quinta-feira, 15 de agosto de 2013

Os dias da criação foram literais? Por Filipe Machado










Para os cristãos, a Bíblia é a fonte de todo o saber no que concerne à revelação de Deus. O crente não possui qualquer dúvida sobre a Bíblia Sagrada ser a única palavra registrada do Senhor ao Seu povo. A Escritura serve como parâmetro para averiguar, literalmente, todas as ciências e filosofias que este mundo cria. Nada que algum homem afirme pode ser contrário à Palavra. Nem mesmo afirmações sobre a física podem ser contrárias à Bíblia, como, por exemplo, se alguém insinua ser a física algo não criado, tal sentença deve ser rejeitada, afinal, foi Deus quem a criou assim como a matemática, a biologia, a química e tudo o que existe - "E ele é antes de todas as coisas, e todas as coisas subsistem por ele" (Cl 1.17).
Ao lermos o relato da criação, registrado nos dois primeiros capítulos de Gênesis, encontramos algumas peculiaridades que nos são diferentes à maneira habitual de enxergarmos as coisas. Um destes pontos é o fato da narrativa relatar que as plantas foram criadas antes do Sol, isto é, vieram à existência no terceiro dia (Gn 1.11-13), enquanto o Sol e os demais luminares passaram a existir somente no quarto dia (Gn 1.14-19). Todavia, lemos que a luz veio a existir no primeiro dia (Gn 1.3). Como as plantas poderiam viver sem o sol, uma vez que aprendemos serem elas praticantes do processo de fotossíntese? Como explicar o haver de luz, mas sem o Sol?
O reformador João Calvino, brilhantemente comentou e respondeu este dilema: "Mas o Senhor, para que a si reivindicasse o pleno louvor de tudo isso, não só quis que, antes que criasse o sol, existisse a luz; mais ainda: que a terra fosse repleta de toda espécie de ervas e frutos (Gn 1.3, 11, 14). Portanto, o homem piedoso não fará do sol a causa quer principal ou necessária destas coisas que existiram antes da criação do sol, mas apenas o instrumento de que Deus se serve, porque assim o quer, já que pode, deixado este lado, agir por si mesmo com nenhuma dificuldade" (grifo meu). [1]
Existe, todavia, outra dúvida que costuma suscitar indagações entre os cristãos: os dias da criação foram literais? Quer dizer, Deus criou o Universo e tudo o que nele há em 7 dias como nós contamos hoje em dia?
Muitas teorias, livros e palestras são feitos com o intuito de "debater" sobre este assunto. Há, entretanto, com o devido respeito aos escritores e demais que se debruçam em pesquisar sobre este fato, em não se perder grandioso tempo se pesquisando ou se digladiando acerca de qual seria a interpretação correta, pois a Bíblia pode conter somente uma interpretação correta para todas as coisas. Afirmamos isso porque há, na Escritura, uma espécie de "chave" magnífica que responde toda e qualquer dúvida, que elimina toda a discussão e põe fim a inúmeros livros, pesquisas científicas e tudo quanto já foi compilado sobre este assunto. Está chave está contida nos dez mandamentos.
Os dez mandamentos são a expressão moral de Deus, pois revelam o Seu ser e instituem ao homem aquilo que ele deve cumprir. Todas, absolutamente todas as demais leis bíblicas - leis civis e cerimoniais, por exemplo - se encaixam em algum dos dez mandamentos. Para ilustrar, a autorização para se cobrar juros do estrangeiro, mas não cobrar do irmão em Cristo (Dt 23.20), tem como sustentáculo o décimo mandamento, o qual exorta a não cobiçar "coisa alguma do teu próximo" (Êx 20.17) e isto inclui o dinheiro - também o oitavo mandamento, "Não furtarás" (Êx 20.15), corrobora. A ordem para se construir uma habitação segura, tem com base o sexto mandamento ("Não matarás" - Êx 20.13), pois assim é relacionado: "Quando edificares uma casa nova, farás um parapeito, no eirado, para que não ponhas culpa de sangue na tua casa, se alguém de algum modo cair dela" (Dt 22.8 - grifo meu). A ordem para o povo de Deus construir o tabernáculo e posteriormente o templo, tudo conforme as medidas e especificações dadas pelo Senhor, possuía lastro no primeiro mandamento -"Não terás outros deuses diante de mim" (Êx 20.3), afinal, se o povo de Deus não deve ter outra deidade a qual adora, significa dizer que somente Deus deve ser obedecido.
Dentro dos dez mandamentos, há um que responde, então, a pergunta de nosso artigo. Assim lemos no quarto mandamento: "Lembra-te do dia do sábado, para o santificar. Seis dias trabalharás, e farás toda a tua obra. Mas o sétimo dia é o sábado do SENHOR teu Deus; não farás nenhuma obra, nem tu, nem teu filho, nem tua filha, nem o teu servo, nem a tua serva, nem o teu animal, nem o teu estrangeiro, que está dentro das tuas portas. Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou; portanto abençoou o SENHOR o dia do sábado, e o santificou" (Êx 20.8-11).
Este mandamento é como um grandioso raio iluminando as trevas do homem e pondo fim à toda discussão. O quarto mandamento (clique aqui para ler mais sobre como ele é aplicado no Novo Testamento) relaciona a obediência de se observar um dia em cada sete e isto com base na criação de Deus - "Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há, e ao sétimo dia descansou". A razão pela qual os cristãos precisam obedecer este mandamento (ainda que Deus não precisasse se justificar de coisa alguma) não é fixada sobre algo temporal ou acerca de alguma característica do povo de Israel. O motivo é atemporal, não dependente de nada, exceto da vontade criativa de Deus.
Logo, se interpretação deste mandamento é de acordo com a criação, somente uma interpretação está correta: a literal.
Como poderia ser verdade os dias da criação representar "eras" ou "milênios"? Eis a conclusão lógica do que seria, caso fossem realmente eras ou milênios (ou alguma grandiosa ou inexata fração de tempo): os cristãos teriam que, após seis eras, por exemplo, descansar durante uma era e sem qualquer trabalho! Se isto fosse feito, a confusão estaria mais do que instaurada, pois quanto tempo seria esta era? Equivaleria a quantos anos? Note que seria necessário, caso os dias fossem contadas como milênios (essa interpretação é devida ao texto de 2Pe 2.8, o qual diz que "para o Senhor é como mil anos, e mil anos como um dia"), observar um milênio inteiro e isso tudo sem trabalhar, porque o quarto mandamento inclui o descanso de todo o trabalho ordinário dos outros dias, não devendo qualquer pessoa buscar lucros, a venda ou a troca de qualquer coisa durante mil anos! Até mesmo os animais deveriam ficar mil anos sem trabalhar ("não farás nenhuma obra [...] nem o teu animal"), pois é isso que o mandamento exige.
Desta forma, de maneira inequívoca, se refuta esplendidamente toda a interpretação alegórica e que foge aos ditames da Santa Escritura. Pode-se, portanto, afirmar que a única e perfeita interpretação é a de dias literais, sendo grave heresia o defender qualquer coisa contrária.
Louvado seja o Senhor por Sua palavra e por nela temos as santas respostas.
Nota:
[1] CALVINO, João, As Institutas, Ed. Clássica, Livro I, Cap. XVI, pág. 194.
Fonte: 2Timóteo 3.16
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quarta-feira, 14 de agosto de 2013

Um caso moral contra o darwinismo - Por Douglas Groothuis, Ph.D.








Um argumento moral contra o darwinismo
1. Se o darwinismo for uma descrição adequada da bioesfera, então os seres humanos não têm nenhuma natureza essencial, uma vez que eles evoluíram sem design intencional até às suas formas atuais.
2. Se (1), então as várias raças de humanos podem ser mais evoluídas (isto é, adaptavelmente mais bem sucedidas) do que as outras raças. Darwin mesmo afirmou isso no seu livro The Descent of Man.
3. Se (2), não existe nada intrinsecamente valioso sobre a raça humana como um todo. Isto é, algumas raças podem prevalecer sobre outras raças devido às suas vantagens seletivas devido à sua trajetória evolucionária exclusiva.
Se (3), então não existe nenhuma base filosófica para a afirmação de que os seres humanos têm direitos humanos objetivos e universais.
5. Mas (4) é falso. As nossas intuições morais e a história da lei ocidental tratam a cada ser humano, sem distinção de raça, como possuindo dignidade humana intrínseca e deve ser tratado como tal. A Declaração dos Direitos Humanos das Nações Unidas afirmam isso, por exemplo, como faz a Declaração de Independência dos Estados Unidos – “Todos os homens são criados iguais”.
6. Além disso, se (4) for verdadeiro, então nós não temos nenhuma base objetiva para condenar moralmente a escravidão ou até mesmo a eliminação das “raças menos favorecidas” (termo usado por Darwin).
7. Mas (4) é falso, por causa de (5).
8. Portanto (6) é falso por causa de (5).
9. Portanto, (1)— o darwinismo — é falso. Isso por meio do modus tollens que, neste caso, é um reductio ad absurdum (reduzir a afirmação ao absurdo).
Nota: modus tollens (ou negar o consequente):
a. Se P, então Q.
b. Não Q.
c. Portanto, não P.
Fonte: Desafiando a Nomenclatura Científica
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segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Pai e paternidade - Por Rev. Ericson







Na sociedade patriarcal judaica a figura do pai estava associada a duas características bem específicas no contexto secular: Primeiro: o pai era a autoridade máxima dentro do lar e como tal deveria ser invariavelmente respeitado na família (cf. Ef. 5:22, 24, 33 e 6:1-3). Sobre ele pesava as decisões mais importantes, a representação da sua família em fóruns sociais e ainda respondia pela culpa da esposa ou filhos por qualquer violação das leis. Segundo: também era o responsável por sustentar, proteger e promover o desenvolvimento social dos seus. Entretanto, havia outra característica associada a figura do pai, no contexto religioso, que pretendo destacar: o sacerdócio.
1. O pai crente era portador das bênçãos divinas. Em Gênesis, por exemplo, Labão abençoou seus filhos (Gn. 31:55), Jacó abençoou a Faraó (Gn. 47:7) e a seus filhos (27:21-35, 48:20, 49:28), Davi abençoou seu terceiro filho (2 Sm. 13:25) e etc. Não há qualquer referência nas Escrituras que mães assim abençoaram seus filhos, porque esta responsabilidade foi dada por Deus aos pais, como mediadores da família. Por tradição católica e em harmonia com este princípio bíblico, nas cerimonias de casamento, o pai é quem deve levar a noiva ao noivo. Simbolicamente o pai transfere neste ato, por meio da sua bênção, a tutela que carregou sobre sua filha ao noivo.
2. O pai crente era mestre das tradições religiosas. Como sacerdotes domésticos, os pais possuíam a responsabilidade de verificar se os membros da sua família estavam vivendo em acordo com a aliança de Deus. Eram servos ativos no aconselhamento dentro de casa, segundo a instrução de Deus. Se negligenciasse tal função, toda a família se tornava vulnerável a apatia espiritual, idolatria, desarmonia nos relacionamentos, rebelião a Deus e a si mesmo como “chefe” familiar. O pai era aquele que “protegia” sua família pela incansável instrução da vontade de Deus, a fim de que nenhum dos seus se afastasse do caminho do Senhor (Êx. 12:26-27, 13:14; Dt. 6:7, 20, 32:7, 46; Pv. 4; Is. 38:19).
3. O pai era digno de honra na família. A palavra “pai” era usada em diversos contextos sempre com significado de alta e merecida estima. Eram chamados de “pai” os patriarcas como homens excepcionalmente compactuados com Deus e mediadores das promessas divinas (Sl. 22:4, 106:7; Hb. 1:1), um sacerdote (Jz. 17:10, 18:19), um profeta (2 Rs. 6:21, 13:14), um tutor espiritual (2 Rs. 2:12) e o mais importante: Deus também era chamado de Pai em comparação aos pais terrenos (Dt. 1:31, 8:5; Sl. 103:13; Pv. 3:12; Hb. 12:4-9). Ser chamado de pai era dignamente honroso e demonstrava respeito, intimidade e o devido reconhecimento.
Estas eram as atribuições dos pais no sistema patriarcal antigo. Todas elas continuam sendo atuais como verdades de Deus para a estabilidade e bom testemunho familiar hoje. Considere cada uma e reavalie sua paternidade com discernimento no lar. Abençoe sua família conferindo as bênçãos que vêm do Senhor. Não deixe de promover os cultos domésticos e orar constantemente por sua esposa e filhos. Fortaleça seu bom testemunho e autoridade, de modo que seja inspirador como homem no temor e no serviço a Deus. E que sob a graça divina, a cada dia, seja um homem segundo a vontade do Senhor!
Rev. Ericson Martins
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sexta-feira, 9 de agosto de 2013

Ciência e Fé Cristã podem conversar? - Por Filipe Fontes







"A glória de Deus é encobrir as coisas, mas a glória dos reis é esquadrinha-las." (Provérbios 25.2)
Hoje alguém me perguntou ressabiado se é possível fazer a fé cristã e ciência conversarem. Nada estranho! Afinal, de modo geral, para o nosso tempo, fé em Deus é fé em Deus, e ciência é ciência. Aliás, talvez a maioria das pessoas em nossos dias, contraponha o pensamento cientifico não apenas ao conhecimento de Deus, mas à fé, em geral, como se houvesse uma contradição necessária entre ambos, e uma conversa entre eles fosse algo impossível. Se a pergunta fosse quanto a contradição entre ciência e fé, a resposta voltaria imediatamente em forma de outra pergunta: E quando foi que elas deixaram de se falar? Mas como a pergunta qualificou a fé, o diálogo continua.
Apesar deste status quo contemporâneo, à luz de uma cosmovisão cristã não existe uma contradição necessária entre o conhecimento científico e o conhecimento de Deus, isto é, elas não são necessariamente inimigas. Pelo contrário, de acordo com a revelação bíblica, o mundo foi trazido à existência por Deus, e, portanto, está repleto de traços autorais dele. Nas palavras de Davi:"Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras de suas mãos" (Salmo 19.1). E, nas palavras do Apóstolo Paulo: "os atributos invisíveis de Deus, assim o seu eterno poder, como também a sua própria divindade, claramente se reconhecem, desde o princípio do mundo, sendo percebidos por meio das coisas que foram criadas" (Romanos 1.20). Isto significa que, o verdadeiro conhecimento científico, ao invés de nos afastar de Deus, deveria nos aproximar dEle. Na perspectiva bíblica, ciência e fé cristã deveriam conversar sempre. Aliás, a ciência moderna nasceu em solo cristão. Schaeffer afirma que os primeiros cientistas modernos alimentavam a convicção, em primeiro lugar, de que Deus proporcionou o conhecimento ao homem através da Bíblia – conhecimentos acerca do próprio Criador e também acerca do universo e da história. A afirmação de Schaeffer se confirma, por exemplo, na declaração de Copérnico, de que estava tentando descobrir o mecanismo do universo, feito para nós por um criador supremamente bom e ordeiro. Os primeiros cientistas tinham a percepção de que as regularidades presentes na realidade apontam para um “projeto inteligente”, e criam ser Deus a origem do mesmo. Eles sabiam exatamente da glória de Deus e da glória dos reis.
Então, pergunto: por que tem sido disseminada a ideia de uma contradição necessária entre ciência e fé cristã? Não há espaço nessa pequena reflexão para apontar com a devida abrangência e profundidade todas essas razões; talvez técnicamente até haja, mas poucos leriam até o final. Mas, poderíamos resumir afirmando que isto é uma questão de princípio (cosmovisão). Embora a ciência moderna, cujos princípios estão, de modo geral, ainda vigentes, tenha nascido em solo cristão, ao longo do tempo ela conversou e tornou-se amiga demais de uma cosmovisão materialista, ou naturalista, cuja premissa básica (de fé, diga-se de passagem) é que o mundo material é tudo o que existe, e que qualquer explicação digna do status de “científica” precisa manter-se nos limites da materialidade. Consequentemente, ela passou a excluir qualquer possibilidade de que seja válida uma explicação que considere um ponto de transcendência, isto é, que explique o mundo material, levando em conta algo ou alguém que esteja fora dele. Assim, nasceu a dissociação entre fé cristã e ciência. E, a partir de então, embasada nesta suposta dissociação, e relegando o conhecimento de Deus ao nível de um conhecimento inferior, esta cosmovisão materialista, tem estendido suas asas sobre o conhecimento científic.
o de modo total e abrangente. Em resumo, a irreconciliável inimizade entre ciência e fé cristã não passa de estratégia de batalha, que afasta o inimigo e facilita o domínio territorial.
Eis, portanto, minha resposta: não existe uma contradição necessária entre a ciência e o conhecimento de Deus – existe uma contradição necessária entre a ciência materialista e tal conhecimento. No entanto, substituídos os fundamentos, haverá uma eterna conversa entre ciência e fé cristã, pois será possível redescobrir a verdade de que a glória de Deus é encobrir as coisas, mas a glória dos reis é esquadrinha-las.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Para aqueles que têm sede de sonhos e visões - Por C.H. Spurgeon





Há alguns, e estes geralmente são os mais iletrados, que têm a expectativa de experimentar sonhos notáveis ou de ter visões singulares.
Eu às vezes fico surpreso de que ainda persista no meio do nosso povo uma noção de que certo tipo de sonho, especialmente se repetir-se várias vezes, e se for tão vívido que permaneça na imaginação por um longo período, é um sinal do favor divino. Nada poderia ser mais completamente falso, nada pode ser mais infundado e sem a menor sombra de evidência; e ainda assim muitos imaginam que se eles sofressem dolorosamente de indigestão de forma que seu sono fosse estragado por sonhos vívidos, então eles finalmente poderiam pôr sua confiança em Jesus Cristo.
A noção é tão absurda que se ela fosse tão somente mencionada a homens racionais, eles necessariamente teriam que ridiculariza-la. Ainda assim, conheço muitos que foram, e ainda são, escravos dessa ilusão.
Há pouco tempo, depois de pregar em uma distante vila do interior, fui procurado insistentemente como conselheiro espiritual por uma carta importuna de uma mulher que atribuiu a mim uma sabedoria que eu nunca reivindiquei possuir. Eu desejei saber qual era a dificuldade espiritual que ela tinha, e quando fui até a casa dela e a encontrei muito doente, fiquei entristecido ao ver que ela era vítima de uma superstição na qual temo que seu pastor a tinha confortado e, desta forma, confirmado. Ela me informou solenemente que ela tinha visto algo se levantando à noite do pé da sua cama. Ela estava esperançosa de que se tratasse do nosso abençoado Senhor, mas infelizmente ela não tinha conseguido ver a cabeça dele. Como eu conhecia tanto a respeito das coisas espirituais, será que eu poderia lhe dizer quem era?
Eu disse que eu achava que ela devia ter pendurado o vestido dela em um gancho na parede, ao pé da cama, e na escuridão tinha confundindo-o com uma aparição.
É claro que isso não a satisfez. Eu caí imediatamente a zero no conceito dela, ao nível de um homem de mente extremamente carnal, se não um escarnecedor, mas eu nada pude fazer a respeito. Eu não podia flertar com uma superstição tão ridícula. Fui obrigado a lhe dizer que era bobagem ela ter esperança de salvação porque ela era tola o bastante para imaginar que tinha visto Jesus com seus olhos carnais, enquanto a visão salvífica sempre é espiritual.
Sobre a pergunta quanto ao fato da suposta aparição ter uma cabeça ou não, eu lhe disse que se ela usasse mais a sua própria cabeça e o seu coração, meditando na Palavra de Deus, ela estaria em uma condição bem mais esperançosa.
Podem ter havido, eu não negarei – porque coisas estranhas ás vezes acontecem - podem ter havido sonhos, e até mesmo aparições, que despertaram a consciência e assim conduziram ao princípio da vida espiritual em alguns raros casos em que Deus escolheu interferir de maneira especial. Mas que estes venham a ser procurados, e até aguardados, é uma coisa tão distante da verdade quanto o oriente do ocidente. E se você visse qualquer coisa, ou sonhasse qualquer coisa, o que isso prova? Ora, não prova absolutamente nada a não ser que você estava mal de saúde, e que sua imaginação encontrava-se morbidamente ativa.
Lance fora essas coisas, elas são superstições adequadas a povos não-civilizados, mas não são aceitáveis para cristãos do século dezenove. Eu apenas estou mencionando-as, não porque penso que qualquer de vocês tenha caído nelas, mas para que vocês sempre lidem com elas de forma extremamente rígida onde quer que se deparem com elas. Elas são superstições que não podem ser toleradas por homens cristãos. Entretanto há alguns que, de fato, não acreditarão no simples evangelho de Cristo a menos que algum absurdo desse tipo possa ser juntado a Ele.
Que Deus os livre de tal incredulidade.
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