segunda-feira, 26 de setembro de 2011

A Lei e a Verdade Estavam Escritas em seus Lábios... Josafá Vasconcelos.



Como é possível descrever em palavras a importância da pregação? Todos os atos do culto são importantes e foram ordenados por Deus, mas o apóstolo Paulo destaca a profecia como sendo o de maior importância no culto público, justificando que é por este meio que a igreja é edificada (ICor. 14:5), além disso, sua importância é ainda muito mais atestada pelo fato de ser este o único meio pelo qual a fé é comunicada ao coração do pecador (Rom. 10:13-17).

O Dr. Martyn Lloyd-Jones disse que: “os puritanos asseveravam também que o sermão é mais importante que as ordenanças ou quaisquer cerimônias. Alegavam que ele é um ato de culto semelhante à eucaristia, e mais central no serviço da igreja. As ordenanças, diziam eles, selam a palavra pregada e, portanto, são subordinadas a ela”.[1]

O Pr. Paulo Anglada em seu excelente livro Introdução à Pregação Reformada, disse: “Na teologia reformada a pregação é um meio de graça. Ela e a ministração dos sacramentos são as ordenanças pelas quais o pacto da graça é administrado na nova dispensação”.

Em nossos dias, temos desprezado drasticamente este extraordinário meio de graça. As Igrejas dão mais importância ao louvor, escola dominical, teatro, coreografias, filmes, uso de data show, etc. Ninguém hoje se dispõe a ficar mais de meia hora ouvindo alguém pregar! Além do mais, o pouco de pregação que temos é comprometida em seu conteúdo. Sermões “ex-têmporis”, temáticos, cuja escolha dos textos é feita na base da “caixinha de promessas”, com versículos tidos como agradáveis e fora de contexto, são utilizados para auto-ajuda. É comum se pensar que em ocasiões especiais não há problema algum em se substituir a pregação por cantatas ou apresentação de orquestras e corais

domingo, 25 de setembro de 2011

Perturbe sua consciência com a culpa de seu desejo mau – John Owen



O que significa isso e como é que pode ser efetuado? Significa que você precisa fazer mais do que meramente reconhecer a culpa do seu desejo mau. Precisa perturbar sua consciência com a culpa do seu desejo mau em particular. Como é que pode fazer isso? Pensemos sobre duas maneiras gerais e duas específicas.

1. Duas maneiras gerais:

a) Exponha sua consciência à luz escrutinadora da lei de Deus

Ore pela obra do Espírito Santo, a qual produz convicção; que Ele use a lei de Deus para lhe convencer da magnitude da sua culpa. Que o terror da lei de Deus penetre na sua consciência. Pense em como Deus seria justo se punisse cada uma das suas transgressões de Sua lei. Não permita que seu coração enganoso argumente que a lei de Deus não pode condená-lo porque você "não está debaixo da lei, e, sim, da graça" (Rom. 6:14).

Diga à sua consciência que enquanto um desejo mau que ainda não foi mortificado permanecer no seu coração, você não poderá ter uma certeza válida de que está livre do seu poder de condenação. Deus deu a lei para condenar o pecado onde quer que ele fosse encontrado. A lei de Deus foi dada para expor a culpa do pecado de um cristão tanto quanto do pecado de qualquer outra pessoa. A lei de Deus quer despertar os cristãos para a culpa do seu pecado de modo que possam humilhar-se e lidar com ele. Opor-se a que a lei de Deus perturbe sua consciência não é um bom sinal. Antes, é uma triste indicação da dureza do seu coração e do engano do pecado.
Previna-se de pensar que a libertação da penalidade da lei de Deus significa que ela não mais deve dirigir sua vida ou expor seus pecados. Este é um erro perigoso que tem arruinado muitos cristãos professos. Se você se diz pertencer ao Senhor, recuse-se a pensar dessa maneira. Antes, procure persuadir sua consciência a ouvir cuidadosamente o que a lei de Deus diz sobre seus desejos pecaminosos e práticas pecaminosas. Oh, se fizer isso, tremerá e se prostrará! Se realmente quer mortificar seus desejos pecaminosos, permita que a lei de Deus perturbe sua consciência até que esteja convencida da terrível culpa dos seus desejos pecaminosos. Não se satisfaça antes de poder dizer com o penitente Davi: "Eu conheço as minhas transgressões, e o meu pecado está sempre diante de mim" (Sal. 51:3).

b) Permita que o evangelho condene e mortifique seus desejos pecaminosos

Pense em tudo que deve ao evangelho. Diga a si mesmo: "Deus me tem mostrado tanta graça, amor e misericórdia e o que tenho eu feito? Tenho desprezado e pisado em Sua bondade para comigo. Seria dessa maneira que demonstro meu apreço pelo amor do Pai e pelo sangue do Seu Filho? Como poderia macular o coração que Cristo morreu para limpar, e no qual o bendito Espírito Santo veio habitar? O que posso dizer ao meu amado Senhor Jesus? Será minha comunhão com Ele de tão pouca importância que eu possa deixar meu coração se encher de desejos pecaminosos a tal ponto que quase não mais exista lugar para Ele? Como posso diariamente "entristecer o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção" (Ef. 4:30). Considere estas coisas cada dia e, com a ajuda do Espírito Santo, você se sentirá enojado com a maldade dos seus desejos pecaminosos e desejará mortificá-los.

2. Duas maneiras específicas:
a) Pense na infinita paciência de Deus e na Sua longanimidade para com você

Pense em quão facilmente Deus poderia tê-lo exposto à vergonha e à reprovação deste mundo. Contudo, na sua misericórdia, Ele tem ocultado seu pecado dos olhos do mundo e freqüentemente impedido que você pratique pecados públicos. Quão facilmente Deus poderia ter dado fim à sua vida pecaminosa e mandado você para o inferno. A despeito de toda Sua bondade para com você destas maneiras,

b) Permita que o evangelho condene e mortifique seus desejos pecaminosos

Pense em tudo que deve ao evangelho. Diga a si mesmo: "Deus me tem mostrado tanta graça, amor e misericórdia e o que tenho eu feito? Tenho desprezado e pisado em Sua bondade para comigo. Seria dessa maneira que demonstro meu apreço pelo amor do Pai e pelo sangue do Seu Filho? Como poderia macular o coração que Cristo morreu para limpar, e no qual o bendito Espírito Santo veio habitar? O que posso dizer ao meu amado Senhor Jesus? Será minha comunhão com Ele de tão pouca importância que eu possa deixar meu coração se encher de desejos pecaminosos a tal ponto que quase não mais exista lugar para Ele? Como posso diariamente "entristecer o Espírito Santo de Deus, no qual fostes selados para o dia da redenção" (Ef. 4:30). Considere estas coisas cada dia e, com a ajuda do Espírito Santo, você se sentirá enojado com a maldade dos seus desejos pecaminosos e desejará mortificá-los.

2. Duas maneiras específicas:


a) Pense na infinita paciência de Deus e na Sua longanimidade para com você

Pense em quão facilmente Deus poderia tê-lo exposto à vergonha e à reprovação deste mundo. Contudo, na sua misericórdia, Ele tem ocultado seu pecado dos olhos do mundo e freqüentemente impedido que você pratique pecados públicos. Quão facilmente Deus poderia ter dado fim à sua vida pecaminosa e mandado você para o inferno. A despeito de toda Sua bondade para com você destas maneiras, você tem continuamente permitido que seus desejos pecaminosos se manifestem. Quão freqüentemente você tem provocado a Deus recusando-se a fazer qualquer esforço, fazendo pouco esforço para mortificar seus desejos pecaminosos. Continuará provocando Deus e testando Sua paciência?

Pense nas vezes quando tem deliberadamente planejado como gratificar seus desejos pecaminosos e Deus graciosamente o impediu. Pense nas vezes quando se entregou tanto aos desejos pecaminosos que sua consciência o alarmou e lhe fez sentir temor de que Deus não mais tivesse misericórdia de você. Contudo, Deus já teve misericórdia de você e lhe tem trazido novamente ao arrependimento e à fé.

b) Pense nas repetidas manifestações graciosas de Deus para com você

Pense em quão freqüentemente a misericórdia de Deus tem salvo você de ser endurecido pelo engano do pecado. Pense nas muitas ocasiões em que se deparou com frieza na sua vida espiritual; ocasiões nas quais seu prazer nos caminhos de Deus, na oração, na meditação na Palavra de Deus e na comunhão com o povo de Deus tem quase que desaparecido. Pense nas ocasiões quando de diversas maneiras tem se afastado de Deus e, contudo, Deus o tem resgatado e restaurado.

Pense nas muitas maravilhosas manifestações da providência de Deus na sua vida. Pense nas provações que Ele transformou em bênçãos para você e nas provações das quais Ele o poupou. Pense em todas as maneiras como Deus o tem abençoado. Depois de todas estas manifestações da graça de Deus por você, poderia continuar a permitir que os desejos pecaminosos endureçam seu coração contra tal graça? Perturbe sua consciência com a ajuda de tais pensamentos, e não pare enquanto seu coração não estiver profundamente tocado pela sua culpa. Enquanto isso não se der, nunca fará esforços vigorosos para mortificar estes desejos pecaminosos. Enquanto isso não acontecer, não haverá motivação para agir e colocar em prática a quarta regra.

sábado, 24 de setembro de 2011

Eleição - O Descanso dos santos - Josemar Bessa




" E será como a luz da manhã, quando sai o sol, da manhã sem nuvens, quando pelo seu resplendor e pela chuva a erva brota da terra.

Ainda que a minha casa não seja tal para com Deus, contudo estabeleceu comigo uma aliança eterna, que em tudo será bem ordenado e guardado, pois toda a minha salvação e todo o meu prazer está nele, apesar de que ainda não o faz brotar.". (2 Samuel 23:4-5).

A Extensão da Soberania de Deus por Gordon Lyons


O governo ou domínio soberano de Deus é universal, absoluto e imutável (ou inalterável). Nós podemos sumarizar estes aspectos mais plenamente da seguinte forma:
1. Soberania Universal
A soberania de Deus é universal. Ela se estende sobre toda a sua criação; animada e inanimada  e da mais alta forma de criatura vivente até a mais baixa. No reino das criaturas vivas, Deus exerce poder sobre anjos, humanidade e animais inferiores. Nenhum pardal cair sem a vontade de nosso Pai que está no céu.
Para este fim, o Senhor Jesus disse:
Mateus 10:29-31
Não se vendem dois pardais por um asse? E nenhum deles cairá em terra sem o consentimento de vosso Pai. E, quanto a vós outros, até os cabelos todos da cabeça estão contados. Não temais, pois! Bem mais valeis vós do que muitos pardais. (Veja vv.16-33; cf. v.30 com Lucas 21:18)
Novamente, está escrito:
Salmo 103:19
O SENHOR tem estabelecido o seu trono nos céus, e o seu reino domina sobre tudo.
Daniel 4:17
Esta sentença é por decreto dos vigiadores, e esta ordem, por mandado dos santos; a fim de que conheçam os viventes que o Altíssimo tem domínio sobre os reinos dos homens; e os dá a quem quer e até ao mais baixo dos homens constitui sobre eles.
2. Soberania Absoluta
A soberania de Deus é absoluta. Sua autoridade é perfeita em sua administração; ela é exercida a partir da sabedoria infinita de Deus, e é suprema na extensão de seu poder, glória e domínio. Nenhum limite pode, e nem será, posto no lugar da autoridade, poder ou controle soberano de Deus. No avanço de Seus propósitos e planos eternos, o SENHOR age como Lhe agrada com os habitantes dos céus e entre os moradores da terra. Nada em toda a criação é capaz de resistir à vontade de Deus, ou frustrar os Seus propósitos  seja por meio de homens, super-homens, anjos, espíritos caídos ou maus, ou qualquer outra coisa.
Para este fim, a Escritura diz:
Isaías 14:24
Jurou o SENHOR dos Exércitos, dizendo: Como pensei, assim sucederá, e, como determinei, assim se efetuará.
Daniel 4:34-35
Mas, ao fim daqueles dias, eu, Nabucodonosor, levantei os meus olhos ao céu, e tornou-me a vir o meu entendimento, e eu bendisse o Altíssimo, e louvei, e glorifiquei ao que vive para sempre, cujo domínio é um domínio sempiterno, e cujo reino é de geração em geração. E todos os moradores da terra são reputados em nada; e, segundo a sua vontade, ele opera com o exército do céu e os moradores da terra; não há quem possa estorvar a sua mão e lhe diga: Que fazes?. (Veja vv.19-37)
3. Soberania Imutável
A soberania de Deus é imutável, Ela permanece inalteravelmente a mesma durante todo o tempo, e sob todas as circunstâncias. O governo e domínio soberano de Deus não podem ser ignorados; ele não pode ser rejeitado, e não pode ser frustrado ou impedido pela humanidade ou por qualquer outra coisa na criação. O poder e domínio soberano de Deus amarram todas as criaturas tão completamente quanto as leis físicas amarram o universo material. O que Deus decretou ou pré-ordenou deve inevitavelmente acontecer. [2]
Assim, a Escritura declara:
Salmos 33:10-11
O SENHOR frustra os desígnios das nações e anula os intentos dos povos. O conselho do SENHOR dura para sempre; os desígnios do seu coração, por todas as gerações.
Isaías 14:26-27
Este é o desígnio que se formou concernente a toda a terra; e esta é a mão que está estendida sobre todas as nações. Porque o SENHOR dos Exércitos o determinou; quem, pois, o invalidará? A sua mão está estendida; quem, pois, a fará voltar atrás?
Atos 4:28
Para fazerem tudo o que a tua mão e o teu conselho tinham anteriormente determinado que se havia de fazer.

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

Um cristianismo inútil – J. C. Ryle (1816-1900)



Quanto custa ser um cristão verdadeiro? -

Ninguém se engane quanto ao sentido das minhas declarações. Não estou examinando quanto custa salvar uma alma cristã. Sei muito bem que isso custa nada menos do que o sangue do próprio Filho de Deus, que proveu expiação e remiu homens da condenação ao inferno. O preço pago pela nossa redenção foi nada menos do que a morte de Jesus Cristo, no Calvário. "Porque fostes comprados por preço!' "...Cristo Jesus, homem. O qual a si mesmo se deu em resgate por todos..." (I Co. 6:20; I Tm. 2:5,6). Tudo isso, entretanto, desvia-se inteiramente da nossa questão central. O ponto que desejo considerar é inteiramente diferente. Falo sobre o que um homem deve estar pronto a abandonar, se quiser ser salvo. Está em pauta o montante de sacrifício a que um homem precisa submeter-se, se realmente tenciona servir a Cristo. É nesse sentido que levanto a indagação: "Qual é o preço?" E acredito firmemente que essa indagação é importantíssima.

Admito prontamente que custa pouco alguém manter a aparência de um cristão. Uma pessoa que apenas frequente algum lugar de adoração duas vezes a cada domingo, e mostre-se razoavelmente moral durante os dias da semana, já terá feito o que milhares de outras pessoas ao seu redor fazem com o cristianismo. Tudo isso é trabalho fácil e barato; não requer qualquer autonegação ou auto-sacrifício. Se isso é o cristianismo que salva e que nos conduzirá ao céu quando morrermos, então, convém que alteremos a descrição sobre o caminho da vida, escrevendo: "Larga é a porta e espaçoso é o caminho que conduz ao céu!"

Não obstante, custa bastante ser um crente verdadeiro, se os padrões da Bíblia tiverem de ser seguidos. Há inimigos que terão de ser vencidos, batalhas que terão de ser travadas, sacrifícios que terão de ser feitos, um Egito que precisará ser esquecido, um deserto que precisará ser atravessado, uma cruz que deverá ser carregada, uma carreira que terá de ser corrida. A conversão não se assemelha a colocar um homem em uma poltrona, levando-o assim, em conforto, para o céu. Quando alguém torna-se crente, dá início a um imenso conflito pelo qual custa muito obter a vitória. Daí origina-se a indizível importância de "calcular o preço".

Permita-me tentar mostrar precisa e particularmente quanto custa ser um crente autêntico. Suponhamos que um homem se disponha a servir a Cristo, sentindo-se atraído e inclinado a segui-Lo. Suponhamos também que alguma aflição, ou uma morte repentina, ou um sermão abalador lhe venha despertar a consciência, fazendo-o sentir o valor da sua própria alma e levando-o a desejar ser um verdadeiro crente. Sem dúvida, muito coisa haverá para encorajá-lo. Os seus pecados poderão ser gratuitamente perdoados, por muitos e grandes que eles sejam. O seu coração poderá ser totalmente modificado, sem importar quão frio e duro ele seja. Cristo e o Espírito Santo, a misericórdia e a graça, estão todos à sua disposição. Apesar de tudo, convém que ele calcule o preço.

Examinemos particularmente, uma por uma, as coisas que a sua religião cristã haverá de custar-lhe.

1. Antes de mais nada, isso lhe custará a sua justiça própria. Ele terá de desfazer-se de todo o orgulho, de todos os pensamentos altivos e de toda a presunção acerca de sua própria bondade. Terá de contentar-se em ir para o céu como um pobre pecador, salvo exclusivamente pela graça gratuita, devendo tudo aos méritos e à retidão de Outrem. Cumpre-lhe realmente sentir aquilo que diz o livro de oração de nossa igreja: ele tem "errado e se desviado como uma ovelha perdida", tendo deixado de fazer "o que lhe competia, e tendo feito o que não lhe competia fazer, não havendo nele qualquer saúde espiritual". Ele terá de dispor-se a desistir de toda a confiança em sua própria moralidade, respeitabilidade, orações, leituras da Bíblia, frequência à igreja, participação nas ordenanças, não confiando em outra coisa e em outra pessoa senão em Jesus Cristo.

Ora, para alguns isso poderá parecer difícil. E não me admiro disso. Disse um piedoso lavrador ao bem conhecido James Hervey: "Senhor, é mais difícil negar o orgulho próprio do que negar o próprio pecado. Mas isso é algo absolutamente necessário". Em nosso cálculo do custo, que esse seja o nosso primeiro item. Para que um homem seja um verdadeiro crente, ele terá de desistir de sua justiça-própria.

2. Em segundo lugarum homem terá de desistir dos seus pecados Ele deverá estar disposto a abandonar cada hábito e prática errados ao; olhos de Deus. Terá de voltar o rosto contra tais práticas, lutando contra elas, rompendo com elas, crucificando-se para elas e esforçando-se por mantê-las sob o seu controle, sem importar o que o mundo ao seu redor possa pensar ou dizer a respeito. Ele terá de fazer isso de maneira honesta e justa. Não poderá haver tréguas com qualquer pecado especial que ele ame. Ele terá de considerar todos os pecados como seus inimigos mortais, odiando cada caminho de iniquidade. Sem importar se pequenos ou grandes, públicos ou secretos, ele terá de renunciar terminantemente a todos os seus pecados. Talvez esses pecados lutem diariamente contra ele, e as vezes quase haverão de derrotá-lo. Porém, ele nunca poderá ceder diante deles. Cumpre-lhe manter uma guerra perpétua contra os seus pecados. Está escrito: "Lançai de vós todas as vossas transgressões..." "...põe termo em teus pecados pela justiça, e às tuas iniquidades.." "...cessai de fazer o mal" (Ez. 18:31; Dn. 4:27; Is. 1:16).
Isso também parece difícil, e não me admiro. Geralmente os nossos pecados são tão queridos por nós como os nossos filhos: nós os amamos, abraçamos, apegamo-nos a eles, deleitamo-nos neles. Romper com eles é algo tão difícil quanto decepar a mão direita ou arrancar da órbita o olho direito. Mas isso tem de ser feito. O rompimento é inevitável. "Ainda que o mal lhe seja doce na boca, e ele o esconda debaixo da língua, e o saboreie, e o não deixe...", contudo, o pecado terá de ser abandonado, se ele quiser ser salvo. (Jó 20:12,13). O crente e o pecado têm de estar em luta, se o crente e Deus tiverem de ser amigos. Cristo está disposto a acolher a qualquer pecador. Mas Ele não receberá a quem não se disponha a separar-se dos seus pecados. Anotemos esse item em segundo lugar, em nosso cálculo do custo. Ser crente é algo que custará a um homem os seus pecados.

3. Em último lugar, ser crente custará a um homem a aprovação do mundo. Se um crente quiser agradar a Deus, terá de contentar-se em ser mal acolhido pelos homens. Não deverá considerar estranho se for vilipendiado, ridicularizado, caluniado, perseguido e até mesmo odiado. Não poderá ficar surpreendido se as suas opiniões e práticas religiosas forem consideradas com desprezo. Terá de aceitar que muitos o tomem por insensato, entusiasta ou fanático — de tal maneira que as suas palavras sejam pervertidas e as suas ações sejam mal interpretadas. De fato, não terá de maravilhar-se se alguém vier a chamá-lo de louco. Disse o Senhor: "Lembrai-vos da palavra que eu vos disse: Não é o servo maior do que seu senhor. Se me perseguiram a mim, também perseguirão a vós outros; se guardaram a minha palavra, também guardarão a vossa" (João 15:20).

Ouso dizer que essa condição também parece muito difícil. Naturalmente, somos avessos a um tratamento injusto e a falsas acusações, e julgamos ser muito difícil tolerar as acusações sem causa. Não seríamos feitos de carne e sangue, se não desejássemos contar com a boa opinião das pessoas ao nosso redor. Sempre será desagradável ser alvo de calúnias, de mentiras, e viver solitário e incompreendido. Porém, não há como evitar. O cálice que nosso Senhor bebeu também deve ser sorvido pelos Seus discípulos. Cristo "era desprezado, e o mais rejeitado entre os homens" (Is. 53:3), e outro tanto acontecerá a eles. Que esse item também seja alistado. Ser um crente custará a um homem a aprovação do mundo. Esse é o cálculo do que custa a uma pessoa ser um crente verdadeiro. Admito que essa lista é pesada. Mas, qual desses diversos itens pode ser removido? Temerário seria, realmente, o homem que ousasse dizer que podemos conservar a nossa justiça-própria, a nossa preguiça e o nosso amor ao mundo, e, ainda sermos salvos!
Reconheço que custa muito ser um verdadeiro crente. Porém, quem, em seu bom juízo, poderia duvidar que vale a pena pagar qualquer preço, contanto que a sua alma seja salva? Quando um navio corre o risco de naufragar, a tripulação não pensa que é um sacrifício muito grande lançar borda fora qualquer carga, por mais preciosa que seja. Quando um membro do corpo chega a grangrenar, um homem submete-se a qualquer operação, até mesmo a amputação daquele membro, contanto que a sua vida seja salva. Não há dúvida que um crente deve estar disposto a desistir de qualquer coisa que se interponha entre ele e o céu. Uma religião que nada custa, nada vale! Um cristianismo barato, destituído de cruz, mostrará ser um cristianismo inútil, que não pode obter a coroa