quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O conhecimento que Deus tem das contingências: Conhecimento Médio - Por John Frame


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Entre o conhecimento necessário e o livre, alguns teólogos definem uma terceira categoria do conhecimento divino a que chamam conhecimento "médio". William Lane Craig distingue as três formas de conhecimento divino como segue:
1. Conhecimento natural: o conhecimento que Deus tem de todos os mundo possíveis. O conteúdo desse conhecimento é essencial para Deus.
2. Conhecimento médio: o conhecimento que Deus tem do que toda possível criatura livre faria em qualquer possível conjunto de circunstâncias e, daí, o conhecimento dos possíveis mundos possíveis que Deus pode tornar reais. O conteúdo desse conhecimento não é essencial para Deus...
3. Conhecimento livre: o conhecimento que Deus tem do mundo real. O conteúdo desse conhecimento não é essencial para Deus. [69]

Essas distinções foram criadas primeiramente pelo jesuíta espanhol Luis Molina (1535-1600), e foram adotadas por outros jesuítas, pelos socianos, pelos arminianos, por alguns luteranos e pelos calvinistas de Saumur, seguidores de Amiraldo. Os tomistas e a corrente principal dos reformados em geral têm rejeitado essa ideia. Em anos recentes, vários filósofos cristãos, entre eles Craig e Alvin Plantinga adotaram esse conceito. [70]

Dada a definição de Craig, é difícil ver, de início, por que os teólogos reformados fazem objeção a esse conceito. É certo que Deus sabe o que toda criatura livre fará ou faria em todas as circunstâncias possíveis.[71] Os exemplos bíblicos mais frequentemente citados são apropriados. Em 1 Samuel 23.7-13, Davi estava numa cidade chamada Queila, quando Saul chegou querendo mata-lo, Davi perguntou ao Senhor se, caso ele ficasse em Queila, os habitantes dali o entregariam a Saul. Deus respondeu que sim (v.12), e então Davi retirou-se daquela cidade. Nesse caso, Deus expressou seu conhecimento, não do que realmente aconteceria (pois os moradores de Queila nunca tiveram oportunidade de trair Davi), mas do que aconteceria em outras circunstâncias. Portanto, Deus sabia o que os habitantes daquela cidade fariam se as circunstâncias fossem diferente das que prevaleceram. Como os filósofos às vezes expressam, ele conhecia a verdade de um fato contrário condicional: Se Davi permanecesse ali, os habitantes de Queila o traíram.

A outra passagem frequentemente citada quanto a isso é Mateus 11.2-24. Nessa passagem, Jesus declara que, se os habitantes de Tiro, Sidom e Sodoma tivessem visto os milagres de Jesus, ter-se-iam arrependido.[72] De fato, eles não viram os milagres, e portanto, não tiveram oportunidade de arrepender-se. Mas Jesus sabia que elesteriam feito em outras circunstâncias. Vê-se, pois, que Jesus, nesse caso, expressou conhecimento de um fato contrário condicional.

É evidente que essas passagens não têm o propósito de defender pontos teológicos técnicos acerca do conhecimento eterno de Deus. Talvez não devamos insistir em interpretações precisamente literais. Mas, dando por aceitos os argumentos anteriores presentes neste livro, fica claro que Deus, governando todas as coisas pelo seu decreto eterno, sabe do que cada coisa é capaz e qual seria o resultado de qualquer alteração que se fizesse em seu plano.

Na verdade, na Escritura Deus fala muitas vezes do que aconteceria em condições diferentes das que realmente ocorrem. Deus diz repetidas vezes, de diferentes maneiras, que, se Israel fosse fiel, receberia todas as bênçãos de Deus na terra da promessa. Essa declaração é verdadeira; mas é fato contrário condicional. O certo é que Israel nunca demostrou essa fidelidade (exceto, é claro, na pessoa do remanescente, Jesus Cristo). Também é certo que, digamos, se Paulo não se arrependesse e não cresse, ele se perderia. Frequentemente a Escritura descreve a possibilidade contrária aos fatos a fim de manifestar a graça e a justiça de Deus. [73]

De um ponto de vista reformado, porém, é difícil ver por que esse tipo de conhecimento divino deva ser isolado como um terceiro tipo de conhecimento, ao lado do conhecimento necessário e livre. Observem que, na definição de Craig, o conhecimento necessário é um "conhecimento de todos os mundos possíveis que Deus pode vir a tornar reais". Qual a diferença entre esses tipos? Haverá mundos que são genuinamente possíveis, mas que Deus não pode tornar reais? Que é um "mundo possível", se não um mundo que Deus pode tornar real?

E por que não deveríamos incluir os possíveis atos de criaturas livres (na definição 2) como ingredientes dos possíveis mundos da definição 1? Quando Deus conhece mundos possíveis, não conhece ele também, em virtude desse conhecimento, todas as possíveis criaturas livres e seus possíveis atos? Assim, de um ponto de vista reformado, não há razão pela qual devamos considerar o conhecimento que Deus tem das contingências sob a categoria do conhecimento necessário.

Devemos, pois, rejeitar a afirmação de Craig de que esse conhecimento "não é essencial para Deus". Claro está que esse conhecimento trata de criaturas, e as criaturas não são necessárias para Deus. Mas trata com criaturas possíveis, não reais, e de seus atos em possíveis circunstâncias, não ato reais. Portanto, esse conhecimento não depende do decreto divino de criar um mundo real. Deus sabe quais criaturas e quais atos próprios da criatura são possíveis, simplesmente porque ele conhece a si mesmo. Ele sabe o que ele pode fazer. Deus conhece essas possibilidades simplesmente por conhecer a sua natureza. E o seu conhecimento de sua própria natureza é necessário.

Mas essa abordagem do conhecimento que Deus tem das contingências não foi satisfatória para Molina e para outros expoentes do conhecimento médio. Para entender a razão disso, devemos observar que o termo livre na definição 2 de Craig refere-se à liberdade libertária. E, na verdade, a maioria dos defensores do conhecimento médio como uma categoria teológica distinta tem sustentado ideias libertárias. A verdade é que muitos do entusiasmo deles pelo conhecimento médio deve-se ao fato de que ele fornece um vocabulário para falar do conhecimento que Deus tem dos atos próprios da criatura que são livres no sentido libertário.

Assim, se o libertarismo é verdadeiro, seguir-se-ia que o conhecimento médio seria de fato distinto do conhecimento necessário de Deus. Isso porque, segundo essa visão, Deus não conhece os possíveis atos livres das criaturas por meramente conhecer a si próprio. Desde que ele não causa os livres atos delas, não pode conhecer seus atos livres, ou seus possíveis atos livres, sem conhecer as cristuras propriamente ditas.

No capitulo 8, argumentei que o libertarismo é falso -  e até mesmo incoerente. Aqui devo acrescentar que o libertarismo introduz incoerência nessa discussão também. Para vermos isso, sigamos mais um pouco a argumentação de Craig:

Pelo seu conhecimento médio, Deus conhece todos os mundos possíveis que ele poderia criar e o que cada criatura livre faria em todas as várias circunstâncias desses mundos possíveis. Por exemplo, Deus sabe que Pedro, se ele existisse e fosse colocado em certa circunstância, negaria a Cristo três vezes. Por uma livre decisão de sua vontade, Deus então escolheu criar um desses mundos possíveis... Assim, Deus consegue saber os atos futuros livres com base no seu conhecimento médio e a sua vontade criativa. [74]

De acordo com a visão de Craig, Deus considera todos os mundos possíveis pelo seu conhecimento médio e, então, ele escolhe criar um deles. No mundo que ele escolhe criar, alguém chamado Pedro existe, e este, nessas circunstâncias criadas, negará Cristo três vezes. Observem que eu disse "negará", não "poderia negar" ou "talvez negasse". Uma vez que Deus cria um mundo (incluindo uma história do mundo), isso inclui a negação de Pedro, e essa negação é inevitável.


Sendo assim, que lugar há nesse cenário para a liberdade libertária? Uma vez que Pedro foi criado, sua negação é inevitável - é determinada, pode-se dizer. Craig, empregou o conceito do conhecimento médio a fim de sustentar a liberdade libertária junto com o conhecimento divino. Mas no momento da terrível decisão de Pedro, como se pode dizer que ele teve liberdade libertária? Antes, ele só pôde negar Jesus porque vivia num mundo no qual essa negação é um ingrediente. Deus determinou, antes de Pedro nascer, que ele trairia Jesus.

Craig não vê isso desse modo. Ele acredita que Deus decidiu criar este mundo baseado no seu conhecimento do que o criável Pedro escolheria livremente (no sentido libertário), e em seu conhecimento de outras criaturas criáveis neste mundo criável. Mas, como pode Pedro fazer uma livre escolha libertária quando faz parte de um mundo no qual os acontecimentos de sua vida, inclusive a sua negação de Jesus, foram decididos antes do seu nascimento?

Na verdade, quando Deus "escolheu criar um daqueles mundos possíveis", não estava preordenando tudo o que viria a suceder nesse mundo? Craig pode dizer que a escolha de Deus foi motivada pelo conhecimento que ele tinha das livres escolhas libertárias de Pedro, mas que a escolha de Deus propriamente dita limitou necessariamente as livres escolhas libertárias de Pedro, de modo que ele não tinha mais esse tipo de livre-arbítrio.

As livres escolhas libertárias, como vimos no capítulo 8, são escolhas com absolutamente nenhum empecilho. Os defensores do libertarismo frequentemente mostram que não entendem a diversidade que existe entre os tipos de liberdade, dependendo dos diferentes tipos de objetivos, habilidades e empecilhos. Eles tendem a pensar que as únicas alternativas são "algum empecilho" e "nenhum empecilho". Vê-se que Craig, aqui, não compreende que a criação de Deus de um mundo possível é de fato um empecilho às livres escolhas libertárias das criaturas. Se Deus escolheu criar um mundo de certa maneira, nenhuma criatura pode, depois, escolher fazer um mundo diferente. Pode haver outros empecilhos não presentes na situação de Pedro, mas a preordenação divina de um mundo em particular o impede de tomar quaisquer outras decisões que não as que ele toma.

Craig gostaria de acreditar que o conhecimento médio concilia a soberania divina com a liberdade libertária.[75] A verdade é que isso não acontece. Se a criação divina com base no conhecimento médio significa alguma coisa, significa que o libertarismo está excluído. Craig é incoerente ao afirmar tanto o libertarismo como o ato divino de concretizar um completo mundo possível, incluindo todas as escolhas feitas pelas criaturas.

Se abandonarmos o libertarismo, abandonaremos o sentido tradicional do conhecimento médio, e então, como eu disse anteriormente, não haverá razão para distinguir o conhecimento de Deus das contingências do seu necessário conhecimento de si mesmo. Contudo, continua sendo importante afirmarmos o conhecimento de Deus dos possíveis atos das criaturas possíveis e reais, e do que elas farão ou fariam em todas as circunstâncias. No capitulo 8, sugeri que esse conhecimento é, na verdade, parte da base racional da criação. Deus cria o mundo de acordo com seu plano eterno, mas esse plano pressupõe o seu conhecimento de mundo criáveis e possíveis e, realmente, o seu pré-conhecimento do mundo real. Deus preordena tudo o que vem a acontecer, mas ele não preordena na ignorância. Ele sabe e entende o que preordena e o que escolhe não preordenar. Portanto, a integridade das criaturas (cap.8) é parte integrante do plano de Deus desde o princípio.

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Notas:
[69] William Lane Craig. The only wise God (Grand Rapids: Baker, 1987), 131.
[70] Plantinga, The nature os necessity (Oxford: Clarendon Press, 1974), 169-80
[71]Heppe registra Gomarus, Walaeus, Crocius e Alsted como teólogos reformados que sustentavam o conhecimento médio nesse sentido. Ver RD [Reformed dogmatics] Ver também DG [The doctrine of God - Herman Bavinck], 192.
[72]Eles estão sendo comparados com os habitantes das cidades de Corazim, Betsaida e Cafarnaum, que viram as obras realizadas por Jesus, e, todavia, não creram.
[73]Talvez seja possível inferir da Escritura o que teria acontecido com a humanidade, se Adão e Eva não tivessem caído em pecado; em decorrência disso, tem havido muitas discussões teológicas sobre esse fato condicional.
[74]Craig, The only wise God, 133
[75]Ibid., 133-138.

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Fonte: FRAME, John. A doutrina de Deus; São Paulo; Cultura Cristã, 2013. Págs. 381-384.

terça-feira, 4 de agosto de 2015

Cristianismo sem igreja existe?


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Um cristianismo sem igreja é a mesma coisa de um cristianismo sem Cristo? Um cristianismo sem Cristo é quando Deus e Jesus são importantes, porém como partes do elenco. Ou seja, Eles são apenas coadjuvantes e não os diretores de toda história. No entanto, um cristianismo sem igreja é parte resultante do cristianismo sem Cristo, pois se Cristo e Deus já não são mais Senhores de tudo e de todos, logo, a Sua Palavra já não vale de nada.

Diante disso, nós sabemos que todo tipo de confissão ou credo serve para definir aquilo que cremos ser verdadeiro, por isso que o Catecismo de Heidelberg têm 129 perguntas, e hoje nós veremos as perguntas e respostas 54 a 56.
54. O que você crê sobre "a santa igreja universal de Cristo"?
R. Creio que o Filho de Deus (1) reúne, protege e conserva (2), dentre todo o gênero humano (3), sua comunidade (4) eleita para a vida eterna (5). Isto Ele fez por seu Espírito e sua Palavra (6), na unidade da verdadeira fé (7), desde o princípio do mundo até o fim (8). Creio que sou membro vivo (9) dessa igreja, agora e para sempre (10). 
(1) Jo 10:11; Ef 4:11-13; Ef 5:25,26. (2) Sl 129:4,5; Mt 16:18; Jo 10:16,28. (3) Gn 26:4; Is 49:6; Rm 10:12,13; Ap 5:9. (4) Sl 111:1; At 20:28; Hb 12:22,23. (5) Rm 8:29,30; Ef 1:10-14; 1Pe 2:9. (6) Is 59:21; Rm 1:16; Rm 10:14-17; Ef 5:26. (7) Jo 17:21; At 2:42; Ef 4:3-6; 1Tm 3:15. (8) Is 59:21; 1Cor 11:26 (9) Rm 8:10; 1Jo 3:14,19-21. (10) Sl 23:6; Jo 10:28; Rm 8:35-39; 1Co 1:8,9; 1Pe 1:5; 1Jo 2:19. 
55, Como você entende as palavras: "a comunhão dos santos"?
R. Primeiro: entendo que todos os crentes, juntos e cada um por si, têm, como membros, comunhão com Cristo, o Senhor, e todos os seus ricos dons (1). Segundo: que todos devem sentir-se obrigados a usar seus dons com vontade e alegria para o bem dos outros membros (2). 
(1) Rm 8:32; 1Co 6:17; 1Co 12:12,13; 1Jo 1:3. (2) 1Co 12:21; 1Co 13:1-7; Fp 2:2-5. 
56. O que você crê sobre "a remissão dos pecados"?
R. Creio que Deus, por causa da satisfação em Cristo, jamais quer lembrar-se de meus pecados (1) e de minha natureza pecaminosa (2), que devo combater durante toda a minha vida. Mas Ele me dá a justiça de Cristo (3), pela graça, e assim nunca mais serei condenado por Deus (4). 
(1) Sl 103:3,10,12; Jr 31:34; Mq 7:19; 2Co 5:19. (2) Rm 7:23-25. (3) 2Co 5:21; 1Jo 1:7; 1Jo 2:1,2. (4) Jo 3:18; Jo 5:24. 
O Catecismo vai nos mostrar em rápidas palavras o que é uma igreja e qual a sua função:
A palavra “Igreja” significa “reunião” ou “assembleia”. A definição mais simples de igreja é uma comunidade de pessoas que foram chamadas pelo Espirito Santo, por intermédio da Palavra, para ser o povo de Deus. E é por intermédio da Palavra e do Espirito, como diz o Catecismo, que Cristo defende preserva a Igreja. Portanto, o culto é o meio ordenado por Deus para que haja preservação de Seu povo, pois é no culto que nós servimos a Deus por meio de orações, cânticos, confissões e ofertas. Se não temos prazer no culto, não temos prazer em Deus e rejeitamos o sacrifício de Cristo, porque foi por meio do sangue do Cordeiro que temos comunhão com Deus. 
Paulo nos diz em Efésios que Cristo, ao subir aos céus, concedeu dons aos homens (Ef 4.8). No entanto, como podemos mostrar esses dons? Por intermédio da “comunhão dos santos”. Paulo nos diz que o desenvolvimento de nossos dons devem ser para a edificação da Igreja (1Co 14.26) e não para o gozo próprio. 
Uma das formas que a Bíblia demonstra o senhorio de Cristo é por intermédio da remissão de nossos pecados. Porém, o sacrifício realizado por Cristo não foi somente para a remissão, mas também para a nossa compra (1Pe 1.18,19). Cristo é o Senhor de tudo, tanto por ser o nosso criador, quanto por nos redimir e comprar. A frase “remissão de pecados” faz parte do credo sobre a igreja comunhão dos santos, pois somente pelo sangue do Cordeiro temos comunhão com Deus e essa comunhão deve ser vista na igreja com os irmãos. 
Esses três tópicos levantados acima nos faz refletir sobre a necessidade da igreja em meio à um movimento crescente no Brasil, os desigrejados. Os adeptos deste movimento professam crer em Cristo, mas entendem que não há necessidade de reuniões em locais construídos por mãos humanas para adorarem a Deus. 

Uma coisa nós sabemos, Deus não habita em templos feitos por mãos humanas (At 7.48). No entanto, o testemunho bíblico nos diz claramente que todos os que se achegam a Cristo possuem o desejo de congregar, de participar do partir do pão e aprender mais da doutrina dos apóstolos.

Se eu não tenho prazer de estar com meus irmãos em culto, em estudos, em encontros, ou qualquer coisa que mostre a comunhão dos salvos, nós não poderemos ansiar ardentemente pela vinda de Cristo e a nossa reunião com Ele. Pois, disse Jesus, que haverá um só rebanho (Jo 10.16) e estaremos de pé diante do trono clamando a Deus com grande voz (Ap 7.9,10). 

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Autor: Denis Monteiro
Fonte: Bereianos

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Como ver a Perfeição de Deus! | Jonathan Edwards (1703-1758)



“Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”.

- Salmos 46:10 -

Deus é um ser absoluta e infinitamente perfeito, e é impossível que Ele venha a fazer o mal. Como Ele é eterno e não recebe a sua existência a partir de qualquer outro, ele não pode ser limitado em seu ser, ou qualquer atributo, a qualquer certa quantidade determinada.

Se alguma coisa tem limites fixados para ele, deve haver algum motivo ou razão por que esses limites são fixos exatamente onde eles estão. Seguirá que cada coisa limitado deve ter alguma causa e, portanto, o ser que não tem causa deve ser ilimitado. É completamente evidente nas obras de Deus que o seu entendimento e poder são infinitos.

Porque o que tem feito todas as coisas a partir do nada e sustenta e governa e administra todas as coisas a cada momento, em todas as eras, sem jamais ficar cansado, deve ter necessariamente um poder infinito. Ele também deve ser de um conhecimento infinito, pois se Ele fez todas as coisas e sustenta e governa todas as coisas continuamente, seguirá que Ele conhece e perfeitamente vê todas as coisas, grandes e pequenas, no céu e na terra, continuamente em um único ponto de vista, o que não pode ser sem uma compreensão infinita. Sendo assim, infinito em conhecimento e poder, Ele também deve ser perfeitamente santo, pois impiedade argumenta sempre para algum defeito, alguma cegueira, alguma incapacidade. É impossível que a maldade possa ser composta com a luz infinita. Deus é infinito em poder e conhecimento, ele deve ser então  auto-suficiente e totalmente suficiente.

Portanto, é impossível que Ele deve estar sob qualquer tentação de fazer algo errado, pois Ele não pode ter um fim em fazê-lo. Porque todos os que são tentados a fazer algo errado,  sempre são motivados para fins egoístas. Mas como pode ​​um Ser auto-suficiente, que não necessita de nada, ser tentado a fazer o mal para fins egoístas? Então, Deus é essencialmente santo, e nada é mais impossível do que Deus fazer o mal. Na graça que resgata e não mão justa que pune eternamente, Ele é o eterno, justo, bom e santo Deus.


 

domingo, 2 de agosto de 2015

Desejo do pecador – Por Pr J Miranda



O pecador espiritualmente despertado o que ele mais deseja é o perdão de seus pecados.

Texto: Miquéias 7.18   Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniqüidade e te esqueces da transgressão do restante da tua herança? O SENHOR não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na misericórdia.

7.19   Tornará a ter compaixão de nós; pisará aos pés as nossas iniqüidades e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar.

7.20   Mostrarás a Jacó a fidelidade e a Abraão, a misericórdia, as quais juraste a nossos pais, desde os dias antigos.

O perdão do pecado é aquilo que o pecador espiritualmente despertado mais deseja. Todavia, é possível o perdão? Sem a Bíblia jamais saberíamos se tal perdão seria possível. Vemos, nas Escrituras, que Deus fala de Sua misericórdia desde os dias mais antigos: "O Senhor... perdoa a iniquidade, a transgressão e o pecado" (Ex. 34:7).


Na Bíblia Deus fala de muitos modos a respeito do Seu perdão, como também sobre a pecaminosidade humana, de muitas maneiras diferentes. Os pecadores são descritos como "corrompidos" e "abomináveis". O perdão de Deus é descrito como "limpeza" e "cobertura". Os pecadores são descritos como "devedores" e "sobrecarregados". O perdão é apresentado como "apagador" de dívidas e como "levantador" do abatido. As ofensas "vermelhas" são tornadas brancas "mais que a neve". O perdão de Deus é inteiramente adequado ao teu pecado!


Nosso objetivo: É certifica a igreja que o perdão de Deus para o pecado é gratuito, pleno e eterno.



1- Este perdão é gratuito. Não há condições para serem cumpridas antes dele ser dado. Os exemplos das Escrituras tornam isso bem claro. Que condições Saulo de Tarso teve de cumprir antes de ser perdoado? Nenhuma! Ele era um inimigo de Deus. Foi perdoado não porque tivesse cumprido certas condições, mas, "para que em mim, o principal pecador, evidenciasse Jesus Cristo a Sua completa longanimidade e servisse eu de modelo a quantos hão de crer nele para a vida eterna" (I Tim. 1:16). Paulo, sem merecer, foi perdoado como "um modelo" para nós, da graça perdoadora de Deus.

Que condições Zaqueu, ou a samaritana, ou o carcereiro de Filipos cumpriram para obterem o perdão? Nenhuma, de fato! Nenhum deles merecia ser perdoado. Outros exemplos também poderiam ser citados, porém contentar-me-ei com apenas mais um. Que condições o ladrão moribundo teve de cumprir para ser perdoado? Também nenhuma! Ele era um notório pecador. Teria ele razão para esperar uma resposta feliz à sua oração: "Lembra-te de mim..."? Seu perdão foi unicamente um ato da graça de Deus! E o fato de só ele ter sido perdoado, dos dois ladrões, é um ato da graça discriminativa.


Ainda que este perdão seja gratuito para os pecadores, nunca devemos esquecer-nos de que Cristo pagou um alto preço por ele. Perdão para a menor das nossas ofensas só se tornou possível porque Cristo cumpriu as mais aflitivas condições, — Sua encarnação, Sua perfeita obediência à lei divina e Sua morte na cruz. O perdão que é absolutamente gratuito ao pecador teve um alto custo para o Salvador. Entretanto, no exato momento de pagar esse preço, como para mostrar que ele não foi pago em favor de pessoas justas ou dignas aos seus próprios olhos, Jesus moribundo perdoou livremente o ladrão. É evidente que o perdão vem pela graça, e a graça é favor dado sem o cumprimento de quaisquer condições preestabelecidas.


Penso que já foram apresentados fatos suficientes para provar que o perdão é gratuito. Eu poderia facilmente acrescentar outros fatos. Mas deixo-os de lado e só quero lembrar-te de um versículo marcante: "Quando éramos inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de Seu Filho" (Rom. 5:10). Está claro, então, que o perdão não foi dado por qualquer coisa boa que tais "inimigos" tivessem feito!


2- Este perdão é pleno. Mesmo só um pecado traz a maldição da lei sobre o pecador. O perdão deve ser pleno o suficiente para incluir cada pecado, e deve abranger os piores pecados, não importando quão perversos eles sejam, ou de outro modo tal perdão seria inadequado. Uma pessoa com um só pecado não perdoado, está perdida.

O sangue de Cristo tem valor infinito por causa da gloriosa dignidade dAquele que o derramou. A morte de Cristo é capaz de "nos purificar de toda injustiça" (I Jo. 1:9), e isso significa que nos pode purificar de cada pecado, por pior que seja, e de todos os pecados, não importando quão numerosos sejam eles.


Podemos muito bem clamar: "Quem, ó Deus, é semelhante a ti, que perdoas a iniquidade e esqueces da rebelião do restante da tua herança. O Senhor não retém a sua ira para sempre, porque tem prazer na benignidade. Tornará a apiedar-se de nós; subjugará as nossas iniquidades, e lançará todos os nossos pecados nas profundezas do mar" (Miq. 7:18-19).

Venha, então, trêmulo pecador! Pense nas riquezas da graça! Não permitas que nenhum pecado, ou mesmo uma multidão deles, te leve ao desespero. Deus nunca confere o Seu favor por causa do merecimento do pecador e nunca o nega por causa do seu demérito. A graça é livre e plena. Descanse sobre esta verdade!

3- Este perdão é para sempre. Esta é a coroação final de um perdão completo. Ele é irreversível. As Escrituras dizem isto claramente: "... de seus pecados não me lembrarei mais" (Heb. 8:12). Esta promessa não é condicional, e sim absoluta. Não depende do perfeito comportamento subsequente do pecador (Se dependesse, então esse perdão certamente fracassaria e não poderia ser mantido). Depende do valor eterno da morte expiatória do Senhor e da inabalável fidelidade de Deus. "Quanto está longe o oriente do ocidente, assim afasta de nós as nossas transgressões" (Sal. 103:12). "Quem intentará acusação contra os escolhidos de Deus? É Deus quem os justifica" (Rom. 8:33). Estas fortes expressões significam que o perdão jamais poderá ser revertido.

O fato de Deus castigar Seus filhos quando eles pecam, não significa que eles possam perder o seu perdão. O castigo que lhes impõe é evidência do Seu amor e do Seu interesse por eles, e não um sinal de que os está rejeitando.
O fato dos crentes orarem continuamente para que Deus lhes perdoe os pecados, não significa que eles já não estejam perdoados. Eles buscam a consciência de que foram perdoados. Não vamos imaginar que toda vez que eles pecam, arrependem-se, confessam o seu pecado e pedem perdão, Deus realiza novos atos de perdão. Contudo, eles precisam conscientizar-se sempre de que o perdão já lhes pertence, por serem filhos de Deus.

Quão glorioso, portanto, é o perdão que procede da graça de Deus. Quão completo é esse perdão! Nada existe que possa levar o pior pecador a deixar de pedi-lo. Ninguém tem razão para dizer: "Infelizmente, meus pecados são enormes demais!"

"Que diremos, pois, permaneceremos no pecado para que a graça abunde? De modo nenhum" (Rom. 6:1-2). Antes, o pecador perdoado dirá com a mais profunda gratidão:"Bendize, ó minha alma, ao Senhor, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome... (porque) é ele que perdoa todas as tuas iniquidades" (Sal. 103:1,3).

"O perdão de Deus é da mesma natureza dEle. Não é estreito, difícil, frio, restrito e condicionado como o perdão que impera entre os homens; mas é pleno, livre, insondável, sem limites, absoluto — é da mesma natureza das excelências de Deus. Lembrem-se disso, pobres almas, quando tiverem de tratar com Deus a respeito deste assunto. O perdão não é merecido por obras piedosas realizadas antes, porém, é o mais forte motivo para se viver piedosamente depois de recebê-lo. Aquele que não aceita o perdão, a não ser que possa merecê-lo de uma forma ou de outra, não participará dele. Aquele que presume tê-lo recebido, e não se sente obrigado a ser obediente a Deus por causa do perdão que recebeu, na verdade não goza dele!"

Leitor, um tal perdão não seria próprio para você? Almeja ser perdoado? Então, olhe para Jesus que morreu por você. Isso que tanto deseja é um dom livre que se tornou possível por causa do Seu sacrifício a favor dos pecadores.

Você já está perdoado? Então o teu coração deve estar cheio de santo amor pelo Senhor e de compaixão para com qualquer que te ofenda. Aquele que se considera perdoado, mas não perdoa aos outros, "é mentiroso" (I Jo. 4:20).




Oração é algo ordenado por Deus para o crente



A Bíblia, portanto, está saturada de oração. As muitas pessoas piedosas que são achadas nas páginas dos Escritos Sagrados instintivamente olham para Deus a fim de suprir suas necessidades diárias, acalmar seus temores, vingá-los de seus inimigos e providenciar salvação do pecado. Isto acontece apenas pela graça de Deus o Pai, através do Senhor Jesus Cristo, no poder do Espírito Santo.

Oração não é uma atividade opcional na vida cristã. Ela é, juntamente com a própria Escritura, nosso elo com Deus. Assim como Deus nos fala através das páginas da Bíblia, ao lermos e estudarmos, assim Ele nos ordena a falar a Ele em oração. No Sermão do Monte (Mt 5:3-7:27) nosso Senhor presumiu que a oração deveria ser parte da vida do crente: “E quando orardes ...” (Mt 6:5-7, 9). O apóstolo Paulo nos diz que a oração constante é a ‘vontade’ de Deus para nós (1 Tss 5:17-18). O escritor aos hebreus pediu a seus leitores que orassem por ele (Hb 13: 18). Tiago nos informa que “a oração do justo” tem muita utilidade aos olhos de Deus (Tg 5:13, 16).
O cristão não pode viver sem oração mais do que pode viver ser respirar ou comer. Muitas vezes, nosso Senhor esteve acordado a noite inteira em oração diante do Pai. Se Ele mesmo achou que oração era uma necessidade vital em Sua vida, quão mais deveria um crente inclinar-se no peito de seu Pai celeste em oração? Deus nos convida a ter comunhão com Ele, a fim de que possa nos abençoar.

Nós dedicamos a oração a um Deus Santo

As Escrituras nos lembram que Deus é, acima de tudo, santo (Lv 11:45). Ele é inexplicavelmente santo em todos os Seus atributos e em todas as Suas ações. Do início da criação à consumação de todas as coisas, tudo que Deus é e faz demonstra a pureza de Sua absoluta santidade. “Profira a minha boca louvores ao Senhor, e toda carne louve o seu Santo nome para todo o sempre.” (Sl 145:21)

Conseqüentemente, as orações que Lhe dedicamos não devem ser expressas ligeiramente. O tempo que uma pessoa se prostra diante do trono da graça não é uma ocasião para leviandade. Nós devemos entrar na presença de Deus sabedores de que, conquanto Ele seja nosso Pai celeste que ama seus filhos encarecidamente, Ele também é o Todo-Poderoso Senhor do Universo, o qual exige ser tratado com o máximo respeito e dignidade. Isto não quer dizer que nós devamos nos aproximar dEle com temor acovardado, pois “o perfeito amor lança fora o medo” (1 Jo 4:18).