terça-feira, 6 de janeiro de 2015

Sexo na universidade - Por Rev. Augustus Nicodemus Lopes


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A universidade, além de ser o local aonde os jovens vão para adquirir uma boa educação e se preparar para o futuro, acaba sendo o ponto de partida para o sexo casual, às vezes com consequências sérias para o resto da vida. Entre estas, podemos mencionar a gravidez indesejada, os abortos e as doenças sexualmente transmissíveis (DST). Em muitos casos, o sexo fortuito ocorre associado com uso de bebidas alcoólicas e drogas que se inicia nos bares no entorno das universidades.
Do ponto de vista cristão, o sexo é uma dádiva de Deus, que desfrutado da maneira correta, é fonte de alegria, satisfação e realização. O cristianismo limita o relacionamento sexual ao casamento. Mas, não é necessário lançar mão do viés religioso para se perceber que o apelo sexual na universidade acaba abrindo as portas para relacionamentos complicados. Os mesmos podem trazer problemas de ordem emocional, psicológico e até legal (como a curetagem e o aborto clandestinos), que acabam prejudicando não somente a carreira estudantil, acadêmica e profissional do jovem, mas sua vida como um todo.
O sexo não é apenas um momento fisiológico de prazer. Por causa da natureza humana, a sexualidade está entretecida com nossa dimensão emocional, psicológica, moral, social e religiosa. As relações sexuais, mesmo as fortuitas e casuais, acarretam apegos e paixões, por um lado, culpa, raiva e nojo, por outro – emoções poderosas que conturbam a paz interior das pessoas, especialmente de adolescentes recém-chegados à universidade.
Jovens com a vida emocional conturbada por relacionamentos sexuais complicados podem acabar levando para a sala de aula estas perturbações, que roubam a paz de espírito e a tranquilidade necessárias para ler, aprender, estudar, pesquisar e escrever. As estatísticas mostram que o maior índice de óbitos decorrentes de curetagem ilegal se dá entre jovens na faixa de 20 a 29 anos, faixa etária onde se insere a maior parte dos universitários. Uma pesquisa de 1993 da ocorrência de aborto entre jovens de uma universidade brasileira mostrou que mais de 50% das que engravidaram fizeram curetagem, com maior incidência das mais jovens. Todavia, não creio que precisemos de pesquisas estatísticas para afirmar que jovens viciados em sexo e afundados em problemas de relacionamento frequentemente acabam se dando mal academicamente.
É triste assistir ao desperdício voluntário de talentos por parte de jovens que cedem aos engodos da cultura pós-moderna na área de sexualidade, a qual reduz o sexo a uma mera função biológica orientada para o prazer momentâneo e inconsequente.
A fé cristã reformada valoriza a família, o sexo no casamento, sem reduzi-lo a mera função procriadora. Valoriza o trabalho, o bom desempenho acadêmico e o exercício eficaz da profissão como parte da cidadania e da vocação cristã. Na Bíblia encontramos a história de um jovem líder do povo judeu chamado Sansão, com potencial para ser um dos maiores juízes do seu povo. Todavia, os repetidos envolvimentos sexuais de Sansão, e as consequências que os mesmos trouxeram, acabaram por arruinar sua carreira (veja Juízes 14.1-2; 16.1; 16.4; 16.19; 16.28-30). A Bíblia também registra o encontro de Jesus com uma mulher sedenta de sentido e propósito na vida, mesmo após ter tido cinco maridos e estar vivendo com um amante. Em Jesus ela encontrou a plena satisfação para seu coração vazio (João 4.7-29).
Os pais e professores deveriam aconselhar os jovens a não trocarem um futuro promissor por prazeres inconsequentes e passageiros. No Evangelho de Jesus Cristo encontrarão perdão para erros cometidos e a força necessária para resistir aos apelos que não levam em conta as consequências e os efeitos de atos impensados.

segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Uma luz no crepúsculo – Martyn Lloyd-Jones (1899-1981)















Nada há tão desesperador no mundo como a bancarrota da perspectiva não-cristã da vida. Charles Darwin no fim da vida confessou que o resultado de haver concentrado sua atenção em um único aspecto da vida foi que perdeu a capacidade de apreciar a poesia e a música, e, em grande medida, perdeu até a capacidade de apreciar a natureza. Pobre Darwin. . . O fim de H. G. Wells foi bem parecido. Ele, que havia dado tanto valor à mente e ao entendimento humano, e que havia ridicularizado o cristianismo com suas doutrinas do pecado e da salvação, no final da vida confessou-se frustrado e confuso.

O próprio título de seu último livro — Mind at the End of iís Tether (Mente Sem Mais Recursos) — dá eloqüente testemunho em prol do ensino bíblico sobre a tragédia que caracteriza o fim dos ímpios. Ou considere a frase da autobiografia de um racionalista como o dr. Marret, que foi diretor de uma faculdade, em Oxford... «Para mim, porém, a guerra pôs repentino fim ao longo verão de minha vida. Daí em diante, não tenho mais nada para ver pela frente senão o frio outono e o inverno mais frio ainda, e, contudo, devo esforçar-me de algum modo para não perder o ânimo».

A morte dos ímpios é coisa terrível. Leia as biografias deles. Passam os seus dias de esplendor. Não têm diante de si nenhuma expectativa bem-aventurada, e, à semelhança do que ocorreu ao falecido Lord Simon, procuram alento revivendo seus idos sucessos e triunfos.

No Livro de Provérbios lemos que «o caminho dos perversos é como a escuridão». «Mas a vereda dos justos é como a luz da aurora que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito» (Provérbios 4.19,18). Que glória! . . .ouça então ao apóstolo "Paulo (2 Timóteo 4.6-8).

Uma das mais soberbas apologias feitas por João Wesley, dos seus primeiros metodistas, era esta: «Nossa gente morre bem» ... A Bíblia, em toda parte, nos exorta a que ponderemos sobre o nosso «derradeiro fim» . . . Renda-se a Cristo e confie nEle e no Seu poder. . . E o fim será glorioso.

sábado, 3 de janeiro de 2015

Agostinho e o método alegórico de interpretação - Por Rikison Moura, V.D.M


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Agostinho de Hipona (354-430), foi um dos maiores e mais influentes teólogos da igreja cristã. Respeitado tanto por católicos como por protestantes, Agostinho cravou o seu nome de uma vez por todas nos anais da história. Esse homem foi tão importante para os ideais da Reforma Protestante e seus escritos influenciaram de maneira tão profunda os reformadores, que há quem diga que a Reforma Protestante, bem que podia ser chamada de “Reforma agostiniana”.

Sua teologia desenvolveu-se em um período de conturbados e acalorados debates. E enquanto travava verdadeiras batalhas contra os maniqueus, donatistas, Pelágio e tantos outros, verdadeiras pérolas brotaram da pena de Agostinho. Dentre seus escritos mais importantes destacam-se: Confissões, A Trindade, que ele levou 16 dezesseis anos para termina-la, O livre-arbítrioCidade de Deus e a Doutrina cristã.

Esse livro, A doutrina cristã, é um manual de hermenêutica e pregação. Aqui, Agostinho estabeleceu princípios importantes de interpretação bíblica. Entre esses princípios destacam-se os seguintes:
1. O intérprete deve possuir fé cristã autêntica.
2. Deve-se ter em alta conta o significado literal e histórico da Escritura.
3. A Escritura tem mais que um significado e portanto o método alegórico é adequado.
4. Há significado nos números bíblicos.
5. O AT é documento cristão porque Cristo está retratado nele do princípio ao fim.
6. Compete ao expositor entender o que o autor pretendia dizer, e não introduzir no texto o significado que ele, expositor, quer lhe dar.
7. O intérprete deve consultar o verdadeiro credo ortodoxo.
8. Um versículo deve ser estudado em seu contexto, e não isolado dos versículos que o cercam.
9. Se o significado de um texto é obscuro, nada na passagem pode constituir-se matéria de fé ortodoxa.
10. O Espírito Santo não toma o lugar do aprendizado necessário para se entender a Escritura. O intérprete deve conhecer hebraico, grego, geografia e outros assuntos.
11. A passagem obscura deve dar preferência à passagem clara.
12. O expositor deve levar em consideração que a revelação é progressiva.[1]

Porém, mesmo estabelecendo esses importantes princípios de interpretação bíblica, muitos dos quais ainda são utilizados hoje em dia, Agostinho não seguiu de perto esses princípios. Na prática, Agostinho renunciou à maioria dos seus princípios e dedicou-se excessivamente à interpretação alegórica. Ele justificou suas interpretações alegóricas recorrendo a 2 Coríntios 3.6  “Porque a letra mata, mas o espírito vivifica”, querendo com isso dizer que uma interpretação literal da Bíblia mata, mas a interpretação alegórica ou espiritual, vivifica. 

Portanto, a influência de Agostinho na história da interpretação bíblica foi mista: na teoria ele sistematizou muitos dos princípios de uma exegese sadia, mas na prática deixou de aplicar esses princípios em seus estudos dedicando-se a alegoria.

Durante muito tempo a interpretação alegórica reinou na igreja. Desde aqueles que sucederam os apóstolos até a Reforma Protestante no século XVI. Nomes como Clemente de Alexandria (c.150-c.215), Orígenes (185?-254?) eram exímios intérpretes alegóricos. Orígenes dava grande importância a 1 Coríntios 2.6-7 (“falamos a sabedoria de Deus em mistério”). 

Mas o que é alegoria? E quais são os seus principais problemas?

O termo alegoria procede da combinação de dois termos gregos, allos, isto é, “outro”, eagoreyo, “falar”, ou “proclamar”. Literalmente significa “dizer uma coisa que significa outra”.[2]

Esdras Costa Bentho nos chama a atenção de que como figura literária, a alegoria é uma metáfora estendida e um recurso literário válido e útil; porém, como sistema de interpretação, mutila os textos bíblicos.[3]

O grande problema de usar alegorias como método de interpretação bíblica é que ele não leva em consideração a intenção do autor original. A intenção do autor perde-se de vista e o intérprete introduz no texto as suas próprias palavras. O intérprete alegórico é especulativo, extravagante. Na ânsia de encontrar o sentido espiritual em cada sentença da Escritura, ele perde de vista o contexto histórico e sangra o propósito tencionado pelo autor original, e assim a Bíblia passa a ser interpretada, não pela própria Bíblia, mas pela mente fantasiosa do intérprete.

Hoje em dia, vez por outra, nós vemos alguns pregadores se aventurarem no terreno escorregadio da interpretação alegórica. Um dia desses ouvi um pregador dizer: “Vocês sabem por que razão Davi pegou cinco pedras do ribeiro (1Sm 17.40)? Era porque aquelas cinco pedras apontavam para o nome de Jesus!”. Mas vejam só que problema esse pregador tem em mãos. Ele não levou em consideração que a Bíblia não foi originalmente escrita em português, e o nome Jesus no hebraico é Yeshua e a transliteração grega do hebraico Yeshua é Jesous e em ambos os casos não tem cinco letras como queria o pregador alegórico acima citado.

Com o advento da Reforma Protestante, o eixo hermenêutico e exegético é drasticamente modificado. As fantasiosas interpretações alegóricas são abandonadas e o texto sagrado, que pelos reformadores era levado à sério é explicado de modo fiel. Tanto Lutero como Calvino, mesmo sendo grandes admiradores de Agostinho, não seguiram o método alegórico de interpretação bíblica e adotaram uma hermenêutica clara, direta e literal. Lutero entendia que o método histórico-gramatical era a melhor abordagem para a compreensão correta da Escritura. Ele chamou a interpretação alegórica de “sujeira”, “escória” e “trapos obsoletos”.

O doutor Martinho Lutero advertiu sobre a atração sedutora de espiritualizar o texto bíblico: “Uma alegoria é como uma bela meretriz que acaricia os homens de uma forma impossível de não amá-la”.[4]

Ele sustentava que um bom intérprete deve considerar em sua exegese as condições históricas, a gramática e o contexto. Acreditava que a fé e a iluminação do Espírito eram requisitos indispensáveis ao intérprete da Bíblia.

João Calvino, o maior exegeta da Reforma, considerava a interpretação alegórica como artimanha de Satanás para obscurecer o sentido da Escritura. A sentença predileta de Calvino era: sacra Scriptura sui interpres --- A própria Escritura interpreta a Escritura. Para ele, a tarefa número um do expositor é revelar o pensamento específico do autor sagrado.
“Visto que revelar a mente do autor é a única tarefa do intérprete, ele erra o alvo, ou pelo menos desvia-se de seus limites, à medida que afasta os seus leitores do propósito do autor... É presunção, e quase uma blasfêmia, distorcer o significado das Escrituras, agindo sem o devido cuidado, como se isto fosse algum jogo que estivéssemos jogando. Ainda assim, muitos estudiosos já fizeram isso alguma vez”.[5]

Devemos, mais do que nunca, seguirmos de perto esse princípio hermenêutico reformado. Cientes de que quando a Bíblia fala, Deus fala, e que uma vez sendo o texto bíblico exposto com fidelidade, o povo é instruído e fortificado na fé e Deus é engrandecido e glorificado, pois um compromisso fiel com a Palavra de Deus é um compromisso inabalável com o Deus da Palavra. Que em tempos marcados pelo relativismo, superficialidade e desvios na exposição bíblica, possamos clamar como Lutero: “A minha mente é cativa da Palavra de Deus!”. Que Deus nos ajude a sermos expositores fiéis de Sua Palavra.

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Notas:
[1] Ramm, citado por Henry Virkler, Hermenêutica avançada, (VIDA) p.45
[2] Esdras Costa Bentho, Hermenêutica Fácil e Descomplicada (CPAD) p. 124
[3] Idem
[4] Steven Lawson, A heroica ousadia de Martinho Lutero, (FIEL), p.62
[5] Steven Lawson, A arte expositiva de João Calvino, (FIEL), p.71

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Fonte: Igreja Presbiteriana de Russas

sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

Coluna e Fundamento da Verdade


Escrevo-lhe estas coisas, embora espere ir vê-lo em breve; mas, se eu demorar, saiba como as pessoas devem comportar-se na casa de Deus, que é a igreja do Deus vivo, coluna e fundamento da verdade. (1 Timóteo 3.14-15)
Paulo chama a igreja de “coluna e fundamento da verdade”. Isso nos diz, não o que a igreja deve ser, mas o que a igreja é. A importância dessa distinção se tornará mais clara depois, mas primeiro devemos considerar se as duas metáforas estão sujeitas a mau entendidos.
Alguns escritores preocupam-se que as metáforas “coluna” e “fundamento” podem dar às pessoas a impressão que a igreja é a própria fonte e base da verdade. Contudo, toda a Escritura testifica contra isso, e por isso eles estão interessados em expor o versículo de uma forma que evite a falsa interpretação.
Dessa forma é tido que a metáfora da “coluna” é feita no contexto da arquitetura antiga. Um templo pagão, por exemplo, pode incluir várias colunas de ornamento que servem não somente para sustentar a estrutura, mas para demonstrar a riqueza e glória associada com a divindade. Os escritores parecem mais preocupados com a metáfora do “fundamento”, e sugerem que uma tradução melhor seria “baluarte” ou “esteio”. Isto é, a igreja não é o próprio fundamento da verdade, mas apenas seu protetor.
O problema tem sido exagerado. Não somos católicos que tentam distorcer palavras e frases individuais da Escritura para justificar suas doutrinas inventadas por homens. Somos cristãos que respeitam o todo da Escritura, e leem palavras e frases individuais considerando o contexto de todo o santo livro. A Escritura é um produto da inspiração divina, de forma que palavras e frases individuais são de fato importantes, tanto que doutrinas inteiras podem depender delas; contudo, essas palavras e frases não permanecem sozinhas, e não mantém seus significados no vácuo. E muito menos estão sujeitas a interpretações arbitrárias impostas sobre elas.
O mesmo apóstolo que escreve que a igreja é a coluna da verdade também prega que Deus “não é servido por mãos de homens, como se necessitasse de algo” (Atos 17.25). Quão tolo deve ser então uma pessoa pensar que a metáfora aqui poderia ser distorcida para significar que a igreja é o suporte da verdade no sentido que a verdade iria se desintegrar se não fosse a igreja. Algumas pessoas falam como se a apostasia dos homens pudesse frustrar o plano de Deus. Não, ela não pode. Eu estou certamente preocupado com o estado da igreja e do clima espiritual do mundo, mas somente como uma questão de zelo, e não por medo e terror quanto ao resultado final. A verdade permanecerá quer a igreja permaneça ou não. E a igreja permanecerá quer pareça haver muitos crentes fiéis ou não, visto que Cristo disse que iria edificá-la, e que nem mesmo o inferno prevaleceria contra ela. A metáfora refere-se a uma função da igreja, e não ao seu poder inerente. Não há lugar para má interpretação.
Quanto à ideia de fundamento, a palavra não sugere algo como uma fonte ou originador. O fundamento de uma construção não é o designer, o construtor ou o criador do edifício. É somente o local onde o edifício foi posto. Nem pode a metáfora sugerir que a igreja é o fundamento da verdade no sentido que o fundamento de um sistema intelectual consiste dos primeiros princípios a partir dos quais o restante do sistema é deduzido. Isso acontece porque a igreja em si não é nenhuma parte dos conteúdos de um sistema intelectual.
Se a metáfora fosse sugerir uma ideia como construtor ou criador, ou fonte, precisaríamos mais, quer do contexto imediato ou do pano de fundo da Escritura para forçar essa interpretação. Isso está algumas vezes presente quando a metáfora do “fundamento” é usada em outros lugares, mas o contexto e o pano de fundo impedem essa interpretação aqui. Paulo instrui os cristãos a se comportarem de uma maneira que sirva à verdade. Mas se a igreja produz a verdade, então o que a igreja produz é a verdade. Contudo, Paulo não define a verdade em termos da igreja, mas define a igreja em termos da verdade. A verdade foi revelada por Deus, e é fixa. Quer uma comunidade seja ou não a igreja depende de sua relação com a verdade.
Isso aborda uma das questões mais prementes que os cristãos devem considerar, e eles devem examinar suas comunidades à luz da resposta. O que a igreja deve ser? Há alguns que dizem: “O que é a verdade?” E sua resposta é: “Pergunte à igreja. A verdade é o que a igreja diz ser”. Essa não é a visão cristã. Antes, perguntamos: “O que é a igreja?”. E respondemos: “Deus nos revelou a verdade por meio da Escritura. A igreja é a comunidade que afirma essa verdade em comum, e que promove e protege essa verdade sobre Deus e Jesus Cristo”.
Segue-se que qualquer comunidade que falhe em afirmar, promover e proteger a verdade não é a igreja. Se ela cessa de suportar e demonstrar a verdade como uma coluna, e se não mantém reta e estável a verdade como um fundamento, então ela não é a igreja. A coluna e o fundamento da verdade não é o que a igreja deve ser, ou deve lutar para se tornar, mas sim o que a igreja é. Em outras palavras, se uma assembleia não é uma coluna e fundamento da verdade, ela não é uma igreja. Não importa o que faça – pode unir pessoas em amizades, pode se exceder em caridade, ou pode advogar a justiça social – ela não é uma comunidade cristã.
Considere dois exemplos. Há igrejas que se chamam assembleias cristãs, mas sua posição oficial nega a inerrância da Escritura, que a Bíblia é um produto da inspiração divina, de forma que é correta em cada detalhe e carrega autoridade absoluta. Essas congregações perderam todo o sentido de verdade. Não há nenhuma base para chamá-las de igrejas cristãs. Então, há algumas denominações que casam homossexuais, e ordenam formalmente alguns deles como pregadores. Essas organizações não funcionam como colunas da verdade, mas tentam redefinir a verdade afirmando algo contrário à verdade já revelada por Deus.
A Bíblia revela a verdade em proposições e doutrinas fixas, e define a igreja como aquela que funciona como sua coluna. Essas denominações revertem isso em seu pensamento e prática – sua suposição fixa é que eles são a igreja cristã, e a verdade é o que declaram ser, e que a verdade está sujeita à modificação à medida que as opiniões de homens mudam e se alteram. O pecado da homossexualidade é importante, e não podemos ignorar o fato que essas denominações o toleram. Mas a questão aqui é que sua política é somente um resultado de uma apostasia mais geral, um abandono anterior da fé, no fato deles já terem se afastado da verdade da revelação divina. E porque eles não são o promotor e protetor da verdade, mas antes tentam inventar suas próprias doutrinas de acordo com os sentimentos dos tempos, eles não são mais igrejas cristãs.
O que isso significa é que todos os cristãos deveriam denunciar essas denominações e congregações que adotam tal política, e eles deveriam ser considerados excomungados do reino de Cristo. Nenhum cristão deveria apoiar essas denominações e igrejas com parte de seu tempo, dinheiro ou boa vontade, e nenhum cristão deveria participar de suas reuniões como se estivessem frequentando cultos cristãos. Sem dúvida, podemos nos dirigir a esses grupos como assembleias não cristãs, chamando-os ao arrependimento e conversão por meio da fé em Jesus Cristo e o assentimento genuíno à verdade.
Eu endosso a ideia que deveríamos buscar a paz uns com os outros, e que nem toda divergência doutrinária deveria resultar num rompimento total. Contudo, existe uma tendência equivocada entre os cristãos de buscar a paz unindo-se ao redor de uma quantidade mínima de verdade. Mas desde quando a fé em Jesus Cristo é uma busca pelo mínimo? Antes, ela é uma proclamação de toda a revelação de Deus, a verdade inteira sobre Deus que ele revelou. Ela é uma busca pelo máximo, por um entendimento completo e por toda a plenitude de Deus.
Algumas vezes é sugerido que quando consideramos a legitimidade de uma igreja, deveríamos perguntar se ela transmite ou não pelo menos “o evangelho”, e mediante isso quer-se dizer o mínimo da verdade. Mesmo que o mínimo Cristianismo ainda seja Cristianismo, certamente não é bom Cristianismo, e é contrário ao espírito da fé apoiá-lo. Um cristão mínimo, se é que existe tal coisa, pode de fato ser um cristão, mas que ninguém o considere como um mestre! E uma igreja mínima, se é que existe tal coisa, pode de fato ser uma igreja, mas por que alguém deveria se unir a ela?

Fonte: Reflections on First Timothy
Tradução: Felipe Sabino de Araújo Neto

quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

A manifestação da bondade de Deus - Por J Miranda – IECCM – 31/12/2014



Texto: Salmo 89.1-17

A bondade de Deus permanece continuamente' (Salmo 52:1). A 'bondade' de Deus tem que ver com a perfeição da Sua natureza: '... Deus é luz, e não há nele trevas nenhuma' (1 João 1:5). Há uma tão absoluta perfeição na natureza e no ser de Deus que nada Lhe falta, nada nEle é defeituoso, e nada se Lhe pode acrescentar para melhorá-lO. 'Ele é essencialmente bom, bom em Si próprio, o que nada mais é; pois todas as criaturas só são boas pela participação e comunicação da parte de Deus. Ele é essencialmente bom; não somente bom, mas é a própria bondade: na criatura, a bondade é uma qualidade acrescentada; em Deus, é Sua essência. Ele é infinitamente bom; na criatura a bondade é uma gota apenas, mas em Deus há um oceano infinito ou um infinito ajuntamento de bondade. Ele é eterno e imutavelmente bom, porquanto Ele não pode ser menos bom do que é; como não se pode fazer nenhum acréscimo a Ele, assim também não se Lhe pode fazer nenhuma subtração' (Thomas Manton).

Portanto, a primeira manifestação desta perfeição divina consistiu em dar existência a todas as coisas. 'Tu és bom e abençoador...', ou, na versão utilizada pelo autor: 'Tu és bom, e fazes o bem...” (Salmo 119:68). Deus tem em Si mesmo um infinito e inexaurível tesouro de todas as bênçãos, capaz de encher todas as coisas.

A teoria do Big Bang diz que o universo surgiu de uma gigantesca explosão cósmica. A pergunta é: Será que o caos pode gerar o cosmos? Será que a desordem pode gerar a ordem? Será que uma colossal explosão pode gerar um universo com leis, movimentos, harmonia e propósito?

Nosso objetivo: Certificar à igreja da perfeição divina que consistiu em dar existência a todas as coisas.

A manifestação da bondade de Deus

1- A bondade de Deus consiste na CriaçãoSalmo 89.5   Celebram os céus as tuas maravilhas, ó SENHOR, e, na assembléia dos santos, a tua fidelidade.
89.6   Pois quem nos céus é comparável ao SENHOR? Entre os seres celestiais, quem é semelhante ao SENHOR?
89.7   Deus é sobremodo tremendo na assembléia dos santos e temível sobre todos os que o rodeiam.
89.8   Ó SENHOR, Deus dos Exércitos, quem é poderoso como tu és, SENHOR, com a tua fidelidade ao redor de ti?!
89.9   Dominas a fúria do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as amainas.

Tudo que provém de Deus — Os Seus decretos, a Sua criação, as Suas leis, as Suas providências — só pode ser bom, como está escrito: 'E viu Deus tudo quanto tinha feito, e eis que era muito bom...' (Gênesis 1:31). Assim, vê-se a bondade de Deus primeiro na criação. Aquele que criou se responsabiliza.

“A ciência corretamente analisada jamais entrará em contradição com a Bíblia corretamente interpretada, pois ambas têm o mesmo autor: Deus”. Reafirmamos, portanto, nossa fé: “No princípio criou Deus os céus e a terra” (Gn 1.1).


2- A bondade de Deus consiste na criatura Salmo 89.1   [Salmo didático de Etã, ezraíta] Cantarei para sempre as tuas misericórdias, ó SENHOR; os meus lábios proclamarão a todas as gerações a tua fidelidade.
89.2   Pois disse eu: a benignidade está fundada para sempre; a tua fidelidade, tu a confirmarás nos céus, dizendo:
89.3   Fiz aliança com o meu escolhido e jurei a Davi, meu servo:
89.4   Para sempre estabelecerei a tua posteridade e firmarei o teu trono de geração em geração.

Quanto mais de perto se estuda a criatura, mais visível se torna a benignidade do seu Criador. Tome a mais elevada criatura da terra, o homem. Abundantes motivos tem ele para dizer com o salmista: 'Eu te louvarei, porque de um modo terrível e tão maravilhoso fui formado; maravilhosas são as tuas obras, e a minha alma o sabe muito bem' (Salmo 139:14). Tudo acerca da estrutura dos nossos corpos atesta a bondade do seu Criador. Que mãos apropriadas para realizar a obra a elas confiada! Que bondade do Senhor, determinar o sono para restaurar o corpo cansado! Que benévola a Sua provisão, dar aos olhos cílios e sobrancelhas para protegê-los! E assim poderíamos prosseguir indefinidamente.

E a bondade de Deus não se limita ao homem; é exercida em favor de todas as Suas criaturas. 'Os olhos de todos esperam em ti, e tu lhes dás o seu mantimento a seu tempo. Abres a tua mão, e satisfazes os desejos de todos os viventes' (Salmo 145:15-16).

3- A bondade de Deus consiste na provisãoSalmo 89.9   Dominas a fúria do mar; quando as suas ondas se levantam, tu as amainas.
89.10   Calcaste a Raabe, como um ferido de morte; com o teu poderoso braço dispersaste os teus inimigos.
89.11   Teus são os céus, tua, a terra; o mundo e a sua plenitude, tu os fundaste.
89.12   O Norte e o Sul, tu os criaste; o Tabor e o Hermom exultam em teu nome.
89.13   O teu braço é armado de poder, forte é a tua mão, e elevada, a tua destra.
89.14   Justiça e direito são o fundamento do teu trono; graça e verdade te precedem.

Tudo que necessitaremos em 2015 e é certo que o Senhor proverá -
Volumes inteiros poderiam ser escritos, na verdade têm sido, para discorrer sobre este fato. Sejam as aves do espaço, os animais das matas ou os peixes no mar, foi feita abundante provisão para suprir todas as suas necessidades. Deus'..dá mantimento a toda a carne; porque a sua benignidade é para sempre' (Salmo 136:25). Verdadeiramente, '... a terra está cheia da bondade do Senhor' (Salmo 33:5).


Vê-se a bondade de Deus na variedade de prazeres naturais que Ele providenciou para as Suas criaturas. Deus poderia ter-Se satisfeito em saciar a nossa fome sem que os alimentos fossem agradáveis ao nosso paladar — como Sua benignidade transparece-nos diversos sabores de que Ele revestiu os diferentes tipos de carne, vegetais e frutas! Deus não nos deu somente os sentidos, mas também nos deu aquilo que os agrada; e isso também revela a Sua bondade.


Conclusão:
A manifestação da bondade de Deus
1-   A bondade de Deus na Criação
2-   A bondade de Deus na criatura
3-   A bondade de Deus na provisão
Aplicação
·         A bondade de Deus me garante ser mais que feliz - 89.15   Bem-aventurado o povo que conhece os vivas de júbilo, que anda, ó SENHOR, na luz da tua presença.
89.16   Em teu nome, de contínuo se alegra e na tua justiça se    exalta,

·         A bondade de Deus avulta o nosso poder -  89.17   porquanto tu és a glória de sua força; no teu favor avulta o nosso poder. aumentar, exagerar


Donde, pois, esta beleza, este encanto, tão livremente difundido pela face da natureza? Verdadeiramente, 'O Senhor é bom para todos, e as suas ternas misericórdias são sobre todas as suas obras' (Salmo 145:9).

A bondade de Deus é o sustentáculo da confiança do crente, é esta excelência de Deus que exerce mais atração sobre os nossos corações. Visto que a Sua bondade dura para sempre, jamais deveríamos ficar desanimados. 'O Senhor é bom, uma fortaleza no dia da angústia, e conhece os que confiam nele' (Naum 1:7).
Suas dispensações podem variar, mas a Sua natureza é sempre a mesma” (C. H. Spurgeon).

Em 2015  Bondade e misericórdia certamente me seguirão todos os dias da minha vida; e habitarei na casa do Senhor para todo o sempre”.