldição sequer destinada aos redimidos deixou de cair sobre Ele, nenhum pecado deixou de ser castigado e punido nEle, nenhuma parte da Lei foi cancelada... Ele cumpriu toda a justiça... Levante os olhos para Ele e diga, “nada devo a carne para viver segundo a carne – mas devo tudo a Ti, para viver para tua glória em santidade. Tu suportastes o meu pecado, minha maldição, extinguiu o inferno para mim, garantiu o céu. Fui poupado, mas teu espírito foi ferido por mim, teu coração sangrou por mim, teu corpo foi dilacerado por mim, tua alma foi golpeada por mim – eu, um pecador – eu, o principal dos pecadores – Eu sou devedor, um devedor do seu amor, um devedor da sua eterna misericórdia. Nem uma eternidade de amor, serviço e louvor... expressando tua glória e vivendo para tua glória, jamais poderia pagar o que devo a Ti.” – Somos devedores, mas “não à carne para viver segundo a carne.” Romanos 8:12 – Quão profunda é nossa dívida.

E de forma nenhuma somos menos endividados para com o Espírito Santo.Ele que despertou a primeira emoção verdadeira e espiritual da vida em nossa alma, que mostrou nossa terrível culpa e selou o nosso perdão. O que não devemos a Ele por nos levar a Cristo em Seu Chamado Eficaz. Nos levantou da morte, nos santifica... Sua influência e operação é constante em nos levar a viver para a glória de Deus... nos curou da ingratidão reinante em nossos corações em relação a Deus, exerce profunda paciência, que jamais se esgota, por seu amor que aniquila o pecado como poder reinante... quanto devemos ao Espírito? Devemos na mesma proporção que NADA devemos a carne. Devemos ao Espírito o intelecto renovado, o véu retirado de nossas mentes, os olhos abertos para ver a verdade, o coração que Ele santifica, o corpo que Ele habita, cada sobre de vida que Ele impulsiona, cada pulso de verdadeiro amor a Deus em consagração feliz e satisfatória em desfrutar tudo que Deus é para nós em Cristo.

Assim todos os verdadeiros cristãos... todos os homens que de fato foram regenerados... são DEVEDORES ao Deus triúno – Devedores ao Amor eterno do Pai, a Graça redentora do Filho, a Misericórdia vivificante do Espírito. Mas para a Carne não devemos nada – qualquer “evangelho” que tenta justificar a continuação da escravidão e dívida a carne, tentando justificar uma vida igual a dos homens do mundo, homens irregenerados – não passa da mais grosseira falsificação. NADA devemos a carne, a não ser o ódio intransigente – Ao Deus eterno – Pai, Filho e Espírito Santo, devemos tudo – amor indivisível e supremo... um viver voltado tão somente para sua glória em meio a uma sociedade completamente hostil a verdade de Deus. Somos devedores – mas “não à carne para viver segundo a carne.” -Romanos 8:12