sexta-feira, 20 de dezembro de 2013

Como Deus Faz




Eleição Incondicional

Clemente de Roma (69 D.C): Portanto nos aproximemos dele em santidade da alma, erguendo mãos puras e imaculadas a ele, com amor em direção ao nosso gentil e compassivo pai porque Ele nos fez uma porção eleita para ele... Vendo então que nós somos a porção especial eleita de um Deus santo, façamos todas as coisas que dizem respeito à santidade... foi dado uma declaração das bem-aventuranças àqueles que tem sido eleitos por Deus através de Jesus Cristo, nosso Senhor, Jesus Cristo é a esperança do eleito...”
Barnabé (70 D.C): “Nós somos eleitos para esperança, enviados por Deus a fé, apontados para salvação.”
Inácio (110 D.C): “Aos predestinados antes de todos os tempos, isto é, antes da fundação do mundo, unidos e eleitos em uma paixão verdadeira, pela vontade eterna do pai.”
Justino, o Mártir (150 D.C): “Em todos esses discursos eu tenho trazido toda as minhas provas dos seus próprios escritos santos e proféticos, esperando que alguns de vocês possam ser encontrados dentre o numero de eleitos que através da graça que vem do Senhor, é deixado ou reservado para a salvação eterna.”
Irineu (198 D.C): “Deus tem completado o numero que ele antes determinou consigo, todos aqueles que estão escritos ou ordenados para a vida eterna... sendo predestinados na verdade de acordo com o amor do pai que nós pertenceríamos a ele para sempre.”
Clemente de Alexandria (190 D.C): “Pela fé os eleitos de Deus são salvos. A geração daqueles que buscam a Deus é a nação eleita, não um lugar [terreno], mas a congregação dos eleitos, que eu chamo igreja... se cada pessoa tivesse conhecido a verdade, todos eles teriam se movido para o caminho e não haveria eleição... vocês são aqueles escolhidos de entre os homens e aqueles que são predestinados de entre os homens, e em seu próprio tempo chamados, fiéis e eleitos, aqueles que antes da fundação do mundo são conhecidos intimamente por Deus pela fé; isto é, são apontados por ele à fé, amadureçam.”
Cipriano (250 D.C): “Esta é, portanto a predestinação que nós fielmente e humildemente pregamos.”
Ambrósio de Milão (380 D.C): “A predestinação da igreja de Deus tem sempre existido.”
Agostinho (380 D.C): “Aqui certamente, não há lugar para o vão argumento daqueles que defendem o pre-conhecimento de Deus contra a graça de Deus e consequentemente mantém que nós fomos eleitos antes da fundação do mundo porque Deus previu que nós seríamos bons, não que ele mesmo fizéssemos bons. Esta não é a linguagem dele quem disse: “Vós não escolhestes a mim, mas eu vos escolhi’” (João 15.16)

Expiação Limitada

Barnabé (70 D.C): “[Cristo falando] Eu assim oferecei meu corpo pelos pecados do novo povo.”
Justino, o Mártir (150 D.C): “Ele suportou os sofrimentos por aqueles homens de quem as almas são [na verdade] purificadas de toda iniquidade... como Jacó serviu Labão pelo gado que havia visto e de várias formas, assim Cristo serviu à cruz pelos homens de todo tipo, de muitas maneiras, adquirindo-os por seu sangue e o mistério da cruz.”
Irineu (180 D.C): “Ele veio para salvar todos, todos, eu digo, que através dele nascem de novo para Deus, bebês e pequeninos, e crianças, e jovens e velhos... Jesus é o Senhor daqueles que creem; mas não o Senhor daqueles que não acreditam. Portanto, Cristo é apresentado no evangelho exausto... prometendo dar sua vida em resgate de muitos.”
Tertuliano (200 D.C): “Cristo morreu pela salvação do seu povo... pela igreja.”
Cipriano (250 D.C): “Todas as ovelhas que Cristo adquiriu por seu sangue e sofrimentos são salvas... quem quer seja encontrado no sangue e com a marca de Cristo escapará... Ele redimiu os crentes com o preço do seu próprio sangue. Deixe-no temer morrer quem não é acreditado ter nenhuma parte na cruz e sofrimentos de Cristo.”
Lactâncio (320 D.C): “Ele estava para sofrer e ser morto pela salvação de muitas pessoas... quem sofreu a morte por nós, nos fez  herdeiros do reino eterno, tendo abdicado e deserdado o povo dos judeus... Ele tem estendido suas mãos em paixão e medido o mundo, que Ele podia ao mesmo tempo mostrar que um grande povo, colhidos de todas as línguas e tribos, deveriam vir abaixo de suas asas, e receber o maior e sublime sinal.”
Eusébio (330 D.C): “A que “nós” Ele se refere senão àqueles que creem nele? Para aqueles que não creem nele, Ele é o autor de seu fogo e inflamação. A causa da vinda de Cristo é a redenção daqueles que estavam para ser salvos por ele.”
Júlio (350 D.C): “O filho de Deus, pelo derramar de seu sangue, redimiu seus separados; eles são libertados pelo sangue de Cristo.”
Hilário (363 D.C): “Ele permanecerá à vista de Deus para sempre, tendo já tirado todos aqueles que Ele redimiu para serem reis do céu, e coerdeiros da eternidade, entregando a eles como o reino de Deus ao pai.”
Ambrósio (380 D.C): “Antes da fundação do mundo, era a vontade de Deus que Cristo deveria sofrer pela nossa salvação... Ele pode condenar a quem redimiu da morte, a quem ele ofereceu a si mesmo, cuja vida ele sabe que é a recompensa da sua própria morte?
Paciano (380 D.C): “Muito mais, Ele não permitirá que o que é redimido seja destruído, nem ele lançará fora aqueles a quem ele tem redimido com um alto preço.”
Epifânio (390 D.C): “Se vocês são redimidos... se, portanto vós sois comprados com sangue, não sois vós o numero daqueles que foram comprados com sangue, ó almas! porque negam o sangue, ele deu sua vida pelas suas próprias ovelhas.”
Jerônimo (390 D.C): “Cristo foi sacrificado pela salvação dos crentes... nem todos são redimidos, pois nem todos serão salvos, mas o remanescente... todos aqueles que são redimidos e libertos pelo seu sangue retornam a Sião, que tem preparado para ele mesmo por seu próprio sangue... Cristo veio redimir Sião com seu sangue... mas para que nós não devêssemos pensar que todos são Sião ou cada um é Sião é verdadeiramente redimido do Senhor, que são redimidos pelo sangue de Cristo formam a igreja... Ele não deu sua vida por cada homem, mas por muitos, isto é, por aqueles que creriam.”

Graça Irresistível

Barnabé (70 D.C): “Deus nos dá o arrependimento, apresentando a nós no templo incorruptível.”
Inácio (110 D.C): “Ore por eles, se eles podem se arrepender, o que é muito difícil; mas Jesus Cristo, nossa vida verdadeira, tem o poder disto.”
Justino, o Mártir (150 D.C): “Tendo algum tempo antes nos convencido da impossibilidade de nossa natureza obter vida, tem agora nos mostrado o salvador, que é capaz de salvá-los que do contrário era impossível serem salvos... o livre-arbítrio tem nos destruído; nós somos escravos do pecado.”
Irineu (180 D.C): “Não de nós mesmos, mas de Deus, é a bênção da nossa salvação... o homem que antes era cativo é tirado do poder da escravidão, de acordo com a misericórdia do Deus pai, e restaurando, dá salvação pela palavra; isto é, por Cristo, que muitos podem experimentalmente aprender que não por si mesmo, mas pelo dom de Deus, ele recebe imortalidade.”
Tertuliano (200 D.C): “Vocês acham, ó homens, que nós deveríamos já ter sido capazes de ter entendido essas coisas nas escrituras a menos que pela vontade dele que quer todas as coisas, tivéssemos recebido graça para entendê-las? Mas é claro que a fé não é dada a vocês por Deus pelo fato de vocês não a atribuírem a ele apenas.”
Cipriano (250 D.C): “Todo aquele que é grato é para ser atribuído não ao poder do homem, mas ao dom de Deus. É de Deus, eu digo tudo é de Deus o que nós podemos fazer. Sim, Não devemos nos gloriar em nada, desde que nada é nosso.”
Arnóbio (303 D.C): “Vocês colocam a salvação de suas almas em vocês mesmos, e confiam que vocês podem ser feitos deuses por seu próprio esforço interior, ainda que não é de nosso próprio poder alcançar as coisas de cima.”
Atanásio (350 D.C): “Crer não é nosso, ou em nosso poder, mas o espírito que está em nós, e habita em nós.”
Jerônimo (390 D.C): “Esta é a principal justiça do homem, acreditar que seja qual for o poder que ele pode ter, não é seu próprio, mas do Senhor quem o dá... vede quão grande é o auxílio de Deus, e quão frágil a condição do homem que nós não podemos por nenhum meio cumprir isso, que nós nos arrependemos a menos que o Senhor primeiro nos converta... quando Jesus diz “nenhum homem pode vir a mim”, ele quebra a liberdade orgulhosa do livre-arbítrio, pois o homem não pode desejar nada, e em vão ele se esforça...Onde está a ostentação do livre-arbítrio? Nós oramos em vão se é em nossa própria vontade. Por que os homens deveriam orar por aquilo que parte do Senhor que eles tem no poder do seu próprio livre-arbítrio?
Agostinho (370 D.C): “A fé ela mesma é para ser atribuída a Deus. A fé é um dom. Estes homens, porém, atribuem a fé ao livre-arbítrio, então a graça é rendida a fé não como um dom gratuito, mas como uma dívida... eles devem parar de dizer isso.”

A Perseverança dos Santos

Clemente de Roma (69 D.C): “É a vontade de Deus que todos a quem ele ama deveriam participar do arrependimento, e então não perecer com o incrédulo e impenitente. Ele estabeleceu isso por sua poderosa vontade. Mas se qualquer daqueles a quem Deus quer que participem da graça do arrependimento, deveriam depois perecer, onde está a sua soberana vontade? E como isto é resolvido e estabelecido por tal vontade dele?
Clemente de Alexandria (190 D.C): “A alma de um cristão nunca em qualquer tempo será separada de Deus... a fé, eu digo, é algo divino, que não pode ser despedaçada por qualquer amizade mundana, nem ser dissolvida por medo presente.”
Tertuliano (200 D.C): “Deus impediu que nós devêssemos crer que a alma de qualquer santo deveria ser retirada pelo demônio... pois o que é de Deus nunca é exterminado.”
Agostinho (370 D.C): “Destes crentes nenhum perece, porque eles foram todos eleitos. E eles foram eleitos porque eles foram chamados de acordo com o propósito, porém, não o seu próprio, mas de Deus... obediência então é um dom de Deus... isto, na verdade, nós não somos capazes de negar, que a perseverança no bem, progredindo até o fim, é também um grande dom de Deus.
OBS: Outros teólogos afirmavam essas doutrinas, como por exemplo:
Anselmo (1033): “Se você morreu em incredulidade, então Cristo não morreu por você.”
***Fonte: A Puritans MindCitações dos pais da Igreja compilados em: Michael Horton, Putting Amazing Back into Grace (Grand Rapids, MI Baker, 2002), Appendix.Tradução: Francisco Alison Silva AquinoDivulgação: Bereianos

quinta-feira, 19 de dezembro de 2013

Princípios para as amizades de homens piedosos


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Homens piedosos precisam de bons amigos. Amigos nos enriquecem, nos empobrecem, nos alegram, nos irritam, nos magoam! Todos querem amigos, mas nem todos estão dispostos a terem amigos. Não há dúvida de que queremos desfrutar de amizades sinceras, mas, infelizmente, muitas de nossas igrejas não se prestam a ser um ambiente onde as verdadeiras amizades, amizades desinteressadas e leais possam se desenvolver. No entanto, antes de procurarmos termos amigos devemos procurar ser amigos como Jesus foi. Neste artigo, gostaria de destacar, a partir de uma leitura do livro Homens do Futuro de Douglas Wilson, alguns princípios para a amizade entre homens piedosos.
Boas amizades são encontradas em igrejas fieis.
As escrituras vão orientar homens a ter amizades saudáveis e não só isso, vão ensinar também como devem ser essas amizades. As amizades são uma realidade pactual na vida dos servos de Deus, portanto, é difícil ter boas amizades fora da comunidade do pacto, ou seja, fora da igreja. Mas, preciso fazer esse comentário, hoje em dia, essas amizades não serão encontradas em qualquer igreja, é importante que seja uma igreja onde a Palavra é fielmente pregada e que em todas as áreas ela é biblicamente orientada. Desta forma, o primeiro passo para se encontrar uma boa amizade é que ela seja encontrada em uma igreja fiel às escrituras. Portanto, quando for mudar de cidade pense nisso antes de fazer a escolha pra qual cidade vai mudar. A igreja que você frequentará influenciará profundamente nas amizades que você e sua família terão e consequentemente na sua visão de mundo.
Evite homens iracundos.
As Escrituras nos orientam a evitar homens contenciosos (Pv 16.28). Homens iracundos com certeza vão magoar seus amigos (Pv 17.9). Além do mais, a ira é um pecado contagioso, sendo assim, a probabilidade de você também se tornar alguém irado é grande.
Ame seus amigos, mas não dependa deles.
Aqueles que dependem desesperadamente de seus amigos, dificilmente farão boas amizades. O amigo é aquele que serve, não aquele que suga os que estão à sua volta (vampiros emocionais). Um amigo verdadeiramente piedoso não faz exigências emocionais, mesmo que essa exigência seja feita em nome da amizade. Tome cuidado para não entrar em uma amizade com alguém que manipula as emoções. Sentimentos de pena e dependência são sinais de que a amizade não é boa.
Evite amigos bajuladores.
As Escrituras nos alertam também para amizades interesseiras (Pv 19.4-7). Esse tipo de amizade provoca armadilhas (Pv 17.18). Amigos assim estão apenas interessados em nosso “valor monetário”, não em nossos valores eternos. Fuja deles!
Amizades crescem em torno de pontos em comum.
As grandes amizades devem crescer em torno de interesses comuns. Mas qual dever ser o ponto em comum? O maior interesse em comum que uma amizade deve ter é que ambos cresçam em semelhança a Cristo (Rm 8.28,29).
Verdadeiros amigos fazem sacrifícios uns pelos outros.
Uma verdadeira amizade é definida pela disposição de ambas as partes em fazer sacrifícios. Afinal, o maior amigo de todos os tempos fez o maior sacrifício de todos (Jo 15.13-15). Da mesma forma, bons amigos são dispostos a doar-se e sacrificar-se. Os amigos de verdade estão por perto nas adversidades, não apenas nos momentos oportunos para serem vistos como “bonzinhos”, na verdade, neste momento, os verdadeiros amigos se tornam irmãos (Pv 17.17). O amigo de verdade é fiel mesmo quando a aflição passa a fazer parte da amizade. Um verdadeiro amigo ama em todo tempo.
Busque ter amigos sábios.
Algo maravilhoso é ter amigos que nos orientam biblicamente quando somos insensatos (Pv 27.9-11). Um amigo estulto não é muito útil, principalmente nos momentos de aflição. Bons amigos nos encorajam a fazer o certo e nos desencorajam a fazer o errado. Verdadeiros amigos vão nos dissuadir a fazer o errado. No entanto, amigos devem ter o cuidado para não se intrometer ou dar palpite quando não é necessário. Por exemplo, piadas de mau gosto que ridicularizam o amigo, que o diminuem e ressaltam defeitos devem ser evitadas. Não que o bom humor não seja necessário em uma boa amizade, mas as brincadeiras devem ter os seus limites, o sacarmos e as ironias devem ser evitados. Nenhuma amizade verdadeira é possível separada da amizade com Deus (Tg 2.23).
Amizade e casamento.
Boas amizades nos preparam para bons casamentos. Elas nos ensinam o significado do verdadeiro companheirismo, sendo assim, conseguimos ver nossas esposas como companheiras também (Ml 2.14). Um homem que não compreende o significado da amizade não aprende a ser um bom marido.
Seja honesto com seus amigos.
A honestidade amorosa é essencial para um bom relacionamento, mesmo que às vezes ela promova alguns problemas. Alguns amigos nos ouvem, outros não. No entanto, um dos principais objetivos da amizade é fazer o outro crescer em Cristo e para isso há necessidade de se falar a verdade em amor.
Amigos não crentes.
As escrituras não nos proíbem de ter amigos não cristãos. O apóstolo Paulo, por exemplo, possuía amigos não crentes (At 19.13). E ele mesmo não proibia o relacionamento com os pagãos (1 Co 10.27). Mas é o tipo de amizade que tem que ser cuidadosamente analisada, pois é um grande perigo que o não crente influencie o amigo crente mais do que o contrário. O padrão é que se tenham amizades piedosas (Sl 119.63). Seja criterioso, e analise se seu amigo incrédulo é um refugiado do mundo (interessado no evangelho) ou um propagandista dele. E o seu amigo não é alguém atraído pela fé evangélica, então não é uma boa que essa amizade continue (Pv 28.7).
Há limites para as amizades.
Pv 25.17 nos orienta que deve haver bom senso nas amizades, para que não exageremos e nos tornemos inconvenientes.
***Fonte: Homens Piedosos

quarta-feira, 18 de dezembro de 2013

Pequei, e daí?


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Faz poucos anos tomei conhecimento de um escândalo, um caso de adultério, cometido por um pastor que também era professor de seminário teológico. O pastor vinha traindo a mulher, levando a amante para motéis. Ele foi apanhado somente quando pagou um motel com o cartão de crédito da própria esposa, que naturalmente descobriu tudo quando recebeu a fatura. Além desse detalhe escabroso, que mostra que o pecado cega a inteligência das pessoas, o que mais chocou a todos é que a liderança da sua igreja simplesmente o afastou do seminário por um breve período. No semestre seguinte, lá estava ele de volta ao seminário, dando aulas aos alunos, como se nada tivesse acontecido. O caso era de conhecimento geral, inclusive dos alunos. Que mensagem estava sendo passada para aqueles futuros pastores e líderes quanto à seriedade do pecado e da necessidade de se viver uma vida santa no ministério?
A falta do exercício da disciplina na Igreja sobre membros e líderes faltosos é consequência do conceito largamente difundido entre os evangélicos de que os crentes não são responsáveis por seus atos diante de outros, e especialmente, de que não dão conta de seus atos às igrejas das quais participam ou lideram.
Primeiro, há quem considere o exercício da disciplina como uma violação do mandamento de Jesus, “não julgueis para que não sejais julgados” (Mat 7:1). Essa interpretação é totalmente falsa. O julgamento que Jesus proíbe é o julgamento hipócrita, isto é, condenarmos os outros sem prestarmos atenção em nossos próprios pecados (veja versos 3-5). A prova que Jesus não estava fazendo uma proibição geral contra o julgamento se encontra nos versículos seguintes, quando Ele determina aos discípulos: “Não deis aos cães o que é santo, nem lanceis ante os porcos as vossas pérolas, para que não as pisem com os pés e, voltando-se, vos dilacerem” (Mat 7:6). Para que possamos obedecer a esse mandamento, temos de determinar quem é porco e quem é cão. Ou seja, temos que julgar. Além disso, foi o próprio Jesus quem determinou os passos para o exercício da disciplina na Igreja (Mat 18:15-17).
Segundo, para muitos a disciplina é uma violação do mandamento do amor. É considerada como falta de amor cristão para com o irmão caído. Essa interpretação falsa do amor cristão não leva em conta o ensino bíblico de que Deus disciplina exatamente aqueles que Ele ama (Heb 12:6; cf. Deut 8:5; Sal 89:30-34; 11975; Prov 3:12; 13:24; et alli). Fechar os olhos para o pecado do irmão não é amor. É ódio. É desejo de vê-lo afundar-se mais e mais no pecado.
Essas atitudes têm servido para que evangélicos vejam a disciplina como algo punitivo, injusto, vingativo e opressor, levando muitos a acharem que devem prestar contas de seus atos somente a Deus. E às vezes, nem isso.
Se esse estado de coisas não mudar, veremos o crescimento de uma geração de cristãos irresponsáveis, que não reconhecem seus erros e pecados, que desconhecem o valor e a necessidade da disciplina, e que não percebem a seriedade e a gravidade do pecado e suas conseqüências na vida do discípulos de Cristo e a importância de corrigir publicamente os pecados públicos, como Jesus corrigiu publicamente a mulher adúltera. Ele não a condenaria com pena de morte, como os fariseus desejavam, mas corrigiu sua vida imoral em público, dizendo “vá e não peque mais”.
***Fonte: Augustus Nicodemus, via Facebook.

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Últimos Dias – Pr J Miranda







O apóstolo Paulo, que nos deu as características mais descritivas dos “últimos dias”, chamou-os de “tempos difíceis” – particularmente ao descrever os costumes da humanidade durante os últimos dias da Igreja um pouco antes do retorno de Cristo (2 Tm 3). Ele usou termos como “egoístas, avarentos, jactanciosos, arrogantes, blasfemadores, desobedientes aos pais, ingratos, irreverentes, desafeiçoados, implacáveis, caluniadores, sem domínio de si, cruéis, inimigos do bem, traidores, atrevidos, enfatuados, mais amigos dos prazeres que amigos de Deus, tendo forma de piedade, negando-lhe, entretanto, o poder...” (2 Tm 3.2-5). Amados irmãos, eis o tempo oportuno, de largar a avareza... tudo vai ficar para ser dividido com aqueles que não suaram, todo material que tanto você lutou, até noites de descaço foram perdidas... Eis o tempo de estarmos em comunhão com a nossa casa, com a nossa igreja. Não deixe a igreja. Sei que seu egocentrismo não pensa na edificação da casa espiritual, pois ele esquece que as coisas que te acompanharão para eternidade, são os teus serviços para o Senhor "Então, ouvi uma grande voz do céu, dizendo: Escreve: Bem-aventurados os mortos que, desde agora, morrem no Senhor. Sim, diz o Espirito, para que descansem de suas fadigas, pois as suas OBRAS os acompanham" (Apocalipse 14.13). Irmão amados, “não deixemos de congregar-nos, como é costumes de alguns; antes, façamos admoestações e tanto mais quanto vedes que o Dia se aproxima” (Hebreus 10.25). Creio, que estamos vivendo “tempos difíceis”, os últimos dias.

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

Qual é o fim principal do Homem?




Pergunta 01: Qual é o fim principal do homem?  
Resposta: O fim principal do homem é glorificar a Deus (Rm 11.36; I Co 10.31), e gozá-lo para sempre (Sl 73.24-26; Jo 17.22,24).
Glorificação permanente.
Deus criou o homem à sua imagem e semelhança para que ele, por sua natureza, grandeza e virtudes, lhe fosse, naturalmente, perpétua glória na existência e na adoração. Arte do grande Artista, o homem destina-se às artes, à ciência, ao pensamento, à moral, à ética, à comunhão com o Criador e às relações interpessoais harmoniosas com seus semelhantes. A obra prima da criação deveria, por si mesma, ser, dentro de seus objetivos originais, sublime expressão de glória e exaltação do Pai eterno. O pecado prejudicou desgraçadamente o homem, corrompeu-o, mas Deus lhe preservou na essência princípios qualitativos da base original, ainda que rudimentarmente, de moralidade, de espiritualidade, de inteligência, de sensibilidade, de racionalidade, de criatividade, de poder regencial. Poucos seres humanos, porém, depois da queda, voltam-se para Deus. A maioria torna-se egocêntrica, materialista, hedonista e, parte considerável, satanista. Na massa caída e degenerada Deus introduziu o novo Adão, Jesus Cristo, de quem pode dizer o mesmo que diria do velho Adão: "Este é meu filho amado, em quem me comprazo; a ele ouvi" (Mt 17.5). Em Cristo, cabeça da nova humanidade, a glória está perfeita e exuberantemente visível: "E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como a do unigênito do Pai" (Jo 1.14). O homem, em si mesmo, apesar da queda, é glória de Deus, pois é o único ser moral, intelectivo, volitivo e criativo. Os regenerados em Cristo Jesus, retirados da humanidade degenerada pela eleição da livre graça divina, recuperaram a espiritualidade e se reconciliaram com Deus, tornando-se imagens e semelhanças de Cristo, formando com ele um corpo interativo indissolúvel e, por meio dele, restabelecidos à comunhão do Pai celeste: "Que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste" (Jo 17.21 cf 17.24). O crente é, por sua natureza e vocação, um glorificador de Deus, um santificador de seu nome. No regenerado Cristo é glorificado (Jo 17.10). O conservo Paulo podia dizer:  "Já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim" (Gl 2.20).
Glorificação por testemunho
O mundo toma conhecimento de Deus, de sua paternidade, santidade, poder, honra, misericórdia e glória pelo testemunho existencial e missionário de seu povo. O salvo em Cristo Jesus não deve ser, é: sal, fermento e luz: "Vós sois o sal da terra""Vós sois a luz do mundo", disse Jesus; e acrescentou: “Assim brilhe também a vossa luz diante dos homens, para que vejam as vossas boas obras e glorifiquem a vosso Pai que está nos céus" (Mt 5.13.14,16). Onde o redimido é colocado como boa semente, aí  florescem a dignidade, a honestidade, a sinceridade, a bondade e a paz. O crente modifica o ambiente em que vive ética, moral, social e espiritualmente. Enquanto o homem carnal é glória de si mesmo, de seu ego e do mundo, o verdadeiro crente é glória de Deus; para isso foi criado, eleito desde a eternidade, chamado em Jesus Cristo, colocado no corpo dos redimidos, sustentado e preservado pelo Santo Espírito da promessa. Por seu testemunho claro e forte a mensagem se torna poderosa, convincente e transformadora. O nome de Deus é santificado na vida de seus santos. Cristo administra os seus servos (douloi), jamais é administrado por eles. Ao renunciar as glórias do mundo, o salvo se transforma em glória de seu Salvador.
Gozá-lo para sempre
Imagine se você pudesse ter sua mãe, sadia, jovial, amorosa e dedicada, sempre ao seu lado. Que a doença, a velhice e morte jamais a atingissem. Seria um gozo ininterrupto e completo para os corações tanto do filho como da mãe. A paternidade divina, imensuravelmente mais profunda, mais significativa e mais construtura, nunca se apartará do regenerado. O filho estará eternamente com o seu Pai celeste numa interligação pessoal, fraternal e gozosa para a alegria do Criador e realização da criatura. A humanidade geral, porém, seduzida pelo maligno, afasta-se do Salvador e se entrega a si mesma e aos caprichos da carne. Corrompem-se no pecador irregenerado os laços da fraternidade e os vínculos de unidade; deturpa-se-lhe, e se lhe degenera o ser original. Cristo, no entanto, restaura, no eleito, a imagem danificada pela queda, restabelece-lhe o gozo permanente pelo consolo do Espírito, reata-lhe o elo de convergência espiritual  da indissolúvel ligação entre o Criador e a  criatura, feita para ser imagem, não caricatura.
O cristão regenerado glorifica o Salvador e vive no gozo de sua paternidade e proteção.
***Comentário do Rev. Onézio Figueiredo sobre a 1ª pergunta do Breve Catecismo de Westminster.
Fonte: Seminário JMC.