segunda-feira, 10 de fevereiro de 2014

Onze Conselhos aos Pastores Iniciantes - Por Dr. Joel Beeke




1. Ore, ore, ore. Jamais tome sobre si mesmo nenhuma responsabilidade da igreja sem temperá-la com oração. Lembre-se do conselho de John Bunyan: “Você pode fazer mais do que orar depois de ter orado, mas você não pode fazer nada mais do que orar até ter orado”.
2. Estude, estude, estude. Mantenha-se nos pastos verdejantes da verdade em seus estudos. Conserve o seu hebraico e o seu grego. Prepare os seus sermões com muito cuidado. Escreva alguns artigos ou alguns livros para aprimoramento pessoal. Participe de algumas das conferências e seminários de que vale a pena participar, tão comuns em vários locais hoje. Volte ao seminário para estudar um pouco mais. Faça questão de trabalhar de forma que sua mente seja expandida.
3. Pregue, pregue, pregue. Empregue o melhor da sua energia e vida, como Paulo, pregando Jesus Cristo (1 Co 2.2). Pregue com frequência. E quando o fizer, pregue de forma bíblica, doutrinária, experimental e prática. Pregue com paixão, apresentando a Palavra da vida “como um moribundo falando com outros moribundos”.
4. Seja um modelo, seja um modelo, seja um modelo. Seja um modelo da verdade bíblica para com sua esposa, sua família, para com os que trabalham com você na igreja, sua congregação, e para com seus vizinhos. Decida-se, como Thomas Boston, a espalhar o perfume de Cristo onde quer que você vá. Como Robert Murray M’Cheyne, ore que o Espírito Santo possa torná-lo tão santo na terra quanto é possível que um pecador perdoado seja santo. Ore para que sua vida seja uma “carta viva”, seus sermões sejam escritos em sua vida prática.
5. Delegue, delegue, delegue. Não dê aulas a todas as classes na sua igreja. Não seja o responsável pelo boletim dominical. Não tente regular e supervisionar todas as atividades dos seus colegas de trabalho. Delegue tudo o que for possível, de forma que você possa concentrar-se na oração, na pregação, no ensino, e no cuidado espiritual do rebanho.
6. Treine, treine, treine. Treine o seu povo para as funções de liderança nos diversos ministérios da igreja. Gaste tempo extra com os jovens que podem servir como futuros presbíteros e diáconos, ou como líderes de diferentes atividades. Pela graça do Espírito, “desenvolva” futuros líderes. À medida que você os treina, dê-lhes liberdade para usar os dons e oriente a visão deles tanto quanto possível. Todo o tempo empregado nisso será muito bem gasto.
7. Visite, visite, visite. Visite o seu rebanho fielmente – no hospital, em casa, e em toda hora de necessidade. Esteja presente quando precisarem de você. Sempre leia a Palavra e fale algumas poucas palavras edificantes sobre o texto, e ore em cada visita. Se você falhar nesse assunto, falhará em tudo mais.
8. Ame, ame, ame. Muitos ministros falham porque negligenciam o amor às ovelhas. Ame e continue amando o seu povo por aquilo que são, e não pelo que você pensa que deveriam ser. Aceite-os como são e onde estão, e trabalhe com eles a partir desse ponto, sempre com paciência, lembrando que, se você não pode associar-se de forma amorosa com as pessoas onde elas estão, com o passar do tempo elas o rejeitarão. Considere-se como o tutor espiritual e o cuidador de uma grande família. Seja bondoso com cada um deles. Leve-os a sentir a sua preocupação por eles e por suas famílias. Faça perguntas que mostram o seu cuidado por eles. Regue-os com compaixão, quando estiverem em necessidade. À medida que o seu relacionamento cresce, sempre que for apropriado, não se acanhe de dizer-lhes que você os ama. E se você tiver inimigos na igreja, faça de tudo para amá-los também, como Jesus ordenou.
9. Desfrute, desfrute, desfrute. Considere como inacreditável honra e alegria o fato de ser embaixador de Deus. Edward Payson (1783-1827) disse que com frequência batia palmas de alegria durante seu estudo particular porque Deus o tinha chamado para o ministério sagrado da Sua Palavra. A obra do ministério é uma tarefa pesada, mas também é cheia de alegria. Aprenda a considerar como sua força a alegria do Senhor, em Cristo (Ne 8.10).
10. Renove, renove, renove. Preste atenção à sua saúde. Viva em intimidade com Deus, alimente-se de Cristo, beba intensamente do Espírito. Tire tempo para descansar, para deixar de lado todos os fardos, e para abrir-se à luz da Palavra e à direção do Espírito Santo. Lembre-se de que você é um mero receptáculo ou vaso, e não a fonte das águas vivas. Você não consegue dar aos outros aquilo que não apanhou primeiro para si mesmo.
11. Persevere, persevere, persevere. Quando chegarem as tribulações e os inimigos perseguirem, não seja um mercenário que abandona as ovelhas. Persevere no cuidado por elas. Fique firme. Confie em Eclesiastes 11.1: “Lança o teu pão sobre as águas, porque depois de muitos dias o acharás”.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

União com o Deus Trino.Por Sinclair Ferguson





Você já imaginou como seria estar há horas de distância da morte — não como um idosomas como alguém condenado a morrer, embora inocente de qualquer crime? O que você iria querer dizer àqueles que você conhecem e que mais amam você? Você, certamente, lhes diria o quanto você os amava.  Você poderia esperar ser capazde dar-lhes algum conforto e confiança — apesar do pesadelo que você mesmo estava encarando. Você iria querer abrir seu coração e dizer as coisas que são mais importantes para você.
Tal atitude seria certamente digna de louvor. É claro, seria pura natureza humana — porque foi isso que Jesus fez, como o apóstolo João relata no Discurso do Cenáculo (João 13-17).
Há vinte e quatro horas de sua crucificação, o Senhor Jesus expressou seu amor de maneira rara e delicada. Ele levantou da mesa da ceia, amarrou uma toalha de servo em sua cintura, e lavou os sujos pés de seus discípulos (incluindo, aparentemente, os de Judas Iscariotes; João 13:3-5, 21-30). Foi uma parábola ativa, como João explica: “Tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até ao fim” (v. 1).
Ele também falou palavras de profundo conforto a eles: “Não se turbe o vosso coração” (14:1).
Ainda assim, Jesus fez muito mais. Ele começou a mostrar a seus discípulos “as profundezas de Deus” (1 Coríntios 2:10). Quando lavou os pés de Pedro, lhe disse que ele entenderia suas ações apenas “depois” (João 13:7). Igualmente para o que ele disse, pois ele começara a revelar a seus discípulos a natureza interior de Deus. Ele é Pai, Filho e Espírito Santo — a Santa Trindade.
A Glória do Mistério Revelada
Muitos cristãos tendem a pensar na Trindade como uma doutrina antiprática e especulativa. Mas o Senhor Jesus não pensa assim. Para ele, ela não é especulativa nem antiprática — mas exatamente o contrário. Ela é o fundamento do evangelho. Sem o amor do Pai, a vinda do Filho, e o poder regenerador do Espírito Santo, simplesmente não poderia haver salvação. (Unitarianos, por exemplo, não podem ter expiação feita por Deus para Deus).
Durante seu Discurso de Despedida, Jesus explicou a Filipe que vê-lo é ver o Pai (João 13:8-11). Ainda assim, ele mesmo não é o Pai; do contrário, ele não poderia ser o caminho para o Pai (João 14:6). Ele também está “no” Pai, e o Pai está “nele.” Esta mútua habitação é, como os teólogos dizem, “inefável” — além de nossa habilidade de compreender. E ainda assim, não está além da habilidade da fé de crer.
Além disso, o Espírito Santo reside no âmago deste vínculo entre o Pai e seu Filho. Mas agora, o Pai enviou seu Filho (que está “no” Pai). Tal é o amor do Pai e do Filho pelos crentes, que eles virão e farão dos crentes sua morada.
Como assim? O Pai e o Filho vêm habitar no crente através da habitação do Espírito Santo (14:23). Ele glorifica a Cristo (16:14). Ele toma o que pertence a Cristo, dado a ele pelo Pai, e mostra a nós. Mais tarde, quando temos o privilégio de ouvir de longe a oração de nosso Senhor, Jesus semelhantemente fala sobre a íntima comunhão com Deus que o sustentou tão maravilhosamente: “tu, ó Pai, [estás] em mim e eu em ti” (João 17:21).
De fato, isso é teologia profunda. Ainda assim, virtualmente a mais profunda afirmação que podemos fazer sobre Deus é que o Pai está “no” Filho e o Filho “no” Pai. Parece tão simples que uma criança pode ver. Pois, qual palavra pode ser mais simples que no?
Ainda assim, isso também é tão profundo que as melhores mentes não podem sondar. Pois, sempre que buscamos contemplar a pessoa do Pai, descobrimos que não podemos fazê-lo sem pensar em seu Filho (pois ele não pode ser um pai sem um filho). Nem podemos contemplar este filho à parte do Pai (pois ele não pode ser um filho sem pai). Tudo isso é possível porque o Espírito ilumina quem o Filho de fato é, como Aquele único através de quem podemos vir ao Pai.
Assim, nossas mentes simultaneamente dilatam de prazer nesta trindade em unidade, e ainda assim são esticadas além de suas capacidades pela noção da unidade na trindade. Quase tão atordoante é o fato de que Jesus revela e ensina tudo isso para ser a verdade do evangelho que mais firma a vida, conforta o coração, dá equilíbrio e alegria (15:11).
A Trindade é tão vasta em significância porque pode trazer conforto a homens levados ao limite pela atmosfera de tristeza prestes a submergi-los. O Um trino é maior em glória, mais profundo em mistério, e mais belo em harmonia do que todas as outras realidades na criação. Nenhuma tragédia é grande demais para oprimi-lo; nada que é incompreensível para nós o é para ele, cujo próprio ser é incompreensível para nós. Não há trevas mais profundas do que as profundezas do interior de Deus.
Talvez seja compreensível, então, que Jonathan Edwards pudesse escrever em sua Narrativa Pessoal:
Deus apareceu glorioso para mim, por causa da Trindade. Ela me fez ter pensamentos exaltantes sobre Deus, que ele subsiste em três pessoas: Pai, Filho e Espírito Santo. As mais doces alegrias e deleites que experimentei, não foram aquelas que surgiram de uma esperança em meu próprio bom estado; mas em uma direta visão das coisas gloriosas do evangelho. Quando desfruto dessa doçura, ela parece me carregar acima dos pensamentos de meu próprio estado; parece em tais momentos uma perda que não posso suportar, desviar meus olhos do glorioso e prazeroso objeto que contemplo sem mim, e voltar os olhos para mim mesmo, e meu próprio bom estado.
Mas a revelação da Trindade está de fato relacionada com nosso “próprio bom estado.”
A Maravilha da União revelada
O objetivo do ensino de Jesus não é meramente chocar nossas mentes ou agitar nossas imaginações. É nos dar um senso do vasto privilégio da união comele.
Desde o princípio destas poucas horas de ministério, Jesus falou sobre seus discípulos terem uma “parte” com ele (João 13:8). Ele também explicou que o Espírito revela aos cristãos que eles estão “em Cristo” e que ele está neles (14:20). Esta é uma união tão real e maravilhosa que sua única analogia real — assim como seu fundamento — é a união do Pai e do Filho através do Espírito. Os discípulos desfrutariam a união com o Filho e, portanto, teriam comunhão com o Pai através do Espírito. “Vós o conheceis,” disse Jesus, “porque ele habita convosco e estará em vós” (v. 17). Estas enigmáticas palavras não se referem ao contraste do relacionamento entre o Espírito e os crentes da antiga aliança (“convosco”) e da nova aliança (“em vós”). Elas são frequentemente entendidas dessa maneira, mas Jesus está na verdade dizendo: “Vocês conhecem o Espírito, porque ele está com vocês em mim, mas ele virá (no Pentecostes) para estar em vocês como justamente Aquele que tem sido meu constante companheiro (e nesse sentido, ‘em vocês’). Assim, ele não é outro senão Aquele que é o vínculo de comunhão entre o Filho e o Pai desde toda a eternidade.”
Assim, ser unido com Cristo é ter parte em uma união criada pela habitação do Espírito do Filho encarnado que está ele mesmo “no” Pai como o Pai está “nele.” União com Cristo significa nada menos que comunhão com todas as três pessoas da Trindade. Não é que a natureza divina esteja infundida nos crentes. Nossa união com Cristo é espiritual e pessoal — efetuada pela habitação do Espírito do Filho do Pai.
Note, então, o raro e delicado quadro que Jesus pinta para expressar a beleza e a intimidade dessa união: ela envolve nada menos que o Pai e o Filho fazendo morada no coração do crente (v. 23).
Significativamente, Jesus não exige que os crentes façam uma dúzia de coisas — exceto crer e amar. Pois esta é a percepção (“naquele dia vós conhecereis”; v. 20) da realidade e da magnitude dessa união com Deus Trino através da união com Cristo que transforma o pensamento, o sentimento, a disposição, o amor e, consequentemente, as ações do crente. Nessa união, o Pai apara os ramos da vinha para dar mais fruto (15:2). Na mesma união, o Filho guarda todos aqueles que o Pai lhe deu (17:12).
Não me surpreende que John Donne tenha orado:
Invade meu coração, Deus trino; pois fazes tudo, menos bater; respire, brilhe, e busque consertar; Que eu levante e permaneça, me derrube, e empenhe Tua força para quebrar, soprar, queimar, e fazer-me novo. Eu, como uma cidadela usurpada por outros, Trabalho para deixa-lo entrar, mas ah, sem resultado; Razão, vosso vice-rei em mim, eu deveria defender, Mas está cativo e se prova fraco ou falso. Ainda assim em estima te amo, e seria alegremente amado, Mas estou noivo de teu inimigo; Divorcie-se de mim, desate ou quebre o nó novamente, Leve-me contigo, me aprisione, pois eu, a menos que me encantes, nunca serei livre, Nem nunca serei puro, a menos que me arrebates. (Holy Sonnets XIV – Santos Sonetos XIV)
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sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

As três fases da regeneração - Por Leonardo Dâmaso






regeneração (Tt 3.5; 1Pe 1.3) ou o novo nascimento (Jo 3.3, 5, 7) é uma mudança sobrenatural operada pelo Espírito Santo no mais profundo intimo do eleito, vivificando o seu espírito que outrora estava morto transformando radicalmente a sua natureza, que inclinada somente para o pecado e em desagradar a Deus, passa agora ter a capacidade pelo Espírito Santo de viver uma vida que o glorifique em temor e obediência.
Gordon Lyons corrobora que a regeneração é um ato completamente de Deus, e uma demonstração de sua onipotência. É o mesmo tipo de onipotência que Deus exerceu quando, por Sua palavra de comando, Ele criou o universo; ou quando, por uma semelhante palavra de comando, o Senhor ressuscitou os mortos. É requerido um poder onipotente para criar o universo ou ressuscitar os mortos, assim, é requerido o mesmo poder onipotente para ressuscitar aqueles que estão espiritualmente mortos. É este poder divino e onipotente que Deus exerce na regeneração quando, por seu Espírito Santo, ele ressuscita um pecador da morte espiritual, fazendo-o uma nova criação (Jo 5.25; 2Cor 5.17).1
John Gill salienta que a regeneração pode ser considerada de forma mais ampla, incluindo a chamada eficaz, a conversão e a santificação; ou de forma mais restrita, designando o primeiro princípio de graça infundido na alma. Isto faz da alma um objeto preparado para a chamada eficaz, um vaso apropriado à conversão, sendo também a fonte daquela santidade que é gradualmente desenvolvida na santificação e aperfeiçoada no céu.2
Em vista disso, alguém poderia perguntar: “A regeneração acontece “antes, durante ou após” a pregação do evangelho”? 
De fato, o Espírito Santo regenera uma pessoa “antes, durante e depois da exposição do evangelho”. Como assim? A fim de compreendermos melhor esta questão, é necessário, a despeito da regeneração, esboçarmos as suas três fases que estão estritamente relacionadas, que, por sinal, não é muito enfatizado. Senão vejamos:  
1. Vivificação – Esta primeira fase é um ato exclusivo de Deus, no qual ele opera sem meios e sem a cooperação humana, e se refere ao chamado externo que resulta no chamado interno quando o Espírito Santo vivifica o espírito morto (Ef 2.1-3) e abre o ouvido surdo do pecador eleito (veja Mc 4.9, 23; 7.16; Ap 2.7, 11, 17, 29; 3.6, 13, 22, onde a expressão “quem tem ouvidos para ouvir” se refere à pessoa regenerada que tem a capacidade de ouvir o evangelho no sentido de compreendê-lo e obedecê-lo) “implantando a faculdade da fé”, antes da exposição das Escrituras para que ele possa ouvir [espiritualmente] e compreender as suas implicações para, assim, crer e se arrepender. Logo, esta primeira fase “precede” ou ocorre antes da pregação do evangelho. Temos como exemplo nas Escrituras o caso de Lídia, descrito em At 16.14, onde o Senhor "abriu o seu coração" antes da pregação de Paulo para que pudesse culminar no próximo passo que veremos a seguir.  
2. Conversão – Esta segunda fase além de ser um ato primário de Deus, conta também com a participação humana, onde Deus emprega o meio da pregação do evangelho. Após o pecador eleito ter sido ser vivificado ou ter nascido de novo, ele, agora, recebe o “poder da fé” que o capacita a ouvir e compreender o evangelho e suas implicações (Rm 10.17). Em seguida, é dado ao pecador eleito o dom da fé (Ef 2.8-10) e do arrependimento (At 11.18; Rm 2.4; 2Tm 2.25), onde ele é capacitado pelo Espírito Santo a crer e se arrepender de seus pecados. Acerca disso, Hoekema afirma com maestria que a conversão é obra de Deus e obra do homem. É preciso que Deus nos converta e, ainda assim, nós precisamos nos converter a ele.3
3. Santificação – Esta terceira fase é o resultado e a evidência da conversão. Após ter crido e se arrependido dos seus pecados, o pecador eleito recebe a “operação da fé”, o qual demonstra a sua conversão abandonando o velho estilo de vida outrora campeado pela prática do pecado através de um novo estilo de vida caracterizado pelo temor [respeito e reverência] a Deus e obediência a sua vontade descrita nas Escrituras por meio de mandamentos. Se os dois estágios anteriores [vivificação e conversão] são atos exclusivos de Deus mediante o Espírito Santo, no qual o homem não participa, sendo passivo, contudo, na santificação, Deus torna o homem ativo para que este, agora, coopere juntamente com ele neste processo que envolve a participação de ambas as partes. Deus age no homem onde ele busca a santificação que emana do Espírito Santo (Fp 2.12-13).  
____________________Notas:   - Gordon Lyons. A doutrina da Regeneração. Citação extraída do site: www.monergismo.com2 - John Gill. Os termos bíblicos para o novo nascimento. Citação extraída do site: www.monergismo.com3 - Antony Hoekema. Salvos pela graça, pág 119.
Fonte: Bereianos

quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Liberalismo teológico é a lepra contemporânea - Por Thiago Azevedo


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No livro de levítico é observado a pessoa do sacerdote legislando acerca de vários assuntos. O sacerdote era quem resolvia problemas desde litígios entre pessoas, questões financeiras indenizatórias e purificação de pecados. O sacerdote também observava e tinha poder para avaliar acerca da lepra. Uma doença que corroía a carne humana levando a necrose o membro ou parte do corpo afetada. Tinha que ser tratada realmente de forma séria e excludente Lv 13.4. A lepra era de fato uma doença com a face maligna. Porém não se pode dizer que ao ser colocado em local reservado o leproso estava sendo de fato tratado com discriminação, por sinal, discriminação trata-se de um conceito atual que nem se quer naquele tempo existia, e sendo assim, não se pode aderir um conceito atual e lançá-lo na hermenêutica bíblica. Pois isso seria nada mais nada menos que uma anacronia. A atitude de isolamento se dava muito mais por uma preservação familiar a riscos de exposição àquela doença, bem como, os integrantes da comunidade do enfermo. Assim, percebesse um cuidado com o coletivo para que este não fosse exposto a tamanho mal. Vale salientar que a atitude de isolamento era uma decisão que percorria as vias de uma mão dupla, tanto o sacerdote como os enfermos decidiam visando o bem estar da comunidade e a isenção coletiva de um mal maior.
O Sacerdote avaliava a situação do leproso (progresso ou estagnação da doença Lv. 13.5) e de acordo com a avaliação clínica este era reintegrado na comunidade, ou medidas mais contundentes teria que ser tomadas. O liberalismo teológico é a lepra contemporânea e deve ser tratada com o mesmo rigor de outrora, pois possui o mesmo poder de destruição sendo que munido de um sistema, a priori, assintomático.
Introdução
A relação que se enxerga entre a lepra e o liberalismo teológico percorre os caminhos da similaridade. Ou seja, a lepra promovia o mau funcionamento do corpo, o liberalismo teológico também (corpo de cristo). A lepra necrosava e tornava sem vida o local afetado, o liberalismo teológico também (Contemple o rastro deste). Em estado avançado a lepra levaria em pouco tempo o enfermo à morte, de igual modo ocorre com o liberalismo teológico (Que o diga o ambiente cristão europeu). Tudo isso requer uma percepção aguçada dos “sacerdotes contemporâneos” a tratar o mal de forma acachapante e cautelosa como fizeram os da linhagem sacerdotal primitiva.
O liberalismo teológico é a lepra contemporânea
A lepra não era incurável, se bem que alguns casos sim. Algumas situações ou alguns enfermos encontravam êxito em sua labuta sendo alcançados pela cura. E a avaliação desta cura ficava sob os auspícios sacerdotais. Porém, quando a lepra se qualificava como incurável, atitudes drásticas e contundentes eram de fato tomadas. Por exemplo, se a doença, (algumas traduções trazem a expressão MOFO enquanto no original a palavra é TSARÁ = LEPRA. Posteriormente a junção da palavra pecado HATTA’T com a palavra lepra TSARÁ deu-se a palavra TSARA’AT = lepra maligna ou lepra de pecado), se espalhou na roupa, esta era submetida a vários ritos de lavagem e não tendo resultado, a queima desta peça de vestuário era o mais viável Lv. 13: 47-59. De forma semelhante, no sentido de avaliação, a pessoa enferma era averiguada, se não apresentasse melhoras era colocada em um local reservado Lv. 13: 45-46. Mas esta atitude não é severa demais? É preciso que se saiba que esta atitude era mais por prevenir a comunidade e à família do enfermo de um possível contágio e não por chacota ou coisa parecida. Era de fato um mal necessário e um mal maior. A doença em metástase tinha que ser de fato tratada com seriedade. A doença seria responsável por um processo de mutilação natural dos membros da pessoa afetada até chegar às vias de fato (morte). Este seria um mal individual que se não fosse observado de forma excludente toda a comunidade juntamente com a família do enfermo seria acometida por tamanho mal e ao invés de um morreriam todos.
A lepra também se espalhava por paredes das casas e a observação sacerdotal nestes casos percorria o mesmo víeis dos casos mencionados alhures. Ou seja, averiguação e diagnostico. Se nesta avaliação fosse constatada a doença maligna e posteriormente seu progresso em uma espécie de metástase, a atitude a ser tomada era derribar a referida casa, queimar os entulhos, limpar bem o terreno e levar para fora da cidade seus escombros Lv. 14: 44-45. Aqui se tem uma ideia de recomeço. Pois a destruição requereria uma reconstrução. Haja vista, que a família que outrora morava na casa derribada precisaria de uma nova moradia. Aqui é onde entra a ideia central deste texto e o cuidado severo que se deve aplicar a lepra contemporânea denominada liberalismo teológico. O liberalismo teológico pode muito bem ser comparado com a lepra de levítico. Pois, as mesmas possuem efeitos devastadores. Ou seja, ambos prejudicam o funcionamento do corpo, mutilam, apodrecem, envergonham e por fim levam à morte.
Alguns cristãos contemporâneos foram acometidos por tamanho mal, e poderia mencioná-los, mas não convém. Foram deliberadamente expostos ao perigo do contágio e não tiveram o cuidado necessário, não procuraram isolar-se do mal, não averiguaram o progresso da mácula, não livraram às suas comunidades do perigo. E na atualidade a lepra (liberalismo teológico) se instalou e se espalhou numa potente e arrasadora metástase. A metástase contemporânea é bem mais grave do que à antiga, pois o próprio leproso se auto denunciava Mc. 1:41, no texto mencionado o leproso procura a Cristo em busca de ajuda. O sacerdote era esta pessoa no antigo testamento, era ele quem podia socorrer o leproso e rogar a Deus que o curasse. Bem como o profeta. A cura da lepra era vista como um milagre e um ato exclusivamente de Deus. O processo de uma possível cura não era a curto prazo e por isso o leproso era colocado em local reservado numa espécie de proteção aos demais. Assim como o leproso da citação anterior, agiu Naamã em 2º Rs 5 quando procurou o rei de Israel na pessoa de Jorão, e este repassando para Eliseu o problema 2° Rs 5:7-8. Os leprosos destes tempos reconheciam seus estados de podridão e impureza (humildade) e buscavam ajuda. Na atualidade, os leproliberais (soberbos) não reconhecem a inerência do problema em suas carnes, não vêem a necessidade de buscar uma cura e agem assim em zelo a um possível status quo. Mas há também algo interessante no texto mencionado, Jorão o rei de Israel nesta ocasião se desespera ao receber a carta do rei da Síria recomendando a cura de seu oficial v. 7, Jorão sabe que algo desta magnitude só sendo obra de Deus. É com esta percepção que a metástase contemporânea lepral denominada liberalismo teológico deve ser combatida e tratada. Infelizmente alguns líderes têm se dedicado a horas de estudos, porém se esquecem de uma busca espiritual. Acreditam que podem refrear ou combater o liberalismo teológico e quaisquer outros males só com livros e com horas de leitura sem o apoio e obra divina. Academicismo e piedade, tudo isso deve fazer parte de um pacote fechado em paralelo ao entendimento que Deus é quem muda e atua na mente do homem por meio de instrumentos que são seus servos.
Então, qual seria a sequela de um leproso que rejeitasse o isolamento terapêutico na antiguidade? Não só morrer, mas também contaminar e matar!! É justamente esta a função do liberalismo teológico na atualidade, que o diga toda Europa e o E.U.A e seus grandes centros acadêmicos de origem cristã, como Havard, Oxford, massachussets, Princeton e Yale etc. Este mesmo panorama contemporâneo é visto nas igrejas e seminários onde cada vez mais a metástase contemporânea tem se enraizado.
Qual seria a solução? Ao ser constatado o diagnóstico, se deve percorrer os mesmos caminhos que o sacerdote fazia quando havia lepra na casa, pôr fim e possivelmente reerguer. Estas foram às palavras do Reverendo Augusto Nicodemos em um congresso jovem quando indagado. Na ocasião o Rev. Augusto mencionou a importância de se averiguar primeiro um possível tratamento dentro da própria instituição, mas se esta possibilidade for inacessível à solução seria por fim e recomeçar. Na ocasião, menciona o Richard Albert Mohler, Jr presidente do Seminário Teológico Batista do Sul em Louisville , Kentucky. Que após um trabalho árduo de averiguação e de investigação reverteu os víeis liberais percorridos pela denominação. Exemplo a ser seguido
Doravante assegurasse que com toda convicção, e sem resquícios de duvidas, o liberalismo teológico seja com toda convicção muito pior em todos os sentidos do que a lepra da antiguidade. A metástase lepral contemporânea (liberalismo teológico) é de fato mais contundente que a metástase lepral antiga (enfermidade). Isso se dá pela evidência superficial inerente à lepra da antiguidade, como ferida, escorrimento, mau cheiro etc., Evidências externas. A metástase lepral contemporânea (liberalismo teológico) não possui evidencias externas, é um mal que possui um conjunto assintomático que o camufla. Quando vem ser percebido ou notado já está em avançado estado de putrefação e de necroses múltiplas bem perto da morte. Porém, é necessário que se compreenda algo. Não existe nada que possa fugir do controle divino, Deus sabe de tudo de forma antecipada por meio de seu atributo incomunicável denominado onisciência. No livro de Levitico há uma passagem que é muito intrigante Lv. 14:33-34 Deus alerta a Moises e Aarão  quanto a lepra colocada pelo próprio Deus nas casas. Posteriormente Deus dá as orientações que devem ser tomadas.
É muito pensar que o próprio Deus coloque na mente de pessoas o liberalismo teológico afim de mais cristãos como os bereanos se levantem?
É impossível responder esta pergunta sem as lentes do êxodo israelita quando o próprio Deus endurece o coração de faraó de forma estratégica e em prol do engrandecimento de seu nome. Com a propagação liberal os cristãos, ao menos aqueles que indiciam os aspectos da eleição nas suas vidas, se sentem mais que incomodados e impelidos a buscarem o preparo acadêmico em paralelo com uma vida piedosa. Com isso pessoas acomodadas na fé despertariam impulsionadas a estudarem e a defender a fé com razão. Com isso o surgimento de pessoas mais preparadas na liderança de ministérios e com isso pastores íntegros com o compromisso de sola escriptura extinguiria os preguiçosos e medíocres do serviço cristão e com isso tornaria o ambiente desfavorável à metástase lepral contemporânea chamada liberalismo teológico. Estaria, portanto bem próximo de uma erradicação deste mal no meio cristão. Entende-se afinal, que Deus pode sim realizar estas coisas com o intuito do despertar apologético nos “sacerdotes contemporâneos”. E estes prevenirem, diagnosticarem e excluírem se realmente for necessário e existente alguma chaga no corpo de cristo em prol que não se alastre nem crie raízes. Ou até, em atitude mais drástica, de derribar, queimar e pôr fim na estrutura alcançada pela metástase contemporânea chamada liberalismo teológico.
***Sobre o autor: Thiago Azevedo é formado em Teologia pela Universidade Metodista, polo Recife PE, graduando em Filosofia pela Universidade Católica PE.
Divulgação: Bereianos
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terça-feira, 4 de fevereiro de 2014

O que é a Igreja? Uma visão da teologia reformada - Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes



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A igreja de Deus existe e está presente no mundo. O Senhor Jesus falou dela, quando disse aos discípulos que “edificaria sua igreja” (Mt 16.13-20) e quando determinou que os discípulos faltosos fossem corrigidos pela “igreja” (Mt 18.17). Podemos definir a igreja de Cristo como sendo a comunhão de todos os que foram chamados por Deus, mediante a sua Palavra, e que pela ação do Espírito Santo recebem a Cristo como único Salvador e Senhor, que conhecem e adoram a Deus Pai, Filho e Espírito Santo, em verdade, e que participam pela fé dos benefícios gratuitos oferecidos por Cristo. 
A igreja é una, ou seja, só existe uma. Cristo sempre teve somente uma noiva: “Cristo amou a igreja e a si mesmo se entregou por ela” (Ef 5.25). Ao mesmo tempo, ela é universal, está espalhada pelo mundo todo, e tem pessoas de todas as tribos, povos, e raças (Ap 7.9-10). Isto não quer dizer que a igreja de Cristo é do tamanho do mundo. Existe uma diferença radical entre a igreja e o mundo. A igreja está no mundo, mas não é dele. Jesus orou pela igreja mas não pelo mundo (Jo 17.9).
A igreja de Deus sempre existiu e sempre existirá. Deus sempre teve e terá um povo para Si, para o adorar em espírito e em verdade. A igreja de Deus, porém, atravessou duas fases históricas distintas. No período antes de Cristo ela estava grandemente resumida à nação de Israel, e funcionava com rituais, símbolos e ordenanças determinadas por Deus, como figuras e tipos de Cristo. Com a vinda de Cristo e do Espírito no dia de Pentecostes, estas cerimônias foram abolidas, e agora adoramos a Deus de forma mais simples. Porém, é a mesma igreja, o mesmo povo, no Antigo e no Novo Testamentos. Antes de Cristo, os crentes em Israel se salvaram pela fé no Messias que haveria de vir. Depois de Cristo, somos salvos pela fé no Messias que já veio. O autor de Hebreus inclui na mesma relação dos heróis da fé os crentes do Antigo e do Novo Testamento (veja especialmente Hb 11.39-40).
A igreja de Deus, mesmo sendo una e indivisível, existe agora em duas dimensões: (1) a igreja militante, composta dos crentes vivos neste mundo, que ainda estão lutando contra a carne, o pecado, o mundo e Satanás; e (2) a igreja triunfante, composta daqueles fiéis que, tendo vencido a luta, já partiram deste mundo, e hoje desfrutam do triunfo na presença de Deus (Hb12.22-23). Estas duas partes da igreja de Deus se unirão na Vinda do Senhor Jesus, quando houver a ressurreição dos mortos, e nosso encontro com o Senhor, para com Ele ficarmos para sempre, e com nossos irmãos de todas as épocas e de todas as partes do mundo (1Tess 4.16-18). 
A igreja militante se expressa aqui neste mundo por meio de igrejas locais. Paulo escreveu cartas a várias destas igrejas, como a de Corinto, Tessalônica, etc. (1Co 1.2; 1Ts 1.1). Igrejas locais são a organização dos crentes, ainda que informal, que se reúnem regularmente para cultuar a Deus, serem instruídos em Sua Palavra, se edificarem mutuamente e celebrar os sacramentos. As igrejas têm direção e liderança espiritual, promovem cultos de adoração, celebram os sacramentos, anunciam o Evangelho e praticam boas obras. Estas igrejas locais podem ter um aspecto estrutural e organizacional, mas jamais devem ser consideradas como um clube ou uma empresa, e nem os interesses organizacionais devem sobrepujar os interesses do Reino de Deus. 
Estas igrejas locais podem ser mais ou menos puras, dependendo de quão pura é a pregação do Evangelho que ocorre ali, a celebração correta dos sacramentos e o exercício da disciplina entre seus membros.
É tarefa de cada igreja particular reformar-se continuamente à luz da Palavra de Deus, procurando cada vez mais aproximar-se do ideal bíblico. São os princípios bíblicos que são imutáveis, não as formas organizacionais e externas. As igrejas locais devem zelar pela pureza da pregação, da celebração dos sacramentos e pela vida espiritual e moral daqueles que ali se congregam.