quarta-feira, 7 de maio de 2014

Jesus é o Caminho para Eterna Morada -


“Eu sou o caminho, e a verdade, e a vida, ninguém vem ao Pai senão por mim”. 
(Jo 14.6)

Quando chegar a hora em que nossas atividades e trabalho cessarem e não mais precisarmos ficar neste mundo, e surgir a pergunta: Onde vou conseguir uma ponte ou prancha segura, para passar para a outra vida? – neste hora, como eu ia dizendo, você não deve ficar aí, procurando caminhos humanos, nossa própria bondade, obras ou vida piedosa.
Deixe que tudo isso seja coberto pelo Pai-nosso, nestas palavras: “Perdoa-nos as nossas dívidas, etc.”, e apegue-se tão-somente àquele que diz; “EU sou o caminho, e a verdade, e a vida”. Naquela hora, tenha essa palavra firme e profundamente enraizada em seu íntimo, como se Cristo estivesse ao seu lado, dizendo: “Por que você está à procura de outros caminhos? Venha para cá; você deve olhar para mim e permanecer em mim, e não ficar aí, preocupando-se com outra idéias como chegar ao céu. Arranque, de vez, e afaste bem longe de seu coração esses pensamentos e não pense em outra coisa senão nestas minhas palavras: “Eu sou o caminho”.
Trate, pois, de colocar seu pé sobre mim, isto é, apegue-se a mim com fé inabalável e confiança absoluta em seu coração. Eu quero ser a ponte e levá-lo para o outro lado, para que, num piscar de olhos, você passe da morte e do pavor do inferno para a vida eterna. Pois sou eu quem construiu o caminho e eu mesmo fui e passei para o outro lado, para poder conduzir até lá tanto a você quanto aos demais que se apegam a mim. Basta que você confie em mim, sem duvidar, arrisque tudo em mim, siga seu caminho consolado e contente, e morra em meu nome”.

terça-feira, 6 de maio de 2014

A Eleição é individual ou corporativa?








Dada a óbvia evidência da eleição nas escrituras, muitos arminianos hoje estão atraídos para a visão de que Deus escolheu a igreja como uma entidade corporativa em Cristo desde toda a eternidade, mas não indivíduos para pertencer a ela.[1] Embora haja, é claro, indivíduos escolhidos para certas tarefas (como Davi e Ciro) e outros são rejeitados (como Faraó e Saul), esses contextos não têm nada a ver com a salvação, argumenta Ben Witherington.
A eleição para Paulo é uma coisa corporativa. Estava no Israel étnico; está agora em “Cristo”. Do ponto de vista de Paulo, que é simplesmente uma adaptação da visão encontrada no judaísmo primitivo, “eleição” não garante a salvação final dos cristãos convertidos individuais maior do que garantia a salvação dos israelitas individuais no passado.[2]
Essa visão é falha não pelo que afirma, mas pelo que nega. Os calvinistas concordam que a igreja, como conhecida por Deus, é o corpo corporativo dos eleitos. Também enfatizam que a eleição é “em Cristo”, o mediador que é o Deus que elege bem como o cabeça em quem o povo é escolhido. Também concordamos que algumas pessoas são escolhidas e rejeitadas para certas tarefas temporais que não dizem respeito à salvação.
Entretanto, há simplesmente muita evidência bíblica para a eleição de indivíduos em Cristo para esquecer o assunto. O argumento de Paulo em Romanos 9 é oposto à afirmação de Witherington. De fato, o apóstolo baseia seu argumento para a liberdade divina de eleger e rejeitar no fato de que ele exerceu essa liberdade na história de Israel. É incontestável que os indivíduos estão em vista: eles têm nomes (Ismael e Isaque, Jacó e Esaú, Moisés e Faraó). Além disso, a aplicação de Paulo é claramente soteriológica (isto é, concernente à salvação). “Noutras palavras, não são os filhos naturais que são filhos de Deus, mas os filhos da promessa é que são considerados descendência de Abraão” (Romanos 9.8).
A questão tem a ver com ser “herdeiros da promessa” — isto é, herdeiros da graça salvadora de Deus na história. Porque ela está baseada no “propósito de Deus conforme a eleição [...] não por obras, mas por aquele que chama”, a salvação é completamente pela graça (Romanos 9.11, 12). Não é uma questão de quem Deus usará em seu serviço para tarefas específicas, mas se as pessoas são salvas por “desejo ou esforço humanos” ou pela “misericórdia de Deus” (v. 16). Alguns são “vasos de sua ira” não meramente num sentido temporal, mas como aqueles “preparados para a destruição”, em contraste com os “vasos de sua misericórdia, que preparou de antemão para a glória, ou seja, a nós, a quem também chamou, não apenas dentre os judeus, mas também dentre os gentios” (v. 22-24).
Efésios 1 é também claramente soteriológico no contexto e inclui indivíduos (“os santos que estão em Éfeso”). Os dois argumentos estão evidentes no texto: 
Porque Deus nos escolheu nele [em Cristo] antes da criação do mundo, para sermos santos e irrepreensíveis em sua presença. Em amor nos predestinou para sermos adotados como filhos, por meio de Jesus Cristo [...] Nele temos a redenção por meio de seu sangue, o perdão dos pecados [...] Nele também fomos escolhidos, tendo sido predestinados conforme o plano daquele que faz todas as coisas segundo o propósito da sua vontade.” (Efésios 1.4-5, 7, 11).
Certamente ninguém diria que indivíduos não são adotados ou que Cristo redimiu por meio de seu sangue a igreja corporativamente, mas não indivíduos, ou que a igreja, e não os indivíduos que a compõem, é perdoada.
Além disso, Paulo acrescenta: “Quando vocês ouviram e creram na palavra da verdade, o evangelho que os salvou, vocês foram selados em Cristo com o espírito Santo da promessa” (Efésios 1.13). Certamente ele está falando a indivíduos bem como à igreja enquanto corporação. O apóstolo diz aos tessalonicenses que “Deus os escolheu para serem salvos mediante a obra santificadora do espírito e a fé na verdade” (II Tessalonicenses 2.13). Aqui não é apenas a igreja que é escolhida, mas os crentes Tessalonicenses que foram escolhidos para crerem no evangelho. Não é apenas a igreja, mas crentes individuais que são salvos, “não em virtude das nossas obras, mas por causa da sua própria determinação e graça. Essa graça nos foi dada em Cristo Jesus desde os tempos eternos” (II Timóteo 1.9).
A eleição corporativa é meramente outro modo de expressar a visão tradicional arminiana da eleição baseada na fé antevista: Deus elege os crentes, mas não elege pecadores a crer. Todos os que aceitam a Cristo estão salvos (e, portanto, eleitos), mas Deus não elege ninguém para a salvação. Entretanto, as escrituras ensinam que Deus elegeu sua igreja em Cristo porque ele escolheu quem pertencerá a ela desde a eternidade.
___________Notas: [1] Veja, por exemplo, Robert Shank, Elect in the son: a Study of the Doctrine of election (Minneapolis: Bethany, 1970); William Klein, The New Chosen People: A Corporate View of Election (Grand Rapids: Zondervan, 2005).[2] Bem Witherington, The Problem with Evangelical Theology: Testing the Exegetical Foundations of Calvinism, Dispensacionalism and Wesleyanism (Waco, Tx: Baylor Univ. Press, 2005). 62 – 3.
***Fonte: HORTON, Michael. A favor do calvinismo1ª ed. São Paulo: Reflexão, 2014. p. 82-84.Via: Pelo Calvinismo.

domingo, 4 de maio de 2014

João 3:16, Desejos do Homem e Novo Nascimento


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Tendo Deus ressuscitado o seu Servo, enviou-o primeiramente a vocês, para abençoá-los, convertendo cada um de vocês das suas maldades” (Atos 3:26).
Uma pessoa só pode receber o que lhe é dado dos céus” (João 3:27) .
Freqüentemente me pego debatendo com cristãos que acreditam que homem e Deus têm papéis iguais na regeneração (sinergistas) e que nossa escolha é osine qua non do novo nascimento. Eles argumentam que Deus dá a todos a graça preveniente, mas o homem pode exercer seu livre-arbítrio autônomo para fazer a graça eficaz. Estes cristãos ensinam que o homem escolhe a Cristo apesar de seus desejos e isso é o que faz sua vontade livre. Escolher algo diferente de seus desejos constitui verdadeira liberdade para eles, já que a liberdade está acima e é independente de todas as outras influências. Mas é isto o que a Bíblia ensina? 
O primeiro alvo deste texto é provar pelas Escrituras que nós sempre escolhemos o que nós queremos (desejamos) mais e que isso é baseado em nossa natureza. Nós escolhemos alguma coisa porque nós a desejamos. Em outras palavras, nós acreditamos em Jesus porque nosso desejo por Cristo se torna maior que nosso desejo pelo pecado. O segundo alvo é explorar de onde esse desejo vem. Ele vem de nossa natureza degenerada (como os sinergistas crêem) ou ele é um dom incondicional de Deus? Meus amigos sinergistas dizem que, utilizando a graça de Deus, apesar de nossos desejos, nossa vontade autônoma definitivamente determinará nosso destino final. Eu argumentarei porque essa posição é fatal para seu sistema teológico inteiro. 
Nós Escolhemos O Que Nós Desejamos Mais 
Vamos começar com alguns textos bíblicos que ensinam que nossa natureza determina nossos desejos e nossos desejos determinam nossas escolhas. Cristo diz:
O homem bom tira coisas boas do bom tesouro que está em seu coração, e o homem mau tira coisas más do mal que está em seu coração, porque a sua boca fala do que está cheio o coração” (Lucas 6:45).
O que Jesus diz aqui é claro – a água não corre contra a correnteza. Nossa decisão de dizer algo bom ou ruim é somente determinada pela condição de nosso coração. Há uma grande evidência para o mesmo conceito em Mateus 7:18. 
A árvore boa não pode dar frutos ruins, nem a árvore ruim pode dar frutos bons”.
Aqui, Jesus está ensinando que é a natureza da árvore que determina o que virá dela. Somente aquele que tem uma boa natureza é capaz de criar um pensamento correto, gerar uma afeição correta, ou originar uma volição correta. Jesus martela novamente o mesmo conceito nos judeus incrédulos, quando discute se eles são ou não descendentes de Abraão: 
Por que a minha linguagem não é clara para vocês? Porque são incapazes de ouvir o que eu digo. Vocês pertencem ao pai de vocês, o Diabo, e querem realizar o desejo dele. Ele foi homicida desde o princípio e não se apegou à verdade, pois não há verdade nele. Quando mente, fala a sua própria língua, pois é mentiroso e pai da mentira (...) Aquele que pertence a Deus ouve o que Deus diz. Vocês não o ouvem porque não pertencem a Deus”. (João 8:43,44,47)
Na passagem acima, os judeus não puderam ouvir a palavra de Deus porque eles pertenciam ao diabo (suas naturezas) e isso aumentou suas vontades de fazer o que desejavam. Suas naturezas os tornaram moralmente impotentes para ouvir as palavras de Jesus. Mais tarde, Jesus ensina que antes de alguém ouvir as palavras de Deus, ele deve ser de Deus. Em outras palavras, uma pessoa não entenderá o evangelho enquanto permanecer em seu estado não-regenerado e decaído.
Deus Exige Perfeição 
Na história do jovem rico, Jesus o ensina que se ele obedecer todos os mandamentos, ele terá a vida eterna. Todos nós sabemos que esta história foi contada para expôr nossa inabilidade de cumprir tudo isso. Mas o jovem (equivocadamente) confiava que ele guardou tudo desde sua juventude. Jesus, conhecendo seu coração e onde ele vacilaria, ordena que o rapaz venda todas suas posses, dê aos pobres e o siga. Em outras palavras, Jesus lhe disse que o arrependimento de sua ganância e a fé em Cristo eram onde ele ainda falhava. Mas ele se afastou entristecido. Jesus então diz a seus discípulos que é mais difícil que um homem rico entre no Paraíso que um camelo passar por um buraco de agulha. “Quem então poderá ser salvo?”, os discípulos perguntam, sabendo que Jesus está dizendo que o caminho para o céu está fechado a todos os homens – um padrão santo que ninguém poderia alcançar. A resposta que Jesus dá é “Para o homem é impossível [arrependimento e fé], mas para Deus todas as coisas são possíveis”. A natureza do jovem não poderia se colocar acima de seus desejos e Jesus diz que isso é impossível para todos os homens. Apenas Deus tem a capacidade de fazer isto. A Bíblia é recheada com exemplos assim. É realmente um mito que o homem em seu estado natural está genuinamente buscando a Deus. Homens podem procurar um deus, mas eles não procuram o verdadeiro Deus, revelado nas Escrituras. Exceto pelo novo nascimento, ninguém vem à luz do verdadeiro Deus, mas suprimi a verdade pela injustiça. 
A Bíblia, por esta razão, ensina além de qualquer dúvida que nós agimos ou escolhemos de acordo com nosso maior desejo, que é baseado é nossa natureza. Jesus, como notamos acima, ensina que é impossível ser de outra forma. Mais ainda, como uma conseqüência da morte física de Adão e seus descendentes (Gn 2:17) existem muitos outros problemas com a natureza do homem em seu estado decaído, incluindo sua incapacidade de entender Deus (Salmos 50:21; Jó 11:7,8; Rm 3:11); ver coisas espirituais (Jo 3:3); conhecer seu próprio coração (Jr 17:9); direcionar os próprios passos no caminho da vida (Jr 10:23; Pv 14:12); libertar a si mesmo da maldição da Lei (Gl 3:10); receber o Espírito Santo (Jo 14:17); nascer por si só na família de Deus (Jo 1:13; Rm 9:15,16); produzir arrependimento e fé em Jesus Cristo (Ef 2:8,9; Jo 6:64.65; 2 Ts 3:2; Fp 1:29; 2 Tm 2:25); ir a Cristo (Jo 10:26; Jo 6:44); e agradar a Deus (Rm 8:5,8,9). Estas conseqüências da desobediência de Adão em seus descendentes são o que os teólogos freqüentemente se referem como a total depravação do homem. Sem uma mudança de disposição, o amor de Deus e Sua lei não é a mais profunda motivação e princípio do homem natural. 
O Que Tudo Isso Tem a Ver com João 3:16?
Sinergistas freqüentemente me dizem: “Predestinacionistas acreditam em um Deus que requer mais do que Ele capacita ou permite os homens alcançarem. Este é o tipo de Deus em quem eles acreditam”. Nisto eles estão parcialmente corretos, mas a falha está no homem, não em Deus... porque a natureza de Deus nunca mudou, mas a nossa muda. A Lei de Deus é perfeita porque Ele é perfeito. Ele não pode diminuir Seus padrões por nós ou Ele não mais seria Deus. Por esta razão, Deus teve um propósito específico em exigir perfeição moral em nós e isso inclui o mandamento de crer em Cristo. 
Declarações bíblicas como “se tu o buscares” e “todo aquele que nele crer” como em João 3:16 estão num modo hipotético. Um gramático explicaria que há uma declaração condicional, que não expressa nada de forma indicativa. Nesta passagem o que nós “deveríamos” fazer não implica necessariamente que nós “podemos” fazer. Os dez mandamentos, da mesma forma, falam do que nós deveríamos fazer mas eles não implicam que nós temos a habilidade moral de cumprí-los. Os mandamentos de Deus nunca serviram para nos fortalecer, mas para arrancar nossa confiança em nossas próprias capacidades de tal forma que seria o fim de nós mesmos. Com uma clareza pungente, Paulo ensina que este é o intento da legislação divina (Rm 3:20, 5:20; Gl 3:19,24). Se alguém está tentado a argumentar que essa crença é meramente um convite, e não um mandamento, leia 1 João 3:23: “E este é o seu mandamento: que creiamos no nome de seu Filho Jesus Cristo...”. Então, eu creio que aqueles que sustentam a idéia de que Deus ordena aos homens decaídos e não-regenerados a fazerem algo que já são capazes de fazê-lo estão impondo uma teoria antibíblica no texto. Um mandamento ou convite com uma afirmação abertamente hipotética, como João 3:16 faz não implica na capacidade de cumpri-lo. Isto é especialmente verdadeiro à luz de textos como Jo 1:13, Rm 9:16, Jo 6:37, 44, 63-65, Mt 5:16-16, 1 Co 2:14 e muitos outros que mostram a incapacidade moral do homem no estado decaído em crer no Evangelho. Em nossa natureza não-regenerada nós não podemos fazer nada a não ser amar as trevas e nunca nos aproximarmos da luz.
Na Cruz Deus Nos Dá o que Ele Exige de Nós
Como isso pode ser boa-nova se os homens nunca se encontrarão naturalmente desejando se submeter em fé aos humilhantes termos do Evangelho de Cristo? (Rm 3:11; Jo 6:64,65; 2 Ts 3:2). Porque Deus nos deu graciosamente o que Ele exige de nós. No evangelho, Deus nos revela a mesma justiça e fé que Ele exige de nós. O que nós deveríamos ter, mas não poderíamos criar ou alcançar ou cumprir, Deus nos garante livremente, como é chamada, a justiça de Deus (2 Co 5:21) e a fé de Cristo. Ele revela, como um dom em Cristo Jesus, a fé e a justiça que antes era somente uma exigência. Fé não é algo com que o pecador contribui para pagar o preço de Sua salvação. Jesus já pagou todo o preço por nós. Fé é nosso primeiro fôlego na respiração de nosso novo nascimento, antes de falar. É uma testemunha da obra da graça de Deus que tomou seu lugar dentro de nós (Ef 2:5,8; 2 Tm 2:25).
Romanos 3:11,12 diz “não há ninguém que busque a Deus, ninguém” e 1 Co 2:14 diz que o homem natural não consegue entender as coisas do Espírito, que são loucura para ele e não é possível que sejam aceitas porque devem ser discernidas espiritualmente. Mesmo Pedro teve de ser revelado pelo Pai que Jesus era o Cristo. Os arminianos e nós concordamos que “todo aquele que crer” tem a vida eterna, mas a questão vai além disso – o que leva alguém a crer?
C.H. Spurgeon, em seu sermão Incapacidade Humana expõe isso com grande clareza:
"Oh", diz o Arminiano, "os homens podem serem salvos se quiserem." Nós replicamos: "Meu querido senhor, todos nós cremos nisto; mas é precisamente no se eles quiserem onde está a dificuldade. Afirmamos que ninguém quer vir a Cristo, a menos que ele seja trazido; pelo contrário, nós não afirmamos isto, mas o próprio Cristo o declara: "Mas não quereis vir a mim para terdes vida"; e enquanto este "não quereis" permanecer registrado na Santa Escritura, não seremos inclinados a crer em qualquer doutrina da liberdade da vontade humana. É estranho como as pessoas, quando falam sobre o livre-arbítrio, discutem de coisas que eles não tem nenhum entendimento. "Ora", diz alguém, "eu creio que os homens podem ser salvos se eles quiserem." Meu querido senhor, de modo algum é esta a questão. A questão é: os homens alguma vez são encontrados naturalmente dispostos a submeterem-se aos termos humilhantes do evangelho de Cristo? Declaramos, sob a autoridade das Escrituras, que o homem está tão desesperadamente em ruína, tão depravado, e tão inclinado a tudo o que é mal, e tão oposto a tudo o que é bom, que sem a poderosa, sobrenatural e irresistível influência do Espírito Santo, nenhum ser humano quererá jamais ser constrangido para Cristo. Você replica, que os homens algumas vezes estão desejosos, sem a ajuda do Espírito Santo. Eu respondo: Você encontrou alguma vez alguma pessoa que estivesse?
Eu argumentaria que este é o porquê de Jesus enfatizar o novo nascimento durante toda a passagem de João 3. Nicodemos não podia entender a linguagem de Jesus: “O que nasce da carne é carne, mas o que nasce do Espírito é espírito”. Assim como somos passivos em nosso nascimento físico, também no nascimento espiritual o somos. Nós não participamos ativamente de qualquer nascimento com nossos esforços. O Espírito é semelhante ao vento nesta passagem, que não se sabe se está indo ou vindo – assim é todo aquele nascido em espírito. O trabalho do Espírito é soberano e sobrenatural. Assim como um cego não enxergará se você lançar uma luz nos seus olhos, ordenando a ele tudo que você quiser. Não é de luz que ele precisa, mas de um novo par de olhos. É assim que o novo nascimento parece. Antes da regeneração, Satanás nos tornou cativos de sua vontade. Ele nos cegou para a verdade. Nós devemos ser libertos de nossos próprios desejos e o cativo somente é completamente livre pelo dedo de Deus através do trabalho final de Cristo.
Em João 3:19-20, no mesmo contexto de 3:16 (três versos depois), Jesus qualifica Seu “todo aquele que crê” com a seguinte afirmação: “Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram as trevas, e não a luz, porque as suas obras eram más. Quem pratica o mal odeia a luz e não se aproxima da luz, temendo que as suas obras sejam manifestas”. (Isto é para todos nós anterior à regeneração)
Mas todos nós sabemos que alguns virão para a luz. Leia o que João 3:20-21 diz sobre eles. “Mas quem pratica a verdade vem para a luz, a fim de que seja manifesto que as suas obras são feitas em Deus”. Então, veja que existe aqueles que vêm para a luz; e suas obras são o trabalho de Deus. “Feitas em Deus” significa trabalhado em e por Deus. A não ser pelo gracioso trabalho divino de regeneração, todos os homens odeiam a luz de Deus e não irão até ela.
Ao invés de balançar nossas cabeças para o versículo que se encaixa em nosso sistema particular de teologia, nós devemos interpretar escritura com escritura, especialmente no contexto da passagem. Agora que nós vimos João 3 por completo, o verdadeiro significado do texto se torna claro. João 1:10-12 é também um dos favoritos dos sinergistas quando anunciam o evangelho:
Ele estava no mundo, e o embora mundo tenha sido feito por intermédio dele, o mundo não o reconheceu. Veio para o que era seu, mas os seus não o receberam. Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus”.
Grande passagem, eu também adoro usar estes versos, mas nós não podemos parar aqui. Nós precisamos reconhecer que devemos adicionar a qualidade do verso 13:
os quais não nasceram por descendência natural, nem pela vontade da carne nem pela vontade de algum homem, mas nasceram de Deus” (João 1:13).
Eu acho estranho muitos deixarem esse versículo de fora de sua evangelização: todos os versículos caminham juntos. Isso repete um tema constante nas Escrituras: que nós somos ordenados a nos arrepender e crer no evangelho, mas adicionalmente, que nós somos moralmente incapazes de fazer tanto sem o eficaz trabalho do Espírito Santo. A oferta de “todo aquele que nele crer” é para todos os homens e verdadeiramente oferecida a todos os homens, mas nenhum homem natural deseja a Deus. TODOS rejeitam este dom, mas o que nós não podemos fazer por nós mesmos, Deus faz por nós. Aqueles que vêm a Deus dão glórias a Ele porque Ele tem preparado seu coração, dando-lhes um desejo por Cristo que é maior que o desejo de permanecer no pecado. Isto é o que Ele fez por Lídia através da pregação de Paulo, no livro de Atos: “O Senhor abriu seu coração para atender à mensagem de Paulo”. O que aconteceu a Lídia é o que acontece a todo aquele que vem para a fé em Cristo. Se o Senhor abrir nosso coração, nós desejaremos crer, e nenhuma resistência existe, porque nós não desejaremos resistir. Nossas novas naturezas vivificadas pelo Espírito Santo têm novos desejos e disposições, que não poderíamos produzir por nós mesmos. Se o Senhor abriu o coração de Lídia para ela atender à mensagem e ela resistisse, isto seria uma afirmação contraditória. Note que Deus abriu seu coração para “atender à mensagem”. Se Deus desarmou a hostilidade de Lídia de forma que ela creria, então não deveria haver mais debates de como Ele faz com todos aqueles que têm fé. Apesar do fato de nós termos uma crença real em nós mesmos, pelo esquema sinergista, no entanto, o homem volta sua afeição e fé para Deus enquanto ainda está em sua caída e degenerada condição de coração petrificado. Mas o homem deve primeiro ter uma nova natureza para crer – ou seja, a Escritura ensina que o homem sem o Espírito não deseja, entende, tampouco é capaz de obedecer ou se voltar a Deus (1 Co 2:14, Rm 8:7, Rm 3:11). Se nós iremos acreditar, Deus deve primeiramente transformar nosso coração de pedra em um coração de carne:
Darei a vocês um coração novo e porei um espírito novo em vocês; tirarei de vocês o coração de pedra e lhes darei um coração de carne. Porei o meu Espírito em vocês e os levarei a agirem segundo os meus decretos e a obedecerem fielmente às minhas leis” (Ezequiel 36:26,27).
Os sinergistas acreditam que o grande desejo por fé, pelo qual nós creremos no Deus que justifica pecadores, pertence a nós por natureza e não por um dom da graça, que está, pela inspiração do Espírito Santo, aumentando nossa vontade e tirando ela da descrença para fé e da falta de Deus para Deus. Mas o Apóstolo Paulo diz: “Estou convencido de que aquele que começou boa obra em vocês, vai completá-la até o dia de Cristo Jesus” (Fl 1:6). E novamente, “Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus” (Ef 2:8). Pior ainda, os sinergistas ensinam que Deus tem misericórdia de nós quando, a partir da graça regeneradora, nós acreditamos, queremos e desejamos, mas não confessam que é através do trabalho e inspiração do Espírito Santo em nós que teremos a fé, a vontade ou força para fazer todas estas coisas. Se eles fazem a ajuda da graça depender de nossa humildade ou obediência, mas não concordam que é um dom da própria graça que nós sejamos obedientes e humildes, eles contradizem a Bíblia, que diz “O que você tem que não tenha recebido?” (1 Co 4:7) e “Mas, pela graça de Deus, sou o que sou” (1 Co 15:10).
Então vamos perguntar a nossos amigos sinergistas porque um homem crê e outro não?
Pelo esquema arminiano, Deus dá ao homem graça suficiente para colocá-lo numa posição de decidir por si mesmo se irá ou não crer. Então um homem será mais inteligente, mais sábio e mais humilde? Se este fosse o caso, Deus nos salvaria com base na personalidade gerada por nós mesmos e não pela graça. Pergunte a eles como seus olhos se voltaram a Deus. Um homem usa a graça dada a ele e outro não. O que no homem determina sua escolha e por quê? Isso nos deixa com salvação pelo mérito, desde que um homem que tem pensamentos e afeições por Deus O escolhe enquanto o outro não. Não já provamos que as Escrituras ensinam que fazemos nossas escolhas baseados no que mais desejamos? Onde o homem conseguiu sabedoria e inclinação a Deus, enquanto o outro permaneceu endurecido? Como um homem criou um pensamento reto, afeição reta, ou originou volição reta? Se não veio de seus desejos, então veio de onde? As escolhas são baseadas no que nós somos. Um homem natural nunca escolheria a Deus por si mesmo sem a graça regeneradora. Então Deus sobrenaturalmente enxerta a obra regeneradora do espírito ao despertar a fé de Seus eleitos.
Então, porque alguns homens rejeitam a Deus?  
Resposta muito simples: Porque eles são malignos. “Ele fará uso de todas as formas de engano da injustiça para os que estão perecendo, porquanto rejeitaram o amor à verdade que os poderia salvar” (2 Ts 2:10). Eles odeiam a Deus e não O querem, como toda pessoa sem o Espírito. Cristo diz “vocês não crêem, porque não são minhas ovelhas”. Jesus claramente mostra que a natureza da pessoa determina as escolhas que faz. Ele não diz “vocês não crêem, por isso não são minhas ovelhas” . Não, Ele diz “vocês não são minhas ovelhas, (POR ISSO) vocês não crêem”. A Bíblia afirma claramente porque alguns crêem e outros não. Nossa natureza determina nossas escolhas. Descrença é conseqüência da maldade, segundo as Escrituras. Crer é conseqüência da misericordiosa mudança na disposição do coração (em direção a Deus) através da rápida ação do Espírito Santo. O esquema sinergista deixa cada pessoa decidir por elas mesmas enquanto ainda estão em sua natureza decaída. O homem em seu estado não-regenerado decide baseado em um princípio dentro dele. Nossa vontade por si só não é autônoma, mas controlada por quem somos naturalmente. Nós nunca escolhemos o que nós não queremos ou odiamos. Em nosso estado não-regenerado nós ainda somos hostis para com Deus, amamos as trevas e somos cegos pelo diabo, tomados cativos para fazer a vontade dele, e não desejamos ou queremos coisas espirituais.
Se a graça preveniente dos arminianos somente faz o coração neutro, como eles admitem, então o homem não é motivado nem desmotivado para crer ou descrer – conseqüentemente a única opção é pelo acaso que alguém creia ou não. Eles irão argumentar ardentemente contra isso mas não encontrarão outra alternativa bíblica. Nossa escolha, qual seja, é baseada em nosso caráter interior, não pelo acaso. Um homem escolhe e o outro não, porque um foi renovado pelo gracioso trabalho de Deus. Apenas isso dá toda glória a Deus pela salvação.
O Espírito dá vida; a carne não produz nada que se aproveite. As palavras que eu lhes disse são espírito e vida. Contudo, há alguns de vocês que não crêem” (...) E prosseguiu: "É por isso que eu lhes disse que ninguém pode vir a mim, a não ser que isto lhe seja dado pelo Pai” (João 6:63-65).
Concluindo, minha oração é que a igreja do século XXI finalmente aprenda a doutrina “somente pela graça” corretamente. Oh! Que nós entendamos a pobreza da condição do homem perdido e a glória da misericórdia e graça divinas, e que não nos preocupemos em proclamá-las. Acredito que percorreremos um longo caminho parar criarmos uma postura de adoração que dê completa honra a Deus, em que Seu povo terá pensamentos corretos sobre Ele e alcançará um estágio de verdadeiro reavivamento. Esta tem sido uma longa batalha desenhada através da História da igreja (Agostinho/Pelágio, Lutero/Erasmo, Calvino/Armínio, Wesley/Whitefield) mas eu permaneço muito otimista quanto ao futuro crescimento do reino de Deus.
***Tradução livre: Josaías Cardoso Ribeiro Jr.Fonte: Monergismo

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Os Mistérios de Deus na Criação – Pr. J Miranda


Se a ciência não consegue desvendar o paradeiro da aeronave, quanto mais desvendar os mistérios de Deus na criação!
A ciência aérea não consegue detectar onde se meteu este avião. Em entrevista ao programa da jornalista Fátima Bernardes, encontro, na manhã do dia 19 de Março, especialistas opinaram acerca do paradeiro da aeronave. As opiniões foram diversas. Uns acreditavam em sequestro, outros em bomba (terrorismo), outros em pane, e outros não acreditavam em nada. Ou seja, a aeronave está em algum lugar do mundo e que nada catastrófico ocorreu. Não se pode esquecer que foi dito neste programa que a aeronave desaparecida é a mais segura do mundo. Já se ouviu uma história semelhante quando ao invés do ar a via de transporte utilizada fora o mar (Titanic). 
O fato é que uma aeronave que é tangível, que pode ser contemplada pelos olhos humanos, de repente some e ninguém sabe onde a mesma se encontra. Amados de Deus, tudo isso serve para demonstrar o caráter de fragilidade da ciência moderna e de seus mais diversos ramos, esta vive de aparência, se diz sólida e infalível, mas basta algo deste tipo para mostrar que é deficiente. Este é um momento em que todos os ramos da ciência moderna podem e devem auxiliar a ciência da aviação a dar respostas ao mundo. Bem como falou o escritor Ivan Santana, que é especialista em acidentes com aeronaves, no programa mencionado anteriormente. Ele disse a seguinte frase; “A aviação está sofrendo uma ameaça enorme e precisa dar explicações”. Fátima Bernardes também teceu um comentário interessante. Ela expôs o seguinte pensamento; “É uma questão de honra achar esta aeronave”. 
Pois bem, esta é só mais uma questão que demonstra que a ciência não consegue realizar, em certas ocasiões, uma conta exata fechando a equação. Com toda esta tecnologia mencionada alhures, uma aeronave de grande porte desaparece sem explicações e a ciência não dá cabo do paradeiro da mesma. Logo surge uma pergunta em mente: Se a ciência moderna não consegue dizer onde está um avião de grande porte, vai saber onde está Deus? Vai saber como criou Deus os céus e a terra, o homem e tudo que existe neste universo? Deus não é um objeto que pode ser levado para laboratório e ser dissecado por completo como fazem com os camundongos. Se isso ocorresse Deus deixaria de ser Deus. O que precisa ser entendido é que muitos mistérios acerca de Deus não podem ser contemplados por nossa mente, a limitação que nos é peculiar é que não nos permite um conhecimento pleno de Deus e sua criação desde do Gênesis ao Apocalipse. Tem mais povo da Aliança! Além do mais, Deus se revelou até onde Ele achou necessário se revelar ao homem. Existe coisas que pertence só a Ele (Deuteronômio 29.29). Em conversa com os discípulos, Jesus deixou claro que o homem natural “cientistas” não pode conhecer os mistérios de Deus e sua criação “Ao que respondeu Jesus: Porque a vós outros é dado conhecer os mistérios do reino dos céus, mas àqueles não lhes é isso concedido” (Mateus 13.11). Eis a razão da crença do homem macaco, os evolucionistas, aqueles que não nasceram de novo, ele estão mortos em seus delitos e pecados, sem a mínima condição de compreender os mistérios do reino dos céus. Amados irmãos, de sorte que neles se cumpre a profecia de Isaías: “Ouvireis com os ouvidos e de nenhum modo entendereis; vereis com os olhos e de nenhum modo percebereis” (Isaías 6.9-10).

quinta-feira, 1 de maio de 2014

. Pela Graça Sois Salvos - Exposição em Efésios 2.5-6 - Por Filipe Luiz C. Machado


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"Estando nós ainda mortos em nossas ofensas, nos vivificou juntamente com Cristo (pela graça sois salvos)" (Ef 2.5).

Na sentença anterior o apóstolo Paulo deixou evidente aos irmãos de Éfeso sobre a grandiosa misericórdia que habita no Soberano e quão grandes graças Ele possui para todos os Seus filhos, de modo que todos os eleitos podem descansar às sombras das asas do Filho (Mt 23.37; Lc 13.34) e os que ainda não foram despertados para a nova natureza, podem achar da água da vida, pois "aquele que beber da água que eu lhe der nunca terá sede, porque a água que eu lhe der se fará nele uma fonte de água que salte para a vida eterna" (Jo 4.14). Tal ponto foi de muita importância nesta presente carta, pois uma vez que Paulo havia demonstrado três fatos negativos quanto à natureza do homem (1. mortos por natureza (2.1); 2. seguindo o rumo deste mundo (2.2); 3. filhos da ira (2.3)), agora o apóstolo se põem a demonstrar aos irmãos de Éfeso que de fato o Senhor é excelsamente misericordioso, de modo que nenhum pecado (exceto o cometido contra o Espírito Santo - Mt 12.32; Mc 3.29; Lc 12.10) é tão grande que não possa ser perdoado pelo Rei e eterno Salvador. 

Não é em vão que a Palavra dispõe inúmeras vezes que os cristãos foram salvos somente pela graça de Deus e isto se deu justamente no tempo em que ainda estavam mortos em suas ofensas e pecados - "Estando nós ainda mortos em nossas ofensas". Observemos com grande contrição de coração que, salvo a regeneração divina por meio do Espírito do Senhor, todos os homens carecem "da glória de Deus" (Rm 3.23). As Escrituras são enfáticas em deixar-nos registrado que enquanto estávamos mortos, fomos resgatados; quando não haviam batidas salvíficas em nosso coração, fomos transformados; quando o sangue já não corria por nossas veias, a transfusão perfeita do sangue do cordeiro a nós foi feita. Absolutamente em nenhum lugar das santas e divinas Palavras, encontramos algum dito, narrativa, poesia ou doutrina que nos informe que o Senhor apenas melhorou nossa situação diante de Sua presença santa e inabalável. Um homem que não compreende suas misérias diante do senhorio de Cristo, certamente ainda não nasceu novamente.

O Senhor, através do profeta Ezequiel, com grande propriedade registrou: "E dar-vos-ei um coração novo, e porei dentro de vós um espírito novo; e tirarei da vossa carne o coração de pedra, e vos darei um coração de carne.E porei dentro de vós o meu Espírito, e farei que andeis nos meus estatutos, e guardeis os meus juízos, e os observeis... Então vos lembrareis dos vossos maus caminhos, e dos vossos feitos, que não foram bons; e tereis nojo em vós mesmos das vossas iniqüidades e das vossas abominações" (Ez 36.26-27, 31 - grifo meu). Um homem nascido de novo, jamais olha para seus feitos pretéritos e contrários ao Senhor, e neles se alegra ou sente uma razoável vontade de retornar às práticas infernais. Um homem convertido com o santo e limpo sangue de Cristo, olha para si, percebe suas imaginações, perscruta seu coração e diz: "Tenho nojo de mim mesmo! Criatura asquerosa que sou eu! Olhe o que o pecado fez em mim! Olhe meus pensamentos, minhas atitudes e meu desviar constante do Caminho! Miserável homem que sou! (Rm 7.24)" Por este precioso ensinamento acerca do regenerar de Cristo, é que disse Davi: "Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e tudo o que há em mim bendiga o seu santo nome. Bendize, ó minha alma, ao SENHOR, e não te esqueças de nenhum de seus benefícios" (Sl 103.1-2). Alguém transformado pelo evangelho da graça é alguém que olha para si e sente grande repulsa, a ponto de instigar o vômito, mas que também olha para Cristo e n'Ele encontra refúgio, "verdes pastos [e] águas tranquilas" (Sl 23.2).

Eis, então, a razão para o apóstolo do Senhor registrar: "nos vivificou juntamente com Cristo". Notemos como o vivificar (dar nova vida) não é alheio a Cristo, mas sim "juntamente com Cristo". Mas, qual a importância? Ou, que diferença faz? Quer dizer, uma vez que o apóstolo havia afirmado sobre que é em Cristo que temos nossa adoção (Ef 1.5), qual a implicação desta afirmação para os cristãos?

Em primeiro lugar, é que todo aquele que está longe de Cristo, não é participante de Seu reino - "Quem não é comigo é contra mim; e quem comigo não ajunta, espalha" (Mt 12.30). É preciso que os professos da fé cristã compreendam que o cristianismo é, neste sentido, uma crença de extremos: ou se está com Cristo, ou se está afastado d'Ele - e, portanto, se é filho da ira (Ef 2.3). Não é possível viver divorciado do senhorio de Deus, de Sua soberania e de Sua santidade, e ainda desejar sustentar uma filiação com Cristo. As Escrituras são explícitas: não existe meio caminho. Não se é "quase crente" ou "quase mundano" - ou em Cristo, ou nas trevas; ou no céu, ou no inferno.

Em segundo lugar, os cristãos foram reconciliados em Cristo e por Cristo - "Porque se nós, sendo inimigos, fomos reconciliados com Deus pela morte de seu Filho, muito mais, tendo sido já reconciliados, seremos salvos pela sua vida" (Rm 5.10). Não existe outra forma de reconciliação na vida cristã, exceto por meio do "Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo" (Jo 1.29). Homens mortos não abrem boca para clamar ou possuem lágrimas para chorar; eles precisam de vida, necessitam de novo fôlego. Assim como após muitos anos de brutalidade e impiedade sobre a terra, sobreveio o dilúvio, também assim vêm as águas do Senhor e salvam a alguns em Cristo e sentenciam outros à perdição e ira de Deus. Contudo, as águas de um dilúvio não somente exterminam os seres não preparados para o viver nas águas (exceto peixes e outras criaturas dotadas por Deus para serem anfíbios, bem como outros pequenos seres), mas também revigoram a terra encharcada de pecado, dando-lhe novos nutrientes, a ponto de Noé sair da arca e já ter boa terra para lavrar (Gn 9.20). Em Cristo, há reconciliação e novo viver.

Em terceiro lugar, por meio do sacrifício de Cristo, os cristãos possuem paz com Deus - "Tendo sido, pois, justificados pela fé, temos paz com Deus, por nosso Senhor Jesus Cristo" (Rm 5.1). Anteriormente, Paulo havia dito que por natureza os homens são "filhos da ira" (Ef 2.3) e por isso não possuem paz com Deus. Tais homens não podem e não devem se achegar com ousadia ao santuário do Eterno (Hb 10.19), pois à semelhança do sumo sacerdote que poderia ser punido instantaneamente com a morte, caso se achegasse impuro diante do Senhor, homens não devem fazer gracejos para com a Palavra do Senhor e acharem que idas esparsas à igreja ou vez por outra realizarem alguma "oração", lhes trará paz com Deus. Imaginar que se pode ter paz com o Soberano e Senhor dos Exércitos, sem passar por Cristo Jesus, é rejeitar o próprio Deus, pois "Quem me vê a mim vê o Pai" (Jo 14.9)

Em quarto lugar, somente se possui a grandiosa misericórdia do Deus riquíssimo dela, em Cristo: "Cheguemos, pois, com confiança ao trono da graça, para que possamos alcançar misericórdia e achar graça, a fim de sermos ajudados em tempo oportuno" (Hb 4.16). Todavia, como pode ser possível que alguém chegue ao trono da graça, ainda mais "com confiança" de não ser consumido, mas sim de ser bem recebido? Basta volver-nos para o versículo anterior e lermos: "Porque não temos um sumo sacerdote que não possa compadecer-se das nossas fraquezas; porém, um que, como nós, em tudo foi tentado, mas sem pecado" (Hb 4.15). Porque Cristo "em tudo foi tentado, mas sem pecado" e venceu, e cumpriu toda a Lei, os cristãos podem se achegar ao trono do Senhor e alcançarem clemência.

Em quinto e último lugar, Cristo é o único caminho para o Pai e, consequentemente, para a salvação - "Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim" (Jo 14.6). Nem bispos, nem padres, nem sacerdotes, nem apóstolos modernos, nem "homens show", nem grupos de dança, nem crianças declamando poemas, ou qualquer coisa desta estirpe leva ao Senhor. Se a verdade vem somente por meio de Cristo, então é Cristo que precisamos ouvir - "De sorte que a fé é pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus" (Rm 10.17).

Assim é que Paulo faz o adendo e diz: "(pela graça sois salvos)". Este parêntese não deve ser entendido como um acréscimo do copista ou que não consta nos "melhores manuscritos", como comumente lemos em algumas versões bíblicas. Para sermos breves, este parêntese é de fato um parêntese escrito pelo próprio apóstolo, desejando comunicar que uma vez que os cristãos foram resgatados enquanto ainda estavam mortos e foram vivificados com Cristo, nada poderia ser mais óbvio do que afirmar que a salvação é pela graça. Porém, tristemente, se revela que nos terrenos atuais do que se chama de evangelicalismo, está muito distante de alguns a verdadeira noção do que vem a ser a graça de Deus.

Afirmar que os cristãos foram vivificados "juntamente com Cristo" e salvos "pela graça" nos leva a três aplicações:

1. A graça não é de graça

Talvez estranhemos essa declaração, pois parece contradizer tudo o que vimos até agora. Contudo, devemos recordar que para nós a graça é de graça, mas a graça que chegou até nós, não veio de graça. Isto implica em dizer que somos receptores de algo que não conquistamos, pois tal qual o Israel do Antigo Testamento habitou em "terra em que não trabalhastes, e cidades que não edificastes, e habitais nelas e comeis das vinhas e dos olivais que não plantastes" (Js 24.13), assim também os cristãos, embora tenham recebido a graça de Deus, apenas para eles é que ela veio de graça, pois para Deus, custou Seu o Unigênito.

Alguns, porventura, intentarão a muitos a fim de lhes persuadirem de que de fato a graça é de graça e, portanto, devemos tão somente agradecer ao Senhor. De fato isto é verdade, mas porque a graça é de graça para nós, não significa que devemos ignorar a grandiosa obra do Senhor em Seu Filho, afinal, fomos vivificados com Cristo. Como, então, devemos receber e aplicar esta graça? "Agora, pois, temei ao SENHOR, e servi-o com sinceridade e com verdade; e deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais além do rio e no Egito, e servi ao SENHOR" (Js 24.14).

É mister que os cristãos proclamem a graça, mas que não se esqueçam de proclamar que junto com esta graça, é acompanhado a renúncia. A graça nos vem de graça, mas deve nos levar à renúncia; à abdicação do "eu"; à morte diária do pecado; a mais dizer "não" para o mundo, do que sim; a guiar nossos relacionamentos sob à luz da Lei de Deus; à buscar um viver santo em completamente toda e qualquer ocasião, desde o lavar das mãos para a comida até o pregar do evangelho (1Co 10.31-32). Proclamar a graça é magnificamente importante e esta é a mensagem da salvação desde os dias subsequentes à queda de Adão e Eva, entretanto, devemos considerar que a graça que envolve o crente, custou a vida de Cristo e, portanto, "Aquele que diz que está nele, também deve andar como ele andou" (1Jo 2.6). 

Se Cristo, que é por quem somos atraídos ao Pai, viveu de maneira reta e certa diante de Deus, acaso haveríamos nós por simplesmente embargar no navio da graça e esperar sermos levados à cidade celestial, como se por aqui pudéssemos viver de maneira displicente e rejeitando o Seu sacrifício?

2. A graça leva às obras

Novamente, embora soe destoante do que comumente se vê nos arraiais evangélicos, a graça leva às boas obras em Cristo Jesus. Um homem que professa a fé no Filho de Deus, mas não vive uma vida de piedade, não chora em contrição pelos pecados cometidos, não anseia ardentemente pelo Dia do Senhor (tanto o dia propriamente dito, como o dia de Sua vinda), não proclama a Palavra da verdade - ainda que lhe custe os amigos, emprego e reputação -, não busca lutar contra o pecado e não se abstém de práticas pecaminosas - desde as maiores até as menores -, certamente está a um passo de ser tragado pelo Senhor, bastando que resvale o seu pé e chegue o dia de sua destruição (Dt 32.35).

Tiago enfatiza e nos ensina esta preciosa verdade: "Porque, assim como o corpo sem o espírito está morto, assim também a fé sem obras é morta" (Tg 2.26). Alguém poderá replicar e afirmar que Tiago está falando de fé, enquanto o presente versículo de Paulo, fala de graça. A estes, nada responderemos no momento, pois logo no versículo oitavo do presente capítulo de Efésios se vislumbrará que a graça é o que nos leva à fé.

É importante que os cristãos compreendam que afirmar estar na graça, mas não ser impelido a realizar as obras do Espírito, é viver em uma contradição - e como vimos anteriormente, não pode haver meio termo: ou se está em Cristo e se pratica as obras do evangelho, ou se vive nas trevas e pratica-se as obras do maligno. Certamente que isto não significa que o verdadeiro cristão nunca poderá fraquejar ou viver de modo contrário à Palavra, pois se o próprio apóstolo Paulo queixava-se e lamentava profundamente o pecado que ainda permanecia em seu corpo (Rm 7.24), que diremos nós? 

O cristão é alguém ativo e que porque foi tocado pela graça, é levado a praticar as obras do Senhor e observar toda a Sua Lei - não devido a por elas ser salvo, mas sim porque, assim como um filho agradece ao pai terreno por um presente que recebeu e depois procura ser um bom filho em obediência e bons feitos, de igual maneira o cristão é levado a buscar viver de modo que glorifique ao Senhor em tudo o que faz (1Co 10.31), mesmo sabendo que constantemente vacilará - mas, como é crente na graça de Deus, não desfalecerá pela caminho, "Porque Deus é o que opera em vós tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade" (Fp 2.13)

3. A graça não elimina os efeitos do pecado aqui na terra

É um erro grosseiro o cristão ser levado a pensar (e até mesmo proclamar) que porque foi perdoado, não deve sofrer as consequência do pecado e de seus pecados enquanto vive. Se fosse verdade que a graça elimina toda e qualquer mazela proveniente do pecado, o ladrão da cruz teria de ser liberto, pois foi salvo por Cristo e teve seus pecados perdoados (Lc 23.43); Davi não deveria ter sido castigado com a morte de seu filho advindo do adultério, pois posteriormente orou e pediu a Deus que lhe perdoasse (2Sm 2.13-14; Sl 51); o povo de Israel também foi castigado, então, várias vezes de modo injusto, pois o Senhor os perdoava constantemente.

A verdade é que no lugar do evangelho da graça, se tem visto muitas vezes a proclamação do evangelho da desgraça. Sim, não ouso titubear ante esta apostasia generalizada que vemos em muitas ditas igrejas de "Jesus" e movimentos malignos. Pela misericórdia do Eterno sempre tem havido o remanescente fiel e que não tem se dobrado diante dos ídolos levantados por homens (1Rs 19.18), como sucesso, dinheiro, riquezas, fama, prestígio, curas, milagres, livre arbítrio e toda sorte de patifaria que se tem visto. Todavia, tristes fatos havemos de recordar, pois não são poucos que elevam suas vozes de falsos profetas e proclamam uma graça que mais traz desgraça (a falta da genuína graça de Deus), do que a verdadeira graça salvadora.

Que possa o Senhor abundar-nos de graça, mas sempre nos levando em Sua viva palavra, a fim que não nos esqueçamos de Ele, "pois, compadece-se de quem quer, e endurece a quem quer" (Rm 9.18), de modo que não brinquemos por esta terra, e sim vivamos conforme nosso chamado para a batalha pelo Reino de Deus.

- Sobre o autor: Filipe Luiz C. Machado mora em Blumenau/SC, é Presbítero da Igreja Cristã Reformada de Blumenau. Analista, crítico e amante da vida cristã. Casado com Angela, autor do blog 2Timóteo 3.16. 

 Fonte: 2Timóteo 3.16