segunda-feira, 20 de junho de 2011

Servindo a Deus ou ao Dinheiro - John Piper




Jesus adverte: "Ninguém pode servir a dois senhores; pois odiará um e amará o outro, ou se dedicará a um e desprezará o outro. Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro" (Mateus 6.24). Aqui, a idéia de "servir" é peculiar. Relaciona-se mais com a adoração que com a prestação de serviço. Jesus declara: "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". Como servimos ao dinheiro?

A resposta não é: servindo serviço ao dinheiro, nem prestando ajuda ao dinheiro ou atendendo às necessidades do dinheiro. A resposta é o oposto: servir ao dinheiro significa esperar que ele lhe preste serviço, lhe proporcione ajuda e atenda às suas necessidades. Servir ao dinheiro significa planejar, sonhar, usar estratégias e manobras para priorizar a riqueza e o que o dinheiro pode proporcionar. O dinheiro é o doador e o benfeitor nessa relação entre servo e senhor. Não podemos fazer nada de útil ao dinheiro. Queremos dinheiro para que ele nos seja útil.

E Jesus diz: "Vocês não podem servir a Deus e ao Dinheiro". O significado de "servir" seria hipoteticamente o mesmo, tanto em re¬lação a Deus quanto ao dinheiro. Portanto, o mandamento de Jesus para servir a Deus não tem o sentido de prestar-lhe serviço ou ajuda. Tem o sentido oposto. Esperamos que Deus seja nosso auxílio, nosso benfeitor e tesouro. Servi-lo significa planejar, sonhar, usar de estratégias e manobras para elevar ao máximo nossa alegria em Deus e no que ele promete ser para nós. Assim, Deus, não o dinheiro, passa a ser o doador e o benfeitor nesse relacionamento entre servo e senhor. Não atendemos às necessidades de Deus (ele não tem nenhuma!). O que esperamos é que Deus atenda às nossas.

O dinheiro é um assunto crucial para Jesus porque ao longo do tempo, em todas as culturas e em todas as eras, ele substitui a Deus como o tesouro de nosso coração e se transforma em objeto de nossa adoração. Transforma-se em grande ameaça à nossa obediência ao primeiro e ao último dos Dez Mandamentos: "Não terás outros deuses além de mim" (Êxodo 20.3) e “Não cobiçarás" (v. 17). O dinheiro representa todas as coisas materiais, bem como segurança e os prazeres que ele pode comprar. Representa o grande substituto de Deus em nosso coração. É por isso que a maneira em que lidamos com o dinheiro é tão importante para Jesus.

O EGOÍSMO SEPARA-NOS DO CÉU, E O SACRIFÍCIO INTENSIFICA NOSSA ALEGRIA NELE

Retornemos ao ponto principal do primeiro parágrafo deste capí¬tulo: quanto mais generoso você for neste mundo e mais sacrifícios fizer, maior será sua alegria no céu. Duas coisas foram ditas aqui. Primeira: o egoísmo mantém-nos afastados do céu. Segunda: há gradações de recompensa no céu, ou seja, gradações de alegria, dependendo da gradação de nossa generosidade e de nossos sacrifícios neste mundo. As duas afirmações são controvertidas, mas, em razão do que vimos nos capítulos anteriores, não deveriam nos surpreender. No próximo capítulo, analisarei uma por vez, a fim de esclarecer as palavras de Jesus

Sem um Deus feliz não há Evangelho – John Piper



A FELICIDADE DE DEUS É UM DOS GRANDES ASPECTOS DE SUA GLÓRIA


Em 1 Timóteo 1.11, Paulo focalizou o evangelho como a "glória do Deus bendito". A palavra traduzida "bendito", nesta expressão, (parapíou) é a mesma que ocorre nas bem-aventuranças de Jesus, em Mateus 5.3-11. "Bem-aventurados os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus. Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra." E assim por diante. A palavra significa "feliz" ou "afortunado". Paulo mesmo usa esta palavra em outras passagens para falar sobre a felicidade das pessoas que têm seus pecados perdoados (Rm 4.7) ou das pessoas que têm uma consciência pura (Rm 14.22). É admirável que, em todo o Antigo e o Novo Testamento, somente neste versículo e em 1 Timóteo 6.153 a palavra se refere a Deus. É evidente que Paulo havia feito algo incomum, chamando a Deus de makarios — feliz.


Podemos aprender da expressão "a glória do Deus bendito" que grande parte da glória de Deus é a sua felicidade. Era inconcebível para o apóstolo que se pudesse negar a Deus infinito regozijo e que Ele ainda fosse todo-glorioso. Ser infinitamente glorioso era ser infinitamente feliz. Paulo usou a expressão "a glória do Deus bendito" porque era glorioso para Deus ser tão feliz como Ele é. A glória de Deus consiste, em grande parte, de que Ele é feliz acima de toda a nossa imaginação.


SEM UM DEUS FELIZ NÃO HÁ EVANGELHO


Ainda de maneira mais notável, Paulo disse que isto faz parte do evangelho — "o evangelho da glória do Deus bendito". Uma das partes essenciais do que torna boas novas o evangelho da morte e ressurreição de Cristo é que o Deus revelado no evangelho é infinitamente alegre. Ninguém gostaria de passar a eternidade com um Deus infeliz. Se Deus fosse infeliz, então, o alvo do evangelho não seria um alvo feliz; e isso significa que não haveria evangelho, de maneira alguma. Mas, de fato, Jesus nos convida a passarmos a eternidade com um Deus supremamente feliz, quando Ele nos diz — o que dirá no fim dos tempos — "Entra no gozo do teu senhor" (Mt 25.23). Jesus viveu e morreu para que o seu gozo — o gozo de Deus — estivesse em nós e fosse completo (Jo 15.11; 17.13). Por conseguinte, o evangelho é "o evangelho do Deus bendito [feliz]"

sexta-feira, 17 de junho de 2011

Se Você Guarda Rancor, Duvida do Juiz – John Piper




No seu livro perspicaz, Christian Commitment [Compromisso cristão], Edward John Carnell descreveu esse conflito entre a afronta moral e o perdão como uma "terrível condição judicial". Ele disse: "Não podemos ignorar os atos impensados de outras pessoas; contudo, não podemos executar a pena da lei. Não temos o direito de completar o ciclo moral [...] Mesmo que não tenhamos nenhum impedimento espiritual quanto ao clamor contra a injustiça, a pureza da vida moral se deteriora no momento em que tentamos administrar a justiça".3 Não obstante, a indignação sentida geralmente vence a disputa e se apega à ofensa, pois seria moralmente repugnante proceder de forma leviana com o erro.

Agora podemos ver por que a promessa bíblica do juízo divino é crucial para nos ajudar a vencer o anseio pela vingança. Ela nos mostra a saída da "terrível condição judicial". Deus intervém como vingador para podermos reconhecer o crime; mas também para que não precisemos ser o juiz. A vingança prometida por Deus remove a legitimidade moral do anseio pessoal pela retaliação. A promessa divina diz: "Sim, uma afronta terrível foi cometida contra você. Sim, ela merece ser castigada com severidade. Sim, a pessoa ainda não sentiu o castigo. Mas, não, você não pode ser o executor do castigo, e você não pode continuar nutrindo retaliação pessoal. Por quê? Porque Deus fará a justiça ser cumprida. Deus retribuirá. Você não pode melhorar a justiça dele. Ele enxerga cada aspecto do mal feito contra você — muito mais que você pode enxergar. A justiça dele será mais profunda que qualquer justiça administrada por você". Se você guarda rancor, duvida do juiz.

Essa é a promessa de Romanos 12.19. E a pergunta para a pessoa indignada e ofendida se torna: "Você crê nessa promessa?". Em outras palavras, a questão de abrir mão da mágoa é uma questão de fé nas promessas divinas de graça futura — a graça futura do juízo sobre o ofensor. Se crermos na promessa de Deus: "Minha é a vingança; eu retribuirei", então não o depreciaremos com nossos esforços inferiores de melhorar sua justiça. Deixaremos a questão com ele e viveremos na liberdade do amor ao inimigo — não importa se o inimigo se arrepende ou não. E se ele não se arrepender? O que fazer então? Há 300 anos, Thomas Watson expressou-se muito bem: "Não somos obrigados a confiar no inimigo; mas somos obrigados a perdoá-lo".4 Não somos responsáveis por fazer a reconciliação acontecer. Somos responsáveis por buscá-la: "Façam todo o possível para viver em paz com todos" (Romanos 12.18).

COMO JESUS RESOLVEU A "TERRÍVEL CONDIÇÃO JUDICIAL"

O apóstolo Pedro mostra que o próprio Jesus lidou com a "terrível condição judicial" da mesma maneira. Nunca se pecou mais gravemente contra ninguém do que contra Jesus. Toda a animosidade contra ele foi completamente imerecida. Nunca viveu ninguém mais digno de honra que Jesus; e ninguém foi mais desonrado. Se alguém teve o direito de ficar irado e amargo e vingativo, esse foi Jesus. Como ele se controlava quando patifes, cuja própria vida ele provia, cuspiam-lhe na face?

Pedro dá a resposta nestas palavras: " 'Ele [Jesus] não cometeu pecado algum, e nenhum engano foi encontrado em sua boca. Quando insultado, não revidava; quando sofria, não fazia ameaças, mas entregava-se àquele que julga com justiça." (IPedro 2.22,23). Isso significa que Jesus tinha fé na graça futura do justo juízo divino. Ele não precisou se vingar por todos os ultrajes sofridos, pois confiou sua causa a Deus. Deixou a vingança nas mãos divinas e orou pelo arrependimento dos inimigos (Lucas 23.34).

Pedro apresenta esse vislumbre da fé em Jesus a fim de que nós também aprendamos a viver dessa maneira. Ele disse: "Para isso vocês foram chamados [suportar tratamento duro], pois também Cristo sofreu no lugar de vocês, deixando-lhes exemplo, para que sigam os seus passos' (IPedro 2.21). Se Cristo venceu a amargura e a vingança pela fé na graça futura, quanto mais devemos nós, visto que temos muito menos direito de nos queixar de tratamento injusto que ele

O Caminho da Fidelidade não é uma Linha Reta – John Piper


Outra grande lição de como a soberania da graça de Deus conduz à paciência é a história de como o templo foi reconstruído após o exílio babilônico. A maneira em que Deus age para transformar as coisas é tão surpreendente que ele mesmo deve ter sorrido. Israel esteve no exílio por décadas. Agora tinha chegado a hora, no planejamento divino, do retorno deles à terra prometida. Como isso poderia acontecer? Esta era, sem dúvida, a pergunta na mente de muitos judeus no esforço de serem pacientes em relação ao tempo de Deus. A resposta é a soberania divina sobre a vontade dos imperadores. Esdras nos conta: "no primeiro ano do reinado de Ciro, rei da Pérsia, a fim de que se cumprisse a palavra do SENHOR falada por Jeremias, o SENHOR despertou o coração de Ciro, rei da Pérsia [.,.] para construir um templo para ele em Jerusalém de Judá" (Esdras 1.1,2). Isso é absolutamente espantoso. Do nada, Deus move o coração de Ciro para que ele preste atenção nesse minúsculo povo chamado judeu, e o envia a Jerusalém para construir seu templo. Quem teria sonhado que isso pudesse acontecer desse modo? Talvez os que tivessem fé na graça futura. Mas o melhor ainda estava por vir.

Mais de 42 mil refugiados judeus voltam e recomeçam a construir o templo em Jerusalém. Imagine a alegria. Mas cuidado. O caminho da fidelidade raramente é uma linha reta para a glória. Seus inimigos em Jerusalém se opõem a eles e os desencorajam: "Então a gente da região começou a desanimar o povo de Judá e a atemorizá-lo, para que não continuasse a construção. Pagaram alguns funcionários para que se opusessem ao povo e frustrassem o seu plano. E fizeram isso durante todo o reinado de Ciro até o reinado de Dario, reis da Pérsia" (Esdras 4.4,5). Imagine a decepção e a impaciência do povo. Aparentemente Deus lhes abrira a porta para a reconstrução, e agora surgia a oposição paralisante.

Contudo, Deus possuía outro plano. E isso ocorreu para que pessoas com fé na graça futura pudessem enxergar o que simples olhos físicos não conseguem ver! Sim, o povo da terra interrompeu a construção. Mas não podemos confiar em Deus que a mesma soberania que moveu Ciro também prevaleça sobre os oponentes locais? Somos tão lentos em aprender a lição da graça soberana de Deus! Em Esdras 5.1, Deus envia dois profetas, Ageu e Zacarias, para inspirar o povo a recomeçar a construção. É verdade, os inimigos ainda estão ali. Eles tentam novamente interromper a construção do templo. Escrevem uma carta a Dario, o novo imperador. Mas o tiro sai totalmente pela culatra, e agora vemos por que Deus permitiu a pausa temporária da reconstrução.

Em vez concordar com a carta e interromper a construção do templo, Dario fez uma busca nos arquivos e encontrou o decreto original de Ciro que autorizara a construção do templo. O resultado foi espantoso. Ele respondeu com uma notícia que superou a imaginação ou os pedidos deles. Ele disse aos inimigos de Judá: "Não interfiram na obra que se faz nesse templo de Deus. [...] Além disso, promulgo o seguinte decreto a respeito do que vocês farão por esses líderes dos judeus na construção desse templo de Deus: As despesas desses homens serão inte¬gralmente pagas pela tesouraria do rei, do tributo recebido do território a oeste do Eufrates, para que a obra não pare" (Esdras 6.7,8). Em outras palavras, Deus ordenou um revés por uma época, para que o templo não fosse só reconstruído, mas pago por Dario! Se a fé pudesse captar esse tipo de graça futura, não estaria vencida a impaciência?

E para que não duvidemos que tudo isso era de fato plano de Deus, Esdras 6.22 afirma abertamente esse grande fato: "...o SENHOR os enchera de alegria ao mudar o coração do rei da Assíria, levando-o a dar-lhes força para realizarem a obra de reconstrução do templo de Deus, o Deus de Israel". Se William Cowper (1731-1800) já tivesse escrito seu grandioso hino: "God Moves in a Mysterious Way" ["Deus age de forma misteriosa"], penso que o povo de Israel o teria cantado.

Não julguem o Senhor pelos seus débeis sentidos, mas confiem na graça dele; por trás da providência sombria ele esconde um sorriso no rosto.

Viver pela fé na graça futura significa crer que "o coração do rei é como um rio controlado pelo SENHOR; ele o dirige para onde quer" (Provérbios 21.1). Deus fez isso com Ciro (Esdras 1.1); ele fez isso com Dario (Esdras 6.22) e mais tarde o fez com Artaxerxes: "Bendito seja o SENHOR, O Deus de nossos antepassados, que pôs no coração do rei o propósito de honrar desta maneira o templo do SENHOR em Jerusalém" (Esdras 7.27). Deus governa o mundo. Ele rege a história. E tudo isso ele faz para o bem do seu povo e para a glória do seu nome. "Desde os tempos antigos ninguém ouviu, nenhum ouvido percebeu, e olho nenhum viu outro Deus, além de ti, que trabalha para aqueles que nele esperam' (Isaías 64.4). O poder da paciência flui por meio da futura e soberana graça de Deus.

quinta-feira, 16 de junho de 2011

A Misericórdia de Deus na Vida dos Eleitos - por Pr Miranda


              Somente o Criador, com toda a sabedoria e conhecimento total de todos os aspectos de sua criação, junto com todo o poder, podia fazer suas próprias qualidades da justiça e da misericórdia operar em equilíbrio tão completo, que seu propósito é cumprido perfeitamente. O efeito destas qualidades sobre as pessoas que o servem as induz a fazerem exatamente o que ele predeterminou, com benefícios para todos os envolvidos.

O livro bíblico de Esdras destaca esta bela coordenação das obras de Deus, sempre feitas em harmonia com a sua santa personalidade, nunca havendo qualquer desvio de seus bons propósitos e qualidades excelentes. O apóstolo Paulo, que entendia os modos de Deus, assegura-nos: “Deus faz que todas as suas obras cooperem para o bem daqueles que amam a Deus.” — Rom. 8:28.

Esdras era descendente de Arão, Eleazar e Finéias, e, por isso, era sacerdote, embora não da linhagem do sumo sacerdote, cargo usualmente ocupado pelo filho mais velho de cada geração. (Esd. 7:1-6) O último antepassado de Esdras a ocupar o sumo sacerdócio fora Seraías (provavelmente seu bisavô), que foi executado por Nabucodonosor; por ocasião da captura de Jerusalém Esdras retornou a Jerusalém em 468 A.E.C., 69 anos depois da volta de uns 49.000 judeus, incluindo escravos, procedentes de Babilônia, sob a liderança de Zorobabel (também chamado Sesbazar), da tribo de Judá. (Nee. 7:66, 67) A narrativa de Esdras, porém, primeiro relata aspectos deste primeiro retorno, sob Zorobabel, antes de pormenorizar os fatos de sua própria visita posterior.

Reconstrução do Templo para a vinda posterior do Messias: Embora Deus tivesse permitido que Babilônia levasse seu povo ao exílio, por causa do pecado deles e de sua rebelião, destruindo o templo e desolando a cidade de Jerusalém, intencionou que o templo e a cidade fossem reconstruídos. Por quê? Para preservar a verdadeira adoração na terra. O que era mais importante, o Messias ainda havia de vir. Cumprir o propósito de Deus com respeito à vinda dele exigia que Jerusalém estivesse de pé, como cidade povoada, tendo o templo no seu meio (embora este fosse então substituído por um terceiro edifício, construído por Herodes). Além disso, era essencial que a lei de Deus fosse a força governante no país, quando viesse o Messias. Esta vinda do Messias à cidade reconstruída de Sião (Jerusalém) fora predita pelos profetas. — Dan. 9:25.

Deus sabia de antemão que haveria uns poucos, na sua condição exilada, em Babilônia, que ainda o amariam e que desejariam fazer o possível para restabelecer a adoração pura. Poderia usá-los para seu propósito. Ao passo que, antes do exílio, a grave pecaminosidade do povo havia exigido que o Deus da justiça o removesse do país, Sua misericórdia podia ser aplicada a esses poucos. Esta presciência de Deus foi revelada uns 200 anos antes, quando o profeta Isaías falou sobre a vinda dum rei, um libertador, que teria o nome de Ciro. — Isa. 44:28; 45:1.

Ciro, o Persa, sem dúvida chegou a conhecer a Yehowah. Daniel, o profeta, ocupava um cargo elevado e respeitado durante a primeira parte do governo de Ciro. (Dan. 6:28) Daniel, sem dúvida, mostrou-lhe a menção profética de seu nome na profecia de Isaías. Um erudito bíblico observou:

“A Escritura Sagrada mostra o que foi que causou uma impressão tão favorável em Ciro, por relatar o papel desempenhado por Daniel na derrubada da monarquia babilônica, Dan. v. 28, 30. Era de se admirar que o cumpridor desta predição se sentisse atraído ao profeta que a fez e devolvesse voluntariamente os vasos, que Belsazar, naquela noite, cometera o pecado de poluir?”
[1]

Deus concede misericórdia e ajuda: Admitindo a existência de outros deuses, Ciro não deve ter tido nenhuma dificuldade em encarar Yehowah como Deus, mesmo como o verdadeiro Deus, o grande Deus e Aquele que, conforme disse, lhe deu “todos os reinos da terra”. — Esd. 1:2.

A grande misericórdia de Deus, seu poder e a certeza de seu propósito são revelados na bênção que deu ao pequeníssimo número de fiéis. A maioria dos judeus, em Babilônia, havia ficado assimilada na vida comercial de Babilônia e tinha pouco ou nenhum interesse em restabelecer a adoração verdadeira. Não obstante, a misericórdia de Deus operou para com os poucos fiéis. Estes, com o objetivo de promover a adoração pura, partiram de Babilônia e chegaram a Jerusalém após usufruírem a proteção de Deus durante uma viagem perigosa através dum ermo estéril. (Isa. 35:2-10) Cercados por vizinhos hostis, construíram um altar a Yehowah e começaram a lançar o alicerce do templo. Os samaritanos ofereceram-se em participar com eles na obra, fingindo amizade. Mas, visto que eram praticantes duma forma contaminada de adoração, sua oferta foi rejeitada por Zorobabel. — Esd. 4:1-4; 2 Reis 17:29.

Deus aprovou a atitude adotada pelos israelitas restabelecidos, pois, a colaboração com tal gente os teria colocado “em jugo desigual com incrédulos”, na verdadeira adoração, tentando-se estabelecer um acordo entre o templo de Deus e os ídolos. (2 Cor. 6:14-16) Todavia, o bom ânimo do restante restabelecido começou a vacilar quando esses professos amigos passaram a causar-lhe dificuldades, por meio de sua influência no governo persa, enfraquecendo os judeus a ponto de se finalmente parar com a construção do templo. — Esd. 4:8-24.

No ínterim, a preocupação com os seus próprios lares e assuntos fizeram com que os judeus deixassem a casa de Deus jazer desolada. Mas o objetivo de Deus não havia de ser frustrado. (Ageu 1:8, 9) Ele enviou os profetas Ageu e Zacarias para fazê-los pensar novamente no objetivo pelo qual haviam retornado a Jerusalém. Eles reagiram favoravelmente e a reconstrução do templo foi começada novamente, mesmo em face de oposição. (Esd. 5:1, 2) Jeová abençoou sua destemida obediência. Em resposta à sua apelação ao Rei Dario, o Persa, os governadores das províncias vizinhas receberam ordens de deixar de impedir os judeus e de ajudá-los com qualquer assistência financeira, necessária, do tesouro público. Com tal concessão feita por Dario, a obra foi completada e o templo foi inaugurado com grande regozijo. — Esd. 6:6-12, 16-22.

A misericórdia de Deus, não a bondade dos Judeus, cumpriu o objetivo dele: Não obstante, este bom êxito na restauração da adoração pura não se devia à bondade dos judeus retornados, mas, antes, à operação da misericórdia de Deus na execução de Seu propósito. De que maneira? Porque se tornou necessário que ele enviasse seu servo Esdras. Apesar da evidente Revelação da misericórdia e proteção de Deus, os judeus restabelecidos haviam violado o princípio pelo qual se mantiveram anteriormente firmes, a saber, manter-se separados dos adoradores pagãos. Haviam então ido ao ponto de entrar na relação mais íntima — o casamento — com mulheres descrentes, idólatras. Até mesmo os sacerdotes, os levitas e os príncipes haviam sucumbido a esta desobediência pecaminosa à ordem de Deus. — Esd. 9:1, 2.

Para o leitor casual, o que esses judeus fizeram talvez não pareça tão ruim assim. Mas, considere o seguinte: Se o pequeno número de judeus que haviam retornado a Judá tivesse sido assimilado nas nações circunvizinhas, que realmente se opunham ao Deus deles e à sua adoração centralizada no templo, qual teria sido o resultado? A adoração pura teria desaparecido da terra. Ora, apenas alguns anos mais tarde, no tempo de Neemias, os filhos de tais casamentos não sabiam nem falar o hebraico! — Nee. 13:24.

Esdras podia entender as horríveis implicações de tal desobediência. Por um tempo, ficou atônito. Daí, perante os repatriados judaicos reunidos, fez uma oração pública, expondo a séria pecaminosidade e ingratidão das ações deles. Orou, em parte: “Por causa dos nossos erros, nós, nossos reis, nossos sacerdotes, fomos entregues à mão dos reis das terras com a espada, com o cativeiro e com o saque, e com vergonha na face, assim como no dia de hoje. E agora, por um pequeno instante, veio o favor da parte de Yehowah, nosso Deus, deixando restar para nós os que escapam e dando-nos um tarugo no seu lugar santo, para fazer nossos olhos brilhar, . . . E agora, que diremos depois disso, ó nosso Deus? Pois abandonamos os teus mandamentos, . . . depois de tudo o que veio sobre nós por nossos atos maus e nossa grande culpa . . . devemos novamente estar violando teus mandamentos?” — Esd. 9:7-14.

Esdras confessou assim perante Deus e todo o povo a ingratidão e iniquidade daqueles a quem Deus havia mostrado extraordinária misericórdia. Ele não pediu perdão, porque o próprio povo tinha de se arrepender e endireitar o assunto, antes de poder esperar que a ira de Deus se desviasse dele. Vendo sua própria situação má, o povo respondeu de coração contrito. Despediram suas esposas estrangeiras. Deus pôde assim perdoar-lhes e preservá-los no país. — Esd. 10:44.

De modo que a misericórdia de Deus não fora mal aplicada. Também, o cuidado que exerceu por enviar seus profetas Ageu e Zacarias, bem como a liderança que proveu por meio de Esdras, preservaram a adoração pura por algum tempo. Hoje, assim como no passado, os que procuram conhecer a Deus e entrar numa relação íntima com ele podem servir aos propósitos Dele e receber Sua misericórdia e proteção