domingo, 24 de agosto de 2014

Marco Feliciano na Playboy: era só o que faltava! E tem mais! Por Thiago Oliveira


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Estava eu a navegar pelo Facebook (esse local onde tudo pode acontecer) e me deparo com a seguinte manchete: “Marco Feliciano confessa ter usado drogas e diz que quem faz sexo anal não volta mais”. Essa esdrúxula notícia estava na página oficial da Folha de S. Paulo. Logicamente que acessei a página para ler na íntegra e entender o que estava se passando. Pois bem, a manchete faz referência a uma entrevista dada pelo Deputado Federal e “pastor” Marco Feliciano para a revista Playboy do mês de abril, que chega hoje às bancas (08/04).

É meus irmãos, vocês entenderam bem. A revista é a Playboy mesmo, aquela que tem fotos de mulheres nuas. Acreditem, não é pegadinha. São duas opções de capa e em ambas tem a chamada para tal entrevista com 3 tópicos elencados:

    • “Sonho em ser presidente”.
    • “Cherei cocaína, tentei maconha, não conseguir tragar”.
    • Marina, com aquele jeitinho de crente é um engodo”.

A declaração sobre o sexo anal, segundo a Folha de S. Paulo se deu nos seguintes termos: 

Com certeza tem homens que tem tara por ânus, sim. Eu não entendo muito dessa área porque nunca fiz, graças a Deus. E espero nunca fazer, porque parece que quem faz não volta mais (riu). Deve ser uma coisa tão estranha...

Hã? “Espero nunca fazer”? Estranho mesmo foi esse comentário. Sinceramente meus amados: que tempos são esses os nossos? Pastor sendo entrevistado em revista de mulher pelada já é demais. O pior é que ainda tem quem defenda. Logo que postei nas redes sociais criticando o Feliciano seguido de#AcordaIgreja, um amigo postou um texto com a mesma hashtag só que criticando quem critica esses hereges. Caros leitores, vocês tem todo o direito de não se pronunciarem, mas daí a condenar quem tem coragem e peito para denunciar os falsos profetas tupiniquins não é uma postura sensata.

Incrível será ver como os cegos e ludibriados por homens como o Feliciano vão se portar para tentar defende-lo. Será que vão comprar a Playboy só para ler a entrevista do deputado evangélico? Será que vou ouvir alguém falar que foi mais uma porta que Deus abriu para que o Evangelho fosse pregado? Será que vão dizer: “Ah, o ímpio vai comprar uma revista para ver mulheres nuas e irá se deparar com uma palavra abençoada e mudará de vida”? Nenhum apóstolo na Bíblia foi pregar em bacanais, ignorância tem limite. Procurem entender de uma vez por todas: Esses homens não pregam o Evangelho! O que eles fazem é distorcer o ensino das Sagradas Escrituras. Entendam que defender o falso pastor é não ser contado como ovelha do rebanho de Cristo, pois o mesmo diz: 

"Eu asseguro a vocês que aquele que não entra no aprisco das ovelhas pela porta, mas sobe por outro lugar, é ladrão e assaltante. Aquele que entra pela porta é o pastor das ovelhas. O porteiro abre-lhe a porta, e as ovelhas ouvem a sua voz. Ele chama as suas ovelhas pelo nome e as leva para fora. Depois de conduzir para fora todas as suas ovelhas, vai adiante delas, e estas o seguem, porque conhecem a sua voz. Mas nunca seguirão um estranho; na verdade, fugirão dele, porque não reconhecem a voz de estranhos. Jesus usou essa comparação, mas eles não compreenderam o que lhes estava falando”. João 10:1-6 (grifo meu).

Quem pertence ao Senhor não escuta, e muito menos defende, o falso pastor. Perguntem a vós mesmos: “De quem é a voz que escutamos”? Por favor, tenham mais discernimento e filtrem as pregações. Reconheçam um homem de Deus pelo apreço e fidelidade que ele tem pelas Escrituras. Marco Feliciano não se importa com as ovelhas, ele quer apenas poder. E o sonho de um cara desses virar presidente pode acabar sendo uma realidade de um país cada vez mais evangélico, mas que não tem critério algum para diferenciar o que é alimento e o que é veneno. Certa vez ouvi um Pastor sincero falar que doutrina é igual a comida, se boa alimenta, se ruim pode até matar. 

Não é a primeira vez que critico o Feliciano. A última dele foi ter dito esta pérola: “Jesus falou comigo: Meu filho, quando a igreja não se levanta e não pode, eu levanto até demônios para ser guarda costa de pastor”. Segundo o mesmo, um babalorixá do Rio de Janeiro chegou em seu gabinete e disse que o deputado o representava e que toda a sexta-feira, 600 terreiros tocariam para abençoar o Marco Feliciano. Dúvida? Então veja o vídeo se tiver estômago: 
Engraçado é que a primeira frase que aparece no vídeo, proferida pelo Deputado Feliciano é: “Nunca houve tanta oração nesse país. Nunca houve tantos crentes anônimos mandando mensagens dizendo: Jesus, protege o Pr. Marcos porque ele me representa.” Ué, a Igreja nunca orou tanto para que Jesus o protegesse e a mesma não se levantou ao ponto de demônios fazerem a segurança do Deputado? Faz tempo que eu repudio homens como Feliciano, que são falsos mestres, oportunistas e gananciosos. Todavia tem quem o defenda. Com certeza alguém vai ler esse meu texto e vai dizer que eu estou julgando. Não é julgamento e sim constatação. As Escrituras dizem que qualquer outro evangelho deve ser por nós amaldiçoado (Gl 1:9). Como simpatizar com um homem que descontextualiza a Palavra para tirar vantagem? Pra mim não dá pra aturar mesmo...

Marcos 9:40: Cristo fala que “quem não é contra nós, é por nós.” Só que o contexto é muito diferente. Ali, João diz que repreendeu um homem que expulsava demônios porque este não era seguidor do Mestre. Veja bem: expulsava demônios e não era beneficiado pelo mesmo. Como se isso não bastasse, agora essa da Playboy. Que Deus tenha misericórdia de nós e nos conceda graça. Que a Igreja de Cristo se mantenha fiel às Escrituras e ouça o Bom Pastor. 

Soli Deo Gloria!

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Divulgação: Bereianos
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sábado, 23 de agosto de 2014

Inaptos para decidir


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Todos aqueles que frequentam este blog e outros tantos que tratam da polêmica questão da existência do livre-arbítrio já se depararam com extensos argumentos em torno da liberdade humana para a salvação. Longe de querer estabelecer um fim a toda a discussão em volta do tema, desejo trazer à baila algumas observações que julgo relevantes para o entendimento da participação supostamente livre do indivíduo no ato de sua conversão. Meu intuito é refletir a respeito de um aspecto básico: como definir se alguém é espiritualmente capaz para decidir?

Salvo exceções, todos querem o melhor para si. Assim, qualquer ser humano mentalmente capaz e sadio que esteja diante de dois caminhos, sendo que um conduz à vida e o outro à morte, irá escolher, naturalmente, o melhor caminho para si, que é, obviamente, o caminho da vida. Assim, se um indivíduo escolhe a morte, devemos supor que ele atravessa um terrível quadro de depressão ou é tão louco quanto uma pessoa que rasga dinheiro, e não vemos loucos rasgando dinheiro com muita facilidade. É claro que, em casos extremos, alguns poderiam escolher o caminho da morte por convicções pessoais, mas neste caso estariam fazendo isso pelo enganoso convencimento de ser o melhor, e não o pior, e logo estariam sendo traídos pela razão, equiparando-se a loucos.

Enfim, o ser humano nasce com um instinto de autopreservação, que explica facilmente o medo que muitos tem da morte. Esse instinto está presente na natureza de cada pessoa, e é este mesmo instinto que irá motivar cada uma a buscar sempre o melhor para si: paz, conforto, saúde... e vida. Se isso é verdade, então temos que se alguém escolhe sofrer ou morrer está indo contra seus próprios instintos de sobrevivência.

Quando alguém rejeita o evangelho, o que este alguém está dizendo para Deus é algo como: “Olha, Senhor, a proposta de uma vida eterna plenamente feliz parece muito boa, mas eu prefiro meus poucos segundos aqui na Terra de aparente felicidade e autorrealização para depois passar a eternidade morta”. É claro que isso não faz o menor sentido. Logo, deve haver alguma justificativa minimamente razoável que explique a opção que alguém faz pela autodestruição. Ou este alguém é louco ou está muito doente.

Não à toa Jesus proferiu a parábola do homem rico de Lucas 12:16-20, que termina assim: “Louco! esta noite te pedirão a tua alma; e o que tens preparado, para quem será?”. Somente um louco pensaria que o pouco tempo que tem neste mundo seria justificativa para viver uma vida materialista e esvaziada de valores espirituais. E é exatamente isso que a acontece! O homem parece louco por rejeitar a Deus e preferir os prazeres terrenos. Sua mente está terrivelmente doente, e por isso ele não consegue optar pelo que é obviamente bom nem consegue ver o que está evidente, e esta é, e sempre será, uma pedra no sapato dos libertaristas.

Os que advogam a plena liberdade humana, como um suposto estado de neutralidade entre o bem e o mal em que cada um se encontra ao escolher o que é melhor para si, precisam explicar como alguém em pleno juízo pode simplesmente optar por aquilo que lhe é desfavorável. Mas não pode haver qualquer explicação razoável a não ser que a visão e compreensão que este alguém tem das coisas espirituais esteja fatalmente prejudicada, do mesmo modo que não há como argumentar que alguém que quer se matar esteja em pleno estado de consciência quando o normal, natural e bíblico é preservar a si próprio. 

Somente a incapacidade espiritual para compreender a mensagem da cruz pode explicar a rejeição ao evangelho, pois qualquer um que entende realmente a dádiva da salvação jamais a rejeita, mas, ao contrário, humilha-se diante de seu Criador com um coração contrito e arrependido por reconhecer o estado de pecado no qual se encontra e perceber a maravilhosa graça manifesta na cruz do Calvário.

Os que acusam calvinistas de incoerentes ou antibíblicos precisam, no mínimo, explicar o que leva alguém a preferir o prazer fugaz desta vida em vez da alegria da vida eterna junto ao Rei dos reis. Afinal, é bem mais fácil aceitar que o Deus soberano e infinitamente mais sábio que nós humanos tenha eleito incondicionalmente apenas alguns para a salvação segundo Seu propósito do que concordar com a ideia de uma liberdade que conduz à morte, representando, incontestavelmente, uma incoerência com a lógica mais fundamental existente em torno do desejo de viver inerente ao ser humano.

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Fonte: Bereianos

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Sobre Pastores que são Políticos - Por Thiago Oliveira


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Eu não vou deixar de ser embaixador da pátria celestial para ser simplesmente presidente dos Estados Unidos”.
A frase acima é de Billy Grahan, pastor e evangelista bastante popular nos EUA. Foi uma resposta para aqueles que o convidavam a ingressar na carreira política e pretendiam lança-lo à presidência da república. Convicto do seu chamado como pastor, recusou veementemente. Todavia, não deixou de ser relevante para a sociedade norte-americana, tendo acesso a Casa Branca e sendo conselheiro de vários chefes de Estado.
No Brasil, em anos de eleição vemos a candidatura de diversos pastores, que se arvoram na carreira política com o discurso de ser “luz” e mudar os rumos da nação através do exercício do seu mandato. E como existe o chavão “irmão vota em irmão”, pastor, então, sai na frente. Mas seria mesmo algo bom para um pastor e para a igreja envolver-se com a política partidária? Será que um pastor pode ser político ao mesmo tempo em que exerce o ministério eclesiástico?
Diante de um questionamento parecido, o Rev. John MacArthur respondeu assim: "Se você é um pregador de Jesus Cristo e você é um pastor então deve ser conhecido por proclamar o evangelho de Jesus Cristo e nada mais. Então, se você quiser servir em algo que não tem qualquer influência na eternidade, não tem qualquer influência no Reino de Deus, então você pode fazer isso. Mas um pastor fazer isso eu acho que é se prostituir, distanciando-se da sua vocação e da única coisa que faz a diferença que é a pregação do evangelho de Jesus Cristo e o avanço do Reino. (...) A Igreja precisa ficar fora da politicagem e votar na justiça, e ela precisa proclamar o evangelho."
João Calvino, tratando sobre o governo eclesiástico em sua obra máxima, as Institutas (Volume 4, Capítulo XV), combateu veementemente as pretensões do clero. Calvino lembra da discussão que houve, durante a santa ceia, sobre quem era o maior dentre os apóstolos (Lc 22:24-26). Segundo ele, Jesus freia à aspiração dos discípulos dizendo-lhes que o Reino dele não era temporal, mas sim espiritual. Não pertencente a este mundo, sendo assim, deixou claro que a tarefa dos seus apóstolos não poderia envolver uma administração mundana (lembrando que nesse contexto os integrantes do clero eram também, em bom número, prefeitos das cidades e detentores de cargos públicos).
O reformador também recorda o exemplo contido em Atos 6: 1-4. Ali houve uma contenda quanto a distribuição dos alimentos. As viúvas dos gregos reclamavam que não estavam sendo assistidas como as viúvas dos hebreus. Quando a queixa chegou até os apóstolos estes disseram: “Não é razoável que nós deixemos a palavra de Deus e sirvamos às mesas”. Assim, incubiram outros homens para realizar tal tarefa. Calvino então chega à seguinte conclusão: Se os apóstolos não se acharam dignos de conciliar as duas funções, a de administrar à Palavra e a de administrar o serviço da distribuição dos mantimentos, como é que os que desempenham a função eclesiástica se acham no direito de realizar esta dupla empresa? O resultado desse duplo empreendimento é deixar a deriva o rebanho do Senhor, realizando o trabalho que outra pessoa poderia muito bem realizar.
A questão não é demonizar a política e desmotivar cristãos que tem vocação para a magistratura civil. O cristianismo é capaz de se inserir em toda e qualquer esfera da sociedade, julgá-la e redimi-la através do exercício dos valores bíblicos. Um cristão pode sim ser um político e prestar um grande serviço para Deus e para a sociedade. Todavia, não compete aos ministros da Palavra realizarem tal função, pois não há tarefa mais honrosa e mais impactante para a sociedade do que ministrar o Evangelho de Cristo e promover o Reino dos Céus.
Paulo escrevendo ao jovem pastor Timóteo, compara o episcopado com uma figura militar (2Tm 2:3-4). As palavras do apóstolo dizem que “ninguém que milita se embaraça com negócios desta vida, a fim de agradar àquele que o alistou para a guerra”. Um soldado em campanha é um soldado executando as ordens do seu superior. Pouco interessa se ele é agricultor, pintor, professor, ou empresário. Ele não pode pensar nos seus negócios particulares quando está prestando seus serviços militares. É preciso foco, obediência e sobretudo uma entrega total e sacrificial.
Assim como o soldado em guerra deixa para trás a sua vida e não pensa em nada a não ser a guerra, o pastor também deve evitar tudo aquilo que desvie a sua atenção e mergulhe de cabeça no penoso, e ao mesmo tempo gratificante, ofício ministerial. Sendo assim, é fácil concluirmos que um pastor que tem vocação dupla está muito mais propenso a ter um desempenho ruim no seu episcopado. Imaginemos então ele exercendo um cargo político, seja no legislativo ou no executivo. Ele daria conta?
Governar uma cidade, um estado, um país, é algo que exige muito de qualquer pessoa. É desgastante ter que passar o dia fazendo diversas reuniões de planejamento, viagens com a mais diversificada finalidade e etc. Gerir a coisa pública não é o mesmo que gerir uma empresa. E temos já exemplos negativos dos pastores empresários. Isso posto, deixo bastante clara a posição de que o pastor não pode exercer cargo político. Se quer abraçar a carreira política, que abra mão do seu ministério e deixe de usar indevidamente o título de pastor.
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Fonte: Bereianos

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Você ama à Deus? Por Pr. J Miranda







A nossa prova de amor à Deus está no fluir da nossa adoração, em nosso contentamento, em nossa felicidade de andar com ele e meditar em tudo que ele deixou escrito conforme o seu beneplácito. Vejamos o conselho de Davi ao seu filho Salomão: "Tu, meu filho Salomão, conhece o Deus de teu pai e serve-o de coração íntegro e alma voluntária; porque o SENHOR esquadrinha todos os corações e penetra todos os desígnios do pensamento. Se o buscares, ele deixará achar-se por ti; se o deixares, ele te rejeitará para sempre" (I Crônicas 28.9). Quero concluir dizendo-lhes que amar à Deus é glorificá-lo. Deus, a melhor de nossas felicidades, deve ter o melhor de nossas afeições. Assim podemos encantar o mundo com o nosso testemunho de verdadeiros adoradores. É bem certo que em sua adoração nunca se esqueças, que a cada minuto Deus se importa com você. Mas é preciso compreender que a razão para adorar e servir a Deus encontra-se aqui: "Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade estende-se de geração a geração – (Sal 100.5)". Aí estão três motivos principais para servirmos ao Senhor nosso Deus. O, que todos possam sentir o peso deles!


quarta-feira, 20 de agosto de 2014

Fé, moeda de aquisição - Por: João Ferreira Leite luz


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O evangelho não é mais um produto ou bem de consumo. Infelizmente muitas igrejas cristãs têm sucumbido à tentação de comercializar os benefícios da fé, em detrimento do anúncio do conteúdo do evangelho, da fé apostólica, do cristianismo histórico e dos fundamentos teológicos ortodoxos.
Essa religiosidade patética vivida na pós – modernidade não representa o leito principal do cristianismo bíblico. Pois, a mensagem do evangelho não se restringe a meros benefícios passageiros. Precisamos com urgência repensar nossa espiritualidade aprofundando nossas raízes teológicas sob uma perspectiva mais humana. Porquanto, cristianismo lida essencialmente com valores de vida, ou seja, o evangelho busca responder nossas questões mais profundas, e não simplesmente atender nossas necessidades mais imediatas.
A fé, antes de ser o meio pelo qual conseguimos a bênção divina, deveria ser o meio pelo qual alcançamos o coração do próprio Deus. Porque se no exercício da oração, subentende-se que deve haver fé. Então a prática da oração através da fé, deveria nos deixar mais íntimos de Deus e não meramente seduzidos por suas bênçãos.
As igrejas chamadas neo-pentecostais, fortemente influenciadas pela teologia da prosperidade e com uma mentalidade extremamente capitalista, vem lentamente desvirtuando o nosso conceito de fé. Pois, fé para essa corrente teológica significa possuir bens materiais, nunca ficar doente; ou se ficar, Deus tem a obrigação de curar, e ainda, ter sucesso em tudo que realizar. Ou nas palavras do Paulo Romeiro (segundo a teologia da prosperidade): “Assim, a marca do cristão cheio de fé e bem sucedido é a plena saúde física, emocional e espiritual, além da prosperidade material. Pobreza e doença são resultados visíveis do fracasso do cristão que vive em pecado ou possui fé insuficiente”.
Se fizermos uma leitura sincera da vida de Jesus, e analisarmos com o mínimo de bom senso, perceberemos que essa postura não passa de uma aberração teológica que só beneficia os proponentes dessa idéia. Chegar ao cúmulo de afirmar que pobreza é sinal de maldição, ou que se alguém não foi curado depois de fazer inúmeras campanhas e tiver “decretado” a cura, é porque faltou fé, ou porque tem algum pecado oculto (de quem?). De fato, isso beira as raias da heresia. 
Moro em uma cidade chamada Assis, no interior de S.Paulo. O nome da minha cidade é em homenagem a S.Francisco de Assis, e temos na entrada da cidade uma estátua. Os pastores (nem todos) chegam ao absurdo de afirmar que nossa cidade não cresce e não prospera pelo fato de S.Francisco ter feito voto de pobreza. Todo ano têm marcha para Jesus (uma espécie de procissão católica adaptada para o protestantismo, que eu nunca entendi muito bem a razão de tudo aquilo), os líderes decretam bênçãos sobre a cidade, batem o pé e “amarram os demônios da pobreza que estão ligados à estátua”. E o curioso é que tudo continua do mesmo jeito; os pobres sempre pobres, desemprego, violência. É muito mais fácil culpar uma estátua do que assumir nossa parcela de culpa pelas diferenças sociais, e, aliás, pelo tanto de procissões evangélicas, pelo tanto de “quebra de maldições”. A cidade já deveria ter melhorado pelo menos um pouco.
Os pobres não são alvo de maldição, são sim, alvo da incapacidade humana de se importar com o próximo. Valorizamos tanto os cantores, e não hesitamos em comprar seus Cds com preços altíssimos, enquanto isso eles moram em verdadeiras mansões compradas à custa dos que se dizem piedosos. Adoramos futebol, aliás, somos o país do futebol, no entanto, o salário que é pago aos jogadores daria para construir diversos hospitais e os manter funcionando. Os rios de dinheiro que se paga para os políticos daria para construir escolas e pagar melhores salários aos professores. Na verdade não existem demônios da miséria, os demônios da miséria somos nós que legitimamos uma política de desigualdades e excludente.
Os proponentes da teologia da prosperidade (“Papas da prosperidade”) deveriam buscar uma mensagem menos triunfalista, tendo como exemplo pessoas de uma grandeza singular como:
Madre Teresa de Calcutá que deixou de ser professora de geografia e história nas escolas das Irmãs para moças ricas, no bairro Entally, em Calcutá, para dedicar toda sua vida aos pobres e miseráveis.
S.Francisco de Assis, filho de Pedro e dona P. de Bernadone, ricos comerciantes na bela cidade medieval chamada Assis, na Itália. Francisco abandonou uma vida de riquezas para se identificar com os menos favorecidos e os servir.
O líder hindu Mahatma Gandhi. Que era um hindu de bom berço, de família próspera e de uma casta privilegiada. Depois se tornou um jovem advogado formado em Londres. Possuía um escritório de advocacia muito prospero na África do Sul, e que ao ver a sorte dos miseráveis se juntou a eles, os defendeu, resgatou a dignidade de muitos como, por exemplo, a casta dos intocáveis, e foi também o responsável pela libertação da segunda nação mais populosa do planeta, que estava sob o jugo colonialista Britânico.
O problema é que falar e seguir o exemplo de gente pobre e que viveu entre pobres não dá ibope a ninguém. Então não deveríamos tocar no nome de Jesus, pois segundo a bíblia Jesus era filho de gente muito pobre. Jesus foi pobre, viveu propositalmente entre os pobres; tocou leprosos, comeu com impuros, perdoou ladrões, adúlteras e prostitutas. E para piorar morreu a morte mais vergonhosa – a de cruz – o que significava derrota, em outras palavras, Jesus “nasceu na pobreza e morreu na desgraça, e achou que valeu a pena”.
Foi ele próprio quem disse: “O Espírito do Senhor está sobre mim, porque ele me ungiu para pregar boas novas aos pobres”. Evangelho de S.Lucas 4.18.
Que o Senhor Jesus nos ajude ter fé no valor do sacrifício que ele fez na cruz, e não entendermos que fé seja uma espécie de moeda de troca.

Que Deus nos ajude!Veritas odium parit
João Ferreira Leite Luz
Blog do autor: [ http://repensandoconceitos.blogspot.com ].