segunda-feira, 25 de julho de 2011

A Apologética Cristã

A Apologética Cristã não é o ataque a pessoas, instituições ou organizações, mas a defesa do evangelho de Cristo, do Seu senhorio, de Sua verdade absoluta e da arquitetura do Seu plano de resgate do homem, estabelecidos por Ele em seus decretos eternos.
Nossa meta é, portanto, combater o engano do qual anteriormente fomos presas, e do qual fomos resgatados não pelos nossos méritos, perspicácia ou sabedoria, mas pela incompreensível manifestação da Sua Graça. E é a plena compreensão disto que nos tira por completo o direito ao ataque a pessoas que hoje se encontram exatamente onde estivemos, ao mesmo tempo em que nos dá o pleno direito ao combate ao engano que as acorrenta e ao qual já fomos anteriormente acorrentados.
A fé cristã é mais que declarações verdadeiras e doutrinas corretas. Se tudo o que fazemos é defender um conjunto de proposições e doutrinas, rapidamente seremos frustrados. A fé cristã precisa ser pessoal, experiencial e transformadora. Nossa vida é a nossa forma mais efetiva e eficaz de apologética.


Sola Scriptura, Sola Gratia, Sola Fide, Solus Christus, Soli Deo Gloria!
Esta é a nossa meta.
Reforma&Razão

Converte-me e serei Convertido - João Calvino (1509 - 1564)

Jun07

Visto que a vontade do homem está presa na escravidão do pecado, não pode avançar em direção ao bem; muito menos pode apegar-se ao bem. Um movimento em direção ao bem é o primeiro passo em nossa conversão a Deus; e nas Escrituras isto é sempre atribuído inteiramente à Sua graça. Logo, o profeta Jeremias ora:  "Converte-me, e serei convertido" (Jer. 31:18).

Mesmo assim, o homem ainda possui uma vontade, pois, apesar de ficar sujeito à necessidade de servir ao pecado (devido sua queda) sua vontade não lhe foi removida, mas sim tornou-se enferma...

Olhando o lado Obscuro - C. H. Spurgeon


Com efeito, grandes coisas fez o SENHOR por nós; por isso, estamos alegres.
Salmos 126.3

Infelizmente, muitos crentes são propensos a olhar para o lado obscuro de todas as coisas e a gastar muito tempo pensando no que eles têm passado, em vez de pensar no que Deus tem feito por eles. Faça-lhes perguntas sobre as impressões deles a respeito da vida cristã, e descreverão seus permanentes conflitos, suas profundas aflições, suas tristes adversidades e a pecaminosidade de seus corações, sem qualquer referência à misericórdia e à ajuda que Deus lhes tem dado..

domingo, 24 de julho de 2011

O Cativeiro de Satanás – J. I. Packer


Satanás não tem qualquer poder independentemente de Deus. Satanás (ainda que, sem dúvida, ele nunca o tenha admitido) é uma ferramenta de Deus. Ao conceder a Satanás tanto poder, Deus se utiliza dele para executar o juízo divino sobre um mundo rebelde. Assim como um homem pode fazer uso de um cão bravo que o odeia, para desviar de sua propriedade os invasores, assim Deus faz uso de Satanás para punir aqueles que têm pecado. Satanás e os demônios estão num estado de aprisionamento, e isso desde a sua queda; eles estão guardados "sob trevas, em algemas eternas, para o juízo do grande dia" (Jd 6; Mt 25.41; Ap 20.10). Todos estão em cadeias. Não possuem maior liberdade de ação do que aquela que Deus lhes concede; e, em tudo quanto fazem, como disse Calvino, arrastam consigo as suas cadeias. Satanás gosta de pensar e quer que outros pensem que ele é o verdadeiro governante deste mundo (cf. Lc 4.6). Mas, a verdade é que ele não pode exercer qualquer poder além dos limites colocados pelo Senhor (cf. Jó 1.12; 2.6). Deus o mantém acorrentado; talvez se trate de uma corrente muito longa, mas é uma corrente real.

Quando o Filho de Deus veio a este mundo "para destruir as obras do diabo" (1 Jo 3.8), Satanás empregou todos os meios para frustrá-Lo, mas falhou. Em tudo, Cristo foi vencedor. Não só no início do seu ministério (Mt 4.1 ss.), mas ao longo do mesmo (Lc 4.13; 22.28), Satanás tentou-0 para desviá-Lo, de uma maneira ou de outra, da vontade do Pai (cf. Mt 16.22, 23). Jesus, porém, jamais caiu nas armadilhas de Satanás; nem uma vez Ele pecou (Hb 4.15; 1 Pe 2.22). Ele repeliu todos os ataques do inimigo e prosseguiu triunfantemente para tirar de Satanás uma grande parte do domínio que ele até então havia gozado. Jesus fez isso, primeiro mediante suas curas e exorcismos (Lc 11.17-22; 13.16), e, finalmente, por meio de suas orações (Lc 22.31, 32; Jo 17.15) e de sua morte expiatória. Isso garantiu a salvação de todo aquele imenso grupo de pessoas a quem Ele veio redimir (Jo 12.31, 32). Assim, pois, o Calvário foi uma vitória decisiva sobre Satanás e suas hostes (Cl 2.15), o que, em consequência, garantiu o destronamento do diabo sobre inúmeras vidas. A cruz garantiu que um número incalculável de pessoas seria libertado, conforme lemos em Colossenses 1.13-14: "Ele nos libertou do império das trevas e nos transportou para o reino do Filho do seu amor, no qual temos a redenção, a remissão dos pecados". Isso vem a acontecer por meio da pregação do evangelho, que convida os homens a voltarem-se de Satanás para Deus (At 26.18), e por meio da obra cooperante de Cristo no céu, pela qual Ele move os homens à resposta da fé e ao arrependimento (At 5.31). Satanás resiste o tempo todo e a cada passo do caminho, mas não pode impedir esses acontecimentos. Ele é, sem dúvida, um inimigo derrotado.

A Guerra Santa

O homem não-crente é um cativo de Satanás, que o domina como quer. Porém, se esse homem tornar-se crente, o diabo passará a vê-lo como um prisioneiro que fugiu; e, o diabo luta contra ele, procurando recapturá-lo. Ele tenta (submete a provas) o crente com intuitos maliciosos, esperando descobrir uma fraqueza e induzi-lo a um curso de ação que, finalmente, o reconduzirá à prisão da qual Cristo o libertou. Satanás busca "entrar" no crente, tal como entrou em Judas Iscariotes (Lc 22.3; Jo 13.27), isto é, procura recuperar o controle sobre o crente, para assim torná-lo, uma vez mais, um "filho do diabo" (At 13.10; 1 Jo 3.10). Todas as tentações de Satanás têm, ao final, isto em mira — elas são numerosas placas que dizem "bem-vindo", colocadas ao longo do caminho largo, que conduz à perdição

sábado, 23 de julho de 2011

O ensino dos Pais eclesiásticos sobre a justificação (até 1.200 dC)


Os escritos dos Pais eclesiásticos não são Escrituras inspiradas. Nós não os consideramos como uma autoridade no ensino. Contudo, eles oferecem evidência do ensino que foi dado à Igreja de sua época. Possuímos uma corrente ininterrompida de escritos, desde o tempo dos apóstolos até os nossos dias que podem mostrar-nos toda a história do pensamento cristão sobre o assunto da justificação.

A pergunta que dirigimos aos primeiros Pais eclesiásticos é esta: poderia a doutrina da justificação pela graça, mediante a fé nos méritos de Cristo, ser encontrada em algum dos escritos durante o primeiro período da história da Igreja? Se pudermos, então teremos provas conclusivas de que a doutrina não foi uma invenção de Lutero, como se diz às vezes! Mas, se a verdade fosse conhecida por qualquer um dos primeiros Pais eclesiásticos, então, com toda certeza, foi conhecida antes da Reforma.

Clemente de Roma (talvez o mesmo mencionado em Filipenses 4:3), em sua carta aos Coríntios, diz:

"Nós também, sendo chamados mediante a Sua (Deus) vontade em Cristo Jesus, não somos justificados por nós mesmos, nem por nossa própria sabedoria, ou entendimento, ou piedade, ou obras que temos feito com pureza de coração, porém, pela fé ... " (Epístola aos Coríntios)

Inácio, um discípulo do apóstolo João, escreveu:

"A Sua (Cristo) cruz, a Sua morte, a Sua ressurreição e a fé que vem por meio dEle, são as minhas garantias imaculadas; nessas, pelas suas orações, acredito que tenho sido justificado."  (Epístola aos de Filadélfia)

Policarpo (falecido em 155 dC), também um discípulo do apóstolo João, escreveu:

"Eu sei que mediante a graça você é salvo, não por obras, mas sim, pela vontade de Deus em Jesus Cristo." (Epístola aos Filipenses)

Justino Mártir (falecido em 165 dC), escreveu:

"Não mais pelo sangue de bodes e de carneiros, nem pelas cinzas de uma novilha... são os pecados purificados,  e sim, pela fé, mediante o sangue de Cristo e de Sua morte, que por essa razão morreu." (Diálogo com Trifa)

Numa carta (escrita cerca de 150 dC) dirigida a uma pessoa chamadaDiogneto que evidentemente tinha indagado a respeito da cristandade, encontram-se as seguintes frases:


"Deus deu o Seu próprio Filho em resgate por nós . . . porque, o que poderia encobrir os nossos pecados, senão a Sua justiça? Quem possibilitou a justificação de transgressores e impiedosos, tais como nós, senão o Filho de Deus somente? Quão maravilhoso é o benefício inesperado, que a transgressão de muitos pudesse ser escondida em uma só Pessoa justa e que a justiça de Um só pudesse justificar a muitos transgressores."

No período iniciado com o reinado de Constantino (falecido em 337 dC), quando o cristianismo tornou-se uma religião oficialmente reconhecida, e não mais uma fé perseguida, algumas heresias surgiram e feriram várias doutrinas básicas do cristianismo. Inevitavelmente, um erro no trato de uma verdade cristã, envolveu erros a respeito de outras também, isto é, conceitos deficientes quanto ao pecado impediram que alguns compreendessem a sua necessidade de um Salvador. Outras heresias relacionaram-se com a Trindade, a encarnação de Cristo e a incapacidade do pecador perdido para fazer obras espirituais. Essas heresias todas enfraqueceram o entendimento da justificação bíblica.

Ao combater essas heresias e reafirmar a impotência pecaminosa da natureza humana, a necessidade de salvação pela graça e a expiação eficaz oferecida por Cristo, os fiéis remanescentes lançaram fundamentos seguros para a doutrina da justificação pela graça mediante a fé em Cristo.

Irineu (falecido no princípio do terceiro século), um discípulo dePolicarpo, escreveu:

"... através da obediência de um homem, que primeiro nasceu da Virgem, para que muitos pudessem ser justificados e receber a salvação."

Cipriano (falecido em 258 dC), um bispo na Igreja da África do Norte, escreveu:

"Quando Abraão creu em Deus, isso lhe foi imputado para justiça, portanto, cada um que crê em Deus e vive pela fé, será considerado como uma pessoa justa."

Atanásio, bispo de Alexandria durante quarenta e seis anos (falecido em 373 dC), escreveu:

"Nem por esses (isto é, esforços humanos), mas, à semelhança de Abraão, o homem é justificado pela fé."

Basílio, bispo de Capadócia (falecido em 379 dC), foi um escritor prolífico e tem nos deixado palavras tais como estas: "O verdadeiro e perfeito gloriar-se em Deus é isto: é quando o homem não se exalta por causa da sua própria justiça; é quando ele sabe por si mesmo que carece da verdadeira justiça e que a justificação é somente pela fé em Cristo."

Ambrósio, bispo de Milão (falecido em 397 dC), famoso como grande pregador, tem nos deixado estas palavras:

"Para o homem ímpio, para um gentio que crê em Cristo, a sua fé lhe é imputada para justiça, sem as obras da lei, como também aconteceu com Abraão."

De Orígenes, o grande professor, pensador e escritor do cristianismo (falecido em 253 dC), vem o seguinte:
"Pela fé, sem as obras da lei, o ladrão na cruz foi justificado; porque ... o Senhor não indagou a respeito de suas obras anteriores, nem aguardava a realização de qualquer obra depois de crer; antes ... Ele o tomou para Si mesmo como companheiro, justificado somente na base da sua confissão."

Jerônimo, o grande tradutor da Bíblia para o latim (falecido em 420 dC), escreveu:

"Quando um homem ímpio é convertido, Deus o justifica somente por meio da fé, não por causa de boas obras que, na realidade, ele não possuía."

Crisóstomo, talvez o maior pregador de todos os Pais eclesiásticos (falecido em 407 dC), e que vivia por muitos anos em Constantinopla. Dele nós temos:

"Então, o que é que Deus fez? Ele fez com que um homem justo (Cristo) Se fizesse pecado, (como Paulo afirma)  para que Ele pudesse justificar pecadores ... quando nós somos justificados, é pela justiça de Deus, não por obras ... mas pela graça, pela qual todo o pecado desaparece."

De Agostinho, bispo de Hipona, perto de Cartago, um grande expositor da teologia da salvação somente pela graça de Deus (falecido em 420 dC), temos:

"A graça é algo doado; o salário é algo pago... é chamada graça porque ela é concedida gratuitamente. Você não comprou por nenhum mérito pessoal o que tem recebido. Portanto, em primeiro lugar, o pecador recebe a graça para que sejam perdoados os seus pecados ... na pessoa justificada, as boas obras vêm depois; elas não precedem a graça, a fim de que a pessoa seja justificada ... as boas obras que seguem a justificação manifestam o que o homem tem recebido."

Anselmo, de Cantuária (falecido em 1109 dC), um grande teólogo, e talvez mais conhecido por causa de seu estudo sobre a expiação do pecado por Cristo, escreveu:

"Você acredita que não pode ser salvo, senão pela morte de Cristo? Então, vá, e . . . ponha toda a sua confiança unicamente em Sua morte. Se Deus lhe disser: "você é um pecador", então responda: "coloco a morte de nosso Senhor Jesus Cristo entre mim e o meu pecado."

De Bernardo de Claraval, considerado como o último dos Pais eclesiásticos (falecido em 1153 dC) vem o seguinte: "Acaso a nossa justiça não seria apenas uma injustiça e imperfeição? Então, o que será dos nossos pecados, quando a nossa justiça não é suficiente para defender-se a si mesma? Vamos, portanto, com toda humildade, refugiar-nos na misericórdia, porque ela somente pode salvar as nossas almas . . . qualquer um que tenha fome e sede de justiça, que creia nAquele que "justifica o ímpio", e assim sendo justificado somente pela fé, terá paz com Deus."

Portanto, fora de qualquer dúvida, vemos que a doutrina da justificação pela graça, mediante a fé, não foi uma novidade introduzida por Lutero e Calvino. Embora houvesse muitas heresias e conceitos corruptos durante os primeiros séculos da história da Igreja, houve paralelamente uma corrente contínua dos maiores escritores e pensadores que adotaram e ensinaram esta verdade bíblica