quinta-feira, 5 de fevereiro de 2015

Como destruir seu casamento antes de começar - Por Garret Kell


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Tim e Jess haviam se casado a apenas oito meses, mas a lua de mel certamente já havia acabado. As conversas carinhosas que outrora marcavam o relacionamento foram substituídas por constantes implicâncias. As risadas abrandaram e a distância aumentou. A intimidade sexual já havia praticamente cessado.
O que houve de errado? Como Satanás pode entrar nesse casamento? Conforme eu fui descobrindo a história do casal, descobri que ele não iniciou sua sabotagem na lua de mel, nem mesmo nos primeiros meses do descobrimento da vida a dois. O diabo começou seu trabalho antes mesmo de que eles chegassem ao altar. Mesmo Tim e Jess sendo cristãos, seu namoro e noivado foram marcados pela impureza sexual.
Apesar dos primeiros dias de seu relacionamento terem corrido bem, com o passar do tempo eles começaram a cometer deslizes que se desenvolveram em um padrão profundo de pecado sexual. Sempre que pecavam, eles se confessavam um para o outro entre si e faziam promessas de nunca deixar que isso acontecesse novamente. Mas acontecia. Por causa da vergonha, eles nunca procuraram ninguém para tratar do assunto. Olhando para o passado, Tim e Jess admitem que seu relacionamento foi uma grande farsa.
Infelizmente, a história de Tim e Jess é familiar até demais. Muitos casais de cristãos ainda não casados lutam contra o pecado sexual. Isso não deveria ser uma surpresa, já que temos um inimigo contra nós e nosso casamento iminente (1 Pedro 5.8). Ele odeia Deus e odeia o casamento, por se tratar de uma ilustração do evangelho (Efésios 5.32).
Uma das estratégias mais efetivas de Satanás para corromper a união do casamento, ilustração do evangelho, é atacar os casais por meio do pecado sexual antes que eles digam “sim”. Aqui estão quatro de suas estratégias mais comuns para atacar casamentos antes mesmo de começarem.
1. Satanás quer que obedeçamos por padrão nossos desejos, não a direção de Deus
Os caminhos de Deus são bons, mas Satanás quer que acreditemos que não. Isso tem sido seu plano desde a primeira tentativa de engano no jardim (Gênesis 3.1-6). Seu objetivo para nós é que desenvolvamos um padrão de resistência ao Espírito e que sigamos nossos desejos pecaminosos uma vez que nos casemos. Ele quer que aprendamos a resistir o serviço e busquemos apenas o egoísmo.
Se aprendermos a fazer o que queremos quando queremos, antes do casamento, levaremos esse padrão para os dias e anos que se seguirão. Isso, entretanto, é mortal, já que o serviço e o sacrifício são essenciais para um casamento saudável e que glorifica a Cristo. O amor, no casamento, é demonstrado em milhares de decisões diárias de fazer o que você não quer fazer – seja lavar as louças, trocar fraldas ou assistir um filme ao invés de um jogo de futebol. Se o seu relacionamento, antes do casamento, é caracterizado por uma entrega a desejos imediatos, você certamente irá lutar quando encontrar a labuta diária da vida matrimonial.
2. Satanás deseja que subestimemos o quão suscetível somos à tentação
Satanás quer que pensemos que não iremos levar nosso pecado ao próximo nível. Ele deseja que pensemos que somos mais fortes do que realmente somos. Ele quer que pensemos que nunca iremos tão longe. Esse é um truque poderoso, já que lida simultaneamente com nosso orgulho e com o nosso desejo bem intencionado de honrar a Deus. Você é mais fraco do que pensa. Você acabará indo aonde você não pensa que irá. O pecado é como uma corrente oceânica – se você brinca nela, você será subjugado e levado embora rumo à destruição certa.
Uma das formas que Satanás trabalha nessa área é te tentando a pensar que pureza é uma linha a não ser cruzada, ao invés de uma postura do coração. Ele quer que você pense que pureza perante Deus é não se beijar, não tirar a outra, não fazer sexo oral ou não “ir até o final”. Ele quer que você pense que se você não cruzar uma certa linha, você está puro. O problema com esse tipo de pensamento, entretanto, é que Jesus diz que se nós apenas desejarmos pecaminosamente no coração, já pecamos por luxúria e estamos condenados perante Deus (Mateus 5.27-30).
Pureza é muito mais sobre a postura de nossos corações do que a posição de nossos corpos. A velha questão de “quão longe é muito longe?” pode revelar um desejo de chegar tão perto do pecado quanto possível, ao invés de um desejo de fugir dele, como nosso Senhor comanda (1 Coríntios 6.18).
3. Satanás deseja que casais enfraqueçam sua confiança um no outro
Quando pecamos sexualmente, estamos mostrando a outra pessoa que estamos dispostos a usar e abusar dela para termos o que nos faz feliz. Toda vez que avançamos o limite com nossa noiva ou a levamos a pecar, estamos comunicando, mesmo que sem querer, “você não pode confiar em mim, porque estou disposto a te usar e desrespeitar para conseguir o que eu quero”.
Isso certamente é uma das estratégias mais mortais de Satanás, e a que eu suspeito que mais afetou Tim e Jess. Eles não confiavam um no outro. Eles nunca o fizeram. Seu relacionamento de namoro estava tão afogado no ciclo de pecado, vergonha e recomeço, que nunca conseguiram desenvolver uma confiança madura e testada um no outro.
É importante apontar, entretanto, que quando resistimos ao pecado sexual, Deus abençoa um relacionamento com o efeito exatamente oposto. Cada vez que dizemos “não” ao pecado sexual e nos voltamos para a oração, dizendo um ao outro que valorizamos demais a pessoa e sua caminhada com o Senhor para dar um passo adiante, ele usa essa fidelidade para fortalecer a confiança. Minha esposa diz regularmente aos casais de namorados que uma das razões pelas quais ela confia em mim é porque eu literalmente corri de situações comprometedoras antes de nos casarmos. Não éramos perfeitos em nosso namoro, mas o Senhor usou aquele tempo para edificar nossa confiança um no outro.
4. Satanás quer te enganar com o fruto proibido da luxúria
Há um mundo de diferença entre o sexo pré-marital e o sexo dentro do casamento. Uma razão é que o fruto proibido da luxúria ilustra o sexo antes do casamento como algo que ele não é sempre no casamento. Normalmente, o sexo pré-marital é como gasolina pegando fogo. A paixão é alta, os sentimentos são intensos e o desejo de ir adiante é estimulado por saber que não se deveria ir (Romanos 7.8).
O sexo no casamento é diferente. Ainda há paixão, e ainda há sentimentos e emoções intensos – mas o sexo no casamento é baseado primariamente nas brasas aquecedoras da confiança, devoção e sacrifício (1 Coríntios 7.1-5). Casais que construíram suas expectativas sexuais na paixão proveniente do fruto proibido são muitas vezes desapontados e confundidos quando o sexo é diferente no casamento.
Minha esposa e eu rimos dessa ideia quando nosso conselheiro pré-nupcial a compartilhou conosco. Estávamos certos de que seríamos a exceção à essa regra. Mas após quase seis anos e três filhos depois, ele estava certo. Casais como nós podem ter uma vida sexual saudável, mas ela é estimulada por características mais profundas do que a paixão efêmera. Satanás quer que casais se acostumem a funcionar à base da cafeína e do açúcar da luxúria, ao invés do amor sacrificial maduro.
Conclusão
Espere na fé. A postura cristã é de uma espera constante. Nós aguardamos o retorno de Cristo. Esperamos por uma eternidade com ele. E casais de não crentes esperam pelas bênçãos do casamento. Diga “não” à promessas do pecado pela fé nas promessas de Deus. Renove sua mente pela Palavra de Deus e continue esperando na fé.
Rapazes, vocês precisam liderar. Por mais que ambos no relacionamento sejam responsáveis perante Deus, o homem deve ditar o ritmo da caminhada à pureza. Muitas vezes as moças são forçadas a traçar os limites e dizer “não”. Isso é covarde e errado. É responsabilidade do homem de cuidar de sua futura esposa ao liderá-la rumo a Jesus e para longe do pecado, da escuridão e da dor do pecado. Se ele estabelece o padrão errado agora, ele estará correndo atrás do prejuízo nos anos vindouros – e ele talvez nunca consiga se recuperar, se não pela graça de Deus.
Envolva outros a cada passo do caminho. Não deixe seu relacionamento permanecer sem o exame de outros cristãos piedosos. Ambos devem ter um casal piedoso ou um grupo de amigos fiéis para quem prestar contas. Dê abertura para perguntas difíceis e dê respostas honestas. Deus usa transparência para fortalecer.
Se pecar, vá ao evangelho. O apóstolo João escreveu “Filhinhos meus, estas coisas vos escrevo para que não pequeis. Se, todavia, alguém pecar, temos Advogado junto ao Pai, Jesus Cristo, o Justo;” (1 João 2.1-2). Se você pecar, corra para a cruz. Corra para o túmulo vazio. Olhe para seu Advogado, confesse seu pecado com sinceridade, e se arrependa. Deus ama abençoar esse tipo de postura (Provérbios 28.13).
O pecado sexual não precisa ser um espinho no coração de seu namoro, noivado ou casamento. Deus é Deus de misericórdia, que se deleita em restaurar o que o pecado busca destruir (Joel 2.25-27). Ele não irá, entretanto, abençoar desobediência constante e presunção da graça. Se você caiu em pecados sexuais, hoje é o dia de clamar por misericórdia e se voltar para Cristo em fé. Que Deus te dê misericórdia para buscar pureza, para Sua glória e para o nosso bem.

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Traduzido por Filipe Schulz | iPródigo.com | Original aqui

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2015

Minha breve confissão cristã. Respostas para alguns argumentos




1° - Com base nas Escrituras Sagradas, tenho menção e entendimento que o "Amor" que foi ensinado e dito por Jesus Cristo é amar a Deus de toda a alma, coração e entendimento; semelhantemente, amar ao próximo (Mt 22.37-40). Amar também é julgar e ponderar erros contrários aos ensinamentos das Escrituras, isto é, não é discórdia condenar algo que se contradiz aos ensinamentos de Cristo. Saibamos que amar é o mesmo que se colocar ao pé de justiça, porque o amor não é omisso e nem se comporta de modo inconveniente (1Co 13.5,6).
2° - Ser verdadeiro servo de Deus, não é o mesmo que basear-se em crer nEle somente, e sim, testificar os frutos da fé. Acreditar que Deus existe e dizer que Ele é Senhor, até os próprios demônios creem e se estremecem (Tg 2.18-26), fé é muito mais além do que simplesmente acreditar em Deus, fé é produzir frutos.
3° - Condenar de "discórdia" uma refutação sem antes ter base no conhecimento da mesma é pretensioso. Cristo não deixou de julgar de maneira veemente os fariseus, escribas, saduceus e mestres da lei quando eles não estavam em conformidade com as Escrituras, primeiro como base, eles não tinham amor a Deus de todo o entendimento e também não amavam ao próximo, mas eles se colocavam como superiores aos demais (Mt 15.1-6; 23.1-7; Lc 18.10-13). Quando as Escrituras dizem (Mateus 7.22,23):"Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? Em teu nome não expulsamos demônios e não realizamos muitos milagres? Então eu lhes direi claramente: Nunca os conheci. Afastem-se de mim vocês que praticam o mal!"
Com base nos estudos das Escrituras, por meio de oração e amor, argumentar isso contra um irmão é excelente, a partir do momento que ele estiver dando total valor ao pecado e praticando heresias, pois acredito que eu como os demais seres humanos somos imerecedores da graça de Deus porque somos pecadores, mas por meio de Cristo, os seus são justificados, salvos e vivem para a justiça e retidão sem querer se vangloriar (Sl 53.2,3; Rm 3.23,24; Rm 8.29). Não esqueçamos que antes dos versículos 22 e 23 de Mateus 7, também tem os versos 21 e 24, isto é, "observar os mandamentos de Deus e os por em prática", aqueles que isto não fazem e se dizem "servos de Cristo", realmente, serão comparados a aqueles que Cristo dirá: "Apartai-vos de mim, vocês que praticam o que é mal".
4° - Sobre o evangelismo, as Escrituras são claríssimas; para evangelizar não depende da permissão do pastor ou de algum líder para isso fazer, a partir do momento que me foi anunciado o evangelho e eu cri, e conheço as coisas acerca do Reino de Deus e de Cristo, é meu dever quanto aos demais ir evangelizar. As Escrituras não dizem: "Peça permissão ao seu pastor ou líder, e, se ele te autorizar, vá por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura." na verdade, as Escrituras dizem: "Ide por todo o mundo, e pregai o evangelho a toda criatura. Quem crer e for batizado será salvo; mas quem não crer será condenado." e mais, "Pois, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, porque me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!" (Mc 16.15-16; 1Co 9.16).
5° - Dizer ser homem ou mulher mais do que alguém, exaltar as suas obras e não conhecer as Escrituras, nas quais nos falam acerca da vontade de Deus e de Cristo, não só é um absurdo como também é uma terrível tolice. Primeiro é que tanto Cristo como os demais cristãos, conheciam e tinham acesso as Escrituras (Mt 4.3-10; At 6.3; At 8.4,30-35; At 17.11). O servo de Deus exala sabedoria, e para ser realmente sábio, é necessário antes temer a Deus; quem realmente é servo do Senhor, também o teme (pois o temor é o que faz o homem andar em retidão e integridade para com o próprio Deus) e quem teme, torna-se sábio (Jó 28.28; Sl 19.9; Pv 1.2-7; Pv 2.5; Pv 9.10; Pv 14.27; Pv 15.33; Pv 16.6).
Fazer as coisas para o serviço de Deus envolve de tudo, e não se pode haver restrição; limitar a caprichos é completamente tolice.
6° - O Cristão não interpreta a Bíblia para os seus meios próprios, jamais deve, e sim para exaltar o nome de Cristo e glorificá-lo; interpretar a Bíblia para falar com animais é a pior barbaridade já houvida, agora, compare essa confissão com a interpretação de "ler a Bíblia para falar com animais", como isto é incrivelmente diferente. Vamos lá, qualquer tipo de ensinamento, doutrina ou pregação que não condizer com o evangelho já ensinado pelos apóstolos e profetas de Cristo (At 2.42; Gl 1.6-9; Ef 2.20; Ef 3.5; Hb 1.1; Hb 3.1; 2Pe 3.2; Jd 1.17), isto é, a Bíblia, que esse herege seja maldito e mentiroso, seja ele anjo ou qualquer outro, quem permanece na heresia e aprova aos que fazem o mesmo, não lhe será em vão a condenação do fogo do inferno, não lhe será em vão esta maldição, porque as coisas que eles falam são do mundo e o mundo os houve (Gl 5.20; Rm 1.29,32; 2Pe 2.1; 2Ti 4.3,4; 1Jo 4.1-6; Jd 1.18; Ap 20.10).
Submetemo-nos a vontade de Deus por aquilo que Ele nos diz por meio de Sua Escritura, não sejamos ouvintes, mas praticantes da Palavra, porque se a vide não produz frutos ela é cortada e lançada fora ( Jo 15.1-6; Tg 1.21-24).


terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

A falácia do livre arbítrio - Por John G. Reisinger


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Há basicamente somente duas religiões no mundo. Uma diz, “Se você fizer assim e assado, Deus graciosamente concederá Suas bençãos sobre você”. As mil e uma variedades desta religião diferem somente no que é o “assim e assado” que você deve estar disposto a fazer. Uma variedade diz que é um rio sagrado, outra te ordena beijar a rocha sagrada na cidade santa, ainda outra diz que seja batizado ou algum rito similar, e em círculos distintamente evangélicos esta religião enfatiza, “se você quiser abrir o seu coração, então Deus... ”
Note cuidadosamente as três palavras chaves: SE VOCÊ QUISER...
(1) O perdão de Deus é possível SE ...(2) O perdão de Deus é possível se VOCÊ ...(3) O perdão de Deus é possível se você QUISER ...
O sucesso ou fracasso final desta religião é determinado somente pela vontade do homem. Tudo é dependente de um “se”, de um “você”, e de “sua disposição” para fazer sua parte. A redenção é sempre condicional visto que ela depende da cooperação do homem para o sucesso. A grande obra da salvação não é realmente realizada até que Deus encontre alguém que esteja disposto a “cooperar com Ele”. Nossos antepassados chamaram este sistema do “se você quiser” de “religião das obras”. Ele foi chamado também de “Arminianismo” e “semi-Pelagianismo” visto que estes foram os homens que originalmente causaram divisão na igreja introduzindo este erro do livre-arbítrio. Independentemente do nome atribuído a ele pelos amigos ou inimigos, as marcas distintivas são sempre as mesmas – o SE , o VOCÊ , e SUA VONTADE são os fatores decisivos que fazem o plano da salvação funcionar. Esta religião oferece um maravilhoso plano de salvação que é capaz de fazer coisas poderosas se você somente permitir. O Deus desta religião do livre-arbítrio pode somente desejar e oferecer salvar pecadores. Ele é impotente de assegurar, pelo Seu próprio poder, o que Ele deseja fazer. A finalidade da redenção não pode ser alcançada a menos que o homem, de seu próprio livre-arbítrio, escolha permitir que Deus realize Seus propósitos.
A falsa religião do livre-arbítrio, ou das obras, é baseada sob diversas doutrinas antibíblicas. A mais básica destas é o universal e indiscriminado amor redentor de Deus. Deus é dito amar todos os homens do mesmo modo e grau. Ele amou Judas da mesma forma como amou Pedro, Esaú como Jacó, e os bodes tanto como as ovelhas. Visto que Seu amor é universal então o maior dom do Seu amor, Jesus Cristo Seu Filho, deve ter sido dado para prover uma expiação universal, tendo em vista cada indivíduo sem exceção, em Sua morte. Os objetos da expiação do Filho devem ser iguais aos objetos do amor do Pai, assim ambos devem incluir cada um dos homens. Se o Pai amou todos os homens igualmente, e o Filho redimiu cada homem sem exceção, segue-se que o Espírito Santo deve convencer cada homem ou senão a Trindade não está trabalhando juntamente em direção do mesmo fim na tarefa de redimir os homens perdidos.
A falácia do livre arbítrio
A falácia desta religião é revelada quando nós fazemos uma simples e óbvia pergunta: “Por que todos os homens não são salvos?”. Não é falha do Pai, porque Ele ama todos os homens do mesmo modo. Não é porque Cristo não pagou pelos seus pecados visto que no sistema do livre-arbítrio, Cristo redimiu (mas não salvou?) todos os homens. O Espírito Santo não pode ser culpado visto que Ele convence todos por quem Cristo morreu; isto é, todo homem sem exceção. Alguém pode dizer, “Eu não creio nesta última declaração sobre a obra de convencimento do Espírito Santo”. Se você rejeita isto, então você deve rejeitar os outros dois pontos também. Você não pode crer num amor universal do Pai e numa expiação universal do Filho, e então arruinar tudo isto com uma convicção “limitada” do Espírito. Não, não; isto é tanto universalismo como particularismo. Você não pode tirar proveito das suas maneiras. Como mencionei, aqui está a falácia. Um “plano de salvação” que tem o amor de Deus o Pai atrás dele, a expiação de Deus o Filho como seu fundamento, e o poder de Deus Espírito Santo aplicando-o certamente terá êxito, mas, ah, o plano da redenção é frustrado pelo poder do livre-arbítrio do homem toda a vez que uma alma vai para o inferno! Nós repetimos nossa questão, “Por que ele falha? Por que alguns homens perecem?” A religião do livre-arbítrio responde, “Ele falha porque o homem não está desejoso de fazer sua parte”. Aqueles que perecem assim o fazem somente porque eles não aceitam o que o amor do Pai deseja lhes dar, o que a morte agonizante do Filho comprou para eles, e o que o poder eficaz do Espírito Santo incansavelmente tenta persuadi-lo a aceitar. “Se você fizer somente sua parte” é a mensagem que devemos pregar. Se você apenas fornecer a fé! Se você apenas der o primeiro passo em resposta à oferta de Deus! Se você somente cooperar e der a Deus uma chance para fazer Seu plano funcionar! Se você fizer ...então Deus! Este é o ardente, mas não menos patético, clamor dos pregadores da religião do livre-arbítrio!
Deveria ser amplamente claro que esta religião das obras, ou do livre-arbítrio, baseada num amor universal e numa expiação universal, faz todo o sistema da redenção de Deus depender do homem para o seu sucesso. O amor de Deus prevalecerá se o homem permitir. A expiação de Cristo realmente redimirá se o homem permitir. O Espírito Santo aplicará os benefícios adquiridos na redenção se o homem permiti-LO assim o fazer. Não admira que C.H. Spurgeon, aquele grande ganhador de almas, chamou o livre arbítrio de “uma completa tolice”, e a expiação universal de uma “doutrina monstruosa similar a uma blasfêmia”.
Agora bem, a segunda religião é a mensagem da Bíblia. É o evangelho da LIVRE GRAÇA. Ele não procura em Deus por uma provisão e então se volta para o homem para encontrar o poder, mas ousadamente proclama que a mesma graça soberana que planejou a salvação para pecadores impotentes, também lhes fornece a habilidade para desejá-la e recebê-la. Esta segunda religião não somente começa em um ponto diferente; ela trabalha sobre um princípio diferente e se move em direção a um objetivo diferente. Em resumo, ela é uma religião totalmente diferente. A religião baseada no livre-arbítrio (Arminianismo – Se você quiser...), e aquela baseada na livre graça (Calvinismo – Deus nos faz dispostos...) são religiões tão distintas e opostas que diferem em cada ponto teológico no qual se encontrem. Qualquer indivíduo que piamente diga, “Isto realmente não é importante, é meramente uma questão de ênfase”, ou é deliberadamente desonesto ou completamente ignorante da doutrina da Bíblia na história da igreja. O Sínodo de Dort e o Conselho de Trento clarificaram a vital importância do assunto de uma vez por todas. Eu desafio qualquer homem a ler a introdução do Dr. J.I. Packer à obra A Morte da Morte na Morte de Cristo de John Owen, e então falar sobre ênfase. Packer claramente mostra que o livre-arbítrio e a livre graça são religiões totalmente diferentes, e além disto, que elas são inimigos irreconciliáveis.
A dificuldade em nossa presente geração é com o assim chamado “Cal-miniano”. Ele pensa que um Calvinista é uma pessoa que crê na eterna segurança, e que Arminiano é uma pessoa que crê que você pode ser salvo e ainda se perder. O Cal-miniano é totalmente desapercebido que o assunto na história da igreja, bem como nas Escrituras, envolve a vontade do homem e a aplicação da salvação, e não a vontade de Deus e a duração da salvação. O grande abismo entre Arminianismo (livre-arbítrio) e Calvinismo (livre graça) não é se você pode ser salvo e então se perder. Este é um ponto mais secundário comparado ao assunto como entendido pelos Puritanos e Reformadores. O centro do assunto é, “Quem realmente efetua a redenção?”. Não é apenas uma questão de quem a conclui uma vez que tenha sido iniciada, mas de quem é o poder que aplica o evangelho no início da conversão bem como quem conduz a mesma até o fim. A Bíblia assevera que a necessidade de um pecador é tão grande antes da conversão, que ele é incapaz de obedecer, arrepender ou crer. O Cal-minianodiz, “Não, o pecador tem todo o poder que ele necessita para se tornar um Cristão, mas somente Deus pode guardá-lo após ele ter 'decidido aceitar Cristo' e se tornado um Cristão”. O pecador tem a força de vontade para levantar do túmulo do pecado e vir a Cristo, mas somente Deus pode guardá-lo de cair depois que ele tiver “dado o primeiro passo”.
Quem veste a coroa?
Como você pode ver, o fundamento real da batalha é a natureza do homem, e o prêmio a ser ganho é a Coroa de Crédito para fazer o plano da redenção realmente funcionar. É a livre graça, dada soberanamente pelo Pai, o decisivo fato que faz o eleito crer em primeiro lugar, ou é a vontade do homem, exercida soberanamente pelo indivíduo, o fator decisivo que faz que Deus escolha aqueles que Ele “previu” que estariam dispostos a crer? Quem ganha o direito de vestir a coroa de glória, Deus ou o homem? E por qual poder este direito é ganho – livre-arbítrio ou livre graça?
A diferença básica entre estas duas religiões opostas pode também ser resumida fazendo-se outra pergunta, uma pergunta vitalmente relacionada à primeira. No lugar de perguntar como alguns pessoas perecem, e sermos informados que “o homem não fez a sua parte que era simplesmente crer”, agora perguntamos, “Por que alguns homens são salvos?”. Como a obra do Pai, do Filho e do Espírito Santo é capaz de lograr êxito em alguns casos, mas não em outros? A religião do livre-arbítrio humildemente (?) responde que “o homem faz isto totalmente possível por estar disposto a abrir seu coração e dar a Deus uma chance!” Não importa se estejamos falando daqueles que perecem ou daqueles que são salvos, sempre voltaremos para aquele se você quiser. Realmente, o evangelho baseado no livre-arbítrio nunca poderá ser mais do que um evangelho de mera possibilidade. Ele é um plano de redenção que não pode verdadeiramente redimir por seu próprio poder, mas pode somente efetuar salvação real quando encontra alguém que esteja disposto por si mesmo de fazer a “sua parte”. Esta não é uma questão de se um homem deve se tornar, ou se torna, disposto antes de poder ser salvo – todos nós cremos nisto; mas, a questão é: quem e qual poder faz o pecador disposto? O homem, de si mesmo, escolhe se tornar disposto, ou Deus, por Seu soberano poder, faz Seu eleitos disposto “no dia de Seu poder” (Salmos 110:3)? Parece tanto lógico como judicialmente necessário coroar com glória o indivíduo que faz o plano da salvação realmente funcionar, e o crente no livre-arbítrio não hesita em estender a mão para a coroa e a colocar na cabeça da soberana e livre vontade do homem.
Algumas pessoas podem sentir que estamos trabalhando este ponto ao extremo, mas realmente este é o cerne do assunto. Quem realmente merece toda a glória pela salvação do homem? Não pode ser tanto Deus como o homem, nem pode ser, como muitos implicam, meio a meio. Ou Deus salva pecadores “fazendo-lhes dispostos no dia de Seu poder”, ou eles salvam a si mesmos fazendo a si mesmos dispostos no “dia da decisão do livre-arbítrio”.
Deixe-me demonstrar rapidamente quão agudo e claro o contraste é e quão obviamente Deus ou o homem recebe a glória em cada ponto.
(A) LIVRE-ARBÍTRIO – Deus escolhe aqueles que Ele previu que de seu próprio livre-arbítrio decidir-se-iam a aceitá-LO. (B) LIVRE GRAÇA – Deus dá a fé àqueles que Ele soberanamente escolheu.
(A) LIVRE-ARBÍTRIO – O sangue de Cristo redimiu cada homem, mas somente naqueles dispostos a “aceitar” o que Cristo realizou, são salvos. É realmente a nossa fé que nos salva. (B) LIVRE GRAÇA – Cristo salva cada pessoa que Ele redimiu com Seu sangue.
(A) LIVRE-ARBÍTRIO – Aqueles que estão dispostos a crer, capacitam o Espírito Santo a lhes regenerar, ou dar-lhes um novo coração. (B) LIVRE-GRAÇA – O Espírito Santo regenera o eleito, ou lhe dá um novo coração, e capacita os pecadores a crerem.
Talvez alguém esteja pensando, “Mas tudo isto realmente importa enquanto apenas pregamos o simples evangelho? Não são estes problemas teológicos que não têm implicações práticas e somente causam argumentações e divisões entre Cristãos e, portanto, é melhor deixá-los de lado?” Nosso Senhor e Seus Apóstolos achavam estas coisas de vital importância. Os Puritanos e Reformadores criam que a pregação do livre-arbítrio era um erro fundamental. Em suas mentes pregar o livre-arbítrio era demolir o próprio evangelho. Eles sentiam que era o dever deles a Deus e à Sua igreja, fazer tudo ao seu alcance para refutar a falsa idéia do livre-arbítrio. Deveria ser acrescentado que Roma sentia exatamente o oposto. Ela instruía seus missionários para ir aos países protestantes e “começar a demolir estas doutrinas diabólicas pela reafirmação do livre-arbítrio do homem”. Os Jesuítas diziam que a livre graça era o inimigo real dos seus sistema de obras, ou melhor, do sistema deles do livre-arbítrio. Estes são fatos históricos! Que aqueles que creem que isto é somente uma ênfase, ao mesmo leiam o que homens como Martinho Lutero disse em sua monumental obra O Cativeiro da Vontade. A História tem marcado a palavra “erro” em cima da doutrina do livre-arbítrio, e marcado aqueles que a pregaram como inimigos, mesmo se inconscientemente disso, tanto do evangelho como das almas dos homens.
Ora, estou consciente de que muitos têm perdido seu gosto para a confirmação histórica da mensagem que eles declaram, mas isto é somente porque eles não gostam da companhia que eles são forçados a sustentar à medida que voltam no tempo. Os homens hoje gostam de sentir que eles estão na tradição de Knox, Lutero, Whitefield, Spurgeon, etc., mas quando a história, os credos e as confissões, e os Reformadores e Puritanos são vistos como unidos em sua franca condenação do livre-arbítrio, então os homens exclamam, “Nós cremos na Bíblia e não nos Credos. Nós cremos no que Deus diz, e não no que os homens dizem”. Na realidade, este clamor defensivo significa isto, “Nós cremos nos nossos próprios credos em oposição àqueles formulados na história. Nós aceitamos o que nossos líderes dizem hoje e rejeitamos o que os homens disseram ontem”. J.C. Ryle, em sua introdução ao seu livro Santidade, respondeu a esta atitude melhor do que eu possa fazer. Ryle não está discutindo o mesmo ponto de doutrina que nós estamos (ele está discutindo sobre Romanos 7), mas ele está examinando o mesmo tipo de pessoa mencionada acima. Ele mostra que a atitude piedosa que não olha para a história e para os credos sobre o pretexto de exaltação da Bíblia como nossa única regra é frequentemente na realidade somente uma evasão para se esquivar de encarar os assuntos.
Os comentadores que não assumiram essa posição... são os Romanistas, os Socínios e os Arminianos. Contra eles lançamos o juízo de quase todos os Reformadores, de quase todos os Puritanos... Naturalmente, replicar-me-ão que ninguém é infalível, que os Reformadores, os Puritanos... podem ter estado inteiramente equivocados, e que os Romanistas, Socínios e Arminianos podem estar inteiramente com a razão! Sem dúvida, nosso Senhor ensinou que a ninguém chamemos mestre. Porém, se não peço que alguém chame de “mestres” aos Reformadores e aos “Puritanos”, pelo que as pessoas leiam o que eles disseram sobre o assunto e que respondam aos argumentos deles, se puderem. Isso até hoje não foi feito! Dizer, como alguns dizem, que eles não querem “dogmas” e “doutrinas” de origem humana não serve de réplica. A questão inteira em jogo é esta: “Qual é o sentido das Escrituras? Qual é o verdadeiro sentido de suas palavras?” Seja como for, lembremo-nos de que há um fato importantíssimo que não podemos negligenciar. De um lado avultam as opiniões e interpretações dos Reformadores e Puritanos, e do outro as opiniões e interpretações dos Romanistas, Socínios e Armininanos. Que isso seja claramente compreendido pelos leitores. (Santidade , por J.C. Ryle, página xiii)
Nós adicionamos às palavras de Ryle: creia e pregue o livre-arbítrio se você tiver coragem, mas seja honesto ao menos para admitir que você não é nem mesmo um primo de décimo grau dos Reformadores. Diga às pessoas que você teria sido forçado a opor-se contra Knox, Spurgeon, Edwards e Whitefield sobre as Doutrinas da Graça se tivesse vivido em seus dias.
Antes de concluir, apontarei alguns problemas atuais que devem seu nascimento, nutrição e presente crescimento à doutrina Arminiana do livre-arbítrio. Eu não estou insinuando que todo aquele que crê no livre-arbítrio é culpado destas práticas específicas. Estou dizendo que cada uma dessas práticas é um resultado direto e lógico da crença e pregação do livre-arbítrio num período de tempo.
Primeiro: coloca a pessoa errada em julgamento
Cristo é descrito como estando em julgamento diante do homem. O grande amor de Deus foi entregar Seu filho em nossas mãos e nós devemos “fazer algo com Jesus”. Ora, isto contradiz dois importantes fatos Bíblicos sobre os quais o verdadeiro evangelho está edificado. Primeiro, todos os homens já fizeram algo com Jesus, e este foi o maior de todos os crimes que já cometemos. Segundo, Deus já fez algo com Jesus, e o que Deus fez é nossa única esperança de salvação.
É verdade que Deus colocou Seu Filho dentro do alcance das mãos humanas, mas quando Ele o fez, todos nós mostramos o ódio de nossos corações e gritamos, “Fora com este! Crucifica-O!” E além do mais, Romanos 8:7,8 nos ensina que se a oportunidade fosse dada a nós novamente, ainda O desprezaríamos e declararíamos “Não queremos que este homem reine sobre nós”. Lucas 19:17 registra o que decidimos fazer com Jesus.
Ora, Deus o Pai também fez algo com Seu Filho. Ele O ressuscitou dos mortos e Lhe deu todo poder, ou autoridade, sobre toda carne. Este “todo poder” (Mateus 28:18; Romanos 1:4) é a autoridade total sobre cada indivíduo em particular. Somente Cristo tem a autoridade para julgar todos os homens (Atos 17:31). Ele também recebeu poder para salvar alguns homens (João 17:2). Neste exato momento Jesus Cristo é o Senhor de cada homem. A despeito da cor ou credo, todos os homens, sem uma única exceção, estão em Suas mãos para serem condenados ou salvos. Somente Cristo tem o poder para salvar ou condenar alguém, e Ele deve fazer um ou outro com cada indivíduo em particular. A questão não é o que você fará com Jesus, mas antes, o que Jesus, que foi declarado ser o Senhor, fará com você? Leia Atos 2:32-36 e responda para si mesmo o que os “portantos” significam. Pedro está declarando que a maravilhosa exibição de poder em Pentecostes não foi devido a influência de vinho, mas foi uma demonstração do poder do Cristo exaltado sobre toda a carne. Pedro não está tentando fazer com que os pecadores façam algo com Jesus “decidindo-se por Ele”, ele estava relembrando-lhes do que eles já tinham feito – crucificado o Senhor da Glória e Príncipe da Vida. O Apóstolo mais adiante declara o que Deus fez – colocou Jesus sobre um trono eterno com as chaves da vida e da morte e Lhe deu a autoridade exclusiva para usar aquelas chaves para abrir e fechar a porta dos céus para “quem Ele quiser”. Foi este poder, e não o poder do assim chamado livre-arbítrio, que fez os homens clamarem, “Que faremos, homens e irmãos?”
Você vê que a religião do livre-arbítrio faz da fé e do arrependimento uma mostra do poder de escolha do homem, mas as Escrituras fazem deles uma mostra do poder do Cristo exaltado de fazer homens mortos viverem. Para o livre-arbítrio Arminiano, fé e arrependimento são a contribuição do pecador para o plano de salvação. Ele apresenta estes como dons a Deus para mostrar que ele “decidiu aceitar a Cristo”, ou melhor, ele decidiu “dar uma chance a Cristo”. Contudo, a Bíblia deixa claro que a fé e o arrependimento são os dons do Senhor exaltado que Ele adquiriu para Suas ovelhas. Regeneração não é a resposta do Espírito à nossa fé, mas é o chamado eficaz do Pastor que capacita Suas ovelhas a ouvir Sua voz, voltar de seu caminho errante, e abraçar salvificamente a promessa de perdão do evangelho.
Segundo: A pessoa errada recebe o crédito
Quando alguém “aceita” Jesus, esta pessoa é congratulada por sua coragem e determinação em “dar um passo para Cristo”, o evangelista é exaltado por sua pregação poderosa, e as pessoas que deram dinheiro e oraram pela campanha são elogiadas por fazer tudo isto possível. A glória da eleição e a graça da chamada eficaz não são somente não mencionadas; elas são deliberadamente negadas. Os relatórios no próximo dia são: “Nós tivemos vinte e uma decisões noite passada”. Leia as biografias de Bonar, McCheyne, Edwards, Whitfield, Spurgeon, ou qualquer outro gigante do passado e você nunca ouvirá uma linguagem tão desonrante a Deus e exaltadora do homem como esta. Eu desafio você a ler David Brainerd e tentar imaginar este homem piedoso dizendo, “Tive seis decisões noite passada”. A própria ideia é um insulto à memória deste homem piedoso.
Por que todos estes homens de Deus, homens que como mencionei, tiveram uma verdadeira experiência de reavivamento do Espírito Santo sob a pregação deles como nossa geração jamais viu, relatam os relacionamentos de Deus com suas próprias almas e com as almas influenciadas sob o seu ministério de uma maneira totalmente diferente da dos homens de hoje? Eles sabiam que cada conversão era uma amostra da eleição de Deus, da expiação específica do Filho e do chamado eficaz do Espírito Santo. Era apenas natural para eles atribuir a glória e o louvor à origem que causava o efeito. Eles louvavam o Deus Triuno porque Ele era o responsável pelo poder que eles viam manifestado toda vez que uma alma era nascida de novo. Visto que nossa geração é Arminiana, isto é, crê no livre-arbítrio, é naturalmente dado o crédito àqueles que sentem serem os responsáveis pela realização da obra. O pecador, cuja “decisão” mostra tanto seu bom julgamento como o poder de sua vontade para alcançá-lo, deve ser congratulado. Seria tanto cruel como injusto excluir do louvor o evangelista que “ganhou” a pessoa para Cristo por sua persuasão para que ele fizesse a escolha certa, e devemos também mencionar todas as pessoas que “fazem tudo isto possível” com dinheiro e orações.
Terceiro: A verdadeira natureza do pecado e da culpa é negada
Os pecadores são informados que eles são culpados da incredulidade, mas esta incredulidade é descrita como meramente um trágico engano que o homem está fazendo. Este engano consiste na indisposição do pecador para “aceitar” os muitos benefícios maravilhosos que Deus deseja lhe dar. Sua incredulidade é realmente não mais do que um engano tolo que lhe priva de algumas bênçãos. Os homens são tratados como “neutros” com respeito ao caráter de Deus e Seus direitos como nosso Criador nunca são mencionados. Nossa tarefa como testemunhas é meramente persuadir os pecadores à cuidadosamente considerar tudo o que eles estão perdendo por recusar a “aceitar a oferta de Cristo”. Os Apóstolos não viram o pecado em geral, nem o pecado da incredulidade em geral, em tal luz. Aqueles pregadores inspirados consideravam a incredulidade um crime vil contra Deus, Sua lei e Seu reino. Os homens não são inquiridos a modelarem suas mentes e se decidirem por Jesus; eles são ordenados em termos não incertos à mudar suas mentes e cessar com sua rebelião – ou algo parecido! Certamente os Apóstolos falaram da piedade para os pecadores, mas eles também demandavam arrependimento e evidência de que esta era genuína. Novamente eu encorajo você a ler a introdução de Packer ao livro A Morte da Mortepara um claro contraste entre a mensagem do “antigo evangelho” como pregada pelos Apóstolos, Reformadores e Puritanos e o “novo evangelho” como pregado pela maioria dos evangélicos e fundamentalistas hoje.
Quarto: Ela diz ao pecador para olhar na direção errada
O erro mais drástico na religião do livre-arbítrio reside no próprio cerne de sua mensagem. No ponto onde o impotente pecador mais necessita da ajuda e do poder de Deus, o pecador é deliberadamente e dogmaticamente apontado para longe de Deus e informado que deve olhar para si mesmo. O Arminianismo fala para os homens que Deus quer, todavia, não pode, fazer algo mais do que Ele já fez. Lei o artigo de C.H. Spurgeon, “Deveríamos Pregar a Depravação Total?”, na página 7, e veja como ele enfatiza a necessidade de “lançar ao pó os pecadores em total desamparo”. O livre-arbítrio informa o pecador que ele não é impotente no início da conversão; de fato este erro ousadamente declara que é somente o poder do pecador que pode fazer esta tarefa neste ponto. Deus espera para que o homem forneça o poder – a força de vontade . O pobre pecador é informado, “Deus fez tudo que Ele poderia fazer, agora é tudo com você”. No lugar de arremessar os pecadores ao pó, isto lhes exalta. No lugar de forçá-los a olhar para Deus em total desamparo para encontrar graça e força, o livre-arbítrio coloca Deus em desamparo e exala o homem como sendo o único com a habilidade para alcançar a vitória!
Agradeça a Deus por Sua salvação não ser uma mera possibilidade baseada sobre um se você quiser... então Deus pode ..., mas ela é baseada sobre uma certeza. Ela é uma certeza absoluta porque Deus ...!
O pecador deve estar disposto para vir a Cristo antes dele poder ser salvo? Certamente ele deve, mas esta não é a questão. É o homem capaz de por si mesmo se dispor para vir? Absolutamente não. O esquema inteiro da graça de Deus falhará por causa da inabilidade e insubordinação do homem? Não, meu amigo, a Bíblia nos assegura que o Deus da graça é também o Deus de poder. “O Teu povo apresentar-se-á voluntariamente no dia do Teu poder...” (Salmos 110:3) é uma promessa segura! Aqueles que creram no evangelho em Atos 13:48 estavam dispostos para serem salvos? Lídia em Atos 16:14 voluntariamente abriu seu coração para Cristo à medida que Paulo pregava para ela? Os homens em Atos capítulo dois queriam buscar misericórdia? A resposta é óbvia, certamente eles estavam dispostos – em todos três casos. A questão real é esta: Quem e o que lhes fez dispostos? Leia cada caso e veja se foi o poder do livre-arbítrio ou o poder da graça soberana. A questão real é esta: “Como pode um pecador morte como uma mente carnal ativamente oposta à Deus e à justiça ser assim mudado para estar disposta e sinceramente desejoso de ser salvo para santidade? Exatamente como Deus realiza este grande e glorioso “mistério” (João 3:8) está além do meu alcance, mas eu sei que Ele assim o faz, e eu também sei que TUDO é obra Sua .
Eu não sei como esta fé salvadora,À mim Ele impartiu, Nem como crendo em Sua Palavra,
Paz foi forjada dentro do meu coração,
Eu não sei como o Espírito se move,
Convencendo os homens do pecado,
Revelando Jesus através da Palavra,
Criando fé nEle.
Paz foi forjada dentro do meu coração,Eu não sei como o Espírito se move,Convencendo os homens do pecado,Revelando Jesus através da Palavra,Criando fé nEle.Mas eu sei em QUEM eu tenho crido!
***Fonte: The Highway e/ou Grace GospelTradução: Josemar BessaVia: Josemar Bessa.

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

Embaixadores em cadeias: Cristãos aprisionados por causa da fé - Por Alderi Souza de Matos



O cristianismo nasceu sob o espectro da perseguição e por isso, desde o princípio, ser cristão e padecer por causa da fé se tornaram realidades entrelaçadas na experiência de muitos fiéis. Uma das provações mais freqüentes foi a perda da liberdade física, com os diferentes graus de desconforto e aflição associados a isto. A Bíblia dos primeiros cristãos, ou seja, o Antigo Testamento, já fazia muitas referências a personagens ilustres que foram lançados na prisão em virtude da sua fidelidade a Deus (José do Egito, Daniel e seus companheiros, o profeta Jeremias e outros). Porém, o que mais marcou a consciência cristã nos primeiros tempos foi aquilo que ocorreu com os próprios líderes iniciais do novo movimento. Jesus foi um prisioneiro, ainda que por poucas horas, e vários dos seus discípulos passaram por situação semelhante.

As experiências de Paulo se tornaram especialmente marcantes e paradigmáticas. O grande apóstolo foi aprisionado várias vezes por ser um cristão, considerava-se um “embaixador em cadeias” e escreveu várias de suas epístolas enquanto preso (At 16.23; 20.23; 21.33; 26.29; 28.20; Rm 16.7; 2 Co 6.5; 11.23; Ef 3.1; 4.1; 6.20; Fp 1.7,13s,17; Cl 4.3,10,18; 2 Tm 1.16; 2.9; Fm 1,9s,13,23). A Epístola aos Hebreus, depois de mencionar “algemas e prisões” como um dos sofrimentos dos servos de Deus, pede aos leitores que se lembrem dos encarcerados, possivelmente irmãos em Cristo (Hb 11.36; 13.2). Durante os três primeiros séculos, nos quais o cristianismo não gozou de status legal no Império Romano, o encarceramento e outras restrições foram experiências dolorosas e freqüentes na vida de muitos cristãos.

1. Períodos antigo e medieval
Um dos prisioneiros mais famosos da era pós-apostólica foi o idoso bispo Inácio de Antioquia, que viveu no início do segundo século. Condenado à morte por ser um líder da igreja, uma escolta de soldados o conduziu até Roma, onde ele foi executado durante o reinado de Trajano (98-117 d.C.). No caminho, recebeu visitas de emissários de várias comunidades cristãs e escreveu sete cartas – às igrejas de Éfeso, Magnésia, Trales, Roma, Filadélfia, Esmirna e ao bispo desta última, Policarpo. Um dos temas desses valiosos documentos é o martírio, o privilégio de sofrer por Cristo. A carta aos Romanos tem a famosa passagem: “Eu sou o trigo de Deus, moído pelos dentes das feras para tornar-me o pão puro de Cristo”. No período antigo, muitos outros cristãos passaram por experiências similares, alguns deles famosos, como Orígenes e Cipriano; a maior parte, cristãos comuns e anônimos.

Na Idade Média, quando o cristianismo se tornou majoritário na Europa e influente devido a sua aliança com o poder político, a igreja oficial puniu com maior ou menor rigor os dissidentes e hereges. Um caso dramático foi o do monge e teólogo alemão Gottschalk (c.805-869), cujo nome latino era Godescalus. Dedicando-se ao estudo e defesa do pensamento de Agostinho sobre a predestinação, ele manteve controvérsia com pensadores de renome como Rabano Mauro e Hincmar. Embora tenha tido importantes simpatizantes, como o teólogo Ratramno, Gottschalk foi condenado por dois sínodos (848-49), destituído do sacerdócio, açoitado e submetido a prisão perpétua no mosteiro de Hautvilliers, de onde continuou o seu debate com Hincmar, arcebispo de Reims. Com o passar do tempo, ficou com a mente perturbada em virtude das privações que sofreu. No final da Idade Média, um prisioneiro e mártir famoso foi o pré-reformador Jan Hus, morto por ordem do Concílio de Constança em 1415.

2. Pós-reforma
A Reforma Protestante deu origem a um novo período de intolerância. Um caso famoso no início do período moderno foi o de John Bunyan (1628-1688), pastor e escritor puritano inglês. Nascido em um lar pobre, ele adquiriu o domínio da língua inglesa através da leitura da Bíblia. Após lutar na Guerra Civil, filiou-se a uma igreja independente do tipo batista e pouco depois começou a pregar, o que era vedado a quem não pertencia à igreja oficial. Por esse motivo, as autoridades o lançaram na prisão. Seu encarceramento se estendeu de modo intermitente por doze anos (1660-1672). Nesse período, ele escreveu a sua obra prima, O Progresso do Peregrino. Esse clássico, publicado em 1678, foi um dos livros mais lidos de todos os tempos. No final da vida, Bunyan continuou a pregar e a evangelizar em sua região. Outras obras de sua lavra são Graça Abundante para o Principal dos Pecadores (1666) e A Guerra Santa (1682).

Antes de se tornarem o país com maior tolerância religiosa em todo o mundo, as colônias inglesas da América do Norte tinham cada uma a sua religião oficial. Isso implicava em dificuldades para os pregadores de outros grupos. Foi o que aconteceu com Francis Makemie (1658-1708), nascido de pais escoceses-irlandeses na Irlanda do Norte e tido como o “pai do presbiterianismo norte-americano”. Após estudar na Universidade de Glasgow e ser ordenado, ele foi para a América em 1683 como missionário. Trabalhou como evangelista itinerante na Carolina do Norte, Maryland, Barbados e Virgínia. Em 1706, liderou a criação do Presbitério de Filadélfia. Quando pregou em Nova York no mesmo ano, o governador Cornbury ordenou que ele fosse preso por pregar sem a devida autorização. Makemie defendeu habilmente o seu direito de livre expressão e foi absolvido. Todavia, Cornbury o forçou a pagar os custos do julgamento.

3. O século vinte
Por causa dos seus notáveis avanços em muitas áreas, o século recém-findo foi denominado o “século das luzes”. Ironicamente foi também um período de muitas restrições à liberdade de consciência, o que fez com que muitos cristãos sofressem por causa da sua fé. O regime nazista notabilizou-se pela sua violência contra diferentes grupos, inclusive religiosos. Em seu livro Força da Luz, o missionário holandês Irmão André conta a história do pastor Paul Schneider. Preso em 1938 e mandado para Buchenwald, ele provocava agitação com a sua pregação ousada e as suas críticas contra o nazismo. Por causa disso, foi colocado em uma solitária. No domingo de Páscoa, sua voz ressoou na prisão: “Assim diz o Senhor: Eu sou a ressurreição e a vida!” Os guardas da SS invadiram a cela e o espancaram até a morte. Não deixaram um só osso inteiro. Um prisioneiro comunista comentou: “Não precisaríamos do socialismo nem do comunismo se tivéssemos mais pessoas como Paul Schneider”.

Poucos anos mais tarde, já em plena II Guerra Mundial, surgiu na Alemanha um movimento cristão de oposição ao nacional-socialismo – a Igreja Confessante. Um de seus principais líderes foi o jovem pastor e teólogo Dietrich Bonhoeffer (1906-1945). Sua oposição ao nazismo o levou a participar do movimento da resistência, o que acarretou a sua prisão pela Gestapo em abril de 1943. Acusado de traição, foi executado no campo de concentração de Flossenbürg no dia 9 de abril de 1945, aos 39 anos. Uma tabuleta simples na igreja da vila próxima afirma: “Dietrich Bonhoeffer, uma testemunha de Jesus Cristo entre os seus irmãos”. Seus livros mais conhecidos são O Preço do Discipulado, Vida em Comunidade e Resistência e Submissão, que contém as suas cartas e anotações escritas na prisão. Outro conhecido prisioneiro cristão do século 20 foi o pastor luterano Richard Wurmbrand, que passou 14 anos em prisões da Romênia (1950-1964) e escreveu o livro Cristo em Cadeias Comunistas.

Conclusão
Os exemplos acima mostram que as experiências de aprisionamento sofridas por cristãos ao longo dos séculos podem variar enormemente quanto à sua justificativa, grau de sofrimento e conseqüências. Todavia, há um elemento comum: a convicção dos perseguidos de que enfrentaram aquelas situações aflitivas em virtude do seu compromisso prioritário com Deus e a sua Palavra. Com freqüência, eles não somente foram fortalecidos espiritualmente através das suas provações, mas, através de seu testemunho e de seus escritos, edificaram e inspiraram os seus contemporâneos e as gerações posteriores.

domingo, 1 de fevereiro de 2015

A UNÇÃO COM ÓLEO - QUEM DEVE SER UNGIDO SEGUNDO TIAGO 5.14? Por Rev L Lima

Óleo
"Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor" (Tg 5.14)
Nosso objetivo aqui é ponderar algumas observações que, talvez, lancem mais luz sobre o assunto e nos ajudem ver a questão sob outro ângulo.
Inicialmente, é preciso dizer que, provavelmente, o principal equívoco em relação à interpretação do texto de Tiago seja a preocupação com o óleo em si mesmo, desconsiderando o contexto em que ele foi utilizado. Há muito esforço por parte de alguns estudiosos para dizer que trata-se de um óleo medicinal, o qual seria utilizado como uma espécie de remédio. Nesse caso, a interpretação é falha porque o próprio texto parece negar o poder do "óleo" de curar, dizendo antes que "a oração da fé" salvará o enfermo.
Por outro lado, há um esforço por parte de outros especialistas em desqualificar o próprio óleo, focalizando mais na importância da oração, tornando o óleo algo opcional. É óbvio que a oração é fundamental, e ela, segundo Tiago, levantará o enfermo, mas a questão aqui é que pouco adianta tentar enfraquecer o uso do termo óleo, pois a ordem de utilizá-lo está no texto, e não podemos removê-la. É preciso lembrar que todo o texto ordena que se faça isso, usando verbos imperativos, e nesse sentido, o Supremo Concílio foi coerente, pois não quis proibir algo que claramente é "mandado fazer" na Escritura.
O ponto, provavelmente, que precisaria ser mais trabalhado é justamente o contexto da afirmação de Tiago. Notamos que a preocupação maior dos intérpretes está em definir o tipo de óleo ou o caráter terminológico da palavra "ungir", e pouca atenção é dada às palavras "doente" e "enfermo". Estariam elas realmente falando de doença física?
Tiago orienta: "Está alguém entre vós doente?". A palavra "doente" é astheney (ἀσθενεῖ), a qual, prioritariamente tem o sentido de "fraco", "débil". A palavra é aplicada desse modo, denotando "fraqueza espiritual" em várias passagens do Novo Testamento. Em Romanos 14.1, Paulo usa essa palavra para falar do irmão "fraco" na fé. Em 1Coríntios 8.7, Paulo fala de pessoas que têm uma "consciência fraca", utilizando essa mesma palavra. Evidentemente, o termo pode ser aplicado para doença física, mas para isso, o contexto precisa ser claro. E não parece ser esse o caso do contexto de Tiago 5.
O contexto de Tiago 5 está evocando o perigo do pecado que acarreta juízo de Deus e, ao mesmo tempo, o modo como alguém pode ser resgatado desse pecado através do arrependimento e da oração por parte da igreja. No verso 11, Tiago elogiou aqueles que "perseveram firmes", ou seja, que não se deixaram desviar dos caminhos de Deus, mesmo sob intenso sofrimento, e menciona o exemplo de Jó para isso. Porém, infelizmente, nem todos conseguem ser firmes e perseverantes como Jó, e Tiago sabe disso.
No verso 12, ele faz uma advertência formal: "Acima de tudo, porém, meus irmãos, não jureis nem pelo céu, nem pela terra, nem por qualquer outro voto; antes, seja o vosso sim sim, e o vosso não não, para não cairdes em juízo". Portanto, ele parece estar mencionando alguma situação específica de perjuro entre os crentes, e relembrando o ensino do Senhor para que evitassem juramentos formais, mantendo apenas o padrão da verdade através de respostas simples: sim, sim; ou, não, não. Ou seja, um crente não pode viver "aquém" daquilo que a Palavra ensina, pois a fé sem obras é morta (Tg 2.26), mas também não deve ir "além". Um excesso de rigor pode levar o crente a uma vida de legalismo, e, consequentemente, de uma fé morta pelo caminho oposto. De qualquer modo, Tiago está alertando o crente a evitar ser atingido pelo juízo de Deus por causa de um pecado que lhe cause uma queda espiritual.
Nesse contexto ele diz: "Está alguém entre vós sofrendo? Faça oração. Está alguém alegre? Cante louvores" (Tg 5.13). "Sofrendo" é a tradução da palavra kakopathia (Κακοπαθεῖ), e literalmente significa "sentimento mau". A ideia é de um sentimento de aflição. Ou seja, se alguém está aflito, provavelmente em decorrência das pressões do mundo, deve fazer oração. Por outro lado, se está livre disso, ou seja, se mesmo enfrentando o sofrimento e a tribulação impostos pelo mundo, continua "animado" (εὐθυμεῖ), então deve "cantar salmos" (ψαλλέτω). Nisso percebemos que ele está descrevendo situações emocionais e, ou, espirituais. Não se tratam de aspectos físicos, mas de estados de espírito, ou seja, o contexto se encaixa mais numa descrição de uma "doença espiritual".
Então, temos os versos 14-15: "Está alguém entre vós doente? Chame os presbíteros da igreja, e estes façam oração sobre ele, ungindo-o com óleo, em nome do Senhor. E a oração da fé salvará o enfermo, e o Senhor o levantará; e, se houver cometido pecados, ser-lhe-ão perdoados". Ou seja, se alguém está "débil" na fé (oposto de animado), possivelmente por alguma situação de pecado que gerou um "desvio" espiritual, essa pessoa deve chamar os presbíteros da igreja, e eles devem ungi-la com óleo, e orar por ela. Consequentemente, a oração da fé "salvará o enfermo".
Essas duas palavras são muito importantes. "Salvará" no texto grego é σώσει (sósei). O termo típico para salvação de pecados. E enfermo é κάμνοντα (kamnonta) que tem o sentido primário de "exaustão". Portanto, o Senhor "salvará o desanimado". É claro que todos esses termos podem ser aplicados a "doença física", mas o assunto de Tiago não é "doença física" e sim "doença espiritual". Ele está falando, provavelmente, de uma pessoa que pecou gravemente, se afastou dos caminhos de Deus, porém, ao ser tocada pelo arrependimento, deseja voltar, mas não tem forças. Assim, os presbíteros devem formalmente ir até ela, orar por ela e ungi-la. Assim, formalmente, o pecado cometido fica perdoado diante de Deus e dos homens. Nesse caso, o óleo é o símbolo do Espírito Santo renovando a vida espiritual desse pecador.
Que o assunto é esse, fica ainda mais claro na sequência do texto: "Confessai, pois, os vossos pecados uns aos outros e orai uns pelos outros, para serdes curados. Muito pode, por sua eficácia, a súplica do justo" (Tg 5.16). Ou seja, o pecador deve confessar seu pecado e receber oração formal, assim, é reconduzido à comunhão da igreja.
Sobre a pergunta que poderia surgir, ou seja, se homens pecadores poderiam fazer isso por outros pecadores, Tiago responde com o exemplo de Elias: "Elias era homem semelhante a nós, sujeito aos mesmos sentimentos, e orou, com instância, para que não chovesse sobre a terra, e, por três anos e seis meses, não choveu. E orou, de novo, e o céu deu chuva, e a terra fez germinar seus frutos" (Tg 5.17-18). Portanto, nisso está a eficácia da oração do justo. Não é a ideia de perfeição de quem está orando, pois Elias é citado aqui como "sujeito aos mesmos sentimentos", mas sua oração foi ouvida por Deus. A metáfora de "abrir o céu" e "fechar o céu", no caso de Elias, fica ainda mais significativa. Quando os presbíteros oram para que Deus restaure o pecador arrependido, isso tem uma correspondência direta com o que é decidido no céu. Em situação semelhante evocando disciplina, restauração e perdão de pecados, no famoso Mateus 18, Jesus disse: "Em verdade vos digo que tudo o que ligardes na terra terá sido ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra terá sido desligado nos céus" (Mt 18.18).
Os dois últimos versículos do capítulo e do livro de Tiago não deixam dúvida de que o assunto é "perdão de pecados": "Meus irmãos, se algum entre vós se desviar da verdade, e alguém o converter, sabei que aquele que converte o pecador do seu caminho errado salvará da morte a alma dele e cobrirá multidão de pecados" (Tg 5.19-20).
Portanto, em que situação a carta de Tiago autoriza os presbíteros a utilizarem o óleo? Para ungir qualquer doente? Parece-nos que não. A prática desse ato pode facilmente conduzir aos abusos e a uma consideração idolátrica do óleo. Formalmente, os presbíteros poderiam utilizar o óleo para ungir um pecador arrependido, que cometeu um pecado grave e se desviou do caminho de Deus (talvez perjuro), porém arrependido deseja voltar, mas não tem forças espirituais para isso. Então, formalmente, os presbíteros vão até ele quando chamados, oram por ele, ungem-no com óleo, simbolizando a restauração espiritual através do Espírito Santo, e confiam que seu ato realizado na terra foi confirmado no céu. Isso retira qualquer "poder" de cura do óleo em si mesmo, e estabelece-o como um símbolo da ação restauradora do Espírito Santo.
Alguns aspectos que fortalecem essa interpretação são: a menção aos "presbíteros da igreja". Presbíteros no plural, ou seja, uma comissão. Por que não apenas um presbítero? Haveria mais poder de cura em vários presbíteros? A questão parece ser outra. O aspecto aqui é o testemunho de várias "testemunhas". Importante também é a menção à "igreja". Ou seja, Tiago poderia mandar que chamassem os presbíteros, usando genericamente o termo, mas ele menciona explicitamente "da igreja". É a primeira vez que ele menciona "igreja" em sua carta. Provavelmente, ele está falando que aquele grupo de líderes deveria ir até o pecador como um grupo formal representando a igreja no ato de readmitir o "enfermo". Além disso, observe-se que eles deveriam ungi-lo "em nome do Senhor". Mais uma vez, isso parece ser uma referência a Mateus 18. Após indicar que a decisão da igreja tomada na terra seria levada em consideração no céu, Jesus declara: "Em verdade também vos digo que, se dois dentre vós, sobre a terra, concordarem a respeito de qualquer coisa que, porventura, pedirem, ser-lhes-á concedida por meu Pai, que está nos céus. Porque, onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, ali estou no meio deles" (Mt 18.19-20). Ou seja, os presbíteros (mais de um) se reuniriam com o pecador e o ungiriam "em nome do Senhor", garantindo assim, a restauração do mesmo.
Finalmente, pode ser notado que a unção com óleo, entre os vários simbolismos que possui, tem um em especial para o nosso tema: alegria (Sl 23.5, 45.7, Pv 27.9, Ec 9.8, Dn 10.3). Em terminologia que nos parece bastante semelhante à do contexto de Tiago 5, Isaías profetizou a respeito da missão do Messias como: "apregoar o ano aceitável do SENHOR e o dia da vingança do nosso Deus; a consolar todos os que choram, e a pôr sobre os que em Sião estão de luto uma coroa em vez de cinzas, óleo de alegria, em vez de pranto, veste de louvor, em vez de espírito angustiado" (Is 61.2-3). Esse simbolismo de perdão e aceitação alegre em referência ao óleo ainda pode ser visto em Ez 16.8-10. Em contrapartida, o uso do óleo, porém sem arrependimento, é condenado em Amós 6.1-6 (especialmente o verso 6).
Minha opinião sobre a prática: "Tiago está refletindo e orientando uma prática da primeira comunidade cristã, oriunda do Judaísmo, na qual os símbolos culturais eram bastante importantes, e o Espírito Santo, simbolizado pelo óleo, podia ser utilizado como selo da restauração espiritual do pecador. Em princípio, a evidência de enfermidade física, nesse caso, é bem efêmera, mas não posso descartá-la. Considerando que os símbolos culturais são adaptáveis (como foi o caso do véu em Corinto, e sob outra situação a ordenança das observâncias judaicas temporárias do Concílio de Jerusalém em Atos 15), não vejo necessidade de insistir no uso do óleo nos dias atuais, pois vivemos no contexto de uma igreja que se desprendeu dos símbolos vetero-testamentários.