quarta-feira, 6 de agosto de 2014

A Oração de Jonathan Edwards


Senhor, tudo o que sou e tenho entrego a ti, de modo que não sou, em nenhum aspecto, meu. Não posso disputar por direito algum neste entendimento, nesta vontade, nestas aflições, os quais estão em mim. Nem tenho direito algum sobre este corpo ou sobre qualquer um de seus membros – não tenho direito sobre esta língua, sobre estas mãos, sobre estes pés; nenhum direito sobre estes sentidos, estes olhos, estes ouvidos, este olfato ou este paladar. Dou a mim mesmo abertamente e não conservo coisa alguma como minha. Dou-lhe todo o poder, a fim de que, no futuro, não contenda por direito algum sobre mim mesmo, em qualquer aspecto. Tomo-te por minha completa porção e felicidade, não olhando para coisa alguma como parte de minha felicidade, nem agindo como se isso fosse possível. Tomo Tua Lei por constante norma de minha obediência e lutarei com todas as minhas forças contra o mundo, a carne e o demônio, até ao fim da minha vida. Creio em Cristo e O recebo como um Príncipe e Salvador, e me prenderei à fé e à obediência do evangelho, por mais arriscado e difícil que possa ser confessá-lo e praticá-lo. Que o Senhor, por amor a Cristo, olhe este meu compromisso como uma dedicação de mim mesmo e me receba como inteiramente seu, e me trate como tal, em todos os aspectos, quer me aflija, quer me favoreça, ou seja o que for que Te agrade fazer comigo, sou Teu. Daqui em diante, não devo agir, em circunstância alguma, como se pertencesse a mim mesmo. Agirei como se pertencesse a mim mesmo, se alguma vez fizer uso de algum de meus recursos para qualquer coisa que não seja para a Tua glória e se não fizer da Tua glorificação toda a minha ocupação; se murmurar na menor aflição; se sofrer por causa da prosperidade dos outros; se de alguma forma não tiver caridade; se ficar irado por causa de injúrias; se me vingar delas; se fizer qualquer coisa puramente para agradar a mim mesmo ou se rejeitar qualquer coisa pelo bem de meu próprio conforto; se omitir qualquer coisa para fugir de uma grande abnegação; se confiar em mim mesmo; se tomar para mim algum louvor em relação ao bem que Tu fazes por meio de mim; ou se for, de algum modo, orgulhoso. Sendo sensível ao fato de que sou incapaz de fazer qualquer coisa sem Tua ajuda Senhor, humildemente rogo-Te, pela Tua graça, que me capacite a viver conforme esta oração, sendo ela agradável à Tua vontade, por amor a Cristo. Amém.
Jonathan Edwards
Esta oração foi composta a partir das anotações no diário de Jonathan Edwards e de suas resoluções.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

A necessidade da oração - Por Rev. Hermisten Maia


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A questão que surge é: Se Deus sabe todas as coisas, por que então orar? Calvino responde:

"...os que argumentam desse modo não vêem a que fim o Senhor instituiu a oração para os Seus. Porque não a estabeleceu por Sua causa, mas em atenção a nós. Porque, embora Ele esteja sempre em vigilância e faça constantemente a ronda para nos preservar, mesmo quando somos tão tolos e obtusos que não percebemos os males que nos rodeiam, e embora por vezes Ele nos dê socorro antes de ser invocado, todavia nos é necessário suplicá-lo constantemente." [1]

Portanto, devemos orar:

1 - "A fim de que o nosso coração seja inflamado de um veemente e ardente desejo de buscar, amar e honrar sempre a Deus, o que nos fará habituar-nos a ter nele o nosso refúgio em todas as necessidades, como o único porto de salvação". [2] Assim que as tentações nos assaltarem, que oremos sempre para que Deus faça a luz de sua verdade resplandecer sobre nós, a fim de que, recorrendo a invenções pecaminosas, não nos desviemos e perambulemos por desvios e caminhos proibidos." [3]

2 - "A fim de que o nosso coração seja tocado de algum desejo, que nem sempre Lhe ousamos confessar de imediato, como quando expomos diante dos Seus olhos todo o nosso afeto e, por assim dizer, desenrolamos e abrimos todo o nosso coração perante Ele." [4] 

3 - "A fim de que sejamos habilitados a receber Suas bênçãos com verdadeiro reconhecimento e ação de graças, visto que pela oração somos advertidos de que elas nos vêm da Sua mão." [5] salmo 19.14

4 - Além desses motivos, este: "A fim de que, tendo obtido o que pedimos, tenhamos em consideração o fato de que Ele nos atendeu e, por isso, sejamos incitados a meditar mais ardorosamente em Sua benignidade. E também tenhamos mais prazer em gozar os benefícios que Ele nos faz, tendo em mente que os obtivemos por meio das nossas orações. Finalmente,  fim de que a Sua providência seja confirmada e aprovada em nosso coração, na medida da nossa pequena capacidade, sendo que nós vemos que Ele não somente promete jamais abandonar-nos, mas também nos dá acesso para buscá-lo e Lhe fazer súplicas quando há necessidade." [6] Salmo 77.11-12

De forma figurada, Calvino diz que "o coração de Deus é um 'Santo dos Santos', inacessível a todos os homens", e é o Espírito quem nos conduz a ele. Ele entendia que "com a oração encontramos e desenterramos os tesouros que se mostram e descobrem à nossa fé pelo Evangelho" [7], e que "a oração é um dever compulsório de todos os dias e de todos os momentos de nossa vida". [8] Mais: "Os crentes genuínos, quando confiam em Deus, não se tornam por essa conta negligentes à oração". [9] "A oração tem primazia na adoração e no serviço a Deus". [10] Daí o conselho: "A não ser que estabeleçamos horas definidas para a oração, facilmente negligenciaremos a prática". [11] No entanto, devemos ter sempre presente que é o Espírito "Quem deve prescrever a forma de nossas orações." [12] "Agora, quando é necessário, e de quantas maneiras o exercício da oração é útil para nós, não se pode explicar satisfatoriamente com palavras." [13]

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Notas:

[1] - As Institutas (1541), III .9.
[2] - Idem
[3] - O Livro dos Salmos, vol. 1, p. 542.
[4] - As Institutas (1541), III.9.
[5] -  Idem
[6] - Idem
[7] - As Institutas (1541), III.20.2.
[8] - O Livro dos Salmos, vol.2, p. 410.
[9] - Idem, vol. 1, p. 633. Cf. tb. As Institutas, III.20.1.
[10] - O Profeta Daniel: 1-6, vol. 1, p. 371.
[11] - Idem, p. 375.
[12] - Exposição de Romanos, p. 291.
[13] - As Institutas (1541), III.9.

Fonte: Rev. Hermisten Maia - Fundamentos da Teologia Reformada, Editora Mundo Cristão, pags. 124-126. 
Divulgação: Bereianos

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

O quinto mandamento e a desigualdade econômica - Por Frank Brito


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Honra a teu pai e a tua mãe”. (Êxodo 20:12)

O homem de bem deixa uma herança aos filhos de seus filhos, mas a riqueza do pecador é depositada para o justo”. (Provérbios 13:22)

“… porque não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos”. (II Coríntios 12:14)

Por que políticos socialistas costumam ser hostis à estrutura familiar cristã tradicional? Um dentre muitos motivos é que a estrutura familiar inevitavelmente estabelece e perpetua a desigualdade econômica. Não há como haver igualdade econômica e, ao mesmo tempo, haver a família cristã. As duas coisas são, por natureza, opostas. Manipuladores socialistas já entenderam isso bem. Infelizmente, muitos cristãos, alvos dos manipuladores, continuam a acreditar que a igualdade econômica seja algo de alguma forma desejável ou virtuoso.

Como o Catecismo Maior de Westminster corretamente identifica, “o alcance geral do quinto mandamento é o cumprimento dos deveres que mutuamente temos uns para com os outros em nossas diversas relações como inferiores, superiores ou iguais” (CMW, P. 126). Em outras palavras, o quinto mandamento da Lei de Deus, “Honra a teu pai e a tua mãe”, rege as relações entre pais e filhos, o que inclui não somente as obrigações e responsabilidades dos filhos em relação aos pais, mas também as obrigações e responsabilidades dos pais em relação aos filhos, como S. Paulo deixa claro quando comentou esse mandamento:

Vós, filhos, sede obedientes a vossos pais no Senhor, porque isto é justo. Honra a teu pai e a tua mãe (que é o primeiro mandamento com promessa), para que te vá bem, e sejas de longa vida sobre a terra. E vós, pais, não provoqueis à ira vossos filhos, mas criai-os na disciplina e admoestação do Senhor”. (Efésios 6:1-4)

Ou seja, os filhos têm determinadas obrigações e responsabilidades em relação aos seus pais pelo fato de serem seus pais. Da mesma forma, os pais têm determinadas obrigações e responsabilidades em relação aos seus filhos pelo fato de serem seus filhos. São obrigações e responsabilidades derivadas da estrutura familiar que não existiriam se não houvessem esses laços familiares. Então, vamos supor que você tenha uma filha de dois anos e o seu vizinho tem uma filha de três. Quem é responsável por determinar o que sua filha vai comer? É você ou o seu vizinho? E a filha dele, é você quem tem que dizer a hora que ela vai dormir? Ou seja, a relação que existe entre você e sua filha determina as obrigações e responsabilidades que você tem em relação a ela que não existiriam caso ela não fosse sua filha.

Dentre as responsabilidades dos pais em relação os filhos está a obrigação de sustentá-los economicamente, pelo menos enquanto são incapazes de ganhar o próprio sustento. Quando os pais envelhecem e não podem mais sustentar a si mesmos, os filhos passam a ter essa obrigação em relação aos pais (Mt 15:4-6). “Mas, se alguém não tem cuidado… dos da sua família, negou a fé, e é pior do que o infiel” (I Tm 5:8). Novamente, são obrigações e responsabilidades derivadas da estrutura familiar que não existiriam se não houvessem esses laços familiares. Como Paulo escreve à Timóteo: “Se algum crente ou alguma crente tem viúvas, socorra-as, e não se sobrecarregue a igreja, para que se possam sustentar as que deveras são viúvas” (I Tm 5:16). Ou seja, a responsabilidade de sustentar uma mãe viúva é primeiro do próprio filho e família e só depois da Igreja. A relação filial estabelece um nível de responsabilidade que outros não tem pelo mero fato de que os outros não são seus filhos.

Isso significa que, no contexto da família, os pais devem amar e, consequentemente, favorecer seus filhos mais do que as crianças que não são seus filhos. Da mesma forma, um marido deve amar sua esposa mais do que qualquer outra mulher. Mais do que isso, há um tipo específico de amor e favor que o marido só pode ter em relação a sua própria esposa e não pode ter por mais nenhuma outra mulher. E nisso está incluído a relação econômica. Um homem tem a obrigação de sustentar todas as mulheres igualmente? Ou ele tem uma obrigação especial em relação a sua própria esposa pelo mero fato de ser sua esposa? Da mesma forma, ele tem uma obrigação especial de sustentar e favorecer economicamente os seus próprios filhos de uma maneira que ele não tem com os filhos do vizinho.

Daí se deriva o direito à herança, ou seja, à transferência inter-geracional de propriedade. S. Paulo diz que “não devem os filhos entesourar para os pais, mas os pais para os filhos” (II Co 12:14). Aqui há uma responsabilidade dos pais em relação aos filhos, mas que não existe dos filhos em relação aos pais. Ou seja, é uma responsabilidade derivada exclusivamente da paternidade. Os filhos têm direito à herança de seus pais porque estes são seus pais e, portanto, se estes não fossem seus pais, o direito não existiria. Se João é filho de Carlos e Filipe não é, João tem o direito de ser economicamente favorecido pela herança de Carlos de uma maneira que Filipe não tem. Como diz Provérbios, é virtuoso um homem deixar herança para seus filhos.

Estes princípios, por si só, estabelecem a desigualdade econômica na sociedade. Se um homem tem uma obrigação maior de favorecer sua própria esposa e seus próprios filhos economicamente, isso significa que ele, obviamente, não deve favorecer a todos igualmente. Esse tipo de igualdade seria, antes de mais nada, desonrar terrivelmente a sua esposa, ao tratá-la como todas as outras mulheres, inclusive tendo as mesmas obrigações em relação a qualquer prostituta. O amor que ele deve à sua própria esposa tem que estar acima ao amor por qualquer outra mulher. Além disso, o direito de seus filhos à herança significa que se ele trabalhou mais e ganhou mais do que o seu vizinho, os seus filhos têm o direito de herdar e usufruir de mais do que os filhos de seu vizinho. O direito de seus filhos à herança significa que, pela mera relação filial, seus filhos tem direitos de ser mais beneficiados economicamente pelos pais. Mais do que isso, porque os pais têm a obrigação de favorecer seus filhos economicamente mais do que os outros filhos, se os seus pais trabalham mais e e ganham mais, os filhos têm o direito moral, derivado dessa relação familiar, de já começar a vida sendo mais beneficiado economicamente do que os filhos daqueles que trabalharam menos e ganharam menos. E se cada geração for como o homem de bem de Provérbios 13:22, a tendência é que, em cada geração, o capital só irá aumentar, com cada filho dando continuidade ao capital pelo qual ele próprio não trabalhou, mas que, por direito, herdou de seus pais.

No Brasil, existe a tendência de tratar com desdém o dinheiro e os bens que alguém tem sem que tenha trabalhado por si mesmo, mas que tenha simplesmente recebido por herança e benefício de seus pais. A verdade é que essa é uma mentalidade pecaminosa. O direito à herança é parte da essência da própria estrutura familiar, é parte da obrigação dos pais de favorecerem os próprios filhos economicamente. Os filhos têm direito à herança porque são filhos e desprezar o uso desse direito é desprezar a própria estrutura familiar, como se de alguma forma o dinheiro e os bens herdados fossem ilegítimos, como se de alguma forma não fosse verdade que “o homem de bem deixa uma herança aos filhos” (Pv 13:22) ou que “os pais devem entesourar para os filhos” (II Co 12:14).

É por isso que não há como haver igualdade econômica e, ao mesmo tempo, haver a família cristã e é por isso que o socialismo é hostil à estrutura familiar cristã tradicional e trabalha para subvertê-la. A estrutura familiar estabelece obrigações e responsabilidades econômicas, nas quais cada membro da família é obrigado a favorecer a própria família economicamente de maneira diferenciada de todas as demais famílias. “Os pais devem entesourar para os filhos” (II Co 12:14), os maridos devem favorecer as esposas acima de todas as mulheres (Ef 5:23-33) e os filhos são os maiores responsáveis pelo sustento dos pais na velhice (Mt 15:4-6; I Tm 5:8). E se cada membro da família deve favorecer os próprios membros, antes de favorecer os outros, segue-se, obviamente, que ele estará tratando os outros de maneira desigual. Sendo assim, a igualdade econômica entre todos não será uma possibilidade.

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Fonte: Resistir e Construir
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sábado, 2 de agosto de 2014

Objeção aos “versículos” arminianos.


calvino 3 
 Por Denis Monteiro

Apresentarei neste artigo uma objeção à interpretação remonstrante sobre passagens que supostamente apoiam a doutrina da expiação ilimitada (que Cristo morreu por toda a humanidade), e sobre a doutrina de que o cristão pode perder a salvação, doutrinas que são apoiadas pelos arminianos. As passagens são: João 3.16; Rm 14.15; 1Co 8.11; 2Co 5.18,19; Cl 1.19,20; 1Tm 2.5,6; 1Jo 2.2.

João 3. 16 Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.
Segundo a interpretação arminiana desta passagem (João 3.16), dizem eles, que está se referindo a morte de Cristo por toda a humanidade, “Porque Deus amou o mundo de tal maneira que deu o seu Filho unigênito, para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna.” João 3:16.

Mas será que o texto está dizendo que a morte de Cristo foi para toda a humanidade? Para esta afirmação, necessita-se de provas. Mas segundo o texto grego diz que “deu para o que nele crê não pereça.”. Deus não deu para o mundo, e sim, para cada um que crê, ou seja, é limitado. Porque muitos não creram e nem crerão.

Como eu posso afirmar isso? Deste modo, olhando para a doutrina da justificação. Na doutrina da justificação vemos que somos absolvidos na morte de Cristo e se Cristo morreu por toda a humanidade logo, todos estão absolvidos. Mas o texto bíblico não diz isso. Em Isaías 53 diz que “ele justificará a muitos” . Paulo aos Romanos diz que “somos justificados pela fé” são justificados justamente aqueles que Deus “de antemão conheceu…predestinou…chamou…justificou…” (Rm 8.29,30). Fé/crê (gr. pisteuo/pistis) está justamente atrelado com a morte de Cristo “ deu seu filho Unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça” (Jo 3.16) e com a justificação “o homem é justificado pela fé” (Rm 3.28) “para sermos justificados pela fé em Cristo” (Gl 2.16).

Então concluísse em Jo 3.16 que a entrega de Cristo, como descrito em Isaías 53 foi pelas “as nossas dores” e que foi “ferido pelas nossas transgressões e moído pelas nossas iniquidades”. Cristo foi “moído” segundo o agrado do Senhor Deus e que “o trabalho da sua alma ele [Jesus] verá e ficará satisfeito” e Cristo “justificará a muitos”. João 3.16 nos mostra a certeza de salvação, “todo aquele que nele crê não pereça”, e a expiação limitada, limitada aos que crê (creram todos quantos estavam ordenados para a vida eterna. Atos 13:48).
Romanos 14.15 Mas, se por causa da comida se contrista teu irmão, já não andas conforme o amor. Não destruas por causa da tua comida aquele por quem Cristo morreu.
1 Coríntios 8.11 E pela tua ciência perecerá o irmão fraco, pelo qual Cristo morreu.
Olhando estas duas passagens, sem analisar o contexto, dar-se a entender que o crente pode perder para sempre a salvação. Mas será que esta interpretação está correta em relação com a Escritura Sagrada? Nestas duas igrejas os crentes “fortes” estava pecando por terem feito os crentes “fracos” pecarem. E a relação entre as duas igrejas são a mesma, por causa de alimento.
 
Analisando Romanos 14 em seu contexto, a afirmativa arminiana sobre a perda de salvação é errônea. Em Romanos 14.4 Paulo diz “Quem és tu, que julgas o servo alheio? Para seu próprio senhor ele está em pé ou cai. Mas estará firme, porque poderoso é Deus para o firmar.”. William Hendriksen diz:
 
É preciso ter em mente que “o que come’ ou “o forte” é a pessoa que está, pela soberana graça [de] Deus e pelo poder iluminador do Espírito Santo, de posse da percepção do significado da morte de Cristo para o viver diário. Em melhor condição que a pessoa “fraca” ou “abstinente”, ela apreendeu a verdade tão maravilhosamente expressa em Colossenses 2.14, a saber: que Cristo “cancelou o escrito de divida, que consistia em ordenanças, o qual se nos opunha. Ele o removeu, pregando-o na cruz”.

A pergunta, pois, é esta: “Quando uma pessoa, pela graça de Deus, guarda esta lição no coração, ela renunciará a esta joia preciosa?”  Por certo ela não pode permanecer de pé por seu próprio poder. Ela, porém, possui um Salvador que disse: “Minhas ovelhas ouvem minha voz; eu as conheço,e elas me seguem, e eu lhes dou a vida eterna, certamente jamais perecerão, e ninguém as arrebatará de minhas mãos” (Jo 10.27-28). Ou, como Paulo expressa a mesma verdade aqui em Romanos 14.4: “E ele ficará de pé, porque o Senhor é poderoso para mante-lo de pé”

Esta explicação de Hendriksen é plausível, porque o comentarista não nega o seu contexto. Porque se no verso 15, segundo a interpretação arminiana, o cristão pode se perder para sempre. O versículo 4 mostra claramente que o cristão pode até cair, mas não se perder eternamente porque é Deus quem o sustenta. D.A. Carson explica:

A palavra perecer (apollymi) é bem forte, normalmente com o significado de condenação eterna (2.12; 1Co 1.18; 2Co 2.15; 2Ts 2.10). Esse pode ser o sentido aqui, embora, se for, pode ser que Paulo não pense nisso literalmente. Ou pode ser que “perecer” esteja sendo usado aqui com um sentido bem mais fraco: o de “causar dano espiritual”.

Logo, segundo o auxilio de D.A. Carson e a tradução da Bíblia viva, o termo “perecer” 1Co 8.11 é “de causar um grave dano espiritual”. Então concluísse que o termo “perecer” em Romanos tem o mesmo sentido de 1Co 8.11 pelo o fato de estarem tratando, praticamente, do mesmo assunto. Porque se não anularemos a obra de Cristo, o qual diz o profeta Isaías: “Ele verá o fruto do trabalho da sua alma, e ficará satisfeito; com o seu conhecimento o meu servo, o justo, justificará a muitos; porque as iniquidades deles levará sobre si.” E o termo “perecer” em 1Co 8.11 não pode significar perdição eterna, porque se for assim, logo, Paulo caiu em contradição.Veja a declaração dele em 1Co 8.1: “O qual [Deus] vos confirmará também até ao fim, para serdes irrepreensíveis no dia de nosso Senhor Jesus Cristo.”.
2Corintios 5.18,19 E tudo isto provém de Deus, que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo, e nos deu o ministério da reconciliação;Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo, não lhes imputando os seus pecados; e pôs em nós a palavra da reconciliação.
Para os arminianos, o versículo 19 está dizendo que Cristo reconciliou“consigo o mundo” e que este mundo, segundo a interpretação deles, é literalmente o universo e tudo quanto nele há. Mas será que mais uma vez eles estão correto segundo as Escrituras Sagradas? Veremos.

Paulo no versículo 14 e 15 diz: “Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram.
 
E ele morreu por todos, para que os que vivem não vivam mais para si, mas para aquele que por eles morreu e ressuscitou.”, ou seja, Paulo está dizendo que Cristo morreu por todos e por estes que Cristo morreu não viverá mais para si mesmo, mas para Cristo. E continuando, o apóstolo diz no vs.17: “Assim que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo.”. Seguindo a ordem da descrição do apóstolo, no vs.15 Paulo diz que a morte de Cristo por “todos”fez que estes “todos” não “vivam mais para si” mas vivam para Cristo, o qual morreu e ressuscitou por eles. E estes que por quem Cristo morreu, eles estão agora em Cristo, porque Cristo morreu por eles, e assim, vivem para Cristo e estes são uma “nova criatura”. Agora quem são estes que por quem Cristo morreu, por que se Cristo morreu por toda a humanidade, como explicam os arminianos, logo toda a humanidade não vive mais para si mesmo mas vivem para Cristo e são também uma nova criatura?

Então, se os arminianos dizem ser este “mundo” descrito em 2Co 5.19 a humanidade inteira, então toda a humanidade não vive mais para si mesmo e sim vive para Cristo e nisto os adeptos da doutrina do universalismo estão certos, que todos no fim serão salvos. Mas o interessante é que o vs.18 faz referencia a uma pequena palavra “vos” que significa na gramática pronome pessoal da 2.ª pessoa do plural, que se emprega quando nos dirigimos a muitas pessoas. E no verso seguinte Paulo faz referencia a um pronome demonstrativo “isto,é” demonstrando que este mundo somos nós, igreja. Veja a comparação: “que nos reconciliou consigo mesmo por Jesus Cristo” / “Isto é, Deus estava em Cristo reconciliando consigo o mundo”. Então, concluísse que este “mundo” descrito em 2Co 5.19 somos nós, os quais Cristo reconciliou desde a fundação do mundo, os quais não irão adorar a besta e nem o falso profeta como descrito em Apocalipse: “Todos os habitantes da terra a adorarão, aqueles cujos nomes desde o princípio do mundo não estão escritos no livro da vida do Cordeiro que foi morto.”Apocalipse 13.8, porque os que irão adorar e se perder eternamente são aqueles que por quem Cristo não morreu e nem estavam escrito no livro da vida desde a fundação do mundo. Porque é na morte de Cristo que somos reconciliados, logo os que adorarão a besta são justamente aqueles que por quem Cristo não morreu; “A besta que viste era, e já não é, e ela há de subir do abismo e vai-se para a perdição. Os habitantes da terra, cujos nomes não estão escritos no livro da vida desde o princípio do mundo, se admirarão, vendo a besta que era e que já não é e que virá.” Apocalipse 17:8.

Mais uma vez, a interpretação arminiana não se enquadra com a Escritura Sagrada.
Colossenses 1.19,20 Porque foi do agrado do Pai que toda a plenitude nele habitasse. E que, havendo por ele feito a paz pelo sangue da sua cruz, por meio dele reconciliasse consigo mesmo todas as coisas, tanto as que estão na terra, como as que estão nos céus.
Para os arminianos, este versículo está tratando da reconciliação universal em Cristo. Que tudo o que há na terra e no céu, tanto homens, mulheres e anjos foram reconciliados com Deus. Calvino em sua exposição na Carta aos Colossenses pergunta: “Pois, que ocasião há para reconciliação, onde não há discórdia nem ódio?”, Calvino faz esta pergunta, sobre a suposta reconciliação dos anjos que estão nos céus. D.A. Carson faz uma breve explicação desta passagem:

Céus e terra foram restaurados à ordem definida por Deus. O universo está sob o domínio do seu Senhor e a paz cósmica foi restaurada. Reconciliar e “fazer a paz” (que envolve a ideia de trazer a paz; ou seja. vencer o mal) são expressões usadas como sinônimos para descrever a obra poderosa que Cristo realizou na história por meio de sua morte na cruz.

Carson explica que até os principados e potestades foram “apaziguados”, e assim ele continua:
 
Continuam a existir e se opõem a homens e mulheres (cf. Rm 8.38,39), mas no fim das contas não podem prejudicar alguém que esteja em Cristo. Sua queda é certa (1Co 15.24-28). Além disso, não se pode deduzir a partir desse versículo que todos os homens e mulheres ímpios aceitaram livremente a paz alcançada pela a morte de Cristo. Mesmo que no final todo joelho se dobre diante de Jesus e o reconheça como Senhor (Fp 2.10,11), não devemos supor que todos ficarão felizes com isso. Sugerir que o v.20 aponta para uma reconciliação universal, na qual todas as pessoas acabarão por desfrutar as bênçãos da salvação, não tem nenhum fundamento.

Mas será que esta reconciliação com todas as coisa, tanto as que estão na terra, como as que estão no céu tem a ver com toda a humanidade perdida? Ou será que esta reconciliação com todas as coisas tem a ver com os versículos 13 e 14? O qual diz: O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados. Esta reconciliação foi dada no ato da morte de Cristo, Ele nos tirou do lado inimigo, o qual é o inimigo de Deus, e nos fez sua propriedade. Mas se o arminiano pensa que esta reconciliação foi a toda humanidade, então todos são amigos de Deus, e isto irá contradizer o que o próprio apóstolo Paulo disse em Romanos 1.18 “Porque do céu se manifesta a ira de Deus sobre toda a impiedade e injustiça dos homens…”. Logo, entende-se que esta reconciliação foi feita aos eleitos, porque no cap. 2.13ss Paulo faz referencia ao cap. 1.19,20 mas explicando mais claramente para que não haja nenhuma má interpretação. Segue-se assim:

Colossenses 2.13 E, quando vós estáveis mortos nos pecados, e na incircuncisão da vossa carne, vos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas, 

Paulo é claro em dizer que estávamos mortos, separados de Deus. E não tem como fazer uma reconciliação com alguém morto. Então, Paulo diz que Cristo nos vivificou juntamente com ele, perdoando-vos todas as ofensas.A mesma referência que Paulo faz em 1.13 “O qual nos tirou da potestade das trevas, e nos transportou para o reino do Filho do seu amor; Em quem temos a redenção pelo seu sangue, a saber, a remissão dos pecados”

Colossenses 2.14,15 Havendo riscado a cédula que era contra nós nas suas ordenanças, a qual de alguma maneira nos era contrária, e a tirou do meio de nós, cravando-a na cruz. E, despojando os principados e potestades, os expôs publicamente e deles triunfou em si mesmo.

Paulo está dizendo que Cristo riscou o escrito de divida que era contra nós cravando-a na cruz e segundo Calvino: “Paulo, contudo, diz que ficaram desarmados [os demônios], de modo que já não podem apresentar nada contra nós, sendo assim destruída a atestação de nossa culpa.”. A mesma referencia que Paulo faz em 1.21,22 “Vós, sendo outrora alienados e inimigos no vosso entendimento pelas vossas más obras, contudo agora vos reconciliou no corpo da sua carne pela sua morte, para vos apresentar santos e sem defeito e inculpáveis perante ele.” (Sociedade Bíblica Britânica).

Então temos que pensar um pouco. Se Cristo reconciliou todas as coisas, como dizem os arminianos, todos os seres humanos existentes na terra. Então as ofensas deles, todas as ofensas (2.13), estão perdoadas. Será, então, que a doutrina universalista está correta, todos serão salvos? Logo, não podemos fazer esta afirmativa porque o próprio apóstolo diz que nos“nos reconciliou no corpo da sua carne [na de Cristo] pela sua morte, para vos apresentar santos e sem defeito e inculpáveis perante ele.”(Colossenses 1.22). Paulo está dizendo que a reconciliação foi dada a nós e somos nós que seremos apresentados diante de Deus “santos e sem defeito e inculpáveis perante ele”.
1Timóteo 2.4-6 Que quer que todos os homens se salvem, e venham ao conhecimento da verdade. Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem. O qual se deu a si mesmo em preço de redenção por todos, para servir de testemunho a seu tempo.
Segundo a interpretação arminiana, esta passagem é uma pedra no sapato calvinista, ou o tendão de Aquiles do calvinista. Porque para eles a declaração do apóstolo Paulo é que Deus deseja que todos os homens, sem exceção, sejam salvos. E que Cristo também morreu por todos os homens, sem exceção. Mas será que mais um vez a interpretação remonstrante está correta? Veremos.

Mas antes eu tenho que fazer uma pergunta: “Cristo morreu por todo ser humano individualmente, inclusive por Judas e o Anticristo, expiando realmente a culpa e pagando a dívida de todos e de cada um?”

Mas como de praxe, nós reformadores temos que explicar um pouco do contexto da passagem para que tenhamos uma melhor interpretação da mesma. Paulo admoesta aos irmãos da igreja que cada um deles devem fazer "orações, intercessões, e ações de graças, por todos os homens; Pelos reis, e por todos os que estão em eminência, para que tenhamos uma vida quieta e sossegada, em toda a piedade e honestidade;" (1 Timóteo 2:1-2). Paulo vem alertando os irmão para que não hajam entre eles um exclusivismo. Ou seja, Paulo estava dizendo que era para fazer orações não só pelos irmãos mas por todos os tipos de pessoas. Não só por irmãos em Cristo, mas pelos reis e pelos que estão elevados em dignidade. E nisto segue-se a ordem e Paulo diz que “todos os homens se salvem” e que houve “redenção por todos”. Ou seja, oração por todos, a salvação detodos e que Cristo morreu por todos. Mas será que o termo “todos” tem a ver com toda a humanidade, em sua totalidade?

O pronome “todos” dito pelo o apóstolo não quer dizer “por todos os seres humanos”, mas sim “por todos os tipos de pessoas” de qualquer que seja a sua posição na vida. Porque, analisando o pronome grego, “todos” (gr.panton) significa “todos os tipos”, “todas as espécies” o mesmo pronome grego descrito em 6.10 “Porque o amor ao dinheiro é a raiz de toda a espécie de males…”(Almeida Corrigida e Revisada Fiel)Então seguindo o texto grego, Deus em sua redenção e eleição foi para todos os tipos de homens (Mt 20.28; Mc 14.24). E isto é explicado em Apocalipse 5.9 “compraste para Deus os que procedem de toda tribo, língua, povo e nação”. Ou seja, “Cristo comprou para o Senhor Deus, homens de todos os tipos sem exceção. Existem homens redimidos e eleitos em todas as tribos, língua, povo e nação” (paráfrase minha).

Mais um vez, analisando as Escrituras Sagrada, a interpretação arminiana não condiz com a hermenêutica bíblica.
O ultimo texto a ser analisado é:
1 João 2.2 E ele é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo.
Segundo a interpretação arminiana/ católica, desta passagem, Cristo haveria morrido por toda a humanidade. Eles dizem que esta frase: “pelos de todo o mundo”; se refere a toda a humanidade. Mas será que esta interpretação está correta? Vamos analisar.
 
Primeiro, quero fazer uma comparação com uma passagem no Evangelho do mesmo escritor desta epistola. Se encontra em João 11.51-52: "Ora ele não disse isto de si mesmo, mas, sendo o sumo sacerdote naquele ano, profetizou que Jesus devia morrer pela nação. E não somente pela nação, mas também para reunir em um corpo os filhos de Deus que andavam dispersos.;" (e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo. 1Jo 2.2). Veja a semelhança da narrativa de João em seu evangelho e na epistola. Mas você deve estar se perguntando: “Ela, a epistola, não foi escrita só para gentios?” João inicia a sua carta com os seguintes dizeres: "O que era desde o princípio, o que ouvimos, o que vimos com os nossos olhos, o que temos contemplado, e as nossas mãos tocaram da Palavra da vida (Porque a vida foi manifestada, e nós a vimos, e testificamos dela, e vos anunciamos a vida eterna, que estava com o Pai, e nos foi manifestada); O que vimos e ouvimos, isso vos anunciamos, para que também tenhais comunhão conosco; e a nossa comunhão é com o Pai, e com seu Filho Jesus Cristo." 1 João 1:1-3. 
 
Parece que João está escrevendo a pessoas que estavam desde o inicio com ele, pessoas estas que tinham visto a Cristo, tocado nEle e ouvido palavras de dEle. Logo, João estava escrevendo primeiramente para Judeus , o qual era coluna da igreja “judia”: “Reconhecendo a graça que me fora concedida, Tiago, Pedro e João, tidos como colunas, estenderam a mão direita a mim e a Barnabé em sinal de comunhão. Eles concordaram em que devíamos nos dirigir aos gentios, e eles, aos circuncisos.” Gálatas 2:9.

Então, segue-se que a comparação da passagem da primeira epistola é clara com a passagem no Evangelho de João que Cristo não só morreu pelos os judeus convertidos, mas também pelos os outros que andam dispersos que não são deste aprisco, que serão agregadas (Jo 10.16).

A segunda analise que eu quero fazer é da palavra “mundo”. Vimos anteriormente que Cristo não morreu só pelos judeus convertidos mas pelos outros que serão reunidos em um corpo os filhos de Deus que andam dispersos. Agora veremos sobre esta colocação da palavra “mundo”. Louis Berkhof explica:

“A palavra mundo algumas vezes se usa para indicar que o particularismo do Antigo Testamento pertence ao passado, e que abriu caminho ao universalismo do Novo Testamento”.  
 
O reverendo Augustus Nicodemus faz uma declaração quanto a esta palavra, mundo:

“Entretanto, não podemos aceitar qualquer solução que minimize a eficácia do sacrifício de Jesus ou que exclua o aspecto de abrangência universal do que ele fez, ainda que não o compreendamos inteiramente – rejeitamos obviamente o universalismo, que declara a salvação de cada homem e mulher que já viveu. Assim, provavelmente deveríamos preferir a abordagem reformada tradicional, que remonta a Agostinho, e afira que Cristo morreu pelo mundo apenas potencialmente, enquanto que, eficazmente, somente pelo o seu povo, os eleitos. E ainda, dentro dessa mesma abordagem, devemos procurar entender as palavras que apontam para uma extensão universal da obra de Cristo dentro de seus respectivos contextos. Assim, aqui em 2.2, não é impossível que João quis dizer que Cristo morreu não somente por ele e pelo os crentes a quem escreveu essa carta, mas também por outras pessoas de todas as nações do mundo, ou pessoas de todas as classes sociais.”

Então não podemos dizer que Cristo morreu só pelo o mundo  daquela época, mas por pessoas de todos os tipos de todas as épocas, pessoas estas, que foram agregadas ao rebanho de Cristo. Mas será que esta palavra mundo, referindo-se a morte de Cristo, quer referir-se a expiação por toda a humanidade? A palavra mundo, nem sempre refere-se a toda a humanidade. Porque se for, então o evangelho já foi anunciado a toda a humanidade, segundo a narrativa de Paulo em Romanos 1.8 “Primeiramente dou graças ao meu Deus por Jesus Cristo, acerca de vós todos, porque em todo o mundo é anunciada a vossa fé.  e em Colossenses Paulo diz que averdade do evangelho chegou a vós, como também está em todo o mundo;” Colossenses 1.5,6.

Para finalizar, quero fazer uma comparação com as ações de nossa vida. Quando estamos para sair para algum lugar com a nossa família, e a mesma demora para sair nós a chamamos, e quase sempre chamamos assim: “Todo mundo pode entrar no carro, para nós irmos embora?” É claramente que não estamos chamando toda a humanidade para entrar no carro e ir embora, mas que estamos chamando um certo grupo de pessoas para entrar no carro e partir. Na tradução da Bíblia Viva quando Jesus prega para a mulher samaritana lhe mostrando quem poderia e pode matar a sede de um miserável pecador, diz a Palavra de Deus que ela “deixou o seu cântaro ao lado do poço, voltou à aldeia e disse a todo mundo.” (João 4.28 – Bíblia Viva), e é claro que ela não anunciou sobre Jesus Cristo a toda a humanidade e sim “àqueles homens” (Jo 4.28 – Almeida Corrigida e Revisada Fiel). Logo, este texto de 1 João 2.2 não apoia a doutrina de que Cristo morreu por toda a humanidade, porque em outras passagens vemos declarações de que Cristo morreu por sua igreja, por suas ovelhas:

Vós, maridos, amai vossas mulheres, como também Cristo amou a igreja, e a si mesmo se entregou por ela, Efésios 5:25

Mas Deus prova o seu amor para conosco, em que Cristo morreu por nós, sendo nós ainda pecadores. Logo muito mais agora, tendo sido justificados pelo seu sangue, seremos por ele salvos da ira. Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida. Romanos 5:8-10

Eu sou o bom Pastor; o bom Pastor dá a sua vida pelas ovelhas. João 10:11

Assim como o Pai me conhece a mim, também eu conheço o Pai, e dou a minha vida pelas ovelhas. João 10:15

Pois, da mesma forma que o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, o Filho também dá vida a quem ele quer dá-la. João 5:21 – NVI

Mas se Cristo morreu por toda a humanidade, por que Cristo orou por aqueles que o Pai Soberano deste a Cristo e não por toda a humanidade?“Eu rogo por eles; não rogo pelo mundo, mas por aqueles que me deste, porque são teus.” João 17:9 

Notas: 

Comentário Bíblico Vida Nova, D.A Carson; R.T France; J.A. Motyer; G.J. Wenham. – São Paulo: Vida Nova, 2009
Bíblia de Genebra, Ed. Cultura Cristã.
Romanos -  João Calvino.  - 2º Edição – São Paulo: Parakletos, 2001.
Comentário do Novo Testamento Romanos. William Hendriksen, São Paulo: Cultura Cristã.
1 Coríntios – João Calvino. – 2º ed. – São Bernardo do Campo, SP: Edições Parakletos, 2003
Série Interpretando o Novo Testamento: Primeira Carta de João. – Augustus Nicodemus Lopes. – São Paulo: Cultura Cristã, 2004.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

A Doutrina da Eleição na História de Jó


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Não é de se esconder de ninguém que estes temas, Livre-Arbítrio e Eleição têm andado juntos por longas décadas. Mas, o que é notório, é que estes temas são muito mais antigos do que se pensa. Analisando de forma atenta a história de Jó, nota-se que a realidade acerca dos dois temas já estava presente ali. Acerca do Livro de Jó em si, há um consenso entre os estudiosos, que os relatos ali apresentados são os mais antigos das Escrituras Sagradas. Por sinal, a Bíblia não segue uma ordem cronológica e sim uma ordem teológica. É por isso que o livro de Jó não encabeça a ordem dos livros canônicos. Também é um consenso entre os estudiosos que a história do Livro de Jó tenha ocorrido numa datação bem próxima do Pentateuco. Assim, este livro possui algo peculiar, os fatos ali narrados não foram contemporâneos ao autor. Ou seja, quem escreveu Jó escreveu coisas que haviam ocorrido muito antes daquele período em que fora escrito. Diferentemente dos livros proféticos que possuem – em grande parte – fatos contemporâneos ao período de seu registro. O estilo literário de Jó é muito próximo do estilo literário do Pentateuco, paralelo a isso, a antiga ocorrência dos fatos ali narrados faz com que as suspeitas de sua autoria recaiam sobre Moisés – a cidade de Uz ficava bem próxima de Midiã, cidade onde Moisés passou boa parte de sua vida, a saber, 40 anos.
Explorando alguns textos do Livro de Jó, é nítido que a Eleição predomina sobre a falácia do livre-arbítrio: 
PRIMEIRO TEXTO - Disse então o Senhor a Satanás: Reparou em meu servo Jó? Não há ninguém na terra como ele, irrepreensível, íntegro, homem que teme a Deus e evita o mal. Jó 1:8
Deus começa falando de Jó e o adjetiva como Seu servo. Aqui Deus faz questão de dizer que Jó é dEle. Não foi ninguém que escolheu Jó para Deus, e sim o próprio Deus. Aspectos da soberania divina são vistos em todo o livro e principalmente quando Deus interroga Jó perguntando onde ele estava quando Ele lançou os fundamentos da terra e do mundo (Jó 38). Outros textos da Sagrada Escritura corroboram com esta ideia (veja Jo 5:19 e 1º Jo 4:19). Deus ainda diz que não há ninguém como Jó em toda a terra. Evidentemente que Deus fala de Jó, mas o diferencia sobre toda a terra. É assim que os eleitos aos céus devem ser notados – distintos – e não se assemelham com os néscios e os ignóbeis – destinados ao inferno. É preciso que se entenda que há dois grupos de eleitos, um ao céu e outro ao inferno. Cada grupo evidencia as características de seus senhores. No texto, ainda é possível ver que os eleitos ao céu possuem algumas características marcantes – integridade, retidão, temor a Deus e se desviam do mal – Estas são as características de um verdadeiro eleito ao céu.
SEGUNDO TEXTO - Porventura tu não cercaste de sebe, a ele, e a sua casa, e a tudo quanto tem? A obra de suas mãos abençoaste e o seu gado se tem aumentado na terra. Mas estende a tua mão, e toca-lhe em tudo quanto tem, e verás se não blasfema contra ti na tua face.” Jó 1:10-11
A alegria do eleito não está nos seus bens materiais e nem nas bênçãos, e sim, na certeza e na convicção de sua salvação. Satanás se engana, pois pensa que a ausência de bens materiais é motivo para abdicar da fé. Por sinal, não há nada que faça o eleito abdicar de sua fé (Rm 8:37-39). Aqui é possível enxergar que Satanás traz o conceito do livre arbítrio para dentro de sua lógica, pois ele diz a Deus que se Jó perder seus bens ele se arrependerá de ser fiel e escolherá blasfemar. O eleito aos céus não comete blasfêmia, não se arrepende de ser fiel, o eleito ao inferno faz isso numa constante.
TERCEIRO TEXTO - E disse o Senhor a Satanás: Eis que tudo quanto ele tem está na tua mão; somente contra ele não estendas a tua mão. E Satanás saiu da presença do Senhor. Jó 1:12. / E disse o Senhor a Satanás: Eis que ele está na tua mão; porém guarda a sua vida. Jó 2:6
Os textos selecionados mostram que há limites na ação satânica, ou seja, isso mostra que nossas histórias foram confeccionadas sob medida e que as vicissitudes que por ventura venhamos passar na vida já estão sob os cuidados divinos, e Este, aprouve em seus decretos. Não há nada mais confortável que isso – ter a plena convicção que Deus já planejou e moldou nossas vidas e tudo que vamos enfrentar no plano terreno. Com isso, nota-se que nossas histórias têm um autor cuidadoso e justo. 
QUARTO TEXTO - E disse: Nu saí do ventre de minha mãe e nu tornarei para lá; o Senhor o deu, e o Senhor o tomou: bendito seja o nome do Senhor. Jó 1:21
Estas palavras foram proferidas por Jó quando começou a ser assolado por todas as setas inflamadas propostas pelo diabo, mas sob a autorização divina. Nesta passagem é notório que o eleito não se atormenta com as perdas e prejuízos, pois Deus é quem dá e Deus é quem tira. Jó usa a nudez – sua situação atual por conta das chagas –chegando a mencionar seu nascimento e sua vinda do ventre da mãe de forma despida, e é assim que voltará ao pó da terra. Aqui Jó demonstra outra característica do eleito – simplicidade e não apego as coisas materiais. 
QUINTO TEXTO - Então sua mulher lhe disse: Ainda reténs a tua sinceridade? Amaldiçoa a Deus, e morre. Jó 2:9
Em resposta a sua esposa, Jó considera como sendo louca e diz que ela aceitou o bem de Deus, mas não aceita o mal Jó 2:10. Aqui repousa outra característica da ideia do livre arbítrio. A mulher de Jó, ao analisar a situação, acredita que não há mais motivos para Jó se manter íntegro em relação a Deus. Ela acredita que só deve haver integridade se houver riquezas e bênçãos – motivações – como não há, Jó deve escolher blasfemar contra Deus. A mulher de Jó não compreende que não é uma questão de escolhas e sim de decretos divinos – o eleito ao céu entende que não tem escolhas quanto aos decretos divinos e somente deve aceita-los. Aqui Jó demonstra uma lição eterna de que a fidelidade não deve ser só em tempos de fartura e de riquezas, mas em todas as circunstâncias. Paulo nos ensina algo parecido em Fp 4:13. O eleito ao céu não se deixa levar pela correnteza da maré herética, não se ilude com as influências nem com as propostas fajutas e ilusórias dos adeptos da ideia do livre arbítrio ou de quaisquer outros ventos de doutrinas. Os amigos de Jó também são adeptos dessa corrente – a ideia do livre arbítrio ¬– um deles avalia que o que Jó está passando não passa de um pecado cometido possivelmente em oculto Jó 11:14. Estas pessoas que se aproximavam de Jó com diagnósticos falsos e sem conhecimento desapertaram a ira de Deus Jó 38:1-2.
Será que na atualidade Deus também não se ira com falsos profetas que querem resolver os problemas dos outros de forma simples e com palavras sem conhecimento? Qualquer semelhança com o pano de fundo evangelical das igrejas no Brasil não é mera coincidência! 
O fato é que o eleito ao céu não precisa cometer algo para sofrer, basta apenas Deus ter decretado isso. Este eleito não escolhe a Deus, Deus é quem o escolhe. O eleito ao céu não rejeita Deus sob hipótese alguma, mesmo que esteja mergulhado em um transe agudo. Não se ilude com doutrinas frouxas, além disso, é integro, anda em retidão, é temente a Deus e se afasta do mal. Enfim, evidenciam as características de seu Senhor. O eleito ao céu não perverte a graça divina como fizeram os Nicolaítas, mas se apresenta apenas como um mero mordomo de Deus no plano terreno. O outro grupo de eleitos – eleitos ao inferno – faz justamente o oposto. Há de fato uma grande confusão com a palavra livre arbítrio e é preciso que se entenda o real sentido da mesma. 
Teologicamente falando, livre arbítrio é quem tem a capacidade e o poder de cometer e de não cometer pecados. Logo, como todos são pecadores e ninguém pode não pecar (Rm 3:23), logo, ninguém detém o livre arbítrio. Por sinal, esta foi a reportagem capa da revista Galileu de Abril de 2013 nº 261 que trazia o seguinte tema: “Você não decide - Cientistas dizem que livre arbítrio não existe. Uma parte de seu cérebro fora de seu controle é quem escolhe por você”. Esta parte do cérebro pende para o mal – bem como um carro desalinhado – e é esta parte quem decide por todos. Portanto, não só teologicamente, mas também cientificamente, não existe a possibilidade da existência do tão famoso e conhecido livre arbítrio. 
Muitos confundem o poder de tomar decisões e a livre agência que cada ser humano possui com o livre arbítrio, todavia, não são a mesma coisa. É por isso que neste pequeno insight, considera-se que este tão falado livre arbítrio não passa de uma mosca branca! Ou seja, ninguém vê, só se ouve falar!
***Divulgação: Bereianos