quinta-feira, 12 de maio de 2011

Os Instrumentos de Satanás – J. I. Packer

Como é que Satanás tenta? Mediante a sua ' 'astúcia'', isto é, seu "engano" (Ef6.ll; cf. 2 Co 11.3). Normalmente, ele se mantém fora de vista, manipulando "o mundo" (estímulos externos) e "a carne" (desejos desordenados dentro de nós) como seus instrumentos de sedução. Algumas vezes, ele opera através de desejos e necessidades aparentemente inocentes (cf. Gn 3.6; Lc 4.2, 3), ou de conselhos bem intencionados de nossos amigos (cf. Mt 16.22, 23).
Não há limites para a sutileza de Satanás. Ele tem seus próprios servos, até mesmo na igreja (Mt 13.38), que fazem o papel de pastores e teólogos (2 Co 11.13-15). Claro, eles nem suspeitam que seu ensino e liderança são perversões satânicas do cristianismo, mas é isso que eles fazem, e Satanás faz intenso uso deles.' 'Quando Satanás sobe a um púlpito, ou a uma cadeira de teologia, e pretende ensinar cristianismo, quando, na realidade, o está corrompendo... pretende ensinar Introdução Bíblica, quando na realidade está deixando a impressão que a Bíblia é um livro que nem é digno de ser exposto — cuidado com ele; ele está na mais perigosa de suas obras" (R. A. Torrey, What the Bible Teaches — O que a Bíblia Ensina — p. 517). Crenças erradas acerca de Deus (por exemplo, ressentimento e desespero, cf. 2 Co 12.7), conduta condenável aos olhos do Senhor (cf. 1 Co 7.5) — essas são as finalidades táticas pelas quais Satanás trabalha, e ele dispõe de muitas maneiras de nos conduzir a elas.

Sejamos claros quanto a isso. Satanás não tem propósitos construtivos; suas táticas são simplesmente para contrariar a Deus e destruir os homens. Da mesma forma que o lema de David Livingstone era: "Para qualquer lugar, contanto que seja para a frente", assim o lema de Satanás é: "Qualquer coisa, contanto que seja contra Deus". O diabo está sempre procurando produzir incredulidade, orgulho, irrealidade, falsas esperanças, confusão mental e desobediência, como fez ao jardim do Éden. E, se ele não puder fazer isso diretamente, então ele se aplica em fazê-lo indiretamente, fomentando o desequilíbrio e a parcialidade. Viver a vida cristã é como tocar uma peça musical ao piano v se alguém toca nas teclas erradas, fracassa; se alguém toca nas teclas certas, mas erra quanto ao tempo, ritmo, volume ou interpretação, também fracassa; somente quando as notas e o estilo estão corretos é que a execução é bem-sucedida.

Satanás tanto procura prender-nos na armadilha, levando-nos a fazer aquilo que é formalmente errado, como procura distorcer aquilo que é formalmente correto, em nossos atos e em nossos hábitos, até ao ponto de torná-los errados em seus efeitos. Alguns exemplos dessa forma de distorção são os seguintes: pensamento sem ação, amor sem sabedoria, amor à verdade sem amor ao próximo, ou vice-versa, zelo em meio ao erro, ortodoxia junto com injustiça, atitude conscienciosa junto com morbidade e desespero, seletividade nos interesses pessoais em lugar daquilo que é certo ou errado. Se formos vigilantes contra Satanás em um ponto da muralha de nosso viver, ele tentará rompê-la em outro ponto, esperando por um momento quando nos sentiremos seguros e felizes, e quando, provavelmente, nossas defesas estarão fracas. Assim prosseguem os seus ataques, o dia inteiro e todos os dias.

As Nossas Armas

Que segurança temos contra os seus ataques? Como podemos evitar cair vitimados diante deles? Conforme Paulo efetivamente diz, a única esperança consiste em tomarmos "toda a armadura de Deus": o cinto da verdade (o evangelho bíblico); a couraça da justiça (a integridade de uma consciência honesta); a firmeza da postura, provida pelo evangelho da paz (a certeza de que estamos reconciliados com Deus); o escudo da fé (a confiança ativa em Cristo e em suas promessas); o capacete da salvação (a confiança no poder guardador ou conservador de Cristo, agora e para sempre); e também "a espada do Espírito, que é a palavra de Deus", a arma com a qual nosso Senhor derrotou Satanás no deserto. Tomemos essas armas, diz Paulo, "com toda oração e súplica, orando em todo o tempo, no Espírito", e não precisaremos temer os ataques do diabo. Seremos capazes de reconhecê-los e de resistir-lhes (Ef 6.11-18).

Não precisamos temer o resultado deste conflito. Pois, em primeiro lugar, Deus está sempre invalidando as tentações de Satanás. Deus nunca permitirá que sejamos tentados acima das nossas forças (1 Co 10.13) De fato, Deus nos expõe à tentação somente a fim de nos fortalecei (1 Pe 5.6-10). E, Ele tem prometido esmagar a Satanás, sob os pés do; seus servos, no devido tempo (Rm 16.20).
Então, em segundo lugar, Satanás sempre foge quando lhe resistimos. "Resisti ao diabo, e ele fugirá de vós" (Tg 4.7). Oremos ( lutemos; pecamos ao Senhor que se poste ao nosso lado e digamos Í Satanás que se afaste. E, pelo menos naquele momento, ele terá de afastar -se. É notável que, na armadura cristã, Paulo nada tenha incluído par; nos proteger as costas! Não temos promessa de proteção, se fugirmos A vitória nos é garantida sempre que ficarmos firmes. Satanás é um adversário derrotado e condenado; portanto, "resisti-lhe firmes na fé..
Ora, o Deus de toda a graça,

que em Cristo vos chamou à sua eterna glória,

depois de terdes sofrido por um pouco,

Ele mesmo vos há de aperfeiçoar, firmar,

fortificar e fundamentar.

A Ele seja o domínio,

pelos séculos dos séculos. Amém"

(1 Pe 5.9-11).

terça-feira, 10 de maio de 2011

Mellos Atividade Entre os Domingos - Po r C.S Spurgeon

              Imagino que na maioria dos lugares se faz reunião de oração numa noite da semana. Se querem que, como vocês, os membros da vossa igreja sejam conquistadores de almas para Cristo, façam tudo que puderem para manter as reuniões de oração. Não sejam como certos ministros dos subúrbios londrinos que alegam que não conseguem fazer os crentes assistirem a reunião de oração, e numa outra noite, a reunião de estudo da Bíblia; e assim fazem uma só reunião para oração, na qual incluem uma breve pregação. Outro dia, um obreiro preguiçoso disse que o estudo bíblico dá quase tanto trabalho quanto um sermão. Assim, ele faz uma reunião de oração e inclui nela uma palestra. Daí resulta que a reunião não é nem uma coisa nem outra; nem carne nem peixe. Logo a, suprimirá de uma vez, porque está convencido que não é boa - e eu estou certo de que os crentes têm também esta opinião. Depois disso, por que não há de suprimir também um dos cultos dominicais? O mesmo raciocínio sobre o trabalho do meio da semana pode ser aplicado ao do domingo.

Hoje mesmo li num jornal americano o seguinte: "Comenta-se de novo o bem conhecido fato de que na igreja de Spurgeon, em Londres, um domingo de noite em cada três meses, os ouvintes habituais se ausentam para ceder o local aos estranhos. "É excluída a jactância" inglesa neste ponto. Nosso cristianismo americano é de tão nobre classe que numerosos grupos de crentes de nossas igrejas cedem os seus lugares todos os domingos à noite, o ano inteiro, aos estranhos"! Oxalá não suceda isso com os membros das vossas igrejas, quer nos cultos de domingo, quer nas reuniões de oração.

"Em vosso lugar, eu faria da reunião de oração uma característica distintiva do meu ministério. Façam o possível para que ela seja tal que não haja outra igual num raio de sete mil quilômetros."

Em vosso lugar, eu faria da reunião de oração uma característica distintiva do meu ministério. Façam o possível para que ela seja tal que não haja outra igual num raio de sete mil quilômetros. Não sejam como muitos que vão à reunião de oração para dizer qualquer coisa que lhes ocorra no momento. Façam o melhor que puderem para tornar a reunião interessante a quantos compareçam. E não hesitem em dizer ao caro senhor Linguaraz que, Deus vos ajudando, ele não irá fazer oração de vinte e cinco minutos. Peçam-lhe encarecidamente que a abrevie, e se não atender, interrompam-no. Se um homem entrasse em minha casa querendo cortar a garganta da minha esposa, procuraria dissuadí-lo do seu erro e depois o impediria de fato de fazer qualquer mal a ela. Amo a igreja quase tanto como a minha querida esposa. Deste modo, se alguém fizer oração comprida, que vá orar em qualquer outro lugar, não porém numa reunião que eu esteja dirigindo. Se alguém não puder orar em público sem ultrapassar um espaço de tempo razoável, digam-lhe que termine em casa sua oração. E se os participantes parecem estar entorpecidos e desanimados, façam-nos cantar hinos populares. Depois, quando já os estejam cantando de cor, façam-nos retornar ao hinário da igreja.

Mantenham a reunião de oração, ainda que tudo mais fraqueje. Este é o grande empreendimento da semana, a melhor atividade realizada entre os domingos. Assegurem-se de que seja mesmo. Se virem que os crentes não podem freqüentar a reunião à noite, procurem fazê-Ia num horário em que possam vir. Numa região rural, poderiam ter uma boa reunião às quatro e meia ou cinco da manhã. Por que não? Conseguirão mais gente às cinco da manhã do que às cinco da tarde. Creio que uma reunião de oração às seis da manhã para agricultores atrairia muitos. Entrariam por um pouco, teriam algumas palavras de oração, e ficariam contentes com a oportunidade. Também poderiam ter uma reunião à meia noite. Encontrariam gente que não estaria lá em nenhuma outra hora.

"Mantenham a reunião de oração, ainda que tudo mais fraqueje. Este é o grande empreendimento da semana, a melhor atividade realizada entre os domingos."

Façam-na à uma hora, às duas, às três, a qualquer hora do dia ou da noite, de sorte que, de uma forma ou de outra, façam as pessoas irem orar. E se não puderem induzí-Ias a freqüentarem as reuniões, vão às suas casas e digam-Ihes: "Vou fazer uma reunião de oração em tua sala de visitas". "Meu caro, minha mulher ficará daquele jeito!" "Não, não. Diga-lhe que não se apoquente, pois, podemos usar a cocheira; ou o jardim, ou qualquer outro canto mas temos que fazer uma reunião de oração aqui. Se não vêm à reunião, temos que ir a eles. Imaginem como seria se cinqüenta de nós fôssemos à rua para fazer uma reunião de oração ao ar livre! Bem, há muitas coisas piores do que isso. Recordem como as mulheres da América lutaram contra os traficantes de bebidas alcoólicas, quando se empenharam em oração até que eles deixassem de praticar o contrabando. Se não podemos despertar as pessoas sem fazer coisas incomuns, pois bem, em nome de tudo que é bom e nobre façamos coisas incomuns. Mas, de algum modo temos que manter vivas as reuniões (culto) de oração, pois elas estão ligadas à verdadeira fonte de poder com Deus e com os homens.

quarta-feira, 4 de maio de 2011

A Grande Ocupação do Pastor

Esta ocupação é descrita de duas formas: primeiro, de modo geral – pregar a Palavra; segundo, entrando em detalhes – redargüir, repreender, exortar.

1. Pregar a Palavra.

A grande obra do pastor, na qual deve depositar as forças dos seu corpo e mente, é a pregação. Por fraco, passível de menosprezo, ou louco (no mesmo sentido chamaram a Paulo de louco) que possa parecer, este é o grande instrumento que Deus tem em suas mãos e para que, por ele, pecadores sejam salvos e os santos sejam feitos aptos para a glória. Aprouve a Deus, pela loucura da pregação, salvar aos que crêem. Foi para isto que nosso bendito Senhor dedicou os poucos anos de seu próprio ministério. Ó, quanta honra deu Jesus à obra da pregação ao pregar nas sinagogas, no templo ou mesmo sobre as calmas águas do mar da Galiléia! Não fez Ele a este mundo o campo de Sua pregação? Esta foi a grande obra de Paulo e de todos os apóstolos. Por isso Ele deu este mandamento: “Ide por todo mundo e pregai o evangelho”. Ó irmãos, esta é nossa grande obra! Boa coisa é visitar os enfermos, ensinar às crianças e vestir aos que estão nus. Bom é também atender ao ministério do diaconato, escrever ou ler livros. Porém, a principal e maior missão é pregar a Palavra. ”O púlpito – como disse Jorge Herbert – é nosso gozo e trono”. É nossa torre de alerta. Dela temos de avisar ao povo. A trombeta de prata nos tem sido concedida. O inimigo nos alcançará se não pregarmos o Evangelho.

O Tema. A Palavra.

Em vão pregamos se não pregarmos a Palavra, a verdade, tal como está em Cristo Jesus.

A) Não há outro tema a nos ocupar. “Vós sois minhas testemunhas”. “Este (João Batista) veio como testemunha para que testificasse a respeito da luz” (Jo 1:7). Não podemos falar de nada, senão só do que temos visto e ouvido de Deus. Não é obra do pastor aclarar temas da sabedoria humana ou expor suas próprias idéias ou teorias, mas só falar da glória e fatos do Evangelho. Devemos falar o que está contido na Palavra de Deus.

B) Pregar a Palavra, especialmente as partes mais importantes. Se você estivesse com um moribundo e soubesse que ele tinha apenas meia hora de vida, de que lhe falaria? Explicaria alguma curiosidade da Bíblia? Falaria da exigências dos mandamentos de Deus? Não lhe falaria daquilo que é mais importante: sobre sua condição de perdido em que se acha por natureza e do seu estado de inimizade com Deus, urgindo-o a arrepender-se? Não lhe contaria a respeito do amor e da morte do Senhor Jesus Cristo? Não lhe diria do poder do Espírito Santo? São estas as coisas vitais que o homem deve receber, e sem as quais perecerá. Estes são os grandes temas da pregação. Não devemos pregar tal como fez Jesus aos discípulos de Emaús, iniciando desde Moisés e passando pelos profetas, e das coisas relativas a

Ele mesmo? “Haja muito de Cristo no vosso ministério”, disse Eliot. Rowland Hill costumava dizer: “Olhe que não tenhas nenhum sermão sem os três R.: A Ruína da queda; a Justiça (righteousness, em inglês) em Cristo; e a Regeneração pelo Espírito”. Temos de pregar a Cristo para despertar as almas, confortá-las, e santificá-las. “Mas longe esteja de mim gloriar-me, senão na cruz de nosso Senhor Jesus Cristo” (Gl 6:14).

C) Pregar exatamente o que há na palavra de Deus. Quero sugerir humildemente para consideração de todos os ministros que é nossa obrigação pregar a Palavra de Deus na forma em que se acha nas suas páginas sagradas. Não é a Palavra a espada do Espírito? Não deve ser nossa grande obra tomá-la da sua bainha, limpá-la de todo mofo que a cobre e aplicar seu penetrante fio nas consciências dos homens? Certamente nossos antepassados no ministério costumavam pregar desta maneira. Brow de Haddington costumava pregar como se ele não houvesse lido outro livro senão a Bíblia. A verdade de Deus em sua desnuda simplicidade é o que o Espírito desejará honrar e bendizer grandemente. “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade”.

2. Redargüir, repreender, exortar.

A primeira obra do Espírito sobre o coração natural é redargüi-lo do pecado. Mesmo que seja o Espírito de amor e a pomba seu símbolo, mesmo que seja comparado ao doce vento e à suave brisa, apesar de tudo, sua primeira obra é convencer os homens dos seus pecados. Se os pastores estão cheios do mesmo Espírito realizarão esta obra da mesma maneira. É o método que normalmente é usado por Deus: despertar aos homens e levá-los a desesperar de sua própria justiça antes de revelar-lhes a Cristo. Assim foi com o carcereiro de Filipos. Aconteceu o mesmo a Paulo que ficou cego por três dias. Todo fiel ministro deve esforçar-se por isto. Colocar o arado sobre o terreno e não semear entre cardos e espinhos. Os homens devem ser humilhados pela Lei para ver sua culpa e miséria. Se não for assim toda nossa pregação é como “desferindo golpes no ar” (I Co 9:26). Ó, irmãos! Tem sido este o nosso ministério? Cumprimos o ministério da Palavra sensível e claramente? Eu temo que a maioria de nossas congregações tenham membros seguindo um rumo equivocado, navegando a favor da corrente, estando a ponto de entrar na eternidade não convertidos e não nascidos de novo. Estes não nos agradecerão na eternidade pelo fato de termos falado só de coisas doces a seus ouvidos carnais.

Não, talvez possam pedir-nos que falemos assim, agora, mas nos amaldiçoarão com todo ódio na eternidade. Ó, por Cristo, que cada um de nós seja achado fiel na pregação.

Exortar.

A palavra original significa consolar, falar como faz o Consolador. Esta é a segunda parte da obra do Espírito Santo, guiar a alma a Cristo para falar-lhe das boas novas. Esta é a obra mais difícil, ou a parte mais difícil do ministério cristão. João Batista fez também esta obra: “Eis o Cordeiro de Deus”. Isaías disse: “Consolai-os, consolai-os”. Tal foi a ordem do nosso Senhor: “Ide e pregai o evangelho a toda criatura…”. As boas novas fazem formosos os pés dos que anunciam coisas boas (Rm 10:15). O pastor tem de pregar acerca de um todo poderoso, completo e livre Salvador divino.

É aqui que há um defeito na pregação de minha amada Escócia de hoje. Muitos pastores estão acostumados a mostrar Jesus diante do povo. Expõem de forma clara e bela o Evangelho, porém não urgem aos homens para que entrem no reino. Mas Deus diz: Exorta! (roga aos homens); persuade-os! Não somente mostre a porta estreita aberta, mas insta-os a que entrem por ela. Ó, sejamos mais misericordiosos para com as almas, para que possamos por nossas mãos sobre os homens e os guiemos com suave a doce contato ao Senhor Jesus.

Rev. Robert Murray McCheyne (The Banner of Truth Trust

quinta-feira, 28 de abril de 2011

A Imagem de Deus - Pr. J Miranda

Gênesis 1:27: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou”.
As Escrituras ensinam (Gn 1.26-27; 5.1; 9.6; 1Co 11.7; Tg 3.9) que Deus fez o homem e a mulher à sua própria imagem, assim de que os seres humanos são semelhantes a Deus, como nenhuma outra criatura terrena é. A dignidade especial dos seres humanos está no fato de, como homens e mulheres, poderem refletir e reproduzir – dentro de sua própria condição de criaturas – os santos caminhos de Deus. Os seres humanos foram criados com esse propósito, e, num sentido, somos verdadeiros seres humanos na medida em que cumprimos esse propósito.

O que tudo envolve essa imagem de Deus na humanidade não está especificado em Gn 1.26-27, mas o contexto da passagem nos ajuda a defini-lo. O texto de Gn 1.1-25 descreve Deus como sendo pessoal, racional (dotado de inteligência e vontade), criativo, governando o mundo que criou, e um ser moralmente admirável (pois tudo o que criou é bom). Assim, a imagem de Deus refletirá essas qualidades. Os versículos 28-30 mostram Deus abençoando os seres humanos que acabara de criar, conferindo-lhes o poder de governar a criação, como seus representantes e delegados. A capacidade humana para comunicar-se e para relacionar-se tanto com Deus como com outros seres humanos aparece como outra faceta dessa imagem.
Por isso, a imagem de Deus na humanidade, que surgiu no ato criador de Deus, consiste em: (a) existência do homem como uma “alma” ou “espírito” (Gn 2.7), isto é, como ser pessoal e autoconsciente, com capacidade semelhante à de Deus para conhecer, pensar e agir; (b) ser uma criatura moralmente correta – qualidade perdida na queda, porém agora progressivamente restaurada em Cristo (Ef 4.24; Cl 3.10); (c) domínio sobre o meio ambiente; (d) ser o corpo humano o meio através do qual experimentamos a realidade, nos expressamos e exercemos domínio e (e) na capacidade que Deus nos deu para usufruir a vida eterna.
A queda deformou a imagem de Deus não só em Adão e Eva, mas em todos os seus descendentes, ou seja, em toda a raça humana. Estruturalmente, conservamos essa imagem no sentido de permanecermos seres humanos, mas não funcionalmente, por sermos agora escravos do pecado, incapazes de usar nossos poderes para espelhar a santidade de Deus. A regeneração começa em nossa vida o processo de restauração da imagem moral de Deus. Porém, enquanto não formos inteiramente santificados e glorificados, não podemos refletir, de modo perfeito, a imagem de Deus em nossos pensamentos e ações – como fomos criados para fazer e como o Filho de Deus encarnado refletiu na sua humanidade (Jo 4.34; 5.30; 6.38; 8.29,46).

Fonte: Bíblia de Estudo de Genebra, Nota Teológica, página 10.

Deus Escolheu Homens para: Diáconos; Presbíteros e pastores - Por Pr. Miranda

Tenho plena certeza que, a liderança da igreja foi entregue pelo Senhor Jesus e por seus apóstolos a homens cristãos qualificados. E este padrão, claramente encontrado na Bíblia, vale como norma para nossos dias, pois se baseia em princípios teológicos e não culturais. Reflita no seguinte:

• Embora mulheres tenham sido juízas e profetisas (Jz 4.4; 2Re 22.14) em Israel nunca foram ungidas, consagradas e ordenadas como sacerdotisas, para cuidar do serviço sagrado, das coisas de Deus, conduzir o culto no templo e ensinar o povo de Deus, que eram as funções do sacerdote (Ml 2.7). Encontramos profetisas no Novo Testamento, como as filhas de Felipe (At 21.9; 1Co 11.5), mas não encontramos sacerdotisas, isto é, presbíteras, pastoras, bispas, apóstolas. Apelar à Débora e Hulda, como MUITAS FAZEM, prova somente que Deus pode usar mulheres para falar ao seu povo. Não prova que elas tenham que ser ordenadas.
• Muitos(a) pensam que, Jesus não escolheu mulheres para apóstolas porque ele não queria escandalizar a sociedade machista de sua época. Será, Irmãos? O Senhor Jesus rompeu com vários paradigmas culturais de sua época. Ele falou com mulheres (Jo 8.10-11), inclusive com samaritanas (Jo 4.7), quebrou o sábado (Jo 5.18), as leis da dieta religiosa dos judeus (Mt 7.2), relacionou-se com gentios (Mt 4.15). Se ele achasse que era a coisa certa a fazer, certamente teria escolhido mulheres para constar entre os doze apóstolos que nomeou. Mas, não o fez, apesar de ter em sua companhia mulheres que o seguiam e serviam como Maria Madalena, Marta e Maria sua irmã (Lc 8.1-2).
• Os apóstolos, por sua vez, quando tiveram a chance de incluir uma mulher no círculo apostólico em lugar de Judas, escolheram um homem, Matias (At 1.26), mesmo que houvesse mulheres proeminentes na assembléia, como a própria Maria, mãe de Jesus (At 1.14-15) – que escolha mais lógica do que ela? E mais tarde, quando resolveram criar um grupo que cuidasse das viúvas da igreja, determinaram que fossem escolhidos sete homens, quando o natural e cultural seria supor que as viúvas seriam mais bem atendidas por outras mulheres (Atos 6.1-7).
• Nas instruções que deram às igrejas sobre presbíteros e diáconos, os apóstolos determinaram que eles deveriam ser marido de uma só mulher e deveriam governar bem a casa deles – obviamente eles tinham em mente homens cristãos (1Tm 3.2,12; Tt 1.6) e não mulheres, ainda que capazes, piedosas e dedicadas, como você. E mesmo que reconhecessem o importante e crucial papel da mulher cristã no bom andamento das igrejas, não as colocaram na liderança das comunidades, proibindo que elas ensinassem com a autoridade que era própria do homem (1Tm 2.12), que participassem na inquirição dos profetas, o que poderia levar à aparência de que estavam exercendo autoridade sobre o homem (1Co 14.29-35). Eles também estabeleceram que o homem é o cabeça da mulher (1Co 11.3; Ef 5.23), uma analogia que claramente atribui ao homem o papel de liderança.
Conclusão: O homem é o cabeça da mulher a partir de um encadeamento hierárquico que tem início em Deus Pai, descendo pelo Filho, pelo homem e chegando até a mulher (1Co 11.3).[1] Este argumento me parece bem teológico, como aquele que faz uma analogia entre marido e mulher e Cristo e a igreja, “o marido é o cabeça da mulher como Cristo é o cabeça da igreja” (Ef 5.23). Não consigo imaginar uma analogia mais teológica do que esta para estabelecer a liderança masculina. E quando Paulo restringe a participação da mulher no ensino autoritativo –que é próprio do homem – argumenta a partir do relato da criação e da queda (1Tm 2.12-14).[2]
Não existe na Palavra de Deus argumento para as mulheres exercerem O: DIACONATO; PREBITERADO E PASTORADO. Esse ministério foi confiado a HOMENS.

Pesquisa: Bíblia de Estudos de Genebra; Artigo do Pr. A. Nicodemos